Somos todas putas

Outro dia fui chamada de puta. Mas perae, Sara, você já foi chamada de puta antes, qual a diferença dessa vez? É que, dessa vez, fui chamada de puta porque discordei da opinião de outra mulher sobre a questão de se “dar o valor” e não ficar por aí tirando fotos indecentes, dando pra qualquer umx ou se desvalorizando não se guardando pra um homem especial. De acordo com ela, eu sou uma rapariga barata que não se dá o respeito e que dá pra todo mundo, que vai ficar sozinha e infeliz, mal amada e mal comida…. (?)gknem1

Você,  querida colega, tem toda a razão, eu SOU PUTA, somos todas putas! Eu, você,  minhas amigas, minhas familiares, suas amigas, suas familiares e muitas outras desconhecidas. Mulheres sempre, em algum momento da vida, são lembradas, pelos homens e pela sociedade machista, que são putas. A mãe solteira, a mulher que não deu mole pro cara que a cantou, a que deu mole pro cara que a cantou, a que transa com todo mundo, a que não transa antes do casamento. Todo e qualquer momento de nossa vida que fazemos o desfavor de discordar dos machos alfa ou agimos diferente do comportamento dito correto, viramos putas.

Aprendi a desconstruir as palavras puta, galinha, piranha, biscate…. Não me importo em ser chamada de nada assim, minha preocupação vem de como ainda vivemos numa sociedade onde nos colocam umas contra as outras, santas contra putas, esposas contra amantes, mulheres contra mulheres, quando deveríamos nos unir e nos compreender amigas, lutando todas juntas pela nossa liberdade. Me preocupo e me assusto quando uma mulher tenta me xingar e me chama de puta.

É, colega, eu sou puta, não porque discordei de você, eu sou puta porque, de acordo com o machismo, eu, você ou qualquer outra mulher é puta. E não me ofende que você me chame de puta, só me precoupo com sua atitude de usar o que nos ofende contra nós mesmas.

*Esse texto foi escrito pra uma pessoa, como um desabafo, depois de muito remoer a raiva e, após digerir os meus sentimentos, precisei colocar pra fora, como uma catarse.

Simples

Tudo nele a deixava excitada, sua pele, macia e negra, seu olhar de desejo, a boca, o belíssimo sorriso. Era tudo tão natural, tão certo e tão fácil, era simples, um beijo já a despertava arrepios e tesão. Ele pegava com muita vontade em seus peitos, bunda, os olhos e os gemidos mostravam o quanto ele a desejava. Tudo tão simples, tão normal, como se sempre fosse fácil, pra ela, muitas vezes, era tão difícil. Era difícil se entregar, era difícil se apaixonar, era difícil querer alguém naqueles últimos meses. E ela queria muito seu corpo e seu beijo.

Ela sabia que tinha medos, inseguranças, mas o carinho e a compreensão dele apagava tudo aquilo com uma facilidade tão grande, nem parecia que ela tinha medo de se entregar, de se dar. Tantos traumas apagados com um simples beijo, tantas saudades, tantos olhares, um desejo que ela não acreditava mais poder sentir, uma cumplicidade dada pelo sexo e pelo tesão, coisas de gente apaixonada, coisas dela. Ela sempre misturou sentimento com tesão, ela até já transou por transar, mas quando tem carinho, amor, amizade, paixão, o sabor é melhor, você se sente livre. Mas, no mínimo, ela esperava confiança, e, com ele, ela sentia confiança, o corpo dizia mais que ela poderia imaginar. Os carinhos após o sexo, tão familiares e tão bons.corpos-colados

E só é assim com ele, sintonia, magia, sentimento incomum que ela não sabe descrever, só sentir e retribuir. Corpo exausto, sede, satisfação e sono. Ela dorme com uma leveza tão familiar, sentimento de paz e satisfação. Ela não compreende o motivo de ser diferente com ele, mas sentia que a pele dele era tudo que ela queria tocar naquele momento, só isso que ela sabia e tava bom pra ela.

Beleza é subjetivo?

Semana passada, me senti muito mal com um comentário que me contaram sobre mim. Me contaram sobre um papo que rolou sobre mim, que eu tinha o rosto feio, que a única parte bonita do meu corpo é a minha bunda. Me senti um lixo, ouvi muito isso na adolescência, que era feia de rosto e tinha a bunda bonita. Adolescentes sofrem muito com a opinião dxs outrxs, eu me lembrei muito daquele momento quando ouvi o comentário.

Machucou demais, mas parei pra enxergar o que aquele comentário queria dizer. Padrões de beleza racistas e gordofóbicos, que dizem que negras são feias, gordas são feias, se for as duas coisas, mais feias ainda. Dizem que beleza é subjetivo, mas é, na verdade, uma construção social, você se interessa pelo que sempre lhe foi mostrado como belo. Através da história das artes visuais, notamos o quanto essa “subjetividade” se adapta aos padrões da sociedade e seus preconceitos.

E, sim, o tesão também é uma construção social, então, se excitar com mulheres loiras, brancas e magras vem sim de como você foi criadx em uma sociedade racista e gordofóbica, você aprendeu a desejar a loira magra e enxergar a negra e gorda como uma mulher “com qualidades, mas não tão bonita” ou “com um rosto tão lindo, mas não se cuida” ou ainda assim “tão bonita, mas o cabelo não combina com ela”.

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Eu me desconstruo todos os dias pra me enxergar bonita e desejável aos meus próprios olhos, pois também sou fruto da sociedade, é difícil, luto contra tudo que absorvi por 30 anos vivendo em contato com o mundo. É esquecer o preconceito, o bullying e tudo que já ouvi de preconceituoso e seguir adiante, me transformando e transformando quem passa por mim. Afetando as pessoas e fazendo–as compreender que a beleza precisa ser desconstruída, no dia a dia. Calma e pacientemente.

Sem correntes

Eu sei, é um doce te amar

O amargo é querer-te pra mim

Do que eu preciso é lembrar, me ver

Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Los Hermanos – Condicional

Demorei pra entender o que é amar, às vezes, acreditamos que amar é prender, isso é uma mentira! Nem sempre amar é compreender os atos dx outrx. As vezes, amar é dar espaço, mesmo quando dói se afastar. Amar é ser amiga quando se está apaixonada, pois sabe que carinho está além do tesão.

Amar é se encantar com as diferenças, é aprender com vivências diversas, é encontrar doçura no “dar espaço pra você respirar”. Muitas vezes, amar não significa lutar pra que dê certo, amar é deixar-se ir, é partir quando não se deseja, mas nos é pedido. É tomar a dolorosa decisão de não beijar quando seu maior desejo é beijar todo o tempo. Amor é respeito e compreensão, até quando respeitar x outrx dói no peito.

Em uma situação atual, estou aprendendo que deixar livre quem se ama é a maior prova de amor que poderia dar. Sei que não é um adeus, sei que, mesmo com essa vontade enorme de não dar espaço e tempo, a única atitude que posso tomar é dar espaço pra que se respire novos ares. Amar é não ter gaiolas, correntes, nada que nos prenda, pra que não fique a força, se me doer sua partida, problema é meu, você já tem os seus problemas, receios, questões, não terá que lidar com a minha dor.liberdade

De repente 30

Hoje é meu aniversário de 30 anos, vendo a Sara do passado e a eu de agora, não estou preocupada, me dei conta do quanto de conquistas atingi… nem todas elas foram as que sonhava aos meus 19 anos, mas, mesmo assim, são inúmeras conquistas.

30

Meu Eu aos 19 anos sonhava com um Eu do futuro em um emprego de concurso público, mestrado finalizado, estável pra adotar uma criança. Não foram os planos que realizei. Na verdade, minha vida tomou um rumo diferente, hoje sou uma mulher que cresceu e amadureceu como feminista, que descobriu talentos em si que não conhecia. Aprendi a ser mais flexïvel, Aprendi a ser mais companheira, menos competitiva e com uma perspectiva de vida diferente agora.

Se eu ainda sonho em fazer mestrado?.Claro que sim, mas acredite, não é mais prioridade. Ando vivendo a vida e deixando a vida seguir e ver onde dá. Não sei se isso  é bom ou não, mas me cansei de planejar, os próximos 30 anos serão de tranquilidade, esperando o que vier pra mim, sem pressa e sem planejar nada.

Festas de fim ano e o relógio biológico

Minha família nunca foi uma família muito ¨normal¨, na casa da minha mãe, só entra namorado meu ou da minha irmã depois que temos certeza que vamos passar um bom tempo com ele. Ou seja, quando há pelo menos um ano de namoro, eu levo o namorado pra casa, ele fica incomodado, sem graça e depois não volta. Na casa da minha mãe não se dorme com namorado, há uma regra muito confusa para a minha cabeça: filhas e filhos não fazem sexo lá.

Na casa do meu pai, sempre foi mais na bagunça, namorados vão pra lá, dormimos com eles, sem muito estresse, sempre todo mundo muito liberal. Desde que voltei a frequentar a casa de meu pai, levei os namorados, nada de dormir um separado do outro, nada de hipocrisia, casal dorme junto, é normal e saudável.10881569_580749158735512_3254406835003859872_n

Pra falar a verdade, meu pai e minha mãe tem uma cabeça muito boa em questão de casamento, gravidez e estudos, nunca fui pressionada por nenhum dxs 2 a ser mãe ou casar. Sei que não é muito comum ouvir mulheres feministas falarem que, em festas de fim de ano, não ouve nenhuma pergunta sobre filhxs e casamento, eu até ouço, mas não de meu pai ou minha mãe. Sempre tem aquelx familiar intrometidx que acredita que meu relógio biológico tá correndo e que eu preciso logo casar e ser mãe. Eu tenho o costume de balançar a cabeça e pensar em coisas que preciso fazer, ou se vou repetir um prato da mesa da ceia, ou já to beuba e nem presto atenção, só rio o tempo todo.

Mas, uns 2 anos atrás, numa festa em família na casa do meu pai, me perguntaram de filhos e casamento. Entendam, nesse exato momento, eu tinha acabado de terminar um relacionamento longo, não tinha nem planos de casar com ninguém. E, se você está solteira por opção, você vira uma ET em festas de família. Nessa conversa, tinha um casal da família e uma familiar divorciada e que nunca teve filhxs. Eu e essa familiar explicando que, às vezes, não ser mãe pode ser muito bom, tão bom quanto é ser mãe pra outras mulheres. O casal tentando me mostrar que a minha vida profissional não iria acabar se eu fosse mãe e esposa. Afinal, você sempre está tentando equilibrar a vida profissional com o grande sonho da maternidade. Mas eu não estava, eu nem sabia se queria ser mãe. Isso era o que elxs não entendiam, enquanto nós duas falávamos que ser mãe não era o sonho de toda mulher, elxs negavam cada frase nossa falando de, ¨alguém para nos apoiar na velhice¨ e outras frases típicas pra justificar a necessidade de ter filhxs.

E essa conversa durou bastante, até a hora em que eu desisti de tentar explicar minhas opiniões e fui ficar beuba. Pois vi que nada iria mudar, voltei ao que sempre faço em festas de família: balançar a cabeça e pensar em qualquer outra coisa. E, se eu fosse sonhar com um futuro parecido com de alguém da família do meu pai, seria com uma vida como a dessa minha parente divorciada e sem filhxs. Sempre foi livre, fala alto, fala palavrão, bebe, viaja e se diverte muito em todas as festas de família. E sempre a achei a mais divertida e a mais simpática da família.

Gordos

Outro dia falei dos meus traumas de ser gorda. Bem, hoje queria falar sobre como eu adoro homens acima do peso, gordinhos, gordos.images (1)

Não alimento o desejo que a mídia vende para nós de homens fortes e com a porcentagem de gordura próxima do zero. Gosto de homens largos, com barriga grande, com pernas grandes, braços grandes e sem muito músculo. Já fiquei com homens magros e homens fortes, mas minha preferência sempre foram os mais gordos. Por muito tempo eu não aceitava o meu próprio desejo, achava feio me sentir atraída por homens fora de um padrão, mega gordofóbico, que exige que eu ame ou deseje um parceiro “apesar de” ser gordo e não por ser gordo. Acho que se libertar de padrões que se acham no direito de ditar os meus desejos é muito libertador. Mais que ser livre pra ter o corpo que eu quiser, tenho que ser livre pra desejar quem eu quiser, independente do seu corpo se encaixar no padrão midiático.

E vocês não tem ideia de como o sexo é bom quando nos libertamos de nossos preconceitos. Transar pegando na pessoa inteira, mordendo, apertando e beijando barriga, pernas, bunda, o corpo inteiro sem se preocupar. Já tive medo de meus parceiros se sentirem incomodados por eu apertar, pegar demais. Por ser frustrada com meu corpo, via o toque como uma lembrança do meu tamanho, da minha gordura, então me privava de pegar com vontade pra não levar o mesmo trauma a quem está comigo. Agora não deixo de tocar e ser tocada, aprendi a me libertar do medo de ser pouco gostosa por causa do meu tamanho. Com isso, entendi que um cara gordo também precisa entender o quanto é gostoso pra mim e só posso mostrar isso se eu pegar, morder, beijar e apertar inteiro, qualquer parte do seu corpo.

Quinta-feira passada, assistindo The Voice Brasil, na Globo, vi o cantor querido das meninas (que é muito bonito), Kim Lírio, e o achei bonito. Mas, quando apareceu o Lui Medeiros, fiquei totalmente encantada, e não é tipo “gordo com rosto bonito”, não gosto dessas coisas, quando acho bonito, acho tudo bonito, rosto, corpo e sorriso. E eu não pegaria o Kim, mas pegaria o Lui fácil, fácil! Não só ele, acho o Jack Black lindo, o André Marques também, mas eu mesma nunca analisei esse meu preconceito. Por muito tempo, eu falava que o André Marques era bonito, mas era gordo. Por um medo de assumir que gordos são bonitos e me atraem.images (2)

E o desejo é uma coisa curiosa, né? Minhas melhores transas com homens foram com homens gordos. Porque sexo não tem nada a ver com ser bom ou ruim de cama, ter pinto ou não, grande ou pequeno. Sexo também não tem nada a ver com “peso ideal” e nem com “beleza midiática”, uma trepada gostosa diz respeito apenas ao que nos agrada aos olhos, olfato, paladar e tato, o que nosso corpo quer e gosta, e cada umx de nós tem gostos diferentes. Que bom! 🙂

Aborto – História de uma (Quase) Gravidez

Nesta quinzena vamos falar de interrupção da gravidez no nosso clube. Aborto. É hora de parar de punir as mulheres que fazem sexo. O silêncio é cúmplice. Por culpa do seu, do nosso moralismo, uma mulher está morrendo a cada dois dias em um aborto inseguro e violento.

#AbortoSemHipocrisia

postSara

Acho que toda mulher que faz sexo tem uma(s) história(s) de camisinha estourada ou de menstruação atrasada que assusta a ponto de pensar: “o que farei da minha vida? Não era pra acontecer agora/com ele/desse jeito. A minha história mais recente foi no final de setembro, minha menstruação atrasou por uns 20 dias, desde que comecei a tomar Mirena, a menstruação tem ensaiado acabar e, de setembro pra outubro, ela acabou de vez.

Explicar pra vocês como foi meu fim de mês de setembro: minha família toda por conta de uma cirurgia que minha mãe fez, tensão e muito cuidado. Então, estava eu por conta da minha mãe no hospital, num estresse danado e preocupada se podia ou não estar grávida. Foi por isso que demorei tanto pra fazer o exame de sangue.

Durante esse tempo, passei pelo ódio, pelo medo, pela culpa. Queria entender porque uma coisa dessas poderia acontecer comigo, uma mulher tão cautelosa com contracepção. Sei muito bem que uma mulher cis, hétero e fértil só tem 0% de chances de não engravidar se não fizer sexo. E eu não sou dessas que não faz sexo!

Senti muita vontade de, como tantas outras mulheres, abortar. Seria difícil e ilegal, fiquei em pânico. Pensei muito mesmo em como minha vida mudaria pra pior se engravidasse naquele momento. Foram muitos choros e muita vontade de sumir. Tive apoio do meu namorado, dxs familiares e amigxs que sabiam. Todxs me falaram que estariam comigo seja qual fosse a minha decisão.

É difícil julgar uma pessoa que apóia quem ama numa decisão tão delicada como essa. Apoiar é amar, cuidar e se preocupar, querer segurar na mão. Eu, se estivesse grávida, teria apoio pra qualquer decisão que tomasse, abortar ou manter a gravidez.

Foi faltando pouco tempo pra saber o resultado que eu decidi manter a gravidez, por medo, unica e exclusivamente da ilegalidade do aborto. Medo de passar a gravidez na cadeia, sujar minha ficha criminal. Se o aborto fosse legal no Brasil, nem pensaria duas vezes em abortar. Afinal, quero filhx(s), num futuro mais distante, adotivx(s), e eu quero poder ser a mãe que eu sempre sonhei. Quero uma maternidade tranquila, sem passar perrengue. Quero dar a elx(s) tudo que eu tive e muito mais.

Quando o resultado saiu foi um alívio, pra mim e meu namorado, ninguém deveria ser pai ou mãe sem planejamento prévio, sem querer. Gravidez deveria ser um momento de alegria e não de choro!

Pequenos Prazeres: Brincadeiras

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

 #PequenosPrazeres

Eu o abraço e ele reclama: “estou suado, deixa eu trocar a camisa do uniforme.” Mas ele não compreende que eu não ligo. Nem chega a ser suor, é só o cheiro do dia todo que eu gosto. Assim como eu também amo aquele cheiro de cama e a cara amassada, parece que, pela manhã, o tesão só aumenta e adoro acordar com seu pau encostado na minha bunda. Pra falar a verdade, é bem por isso que curto dormir de conchinha.chocolate

Mas não é só o cheiro, o gosto dele também me excita, tem dias que me perco no gosto do corpo dele, lambo, mordo e chupo cada pedaço dele, acabo esquecendo do resto do mundo. Ele gosta de 69, eu gosto do beijo dele depois que ele me chupa, os sabores se misturam. E sugo a boca dele inteira, enquanto ele me penetra com força, ele gosta de gozar beijando, eu também.

Um dia, ele decidiu jogar óleo nas minhas costas, cheiro doce de pêra, ele massageava e me apertava com suas mãos grandes. Tem mulheres que não gostam de ficar de quatro, eu adoro, ainda mais se tiver óleo de massagem. E o cheiro fica preso no meu nariz, misturado com o cheiro de sexo.dk_Boca_com_morango

Gosto de melar a barriga, o peito, as pernas e o pau dele com gel ou óleo comestível, adoro sabores doces com o gosto do seu suor e do seu gozo. A gente ri, se mela, depois um banho e mais uma trepada, quem sabe, ou só umas brincadeiras. Todas tão comuns, mas tão nossas!

Construir mosaicos

One chance
To keep it together when
Things fall apart
One sign
To make us believe it’s true
What do you see,
Where do we go?
One sign: How do we grow?
By letting your lifelines show
What if we do, what now?
What do you say?
How do I know?
Don’t let your lifeline go

Lifelines – A-Ha

Sempre fui do tipo que vivia remoendo o passado, as mágoas, as culpas. Não sou muito acostumada a me perdoar ou a esquecer. Quando erro, fico remoendo a culpa por dias, meses e anos, as vezes, a pessoa com quem errei já cansou de me perdoar e eu continuo me martirizando. E “se elx perdeu a confiança em mim?”, “será que eu mereço sua/seu amizade/amor depois do que fiz?!”. Essa é a Sara, aquela que perdoa qualquer pessoa, mas não se perdoa!Mosaico-de-Azulejos-Passo-a-Passo-3

Essa Sara está tentando mudar, parar de me responsabilizar por tudo que acontece, não entender fins de relacionamentos e de amizades, me sentir destruída e culpada por qualquer erro que cometo. Passei muito tempo catando cacos quebrados e tentando reconstruir exatamente o que existia antes, sem compreender que nada se mantém intacto. As coisas são mutáveis, os cacos de um relacionamento pode virar lixo ou pode virar um mosaico. Posso, sozinha ou acompanhada da pessoa do relacionamento, catar meus (ou nossos) cacos e tentar construir algo novo, tão bonito quanto, ou mais bonito ainda.

Sou apaixonada por mosaicos, acho lindo como restos de azulejos poderiam virar algo tão belo, eram restos, rebarbas, quebras que viravam pedaços de cor, uma nova forma colorida e desenhada. Quero levar isso para a minha vida, transformar a dor e os finais em novos risos, começos, choros de emoção e, porque não, continuações.untitled

Quero ser menos rígida comigo mesma, quero me perdoar do mesmo jeito que perdoo amigxs, familiares e companheirxs. Não quero viver carregando peso demais em minhas costas, faz mal a coluna. Quero poder ficar em paz, compreender que, mesmo quando algo não dá certo ou quando eu faço algo que magoa alguém, eu posso ver que eu fiz o possível e me perdoar. Não porque estou certa, mas porque errar faz parte e meus erros também constroem a mulher que sou e que, pra ser feliz, não preciso ser infalível, só preciso viver.

Viver é sofrer, chorar, quebrar amizades e reconstruí-las novamente, jogar amores no chão e montar mosaicos com seus cacos, é rir, é me permitir e permitir axs outrxs o erro e compreender que o erro, muitas vezes é o melhor dos acertos!

Talvez se nunca mais tentar

Viver o cara da TV

Que vence a briga sem suar

E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo

Dizer ao mundo todo

Que só conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito

Quando se encolhe o peito

E finge não haver competição

É a solução de quem não quer

Perder aquilo que já tem

E fecha a mão pro que há de vir

Rotina

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Chico Buarque – Cotidiano

Acostumei com o meu todo dia, acostumei a ser sempre comum. Todos os dias eu estou ali, pronta pra trabalhar, pra estudar ou ir malhar. Parei de me questionar, de me perguntar se essa rotina me faz bem. Parei de ser quem eu deveria ser, uma pessoa incomodada. Costume.

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Quando alguns acontecimentos me fizeram acordar. Comecei a não suportar o costume, não suportar o meu lugar comum de todos os dias, o trabalho enfadonho, o estudo estilo “comer livros”, sem pensamento crítico, sem vontade alguma. Comecei a me cansar das unhas feitas com decorações, grandes e chamativas, cansei do cabelo comprido. Não que eu tenha decidido mudar tudo de uma vez, mas comecei a mudar aos poucos. Depois que adoecemos, nos compreendemos frágeis, incertxs. Não me via mais ali, não me achava e eu precisava muito de mim.

Precisei me ver doente, sem um monte de coisas pra fazer pra compreender que faltava eu acordar e me perguntar: tá tudo do jeito que eu quero? Minha vida tá indo na direção que desejo? Será que tô protelando coisas necessárias em minha vida por medo de mudar? Porque não tentar algo no susto, no chute? Fiquei sem emprego, porque não trabalhar de freelance? E o mestrado? Porque não voltar aos planos de estudo de antigamente, de antes desse emprego louco que tive?

Chegou a hora de sair da rotina, antes que ela me engula e eu vire mais um número. A rotina é gostosa, mas, pra mim, tem que ser moderada. Tem que ser a rotina do dormir de conchinha, do tomar uma cerveja toda sexta, de tirar uma hora do dia pra fazer nada, de estudar por amor e pra absorver coisas novas. Rotina sem pensar, pra mim, não dá.

You are only coming through in waves
Your lips move but I can’t hear what you’re saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons

Now I’ve got that feeling once again
I can’t explain, you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb

Pink Floyd – Comfortably Numb

Teve um dia que me chamaram de puta…

I’m a bitch, I’m a lover
I’m a child, I’m a mother
I’m a sinner, I’m a saint
I do not feel ashamed
I’m your hell, I’m your dream
I’m nothing in between
You know you wouldn’t want it any other way

Meredith Brooks – Bitch

E esse dia não foi o único, mas foi uma ocasião diferente das inúmeras vezes em que fui chamada de puta no dia a dia. A diferença estava na importância que a pessoa tinha na vida do meu companheiro na época. Sim, fui chamada de puta por umx familiar de um namorado, mas também não foi x primeirx membrx da família de um namorado meu que me chamou de puta. O que diferenciou é que, nas outras vezes, eu ainda não estava empoderada e, dessa vez, já era Biscate assumida.

Mas, pensemos: Porque me chamar de puta? Bem, a pessoa usou esse nome pra mostrar que desaprovava meu relacionamento com esse namorado. Afinal, um homem como ele não deveria namorar uma mulher como eu. Mas, como sou eu? Bem, sou ex-professora, formada e pós graduada, com meu emprego próprio, me mato de estudar todos os dias pra passar em um concurso público e apaixonada pela minha mãe. Se eu fosse uma mãe, tia, avó, irmã, eu adoraria uma mocinha dessas como namorada de umx membro da minha família. O que incomodou tanto essa pessoa, afinal? Ah, eu esqueci, sou daquelas mulheres que transa no primeiro encontro, não frequenta igrejas, bebe muito, mora fora da casa de sua mãe e seu pai, foi criada em um “lar desfeito” (ah, o medo de mulheres divorciadas criarem pequenos monstros que não fazem as tarefas de casa sozinha!) e tem suas opiniões muito fortes. Sim, eu sou uma biscate!

Meus companheiros não precisam ir a casa de minha mãe e meu pai me pedir em namoro, na verdade, se ninguém por lá aceitar o namorado ou namorada, eu nem ligo. Sou carinhosa, gosto de cuidar de quem amo, cozinho e faço agrados, mas espero agrados de volta, como me ajudar com a louça que acumulou em minha pia por causa de minha tendinite (afinal, divisão de tarefas vem também de cuidar e amar). Não sou muito simpática com pessoas que me impõem coisas como religião, comportamentos e atitudes. Não quero e nem preciso ser recatada ou delicada, falo alto, rio alto, durmo pelada na casa do namorado. E apesar de adorar namorar, tenho uma lista beeeeeem extensa de parceirxs sexuais em meu passado.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Biscate, piranha, vagabunda, puta, palavras que pra mim são tão comuns (resignifiquei todas para não julgar as coleguinhas) que fiquei em dúvida se deveria me defender ou não, mas, no calor da discussão, me defendi, me magoei. Afinal, praquela pessoa, ser puta é ser indigna. Não ser mulher praquele cara especial (bastante, como todos os caras que não separam mulheres pra transar e pra casar) era ser puta, ele não me buscou na casa de mamãe e pediu minha mão em casamento, eu não cheguei virgem até ele. Então eu não era mulher que a “família” escolheria pra ele.

O fato é, não existe isso de você não é homem ou mulher pra alguém. Relacionamentos deveriam ser construídos longe de preconceitos e caixinhas de “par ideal”. E, quando conseguimos construir fora de caixinhas esse relacionamento entre duas pessoas (ou 3 ou 4, a escolha é das pessoas envolvidas), vem uma pessoa de fora querendo se meter no que tá dando certo por puro preconceito. Então, familiares, acho que se um homem namora uma puta, biscate, vadia ou o que for, isso só diz respeito a ele. Deixe que ele seja feliz, pois, se escolheu aquela pessoa é porque é com ela que quer dividir aquele momento de sua vida. Seja por uma noite, seja por meses ou anos.

This labeling
This pointing
This sensitive’s unraveling
This sting I’ve been ignoring
I feel it way down
Way down

These versions of violence
Sometimes subtle, sometimes clear
And the ones that go unnoticed
Still leave their mark once disappeared

Alanis Morissette – Versions of Violence

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