Improvisações de um coração biscate

Hoje é dia de biscatagi cultural, e eu não tenho uma ideia decente. Ia falar sobre botas, fetichismo, Nancy Sinatra, e pans, mas não deu. Adoro botas, tenho várias,  mas não tenho fetiche não. Só gosto, mesmo.

Ai, ia falar sobre, sei lá, Spice Girls, porque estou em casa nesse feriado, sem carro, e está passando o mundo das Spice Girls na TV. Mas não. Apesar de haver tido minha fase de Spice Girls, e adorar o girl Power, não me deu tesão.

Podia falar também sobre o aniversário da Marilyn, ou sobre a biscate da novela das nove (sugestões da Niara), mas… deixo Marilyn para a Luciana, e não vejo a novela das nove. Seria mais fácil eu falar sobre as biscates dos seriados enlatados, que nada são melhores (ou piores, né) que novelas da TV. Mas não. Também não.

E daí percebo que estou cheia da nãos hoje, né?

Decido dar uma checada nos e-mails, ver o que andam me mandando.

E me assusto, em um antigo endereço, que cometi a insensatez de cadastrar em um site de compra coletiva, com a quantidade de e-mail de spams.

Queime gordura! Toxina botulínica 87% off. Seu amor vai adorar! Assine Veja! Presenteie seu namorado com … E por aí vai.

Spams de empresas de que nunca fui cliente. Spams de bancos onde nunca tive conta. Pessoas que nunca conheci, me dizendo para ver as fotos daquela festa. E por aí vai.

E nesse feriado modorrento, não consegui escrever nada. Então, escrevo sobre o nada.

E esse nada é tanta coisa. É o mundo corporativo querendo fazer com que eu gaste meu dinheiro em produtos que nunca precisei. Mas que usa suas técnicas “pelvelsas” para me fazer pensar “como é que eu vivi até hoje sem saber que preciso desesperadamente desse produto para viver??”. E nem no conforto do meu lar estou segura.

Mas então, eu lembro que estou de férias, que passei uma semana comendo cuscuz todo dia, de todas as formas, com todos os acompanhamentos.

Lembro que comi sarrabulho no mercado São Sebastião, em Fortaleza, e que não comi caranguejo na praia do Futuro porque o bichinho vem inteiro… com olhinhos que podem até não ser olhinhos, mas…

Lembro que desci as escadas para a praia de Canoa Quebrada e que entrei em uma piscina de água termal a 37 graus, no calor do interior do Rio Grande do Norte.

Que aprendi sobre carcinicultura e sobre usinas eólicas tomando cerveja.

Que em (quase) nenhum momento em me preocupei em usar biquíni e não maiô.

E que se não fosse a disposição de abrir os braços e a alma e o coração para esse computador frio e essas ondas virtuais, eu não teria tantas mais pessoas queridas na minha vida, com quem tenho compartilhado não só as boas risadas, mas as dores e as frustrações. E ser biscate é isso, também.

Biscatear hospedando em casas de amigos, de amigos que não conhecíamos e que ainda não tínhamos abraçado, mas que são tão amigos quanto aqueles que cresceram com a gente.

Isso é ser biscate. É ser fácil. É dizer: vemnimim! Vamos tomar cerveja? Mas é claro!!!

*Post homenagem improviso as queridas Lucianas – Pereira e Nepomuceno, à Bianca Cardoso, à Mayara Melo, querida Mayroses, ao Tiago Costa, à família da Borboleta, à Cecília Oliveira, que tá em Nova Iorque, ao Lemuel Cintra, que acaba de chegar daz’Oropa, ao Fernando da May, e a todos os queridos e queridas que já me receberam em suas casas e em suas camas e em suas redes.

Vocês são a razão de ser do meu coração biscate.

Fui feita pra vadiar!

Sabia que neste final de semana, dias 26 e 27 de maio de 2012, em várias cidades do Brasil, um monte de gente vai sair às ruas, na Marcha das Vadias?

– Nossa, que nome horrível! Quem inventou isso? Que falta do que fazer! Eu não vou em uma coisa com um nome desses!

Hum… minha cara de Willy Wonka pensando em todas as outras marchas para as quais te convidei e você não foi.

Então! É sábado!

Dia de tirar a calça jeans, colocar um fio dental… ~ops~ não precisa!

Gente, é uma marcha sobre VIOLÊNCIA, e não sobre SEXO.

Não tem roupa específica. Não precisa “ir de vadia”.

Aliás, o que seria uma roupa “de vadia”?

Curta? Decotada? Barriga de fora? Peito pra fora?  Bunda pra fora?

Biscate, piriguete. O que é ser “vadia”?

O homem é civilizado
A sociedade é que faz sua imagem
Mas tem muito diplomado
Que é pior do que selvagem

Somos todas vadias.

Quando usamos a roupa curta ou decotada, e ousamos dizer um NÃO para algum homem? Somos vadias?

Somos vadias quando uma pessoa tem um relacionamento com um terceiro e busca a nossa companhia? Para um monte de gente, somos vadias…

Somos vadias quando nossa orientação sexual não segue um padrão heteronormativo, e paira sobre nós o fantasma do estupro corretivo.

Somos vadias quando somos estamos dirigindo, e desobedecemos a regra de ouro de … não cumprir as regras de trânsito e exceder o limite de velocidade. Para tantos e tantas outros e outras motoristas, somos putas e vadias, apenas por estar no volante? E se for em uma cabine de comando, de um avião? 

Somos vadias quando levantamos a voz, e dizemos que não concordamos com algo que foi feito ou que foi dito, somos vadias quando sentamos sozinhas em uma mesa de bar, somos vadias se vamos ao cinema desacompanhadas, somos vadias quando… bem, quem mandou nascer mulher?

A Marcha das Vadias é nome que recebeu, no Brasil, um movimento que começou no Canadá, em Toronto, quando um policial canadense, Michael Sanguinetti, fez a infame afirmação, em uma palestra: “Me disseram que eu não devia dizer isso, mas as mulheres não deviam se vestir como vadias se não querem ser estupradas”. As alunas da universidade se revoltaram e sairam às ruas, “vestidas de vadias”, para afirmar que a culpada pelo estupro não é a vítima e nem a roupa que ela usa mas, sim, a conduta do estuprador.

Até hoje, quase dois anos depois, e com a propagação dos protestos por todo o mundo, a Polícia do Canadá ainda insiste que este comentário não representa a visão de toda a instituição, mas “apenas um oficial”.

Infelizmente, não é só no Canadá que as mulheres são responsabilizadas pelas violências sofridas. Especialmente a violência sexual. E ainda há decisões nas quais a “mera negativa” da vítima em consentir com o ato sexual, sem resistência efetiva, serve para descaracterizar o estupro e absolver o agressor. Ainda há decisões nas quais o “comportamento” da vítima (e nem precisa ser o comportamento sexual da vítima com o agressor, basta dizer que a mulher é sexualmente livre, já teve “mais parceiros do que a média’ – e eu pergunto: qual é a “média”?) serve não para calcular a pena, como é previsto e justo, mas para afastar o crime,

E é por isso que marchamos.

A violência contra a mulher é uma chaga, naturalizada, internalizada, divulgada sem reflexão, repercutida sem informação.

Mulheres são assediadas, abusadas, estupradas, intependente da roupa que vestem, do corte de cabelo, da maquiagem, ou do salto alto.

Mulheres são agredidas e mortas, na maior parte dos casos, por companheiros ou ex-companheiros.

Nem sempre o estuprador é um “monstro psicopata”, nem sempre ele é o “estuprador serial” das manchetes sensacionalistas. (e até sobre o mítico “monstro”, recomendo essa leitura, da Eliane Brum –  A vítima indigesta ) Aliás, quase sempre, ele é o amigo do pai, do avô, do irmão. Quando não é o pai, o avô, o irmão, o tio, o marido da mãe, o vizinho.Todas as pesquisas e dados mostram que em mais de 70% dos casos, o estuprador é parente, companheiro ou ex-companheiro ou conhecido.

A marcha das Vadias é contra a violência, é séria, e prá valer.

E pego um trecho de uma música do MV Bill, com o Charlie Brown Jr:

“Muda, luta, move essa bunda. Cria coragem, larga dessa vida imunda. Porque a culpa é de quem tem a culpa e não de quem leva a culpa!”

[+] Um adendo necessário: Vadias somos todas. E sérias. Somos vadias sérias, de luta, de coragem.

Mas tambéms somos vadias biscates, e biscate sempre biscateia. E é claro que todo lugar é lugar de biscatear, e pra quem gosta, de beber e se divertir.

Porque alguém já disse e eu aplaudo: não é a minha revolução, se não pudermos dançar. E paquerar. E beijar na boca.

Se ainda formos fazer tudo isso, sambando na cara do patriarcado, nossa… nossa!

Delícia, delícia!!! Hey, machista, meu orgasmo é uma delícia!

[+] Datas e locais das Marchas por todo o Brasil:

Brasília, DF 26 de maio de 2012 Local e hora: concentração no CONIC, 13h (próximo à Rodoviária do Plano Piloto) Comunidade no Facebook Siga pelo Twitter

Belém, PA 27 de maio de 2012 Local e hora: Estação das Docas, 9h Evento no Facebook Fan-page no Facebook

Belo Horizonte, MG 26 de maio de 2012 Local e hora: Concentração na Praça Rio Branco (praça da Rodoviária), a partir das 13h. Fan-page no Facebook Evento Twitter: @slutwalkbh Blog

Campinas, SP 1o de março de 2012 Fotos no Facebook

Campo Grande, MS 10 de março de 2012 – Próxima Marcha 26 de maio de 2012 Local e hora: a confirmar Veja fotos da primeira Marcha de 2012 Mais fotos aqui

Criciuma, PR 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Nereu Ramos (em frente a Casa de Cultura), 10h Evento no Facebook

Curitiba, PR – Ato Vadio 26 de maio de 2012 Local e hora: Reitoria da UFPR, das 18h às 22h Evento no Facebook – Marcha das Vadias 14 de julho de 2010 Local e hora: a confirmar Comunidade no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias Curitiba 2011

Florianópolis, SC Dia 26 de maio Local e hora: Concentração na Catedral (centro da cidade), a partir das 10h. Evento no Facebook

Guarulhos, SP Data a confirmar (junho) Local e hora: a confirmar Grupo no Facebook

Natal, RN 26 de maio de 2012 Local e hora: Feira do Alecrim, 10h Twitter da Slutwalk Natal Página no Facebook Macapá, AP 2 de junho de 2012 Local e hora: Praça Floriano Peixoto, 15h Evento no Facebook

Salvador, BA 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça da Piedade, às 13h30 Evento no Facebook

São Carlos, SP 26 de maio de 2o12 Local e hora: Praça Santa Cruz, 9h Comunidade no Facebook

São José dos Campos, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Afonso Pena, 10h Fan-page no Facebook Blog

São Paulo, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Cicllista, 13h Grupo no Facebook

Pelotas, RS 8 de março de 2012 Fotos aqui

Porto Alegre, RS 26 de maio de 2012 Local e hora: Arcos da Redenção, 14h Evento no Facebook Grupo no Facebook

Recife, PE 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Derby, 14h Evento no Facebook

Rio de Janeiro, RJ 26 de maio de 2012 Concentração no Posto 4 da Av. Atlântica, a partir de 13h Evento no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias em 2011

Vitória, ES 26 de maio de 2012 Local e hora: UFES, 14h Evento no Facebook

Juiz de Fora, MG 26 de maio de 2012 Concentração às 11h no Parque Halfeld

Santa Maria, RS – Dia 02 de junho, às 14h, na Concha Acústica do Parque Itaimbé – Página no FacebookGrupo no Facebook

-Marcha das Vadias em Sorocaba/SP – sábado, 14h (não está claro se vai ser dia 26 de maio ou 2 de junho… ),  no cruzamento da Moreira César com a Barão de Tatuí

-Marcha das Vadias em Londrina/PR Sábado, 02 de junho, 14:00h,  no Calçadão de Londrina- em frente a Pernambucanas – Evento no Facebook

=]

Paixão em preto-e-branco – GALO!!!

Brasileirão da Biscatagem
Atlético Mineiro, Renata Lima

“Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento” – Roberto Drummond

Éder Aleixo acompanhado só de feras. Entre eles, João Leite, Toninho Cerezo, Luizinho, Jorge Valença e Palhinha

A menina escuta o foguete estourando.

É dia de Nossa Senhora Aparecida. Mas pra ela, é dia de Galo.

A menina se senta na frente do avô, e o assiste ouvindo ao jogo pelo rádio. Ele fica pálido, vermelho, roxo. De repente, pula da cadeira, e grita: Galo!!!! E pega a menina no colo.

O manto de Nossa Senhora é azul, e a menina fica pensando que seria muito mais bonito se fosse preto-e-branco.

Mineirão, Atlético e Cruzeiro. Arquivo pessoal

A menina sou eu.

Desde que me entendo por gente, convivo com a paixão pelo Galo.

Clube Atlético Mineiro. Galo forte, vingador.

Desde que eu torço, na verdade, desde antes de eu nascer, nunca ganhou mesmo nada de destaque. Só esteve perto.

Esteve perto e foi roubado, como em 1981 – quando o Wright expulsou cinco jogadores do Galo, incluindo o Rei, num jogo que até hoje é lembrado pela roubalheira! Esteve perto e deu azar. Esteve perto, mas não era a hora.

O Doutor e o Rei – Sócrates e Reinaldo

Em 1999, no Mineirão, faltava pouco, tão pouco… Era o auge da dupla Marques e Guilherme. Era a nossa hora. Mas não foi. Foi uma derrota decepcionante e eu disse: NUNCA MAIS!

Marques e Guilherme!

Nunca mais vou sofrer por você, Galo.

Nunca mais vou chorar por você.

Nunca mais vou me embriagar de dor.

Nunca mais!

Só que… né?

Sou biscate, sou apaixonada, sou atleticana.

E em 2006, série B. O horror, o horror!!!! (dramática… )

E em 2007, de novo, no Mineirão. De novo.

Essa foto foi feita no carro, a caminho do Mineirão, em 2007 – arquivo pessoal

E a cada vez que ia ao Mineirão, meu coração disparava. Dispara.

Eu ainda sinto o cheiro da paixão.

Aquela coisa que a gente não sabe explicar, só que embriaga os sentidos.

O cheiro de churrasquinho e feijão tropeiro, no bar 26.

O sabor da cerveja – sem álcool, que antipatia… e dos inúmeros cigarros, os cantos da unha roídos.

O som da massa cantando: Aha, uhu, O MINEIRÃO É NOSSO! O batuque da fanfara, o coração disparado. O apito final.

A sensação daquelas arquibancadas tremendo, no ritmo da Galoucura pulando.

A visão do gramado, do sol se pondo sobre a arquibancada, das faixas espalhadas.

Os sorrisos e palavrões compartilhados.

Placar final no Mineirão! – arquivo pessoal

Aqueles UH! AH! NÓOO!!!

Minha garganta aperta de vontade de gritar GOOOOOL! GAAAAALOOOOOOO!!!!

Abre logo, Mineirão.

To com saudade!

A menina cresceu, mas ainda hoje, como todo atleticano, quando ouve um estouro de foguete, grita: GALOOOO!!!!

Porque Chanel e Valentino já sabiam do poder do clássico preto-e-branco! – arquivo pessoal – Hall de entrada do Mineirão

Ressignificar a buceta

Segundo o Dicionário Aurélio,

Significado de Boceta

s.f. Pequena caixa redonda ou oval. / Caixa de rapé. / Casta de tangerina. / Variedade de manga. / Bras. Determinado aparelho de pesca. / Pop. Vulva. // Boceta de Pandora, origem de todos os males.

Esse finalzinho aí foi bem assustador, mas condiz com o que muitas religiões pensam das mulheres, do sexo, e, obviamente, do genital feminino.

Outro dia, estávamos conversando, várias biscates, oficiais ou não, sobre o uso das palavras. Caralho! Tivemos a óbvia e etílica descoberta de que a palavra usada para designar o membro viril é muitas vezes usada num contexto não pejorativo ou obsceno, como “Bom pra caralho (ou pra cacete)”, enquanto não conseguimos encontrar um uso coloquial que fosse, no sentido positivo, para a pobre – palavra – boceta – ou buceta?

De acordo com a Wikipédia, bOceta é a tal caixinha, para guardar rapé, ou também, a palavra vulgar usada para designar a vulva, enquanto bUceta é a palavra usada, no português brasileiro popular e chulo, para designar a vagina ou a vulva. Também coloca alguns sinônimos regionais interessantes: bacurinha, buça, buçanha, capô-de-fusca, mijona (oi?) xereca, pastel (de novo: oi?) carne mijada (sério??) perereca, periquita, rachada (que original!), tabaco, tchura, tubia, xana, xavasca, xexeca, xibiu (oi Jorge Amado! Oi Gal! Oi Dorival! Oi Gabriela! ) xota e xoxota. Ufa.

São citados ainda, como “familiar”: bimbinha, griguilha, pipi, xibica, nhonhoca.

E como “popular”: passarinha, perseguida, racha ou rata.

Em Portugal, ora, pois, o nome da buceta seria cona, pachacha ou patareca (caso esteja por terras lusitanas, pesquise ai em que contexto, fora do sexual, elas são usadas, sim – as palavras, não as bucetas, por favor sim).

E tem também um termo que a Wikipédia colocou, que eu juro que não entendi. Sob o título de “social”, colocaram como sinônimo de BUCETA, perseguida.

Perseguida… lembrei do mito da vagina dentada.

E tem gente que tem medo mesmo. Medo da buceta perseguidora. Da buceta que faz o homem chorar, que faz o homem matar… Enlouquecer.

E enquanto PORRA e CARALHO e CACETE são vulgares, mas são populares (em certas regiões, o povo não tira da boca – ops!) e usadas para reforçar o quanto algo é bom ou serve como superlativo, acho que BUCETA só uso (como expressão) quando dou uma topada com o dedo mindinho do pé no pé da cama.

E aí é como xingamento, mesmo, né…

E enquanto um “puta que pariu, caralho, que porra é essa! É do caralho!” tem efeito elogioso, quando eu ouço um “puta que pariu, caralho, que buceta é essa!?!” boa coisa não se deve esperar.

Que medo é esse da buceta? Que medo é esse de falar, conhecer, tocar, deixar ter o cheiro ou os pelos que ela tem?

Não, não podemos. Tem que depilar tudo, usar desodorante “íntimo” para disfarçar o cheiro… da buceta (calma lá, ninguém tá falando da vibe Napoleão e Josefina, certo? Eu, ao menos, curto a coisa limpinha, né, mas sem neuras!), usar “protetores de calcinha”, sério, gente, a calcinha não pode ter contato com a nojeira da buceta, é isso?

Buceta não é coisa de mulher pra casar? Ah, então tá.

Buceta não é coisa de “mãe de família”? Ok.

E pra finalizar, deixo do desafio: vamos ressignificar a buceta!

Não precisamos ter vergonha das nossas “partes”, das nossas pobres “perseguidas”.

A buceta é nossa, cada uma tem a sua, com seu cheiro, sua cor, seu hair style.

Eu adorei essa montagem, as imagens usadas, de cantoras estrangeiras badaladas, ainda, fazem pensar no quanto de preconceito de classe existe contra o funk, quanto às mulheres do funk e contra mulheres falando de sexo em geral…

Eu dou pra quem quiser que porra da buceta é minha!! é apenas uma outra forma de dizer:

Não dá pra mudar o significado das palavras assim, de um dia para o outro, mas dá prá começar a pensar, né?

Então, vamos parar de ter vergonha até de falar?

Repete comigo: BU-CE-TA!

Esses homens maravilhosos e seus instrumentos fabulosos!

Penny Lane.

Penny e Russel, Penny e William…

“They don’t even know what it is to be a fan. Y’know? To truly love some silly little piece of music, or some band, so much that it hurts.” Sapphire, personagem de Fairuza Balk, em Quase Famosos.

Minha primeira memória de um homem com uma guitarra?

Paulo Ricardo, 1985. Eu tinha 9 anos, mas tinha também uma prima adolescente, que morava com a gente, e gostava de rock, de Led e Pink Floyd. E de RPM, que foi o auê da abertura. Até hoje tenho o LP.

O rival do Paulo Ricardo no meu amor pré-adolescente era o Roger, do Ultraje. Ou você gostava de RPM ou de Ultraje. Mais ou menos com percebo o lance hoje com Restart e Luan Santana (não me apedrejem, pls, mas olhemos as roupitchas de RPM e Ultraje a Rigor, na década de 80, e as roupas de Restart… só muda a época, amores).

Digo  apenas que 15 anos depois, eu beijei o Roger, vocalista do Ultraje! (foi antes do Twitter, e de descobrir que ele é meio de direita, né… forgive me), e mais ou menos na mesma época, tardia, descobri o submundo das bandas cover e de garagem.

Sei que esses homens maravilhosos e seus instrumentos fabulosos povoam a imaginação e o tesão de milhões de biscates por aí.

E nesse filme, fantástico, do Cameron Crowe, ele retrata não só o amor, a amizade, a família, como esse lance fantástico que é a paixão (e o tesão) pelo rock.

A alma do guri (William Miller) e da guria (Penny Lanne) é dissecada.

Uma guitarra. Uma canção boba.

Um desejo irrefreável.

Não sei se é pensar naquela voz no seu ouvido, não sei se são aquelas mãos habilidosas que mandam fagulhas e acendem uma fogueira.

Sei que Frejat cantando “Por que que a gente é assim” e se esfregando na guitarra me derrete.

“Mais uma dose. É claro que eu to a fim.

A noite nunca tem fim. Porque que a gente é assim.

Agora fica comigo, mas não, não desgruda de mim. Vê se ao menos me engole, não me mastigue assim…

Sem gramas, sem dramas… por que que a gente é assim?

Você tem exatamente dez mil horas pra parar de me beijar. Você tem a vida inteira pra me devorar. “

Sei que por amor ao rock n’roll eu treparia com a tia velha do punk, Joey Ramone, e olhem, não sou necrófila.

Sei que um sujeito qualquer, em um palco minúsculo, com uma guitarra e um amplificador (pode ser também a bateria, claro, ou o subestimado baixo, ah, os baixistas e seu charme discreto – ou nem tanto) elevam minha libido nas alturas. A minha e a de muitas outras.

Mas esses homens, tatuados, despenteados, suados, com suas guitarras distorcidas e harpas envenenadas… (Zeca Baleiro, seu lindjo…te pego demais) me enlevam, me encantam, me excitam.

Groupie, é o nome que dão. Em um tom depreciativo, sempre, claro. Afinal, uma mulher que admite que gosta de sexo, que sente tesão, que fala sobre isso, que se joga, o que se poderia esperar que dissessem?

E aí, eu respondo com uma canção de uma das maiores guitarristas do rock (sim, MULHER, guitarrista!), Joan Jett:

 “I don’t give a damn about my reputation…”

(Joan, sua linda, até a Bella do Crepúsculo ganhou tempero quando te interpretou, delícia!)

Eu gosto de rock. E gosto de meninos que tocam em bandas de rock.

“Nice guys don’t play rock n’ roll…”

E meninas boazinhas não gostam de caras malvados.

Azar o seu, eu não sou uma boa menina.

Boas meninas vão para o céu.

Biscates, vão para onde quiserem, para qualquer lugar que desejamos!

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