Como nossos pais…

Semana santa taí, né? Feriadão, meu aniversário tá pertinho e…

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Bom, é lugar-comum neste nosso País tão cristão, quando alguém quer salientar uma suposta igualdade entre as pessoas dizer que “somos todxs filhxs de Deus”. Crenças à parte, nunca consegui entender isso muito bem (até porque leio as notícias, vez ou outra tentam me “converter” a alguma religião e percebo na maioria dos discursos que mesmo para esse Deus, existiu e existe uns/umas filhxs mais filhos que outrxs)… mas talvez já tenha tido alguns vislumbres do que seja essa ancestral forma de hierarquizar o mundo quando noto jocosidade e ironia ou uma espécie de paciência “sábia” prestes a se esgotar que muitxs demonstram ao chamar alguém ao qual pretensamente tentam “ensinar” algo “sobre a vida” de “meu filho” ou “minha filha”.

Se no cristianismo temos Maria, que nos “contou” da capacidade “feminina” de perfeição e pureza enquanto mulher que se tornou mãe sem “conhecer homem”, também para algumas religiões não “tradicionais” nascemos fadadas a sermos amadas pela(s) “divindade(s)” por nossa suposta “capacidade” em gerar e/ou sermos companheiras/ esposas/ musas. Na de “refletirmos” um(x) outrx. Oi, lua!

Comecei esse texto falando de religião, terreno escorregadio, para discorrer sobre outro buraco, desta vez mais embaixo. Porque acredito que a religiosidade de um povo diz muito sobre o que é de nós esperado e em como são construídas algumas relações. E na maioria delas, x filhx é sempre expectativa de. Que dificilmente cessa. Também porque creio que isso se repete nas relações por aqui, nesse negozi que chamamos de mundo.

Aí eu pergunto: se somos todxs filhxs, em qual “cartilha” você aprendeu a sê-lo? E como (já?) conseguiu “escapar” dessa condição?

Os pais são (ou supostamente deveriam ser) o primeiro contato que temos com outros seres de nossa espécie, nosso primeiro esboço para um posterior entendimento de humanidade e aqueles que (também supostamente) nos ensinam a portar-nos como seres “civilizados” para estarmos e agirmos no mundo. Responsabilidade danada, né? Mas é também no exercício dessa função que alguns experimentam a delícia que pode ser o exercício da soberania sobre um(x) outrx ou a doce e viciante utopia do amor “incondicional”. Escrevo incondicional entre aspas porque que no caso de pais e filhxs estamos em ambos os casos exercendo o amor sob o “jugo” de uma “suposta” condição.

Ah, a ironia…

Daí eu te conto agora é do cotidiano: dia desses cheguei em casa depois de dois dias na casa de uma amiga e a geladeira estava desligada. Minha mãe tinha-me feito esse “favor” não solicitado e levado todos os potes de comida pra casa em que mora com meu pai. Não, não tinha água gelada tampouco. Sim, somos vizinhxs. Liguei reclamando. “É, sou mesmo uma monstra ingrata e blábláblá”. Próximo take: horas depois, estou na cama pelada, me masturbando enquanto falo ao telefone com o gatchênho. Quem abre a porta para trazer um iogurte que tinha sido “esquecido” na tal “mudança”? Meu pai. Sem ligar, sem avisar, sem bater na porta. Fiquei envergonhada e depois irada por ter me envergonhado. Resultado: mais briga. Das feias.

Não, a briga não foi por causa da geladeira desligada ou pelo “flagra”. Mas pode exemplificar como alguns pais (os meus inclusos aí) entendem a casa ou a vida dxs filhxs como uma continuidade de suas próprias. Tendo a ambas livre acesso por um direito que não pode (ou não deve) ser questionado sob o eterno risco destes filhxs serem considerados como “rebeldes” ou “ingratos”. Oi, hierarquia! Alô, cansaço…

texto 1

Esse episódio que é até engraçado (e se eu não puder gargalhar não é minha revolução!), mais uma vez me fez questionar seriamente: onde foi que eu errei (ou estou errando?) enquanto filha? Como atestar-me como adulta, se apesar da minha carteira de identidade dizer que tenho 38 anos, sou cotidianamente infantilizada por ações e palavras? Dos meus pais e de toda uma sociedade (falo do aqui e do agora) que se estrutura a partir dessas primeiras e estabelecidas relações de “poder” e “pertencimento”?

Enfim, faz algum tempo que passei a notar no discurso da minha mãe (e olhe que ela é até bem “moderna”!) que apesar de ter ido morar só já com dezessete anos, ter trabalhado desde que e vivenciado experiências diversas só fui considerada “emancipada” ou “independente” enquanto estive casada. Horrível? Eu também acho, mas é muito comum. Para algumas amigas minhas, por exemplo, isso só aconteceu quando tornaram-se (também) mães. E mesmo assim…

Bom, eu que não pretendo ser mãe e também tenho minhas (e muitas) ressalvas quanto ao casamento enquanto instituição, sob a ótica dos meus pais e da sociedade, estarei fadada a ser vista e tratada sempre como “filha”? Aquela que precisa de monitoramento e “educação” permanentemente já que?

Ai, meus sais…

Daí resolvi dividir essa “angústia existencial” com outrxs amigxs queridxs, que me deram alguns “depoimentos” que também compartilho com vocês:

“Eu sei o que você passa! E minha mãe nem é minha vizinha…”

“Se ajuda, digo que meus pais me tratam feito criança e tentam toda hora decidir as coisas por mim. Nem meu pai internado, sem sair da cama sozinho, deixa de fazer isso comigo.”

 ”Ô, amore. que difícil. Porque tem coisas boas também, né? Mas os limites tem que ser conversados com muito cuidado. Uma amiga, quando tinha acabado de ter filho, acordou com o sogro dentro de casa, de manhã cedinho, pegando a bebê…. ia sair com ela para os pais dormirem mais. O que é lindo. Só que não avisou! Ela disse que se tivesse acordado depois (foi antes do celular), ia achar que a bebê tinha sido raptada…”

 ”Poizé, minha experiência é oposta… meus pais “saíram de casa” quando eu tinha 18 e meu irmão 16. Pra BSB. De lá para Roma, depois BSB de novo… vieram morar no Rio de novo só quando o F. já tinha 6 anos e eu tava grávida do J. Eu me arrepio de ouvir essas histórias, mas sei que ter mãe/pai perto pode ser muito bom também. A negociação é que é delicada…”

 ”Eu num pitaqueio por motivos de: meus pais são super entrões mas não são nada entrões. Explico: a gente partilha praticamente tudo lá na minha família. no começo do ano a gente faz uma reunião e cada um conta seus planos, de ter filho a escrever um livro passando por mudança de trabalho, comprar carro, reformar casa, ir em uma praia naturista, etc. daí todo mundo dá pitaco em tudo, se oferece pra ajudar, contesta, etc. Depois, é só suporte. Meio no lance de respeitar o limite como a R. falou. E eu já voltei pra morar dentro da casa dos meus pais depois de separada. Com S. Mas era isso: vá perguntar pra sua mãe se pode e tudo. E se eu ia sair negociava pro S. ficar com eles e nem precisava dizer pra onde que eu ia. Eu ia sair. Acho que passa pela conversa, né. Muita.”

 ”Eu já tive cada quebra pau com a minha mãe por causa disso que virge! Só vivendo a mil km de distância…”

“Ah, sim, meus pais são desses (eram, né.  meu pai) super-respeitosos também. Nunquinha que entrariam sem bater. Minha mãe que sempre teve a chave da minha casa, sempre tocou antes de entrar.”

 ”Nossa, a minha mãe em compensação…Lia carta minha escondido, mexia nas minhas coisas, mexia nos meus diários, ouvia conversa no telefone, coisa de doido mesmo!!!!”

texto 3Daí eu te pergunto: e vocês, como se entendem enquanto filhx? Ou pais, se acaso o são? Pra qual “ideia” de mundo vocês foram “educados” ou tentam “educar” seus filhxs? E como?

É, não tenho muitas respostas faz é tempo. E poxa, como é difícil continuar perguntando! Ou vai que eu estou mesmo no tal do “inferno astral”. Em todo caso e mesmo assim, Feliz Páscoa para todxs vocês, biscates queridxs!

Fiquem com Elis…

De olhos bem abertos

Fui ensinada a não falar de boca cheia

e não por os cotovelos na mesa.

Sentei-me ereta por muito tempo,

ganhei da minha mãe, pés de bailarina.

Usei organdi e fui com vovó á igreja.

 

Então se hoje,

por acaso, eu grito,

seja educado,

não tape os ouvidos.

Objeto de Desejo- Foto-poema de minha autoria

Objeto de desejo- Trabalho de Raquel Stanick

Dia desses estava conversando com amigxs e acabei contando como foi difícil e demorado acabar minha graduação.  Pois é, foi só ano passado, quase sendo jubilada e aos trinta e oito anos, que me formei num curso universitário que muita gente nem sabe que existe. Ou não acredita em sua necessidade de existir. Mas foi a licenciatura em Artes Visuais que me trouxe, entre outras coisas, um pensar sobre o mundo em que vivo que mexeu e ainda mexe com muitas das minhas certezas.

Trabalho de Micaela Maia, artista Portuguesa, em seu  extinto blog-manifesto-performance  "Ela só queria ser Arrebatada".

Trabalho/ Performance de Micaela Maia.

Foi ao descobrir-me artista e posteriormente fazer da Arte profissão e modo de ganhar a vida que comecei a entender a máxima que diz que “uma imagem vale por milhões de palavras”, não só pelo seu valor descritivo, mas principalmente por seu valor simbólico.

Performance de Marina Abramovic

Performance de Marina Abramovic

Passei também a enxergar o corpo enquanto objeto, e, por favor, não me entendam mal. Ao dizer do “corpo enquanto objeto”, quero simplesmente apontar o conhecimento, sentimentos e lembranças que emergem dele a partir das experiências vividas por quem tenta “interpretá-lo”. Não há necessariamente “passividade” nisso, acredite.

Todxs nós, e ainda mais especificamente (alguns) artistas visuais contemporâneos, atrizes e atores, bem como prostitutxs com domínio de seu ofício, podem fazer do próprio corpo ferramenta. Com o uso de técnicas e estilos dos mais variados. Esperando este ou aquele resultado. No caso de alguns, sabem e bem o que estão fazendo. Quer um exemplo? Na imagem abaixo observe a reação das pessoas que assistem/ participam da performance. Apesar de existir um certo consenso na linguagem corporal do público, cada pessoa reage e se posiciona à sua maneira.

É, as pessoas são estranhas, como eu sempre repito. E únicas.

Um momento da performance do artista brasileiro Marco Paulo Rolla na 27° edição da Feira de Arte Contemporânea (ARCO- 2008). .

Um momento da performance do artista brasileiro Marco Paulo Rolla.

Sim, você leu direito, escrevi “artistas visuais, atrizes, atores e PROSTITUTXS”!

Continuando…

Então… com os resultados da pesquisa do IPEA (apesar de sua falha metodológica e posterior correção), mas principalmente por causa dos comentários machistas e violentos que o movimento “Não mereço ser estuprada” trouxeram à tona (leia o texto da bisca-amada-irmã Sílvia Badim sobre o assunto clicando aqui), novamente encafifei-me: o que esta ou aquela pessoa “viu” quando estava “vendo” uma mulher com “pouca roupa”? 

Putas? Vadias? Biscates? E qual seria o problema se ganhassem dinheiro com seus corpos, afinal de contas? Que profissional não faz isso? O cérebro não faz também parte do corpo? Qual é realmente o grande problema que deixa machistas de cabelo em pé e prontos para ameaçar tudo e todxs de estupro com seu mítico cetro patriarcal?

Mais uma performance de Marina Abramovic

Mais uma performance de Marina Abramovic

Henrique Carneiro num artigo que trata criticamente da violência como marca do poder masculino (triste, né?), afirma que a violência viril (é assim mesmo que ele a denomina) é um dos emblemas da masculinidade que nasceu com as primeiras civilizações e permanece como essência do próprio conceito desta.

Sim, de acordo com tal teoria, essas pessoas realmente acreditam estar defendendo a civilização como um todo. Seria engraçado se não fosse assustador. Principalmente por entender criticamente de que “civilidade” estão falando.

Performance de Ana Mendieta, assasinada em 1985 pelo seu então marido, também artista.

Performance de Ana Mendieta, assasinada em 1985 pelo seu então marido, também artista.

ana mendieta

Performance/ Pintura de Ana Mendiet

Já Barthes dizia que “a palavra, enquanto instrumento, é símbolo de poder”. A forma de materializar conceitos, apontar desejos e ideias. Vista dessa forma, é pois (e também) um símbolo fálico por excelência. A quem o poder da palavra tem histórica, social e economicamente pertencido durante tanto tempo? Porque gritar, xingar, principalmente no conforto do anonimato, dos falsos perfis ou no meio de um coletivo de “iguais” alguém que escreve em seu próprio corpo a vontade de mudar o mundo a partir de si mesma, do seu referencial “feminino”?

Não enxergam essas pessoas que defendem agressivamente uma “civilização” que já dá mostras de ter fracassado, que estamos vivendo agora e aqui uma necessidade urgente de mudanças no nosso entender de mundo?

Mulheres já são maioria nas universidades Brasileiras e no mercado de trabalho o percentual feminino passou de 38,8%, em 1992, para 40,3%, em 1999. Mesmo com as condições desfavoráveis que toda mulher inserida nesse mercado sente na pele, muitas já são, inclusive, inteiramente responsáveis pelo sustento de suas família.

Ainda assim continuam sendo tratadas como incapazes por uma “civilização” tão cruel que se utiliza de suas próprias vítimas para calar-lhes a voz. Exemplo? Uma médicA e uma juízA revestidas de autoridade por essa mesma ideia opressora chamada Estado de Direito achando que podem decidir (e decidindo!) por outra mulher.

Performance de Bela Reale

Performance de Bela Reale

Então aterroriza-me ver que as mesmas pessoas que louvam ou endossam os argumentos que justificam o estupro na citada pesquisa, bem como questionam a soberania na decisão de uma mulher grávida sobre seu corpo e a escolha de como parir seu filho, são as que usam o vídeo com mulheres ameaçando cortar picas para teorizar acerca duma suposta violência “feminina” inata da qual tem que se defender.

Mais uma performance de Berna Reale

Mais uma performance de Berna Reale

Sim, talvez eu queira mesmo cortar várias picas simbólicas. A da tal juíza, da tal médica, da maioria dos imbecis que comentaram e comentam barbaridades pela internet e no meio da rua e de mais um monte de gente que acha que poder é automaticamente sobre alguém e não sobre si mesmo. Mas acho que assim endossaria uma prática que mostrou não dar lá muito certo, e que acaba por transformar os atuais oprimidxs em futurxs opressorxs. Prefiro pois, questionar a própria estrutura de poder, essa mesma estrutura que faz com que a violência seja entendida como tal. E “masculina”.

Eu, que amo tantos homens que também se sabem capazes de escapar desse tal horror civilizatório, modificando a(s) realidade(s) ao seu redor.

Portanto não cortarei pica alguma. Primeiramente porque não acho que a violência de alguém se resume ao fato desta pessoa ter ou não um pênis (apesar de concordar que histórica e socialmente isso pode contribuir bastante). Mas principalmente porque realmente quero acreditar que somos todxs capazes de conviver, mesmo com nossas diferenças, sejam elas políticas, sociais, intelectuais, de comportamento ou gênero. Utopia? Obviamente…

Então utópica e biscate que sou, escolho falar do falo com carinho e intimidade.

Junto também decido que não mais me calarei por medo. Ou vestirei as roupas que alguém escolheu para mim porque acha que tenho que me envergonhar de quem sou. Aprendi na vida que “ganho” quando consigo argumentar, sorrir e emendar um poesia ou trabalho artístico depois de uma discussão, mesmo que minha vontade seja a de usar uma peixeira. Ganho de mim mesma também. E me humanizo.

Ou você acha que é fácil ser artista visual e tentar enxergar o mundo de olhos bem abertos, onde estou e sendo quem eu sou? E além de tudo, míope?

P.S: E se falei acerca d’Arte, esqueça, não é nada disso ou daquilo, ou então não seria Arte, seria linguagem. E a Arte está além do alcance desta.

Intimidade, Casas de Swing e outras ferramentas de busca

Então fui para o Rio. Bom, bom, bom. Bom, nada! Deliça! Cremosa! Catupiry da coxinha! (Re)encontrei muitxs que amo. Tomei todas. Curti o que em proposta tinha feito ao moço:- vamos brincar de lua de mel? Santa Teresa. Ai, ai.

De lá trouxe comigo para essas paragens nordestinas e com sol de rachar o quengo, lembranças de risadas, alguma saudade apaziguada, intimidade renovada, esse homem moço que tenho amado em encontros e várias cidades e uma gripe inconveniente que me derrubou de forma retumbante.

Pois é. Ainda consegui trabalhar a manhã de sexta. Só. No meio do dia a gripe, única companhia que não solicitei me obrigou a buscar o telefone da farmácia. Imaginei congelar embaixo do endredon enquanto uma vergonha sem tamanho me invadia. Cadê glamour, Brasil?- Clamei em desespero enquanto me esvaia em fluidos corporais diversos, porque obviamente também menstruei assim que o avião pousou. Se dramaticidade pede sangue então o quadro estava completo.

sangue e neve

Só sei que foi assim…

Não, não é engraçado. Imagine imaginar idílios românticos e só conseguir tossir e tremer. Nada de tremidinhas das boas, quem dera, mas daquelas que vem acompanhadas de catarro e da sensação de ter sido atropelada por elefantes azuis do alto Himalaia montados por freiras cotós bordadeiras. Porque obviamente delirei um pouco. Também.

“Enfim sós” é o caralho. Meu nome é Zé Pequena!

- Me deixa morrer, porra!

Me deixa morrer, porra!

Daí. Culpa. Culpa. Culpa. De não me sentir sexy, de não sentir um tico de tesão enquanto penso que vou morrer (lembro da personagem de Capitães de Areia e resmungo Jorge, mesmo Amado), de não conseguir levá-lo para (re)conhecer a cidade. De não. Tosse. Febre. Culpa. Culpa. Tosse. Febre. Sinfonia dos infernos.

- No céu tem pau, mamãe? E morreu.

No céu tem pau, mamãe? E morreu.

Obviamente essa não sou eu. Aquela. Biscate. Biscatona de marré descer. Lembra?

Então.

Toalha molhada na testa. Afago. Café feito. Trilogia que começou com trenzinho assistida na cama. Conchinha. Delicadezas cotidianas. Melhoro um pouco. Feira. Xarope. Paciência. Enrosco. Essas coisas que recitadas juntas quase podem ser chamadas de intimidade.

De repente. Desejo. Tesão. Tesão. Tesão. Sexo de imaginar estrelinhas na voz dele. No sotaque dele. Ai, ai. Again.

E as casas de swing do título? Nem te conto!

Labirintos

downloadHoje eu me encolhi entre lençóis depois de pensar muito abraçada a uma solitária taça de vinho. Era tarde, como sempre, e todos dormiam nessa casa que não é mais minha. A chuva de mais um verão fez correr um Rio Lete entre as minhas pernas, apagando com doçura e uma sabedoria mais antiga que o tempo os resquícios das suas mãos no meu corpo.

Persistente, a matéria era a própria chuva. Também o telhado protetor e a trama que me aquecia. O livro que me sussurrou soltando odores dos antigos mitos, o DVD de quase agora. Minha certezas escoando em letras nesse papel.

Com elas te digo. Encontre seu próprio fio, homem, ainda tenho muitos labirintos a construir. E porque hoje eu paguei ao barqueiro com minhas últimas três moedas também confesso: foi com todo o peso da minha carne que eu te amei.

Quis essa casa de muro-baixo por sem medo e casal sorridente dentro. Ser a mulher que ontem mesmo preparou o café da manhã com cuscuz vitamilho e margarina delícia, beijou os filhos, alimentou o cachorro e as promessas para um logo mais à noite.

Quis o simples. Mas eu não sou.

Adeus, Aquela.

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Água quente, pó de café.

#erotismoemnós #2anosBiscateSC

cf. SANTOS, Welber. Cartas para Raquel. Brasil: BSC, 2013, p.1 e 2

cf. SANTOS, Welber. Cartas para Raquel. Brasil: BSC, 2013

Oi, amor de um monte de jeito,

Dezembro é mês de aniversário biscate, o que não faz de forma alguma com que a distância diminua, mas dá uma sensação de que tudo ficará bem, melhor, mais leve mesmo, sabe?

Afinal foi aqui mesmo, cercada de amigos, onde há um ano nos conhecemos conversando sobre trens, música e sexo. Sobre dormir juntos. Ou não.

Ainda desejo que não passe esse calor, essa ternura, esse tesão que tem nos acompanhado desde que. Pego a próxima rodada de cerveja pra brindarmos e sorrio ao dividir planos. Meus, nossos.

Ah, meu tão querido leitor…

O fato é que foi primeiro aqui e finalmente com você que perdi de vez o medo de me consumir. Quero que você me coma, me ame, me deseje. Me mande cartas, declarações, fotos, lembranças, videos, gemidos. Quero também que me peças. Mais. Mais. Todos os dias.

Ah, seu cheiro, amor… seu cheiro… É, saudades. Muitas.

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cf. SANTOS, Welber. Cartas para Raquel. Brasil: BSC, 2013

Foi também por conta desse aniversário que escolhi escrever sobre erotismo. Em mim. Em nós. E relembrar. Porque todas as palavras sobre o assunto me remetem a você, que é minha escolha até onde pode ser escolha isso de arrepiar pele, eriçar pelos, acelerar o coração.

Você, que me manda cartas lindas, tão lindas…

A sua presença, o toque, o conforto da sua mão no meu corpo todo, do seu olhar no meu corpo dizendo: quero. Da sua língua que cala buscando a minha. Os gemidos que pouco a pouco aumentam e vão substituindo com sei lá o que essa necessidade de contar de amor. Os seus dedos me invadindo  ao invés de digitar esperas. Os meus com unhas pintadas em rubro que alisarão suas costas no depois.

Cafuné.

Aconchego.

Chegar em casa.

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cf. SANTOS, Welber. Cartas para Raquel. Brasil: BSC, 2013

Onde pornograficamente ando nua. Falo palavrão. Gozo gritando e incomodando os vizinhos. Gargalho e choro, meio louca, meio santa, tão puta. Biscate com todas a letras que me cabem.

Porque até nossos tratos, os ciúmes que desafiam o querer, as malas sempre arrumadas para saber mais uma vez que nada disso importa ou deveria importar são carregados de erotismo. Com ou sem clichês. Ainda. Novamente.

É. Somos. Não nos devemos, nunca nos devemos nada e no entanto, ainda quero compartilhar um tanto contigo. Tanto. Que bom ter te conhecido, amor. Como, pois, não comemorar e desejar mais Dezembros?

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cf. SANTOS, Welber. Cartas para Raquel. Brasil: BSC, 2013

Enfim, escrevi só para dizer que continuo querendo dormir e acordar ao seu lado. Te desejando de tudo que é jeito. Mas você sabe, é só por que seu café é muito, muito, muito gostoso…

Bom dia, tesão!

R.

P.S: “Quando Fevereiro chegar…”

 

Insônia (ou é apenas poesia, amor…)

“(…) A liberdade é uma dura conquista: conquista da matéria que resiste sempre, conquista de técnicas que mudam sem parar, conquista dos nossos pares para o que fazemos, conquista do sistema ou da rede do qual participamos, e assim por diante. A frase da Clarice, “liberdade é pouco o que eu desejo ainda não tem nome” já deixa isso claro. É como se ela tivesse dizendo: a liberdade é sempre relativa, mas o desejo de absoluto – para o qual não tenho nome – é, essa sim, a mais pura liberdade.”
(André Parente)

liberdade

Pintura da série “Clichês Azuis” de Raquel Stanick

Sem lógica. Ou palavras. Copos sujos, a garrafa vazia, o cinzeiro cheio e o livro aberto na última poesia antes do deitar é que ainda gritam seu nome.

Penso enquanto: quero mesmo pertencer ao tipo de gente que consegue todo dia fazer café sem se queimar, sair de casa na hora certa, deixar tudo no devido lugar. Pertencer ao tipo de gente que consegue deitar na mesma cama sem suspirar, mas olho o relógio que continua tiquetaqueando: não vai passar, não vai passar, não vai passar.

Resolvo lavar louça ao invés. Porque “seja útil, se ocupe com isso e aquilo” grita aquela. Mais. Olha, que boa menina, agora ele vai te amar. Pronto, acabou a lição de casa, ele vai lhe querer. Espia, não tem um prato na pia, agora ele tem que ceder.

Lembro. Da língua na minha e de palavras que não se ausentam das outras. Como desejo e gozo, naturezas mortas evocando de substantivos abstratos a nomes próprios, adjetivos e verbos para registro das ações e paixões.

Relembro. Que eu amo de verdade é os jeans que uso desde que. São os mesmos daquela vez, me convenço e os arranco. Pensamentos e certezas. Qualquer coisa que não seja.

Azul.

liberdade

Pintura da série “Clichês Azuis” de Raquel Stanick

Passo a procurar correspondências, disfarces na língua-mãe do que é do desejo e da vontade. Palavras. Em papel listrado e prisioneiro recito mais uma maldita: “escrevo sobre ninguém!”. Mas falo querendo um pouco mais. Novamente. Entrelinhas transbordam, além.

Volto a pintar.

liberdade

Pintura da série “Clichês Azuis” de Raquel Stanick

Para receber um amor biscate

IMG_20130905_135814Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Abro a segunda cerveja deste Domingo e observo os móveis da cozinha, que são de madeira de lei e resistiram a tantas histórias antes da nossa. Essa que torço e faço brilhar nos meus dias e noites para que o cupim do ciúme e da distância não estrague rapidamente.

Prendo o cabelo com lápis, do jeito que te ensinei pra que calor não chegue a incomodar, sambo mais um pouquinho. Varro a casa, ajeito nossas verdinhas e as Brahmas na geladeira que lavei.

Não vai ter feijoada, mas comprei sorvete. E lasanha congelada.

Acendo incenso. Acabo o crochê.

Esta sou eu, meu amor. Finalmente. Por enquanto. A que te espera vivendo o mundo inteiro.

Prendada. Vagabunda.

Mulher de um amor só, o seu, porque aprendeu sozinha a grande dádiva que é escolher seus próprios caminhos.

Que podia não ser esse, um nosso.

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Sei da mochila que você me contou. O que trazes. Mas sempre me surpreendes, delícia. Hoje sambas também. Sorrio novamente, pensando no seu corpo ao meu encontro enquanto lavo os cabelos. Depilo as pernas e a buceta que discutimos em feminismos e risadas. Porque é assim, sem perfume forte, em nós mesmos, com uma sinceridade corajosa que aprendemos a nos amar.

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Como você demorou, concluo ainda apaixonada pelo frio que tem me tomado toda vez que penso em ti. Passo o pano nas dúvidas e na ansiedade do se é mesmo.

É.

Não tem mais o que duvidar. Nem por que.

Limpo qualquer restinho de dor desse riso que antecipo ao te ver desembarcando na terra que nasci. Me faço menina e coloco flor no cabelo enquanto recebo o sol.

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando

Dessas coisas que você sente e fazer o que? Escapa entre os dedos e vira sei lá.

Antes de tudo, em minha última defesa, tenho que dizer que odeio o acaso, esse deus de barbas brancas. Papai noel que se foda sozinho. Quero acreditar que estava escrito nas minhas e suas linhas da mão, na minha calcinha molhada, no seu pau duro antes mesmo que.

Abre, abre, abre.

Quero, quero, quero.

Tanto que tenho mesmo que chamar de amor essa vontade de ficar para sempre nua na sua frente até me esgotar no seu desejo.

No meu. Meu, meu, meu.

Repetir até que deixe de ser e volte a pertencer a esfera das sensações apanháveis no ar, feito gripe.

Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!

Suo essa febre que escorre os poros todos, derreto por instantes o que vem junto com as cachaças para presentear amigos, a briga com mães, irmãs que não precisam saber. Te amo esse amor de sem jeito. Sem filhos. Empregados ou patrões. Lembranças. Sem estado.

Sem eu, essa que já se perdeu em algum lugar que gemia e dizia vem. Sem você que a essa altura dos acontecimentos passados, presentes e futuros, ousou me responder.

Ah, você me respondeu, amor.

Correspondeu.

Isso. Quero isso.

Você está chegando.

Sem cansaço

No meio de tantas e alheias certezas escolhi construir cotidianamente um jeito nosso de amar. E foi assim, dum jeito voraz e manso, que sua presença se espalhou por meus dias, noites e letras.

Conto estrelas, canto alto no chuveiro todas as música que foram escritas apenas para avisar que iríamos acontecer na vida um do outro. Enrubesço, sorrio sozinha num caminho cotidiano e conhecido porque me flagro rezando pra todos os santos em agradecimento espantado, assim pedindo licença e um pouquinho mais dessa alegria novidadeira.

Tropeço em meus próprios pés, distraída numa paixão de levantar poeira e em arrepios os pelos do braço. Entendo em rompantes coisas que nunca mais, faço acordos, estabeleço laços. Abro mão de finais já contados e reinvento nossa história ainda uma vez.

cansaçoAh, meu amor, que coisa boa, que coisa louca, que coisa linda, esse jeito de gostar tanto. Relembro poesias, bebo vinho, compro lençóis. Espero porque sim. E ninguém mais precisa saber além de nós, confidencio ao moço da padaria, à atendente da farmácia e à caixa do supermercado.

Fico boba. Escrevo sem jeito quando as borboletas em minha barriga batem asas em rebuliço. Espreguiço. Mostro em sonho mais uma cidade antes mesmo que nela chegues. Conto calendários. Refaço as horas pra caber em mais de seus abraços.

Rebolo em seus elogios. Danço madrugada adentro balançando os cabelos. Gargalho. Até daqui a pouco, moço que me faz despertar tantas manhãs sentindo-me amada, num tempo sem nenhum cansaço.

Você ainda sente?

1Na espera foi quando lembrei. Tua língua luz brincando de fazer-me sombra. Não me escondi.

Com mãos de expectativa abri o chuveiro e as lembranças jorraram. Peguei uma barra de desejo e lentamente, em círculos lentos, antecipei sua língua.

Encarei com audácia o frio na barriga e fiz dos cabelos promessas. O óleo escorrendo como minha pele de encontro à tua mão. Os pelos, assim como algum medo que pudesse restar, retirei cuidadosamente.

3Ensaio.

Então perfumes e cremes para serem cheirados. Calcinha nova e vestido bonito para serem arrancados. Sorrisos ensaiando sedução antiga na frente do espelho.

Saio.

Música demais, vinho demais, conversas demais. Tudo reverbendo sua ausência.

Até que sorrimos o tempo de nossa separação num olhar. Tão simples.

Cerveja e sua boca. Os amigos em comum tocando violão e nós nos afastando do tempo que ficamos distantes. Você me tocando enquanto sussurrava a morte de tanta saudade.

4A noite tinha então poucas luzes e você fazia-me tantos e conhecidos carinhos alegres. Coloquei a calcinha de lado e o desejo estava na minha e na tua boca. Em nós tudo úmido, acre e pulsante.

Finalmente perguntei.

Você ainda sente? Sente? Sente?

Até que nossos gemidos se tornaram novamente certezas.

5E reencontro.

Nossa casa

pés 1De repente, encontrei algo no seu olhar, no arrepio bom que sua mão causa no meu corpo do qual não quero me despedir. Mas que é apenas seu, reconheço encantada e agradeço aos encontros e escolhas. Com liberdade e afeto. Hoje.

“Na nossa casa amor-perfeito é mato
E o teto estrelado também tem luar
A nossa casa até parece um ninho
Vem um passarinho pra nos acordar
Na nossa casa passa um rio no meio
E o nosso leito pode ser o mar”

Quero essa nossa vida. Entre dois lugares. Num sempre por enquanto. Tentando o equilíbrio. Aceitando e perdoando a realidade sobre mim mesma quando não. Sobre você quando talvez. Dizendo sim para o desejo de mais um dia.

Quero reformar o que ainda, abrindo mão do que já, construindo, plantando e colhendo belezas e lembranças para compartilhar mundo afora. Um nós embalado por canções bonitas e laços de delicadezas.

“A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar
A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar”

Quero sentir saudade, depois esquecer a parte amarga num abraço de reencontro. Saber arrumar malas, desarrumar camas, misturar cheiros e vontades, encontrar espaço para suas histórias na minha vida.

maos-dadas“A nossa casa é de carne e osso
Não precisa esforço para namorar
A nossa casa não é sua nem minha
Não tem campainha pra nos visitar
A nossa casa tem varanda dentro
Tem um pé de vento para respirar”

Quero aprender a andar-te no escuro. Acalmar numa gargalhada dos sustos que porventura. Partir. Voltar.

Porque você me disse que o amor reside dentro de mim, como eu, mas falando de si mesmo, não preciso amar você para provar que me amo. Eu quero.

“A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar
A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar”

Em itálico a letra da música “A nossa casa” de Arnaldo Antunes, que inspirou o título deste post e que vocês podem escutar aqui.

Fome

1Quero te comer, gostoso. Sussurro rouca e biscate tentando dizer dessa fome tanta. Antecipo-me satisfeita ao cheirar sua pele, que é meu petisco, manjar, prato feito, ambrósia, banquete.

Passando a língua por lábios até me perder nos seus tantos gostos. Porque o tempero na dobra do seu pescoço é um, diferente daquele do beijo no seu peito antes de dormirmos misturando pernas. Receita que aprendi pra te comer melhor, lobo mau.

Quero te comer sem saber se doce ou amargo, ou sabendo bem, mas inventando desculpas para experimentar o que de repente pode despertar outros apetites. Uma vez mais. Mais um pouquinho. Assim é gostoso também, pergunto e respondo rindo de mostrar os dentes.

2 (2)Ainda tenho fome se faço tudo igual. Nesses dias bebo café devagar enquanto abro armários e invento com o que tem um dia para chamarmos de nosso. Depois vou plantar hortelã, manjericão, pimenta. Belezas de cozinhar em fogo brando o que renasce das cinzas.

Desejo.

Quero te devorar agora mesmo. E sinto frio, calor, loucura de sem jeito bem no pé da barriga. Te comer, gostoso. Quero. Anuncio uma fome lenta e que me encharca o vestido. Gostoso! Grito de fome apressada, gemendo alto meu gozo no seu ouvido.

3De repente já é noite. E novamente. O poeta canta de matar a sede na saliva enquanto nua e tranquilamente caminho até a geladeira para encher nossas taças de mais vinho. E brindarmos juntos, meu pão. Minha Comida.

Qualquer Uma

Uma qualquer… Qualquer.

Aprender a respeitar, calar, escutar. Apanhar, sofrer, morrer. Para (ter que) gritar, exigir, lutar. E Sobreviver.  Ser. Estar. Apontada, julgada, excluída.  Errar. Acertar. Subverter. Aí de novo, de outro jeito. Outra vez.

qualquer

*

E no (re)começo era (também) o verbo.

Depois outros textos. Adjetivos. Pronomes (im)pessoais. Tantos. Mais.Resoluções. Revoluções.  Destruições. Desmontar, desconstruir, repensar. A teoria cotidianamente colocando em xeque a prática que é viver e tentar ser feliz. Aconchegar-se. Florescer em outras estações. Ser clichê. Expor-se. Poetizar, pintar, escrever.

qualquer

*

(Des)aparecer.

Apaixonar-se. Enlouquecer. Querer matar a quem se pretende. Proteger. Equilibrar-se no tênue fio que é querer. Rimar. Ruborizar. Pontuar. Lembrar. Esquecer. Flagrar-se. Ensinar a quem aprendeu a temer.

qualquer

*

Podia ser qualquer uma, se não fosse eu. Eu me chamo. Gargalhando e entre novos brindes. Sambando miudinho.

Biscate, muito, muito, muito. Prazer.

*fotos de Paz Vega, em cenas do filme Lucia y el Sexo

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