Da Fantasia

Ela enterra o rosto no travesseiro e pronuncia, tomando cuidado para não produzir nenhum som:

 - (…) *

Não é ele que está ali. Enfiando o pênis com enorme vontade sua vagina adentro.

Olha para trás. Pela expressão de prazer do outro, de fato, não produziu nenhum som. De qualquer forma, ela está de quatro, alguns gemidos esparsos. Seria preciso muito para desconcentrá-lo do seu próprio esforço de chegar ao gozo. Arriscou então um sussurro, ainda junto ao travesseiro:

- (…)

Olhou pra trás novamente. Não, ele não ouviu. Pode então, levar os dedos ao clitóris, movimentá-los com algum vigor e gozar. Enquanto os espasmos aconteciam, repetia o nome mentalmente repetidas vezes. Se concentrava para visualizar aqueles olhos. Pra se lembrar a cor morena exata da pele. Pensava nos nós dos dedos das mãos. Minutos depois, insone, enquanto o homem ao seu lado ressonava, se perguntou: como diabos eu vim parar aqui?

Ele era um amigo. Só um amigo. Bonito. Atraente. Mas um amigo. Só um amigo. E nem tão amigo. Amigo de trabalho. Viam-se uma vez por dia. Ocasionalmente um abraço. Conversavam fatos do mundo e da vida. Confidências poucas. Algumas piadas que possibilitavam outro sentido, porque era do feitio dele. Quando, certa feita: BOOM. Ela se viu pensando mais. Esperando que ele chegasse. Insistindo nos abraços. E imaginando que fosse ele a estar enfiando o pênis com resoluta vontade sua vagina adentro. Olhando-a com aqueles olhos de comer e estraçalhar, enquanto ela estivesse de joelhos, sugando seu pênis com dedicação. Dizendo-a com aquela voz tão suave, quase como que produzida dentro de campos de algodão, o quanto sua bunda era grande, seus peitos eram belos, sua buceta era molhada. – a este ponto, já falariam em bucetas e paus, e no prazer de todo o resto.

Começariam a conversar algum dia. Uma coisa levando a outra, ele contaria que sempre que a via sentada, com as costas eretas, na cadeira do escritório, imaginava-a nua, sentada sobre ele. Ela diria que todas as vezes, nos abraços, quando ele levava a mão à sua nunca, imaginava-o puxando-a pelos cabelos, direcionando sua boca para beijar-lhe todo o corpo. Ela confessaria que tremeu de tesão naquele dia em que desceram as escadas juntos e sozinhos. Ele, que o batom vermelho dela o botava louco.

Esperariam, então, que todos os outros se fossem. Inventariam que o compromisso atrasou-se e não poderia ser deixado para o outro dia. Encaminhariam-se, já se beijando, sem nada dizer, para dentro do banheiro e foderiam ali, de pé, roupas postas, com pressa e sofreguidão. Encostados à pia, o espelho apenas a testemunhar o desejo. O pau ereto arranharia as mucosas, na falta de preliminares apropriadas. Mas, uma vez inteiro dentro, os líquidos desceriam abundantes e o movimento tornaria-se fácil. Ele agarraria os peitos dela ainda sob blusa e seguiria metendo-se com determinação e força. Gozaria. Ela não faria questão. Queria sair de lá levando a expectativa consigo. Queria permanecer sentindo a circulação pulsar. Como um “quase” físico. Como uma esperança de que mais haveria. Apaixonariam-se.

E então, ela notou que a esse ponto, não era mais da vagina que a fantasia fluía. Mas daquele lugar sabe Deus onde fica, de onde a gente espera demais da vida, quando lá está. Fechou este livro então aberto e depois os olhos. Adormeceu. Sonhou com ele, mas não lembrou detalhes. No outro dia, pegou-se pensando no quão clichê, para os outros, seria: reivindicar-se a vida toda tão biscate e tornar-se infiel.

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Sobreviver

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Sobreviver. Não é para os fortes, não é coisa de herói, nada disso. Sobreviver porque é a única coisa que se pode fazer. Não tem escapatória. A gente sobrevive porque a vida está aí. Batendo na cara todo dia o dia todo. A gente sobrevive só por hoje. Só mais essa semana. Só mais esse mês. Quando vê, isso tudo foi a vida que deu pra viver.

Sobreviver. Apesar de. Da dor que dói furando. Do cansaço. Do choro. Da falta de choro. Da apatia. Do medo. Da incerteza. Da angústia. Da insônia. Do tombo. Da falta de caminho. Da falta de riso. Da falta de amor. Por você mesmo.

Sobreviver. Às pancadas do cotidiano. Às risadas maldosas. Aos comentários ferinos. Sobreviver sem dinheiro no banco. Sem sentido pra vida. Sem planos e nem projetos. Sobreviver sem amor. Por você e pelos outros. Sobreviver com um vazio no peito sem explicação. E tentar dar explicação pra aquilo que não tem nome. Que se desconhece. Que nunca antes na história dessa vida.

Sobreviver. Levantar da cama todo dia com a vontade de se afundar nela. Comer pra tentar tampar o vazio que consome. Beber pra tentar achar resposta pra um mundo de perguntas infindáveis. Trabalhar para pagar a vida. Faltar força até para dar cabo da vida.

Sobreviver. Andar olhando pros prédios altos desejando um piano enorme na cabeça. Olhar para a rua movimentada e pensar num ônibus esmagando o corpo. Querer um corpo sem vida. Outro corpo. Outra vida. Fugir. Na verdade, ser fugida. Um sequestro, uma morte acidental, qualquer coisa que o valha.

Sobreviver. Saber que é preciso continuar. O dinheiro mal paga a vida, não vai pagar a morte. Saber que nada é eterno. Que um dia isso passa, muda, se transforma. Um dia você vai rir disso. Ou não. Vai lembrar com dor desse momento doloroso, dessa eterna agulha debaixo da unha, e saber que ele acabou. Merecer você não o merecia, mas ele veio. Ficou. Se instalou de mala e cuia. Fez estrago, corroeu o amor, a esperança, a fé na vida. Mas você sobreviveu. E sobreviver dói, mas é a única alternativa.

Depois a gente vê

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Pediram-lhe palavras. Há algum tempo já, ela só tem usado as roubadas, de poemas e canções. Debruça-se sobre as palavras alheias, que a traduzem tão bem que ela se comove de se ver ali, desnuda e descrita. Sempre achou que empunhava as palavras tão magistralmente e hoje elas lhe faltam. Ou sobram. Nunca na medida. Como o que ela sente, também tão desmedido. Tão desafiador, desestruturador de tudo o que ela sempre pensou ser, que viveu até aqui, que acreditou.

 Ele faz doerem nela dores que ela nem sabia que existiam. E a faz gozar prazeres de que  tampouco desconfiava. Perfurantes. Ele confronta suas teorias sobre amor e liberdade, testa seus limites, grava no seu corpo e na sua memória as sensações mais extasiantes, enquanto crava nela o ferrão da dúvida, os dentes do ciúme, as unhas da inquietação. Fugidio, esquivo, tantalizante. Ela? Experimenta, permite-se, tenta, testa. Alonga. Paga pra ver.

 Já partiu, já voltou, chora muito, ri outro tanto, pensa demais. Tudo demais. Cores, dores, luzes, faltas, explosões, desejos. Esperas. Essa coisa de pensar sobre o tempo. Muito cedo, tarde demais, intervalos, ocasiões, agora, nunca, sempre, velocidade, duração, logo, quando, tempos paralelos, tempos comprimidos, tempo. E espaços. Frestas. Onde. Como.

 …..

Os olhos escuros que ficam quase cor de âmbar no amor.  Ela poderia ir morar naqueles olhos para sempre. Reduzida à carne sob as unhas, escondida nos sulcos da pele, no meio dos pelos, entranhada no suor dele, no sêmen, no gosto doce e úmido da boca.

 …..

Uma coisa é saber da falta e da angústia, mas viver todo o tempo diante da face crua dessa falta, na ausência de ar e no espanto desse buraco que nos constitui, também pode ser sintoma. Por isso, a gente cria uns véus, lança umas rendas diáfanas diante da realidade, usa uns filtros no enquadramento, para adoçar arestas, permitir caminhos.

 Entretanto. O caminho que ela percorre é escuro, instável. A cada passo, a incerteza. Cair no vazio ou criar, no próprio ato do passo, outro pedaço da estrada? Estrada que ela nem sabe se existe, ou onde vai dar. Claro que não existe. Nenhuma estrada existe a priori. Mas a gente às vezes inventa, projeta, imagina – lança os tais véus – e isso é muito reconfortante. Fazer planos, sonhar, construir futuros. Ainda que só de brincadeira, ainda que sabendo da ilusão. Adora um amor inventado.

Por um tempo viveu um amor assim, que prometia ser absoluto, completo. Foi tão bom acreditar. E tão sufocante manter. Hoje, experimenta a exacerbação da transitoriedade. De um lado, a ilusão de completude, da entrega que cobra, impiedosa, o preço da liberdade; de outro, o desconforto da impermanência, permanentemente desfraldada diante de si como um desamparo. No meio, ela. Um tanto atordoada. Que já não sabe o que deseja. Ou sabe só o que deseja, sem lógica ou juízo. O corpo dele no seu, as mãos, a boca, as pernas, os olhos. Os olhos dele nos seus, o fogo, o riso, a dor, a promessa muda e incompleta. Só hoje, só mais um dia, só até o próximo encontro. Depois a gente vê o que faz.

 

Uma História de Sexo

Sexo, pra mim, é das coisas mais divertidas que a gente pode fazer nessa vida. Simples assim! Sem muita filosofia, sem drama. Nunca fui dessas pessoas que “se guardam”, “se preservam” ou sei lá mais o que. Nunca entendi essa linguagem. Claro que tem aí alguns cuidados básicos que todo mundo tem que tomar pra não se estrepar e isso faz parte da socialização sexual: camisinha e consentimento, pra mim, o par inevitável. Embora eu admita que já deixei a primeira de lado algumas vezes, imprudente que fui.

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Uma das vantagens de se ter uma vida sexual divertida é ter histórias pra contar. Acumulei algumas boas ao longo do tempo. Uma vez me envolvi com um sujeito casado, história sofrida. Apaixonei-me por ele num piscar de olhos (coisa que não é assim muito sábia, mas acontece nas melhores famílias) O cara nem sempre podia estar comigo o que era ocasião para intermináveis discussões e muita, muita frustração. Já sem saber o que fazer diante disso e covarde demais para terminar tudo, um dia disse num rompante: “Então, tá. Você não vem me ver? Então manda alguém no seu lugar porque eu quero transar hoje.” Qual não foi minha surpresa, quando o gajo, de fato, escalou um amigo para substituí-lo. Mandou-me mensagem no celular: “tenho um amigo disponível pra me substituir. Topa?”

Aí você pára e pensa nesse momento:

a)      Vou mandar esse cara se fuder;

b)      Ah, é? Tá achando que eu vou desistir?

Provavelmente tem várias alternativas a esse dilema, mas eu só pensei nessas duas. Eu fiquei meio espumando de ódio e meio curiosa pra saber quem seria esse amigo substituto misterioso. Afinal de contas, eu sou biscate, paciência, fazer o que? Topei pra ver até onde ia esse troço.

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A única coisa que me importava saber era se o amigo também concordava com essa situação. Afinal, já estava eu pensando no meu combo camisinha + consentimento, não saia de casa sem ele. E ele me garantiu que sim. Combinamos então que o amigo me telefonaria.

Meu caso queria acompanhar todo o desenlace da trama, queria participar dos detalhes do encontro. Aí veio o segundo tempo da negociação toda. Eu digo: “Só vai rolar o que eu quiser”. Nem pense que vai ficar controlando meu encontro que nem videogame, isso aqui não é playstation, meu filho. Não vai ter filmagem, não vai ter foto, não vai participar. No máximo, no máximo, te ligo no celular na hora que a coisa esquentar pra você poder ouvir o geme, geme (eu sou boa em sound effects) E assim aconteceu: o amigo substituto era uma graça, pessoa adorável, bom de cama. O sexo foi incrível e acabou rolando mais de uma vez, várias vezes depois. Claro que o tesão do outro só aumentou depois disso. Aliás, a bem da verdade, nós três ficamos bastante excitados com essa história toda. Um dia cheguei a encontrar os dois, um depois no outro, no mesmo motel. (eu já estava popular na recepção do estabelecimento)Não sei o que significou pra eles dois ou pra amizade deles, pouco me importava. Às vezes imagino que entre eles possa ter havido sexo também, nem que fosse só pela fantasia de imaginar como seria o amigo na cama com aquela mulher, eu. Mas, isso eram os meus devaneios. Eles nunca me perguntavam nada, nem me pediam pra comparar. O que teria sido meio ridículo, cá entre nós.

Pra mim, era uma aventura, alguma transgressão minimamente controlada e negociada. E eu me sentia jogando o jogo junto com eles e no controle da situação porque não acontecia absolutamente nada que eu não topasse e mais, eu sentia liberdade pra propor o que eu tivesse vontade. Nunca tivemos um ménage, ninguém nunca chegou a propor isso abertamente. Mas, éramos os três e durou algum tempo. Pra gente mais atirada do que eu, essa história pode até parecer inocente, mas eu estava me sentindo a própria Anais Nin.

O caso acabou tempos depois, o amigo substituto também desapareceu, como tantos outros mais que vieram depois. Essa não é uma história de amor, é uma história de foda. Tem sentimento, claro, porque a vida não tem graça sem esse colorido do afeto, mas não tem happy ending, só end e ponto final. Também não serve como guia pra auto-estima feminina, tem nada a ver com isso. Não me senti “poderosa”, “sedutora”, ou coisa parecida. Era uma brincadeira, e só.  Três adultos que fizeram um acordo e se divertiram até onde deu.

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A primeira casa de swing a gente nunca esquece

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Eu já sabia que havia uma casa de swing na rua de casa. Na.Rua.De.Casa. Walking distance.

Estava casada há quatro anos, mas se nem filme pornô dava para assistir juntos, e transar se tornou o aprimoramento da repetição de 4 etapas apenas, na mesma ordem, com a mesma intensidade… (se já tivessem mostrado a ele o episódio de Friends com os 7 passos para a felicidade…), o que dirá sugerir a ida a uma casa de swing. Jamais, jamais…

Eis que veio a separação, por uma lista de motivos que mal justificam o casamento, ok, mas ela veio com tudo e abriu espaço, pelo menos no começo, para muita liberdade e para que tudo o que não havia acontecido acontecesse, de alguma forma.

Clichê dos clichês, o advogado que cuidaria do divórcio vai em casa para discutir alguns detalhes. E depois que você chora dez minutos no ombro dele, percebe que o perfume é ótimo e que sempre rolou um clima e… depois de quatro anos e pouco, uma transa decente. E uma conversa deliciosa. E “ah sim, vamos combinar algo”…

E uma semana depois, por telefone – há uma casa de swing aí próximo da sua casa, conhece? E eu – não, ainda… (ele) – Vamos? Na quinta? (eu) – E por que não?

Fantasia por fantasia, casa de swing para mim era uma coisa meio norte americana, e eu não conseguiria imaginar o que veria. O que vi. (E o que ainda não saiu das minhas alegres memórias).

Melhor lingerie, vestido sensual, casaco porque fazia um friozinho. Salto alto. Perfume. O advogado chegou a sugerir de deixarmos para lá, mas não… fomos caminhando, copos de plástico com whisky na mão, rindo alto até chegar na portaria. O porteiro, todo simpático, pergunta se queremos uma introdução à casa, que eu descubro ter 4 pavimentos… Apresenta uma antessala em que você, com a chavinha recebida na recepção, deixa sua roupa no armário e fica de roupão. Camisinha grátis. O advogado ficou com 7, eu nem quis porque, afinal, tinha ido só para apreciar. Importante lembrar que a casa tinha todo um calendário – um dia certo para casais e homens sozinhos, outros para casais e mulheres sozinhas, outro somente casais, e outros eventos especiais, tematizados. Outra coisa curiosíssima – os casais pagavam um preço muito pequeno enquanto os sozinhos pagavam quatro vezes esse valor… compreensível, para manter a oferta equilibrada…

No térreo, ficava o bar, com a melhor batata frita da região, segundo relatos coletados no local. Um palco para live performances de sexo explícito a noite toda. Música para fazer um fundinho, e uma turma conversando muito numa boa, uma parte já em seus roupões, e outra ainda em suas roupas. Ah sim, um pouco mais para o fundo, a entrada para uma área com sauna e duchas. .

No subsolo, um labirinto interessantíssimo. Luz negra e paredes com buracos estrategicamente localizados. Um código de conduta facílimo de entender e a possibilidade de amassos desconhecidos e intensos, sem maiores contatos (ou não … ). Devo dizer que é extremamente excitante para uma primeira abordagem… aparência, dimensões e outros critérios pré-estabelecidos desaparecem. Puro prazer e muita, muita fantasia. Mãos, outras mãos, diversas mãos, uma ou outra língua inesperada…

No segundo piso, algo parecido com um “esquenta”. Sofás largos para um pouco de carinhos e chamegos, banheiros (limpos a cada 10, 15 minutos, impecáveis devo relatar) e alguns boxes acolchoados, alguns com poltronas, outros apenas escuros, e uma cortinazinha convidativa para os olhares curiosos. Lembre-se, para privacidade mesmo, só pagando a parte alguns dos poucos quartinhos do local. Mas não é, definitivamente, o caso.

No terceiro piso, uma sala onde rolava a maior suruba que eu já testemunhei. (A única, até o momento). Duas camas que deveriam ter, tranquilamente, 3×3 m. E em cada uma, uns seis casais se pegando. E uma moçada em volta olhando, se inspirando, se divertindo, se masturbando. Era isso que eu buscava. O olhar sem culpa de algo que estava ali, totalmente despido de preconceito (ou não, ainda não tenho certeza), e pura luxúria e desejo no ar. Os casais se alternavam, e o clima era por demais envolvente para quem queria apenas olhar.

Eu me segurei muito, mesmo. Até que de repente cruzei olhares com o negro de sorriso mais lindo desse universo, e cujo pinto era de ator pornô. Sério. Não precisei falar absolutamente nada, e em minutos já era eu no meio daquela cama. Com ele por cima, depois com ele e outro cara. (E sim, eu ainda permanecia com a minha roupa, do jeito que entrei, alguma pequena alteração momentânea…) Pouco depois já havia um terceiro, todo cuidadoso, que me tirou do meio da galera para uma outra cama ali mesmo, menos tumultuada. Fez, em quinze minutos, o que o ex não fez em uma vida.

Um dos caras da cama volta e nisso, o advogado que foi comigo ressurge de algum lugar, e vamos em quatro para um daqueles acolchoados. Transar com outra mulher não me seduziu tanto quanto poder finalmente ter dois caras na minha mao, na minha boca. Foi sensacional.

Parei um pouco; se eu fumasse, teria sido para fumar. Mas não. Foi para pegar uma água e olhar, lá no térreo, o show erótico… não houve nada mais redentor do que essa noite. Uma lista de fantasias realizadas e um contato com um lado meu que não havia. O desejo e a curiosidade deram espaço para o olhar para o outro que ali estava, e confesso, não foi nada convencional. Ou melhor, foi convencional demais. Os casais são na verdade homens e mulheres como eu e o advogado, que se organizam para ir realizar as fantasias. Quando são, de fato, casais, você vê que ou falta muita na intimidade deles, ou já se chegou a um ponto de tamanha cumplicidade que essa troca de parceiros não incomoda.

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Não vi ali ninguém do tipo ‘moderno’. Vi muita gente que está um pouco fora dos padrões de beleza, muita mulher inspirando Botero, acima do peso como eu. Muitos caras para quem você sequer olharia na rua. Baixinhos, esquisitos, nerds. Gente de verdade, disposta a te acompanhar em descobertas interessantes.

Não vi, nem ouvi, e muito menos senti, qualquer tipo de agressão ou insinuação. Terminei a água, pensando em ir para casa, mas aí o sorriso bem dotado da noite ressurgiu e fez com que não sobrasse nenhuma lembrança do que eu tinha sido até a hora de entrar ali.

Leia também: Tudo que você sempre quis saber sobre casas de swing…e nunca teve coragem de perguntar!

Meu menino vadio…

#DesejosDeBiscate #2anosBiscateSC

(…) E de forma boa, desejar novamente seu suor pingando em mim, gotas de amor, gotas de tesão, gotas de sêmen, macias e fortes. Gotas que gosto, caindo no meu corpo, onde eu mandar, por isso, não te demores que eu te quero inteiro e fraco, meu menino vadio, ode de Bethânia e Chico, criatura infame e linda, meu falso chileno, meu personagem bruto de Jorge Amado, você, estudantezinho sem-vergonha, eternamente de pau duro, que anda desviando bons minutos do meu pensamento pra longe, aquele lugar onde só tem nós dois, que nem sei onde é e nem pra onde vai, mas se terminar na minha cama, naqueles lençóis de seda cheirando a motel, por mim tá tudo ok. Em ti, meu tarzanzinho redimido, experimento a sensação de brincar de transar com gente que nasceu na década de 90, embaralhada e meio assustada, assim eu vou, ah, se eu vou e dou bonito pra você, que insiste em manter a barba e o cabelo comprido, só pra lembrar como acho um tesão jovens comunas barbudos, leitores de Marx, apaixonados por futebol, que se enfeiam atrás de bonés horríveis, meninos preocupados com a mudança social e a revolução socialista. Você é hábil em matar minha fome e me deixar ainda mais faminta como num clichê cafajeste, digno de Wando. Teu combo é belo, assim como o que tens no meio das pernas, essa fruta rosada que adoro louvar em saliva e deixá-la tesa, preparada para o maior dos atos, nosso ritual pagão de quadris deliciosamente encaixados, olhos abertos e luzes apagadas e acesas e assim bagunçar teus cabelos, quase tão compridos como os meus, cacheados e livres, assim sentir teus beijos, pêlos e suor, que me molham em cima e embaixo na delícia nesse cenário dionisíaco e você que me arromba a retina com essa beleza incauta de rapaz que nem se deu conta do quanto já tem meu coração consigo, então cuida bem dele, vem fácil e se for pra sair, seja educado e cortês, não me machuque, eu sou frágil apesar dessa casca de moça bem resolvida e poderia até morrer de amores, tombar feio, abrir feridas, caso você resolva me deixar sem maiores explicações apocalípticas e pós-modernas no meu bandoleiro leito de alcova.

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Masturbação também é coisa de mulher

Onze anos. “Você ficou mocinha!” Não entendi bem. Ainda era uma moleca completa, que se preocupava mais em subir em árvores do que em paquerar ou aprender maquilagem, e não via muito sentido nessa história. Então a parte que registrei foi: a partir de agora é isso todo mês, incluindo as cólicas, e você já pode engravidar (socorro!!!).

Quinze anos. Adeus virgindade. Conclusão: sexo é um troço que dói pra caralho, e tirando isso, não entendi porque falavam tanto nele. Mas estava apaixonada…

Dezoito anos. Sozinha no quarto, resolvi insistir na tal da história de mexer no grelo, que já tinha tentado antes sem ver nenhuma graça. Surpresa! Insistindo, ficava bom. Primeiro orgasmo.

Quarenta anos. Caminhos todos descobertos.

Será?

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Garotos brincam de corrida de submarino. Garotas brincam de casinha.

Homem vê pornô pra bater punheta. Todo mundo sabe, todo mundo brinca com a coisa, todo mundo aceita. Aí você vai perguntar sobre o assunto para uma mulher, constrangimento imediato.

 Passo no sex shop, depois vou tomar um café com uma amiga, mostro a nova aquisição. O olhar dela é de criança fazendo arte escondida. Digo que, para mim, o único problema de um pau industrializado é que não vem com ombro… E ela acaba me confessando que também tem um. Mas quando a conversa surge tempos depois, com outra amiga do lado, ela finge que não sabe de que se trata. Eeeeuu? Imagina.

Mas gente… qual o problema? Mulheres se masturbam. Ponto. E têm vergonha de assumir que usam brinquedinhos? Ou mesmo sem eles, que mulher conta para outra de que forma se masturba? Pouquíssimas.

 Um amigo me descreve em detalhes como masturba as namoradas. E eu fico pensando que a forma dele parece infinitamente mais poderosa que a minha…

Aí entro em um site e abro a categoria de mulheres se masturbando. Coisa que nunca tinha pensado em ver. “Ah, isso é pra excitar homem, pra que eu quero ver outra mulher se masturbando?” E não é que a coisa é educativa? Há vários modos. Não só o meu. E alguns são bem interessantes…

 Por que a gente não conversa sobre essas coisas? Por que tem de ser um caminho trilhado sozinha, às cegas – às apalpadelas… Por que quase não trocamos dicas e informações? Cadê a confraria feminina do bem? Por que ela não atua em prol do nosso prazer? Quem disse que se ele não envolver um parceiro é coisa para ser escondida? Vamos democratizar as informações, minha gente. Eu tenho várias dúvidas, vocês não tem? Por exemplo, será que as diferenças na “anatomia íntima” influenciam no tipo/intensidade de estímulo de que uma mulher precisa para gozar? O Ponto G, esse desconhecido… sei muito bem onde o meu está, mas tenho problemas em descobrir o que/como fazer com ele… Por que algumas mulheres gozam tão facilmente com sexo oral, e outras nem a pau, Juvenal? Verdade que tem mulher que goza pelo rabo, sem nenhum estímulo no grelo?

 Já ouvi relatos de mulheres que foram ter o primeiro orgasmo aos 40, com a duchinha do banheiro. É uma forma. Vibradores? Já descobri que a intensidade da vibração nem sempre basta para gozar… se for baixinha, acaba só sensibilizando, e se tornando desconfortável. Filmes, livros? Ajudam, abrem o apetite. Quanto a filmes, odeio os americanos, onde tudo parece plastificado. Tenho um critério básico pra gostar de um filme: a mulher tem de estar se divertindo também. Pragmaticamente: a buceta tem de estar molhada. Só isso não garante, é claro, pode ser um gel qualquer, mas nada me incomoda mais do que ver um filminho onde um homem com um caralho gigante fode sem parar uma mulher seca. Tudo o que consigo pensar é em incômodo.

Mas há filminhos amadores bem interessantes e excitantes. Há fetiches para todos os gostos. E hoje já é fácil encontrar a categoria “Orgasmo” (feminino) em vários sites. Em geral são de squirting, porque sabe como é, filmes feitos por homens, eles acham que se não esguichar alguma coisa não vale como happy end. Mas mesmo assim alguns são ótimas inspirações para auto-punhetagens.

Aí vem a coisa em si. Percebi que tenho um ritual meio fixo de punhetagem. Sentada ou deitada de barriga pra cima. Primeiro mamilos, até dar um grau, depois grelo, movimentos laterais-circulares. Às vezes penetração, com dedos ou vibrador. (Nessas os orgasmos são muito mais intensos. Não me perguntem por que não faço sempre assim então, porque eu também não entendo…)

Mas vendo os tais filmes de masturbação, confirmei a minha impressão de que havia muitas outras formas. Mulheres que cavalgam travesseiros até gozar. Mulheres que enfiam dois dedos na buceta enquanto estimulam o grelo um pouco mais pra cima do que eu. Mulheres para quem um ovinho vibratório encostado no lugar certo é suficiente para orgasmos intensos. E por aí vai.

(Detalhe: tirando os filmes de fetiches, não vi nenhuma se masturbando com vibradores em tamanho ator pornô, o que confirmou minha teoria de que a geral prefere o standard plus, e essa coisa de enormidades é só fixação masculina mesmo.)

 Achei também esses dois vídeos, super explicativos. Meio toscos, mas, na falta de melhores, já ajudam.

 

E você, qual o seu estilo? O que já aprendeu que vale a pena compartilhar? Que tal quebrar esse contraproducente pacto de silêncio? ;-)

 

De dois e de muitos

Imagine uma cena: você está num quarto com mais cinco pessoas de ambos os gêneros. Estão todos nus. Você, além de nua, está amarrada, vendada, e já sofreu todo tipo de sevícia – só das melhores, claro. Já gozou, já gritou, já apanhou.

Então você sente um calor se aproximando, uma pele se encostando, um cheiro. E você sabe. Conhece. Ali, no meio da suruba, no meio dos gemidos, das secreções, das vozes, você de repente está em casa. E o nome disso é amor.

Começou tudo bem antes, claro. Se for dizer exatamente, foi logo quando nos conhecemos. Antes que qualquer coisa acontecesse, ainda naquele processo saboroso de ir descobrindo o outro, conversamos sobre o desejo de viver um relacionamento mais aberto. Que não tivesse exclusividade sexual, que permitisse experimentar, viver, brincar. Que se levasse menos a sério.

(E ouso até supor que essa conversa foi fundamental no processo de encantamento. Mas divago, divago.)

Veio o apaixonamento, o encontro dos corpos, o frio na barriga – mas antes do status oficial, veio o combinado: seja o que for, será leve. Saíramos, ambos, de relacionamentos difíceis e cheios de possessividade. Estávamos cansados. Queríamos viver nosso desejo com liberdade.

Apesar disso, o namoro foi bem dentro do convencional. O sexo era bom, muito bom, cada dia melhor, como só a intimidade pode proporcionar. Acho a intimidade muito mais importante que o amor, no que se refere ao sexo. Nesse caso específico, além da intimidade o amor também crescia, com parceria, bom humor e leveza, até virar decisão: bora morar junto? Bora compartilhar a vida?

Porque era mais fácil, decidimos aproveitar e assinar uns papéis. E assim, casamos.

Com pouco mais de um ano de casamento, já falávamos em trazer outras pessoas para a nossa cama. Queríamos experimentar. Fazíamos listas das pessoas com quem gostaríamos de transar, preferencialmente outros casais. E não demorou até que surgisse a oportunidade, e logo com os primeiros da nossa lista, um casal de outra cidade.

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Foi sensacional. Depois que rolou, o que sentíamos era uma cumplicidade enorme, algo que não conseguíamos definir. Era meio onírico, era uma fantasia realizada, abria um mundo novo para nós. Criamos um relacionamento com o outro casal, nos encontrávamos esporadicamente, eu e a moça nos aproximamos bastante.

O que trouxe também alguns problemas. Testou nossos limites, os limites do nosso relacionamento, da nossa confiança, da nossa liberdade. Eu, especialmente, que sou mais possessiva e um pouco competitiva, sofri. Tinha pesadelos com medo de que ele fosse embora, com medo de que toda aquela liberdade tivesse preço.

Mas pra quem é desses, a curiosidade biscate não cessa. A vontade continuava. E assim aprendi a lidar com o risco calculado, que fui descobrindo cada vez menor, à medida que novas experiências e novas pessoas surgiam, e o nosso amor crescia cada vez mais. Transar com outras pessoas era uma experiência nossa.

Aí entra uma explicação sobre algo que todo casal com relacionamentos não estritamente monogâmicos acaba descobrindo: os limites precisam ser negociados e claros. Não dá pra confiar no não dito, no presumido, nem ignorar o que o outro está sentindo. O mínimo incômodo tem que ser motivo para parar tudo.

Foi assim, prestando atenção, que descobrimos o que estávamos buscando. Nós não queríamos um relacionamento aberto. Não queríamos estar, cada um, separadamente, com outras pessoas. Queríamos estar juntos – e também com outras pessoas. Ainda que eventualmente um dos dois não estivesse no clima, ou cansasse, e deixasse o outro lá pra se divertir, a experiência era fundamentalmente nossa, como casal.

Por termos entendido isso, a vivência nos aproximou e nos fez crescer. Libertou de algumas amarras que a monogamia tradicional causa: não gasto tempo me preocupando se ele estará interessado em outras mulheres, ou flertando com alguém. Falamos livremente disso, aliás, falamos das pessoas que nos interessam, continuamos criando nossas listas, e eventualmente transando com outras pessoas, quando dá vontade. Cada vez com menos restrições, não fazemos mais questão de casais. Qualquer pessoa que nos interesse pode eventualmente vir parar na nossa cama.

“Quem, aquela? Será que ela topa?” “Acho que topa, olha como ela está te olhando.” “É, ela já disse que tinha vontade de ficar com a gente.” Chegamos perto, sentamos perto. Ele me beija com vontade, vejo que ela está curiosa. Vamos conversando, trocando olhares. Propomos. Dali, vamos para casa. A dupla é afinada.

Nosso casamento não é prisão, não nos restringe. Expande. Permite. Amplia. Mas dá trabalho, porque nada é dado. Tudo precisa ser pensado e negociado, até a sedução desses outros que incorporamos. Seduzir como um time é aprendizado. Cada um na sua hora de avançar, sussurrando os próximos passos, decidindo como proceder. Trabalhando juntos para o prazer comum.

Mas houve um efeito colateral curioso, que percebi naquela experiência lá do começo do post (que aconteceu  de verdade, e foi deliciosa): o sexo com as outras pessoas, por si só, ficou um pouco menos interessante. Porque se as outras pessoas têm o mistério, a novidade, o inusitado, eu e ele temos a intimidade, a prática um no outro, a vivência conjunta. Cada nova pessoa traz aprendizado, não só de si, mas de nós. E o sexo melhora, e o amor se aprofunda.

Então ali, no meio da orgia, no meio do gozo, eu entendi: minha casa é ele. E as visitas são bem vindas.

muitos

 

Pau-grandescência – ou sobre “bucetinhas e paus enormes”

Uma das constantes no pornô mainstream, além da recente ou não tão recente onda de filmes com conteúdo de violência real ou simbólica contra a mulher, é o mote: bucetinha e pauzão.

Pênis grandes são a epítome de uma determinada masculinidade.

Uma masculinidade associada às armas. O falo, enorme, desproporcional, contrapõe-se à delicadeza com que Afrodite-Vênus, a deusa Greco-latina do amor, é representada, e também à representação atual de Cupido, filho de Afrodite e Ares, o deus da guerra e das armas.

Curiosamente, Priapo seria filho de Afrodite com Dionísio-Baco.

Enquanto Eros-Cupido é representado atualmente como um garotinho rechonchudo e travesso, Príapo é relegado a um relativo ostracismo…

Mas na pornografia Príapo reina.

São paus enormes. E dildos ainda maiores.

E se as mulheres cis hoje somos cobradas por padrões estéticos de depilação, clareamento, cirurgias estéticas, para ficarmos com a eterna aparência pura e virginal, os homens com pênis vem sendo cobrados para terem paus enormes.

Mas sobre o quanto isso afeta aos homens, não sei dizer.

Apenas que da mesma forma, mulheres somos levadas a acreditar que é preciso um pau grande para nos satisfazer. E acontece de usarmos metáforas depreciativas para dizer que homens com paus pequenos são “menos” homens. Que são “menos”, em qualquer coisa.

A supervalorização do tamanho do pau, pelo que soube, afeta também os homens gays.

E, como devassa libertina que sou, e que já provei do maduro e enorme visconde ao jovem cavaleiro, tenro em idade, quase imberbe, posso afirmar: é um despropósito essa crença…

Tive um dia um homem com um pau grande. Grande, grande. Foi bom, claro. Ele era bom, mas o principal é que ele não tinha problemas em explorar as possibilidades, não tinha aquelas limitações que na hora do sexo, só atrapalham. Não tinha medo de experimentar.

E tive homens com paus “normais”, na média – que, no Brasil, segundo “estudos”, é de 16 cm – quando ereto. Bem, bem, bem… acho que poderíamos “cortar” de três a cinco centímetros aí, e teríamos uma média mais realista (claro que falo apenas da minha experiência). O que não se fala por aí (não muito) é que as paredes da vagina são realmente elásticas, e que uma mulher com tesão fica molhada, como clitóris ereto, e com as paredes internas da vagina cheias de sangue e aumentadas de volume…(Sobre o tamanho do pênis e afins, espie aqui, sem medo)

 …e aí, o tamanho e a circunferência do pau pouco importa, via de regra. (se duvida da minha palavra lasciva, pesquise por aí, o Google ajuda nessas horas – temos até esse interessante Mapa dos tamanhos dos pênis do mundo inteiro – interessante que estudos de pesquisadores colocam a média mundial em 11 cm, e pesquisas de internet, nas quais o tamanho do objeto do estudo é informado pelo sujeito que o tem entre as pernas, a média é consideravelmente superior = 15 a 16 cm. Mais interessante ainda – e material para reflexão – é notar que esse “grande portal de notícias” colocou a matéria na seção “Esquisitices”).

Vamos parar de endeusar o pau grande? Deixemos isso para os agricultores romanos da Antiguidade Clássica, que adoravam ao deus menor Príapo.

Pornografia é ótimo ou, ao menos, tem coisas ótimas no meio de coisas ruins (e não é sempre assim com tudo?), mas não é regra de conduta. Sexo anal (assunto para outro post, prometo), porra na cara, pauzões e bucetinhas lisas não são obrigação para uma trepada fantástica. E nem são garantia de que vai ser uma trepada ao menos razoável.

Tesão não tem medida, nem tamanho.

Criatividade, respeito mútuo, confiança para experimentar e tentar de tudo, são uma receita que é melhor do que um pau de 25 centímetros, eu garanto!

Adieu, mes amis

Je vois que vous les gars plus tard !

Mme le marquise !

Tudo o que você sempre quis saber sobre casas de swing…

…e nunca teve coragem de perguntar!

#WoodyAllenfeelings

Você já teve vontade de ir a uma casa de swing? Se já teve vontade, mas não teve coragem, eu te esclareço como é. Como é que eu sei como é uma casa de swing? Indo a elas, claro. No plural, porque elas são bem diferentes.

Pra começo de conversa, tudo parece uma boate mesmo. Tem música, a depender do tipo de público que frequenta e isso também depende do dia da semana, barra, bebidas, pista de dança e óbvio um pole dance, ou mais de um. Como toda boate é meio escuro lá dentro (ufa).

Mas não é só ir chegando e pagando o ingresso. Aliás, o ingresso já é um caso à parte: costuma ser, em geral, bem caro para homens solteiros – aliás caríssimo; caro para casais e barato ou liberado para solteiras, isso geralemente dependendo do dia da semana. Se for uma casa de swing, digamos, séria, frequentada por casais swingers mesmo (um swing moleque, de raiz), há uma triagem feita pelos donos da casa. O casal deve comprovar o casamento, relação estável ou união estável e passar por uma espécie de entrevista.

E para que essa burocracia? Simples, os swingers, as pessoas que se excitam ao ver o parceiro com outra pessoa e gostam de fazer isso junto e de forma segura querem também conhecer outras pessoas legais e fazer isso de forma frequente. Nas boas cassas do ramo (ui! esse é um texto cheio de boas interjeições!) os grupos, depois de um tempo, se formam  estavelmente e passam – inclusive – a fazer festinhas privê fora dali. Porém, como há uma demanda alta dos homens de ir a casas de swing e eles nem sempre encontram parceiras disponíveis, contratar prostitutas para poder pagar mais barato ou até para poder entrar (em algumas casas, ou em alguns dias, em geral os melhores, homens solteiros são vetados) torna-se uma opção.

E qual o problema de ser uma prostitua, MM? Vocês não são liberais? Sim, somos. O problema da prostituta é que ela não está ali, digamos, com o mesmo fogo e desejo do que alguém que foi sem maiores objetivos financeiros. Ela não tem, necessariamente, essa fantasia e essa disponibilidade. Isso corta o tesão de alguns. Outras pessoas tem preocupações com doenças mesmos. Não vou aprofundar a polêmica. O corrente é: as boas casas de swing tentam sempre vetar a entrada de profissionais do sexo – tanto masculino quanto feminino. Obviamente às vezes o controle falha, mas não por muito tempo. O frequentador assíduo nota logo e em geral o casal montado é convidado a se retirar.

 As casas que já fui tem os seguintes ambientes: – bar- boate- mesinhas- palco- pole dance no palco, darkroom (com ou sem labirinto), salas espalhadas e quartos, pequenos ou grandes, com paredes de vidro ou fechadas – para agradar exibicionistas e voyeurs. Darkroom é literalmente isso um quarto escuro – no caso, bem, bem, bem escuro, mal se enxerga dentro, só se sente as mãos (ai!). Labirinto é um labirinto mesmo – vários cantos com cadeiras, puffes, recamiers, etc., em geral também bem escuro. Óbvio que tá uma suruba lá dentro e ninguém é de ninguém.

 Mas as pessoas das casas de swing são bem mais educadas que as de uma boate, embora esteja todo mundo ali pra isso mesmo, todo mundo é adulto e sabe que ninguém é obrigado a nada.  Você pode ter ido só pra olhar, só pra se exibir,  pode não ter sentido tesão pela pessoa que te canta… e aí que está a diferença de uma balada normal. O approach, digamos, é bem mais direto, mas também o fora é levado com bem mais elegância. O não é respeitado como não, ponto e dificilmente quem foi declinado é insistente. Outra coisa, todo mundo, homens e mulheres, indistintamente, todo mundo anda com camisinha no bolso, e os homens colocam tranquilamente, nem precisa rolar aquele momento em que a gente pergunta – e aí, e a camisinha? Todo mundo usa mesmo.

Também é muito comum que uma grande parte das mulheres do local sejam bi, já os homens…pouquinhos, nem lembro se vi. Se eram bi, não mostravam foram do quarto. Em geral tem festas temáticas – noite da minissaia, noite da máscara, medieval e óbvio, carnaval, ano novo e tal. As bebidas são caras. As camareiras que limpam os quartos depois de cada uso são bem discretas e você mal as vê, os garçons em geral  costumam puxar uns papos, inclusive já bati papo com um que era evangélico (sou dessas, rs).

A primeira vez pode rolar um pânico de – e se eu encontrar alguém conhecido? – bem, como a pessoa ali vai estar fazendo o mesmo que você, desencana e vai. Mas jamais, nunca comente fora dali que viu fulano ou sicrana. A gente sabe como é essa nossa sociedade: todo mundo pode transar, mas o mundo não pode saber que ninguém transa. Um certo sigilo, por princípio, é bem vindo.

 Mas e as pessoas do lugar são bonitas? Bem, sei lá… o que é beleza para você, tem gente normal. Bonito, feio, alto , baixo, gordo, magro, careca, cabeludo, etc. Ou seja, gente de tudo que é jeito. Escolha o que te agrada e lembre-se é permitido declinar o convite para a transa. Aliás, sempre se convida, nunca chega pegando, a não ser no labirinto ou darkroom, e mesmo assim a pessoa pode tirar a sua mão, ok? E engraçado que, na minha experiência, na maioria das vezes, o contato foi feito pela mulher do casal. De todos os casais que ficamos amigos e conversei mais, as mulheres é que tinham a fantasia de conhecer a casa de swing! O que era também o meu caso.

Inclusive é fácil notar quando alguém – geralmente a mulher – foi para cumprir a fantasia do outro e não a sua, em geral rolam ciúmes e emburramentos e costuma resultar em briga. Vi isso muitas vezes. Não estou aqui botando regra, estou aqui contando o que observo. Aliás, como em qualquer outra fantasia ou fetiche, se o desejo não é seu, mas só do outro e você está ali só pra tentar fazer a relação funcionar, para que a pessoa não te abandone, não há entrega, o sexo não fica tão gostoso. Sexo bom, acho eu, é feito com desejo, intensidade e vontade. E o desejo é seu, não do ouro. A fantasia do parceiro pode até se tornara a sua também, mas aí ela também é sua e não somente dele.

 Resumindo: casas de swings são boates onde rola um surubão, em geral são caras e vai gente comum. Tá a  fim? Descubra se tem na sua cidade e se informe sobre as regras da casa e…bon appétit!

Noite Feliz

“me consola, moço.
Fala uma frase, feita com o meu nome,
Para que ardam os crisântemos
E eu tenha um feliz Natal!…”
Adélia Prado

Ele confere o número, ri um pouco da guirlanda exagerada, toca a campanhia. Ela abre a porta, já nua, não há porque perder tempo em arremedos de sensualidade. Seguem para o quarto sem se tocar, sem um olhar, sem palavras. Ela se deita, ele se ajoelha, ela abre as pernas, ele, a boca. A língua, úmida, percorre a parte interna das coxas, flexível, insistente, curiosa. Um leve arquejo. Ele se inclina mais e a língua encontra os lábios, os grandes, rosados de antecipação. Ele lambe, saliva farta. E sopra, brincalhão, os pelos que ela não depila por birra. Beijos repetidos nos menores lábios. Ela, quente. Ele, constante. Ela, molhada.  A língua brinca em um ritmado vai e vem. Ela puxa a cabeça dele que, com mais vigor, passa a sugá-la. Mais ruídos, gemidos. O cheiro, acre, chega até ela: seu tesão. Ela sente os dedos invadindo-a com força enquanto boca e língua a devoram. A outra mão, na sua bunda, afagando, levantando-a, apertando. Ela mexe o quadril sem ritmo, sem força, já gozando. Soluça. Ele deixa a cabeça entre suas pernas, encostada na buceta, fazendo pressão. Ele deveria levantar, receber, sair. Mas é Natal, poxa, ele pensa, ele pergunta: como é mesmo seu nome? Ela, que arde, sem consolo e sem futuros, nem responde, ajoelha-se – poxa, é Natal – e, pela primeira vez, bota o pau dele na boca. Noite feliz.

Alcova Biscate #00

[Olá, vocês estão sendo convidados a entrar na nossa alcova. Fantasia, realidade, desejos, memória, tudo junto e misturado. Quem traz tudo pra gente é noss@ nov@ colunista: M. Merteuil. Fiquem à vontade. Bem à vontade.]

O dia estava quente, para um inverno tardio. E ela foi trabalhar, colocando calcinha e sutiã combinando, de renda. Vermelho. Bordeaux, melhor definindo. Já é indicio de má intenção, dirão alguns. É tão clichê, diriam outros. Não se importou, era para ela. Em um dia quente, nada como usar de clichês para se sentir sexy. Sensual. Mas sem perder a elegância, afinal, revistas e sites sempre ressaltam essa linha tênue, entre ser sensual mas não ser vulgar!

Terminou de se vestir. Roupa séria, de propósito, para ressaltar que a lingerie vermelha era só para ela.

Maquiagem suave. Esqueceu o batom vermelho M.A.C., optou por um mais clarinho, quase natural. Natural sim, mas nunca sem maquiagem: base, blush, sombra (sombras: escura na linha dos cílios, iluminadora nos cantos e perto da sobrancelha… ah, os tutoriais de make de hoje em dia…).

Rímel à prova d’água. Delineador. Marrom. Não pode ser muito óbvia, é dia. Lembra-se sempre das dicas!

De uma dica para outra, não foi difícil chegar nas dicas que falam sobre enlouquecer os homens na cama. E daí para lembrar que na véspera, poucas horas antes, recebeu a mensagem.

“Oi. To com sdd.”

Assim, só isso.

Lembrou da amiga, de faculdade, que falava:

“Daí o cara que você não vê há meses aparece. Liga ou manda mensagem dizendo que tá com saudade. Há quanto tempo…, diz ele, as reticências sugestivas. Pois é, a gente responde, deixando também as reticências. (ah, os diálogos de reticências…) E ele: Então, você sumiu, fiquei sabendo que estava namorando… E a gente: nada, terminei (mentira – ou não). E aí ele lança que a gente podia sair para tomar um chopp. E a gente sai e trepa. E ele acha que era só ele que estava “com saudade”. Gargalhada. Biscate.

E isso virou nossa piada interna, nosso código.

Saudade demais.

Suspiro. Tesão. Desejo. Vontade. Necessidade.

Foi trabalhar, mais um dia irritante previsto adiante.

Na hora do almoço, aquele colega que estava de férias aparece.

Ela pensa: nossa, saudade demais…

Ele passa na sala, oferece um café, uma coca-cola. Reticências.

Ela lembra: por que não?

A tensão sexual – adorava essa expressão, indefinível mas palpável – sobrecarrega a sala de partículas cintilantes.

Ela pensa: por que não?

Mas não é hora e nem lugar. Não vai rolar.

Decide então sair para almoçar.

Em casa. Sozinha.

E lá, tira da gaveta o amiguinho.

E pensa: por que não?

Passa a língua pelo céu da boca, e sente um arrepio.

Por que não?

A cama ainda está desfeita, os travesseiros no encosto, o notebook ao lado.

Mas faltava algo. E ela lembra.

Faltava. Não falta mais.

A pesquisa ainda está no histórico, aquele vídeo que a deixou molhada na véspera, que a inspirou, inconscientemente, a usar a lingerie vermelha, combinando.

Very hot natural sex.

http://www.redtube.com.br/124269

Pornografia, livre, na internet.

Um casal, que parece perfeitamente compatível.

Um homem que parece de verdade, normal, e não os tipos tatuados e de cavanhaque, excessivamente musculosos, de cabeça raspada, cara de mau, que costumam aparecer nesses filmes, que ela garimpava pela net.

Ela lembra como foi, quando encontrou. Pornô woman friendly. Que coisa, né? Ter que ter uma categoria “amigável para mulheres”.

E mesmo nessas, era difícil encontrar algum que fosse bom.

Excitante? Sim, vários, mas bom, bom? Raro, muito raro.

Apertou o  play, e começou a assistir, ainda de roupas. Pegou o óleo, tirou a roupa, e começou a sessão. Estava com saudade de si.

E apesar do sexo heteronormativo com um casal caucasiano muito jovem, o padrão na a incomodou nem um pouco, naquela hora.

Lembrou de sexo adolescente, de amassos escondidos, de sarros dentro do carro, de trepar na garagem do prédio, ou de gozar na mão do namoradinho, no sofá da sala, enquanto estavam sozinhos em casa, nos minutos roubados, com medo de alguém aparecer.

Saudade demais.

A língua no céu da boca, o pau de borracha vibrando. E ouvindo os gemidos que soavam verdadeiros, gozou com vontade.

Por que não, ora?

 Olhou as horas, estava atrasada. Banho, retocar a maquiagem, e voltar para o trabalho. Mais um turno. Mais acesa do que antes, mas agora a lingerie era … bege. Vermelho era o batom.

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