Não Mereço Ser Estuprada

Eu sempre fui assim, meio soltinha, sempre gostei de ser amiga de homens, sempre gostei de andar de roupas confortáveis e sempre gostei de sexo. Mas, uma coisa que posso dizer, nunca fui capaz de fazer mal a ninguém, fazer qualquer tipo de violência com ninguém, sempre me chamaram de trouxa pois não sabia tratar ninguém mal, mesmo que me tratassem mal.

Mas o que você quer dizer com isso? Bem, o que desejo dizer é que usar roupas curtas, ser livre não é desvio de caráter, não me faz uma pessoa ruim, então porque eu ou qualquer mulher que usa uma roupa curta mereceria ser estuprada? Na verdade, minha pergunta é mais séria ainda: O que faz com que qualquer ( boa ou ruim, independente do caráter! ) mulher mereça sofrer uma violência dessas? Queria entender O porquê de uma mulher que decide ficar confortável, não morrer de calor ou, até mesmo, se sentir sexy e bonita (ela tem o direito sim de usar qualquer roupa por qualquer motivo!) faz com que ela mereça passar por qualquer violência,?  Além disso, que tipo de castigo é esse? Desde quando violência é uma forma de punir alguém? Para mim é machismo sim essa visão.

Não sei ver diferença entre uma mulher e outra por sua vestimenta ou atitudes, não vejo diferença entre nenhuma pessoa por nenhum motivo assim. Sei que rotular pessoas é um costume muito comum no nosso dia a dia, mesmo sem querer, precisamos nos policiar todos os dias para não o fazer e não acho justo apontarmos pessoas ou colocarmos em caixinhas, mulheres que merecem violência e mulheres que não merecem. É muito parecido com a tão irritante história da “mulher de malandro”, não existe quem goste de sofrer violência doméstica, existem pessoas que dependem financeira ou psicologicamente de alguém ou que estão num relacionamento por medo de como serão vistas se pedirem divórcio. É muito difícil rotular uma pessoa por suas atitudes.

Me sinto todos os dias, acuada ao sair na rua, a noite ou não, de roupas curtas, quando bebo ou quando respondo um homem que me canta. Mas, se eu não tomar uma postura, quem sou eu? Preciso lutar contra o preconceito. Viver em cárcere, sendo que sou eu a vítima, é afirmar que a sociedade deve continuar como está! É colocando a boca no mundo que faço minha parte: é saindo para beber, é rindo alto e escancarado e é também brigando de forma justa pelos meus direitos e de outras mulheres.

Não Mereço Ser Estuprada

Não Mereço Ser Estuprada

Eu sou as minhas lutas, eu sou quem mostro no dia a dia, eu sou mulher e indivíduo com vontades e voz. Não posso me calar, já existem muitas outras mulheres caladas por aí, sofrendo escondidas. Tomamos a iniciativa para puxar outras a fazer o mesmo. A reação é em cadeia, sempre!

Rotinas

I’ll write hit songs about you

No matter how we’ll get through

I’ll  keep singing for a living

but I wanna be in love

And  I wanna be with you

Lady Gaga – I Wanna Be With You

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Existem pessoas que detestam a rotina de todo o dia, a mesmice. Eu já fui dessas pessoas, que fugia o máximo possível do comum, sempre queria novidades. Hoje aprendi a amar as pequenas rotinas!

A rapidinha no banho, a transa matinal, até mesmo ele me esperar quando chego de viagem ou quando é ele quem viaja e eu fico esperando para voltarmos junto para casa. Ele deita na minha cama, joga no celular, deito com a cabeça nele e acho divertido simplesmente estar ali. Tive medo dessas rotinas destruírem meu namoro, não entendi que elas mostram a maturidade do nosso relacionamento.

Perguntei a ele se havia se cansado de mim, boba eu, mal entendi que ele chegar na minha casa e deitar ao meu lado depois do banho para jogar, sem fazer sala ou cerimonia era a prova que estamos cada dia mais perto um do outro.

Sou sincera, é a primeira vez que a rotina vem com as borboletas no estômago, que o todo dia se transformou na melhor de todas surpresas! Ele me ensinou a gostar das pequenas coisas. De comprar um pedaço de carne, cerveja e preparar um churrasco a 2, ou 3 sem baderna. Só a família (eu, ele e minha irmã). De parar numa praça e tomar sorvete, rindo de teorias sobre sabor de sorvete e maturidade e entendendo que esse percurso não é linear, não é uma “evolução”, é a cumplicidade, a intimidade que fomos construindo, a cara que fomos dando a este relacionamento. Entendendo que essa é a é a maturidade dessa relação específica, nesse momento que vivemos, não necessariamente todas as relações maduras são com rotina ou nem todas as relações com rotina são maduras e, nem mesmo, há garantias de que nós dois sejamos sempre nessa toada. Mas o nosso relacionamento, nesse momento, desse jeitinho, é o que está me fazendo feliz agora.

Agora sou amante das pequenas rotinas, me divirto com o dia a dia e com esse sentimento gostoso de que enquanto for assim, não tenho que ter medo da mesmice.

Decepções e a dor de confiar

Sempre fui uma pessoa que acredita demais nxs outrxs. Algumxs amigxs me falam que isso é um defeito, outrxs amigxs dizem que é uma qualidade. Considero isso uma característica da minha criação, fui educada para não duvidar ou ver maldade nas pessoas a minha volta. Essa minha característica me fez passar por momentos ruins, no final do ano passado e no início desse ano, isso me fez repensar muito minhas relações.

Acredito que amar seja algo livre, você se doa, faz de tudo por alguém (não só sux companheirx amorosx, qualquer amigx) sem desejar nada em troca. Também já fui acusada de perdoar pessoas com facilidade, não me considero uma boa pessoa por isso, apenas espero que, quando errar, me perdoem pelo meu erro. Tento sempre fazer por outra pessoa o que desejo que façam por mim, uma das coisas que desejo que façam por mim é que não me cobrem amor. Amor não se cobra, se dá de graça.

Mas, voltando as minhas últimas decepções, analiso a cada dia os últimos acontecimentos, sei que amar é saber que há 50% de chance de sentir dor, de chorar, sofrer e de não compreender o motivo de alguém machucar de propósito uma pessoa que nunca maltrataria outra pessoa. Pessoas são diferentes, valorizam e acreditam em coisas diferentes. Sempre abri minha casa a qualquer pessoa, quando abro minha casa abro meu coração, minha alma junto. Fico em situações onde facilmente terei meu coração ferido.200px-O_Grito

Por ser tão dada a ponto de abrir minha vida a qualquer pessoa, tive a sorte de conhecer meu namorado, dei a chance de uma ficada de internet virar amor. Mas também foi por me abrir que minha segunda decepção aconteceu. Vi uma pessoa que, apesar dos pensamentos diferentes, história diferente de vida, parecia ser sincera e companheira. Deixei entrar na minha vida, virar minha amiga, com quem dividia minhas alegrias e angústias, essa pessoa, no primeiro momento que se contrariou comigo, usou coisas que eu contava a ela para me magoar, me causar dor. Se eu falar que não guardo mágoa de alguém que faz isso, seria mentirosa. Guardo, infelizmente não sei ser tão boa a ponto de passar por cima da dor e da mágoa.

Minha primeira e maior decepção veio de uma pessoa que tinha, pelo menos, 3 anos de amizade. Caminhamos por 3 anos, umx ajudando x outrx, juntxs até o momento em que me senti bem em dizer “essa pessoa é o mais próximo que tenho de umx companheirx, é praticamente meu marido. Vou passar a vida toda ao seu lado.” Sempre vi essa minha amizade como aqueles casamentos que, apesar de todas as diferenças, estresse da rotina, duravam até uma das duas pessoas morrer. Acreditava que teria umx companheirx de vida.

Quando essa pessoa se foi, fiquei sem chão, não por ter ido embora, mas pela forma como foi embora, me mostrando que eu x amava mas elx não, apesar de todas as vezes que disse que me amava, nunca me amou. Foi deixado claro que tudo que essa pessoa disse foi apenas para que eu abrisse minha vida a ela. Sinto muita vontade de ser superior a isso, sinto muita vontade de saber perdoar, mas não consigo. A quem achava que eu podia perdoar qualquer pessoa, estava tão erradx quanto eu, não sou capaz de perdoar qualquer pessoa.

Esse texto é apenas um desabafo que precisava fazer há algum tempo. Já chorei demais, já analisei demais, espero que escrevendo eu possa passar pra próxima etapa. Quando escrevo consigo assimilar melhor meus sentimentos.

Eu? Trans?

contra a transfobiaOutro dia, um conhecido do trabalho me perguntou se eu era travesti. De acordo com ele, eu tinha “tipo de travesti”. Quando respondi que não, ele até se pareceu meio desconfortável, como se tivesse me ofendido. Não fiquei em momento algum ofendida. Diferente de algumas mulheres cis, não me sinto mal em ser confundida com uma trans ou uma travesti. A única coisa que REALMENTE me incomoda é saber que ainda existem clichês que diferenciam mulheres cis de mulheres trans. Como se essa diferença fosse necessária para “defender” os homens do “engano”. Eu, como mulher cisgênero, não vejo diferença alguma entre homens ou mulheres trans e cis. Apenas enxergo diferença entre pessoas que, sem querer ou de propósito, separam e diferenciam pessoas por motivos de seu gênero social não ser seu sexo biológico.

Tinha uma amiga do coral, na ala das contraltos, que tinha a voz tão grave que chegava a ter gogó. Eu sempre achei minha voz muito grave, mas não havia conhecido uma mulher com pomo de adão, quando falo que conheci uma mulher, heterossexual e cisgênero, que tinha voz grave e pomo de adão me perguntam se “eu tinha certeza que era mulher de verdade”. Peraí, ser mulher de verdade é nascer no sexo biológico feminino?????

Lidar com essa questão sempre me intrigou, quem diz para nós que estamos erradxs ao afirmar o que somos? A sociedade, deus, a religião? O que faz de nós homens e mulheres? Hormônios, sexo biológico, cirurgias? Não consigo me sentir bem ao ver rótulos sobre ser homem e ser mulher. Não existem rótulos que afirmem que alguém é ou não do gênero que afirma ser!

Ano passado e retrasado, dei aula a uma criança que afirmava ser mulher, mas seu sexo biológico era masculino. Uma criança de 6 anos de idade que dizia para mim que queria ser mamãe quando crescesse, que ia deixar seu cabelo comprido igual a personagem da novela. Essa criança era tolhida por outras pessoas que educavam-a, com medo de virar homossexual. Como se reprimir fizesse qualquer pessoa deixar de ser o que é, infelizmente essas pessoas só conseguem machucar pessoas que não se encaixam ao formato que a sociedade exige.

Esse domingo a noite, assisti ao programa Tabu Brasil no NatGeo, falando sobre transexuais. João W. Nery era uma das pessoas que foi entrevistado, duas trans mulheres e ele de trans homem. Ele é uma pessoa que tenho uma admiração tremenda, por ter lutado por seus direitos em um país que, até hoje, não consegue se adaptar a transexuais homens. No meio das entrevistas, conversaram com uma mulher que trabalha há anos na casa dele, que só descobriu que ele era um trans homem vendo-o na TV. Ela falou “ele não parece que não era homem” ou algo parecido, ela não foi preconceituosa com o João em momento algum da entrevista, só me incomodou essa frase. O que me incomodou foi a procura pelo estereótipo. Sofremos com os costumes da nossa sociedade, eu mesma já fui preconceituosa sem querer, com falas ou atitudes que rotulavam fortemente uma pessoa.

Hoje em dia acredito que ser homem ou mulher não tem nada a ver com sexo biológico ou com cirurgia de troca de genitália, retirada de peito, uso de hormônio, quanto mais “ser feminina” ou “ser masculino”. Somos o que sentimos que somos, sem rótulos. Acho que até mesmo que, por isso, não me foi ofensivo a confusão, é pra mim uma pergunta tão comum quanto, “qual é a cor da tinta que você usa em seu cabelo?”

Uma gaiola e um passado nem tão distante

If you were a king up there on your throne
Would you be wise enough to let me go?
For this queen you think you own

Wants to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go

Ela acreditou que, talvez, o erro estivesse na escolha, homens mais novos eram dependentes. Então, após um término doloroso, ela decidiu tentar a sorte com um homem mais velho, um cara que aparentava ser carinhoso, doce, que faria tudo para ela se sentir feliz e mimada.

“Ele é mais velho, já é pai, não vai pressionar para ter um compromisso, filhxs, nada disso.” pensava ela. “Ele já viveu coisas ruins, tem uma bagagem maior, sabe que nada dura para sempre.” foi seu primeiro julgamento desse relacionamento.

E realmente ele era um cara com uma certa gentileza e cuidado, uma gentileza sufocante, um cuidado que a escravizava a cada “preocupação”. Ela acordava e tudo já estava pronto, ele preparava café, se ela pedisse, até passava suas roupas. Também queria pagar a conta, o táxi, queria saber onde ela tava.gaiola

Sua vida era recheada de decepções amorosas, mas ele acreditava piamente no amor eterno, no “para sempre”. Acreditava também que ela deveria nem se preocupar com camisinha, afinal, ele cerceava sua vida, não a deixava viver, e ele vivia para ela e por ela, que não tinha a possibilidade de acontecer traições. Falando em traições, quer traição maior que prender um passarinho numa gaiola? Mesmo com a porta aberta, alguns não saem por medo, insegurança ou simplesmente por acreditar que, mesmo ruim,é melhor isso que nada.

Ela estava em uma gaiola de porta aberta,uma gaiola feita de pressões psicológicas, onde era um absurdo ela não querer filhxs, onde a camisinha era um assunto que ele queria conversar depois de transar, sem camisinha. Cada pressão pelo uso da camisinha,ele aceitava como se fizesse um favor, afinal, não tinha necessidade usar entre eles, ele a amava de verdade. Era muito mais segurança que qualquer camisinha. E ela se sentindo cerceada, engaiolada. Querendo voar, para uma floresta onde a camisinha não seria um favor para ela, e sim parte da relação saudável de 2 adultxs. Onde não querer ter filhx não fosse uma coisa estranha, onde ela “mudaria de opinião assim que estivesse na idade certa de ser mãe….”  afinal, toda mulher quer ser mãe.

E quando ela voou e se encontrou livre do caçador, eis que, meses depois, ele se sentiu no direito de procurá-la para desejar boas festas. Quando ela o cortou, ele quis discutir relações, sendo que esse “mal entendido” nunca foi um mal entendido, foi um pesadelo. Ela tá livre, não quer ver nem de longe a gaiola!

Dois anos de mudanças

Time may change me
But I can’t trace time

Falar sobre como o Biscate Social Club fez a minha vida passar por mudanças é meio difícil. Eu passei a enxergar o mundo de forma diferente desde o momento em que comecei a escrever para o Biscate e o mundo começou a me enxergar diferente. Acho que passei a me preocupar menos com o julgamento das pessoas com o que faço de minha vida. Fiquei mais livre, assumo meus gostos, minhas atitudes, minha vida sexual, meus sentimentos. Parei de ter medo de me mostrar nas redes sociais. Sempre me preocupei em não causar incomodo entre minha mãe e meus familiares, mesmo sabendo que para ela não fazia diferença o que qualquer umx falasse, ficava mais quieta, não retrucava comentários preconceituosos, misóginos, homofóbicos de certas pessoas da família.

Hoje em dia, apostei na postura de me afirmar! Ser sincera, tentar ao máximo não ser artificial. Não preciso afirmar coisas que não são realidade. Fiz isso quando assumi que amava funk aqui no Blog. Foi uma forma de me soltar das amarras de “mulher acadêmica e elitista” que me colocaram sem a minha escolha.

Também fiz isso quando comecei a falar sobre minha vida sexual mais abertamente. Fiz isso pela primeira vez no especial #erotismoemnos, quando falei da minha vida sexual com meu ex. E não foi o único, fiz um sobre minha ligação com o meu atual namorado, Wesley, como o sexo nos traz confiança e companheirismo. Também foi por aqui que me dei o direito de falar sobre liberdade para fazer sexo como quiser e desejar.

Também foi aqui que me senti a vontade de falar sobre problemas no trabalho, assédio sexual, sobre uma amiga que sofreu assédio moral. Meus desabafos aqui sempre foram comuns, assim como também gosto de usar o blog para falar de minhas felicidades dentro e fora do trabalho. Eu comecei a me libertar, a falar da minha vida com mais tranquilidade.

E meus desabafos não foram só sobre trabalho e estudos, também desabafei sobre minha vida amorosa, pois já amei várias pessoas, já amei intensa e platonicamente, já tive um amor inacabado. Falar sobre minha vida faz parte agora da minha militância. Aprendi que ser Biscate é falar o que quiser e sentir, doa a quem doer.imagesForam apenas dois anos, mas consegui amadurecer por décadas, acreditar que sendo eu mesma eu seria muito melhor do que me escondendo em papéis criados para agradar outras pessoas!

#2anosBiscateSC

Até no trabalho

Aprendi que a mulher que trabalha trava uma batalha muito maior que muitos homens. O motivo disso é o famoso assédio moral! Alguns homens não aceitam ter uma mulher ocupando um cargo acima deles. Infelizmente, somos vítimas de uma violência tão sexista e ao mesmo tempo tão “invisível” a alguns olhos – quantos de nós nunca ouviu, sequer, a expressão “teto de vidro” e nunca refletiu sobre o número insignificante de mulheres em cargos executivos, nas capas das revistas de trabalho e negócios, etc. E, no entanto, o problema está presente, acintosamente e há diversos registros das dificuldades encontradas pelas mulheres no trabalho, indo da dificuldade de encontrar um trabalho fora do estereótipo até a dificuldade de ascender na carreira, passando por perguntas invasivas nos processos seletivos referentes à vida pessoal e relacionamentos, passando pela dificuldade de conciliar filhos e trabalho, pela inspeção diária e ofensiva de cabelos, unhas, roupas e seus tamanhos e decotes. Além, claro, das análises e avaliações tendenciosas, a dúvida recorrente sobre a incompetência e piadinhas sobre tpm (quer saber mais, é só colocar no motor de busca: mulher, dificuldades e trabalho e encontrará desde matérias jornalísticas a artigos e pesquisas científicas). Tenho passado nos últimos anos por histórias, ouvido outras mais que me fazem embrulhar o estomago.

E como é difícil abrir os olhos de nossxs colegas para a  violência que sofremos, são poucas as pessoas que entendem a humilhação que passamos quando passamos por cima de estereótipos e clichês na área profissional. Mulheres não são criadas para exercer certas profissões, como a área de vendas, informática, engenharia, policial e militar.

trabalho

Ser mulher é compreender que nós precisamos engolir uns sapos para não ser demitidas, é respirar fundo para não gritar, é entender que, para alguns homens, hierarquia pode ser quebrada quando quem está no comando é uma mulher. É o que dizem por aí…. Não sei ser assim. Passei por um momento em que precisei gritar, fui grosseira, enfrentei o cara no passado e, hoje, estou passando de novo por um problema desses.

Aprendi que se eu me acovardar sempre serei vítima! A posição de vítima nunca me caiu bem e, não cairá bem dessa vez também.

Alegria Alegria (a moda na minha vida)

Descobri um novo amor: a Moda! E, numa relação de amor e ódio, ontem uma modelo desfilou com a minha primeira estampa. Assumo que estou me sentindo incomodada em passar por toda a pressão de faculdade de novo, é como se tivesse voltando aos 19 anos, quando alguns dias meus giravam em torno do estresse do final do período!

O mais interessante nessa arte que estou é que tudo é muito imediato! Você corre com planos enormes e com poucos dias para execução. Funcionar a toque de caixa, desesperar, criar! Tudo tão unido… No meu segundo desfile (no primeiro apenas fiz cenário), encontrei um frio na barriga que me é tão familiar, mas com uma tonalidade diferente de medo.

Ver sua roupa subir na passarela em meio a artistas que tem muito mais experiência de área, mais conhecimento de área, assusta! Faz muito tempo que só faço o que domino, uma sensação que não existia mais em minha vida profissional era essa. E, ao final, ter que dar a cara a tapa, subindo junto da roupa.

Sou dessas que precisa de novidade para amar sua vida! Estava passando por um momento turbulento e muito difícil, pensei muitas vezes em largar tudo de mão e parar de ter esperanças. Minha vida pessoal teve um baque muito grande, perdi meu chão. Só não desisti porque amigxs foram e colocaram o chão para eu pisar e não cair de vez. Andava por aí meio morta viva, tentando me agarrar em qualquer coisa que me fizesse voltar a viver! Quando vi minha roupa entrar na passarela, voltei a ter fé em mim!Minha estampa teve essa imagem como inspiração. O tema era Tropicália, a música!

Foi uma das melhores experiências que tive, o mais gostoso e importante foi saber que ainda tenho controle sobre a minha vida, nada é tão ruim que possa me derrubar! Posso dizer que, graças ao apoio dos meus amigos e das minhas amigas, consegui seguir em frente, no escuro, até conseguir enxergar essa luz no fim do túnel e ter esperanças novamente!

Termino falando que, da mesma forma que descobri um novo amor, redescobri um amor antigo, que sempre esteve aí por mim, meus amigos e minhas amigas! As vezes coisas ruins acontecem para a gente valorizar tudo de bom que existe em nossa vida!

*Nome do post baseado no tema da minha estampa e do desfile que participei, Tropicália!

Quando sexo e o amor se misturam

“Quando a gente faz anal me sinto um com você”

Nosso amor aconteceu da forma mais inusitada: eu odeio chat de bate papo, mas fui incentivada a visitar um, eu queria sexo rápido e ouvi que lá conseguiria! Em meio a tantos homens que mentiam (para que mentir para uma pessoa que você conhecerá e verá apenas uma vez?) idade, se tinham ou não um@ companheir@, lá estava ele! Sim, ele foi totalmente sincero, tanto eu quanto ele queríamos uma coisa de uma vez e só, ele não tinha namorada, era novo e não mentiu sua idade… Além disso, mostrou seu perfil de facebook, negão bonito! Me chamou atenção que tinha um amigo em comum.

Oi, quer teclar

Oi, quer teclar?

Ela: “você mora onde?”
Ele: “são pedro e você?”
Ela: “tb, mas nunca te vi por ali…”

Marcamos de encontrar, depois de muito conversar pelo facebook, ele era direto, nunca disse meias palavras sobre o que nós queríamos! Chegou o dia, ele chegou todo arrumado do centro, com o baixo nas costas. Eu esperei ele deixar o baixo em casa. A conversa ansiosa até o primeiro beijo. Depois do primeiro beijo, eu queria correr para algum lugar onde poderíamos transar! O que nos uniu de primeira foi o tesão, com ele tudo era perfeito! O sexo foi o melhor que já fiz… E, da mesma forma que desde o início o tesão é o mais importante, é nele que sentimos a união e o amor! Não falo de coisas românticas ou de ser “especial” porque eu o amo… Em outros relacionamentos meus, me ligava às pessoas pelo carinho, com ele sou muito mais livre e segura em relação ao sexo, tem coisas que eu só consegui fazer com ele e coisas que ele nunca fez antes de me conhecer, a gente confia muito.
Aí, uma frase que ele fala sobre uma particularidade bem nossa (de uma frequência de quase não fazer anal a fazer quase todas às vezes que transamos) me faz entender o quanto o sexo nos uniu, que meus pensamentos onde eu separava sexo de amor eram tão errados! Nós somos unidos pelo sexo, nosso amor cresceu por causa do tesão.

Sexo?

A nossa sociedade adora criticar e torcer o nariz para a vida sexual alheia. Tudo que é “fora do comum” para o povo é doentio, errado e feio. Sofri por muito tempo com esse medo de ser doente e errada, nunca assumi certas preferências minhas no sexo por medo de que meus/minhas parceirxs me olhassem como uma pessoa estranha.

Sim, eu sempre gostei de tapas, beliscões, mordidas, ser puxada pelo cabelo! Hoje em dia, me libertei do medo de ser julgada pelxs parceirxs. Mas demorou muito tempo para eu entender que, durante o sexo, a violência só existe quando não é consentido por um dos lados. Tapas e mordidas podem sim ser parte do sexo, não tenho que me envergonhar de querer ou fazer qualquer coisa durante o sexo, não é necessário que eu finja que não gosto do que gosto para me adaptar a sociedade.

Outro dia, perguntei ao meu namorado se ele me achava estranha por gostar de sexo mais bruto. Ele sorriu de forma carinhosa, como sempre, e disse que eu tenho todo o direito de gostar do que eu quiser na hora do sexo. Acredito que, muito antes disso, eu criei a confiança de ser livre na hora do sexo com ele, graças a isso, eu sempre falei tudo o que queria, até o que me assustava falar com outrxs antes dele. Mas, em um dia, bateu a insegurança, sou estranha? Devo me preocupar com isso? Acredito que não, mas a razão nem sempre prevalece. Mesmo que, aos olhos do meu namorado, eu fosse “estranha”, não é da conta de ninguém o que você faz na hora do sexo, desde que seja tudo com consentimento dxs participantes, nada é feio ou ruim.

Enquanto não conseguirmos nos desfazer de nossas “amarras conceituais” e nossos preconceitos com relação ao sexo, não há como se sentir plenx com ele. É clichê dizer isso, parece até frase feita, mas é como me sinto. Como Biscate, eu sambo na cara da sociedade de forma bem escrachada e bem escancarada! E grito aos quatro ventos, feliz e realizada, que estou me livrando de minhas inseguranças e vivendo o sexo da forma que eu quero e mereço!

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mãe e amiga

Nunca soube quando me dei conta que era bissexual, mas minha atração física desde sempre foi por ambos os gêneros. Já me perguntaram porque me atraem as mulheres, outra pergunta que acho difícil de responder, eu sei o que me atrai, mas porque, não tenho ideia!

Meu primeiro beijo com uma mulher me incomodou, para mim foi tão natural que me incomodou, como assim? O normal é querer homem, será que sou estranha? Uma garota de 15 anos passando por essa reviravolta louca na cabeça! O que fazer? Será que eu sou errada? Já não bastava ser a nerd, a desajeitada nos esportes, a filha de militar, ainda seria a “machona”? Você fica em pânico, quer se esconder… Por muitos anos não assumia minha sexualidade a ninguém, só ficava com homens.

Aí, desabafei com minha mãe, contei para ela, tive medo de sua reação mas ela reagiu como nunca imaginei que reagiria, ela foi a minha companheira! Depois disso, ela se tornou minha maior e melhor amiga. Somos brigonas, mas ela sempre foi meu porto seguro, vejo tantas meninas na mesma situação que eu sofrendo com o preconceito da família. Assumo que sou uma tremenda sortuda, nunca precisei me esconder da minha mãe. Apaixonei por homem, por mulher, conto pra ela, falo e mostro quem é, ela torce por mim.

“Eu amo a minha filha lésbica”

Qual a dificuldade de amar seu filho ou sua filha? Sendo hetero ou homo, não deixa de ser filhx! Minha mãe é moderna, diferente de mães que conhecemos? Sim, mas poderia ser o modelo de mãe que se encontra no cotidiano. Triste saber que amigas minhas sofrem, são expulsas de casa, sofrem coisas piores de familiares intolerantes que não conseguem aceitar e conviver felizes com a diferença.

Ia escrever um post sobre preconceito, mas acho legal falar de como é bom ter esse apoio em casa, uma forma de falar de como a tolerância na família pode fazer bem. Saber que independente de como seja meu dia, independente de como me tratem, cheguei na casa da mamãe, lá eu tenho carinho, apoio, cuidado e um ombro pra desabafar! Sou dessas que acredita que um bom exemplo pode mudar muita coisa, é o exemplo da minha mãe que deixo hoje nessa quinzena da visibilidade lésbica e bissexual.

semana_lesbica_bissexual

Esse texto faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love

Das minhas perdas…

Das minhas perdas, de todas elas, você foi a pior que tive. Meu querido melhor amigo, que admirei tanto e não por ser ou pensar como eu. De todas as perdas, você foi quem mais me fez chorar, não porque te queria aos meus pés, me desejando, mas porque sinto falta de nossas conversas, nossos bons assuntos, mesmo discordando, gostávamos de saber a opinião dx outrx.

Dos meus arrependimentos, não ficar com você não é um deles. Muito pelo contrário! Se já sofreu assim, imagine como seria se nossos desejos saíssem do platônico? Queria conversar hoje contigo, contar novidades do meu dia, rir de coisas bobas, me maravilhar com sua inteligência, uma cultura tão diferente, mas tão brilhante de se conviver!

Sempre achei que amizade estava muito além desse tesão e sentimentos que, por pegadasalguns dias, ficaram em ebulição entre nós. Te amo, talvez muito mais que só um amigo, você é e foi uma pessoa inatingível, com seus compromissos e seu dever patriota, sua cabeça deixava nossos sentimentos confusos. Queria você, acreditei que isso que sentimos mudaria sua cabeça, não sei se teve a mesma esperança.

Desisti de um amor incerto, queria entender que dor foi essa e, mesmo agora, ainda sinto um medo de ter errado. Errado em ter te feito ir embora, errado em ter me aproximado de você, ou até mesmo de ter alimentado nossas esperanças tão vazias. Das minhas perdas, você foi um pedaço meu indo embora para sempre, uma ferida que não vai cicatrizar!

Impotência que sinto por falhar em um amor que nunca foi real, que sempre soube que não daria certo. Das minhas perdas, você foi uma das que não precisava existir, deixei passar todos os momentos que tive para pausar esse amor, que já sabíamos que iria falhar, dar errado.

Desejo que seja feliz, que se sinta completo, pois está seguindo a vida que sempre sonhou, desejo que seu antigo amor consiga ocupar todas as lacunas que você criou graças a ela. Desejo que viva plenamente e feliz! Por último, mas não menos importante, desejo que leia esse texto e saiba que meu amor por você continua aqui, doendo e esburacando o meu coração!

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo…

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante…

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero…

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar…

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