Jandira, a vítima já condenada

Por Niara de Oliveira  

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Jandira Magdalena dos Santos, 27 anos, está desaparecida desde o dia 26 de agosto. A polícia e o Ministério Público do Rio de Janeiro investigam. O desaparecimento? Também, mas antes e sobretudo investigam o crime de Jandira, abortar. E a quadrilha que possivelmente está envolvida no desaparecimento de Jandira.

Na imprensa, desde que o caso veio a público, nunca — NUNCA — o “crime” de Jandira deixou de ser mencionado junto com as informações sobre o seu desaparecimento. O tempo de gravidez, as condições, as motivações de Jandira para recorrer a medida extrema de confiar em estranhos e ainda gastar uma pequena fortuna com isso vi em apenas uma das reportagens, mas naquilo que chamamos no jornalismo de detalhes do caso, “encheção de linguiça”, o que vai no último parágrafo das notícias escritas e que quase ninguém lê, e poderia ser dispensável, não é crucial para a informação. Apenas para registrar, não tenho dúvidas, que a mãe e o ex-marido de Jandira sabiam que ela cometeria um “crime”, e que podem ser enquadrados como cúmplices.

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Mas que joça de jornalismo é esse onde a motivação do “crime” é dispensável? Oras, porque a hipocrisia reina e porque o dispensável no caso de Jandira é o que a transforma em vítima de um sistema que criminaliza a mulher por não ter direito ao seu corpo. E os direitos humanos, o direito inalienável à vida, de Jandira vai pelo ralo na tal cobertura jornalística, junto com a obrigação ética do jornalismo de defender os direitos humanos.

A mãe de Jandira informou que a filha pagou R$ 4,5 mil para fazer o procedimento. Segundo umas das muitas matérias, Maria Ângela Magdalena dos Santos afirmou que a filha trabalhava numa concessionária no Recreio dos Bandeirantes e havia juntado todas as economias para conseguir realizar o aborto porque tinha medo de perder o emprego se mantivesse a gravidez. “Eu não achei caro porque dizem que essas pessoas cobram mil reais por mês (de gestação) e ela já estava na 14 semana (quarto mês). Eu não queria que ela fizesse, mas a gente não manda nos nossos filhos. Estou desesperada porque eu não tenho notícia boa nem ruim. Ela estava com medo de perder o emprego e o pai dessa criança foi uma coisa passageira, eles não estavam juntos“, disse a mãe.

Jandira, grávida de uma relação eventual, desesperada, já tinha ultrapassado o tempo limite para a realização de um aborto. Mas, como o assunto é tabu não há sites com informações seguras a respeito, não há matérias no “Fantástico”, no “Bem Estar” ou nos “Repórter” de cada emissora indicando as melhores condições, critérios e cuidados a serem tomados ao abortar.

O que ninguém diz é que ao engravidar por acidente a mulher está condenada, ou a ter o filho que não quer — com todos os riscos que envolvem a gravidez e o parto — ou a virar criminosa caso decida abortar clandestinamente — com todos os riscos que envolve um aborto –. A probabilidade de Jandira ser encontrada viva se torna mais remota a cada dia que passa (últimas informações aqui). O que não é remoto é o seu julgamento. Ela já é culpada. E seus dois filhos agora estão órfãos.

Se Jandira tivesse uma condição social melhor, teria feito seu procedimento normalmente, teria voltado para a sua casa, filhos e emprego sem se tornar notícia. Aborto é uma realidade no Brasil. As mulheres ricas pagam e estão seguras; as trabalhadoras juntam as economias da vida para abortar e correm riscos para tentar a segurança de que dispõe as mulheres ricas; e as pobres (e negras) recorrem a métodos insalubres e correm maior risco de morte. O que leva as mulheres a abortarem é a tentativa desesperada de serem donas de seus corpos e poderem decidir seu futuro.

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As mulheres abortam. A sociedade aborta. O que mata muitas das mulheres que abortam é a hipocrisia de colocar apenas em suas contas e costas os abortos feitos. Até quando vamos fingir que não é conosco?

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Leia também Se minha mãe tivesse me abortado, de Laryssa Carvalho no Blogueiras Feministas.

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Campanha 28 Dias Pela Vida das Mulheres

28 diasDia 28 de setembro é Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Diversas ações serão realizadas. Entre elas está o site: 28 Dias Pela Vida das Mulheres.

Participe desse movimento escrevendo textos, publicando imagens ou mensagens com as #hashtags: #28set #LegalizarOAborto.

Depressão, gênios e demônios

Foi com espanto que o mundo recebeu a notícia da morte do ator Robin Williams na segunda-feira, dia 11, e com mais espanto ainda o fato da causa da morte: suicídio.

Segundo os vorazes sites de fofocas, Robin lutava contra as drogas, álcool e depressão há mais de 20 anos e teve uma forte recaída. Nas redes sociais tivemos de lamentos a condenações. O de sempre quando se trata de depressão e sua pior consequência, o suicídio, mas tivemos bem pouca compreensão.

A depressão não é, como se diz, uma doença moderna, ou mal moderno. Andrew Solomon, jornalista e escritor do já célebre – O demônio do meio dia – que eu li, amei e recomendo, trata de desmistificar a falácia:

“Esse é um mito que tenho interesse em destruir. Comecei pesquisando conceitos históricos de depressão. Hipócrates, há 2,5 mil anos, descrevia a depressão nos mesmos termos com que a descrevemos hoje. Além disso, dizia que era uma disfunção orgânica do cérebro, melhor disparada por fatores externos. Já Platão afirmava que era um problema filosófico, melhor resolvido por meio de conversas. Então, a distinção entre os modelos médicos e psicodinâmicos da depressão já existe há cerca de 25 séculos. Com intuito de observar melhor se era um fenômeno ocidental, me aventurei a estar em uma grande variedade de sociedades. Observei a depressão entre os sobreviventes do Khmer Vermelho do Camboja, entre esquimós inuítes, e fui até o Senegal, onde participei de sessões do tratamento ritual da doença, bastante populares lá. Constatei que a linguagem usada para descrever a depressão varia um pouco, mas a ideia de que algumas pessoas às vezes se sentiam inexplicavelmente divorciadas de todas as oportunidades e de tudo o que dava sentido para suas vidas existia em qualquer sociedade que pude encontrar.”
(Andrew Solomon: “O oposto da depressão não é felicidade, mas vitalidade”)

Enfim, esse trecho foi só pra dizer que tudo que o senso comum sabe sobre a depressão, sobre dizer que a falta de força de vontade, falta de Deus, e o escambau está errado. E sobre isso acho que vocês  já leram vários textos. Mas esse texto aqui é pra dizer que eu tive e tenho depressão e sobrevivi e chorei muito vendo Sociedade dos Poetas Mortos pela milionésima vez, um dos meus filmes favoritos, e uma grande performance do Robin Williams, com outros olhos.

Aquela cena em que ele vê o personagem do Robert Sean Leonard, o Neil Perry, saindo da peça arrastado pelo pai e sendo forçado a entrar no carro…Naquela cena, ainda sob o impacto da notícia de sua morte, vi nos olhos dele uma compreensão que ia além dos olhos do personagem, vi um brilho de tristeza, ele pressentia que ali podia ser o fim.

A depressão é uma força que draga todas as suas demais forças, de se levantar da cama, de comer, de sorrir, de viver. Não adianta ninguém te mostrar que há sol nas árvores, você simplesmente não vê. Ou vê, se procurar ajuda, o tratamento certo que inclui terapia e remédios sim, mas acima de tudo, nada disso funciona se fora não houver amor, se não houver carinho, amigos, família, amores. E a essas pessoas, meu muito obrigado.

Se você tem perto de você alguém em depressão profunda saiba que a morte é sim uma possibilidade real e que mais que tratamento é necessário ter paciência, um pouco de abnegação, sim, mas principalmente carinho compreensão e amor porque com amor tudo passa. Leiam, se informem e ajudem ao próximo.  Nunca pense que é só uma chantagem emocional, é um pedido de socorro. E fique em paz, Robin, obrigado por tudo. É tarde para você agora, espero que o apoio chegue antes pra tantas outras pessoas, assim como mais amor e menos julgamento.

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Aventuras da elite branca classe média sofre na Copa

Como toda brasiliense branca #classemédiasofre da elite lá fui eu #tercopa, afinal não dá para ver a cidade toda postando foto no Instagram e você ser a única a não participar  da festa da democraciERROr… e GENTE QUE MARAVILHA DE COPA!

Comprar ingresso foi a primeira aventura: depois de noites no site da amada FIFA desisti e fui para um grupo do Facebook e dei uma baita sorte, consegui dois ingressos pelo preço de custo, no mesmo anel do estádio (piso) mas em lugares diferentes, eu e filho, torcendo pra na hora sobrar um assento perto e a gente assistir junto (sim, conseguimos, tinha uma assento vazio do meu lado).

Eu queria era sentir a copa, sabe? Adoro copa, sempre assisto todos os jogos que dá pela tv (também adoro Olimpíadas).  Eu queria ver os estrangeiros, falar com eles. Tive uma palhinha deles no show do Jorge Benjor no T-Bone Cultural na 312 Norte e achei muito bacana ver a cidade invadida.  Mas tinha meio que desistido de ir porque sou brasiliense burra e fui ao jogo teste da seleção , o amistoso, e como toda brasiliense estúpida que dirige há 20 anos, insisti em ir de carro. Péssima  idéia, andei um montão para chegar ao estádio porque tem que parar o carro longe e cheguei lá morta e de péssimo humor.

"minha barriguinha e a do Obelix"

“minha barriguinha e a do Obelix”

Mas dessa vez não. Escutei filho e além de sairmos cedo deixei o carro e fomos de metrô. Primeira vez que andei de metrô na minha própria cidade. E nossa! Que transporte público maravilhoso! Eu tava na Brasília da propaganda do AgNulo!!!! É tudo mentira aquilo que passa no DFTV, viu? Claro que tava tudo lindo porque as escolas estão de férias obrigadas pela Lei Geral da Fifa, essa entidade magnífica, e em dia de jogo aqui é ponto facultativo pro Governo Federal e pro GDF, ou seja, o trânsito diminui uns 60% ou mais na cidade. Óbvio que só tinha torcedor no metrô, né? É algo como: o dia em que o metrô fica branco.  Ademais o GDF disponibiliza ônibus gratuitos da rodoviária, ponto final do metrô, até o Estádio, tudo sinalizado por voluntários, pros turistas  não se perderam. Nunca achei achei Brasília tão eficiente, não é a toa que foi uma das capitais mais elogiadas. Quase votei no AgNulo de novo e NÃO PERA…

Chegando ao estádio pensei que ia encontrar hordas de franceses e tal, alegres, bebendo mas não… fui recebida pela Marcha para Jesus na Copa, com cartazes em francês e inglês. Fiquei sabendo que eles estão lá todos os dias de jogo. SOCORRO. QUERO UMA COPA LAICA! To apavorada achando que os visitantes pensam que somos um país fundamentalista, desculpa qualquer coisa, aí, viu, gente? Aqui somos da ZOEIRA. ZOEIRA.

"você chega no estádio e quem te recebe? rysos..."

“você chega no estádio e quem te recebe? rysos…”

O estádio ficou pronto, ao menos onde eu estava, os banheiros eram padrão shopping, padrão FiFA, e pela primeira vez na vida vi uma fila pra banheiro masculino imensamente maior que a feminina. Me senti vingada.

Também fui alertada por filho que tem mei que um dress code pro estádio, eu tava indo a vontade ( diga-se, esportiva desleixada confortável), mas descobri que as brasilienses vão tudo arrumadas  e filho meio que pediu pra eu me arrumar um pouquinho, atendi, porque né? Pra que envergonhar o adolescente acompanhante? Todas vão muito maquiadas e milhares de selfies são tiradas.  O povo tira mais selfies que vê o jogo, me parece. Cada doido com sua mania. Eu tirei foto com o Obelix. Foi meu ponto alto. Aí eu crente que o Obelix era francês, fui gastar o meu je ne suis com ele e…fuén… era brasileiro…

"torcida francesa"

“torcida francesa”

Aliás, eu que queria tanto ver os franceses, nigerianos, etc e vi só de longe mesmo. Mas adorei o clima do Estádio todo torcendo para a Nigéria. Lindo a torcida acolhedora e vingativa contra a França, né? Mas continuamos péssimos de músicas, mas graazadeus ‘sou brasileirooo com muito orgulhoooo’ foi cantada só uma vez. Inclusive, fiquei sabendo que a torcida brasiliense é uma das mais animadas e acolhedoras (um torcedor que está acompanhando todos os jogos da seleção contou para filho no jogo passado) #BSBMELHOREMTUDO. Mas o pessoal que tá lá no estádio entende de futebol tanto quanto eu entendo de cozinha, foi lá para tirar selfie mesmo e por isso que grito de torcida que preste tá difícil. Some-se a isso o fato que a amada FIFA não permite um bumbo, um pandeiro pra gente tocar música. Só se gritava Nigéria mesmo. Elite branca num é muito criativa pra futebol. E digo elite branca porque era o que tinha lá mesmo, eu inclusa.

No final do jogo achei lindo que os brasileiros aprenderam a limpar os estádios com o japoneses e passavam recolhendo os copos deixados embaixo dos bancos. NÃO PERA. Era o mesmo pessoal que curte levar enfeite de mesa de casamento e formatura para casa catando copos usados, além dos seus, para levaram de lembrança. JURO. Fiquei passada. Pessoal passava com pilhas de copos na saída. Morri de rir. Pra completar tinha fila para comprar Fuleco a 79 pila. Irmã me contou que as crianças pequenas estão loucas por Fuleco, culpa da lavagem cerebral das festas juninas das escolas, todas com tema: copa, muito originais.  Acho esse povo da minha classe média todos uns loucos. Romanos não eram nada perto disso, Asterix.

Na volta mesmo percurso: ônibus e depois metrô. Filas longuíssimas para entrar nos ônibus. Gente tentou furar a fila e foi vaiada. Estavam obedecendo as filas!!!! ALELUIA ERMÃOS. Se esse for um legado da copa: filas e catar copos,  já tamo bem. MELHOR COPA!!! Ei, Fifa, a gente pode comprar a outra e parcelar em 12 vezes no Visa? Sem juros?

Silvia

Na cidade de São Paulo, cidadãs descobrem que a bicicleta é também um meio de transporte. Leia a entrevista com a educadora física Silvia Oliveira, de 31 anos e moradora do bairro de Campo Belo.[zona sul]

foto: Antonio Miotto

foto: Antonio Miotto

1-Por que você escolheu a bicicleta como meio de transporte?

“escolhi a bicicleta, como meio de transporte por perceber quanto tempo eu perdia no trânsito.”

2. De modo geral, a saúde melhorou depois que começou a pedalar? O que melhorou exatamente?

“melhorou sim e muito! passei a ter muito mais fôlego, minhas pernas ficaram beeem mais fortes, e eu passei a me sentir bem mais alegre, bem humorada e de bem com a vida!”

Foto:  Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

3. Se uma pessoa que está pensando em usar mais a bicicleta no dia a dia perguntasse a você: “E aí, o que tem de bom em pedalar em cidade grande?”, o que você responderia?

“como passar a vivenciar a cidade de maneira mais humana, mais intima e verdadeira. sua vida passa a ter mais cores, sons, passa a ser mais vida! fora q vc passa a ter mais folego, condicionamento fisico e pernas incriveis! [risos]”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

obs. hoje, segunda-feira, ocorre o encontro entre algumas as paulistanas que caminham e pedalam, conhecido como “miça” [ um trocadilho para o hábito de beber com as amig@s em algum bar de esquina…]

Renata

“Conversamos” com Renata Oliveira (neta de DORA), ex-moradora do bairro do Itaim [ extremo leste de São Paulo ], que usa e abusa de suas poesias no dia a dia da cidade com dimensões superlativas.

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Balança meus cabelos
Refresca meu cheiro
Bala roubada no beijo
Bálsamo sobre meus medos
Beleza que bane minha tristeza
É você!
Que fala a língua dos meus ouvidos
que faz minar amor
Dos meus dias amargurados
Do pior dia
Só você mesmo
Extrai alegria
Bálsamo da minha vida
Desamarra as cordas do meu peito
E faz brotar notas doces
Num tom assim
Como o da tua voz
Dizendo pra mim.. tranquilo
Bálsamo lindo
Enfeita meu dia com o teu riso
Balança toda minha vida
Com um cheiro de não me deixa…
Que não me deixa
E fica.

Luiza ERUNDINA

Foto: Antonio Miotto

Luiza Erundina no CEU Perus (Foto: Antonio Miotto)

Luiza Erundina, deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, participou do evento no dia 11 de abril: diálogos com a comunidade no Centro Educacional Unificado (CEU) PERUS, na Zona Norte. O tema do evento foi “Ditadura Militar no Brasil – 50 Anos do Golpe de 1964 – Conhecer para não repetir.”

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Momento histórico, com direito a choro e emoção, cantando Vandré e até tietagem, com muita honra!!! Ditadura nunca, nunca mais!! (Foto: Antonio Miotto)

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Luiza Erundina (Foto: Antonio Miotto)

Alguns depoimentos

Sobre o processo que culminou com a eleição de Luiza Erundina, a primeira prefeita de São Paulo:

“Fizeste parte da histórica Revolução dos Bagrinhos, onde as base enfrentaram a direção, garantiram a indicação da Luiza como candidata e com o boicote da dita direção, as bases foras para as ruas, de casa em casa e voto a voto elegeram uma mulher pobre e nordestina como prefeita da maior cidade da América Latina.”

“Que conquista! E se não me engano em cima do Maluf cuja vitória nas pesquisas por mais de 5 pontos a globo cantou até a véspera. Tive o prazer de contar esta história para os meus filhos e na sexta apresenta-los a Luiza e ela a eles.”

O governo de Luíza Erundina, e sua opção política de governar com e para a periferia da cidade:

“Erundina foi pioneira na implementação de um projeto de governo voltado para o social, e a cultura e as artes eram eixos prioritários.”

“Foi uma vitória e um governo dos movimentos sociais e populares. A periferia pela primeira vez venceu, constituiu identidade. Foram os primórdios deste hoje vivo e pulsante movimento artístico e cultural que hoje está revolucionando as periferias.”

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(Foto: Antonio Miotto)

A fórmula única – garrafas aos mares

Tem dias que tudo é dúvida. Todo dia, na verdade, é dúvida. E eu penso se estou me perdendo em batalhas perdidas, afundando em derrotas e amarguras.

Tem dias que é Adelir, grávida e em trabalho de parto, sendo arrastada no meio da noite, com um mandado que violou não só a lei federal, a Magna Carta, mas a mais fundamental parcela de dignidade de um ser humano: autonomia.

Tem dias que é brigadeiro de colher e carne moída com batatinha, sabor de colo e aconchego.

Tem dias que a inspiração não vem, sobre nada. Tudo de profundo e relevante já foi dito, por alguém que diz melhor que eu o que eu quero dizer. E só cabe compartilhar, curtir, curtir mil vezes, postar dez vezes o texto fantástico que, olha que fantástico, as vezes foi escrito por gente que eu conheço e gosto pessoalmente.

Essa internet é muito boa, no final das contas. Se permite que grupos de ódio se propaguem, garante também que nós possamos denunciar.

Se permite que personagens caricatos à esquerda e à direita se revelem, de forma anônima e invisível e covarde, garante que a gente possa se juntar, dez doze vinte cem, e formar nossos coletivos de amor. Nosso clubinho.

Sabem, mesmo quando a gente acha que não tem ninguém lendo, nem se importando, a gente pode estar sendo aquela garrafa lançada ao mar e encontrada pelo náufrago, à deriva ou nem tanto. As vezes somos todos náufragos. As vezes o mar é terra firme e concreto, e estamos à deriva.

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Ontem eu li um artigo de um blog sobre criação de filhos com apego. E foi logo depois de ter lido um amigo postar aquele quadrinho da Super Nanny.

E como é que a gente fazia antes, quando não tinha tanta “corrente” dizendo como é que devemos ser/estar/parecer? Como a gente criava filho?

A Deborah Leão respondeu lindamente à minha angústia: “Antes era assim: você fazia como a sua mãe. E cada mãe fazia de um jeito, mas a gente não sabia bem disso. Algumas coisas davam mais certo, outras davam mais errado, mas a humanidade está aí criando filho não é de hoje. (…) Mas isso é meu. Vai ser o meu filho. A minha criação. Vai ter hora em que eu vou deixar chorar, vai ter hora em que vou pegar no colo. Vai ter hora em que vou estimular o apego, vai ter hora em que vou ter certeza que o melhor pra ele é algum distanciamento. E vai ter hora em que eu não vou ter certeza de nada. Já não tenho. Faz parte. Não sofre com isso, não, Rê. Já tem angústia de mais na experiência toda, a gente não precisa acrescentar, não.”

E ai eu pensei também numa mensagem que recebi outro dia, eu também náufraga, na qual uma pessoa que eu conheço pouco e admirava quando conheci, à distância dizia que se sentia feliz em saber que havia mais gente que pensava como ela (no caso, eu) e agradecendo por postagens minhas numa rede social (onde eu sou daquelas que postam “demais”) pois a faziam sair da zona de conforto (acho que saímos juntas dessa zona).

E voltando ao começo, eu acredito que esse clube, esse coletivo, assim como uma rede de amor e amizade, as vezes virtual mas sempre real, mora no meu coração porque não propõe uma fórmula única, não propõe sequer uma única fórmula. Se há algo que tentamos ter aqui é a proposta inicial:

“Este é um blog de princípios, os textos são concretude dos pensamentos individuais e revelam especificidades, mas não se afastam de uma reflexão abrangente e coletiva.

Acreditamos, convictamente, que todos e cada um deve ser livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Sim, estamos falando desexo, mas não só.

Escrevemos por prazer. Aliás, é assim que tentamos viver. Beleza, Gentileza, Leveza, eis as musas.

Não sabemos de tudo. Muitas vezes suspeitamos que não sabemos de nada. Não escrevemos pra convencer ninguém, mas para expressar o que sentimos, pensamos, queremos. Tentamos construir diálogos.”

Jogamos mensagens em garrafas, esperando que um dia elas voltem, com a resposta ou só com um oi e um abraço.

Nos dias em que a gente tiver certezas, não vai ser tão divertido.

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Você, o Médico ou o Estado?

Por Renata Côrrea, Biscate Convidada

Texto 1: Em trabalho de parto, levada por policiais armados e obrigada a fazer uma cesariana que não queria: não é mentira. Aconteceu em Torres, RS

Texto 2: Justiça retira mãe em trabalho de parto de casa para obrigá-la a fazer uma cesariana

Texto 3Um corpo que não é seu – Repúdio contra a violência sofrida por Adelir Carmen Lemos de Góes

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Para quem está achando justificável ou ok dez policiais arrastarem uma gestante pra fora de casa em trabalho de parto: eu não vou entrar em indicações necessárias e desnecessárias de cesárea. Mas eu vou falar de ética profissional. E de direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Se a médica ou a juíza tivessem seguido os princípios da bioética, jamais teriam mandado dez policiais armados na casa de uma gestante em trabalho de parto. É ético o mandato só ter sido expedido com tanta rapidez pois a médica era amiga da juíza?

Politicamente o que aconteceu foi um caso de punitivismo. Uma mulher decidiu a respeito do seu proprio corpo e foi punida por isso. É impossível não perceber o paralelo entre as violências sexuais sofridas por mulheres todos os dias. Acabou de sair uma pesquisa do ipea onde dizem que mulher com roupa curta merece ser abusada. O que é isso além de punitivismo?

Juridicamente é um precedente perigosíssimo você tirar uma cidadã da sua casa, uma cidadã que assinou um termo de responsabilidade, uma cidadã que estava acompanhada, que tinha feito pre natal e mais do que isso uma cidadã que DECIDIU não seguir uma orientação que não coadunava com suas crenças e conhecimento. Então agora se uma testemunha de jeová não quiser receber transfusão de sangue um médico pode obrigar? Então se vocês decidirem se tratar com homeopatia (é placebo, não vai curar!), comer doce (dá diabetes!), fumar (câncer!) numa balada, beber (dá cirrose e vai que você resolve pegar o carro?), usar decote (as pessoas acham que roupa provocante te coloca em risco se violência) o Estado vai ter o direito de colocar a polícia na porta de vocês? Afinal são atitudes que podem colocar a vida de vocês em risco. Ué? Mas quem decide o que acontece com o seu corpo? Vocês, o médico ou o Estado?

Aliás o bebê não estava sentado. Isso foi só a justificativa da médica. O bebê estava cefálico. Mas isso não importa. Esse bebê podia estar de lado, podia ser o bebê de rosemary, podia ter feito mecônio 12 cruzes. Não importa. Importa que o que uma mulher decidiu a respeito do seu corpo foi desrespeitado pelo Estado. Sabe que sistema político violava os corpos das pessoas com justificativas institucionais? Dou uma chance.

A ditadura acabou. Mas não para as mulheres. Acabou 50 anos atrás. E ainda vivemos em estado de exceção. Temos direitos humanos. Exceto quando usamos roupas curtas, estamos grávidas, somos biscates, etc etc. Quase humanas.

renata corrêaRenata Corrêa é uma tijucana exilada em São Paulo, fotógrafa sem câmera, desenhista desistente, roterista praticante e feminista. Já fez livro pela internet, casou pela internet, fez amigos pela internet, compras pela internet, mas agora tá preferindo viver um pouquinho mais offline. Saiba mais dela no seu blog ou no seu tuíter @letrapreta.

Dos extermínios

Dos extermínios

Dos extermínios

Pátria amada

O que oferece a teus filhos, sofridos

Dignidade ou jazigos?”*

Pois então. Vivemos num Estado Democrático e Social de Direito. Um Estado que garante, já no seu primeiro artigo constitucional, incisos II e III, respectivamente, a cidadania e a dignidade da pessoa humana. Dignidade, esse conceito amplo, que tentamos diariamente alocar para dentro do Direito. De que tentamos nos apropriar para agir e lutar diante das atrocidades que vemos todos os dias estampadas em jornais, revistas, mídias sociais e nas ruas deste país. É, esse mesmo país.

De quem é essa dignidade? Quem é essa “pessoa humana” que tem direito à dignidade? E mais, quem tem direito à vida? Essas perguntas ecoam diante do extermínio que assistimos, cotidianamente, da população negra e pobre. (Sem contar o feminicídio e as mortes de homossexuais por homofobia).

Abre parênteses = “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Fecha parênteses.

Não, não somos. Não temos todos o mesmo direito à vida e à liberdade. A essa famosa dignidade. Pelo contrário. Esses direitos, na prática, são relativos e pertencentes a uma minoria branca e abonada. Para a maioria sobra assistir, em mornas rebeldias, o extermínio consentido e declarado do “resto” da sociedade.

“Vamos às atividades do dia:

Lavar os corpos, contar os corpos,

E sorrir,

A essa morna rebeldia…”*

Essa semana foi a vez da Cláudia. Mulher, negra, pobre, executada cruelmente pela polícia carioca (aqui). Cláudia foi comprar pão, num dia como outro qualquer. E nesse trajeto foi baleada erroneamente pela Polícia. Para se livrar do “corpo estendido no chão”, a polícia arrastou Cláudia, ainda viva, com seu corpo batendo fora da viatura em movimento. Como um saco, um objeto que não serve mais, um dejeto que não merece sequer um lugar para ser depositado.

Essa cena hedionda me fez chorar tanto. Essa mesma cena hedionda que é cotidiana nas favelas e em tantas comunidades periféricas. Tantas mortes protagonizadas pela Polícia que deveria, em tese, garantir exatamente a segurança de todos nós, cidadãos brasileiros, independente de etnia, condição social, gênero, sexualidade ou cor da pele.  É o Estado exterminando gente que não interessa para a elite. Gente que atrapalha porque ameaça a segurança das posses e propriedades capitalistas e higienistas. Das tradições cristãs desse Estado machista e homofóbico.

Cláudia é mais uma mulher exterminada pela polícia. Mais uma negra. Mais uma vítima do nosso pretenso Estado de Direito. Mais um corpo jogado fora pelos nossos “donos do poder”, que são os únicos nesse país que podem bater no peito e fazer valer seus direitos de cidadania, vida, segurança e dignidade.

E andam ressaltando pelas notícias internet afora que Cláudia era mãe de 4 filhos, casada, e cuidava de mais 4 sobrinhos. Uma mulher de “respeito”. Uma mulher “correta”. Preocupa-me esse argumento porque não importa se Cláudia era mãe, auxiliar de enfermagem, prostituta, traficante, dona de loja, se tinha ou não filhos, se dava pra todo mundo, dançava até o chão no baile funk ou era casada. Cláudia era um ser humano que merecia respeito. Não porque era casada ou tinha filhos. Mas porque era uma cidadã deste país, que deveria zelar pela sua integridade e dignidade.

É, vivemos em uma sociedade que executa seus cidadãos pobres e negros, bem como suas mulheres, sob o manto de um Estado Democrático e Social de Direito. Já é hora de destruirmos esse véu, de desnudarmos a realidade, e de fazermos valer esse Estado que no papel é de todos.

Vamos ao Criolo?

*Versos da música Lion Man, do Criolo

Borboletas na alma

 

Eu não sou borboleta. Não sou leve, daquela leveza fluida e colorida das belas borboletas. Sou mais mariposa. Ou achava que não era e que era.

Até que veio ela. E mostrou que borboletas nos olhos é um estado de espírito. É uma escolha, um modo de ver a vida, de levar a vida, de trazer a vida para perto. E é isso que ela faz.

Dizem por aí que “O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

Só que a Luciana é borboleta e traz em si também o jardim. Ou sei lá, ela cultiva o jardim em cada um de nós, para que seja sempre doce e quente e colorido, para que a gente sempre vá até ela, e ela venha até a gente e todo mundo se junte e se misture e … tá bom, já entenderam.

Através do olhar generoso da Luciana eu aprendi tanta coisa… não, eu nao sei nada, mas aprendo todo dia.

E a generosidade não se traduz em moleza, não. Generosidade de falar quando a gente erra, de mostrar o que foi errado, porque não tá legal, que existem outras possibilidades ali.

A Luciana é alguém que me faz ser melhor. Do que eu gosto, quando gosto dela? Gosto de rir, de abrir a mente e a alma para a mais gostosa gargalhada do mundo. Gosto de poder me abrir para ela, sem medo do julgamento. Gosto de chorar e ranger os dentes e desabafar quando isso aqui (aqui e aqui fora) fica muito tenso, pesado, raivoso.

“Então, tem aquela outra música: “viver é afinar um instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro”. Resolvi que não adiantava esperar “mudar a minha forma de sentir” pra agir diferente. Era preciso agir diferente pra ir mudando minha forma de sentir. Então eu procuro agir de acordo com a pessoa que eu quero ser e, pouco a pouco eu vou sendo essa pessoa, sabe. (Borboletas nos Olhos, aqui)

Gosto – e gosto tanto! – de ter encontrado na minha vida esse clube de pessoas.

Gosto de poder respirar e não pirar nas baixarias e no ódio e no rancor que assola nosso mundo, porque tenho um lugar para pirar e inspirar.

E amo, muito, ter a oportunidade de fazer uma declaração de amor para você, no seu aniversário.

Então, hoje, apesar de toda dor lá fora e aqui dentro do meu peito, eu agradeço por ser seu aniversário e por ter você na nossa vida.

Te amo.

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Coletivo de biscate é amor!

Niara e Luciana

Niara e Luciana

Sim, biscate já pressupõe um coletivo, e um coletivo de amor. Porque nós gostamos mesmo é de nos misturarmos uns nos outros. Da possibilidade de encher os olhos e o peito de amor e de transbordar sem medo, sem receio, sem pudor. E a gente transborda.

Luciana e Silvia

Luciana e Silvia

Luciana e Renata Lima

Luciana e Renata Lima

Biscate se junta para espalhar amor. Para somar. Para se divertir na mesa cheia do bar, por entre os olhares curiosos para o coletivo esparramado de risadas e cumplicidades. Biscate tem as mãos cheias, a disposição farta, o riso solto, grande, abrindo os braços para a vida. Para o que vem, e quem vem.

Não nos interessa o pouco. O contido. O padrão. O padrão nosso a gente mesmo desconstrói, sambando em melodias rasgadas e fora do compasso. Samba de biscate é samba de liberdade, que não obedece à cadência da bateria nem ao passo da comissão de frente. É samba vasto de cantar abraçado e sentir o corpo do outro, e o seu próprio, no ritmo do pulso que vem de dentro.

Renata Lins e Augusto

Renata Lins e Augusto

Renata Lins e Luciana

Renata Lins e Luciana

Augusto e Jeane

Augusto e Jeane

E o que importa se formos alvo do apontar de dedos? Biscate não precisa de compreensão, porque biscatear já é nadar contra a corrente dos julgamentos sociais. E trazer em si, para semear aos ventos, o espírito livre do amor, o lirismo dos bêbados, a lucidez dos loucos, a incoerência dos filósofos, a falta de senso comum, a individualidade acolhida, o remelexo nos quadris, a possibilidade de ser o que se quiser ser.

Augusto e Niara

Augusto e Niara

 

Augusto e Silvia

Augusto e Silvia

 

Luciana e Raquel

Luciana e Raquel

 E assim a gente vai se acolhendo nesse amor indefinido e vasto, nessa família que se expande pelo Brasil afora, que se quer junto, que suporta o peso das injustiças sociais e políticas com cheiro de perfume, buscando a revolução que se faça pelo amor e pela liberdade. Pela voz das minorias travestidas em respeito e igualdade. Pelo direito de dispormos sobre os nossos corpos como bem quisermos, com quem quisermos e seja lá como inventarmos. Pela luta contra o machismo e a opressão sexual. Contra a homofobia, a transfobia, a gordofobia, e  quaisquer padrões engessados impostos aos nossos corpos.

E assim segue a nossa luta para que todos tenham liberdade sexual e afetiva garantida  pelo Estado e respeitada pela sociedade. E a nossa luta é assim, cheia de amor e tesão, porque de outro jeito a gente não sabe.

Jeane e Luciana

Jeane e Luciana

Silvia e Renata

Silvia e Renata

Vem junto pra caravana biscate!

 

Ainda Mais Biscate

Reunir a biscatagem. Biscatear. Arregimentar biscates. Ser Biscate. Ser cada vez mais Biscate. É isso, é o nosso club, a nossa dança, é o jeito que a gente dirliza na sociedade.

Entender o jeito de se biscate, o propósito de ser biscate e a vontade de se tornar e estar biscate é o nosso trabalho, o nosso sacerdócio, a nossa sina! Optar, politicamente, pela biscatagem é o que nos move coletivamente, é o que nos faz uma corja! Sim, porque se quiséssemos ser família, também seríamos, mas queremos ser corja!

Queremos e tentamos subverter os padrões, somos o buteco incômodo do debate político-trollador, libertário-afetivo, artístico-militante e nada, mas nada modestos! A regularidade não nos importa! A conformidade não nos apetece! O discurso pronto, pelo discurso, não nos elabora! E apontar dedos, não nos cabe!

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Nossa Cor Biscate (foto: Antonio Miotto)

O Biscate é o espaço do nosso conforto enquanto sambamos na lama, na cama e na passarela. Descalços, de salto, de sapato alto! Gloriosos ou tristonhos. Mas sambando num mesmo tom furta-cor!

E são nesses tons, que não são 50 nem 250 – contar pra quê? – que damos a nossa tônica. Que reunimos a nossa esbórnia. Que compartilhamos a nossa sanha! Sim, porque ser biscate é ter sanha de viver! Ser biscate é acontecer, onde quer que esteja!

E quando queremos acontecer, o melhor que seja junto, que seja misturado, que seja agregando amigos-leitores. É assim que a gente gosta! Se espetando e se amando, em processos profundos de afofamentos! Na mesa, na cama, no banho e no feno! Rolando no chão e mordendo de tesão. Tesão pela vida, tesão pelos outros, tesão por si mesmo, tesão em ser biscate.

E é assim que aprendo não apenas ser, mas ser ainda mais! E é assim,  Biscate é a nossa amizade, a nossa familiaridade, o nosso amor. Amor pela nossa liberdade, juntos, separados, com os outros e com ninguém. Ser biscate é estar reunido nesse objetivo, ser biscate é a suruba da vida!

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