Angélica, Marquesa dos Anjos

Era o ano de 1990, isso mesmo, século passado, e eu tinha 13 anos, e tive catapora. Fiquei de repouso, e esgotei os livros que tinha para ler. E então, na estante, descobri um certo livrinho, chamado “Os Amores de Angélica”, com uma capa brega, mas interessante.

Sem imaginar no que me metia, em pouco tempo li a história toda, e fiquei sabendo que se tratava de uma série, com vários livros, todos eles focados na figura de Angélica de Sancé de Monteloup, a filha de um casal da pequena nobreza da França do século XVII, com suas aventuras, desde a infância de pés descalços, na nobreza pobre do interior, até seu casamento de conveniência com um Conde tolosano, o Conde Joffrey de Peyrac, treze anos mais velho, rico, experiente, mundano, e que viria a se tornar o maior amor da história dos amores de Angélica.

Coleção Angélica

Coleção Angélica

A história dos autores da obra, por si, já é fascinante:

Anne e Serge Golon.

Serge Golonbikoff nasceu em Bukhara (URSS – sim, ainda era URSS!) em 1903, e Simone (Anne) Changeuse, em Toulon (França), em 1928. Conheceram-se e casaram-se na Africa, para onde Anne, com o dinheiro de um prêmio literário, viajara como jornalista. Serge era uma celebridade na época: formado em geologia, mineralogia e química, cruzara o misterioso continente em busca de ouro e diamantes, acabando por participar da descoberta de estanho em Katanga (Zaire). Atraída por sua fama, Anne resolveu entrevistá-lo.

De volta à França, em 1952, já casados, tiveram a ideia de escrever uma novela histórica ambientada no século XVII: Seerge colhendo as informações no Arquivo de Versalhes e Anne exercendo um talento para as letras já manifestado na infância.

O sucesso de Angelica, Marquesa dos Anjos, lançado em 1959, foi imediato, animando os autores a produzirem novos volumes. Estes, traduzidos para vários idiomas, fizeram da heroína uma das personagens mais famosas do mundo.

 

Naquela época, tudo que uma adolescente apaixonada por história podia fazer, ao ler todos aqueles nomes em francês, todos aqueles lugares, aqueles personagens, alguns familiares das aulas de história da antiga 7ª série, como Luiz XIV, o Rei Sol, outros, da história de D’Artagnan e os Três Mosqueteiros, como oCardeal de Mazzarino, era mergulhar na enciclopédia Barsa e nos atlas da família, e viajar naquele mundo novo e ao mesmo tempo, familiar.

Angélica me fascinou desde o primeiro livro.

São 26 volumes, os lançados pela Nova Cultural e vendidos em banca. Sei que havia a edição do Círculo do Livro, mas estes meu pai não quis comprar pra mim (comprou O Guarani e a coleção dos Escoteiros Mirins, ao invés…).

Coleção Angélica

Levei, sem brincadeira, dez anos para completar a coleção. Durante muito tempo, em qualquer cidade que fosse, se visse uma banca de revistas onde havia troca de livros, eu parava para garimpar. Um dos volumes foi achado no Rio, em uma banca perto da Candelária, quando lá estive em 95, para o show dos Stones no Maracanã.

Angélica é uma jovem mulher à frente de seu tempo, mas ao mesmo tempo, não tão diferente de todas as mulheres. Ela sofre, se alegra, ri, ama, vive.

Tem seu primeiro amor arrancado de seus braços e queimado na fogueira, é amada pelo próprio Rei Sol, desdenha desse amor, foge, em busca de Joffrey, que afinal, não fora queimado como feiticeiro, mas conseguiu fugir e virou pirata no Mediterrâneo.

Angélica se casa com o Conde de Peyrac, perde tudo e é lançada na sarjeta, depois vive com um mendigo e bandido (tem um passado por trás), tem um caso com um panfleteiro, depois com um policial que a persegue (e que tem ainda uma outra história por trás, claro), depois, chantageando alguns nobres que estupraram e mataram um garotinho, consegue subir de novo na vida, se casa com um Marques (de novo: claro que tem uma história por trás!).

Coleção Angélica

É tida como amante de Luiz XIV, se revolta, foge para o Mediterrâneo, é capturada por piratas, vendida como escrava sexual para um hárem (hello, Gloria Perez, tá melhor que Dorme Jorge!), faz amizade com o eunuco (seduz o eunuco!), foge com um grupo de escravos, se apaixona por um deles, volta para a França.

Ufa. Calma, ainda é só metade da saga!

Nesse meio tempo, faltando tipo, metade da história, Angélica reencontra Joffrey, e os dois vão para o … Canadá!!!

E lá, ajudam a colonizar a colônia francesa, encantam índios, enfrentam demônios, padres e fofoqueiros de plantão.

E tem casos extra-conjugais!

O mais legal da série, que é longa, e obviamente, oscila bastante, é a dinâmica entre Angélica e seus amores. E as reflexões que a personagem vai fazendo ao longo da vida.

Eu já tentei fazer a cronologia, e pelos meus cálculos, Angélica se casa pela primeira vez aos 17, e termina o 26º livro com 40.

Diversas Renata 322

Tem seis filhos, com pais diversos, inclusive uma “filha do pecado”, fruto de um estupro…

Angélica foi a primeira biscate que conheci. Biscate, biscate mesmo. Com as capas que horrorizavam minha pobre mãe, que se indignava com o fato de eu, uma moça tão inteligente, tão elogiada pelos professores,  gostar de romances de banca (na cabeça dela, era pornografia. Ah, mal sabia ela de metade da missa. Mas isso fica para outra história).

Angélica não só teve vários amores, como teve vários amigos e amigas, refletiu sobre política, filosofia, guerra, o papel da mulher na história…

A obra é um misto de conto de fadas com crônica histórica, sé é que dá para imaginar.

E as capas… As capas são um amor à parte.

O primeiro marido, Joffrey, é o que mais aparece, mas os personagens secundários também surgem, ainda que só no fundo, ou mesmo agarrando nossa heroína, que, via de regra, é retratada lânguida e desfalecente nas capas, ao contrário da personagem forte e decidida que sempre foi.

Esse contraste chega a ser irônico…

Quer saber mais sobre Angélica, a série, e Anne Golon, a autora?

Dê uma googlada, ou aguarde meu post do dia 25 de fevereiro, no Blogueiras Feministas!

Se quiser saber mais sobre os romances de banca, também tem post meu lá no BF.

Quem tem fama…

#AlmaBiscate
Por Renata Lima

Não nasci biscate.

Me fiz biscate.

Nasci mineira, da tradicional família.

Mas sou ousada (palavras, em tom elogioso, de meu pai).

E por pensar diferente de alguns muitos e muitas, por agir diferente (nem sempre melhor, claro), muito nova, sem mesmo provar o gosto da fruta, já fui tachada de má-companhia.

Decorrente da língua de jovens homens que seguiram (seguem?) o roteiro, de falar mais do que realmente fizeram, de contar como vantagem, o que pra nós, mulheres, tem que ficar escondido.

E o primeiro namoradinho, tadinho, veio com tanta sede ao pote, achando que eu era… galinha, fácil, biscate…

Não era, ainda.

E ele se descobriu namorando uma jovem da TFM, com um pai zeloso e horários para chegar. Depois do primeiro “avanço” e do esclarecimento, o temor de se/me comprometer. E ele saia da minha casa, onde me deixava, virgem, pura, intacta, e ia se encontrar com uma ex (soube disso anos e anos depois, pela ex, imagine que mundo pequeno… realmente, Ovorizonte. )

O fato é que um dos primeiros caras que beijei, em uma festa, num canto, disse pra todo o colégio que me “comera”. E todos acreditaram… menos eu, que só fiquei sabendo mais de ano depois.

A verdade é que a fama não me fez deitar na cama. Pelo contrário. Por mais que eu quisesse, as vezes, temia o momento. Era romântica, jovenzinha, e queria toda a coisa de luz de velas, declarações de amor e um príncipe no cavalo branco.

Vieram príncipes. E sapos. E ogros. E dragões.

E demorei muito, muito tempo, para realmente descobrir o que eu desejava. Desejo: Amor. Respeito.

Sexo.

No fim das contas, com um ou com vários, o que define uma biscate, ao menos para os outros, é uma mulher admitir, em público, que gosta de sexo. E que faz.

Com amor, sem amor.

Mas sempre, com respeito. Respeito por si, respeito pelo parceiro.

Respeito pelos limites e pelos momentos uns dos outros.

Sempre questionei tantos duplos padrões, tantas coisas que meu irmão, mais novo, podia fazer, e eu não. Horários, locais. Mas admito que tive mais liberdade que a maioria das colegas da minha idade. Para as mães delas, eu era muito “solta”.

Hoje, me identifico cada vez mais com o texto da Márcia, biscate convidada, sobre ser Biscate Loser.

Sim, eu sou.

Ainda que não biscateie tanto quanto desejaria (ou quanto as vezes parece que biscateio), minha biscatagem é constante.

E é constante na busca da coerência de não julgar, de não medir outras mulheres (e até homens, claro!) pela mesma régua com a qual fui medida.

Nem sempre é fácil, e as vezes escorrego. Em pensamentos, e até em palavras. Mas me arrependo (sim, Jesus, vem e me chama de Madalena, seu lindo!) e logo volto a persistir no propósito:

Se não veio o anjo e me disse para ser biscate na vida, eu mesma decido e digo que sim, eu sou biscate, prá vida!!

E com a ajuda do super time de biscates super poderosas (e poderosos), sei que vencerei!

Façamos…

Aviso aos Navegantes:a Renata Lins publicou este post (Meus 50 tons de…) que incendiou a imaginação d@s bisc@s deste nosso querido Club. Decidimos, pois, cada um@ tratar do erotismo como lhe apetece. Inclusos @s convidad@s. Tem sido uma quinzena caliente não lhes parece?

#Erotismo em Nós
Façamos, Renata Lima

Aquelas horas lânguidas, em uma cama grande, espaçosa, ou aquela meia hora agitada, em um carro apertado, ou aqueles minutos intensos, em um canto qualquer…

Qual o som que te embala?

Cada som, uma expectativa, uma lembrança, um desejo.

Every inch of my love…

Led Zeppelin é rock blueseira. E combina com horas de sexo intenso, selvagem mas demorado. O que? Selvagem e demorado, não combina? Você que pensa, e que pena que pensa assim.

De qualquer forma, na lista de rock n’ roll, sempre cabem oustras combinações e outros sabores (e velocidades e duração…)

A voz rouca e gemida de Plant em Rock n’ Roll,  é um espelho da minha voz, rouca, gemida, quase ganida. Cio.

Aretha, Nina, Ella…

Elza Soares. E Chico (nem eu consigo escapar de Chico… esse muso da alma Biscate…)

Façamos. Vamos amar…

Arrepiam-se os pelos da nuca. A boca fica seca. Pede por uma taça de vinho, um queixo áspero arranhando o pescoço. Uma mão dura apertando a cintura. A respiração ofegante, o pulsar do sangue concentrado em um único ponto. Parecendo que a voz dele e a dela se misturam e derretem cada nervo e cada músculo do corpo, tudo se concentrando em uma poça quente e ardente.


Uma festa lotada. Um funk batidão rolando. Um tesão irreprimível.

Quero te dar, quero te dar.

Rapidinho, em pé, ao som do batidão.

Vem cá, vem cá, vem cá.

Não precisa dizer mais nada.

Frejat e sua voz rouca, seu olhar de quem cheirou uma carreira de … gatinhos.

E as letras quentes e sugestivas.

Um carro. No escuro. Só a lua. Os vidros embaçando, as pernas batendo no painel.  E a voz do Frejat cantando: vê se ao menos me engole.

Mas é claro.

A verdade, no entanto, é que a melhor trilha sonora para esses vários momentos é aquela que o corpo faz.

Os gemidos, as palavras, os suspiros, os gritos, os urros (tem uns que gozam em silêncio, mas adoro quando urram de prazer).

O som da pele escorregando nos suores misturados.

A sucção de uma boca ávida.

O som da cama batendo na parede. O colchão rangendo, os lençóis caindo ao chão.

O escorregar dos corpos colados, mudando de posição, e o súbito estalar de um tapa, espalmado, espalhando arrepios pela coluna acima. E abaixo.

Qualquer que seja a trilha sonora escolhida, não podem faltar aquelas palavras quentes, picantes, obcenas.

Sim, eu quero, sim eu gosto. Não pára.

E o súbito silêncio, quebrado apenas pelo ruído do isqueiro, e da brasa do cigarro queimando, e o sorriso mudo que antecede o sono saciado.

Outros textos da série #Erotismo Em Nós:

Trinta Anos Quase, Renata Lins

Orgia com Brando e Schneider, Lis Lemos

O triângulo aponta o caminho, Niara de Oliveira

Erótico Pornográfico, Bete Davis

Águas Feminnias, Sílvia

Espera, Raquel

Inverno, Perséfone

O dom de ser feliz

Tem gente que acha que a gente que é biscate não sofre por amor.

A gente sofre, sim. E chora. Ou não chora.

E sofre, por nós e pelos outros. A gente se chama de biscate, e tira do outro o gostinho de achar que ofende, mas a gente se entristece com gente que fecha os olhos. Com gente que nega alegrias. Que nega amor, que nega amizade.

A gente sofre por amor, a gente sofre por ver o preconceito e a discriminação ainda fazerem vítimas. A gente se engaja, as vezes, só do sofá, as vezes, saindo para a rua, as vezes, só militando em nossos círculos mais restritos.

A gente sofre quando vê a miséria física, explicitada em crianças nas ruas. Quando vê a miséria espiritual, sangrando nas páginas policiais.

Eu sofro quando vejo o outro sofrer. Eu me importo.

E a gente sofre quando o Outro, aquele que um dia nos teve nos braços, vai embora, leva tudo de si, tenta apagar toda e qualquer lembrança. Tenta contaminar, quem sabe sem querer,  toda lembrança boa, tudo que poderia ter ficado, ou que poderia ter sido.

Mas a gente vai e chora, e cai em outros braços. Braços de amigos ou braços de amantes.

E de repente, ela está ali.

Felicidade.

Outro dia acordei assim, de um sonho no meio do sonho, e sonhei com um beijo e um afago.

Mas não eram os dele. Já não era sem tempo.

Saudade tem fome, se a gente não alimenta, ela míngua.

Estou matando a minha de outros sabores, alimentando outras vontades.

Estou viva, cada dia mais.

Já paguei minha divida com as saudades, já não quero mais doer.

Quero o gozo infindo, aquele que parece a morte.

E acordar em outros braços.

Felicidade.

Não é alegria.

Não é estar apaixonada.

Não é acreditar que é retribuida.

É tanta coisa, e não é descritível.

É crível, só isso.

Palpável.

É se bastar, mas ter espaço para o outro, para os outros, para a preocupação e o cuidar, para o compartilhar e o dividir, para o egoísmo e o altruísmo.

Eu sou boa.

Quis ser má, quando foram maus comigo.

Mas essa não sou eu.

Quando chega a vazante, eu sou de Câncer.

Tenho minhas memórias e meu aconchego.

E tenho meu sorriso.

A vida segue.

(e para fazer invejinha, que sou boa mas não sou santa, mando uma fotinha de um momento de felicidade simples, ao lado de Renato Teixeira e Almir Sater, depois do show em BH)

Depois do show, a gente segue, tocando em frente
Eu sei… que nada sei…

Paixão? Amor? Outra resposta possível?

Aqui em Minas, a gente tem um jornal. Quer dizer, temos uns três, mas acho que um é “O grande jornal dos mineiros” ¬¬ e é o Estado de Minas – EM (uma grande porcaria, se querem minha opinião. se não quiserem, azar.).

Meu pai ainda o lê. E minha mãe, na segunda feira, me mostrou uma coluna escrita por um deputado e conselheiro sentimental, cagador de regras, chamado Antõnio Roberto, o artigo em comento, que começa, via de regra, como as colunas dele no tal jornal, com a pergunta de um leitor(a).

Eis a pergunta:

“Antônio Roberto, apaixonei-me por um rapaz, há um ano. Foi uma loucura nosso relacionamento nesse período. Vivíamos exclusivamente um para o outro. Há um mês, ele terminou, após um período de esfriamento. Por que a paixão acaba? Estou sofrendo muito. Me ajude. Beatriz de Belo Horizonte.”

Me peguei pensando em todas as paixões, paixonites e amores que já vivi na vida.

E lembrando de Legião Urbana e do amor que é fogo que arde sem se ver e que sem amor, eu nada seria…

E de todas as canções de amor que já foram escritas.

E de que alguém já disse que de amor não se morre, se vive.

E que sou uma eterna romântica, mesmo quando faço cara de biscate blasé.

E lembrando de Legião, busquei o Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

E lembrando da Luciana, que freudianamente me indico este texto, eu lembrei de um post do Borboletas, e quando o encontrei, me perdi. E me achei.

A resposta, Beatriz, afinal, eu não sei.

Paixão, amor, amor, paixão? Quem é que sabe?

Mas explicação para eu escolher os dois, sempre, mesmo com a dor e a agonia, é essa aqui, do vídeo:

Enquanto dura, é bom pra caralho! (E pra buceta!)

Ressignificar a buceta

Segundo o Dicionário Aurélio,

Significado de Boceta

s.f. Pequena caixa redonda ou oval. / Caixa de rapé. / Casta de tangerina. / Variedade de manga. / Bras. Determinado aparelho de pesca. / Pop. Vulva. // Boceta de Pandora, origem de todos os males.

Esse finalzinho aí foi bem assustador, mas condiz com o que muitas religiões pensam das mulheres, do sexo, e, obviamente, do genital feminino.

Outro dia, estávamos conversando, várias biscates, oficiais ou não, sobre o uso das palavras. Caralho! Tivemos a óbvia e etílica descoberta de que a palavra usada para designar o membro viril é muitas vezes usada num contexto não pejorativo ou obceno, como “Bom pra caralho (ou prá cacete)”, enquanto não conseguimos encontrar um uso coloquial que fosse, no sentido positivo, para a pobre – palavra – boceta – ou buceta?

De acordo com a Wikipédia, bOceta é a tal caixinha, para guardar rapé, ou também, a palavra vulgar usada para designar a vulva, enquanto bUceta é a palavra usada, no português brasileiro popular e chulo, para designar a vagina ou a vulva. Também coloca alguns sinônimos regionais interessantes: bacurinha, buça, buçanha, capô-de-fusca, mijona (oi?) xereca, pastel (de novo: oi?) carne mijada (sério??) perereca, periquita, rachada (que original!), tabaco, tchura, tubia, xana, xavasca, xexeca, xibiu (oi Jorge Amado! Oi Gal! Oi Dorival! Oi Gabriela! ) xota e xoxota. Ufa.

São citados ainda, como “familiar”: bimbinha, griguilha, pipi, xibica, nhonhoca.

E como “popular”: passarinha, perseguida, racha ou rata.

Em Portugal, ora, pois, o nome da buceta seria cona, pachacha ou patareca (caso esteja por terras lusitanas, pesquise ai em que contexto, fora do sexual, elas são usadas, sim – as palavras, não as bucetas, por favor sim).

E tem também um termo que a Wikipédia colocou, que eu juro que não entendi. Sob o título de “social”, colocaram como sinônimo de BUCETA, perseguida.

Perseguida… lembrei do mito da vagina dentada.

E tem gente que tem medo mesmo. Medo da buceta perseguidora. Da buceta que faz o homem chorar, que faz o homem matar… Enlouquecer.

E enquanto PORRA e CARALHO e CACETE são vulgares, mas são populares (em certas regiões, o povo não tira da boca – ops!) e usadas para reforçar o quanto algo é bom ou serve como superlativo, acho que BUCETA só uso (como expressão) quando dou uma topada com o dedo mindinho do pé no pé da cama.

E aí é como xingamento, mesmo, né…

E enquanto um “puta que pariu, caralho, que porra é essa! É do caralho!” tem efeito elogioso, quando eu ouço um “puta que pariu, caralho, que buceta é essa!?!” boa coisa não se deve esperar.

Que medo é esse da buceta? Que medo é esse de falar, conhecer, tocar, deixar ter o cheiro ou os pelos que ela tem?

Não, não podemos. Tem que depilar tudo, usar desodorante “íntimo” para disfarçar o cheiro… da buceta (calma lá, ninguém tá falando da vibe Napoleão e Josefina, certo? Eu, ao menos, curto a coisa limpinha, né, mas sem neuras!), usar “protetores de calcinha”, sério, gente, a calcinha não pode ter contato com a nojeira da buceta, é isso?

Buceta não é coisa de mulher pra casar? Ah, então tá.

Buceta não é coisa de “mãe de família”? Ok.

E pra finalizar, deixo do desafio: vamos ressignificar a buceta!

Não precisamos ter vergonha das nossas “partes”, das nossas pobres “perseguidas”.

A buceta é nossa, cada uma tem a sua, com seu cheiro, sua cor, seu hair style.

Eu adorei essa montagem, as imagens usadas, de cantoras estrangeiras badaladas, ainda, fazem pensar no quanto de preconceito de classe existe contra o funk, quanto às mulheres do funk e contra mulheres falando de sexo em geral…

Eu dou pra quem quiser que porra da buceta é minha!! é apenas uma outra forma de dizer:

Não dá pra mudar o significado das palavras assim, de um dia para o outro, mas dá prá começar a pensar, né?

Então, vamos parar de ter vergonha até de falar?

Repete comigo: BU-CE-TA!

Esses homens maravilhosos e seus instrumentos fabulosos!

Penny Lane.

Penny e Russel, Penny e William…

“They don’t even know what it is to be a fan. Y’know? To truly love some silly little piece of music, or some band, so much that it hurts.” Sapphire, personagem de Fairuza Balk, em Quase Famosos.

Minha primeira memória de um homem com uma guitarra?

Paulo Ricardo, 1985. Eu tinha 9 anos, mas tinha também uma prima adolescente, que morava com a gente, e gostava de rock, de Led e Pink Floyd. E de RPM, que foi o auê da abertura. Até hoje tenho o LP.

O rival do Paulo Ricardo no meu amor pré-adolescente era o Roger, do Ultraje. Ou você gostava de RPM ou de Ultraje. Mais ou menos com percebo o lance hoje com Restart e Luan Santana (não me apedrejem, pls, mas olhemos as roupitchas de RPM e Ultraje a Rigor, na década de 80, e as roupas de Restart… só muda a época, amores).

Digo  apenas que 15 anos depois, eu beijei o Roger, vocalista do Ultraje! (foi antes do Twitter, e de descobrir que ele é meio de direita, né… forgive me), e mais ou menos na mesma época, tardia, descobri o submundo das bandas cover e de garagem.

Sei que esses homens maravilhosos e seus instrumentos fabulosos povoam a imaginação e o tesão de milhões de biscates por aí.

E nesse filme, fantástico, do Cameron Crowe, ele retrata não só o amor, a amizade, a família, como esse lance fantástico que é a paixão (e o tesão) pelo rock.

A alma do guri (William Miller) e da guria (Penny Lanne) é dissecada.

Uma guitarra. Uma canção boba.

Um desejo irrefreável.

Não sei se é pensar naquela voz no seu ouvido, não sei se são aquelas mãos habilidosas que mandam fagulhas e acendem uma fogueira.

Sei que Frejat cantando “Por que que a gente é assim” e se esfregando na guitarra me derrete.

“Mais uma dose. É claro que eu to a fim.

A noite nunca tem fim. Porque que a gente é assim.

Agora fica comigo, mas não, não desgruda de mim. Vê se ao menos me engole, não me mastigue assim…

Sem gramas, sem dramas… por que que a gente é assim?

Você tem exatamente dez mil horas pra parar de me beijar. Você tem a vida inteira pra me devorar. “

Sei que por amor ao rock n’roll eu treparia com a tia velha do punk, Joey Ramone, e olhem, não sou necrófila.

Sei que um sujeito qualquer, em um palco minúsculo, com uma guitarra e um amplificador (pode ser também a bateria, claro, ou o subestimado baixo, ah, os baixistas e seu charme discreto – ou nem tanto) elevam minha libido nas alturas. A minha e a de muitas outras.

Mas esses homens, tatuados, despenteados, suados, com suas guitarras distorcidas e harpas envenenadas… (Zeca Baleiro, seu lindjo…te pego demais) me enlevam, me encantam, me excitam.

Groupie, é o nome que dão. Em um tom depreciativo, sempre, claro. Afinal, uma mulher que admite que gosta de sexo, que sente tesão, que fala sobre isso, que se joga, o que se poderia esperar que dissessem?

E aí, eu respondo com uma canção de uma das maiores guitarristas do rock (sim, MULHER, guitarrista!), Joan Jett:

 “I don’t give a damn about my reputation…”

(Joan, sua linda, até a Bella do Crepúsculo ganhou tempero quando te interpretou, delícia!)

Eu gosto de rock. E gosto de meninos que tocam em bandas de rock.

“Nice guys don’t play rock n’ roll…”

E meninas boazinhas não gostam de caras malvados.

Azar o seu, eu não sou uma boa menina.

Boas meninas vão para o céu.

Biscates, vão para onde quiserem, para qualquer lugar que desejamos!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...