Algumas anotações sobre “Cat Person”

Teve aquele texto na New Yorker, “Cat Person”, que viralizou loucamente e eu – como de hábito – não entendi por quê. E vou tentar comentar sem ter entendido. Bora ver onde consigo chegar.

Vou contar como li o texto, pra começar. Como já li há um tempo, vai ser um resumo bem resumidinho. Uma moça e um cara começam uma historinha, bem de leve. Se encontram uma ou duas vezes e adquirem alguma intimidade por mensagens de texto. Tão comum nos tempos atuais. O cara se afasta em algum momento, a moça manda mensagens e mensagens, o cara reaparece. Conversam, brincam, trocam ideias, piadas. Mandam carinhas pra lá e pra cá. Combinam de sair – vão ao cinema e, em seguida, beber algo. Tudo meio desajeitado: a escolha do filme, a bebida depois.  Na hora ir embora, ela sugere ir pra casa dele. No meio do caminho fica em dúvida, mas aí, já tinha dado a ideia, né. Quando chega na casa dele ela perde o tesão, de repente. Olha pra ele e não tem mais vontade nenhuma de trepar. Só que já estava ali, já tinha concordado. Não se sentia ameaçada, era apenas difícil dizer que não sem motivo, àquela altura. Então, sim. Sexo “por cortesia”, ou por constrangimento. Vão pra cama e tudo o que ela quer é que aquilo acabe. Sem dar nenhum sinal a ele disso. Não diz o que gosta, não mostra o que quer, apenas se deixa levar. Depois, quando acaba, ela vai embora e simplesmente não quer mais contato com o cara. Que, evidentemente, fica sem entender nada.

O texto rodou um monte por aí, assim como os zilhões de textos que se seguiram a ele. Mas é basicamente isso. Uma noite de sexo ruim. Que viralizou.

Não é apenas isso, porém: é também a história de uma relação que existia – tantas mensagens, tantos textos, tantos emojis – e que deixou de existir porque o sexo foi ruim. O cara, aquele com quem ela conversava, se divertia e ria, de quem tinha saudade depois que desaparecia, esse cara deixa de existir de uma hora para outra. Nenhum cuidado lhe é devido, é como se o sexo fosse um “tudo ou nada”.  Como se fosse a prova dos nove. Como se ela ter perdido o tesão e ter trepado com ele mesmo assim justificasse riscar o cara de uma vez da vida, assim.

Eu acho meio esquisito, na real.

Sexo ruim é só sexo ruim é só sexo ruim é só sexo ruim. Gente é mais que isso. Claro que uma trepada casual de alguém que se conhece em uma noite pode ficar apenas nisso e não pede explicações: só que não era o caso ali. Não vi ninguém falando disso, embora tenha lido tantos textos sobre esse texto. O ponto de vista dela, o ponto de vista dele. Mas com foco no que seria o ápice da história: o sexo ruim. Ninguém discute muito a relação pré-existente e o que acontece com esta depois. E quando o cara, no final das contas, perde a compostura e manda uma sequência de mensagens grosseiras, é como se tudo fosse justificado: era apenas um “macho” equivocado, que não merecia nenhum respeito ou atenção.

Sei lá. Fiquei sentindo falta de alguma conversa no pós. Ou, pelo menos, de uma mensagem mais simpática. Tipo “não rolou bem, mas a gente pode se falar”. Ou “vamos ficar sem se falar um tempo, depois a gente vê”. Ou … alguma coisa, né?  Nem precisava falar mesmo de novo, era só um jeito de não encerrar assim abruptamente. Achei, mesmo, que a protagonista da história meio que objetificou o cara. E jogou fora sem nenhum cuidado a relação que existia, como se não fosse nada. Como se o fato dela mesma não ter conseguido dizer que não estava mais com tesão fosse justificativa pra simplesmente descartar o cara. O cara inteiro, quero dizer, e não somente o sexo. Porque ele, a pessoa, merecia alguma consideração da parte dela, não? Eu acho que sim.

Tem outra coisa, que é o próprio sexo ruim: certo, ela não disse que não queria. Mas, já que tinha topado, podia talvez colaborar um pouco praquilo ter alguma chance de ser razoável, né? Não me pareceu. A moça simplesmente se deixa fazer e cria fantasias pra conseguir levar o ato até o fim. Não há nenhuma tentativa de interagir com o cara. É como se ele estivesse ali para satisfazê-la. Ou como se o fato dela não querer no começo já destinasse tudo ao fracasso e a desobrigasse de qualquer participação efetiva no processo. Ora, tem tanto sexo que começa mais ou menos e depois melhora, com alguma ajuda dos participantes…

E, na verdade, esse “sexo ruim que define tudo” me parece exatamente o outro lado dos livrinhos de banca para moças, aqueles Sabrina, Bianca, Julia, em que o sexo bom define tudo. O cara pode ser o que for, um canalha, um bruto, mas pega a mulher de jeito e… pronto. Está tudo resolvido. Como se não precisasse de mais que isso. Como se toda a relação encontrasse seu sentido ali. Uma espécie de “e foram felizes para sempre (trepando muito e tendo múltiplos orgasmos cintilantes)”. Tão igual aos contos de fada.

Sexo, ruim ou bom, é apenas sexo. Não precisa ser abismo e não precisa ser paraíso. Além de precisar contar com a participação das duas pessoas envolvidas. Não é algo que está dado antes de acontecer. Se não for bom, não é necessariamente “culpa” de ninguém. É tentativa e erro,  né? E, às vezes, acerto. Há que se ter alguma boa vontade. Alguma generosidade. Alguma atenção com o outro. Se interessar, alguma persistência.

Por aí.

Resultado de imagem para sabrina bianca julia

Sylvia Plath e um batom vermelho demais

Sylvia Plath. Entre seus livros, sonhos cor-de-rosa, suas palavras brancas e o sofrido desejo de ser melhor e melhor, Sylvia se construiu e construiu belas e sofridas formas de dizer a dor, a solidão, o amor, a excelência, as perdas. Ela tentou se matar algumas vezes, mas quem não tenta? Com amores infelizes, trabalhos estressantes, falsas amizades, comida enlatada, prática de esportes, maus livros, todas estas escolhas são formas cotidianas de se aniquilar um pouquinho. Mais adiante, ela conseguiu. É muito mais do que se pode dizer de muitos de nós. Ela e Alfredo abriram o gás (aquele Alfredo que ninguém sabe de quê). Não sei se eles eram tão sós como se sentiam. Talvez todos sejamos e eles apenas reconhecessem mais rápido.

 Uma vez, quando parecia que eu sofria de amor, uma amiga me escreveu: não lembre de Sylvia Plath, não lembre de Sylvia Plath. Bom, eu não a esqueço. Não a esqueci em nenhum momento, nem mesmo quando a vida doeu, de verdade,  porque sempre soube que ela era grande e que morrer – de amor? – não a fez maior, apenas fez mais breve seu tempo de escrita.

Imagem relacionada

 Ela escrevia. Era isso que ela fazia. Talvez mais, era isso que ela era. Cedo chamou seus diários de Mar de Sargaços. Vai na Wikipédia, está lá a descrição, mais ou menos assim: um lugar quente, cercado por correntes oceânicas, um cemitério dos navios. Também lá está a comparação com a descrição de Rufo Avieno sobre as Colunas de Hércules*: “muitas algas crescem em meio às ondas, as quais retardam o navio como se fossem arbustos (…) Aqui, as bestas marinhas movem-se vagarosamente de um lado para o outro, e grandes monstros nadam languidamente entre os navios que se arrastam“. Para cortar caminho, apressado para realizar mais um dos seus tantos trabalhos, Hércules abriu espaço com seus fortes ombros, rasgando um estreito marítimo, hoje conhecido como estreito de Gilbratar. E não é isso o amor, ou o viver?, insistindo nas perdas, expandindo cisões, aumentando fraturas, ampliando vazios que, a seguir, se enchem de lágrimas mornas, fértil espaço para memórias-algas, saudades bestiais, contraditoriamente encalhando sonhos e alegrias?

Já adulta, escreveu: “talvez eu nunca seja feliz, mas hoje estou contente”. É de uma sabedoria ofuscante: o odor do café, um lençol macio, uma gargalhada infantil entreouvida pela janela, um beijo displicente, um bom livro pra ler. Miudezas. Uma pena não ser, sempre, suficiente.

 “Morrer é uma arte, como tudo mais”, escreveu ela. E o que mais seria? Viver é trazer a morte como possibilidade. É experenciar a finitude, todo dia, de forma solente, irreverente ou iludida. E disse também, complementando: que eu pratico surpreendentemente bem. E o que mais é escrever senão procrastinar em suicidas bilhetes? Quando não mais praticou bem a arte, foi quando abriu o gás.

Ler os tantos textos publicados sobre ela revelam como é difícil simplesmente aceitar a alteridade. Busca-se uma resposta fácil, um culpado, um motivo evidente para não encontrar o nosso desejo de um dia a mais na clara renúncia alheia de todos os dias outros. Num viés moralizante, a infidelidade se torna alvo fácil e tentamos dar nome ao que ela – e tantos – decidiram deixar no silêncio.

Sylvia era obsessiva em seu trabalho, as minúcias a atormentavam, a busca pela alinhavada precisa entre palavra e sentido – isso a consumia. Uma pálida beleza com um batom demasiado vermelho. Ela era forte, mas parecia saber disso apenas em dias alternados. Ela era bela. E ela era triste. Entre homens fortes e suas abelhas e seus ferrões ela só pôde morrer. Eu posso mais, porque posso lê-la.

Quebra-cabeça

Sempre tem aquelas coisas… que… tipo… quando eu preciso me concentrar e o cara tá precisando escutar Ramones. Ou quando eu preciso acender vela preta e chamar o capeta e o cara tem que escrever relatório. Ou quando ele sai para trabalhar e eu acabei de tentar dormir. E aí… cara… todas essas coisas também são o que dá uma vontade danada de…
E tem aquela música, que já foi nossa, e fala de carinho vindo em forma de tapa e eu não acho isso nem um pouco feminista.
E eu sou muito da feminista, viu?
Nem ouse.
Daí penso em você batendo em alguém e gargalho enquanto abro o vinho. Lembro de nosso sexo e dou um gole direto da boca da garrafa.
Sei também que eu sempre quebro taças, que ainda não temos, quando estou bêbada e não uso drogas ilícitas só porque é muito trabalhoso. Taurina, lembra? Se eu tenho preguiça até de ir no posto comprar cigarro e cerveja, magina…
Eu tento preservar nós dois enquanto tem a tal professora no BBB (que ano é hoje mesmo?) e sorrio esquisito com as mensagens que você recebe.
Isso não é nada revolucionário nem biscate, eu sei, enquanto cato os cacos do meu ciúmes junto com o copo que quebrei no chão.
De raiva.
Cadê revolução, Brasil? Cadê?
Eu tendo a ficar metafísica e você modernista.
Daí tem “toda a dureza incrível do meu coração feita em pedaços” que me faz escrever e pensar desse jeito sobre nós dois. Assim. Tão pós-moderno e fragmentado.
Em nos entendermos biscates juntos. Eu, você, nós dois, que coisa lógica da porra, né?
Só por hoje, pelo menos…

O último Rembrandt #3

O Biscate segue com o folhetim que está sendo publicado aos domingos. Aproveitem!

O último Rembrandt

por Maurin Smith (tradução de Isadora Leal)

3. Ser adulto e responsável é uma droga 

Fal2

Nova Iorque, 22 de abril de 2017 – no leilão

17h56

O homem sentado à sua frente no leilão tinha, sem favor algum, em torno de dois metros de altura. Carla jamais entendeu a fascinação que os homens altos exercem na maioria das mulheres. Deus do céu, quem é que consegue manejar um homem desse tamanho na cama? Ela sorriu pensando na tarde que passara ao lado do homem de… o quê? Um metro e sessenta e oito? Um pouco menos? Do alto de seu metro de setenta e nove, Carla achava deliciosos os homens mais baixos do que ela. E aquele cara era… Bom, delicioso nem começava a descrevê-lo.

Voltando ao presente, Carla fez uma careta para a nuca do homem que bloqueava sua visão. Ela não tinha se incomodado com a distância do palco onde o quadro seria exibido. De forma alguma. Estar no mesmo cômodo que aquela obra de arte era o suficiente. E, ainda que de longe, ela a veria. Muito antes e de maneira muito melhor do que poderia apreciá-la depois que fosse comprada. Caso fosse adquirida por algum museu, quem poderia dizer para que canto do globo seria levada? E quando, exatamente, seria exibida? Em dois anos? Cinco? Dez?

Fora que, Deus a ajudasse, se a tela fosse comprada por um colecionador particular, o público poderia passar décadas sem colocar os olhos nela. Bem, talvez nunca o fizesse.

Tudo o que Carla e a humanidade poderiam ter seriam reproduções de maior ou menor qualidade.

Não, não.

O melhor a fazer era vê-la ali. Usando a identidade de sua ex-colega de quarto da faculdade – Safira Khoury, a brilhante filha mais velha de uma próspera família libanesa estabelecida nos Estados Unidos há mais de cinquenta anos e, desde o começo do século XXI, diretora de um modesto museu ao norte do estado de Nova Iorque – Carla tinha conseguido entrar na casa de leilões sem dificuldades. Apesar de muito restrito, o evento não tinha um esquema de segurança que se poderia chamar de rigoroso: eram poucos, bem poucos, os que sabiam o que estava acontecendo no lugar naquela noite.

Depois de garantida a compra, os advogados do espólio que detinham a propriedade provisória do quadro fariam um anúncio em conjunto com a casa de leilões e o novo dono da obra anunciando a incrível descoberta, em meio a outros objetos empoeirados, mas valorosos, resgatados do sótão de uma viúva recém-falecida, a herdeira da dinastia Orange, um dos braços da realeza holandesa.

O plano de Carla era descer do avião, registrar-se no hotel, passar a tarde flanando no Metropolitan matando a saudade e depois correr para o leilão.

Em vez disso, tinha descido do avião, se registrado no hotel e caído nos lençóis do hóspede da suíte 1616 para ser acariciada, chupada e comida como uma garota de faculdade de férias. Sem preocupações, sem ver o tempo passar, sem olhar para o relógio até se dar conta de que tinha menos de uma hora para chegar ao seu compromisso. O 1616 sequer protestara quando ela finalmente deixou a cama, apanhou suas roupas espalhadas pelo quarto e correu para o chuveiro no frenesi de alguém que sai do coma e descobre que está em um ninho de vampiros.

Quando Carla saiu do banheiro vestida e precariamente maquiada, com o cabelo molhado preso em um coque, 1616 estava sentado na cama, fumando. Jesus, aquele era um quarto de fumantes? Se não fosse, o FBI invadiria o lugar a qualquer instante, os americanos eram uns fanáticos.

– Preciso mesmo ir embora. Estou atrasada.

– Coloquei meu cartão no bolso do seu casaco. Mas você sabe onde me encontrar.

Ele sorria. Deus, ele sorria.

Carla balbuciou uma despedida desajeitada e deu as costas para a cama, para enfiar a bolsinha de maquiagem de volta em sua bolsa e apanhar o casaco que jogara horas antes sobre uma das poltronas do quarto. Quando se virou, 1616 estava a poucos centímetros dela. Tomou-a nos braços e a bolsa e o casaco foram para o chão, enquanto ele beijava seu rosto, pescoço e colo, enquanto a língua dele acariciava seus lábios, enquanto ela era tomada pelo mesmo desejo de algumas horas atrás, de se deitar ao lado dele, de morder seu peito e se esquecer do mundo enquanto trepavam mais uma vez.

Estremecendo e se agarrando a um breve instante de lucidez, Carla se soltou dos braços dele, apanhou suas coisas e foi na direção da porta. Ao olhar para trás por um instante, viu 1616 parado no meio do quarto, nu e sorrindo.

(continua no próximo domingo)

Perdeu os primeiros capítulos? Vem com a gente:

O último Rembrandt #1

O último Rembrandt #2

O último Rembrandt #2

Hoje, o Biscate tem o prazer de apresentar o segundo capítulo de um folhetim que está sendo publicado aos domingos. Deleitem-se!

O último Rembrandt

por Maurin Smith (tradução de Isadora Leal)

2. O que é um pequeno crime entre amigas?

Paris, 18 de abril de 2017

11h56

Nos Estados Unidos, do leito do hospital onde tinha passado por uma cirurgia na coluna, Safira telefonara para Carla, que ensinava arte medieval em uma universidade em Paris.

– Querida, se você não pegar o primeiro avião, juro que vou me levantar de dessa cama e atravessar o oceano Atlântico de muletas para dar com elas na sua cabeça.

– Você vai nadar de muletas? Por favor, mande alguém filmar isso.

– Engraçadinha. Falo sério, o convite só chegou há dois dias. Estão fazendo tudo de última hora para que a notícia não se espalhe. Só colecionadores de arte muito, muito ricos estão sendo convidados… Ah, e alguns diretores de museus, para manter as aparências.

– Porque o leilão vai ser feito nos Estados Unidos e não na Europa? Porque não na Holanda, meu Deus, a uma hora e meia da minha casa?

– Porque todos os objetos do enorme sótão da falecida foram embalados e enviados para o sobrinho-neto, um advogado especializado em direitos autorais que vive em Nova Iorque.

– Sei, mas embalaram um…

– Eles não sabiam que era um…

– Como isso é possível?!

– O quadro estava no sótão! Cercado de cacarecos de família, roupas do século XIX, gramofones, baús e malas de todos os tipos e, sim, outras obras de arte valiosas.

– Outras?!

– Nada tão raro e valioso, mas sim, outras obras de arte. Pelos próximos anos, você verá o mercado de arte ser lentamente invadido por raridades.

– Espero que façam isso realmente bem devagar, ou o preço das obras vai despencar.

– Ah, não se preocupe, os homens que cuidam do espólio têm tentáculos em outras áreas do mundo das artes e não pretendem perder dinheiro. A casa inteira foi inventariada, cada objeto, cada cinzeirinho, tudo. Mas os objetos do sótão foram tratados como cacarecos e enviados para os Estados Unidos, provavelmente em caixotes marcados como “Tralha”.

– Meu Deus, imagino o espanto de quem abriu as caixas.

– Demorou para que o quadro fosse identificado. Na verdade, Marcel Navigateur só percebeu o que tinha nas mãos quando…

– Espere um minutinho… Marcel Navigateur?

– Sim, querida.

O Marcel Navigateur?

– Sim, meu bem.

– Puta merda!

Safira deu uma fungadela.

– Querida, isso é realmente necessário? Quero dizer, palavrões?

– Pelo amor de Deus, Saf, estamos em 2017.

– Hum.

– Bem, e aí? Você vem? Não poderei estar presente e alguém que amo precisa estar lá para me contar tudo depois.

– Você está me pedindo para largar minha vida, parcelar uma passagem internacional no cartão, atravessar o oceano e cometer crime de falsidade ideológica?

– Sim, acho que sim.

– Pego o próximo avião.

(continua no próximo domingo)

Ó abelha rainha faz de mim um instrumento do teu prazer!

 Por Maycon Benedito*, Biscate Convidado

Quem me fez soube me fazer eu sou feita do fogo e do azeite de dendê
ponto de pomba-gira

Escrevo esse texto para dizer apenas uma coisa: adoro ser desejado. É isso. A mensagem é essa. Todo o restante do que irei escrever é um retorno a essa afirmação primeira. Gosto quando demonstram tesão por mim, quando querem me pegar, quando me olham com cara de safado, quando ando sem camisa na rua e me olham com aquele cara de quem quer me ver sem a bermuda.

                              ——————————————————————

Lembro da primeira vez que eu fiquei com um cara que eu estava de olho fazia já um tempo, quando fiquei pelado ele me olhou e disse “nossa” e adorei.  Outro dia no aplicativo um cara escreveu “Perola negra. Nossa! Que rei!” e ri e fiquei todo aceso. Adoro quando sentem desejo por mim. Gosto quando chupo um cara e ele se contorce inteiro, quando geme puxando os lençóis louco de tesão. Quando pede mais: mais beijo, mais chupada, mais pau.  Me achar um gostoso, um negão de tirar o chapéu não me ofende, não me diminui. Sabe aquela frase do Paul Valéry “o mais profundo é a pele”? Então, para mim é bem isso. O que vem primeiro é a pele, o olhar, o cheiro, o corpo. Se vai ser só uma noite ou se vai dar  em namoro descubro mais tarde, depois. Primeiro vem o tesão, o prazer, o desejo. Vivo dizendo paras pessoas que sexo é diversão, é prazer, é encontro, é vida. Se não for, pode ser qualquer coisa, menos sexo.

Mais do que um narcisismo descarado o que quero dizer é que gosto de sexo, que ele não me ofende, que se aproximar de mim querendo só sexo – como se fosse necessariamente ruim – não me diminui, não me agride. Essa fala poderia cair facilmente na armadilha racista do negro hipersexualizado, mas não se trata disso. Essa questão não está comigo, está com o outro. Se o outro acha que eu sirvo apenas para sexo, ou pior, se o entendimento do outro é de que sexo é só “isso”, se me vê apenas como um fetiche vazio, se ele olha para o mundo e vê negros como seres que servem unicamente para esse sexo tão limitado, como algo descartável, é um problema sexual dele, não meu. É uma pena que por conta do racismo alguém encare as coisas dessa forma. É ele que reduz as possibilidades da vida. A moral sexual racista define que negros e negras servem apenas para sexo. Apenas para isso. E aí é que está o pulo do gato: essa moral reduz o sexo. Tira dele toda a potência, toda a força, toda a alegria, toda a proximidade, toda a abertura para a vida que o encontro sexual pode possibilitar. E aí sim, quando achatamos a vida, quando fechamos qualquer contato com a diferença, quando limitamos o que as pessoas podem criar, inventar, viver, aí é que elas são objetificadas, limitadas, separadas do que elas nem sabem que podem. E isso eu não quero, não aceito. Eu quero mais. Eu quero é mel.

maycon*Maycon Benedito é da “província litorânea” de Santos e diz que se mostra como é e vai sendo como pode. Atende no guichê tuíter pela arroba @MayconBenedito.

 

Cigana

Beija-me os olhos, meu amor. Faz-me adormecer. Meu corpo, saciado de teu corpo, encanta-se no perfume da tua presença. Beija-me as pernas, abertas para a vida que vem. Lambe-me, enquanto desfruto. Meus medos caídos das árvores que plantei no jardim de outrora. Maduros. Mastigo-os no furor da língua. Felpudos, carne entre os dentes. Líquido escorrendo por entre os dedos. Degusto cada pedaço, semente, germino. Estou pronta.

Beija-me a boca. Devagar, por cada sentença não dita. Coloca a língua leve, a me penetrar os lábios. Toma-me. Escorre água pelo meus seios, suor pelas minhas entranhas. Percorre meus pelos, sussurra-me aos ouvidos gemidos trêmulos de nós. Derrama-me. Faz colo nos meus ombros nus. Cola teus quadris nos meus, femininos, textura, gosto. Gosto. Encaixa-me em ti, vermelha, ardendo, presente em cada toque que se faz novelo. Deito-me inteira nas tuas mãos abertas. Contorna meu sexo pungente pela tua saliva. Morde-me. Minhas costas eretas a espera do teu arrepio.

Ecoa, é madrugada, a lua banha nossos corpos estirados de espanto. Despe-me, a alma que guardo nas entrelinhas. Aguça-me a poesia. Desagua teu gozo em mim, e tanto, torpor. Enamora-me, mais, à espreita dos grandes saltos. Salto. Cachoeira, rio cheio, corredeira. Lagoa calma depois da chuva. Mergulho, escuro, profundo, revelação muda de um lugar que ainda vem.

Penetra-me, de novo, cigana. Sou tua.

 A imagem pode conter: nuvem, céu, oceano, atividades ao ar livre, água e natureza

O último Rembrandt #1

Hoje, o Biscate tem o prazer de apresentar o primeiro capítulo de um folhetim que será publicado aos domingos. Deleitem-se!

O último Rembrandt

por Maurin Smith (tradução de Isadora Leal)

  1. Meninas boas vão para o céu.
    Meninas más vão a leilões.

 Nova Iorque, 22 de abril de 2017

17h33

O pau dele era delicioso. Certo, ele beijava bem e tinha uma voz rouca, e olhos feitos de tons e sobretons de mais e mais azul, e era gentil e nem tão gentil assim. Ele era careca e um tantinho mais baixo do que ela, muito forte – seu peito era uma vastidão coberta de pelos grisalhos, seus braços e mãos cobertos de veias aparentes e cada centímetro da pele dele pareceu queimar a dela. Mas nada se comparava ao pau dele. Nas mãos dela. E em sua boca. E dentro dela. O rosto dele aninhado em sua nuca e o pau dele dentro dela. E se isso não era feminista o suficiente, que se foda, pensou sorrindo e se ajeitando no banco de trás do táxi.

O que ela estava sentindo era tesão. De novo. Como se não tivesse acabado de sair da cama daquele homem. Como se ele não tivesse acabado de sair de dentro dela. Como se ela tivesse tempo para isso. Suspirou. Com o leilão mais importante do ano começando em vinte minutos, quem tinha tempo para tesão, meu Deus?

Não era o primeiro estranho com quem ia para a cama, mas não conseguia se lembrar de uma trepada tão… O quê? Perfeita? Maravilhosa? Qual dos clichês estúpidos da pior literatura descreveriam o que tinha acabado de experimentar? Bom, foda-se de novo. Tinha sido uma tarde incrível. Uma tarde impossível de esquecer.

No mesmo instante em que fecharam a porta do quarto do hotel e ele a puxara contra seu peito, ela soube. O cheiro dele era fresco, tinha alguma coisa de limão, e ele beijou seus cabelos e ficou ali, alguns segundos com ela nos braços, imóvel, à espera de que suas respirações se sincronizassem.

Quando ela ergueu o rosto, o estranho agarrou seu rosto e mergulhou a língua dentro de sua boca. Nenhuma hesitação. Sem perguntas, sem explicações inúteis. Nada de sou casado, nunca fiz isso, meu Deus, que loucura, espere como é seu nome? Nenhum nome. Tudo bem, dois nomes, em algum momento daquela loucura, dois nomes. Andrew. Carla.

Eles se beijaram até que ela se ficasse zonza, as mãos dele em suas costas, em sua bunda, as mãos dele em todas as partes, arrancando sua saia e sua blusa, as mãos dele desesperadas no fecho do sutiã.

Ela riu e se afastou. Às vezes lhe parecia que os homens faziam aquilo de propósito, fingir que se atrapalhavam com o sutiã numa espécie de alívio cômico, de pausa, vamos respirar um bocadinho antes de seguirmos com esse desvario, mas se fosse um teatro, era bem bonitinho. Colocando as mãos nas costas, ela abriu o sutiã e ele a olhou, maravilhado. Aquilo não era fingimento. Eram os seios de uma mulher de quase cinquenta anos, mas o estranho pareceu mesmo gostar do que via. E quando ele os tocou e mordiscou e sugou cada um de seus mamilos, ela soube que sim, ele realmente gostara deles.

Quando ele ergueu a cabeça para beijá-la de novo, ela tentou, desajeitada, desabotoar a camisa dele. Gemeu frustrada, botões demais, botões demais, mas quando ele afastou as mãos dela para arrancar a camisa, ela choramingou alto e ele riu.

Alguém buzinou e xingou em idioma não identificado quando finalmente estacionaram em frente à casa de leilões e isso a fez pular de susto.

Jesus, mulher, trate de se recompor.

Por melhor que tivesse sido a trepada, não era para ficar com a calcinha molhada dentro de um táxi que ela estava em Nova Iorque.

 Estava lá para o leilão do ano, da década, do século, o mais importante leilão da história da arte, do espaço sideral. O leilão dos leilões.

Carla Nucci tinha cruzado um oceano só para estar ali. Só para estar mesma sala do que aquela tela, ainda que por poucas horas.

O último Rembrandt.

(continua no próximo domingo)

 

Que Seja Leve

desejo

As coisas leves deveriam permanecer assim. Pairando sobre nossos olhos. Sem culpa. Sem porém. Apenas, sendo. As coisas boas deveriam flutuar sobre nossas almas, inundar os sentidos, passear pelo corpo, transbordar pelos poros. Assim, deveriam grudar nas nossas pernas, ajudar na caminhada, dar sentido aos dias cinzas e as noites sem lua. Assim, sem mais. Sem muitas palavras para não tentar dar nome para o que não se chama . Para o que não se reduz. Para o que não temos resposta.

Prazer. Lábios abertos. Seu corpo no meu. Nossos gozos, nossos desejos, vermelhos. Mergulhos, cachoeira, água farta, força da natureza. Desvio dos caminhos traçados, oceano de nadar de braços abertos sem porto de chegada. Sem começo nem fim. Latência, pulso que ilumina a escuridão dos olhos  fechados. Assim, deveria. Sem medo dos temporais, confiando na leveza que só o desejo degustado com atenção e cuidado pode nos trazer para os dias que vem.
Confio.

Nós, gatos

Captura de Tela 2017-12-20 às 17.51.53Com a chegada do jardineiro notamos a presença da gata. O moço veio orçar um trato no jardim do quintal da casa que nos mudamos poucos meses antes. O matagal alto, a dama da noite quase vergando de tão pesada indicavam a necessidade de uma intervenção profissional.

Mas ela estava lá, com três crias, muvucadas num buraco perto do coqueiro. Os bichinhos já caminhavam faceiros. Intuímos que não eram tão bebezinhos assim, ainda que estivessem mamando. Há quanto tempo eles estariam ali sem que percebêssemos, naquele quintal que obviamente precisava mesmo de um cuidado, já que, né?!

A gata pariu no nosso quintal e não notamos!

Fiquei meio assim, me sentindo culpada, sabe?

***

Adiamos a poda.

***

Teve uma vez que um gatinho apareceu na casa dos meus pais. Éramos pequenos. Meu irmão, apegado, logo adotou o bichinho. Meu pai não queria, por causa dos curiós. Meu irmão e eu perguntamos por que ele não soltava os pássaros. Ele respondeu que era porque eles não sobreviveriam, acostumados com o cativeiro. Fiquei calada.

Aí que com dezenas de crianças em casa, o gatinho no meio da folia, pisei na cabeça dele sem querer.

***

Não costumo compartilhar memes de gatinhos nas redes sociais.

***

Compramos comida pra gata, recomendada pelo povo do facebook, que é pra onde costumo correr quando coisas assim acontecem em minha vida: uma passagem curiosa na rua, um diálogo inusitado com meus filhos, uma gata parindo e morando no meu quintal…

E foi me sentindo meio São Francisco pagando um carma que fui levar comida e água pra gata. Arisca, arreganhou os dentes e se pôs em posição de ataque. Tive medo. Sai correndo, magoada.

***

Dia após dia um corriqueiro alimentar-a-gata-fugir-da-gata, entre ridícula e ressentida.

***

Tenho um filho caçula que volta e meia quer dar um tempo sozinho com o pai porque passa muitas horas comigo.

***

A gata virou Gata. Pensei em dar um nome mas achei que seria muita prepotência sobre um ser que obviamente não queria intimidade.

***

Gata subia no pé de dama da noite e só ouvíamos seus arrulhos, bravos e estressados. Chamo de arrulho porque é a primeira palavra que me vem. Não é um ronronar. É um som meio grrr (tem nome pra isso?).

***

Nunca tinha ouvido falar de gato feral. Achei que fazia sentido. Gata de rua, selvagem, brava, nada condescendente com humanos, possessiva com os filhotes, afrontosa, que aceita minha comida e me enxota, impaciente e irritada.

***

Sábado de manhã, esse caçula que não vai muito com minha cara me chamou, preocupado. Gata não estava bem. Metade imóvel, outra metade muito agressiva. Levantava as patas dianteiras, “rosnando” pro nada, como se ainda estivesse trepada na dama da noite, enquanto as traseiras, inertes, permaneciam largadas na lajota do quintal.

Ligamos pro veterinário do Fidel, explicamos a situação, a braveza. Não tinha ninguém pra nos ajudar. Teríamos que leva-la por nossa conta.

Joguei uma canga sobre ela, contando que, sem me ver, relaxasse um pouco. Deu certo. A suspendi com as mãos em pá e a depositei numa caixa. Reagiu. Percebeu. Sobre a caixa joguei outra canga rosa com estampa de abacaxi e fomos de uber pro veterinário.

***

Gata morreu. Não aceitou nem receber o soro. Ao encostar a agulha em sua coluna, deu um salto nem sei como, convulsionou e caiu. Tenho pra mim que, naquele momento, o que a matou foi o susto.

De repente, a canga tropicalista não pareceu solene.

***

Demoramos uns três dias pra voltar a ver os gatinhos.

Jardineiro veio.

Não conseguimos nos aproximar dos gatinhos.

Quando ninguém está olhando, eles comem da comida do Fidel.

Fidel não está nem aí.

Não batizamos os gatinhos.

Não podemos domesticar os gatinhos.

Não capturamos os gatinhos.

Não vamos doar os gatinhos.

Precisamos castrar os gatinhos.

Alimentamos os gatinhos.

Diariamente.

Sexo é a dois [2]

Já escrevi um sobre este temaMas dá sempre vontade de voltar a ele , tais são as demandas, as pressões, as exigências. Ser “bom de cama”, “satisfazer o outro”. Estar pronta para tudo, sentir um prazer intenso, ter múltiplos orgasmos coloridos, querer uma vez e outra e outra…. Tenso o negócio. Quem faz a contagem de pontos? Quantos quesitos serão avaliados? Evolução, enredo, harmonia? Comissão de frente, alegorias e adereços?

Acho que se fala muito de performance. Se fala pouco de escuta. Escuta do corpo, escuta do outro. Da dança que é o sexo a dois: ajeitos, encaixes, tentativa e erro. Acertos também, como não. Deixar-se ir sem pensar demais na chegada, aproveitando o processo. Exploração. Curiosidade. Abertura para o novo, para o outro: o outro que é outro e que é sempre diferente.

Adianta quase nada seguir regras estabelecidas, usar técnicas aprendidas: pra cada pessoa um ritmo, um gosto, um toque. Claro que a prática ajuda: mas com “prática” quero dizer experiência de escuta, de flexibilidade, de aceitação do que vier. Quanto mais prática, menos regras, entende? Mais possibilidade de perceber nuances e sutilezas. Murmúrios e delicadezas. A escuta do outro: não a mecânica – que é necessária, e seria até bom entender disso melhor -, mas aquela ali, do momento. A escuta sutil. A reação a cada ação.

E algo que acho que talvez seja o mais difícil de tudo: o soltar-se. “Solta o corpo e vai”, como no carnaval. Um desapego da pose, da máscara de todo dia, da compostura. Sexo é sem compostura. Deixar-se perceber assim não é evidente. Pode até dar um frio na barriga, uma sensação de desproteção. Sexo é mergulho também.

(Não, gente, não é amor: amor é outra coisa. Não precisa ter amor, sempre bom frisar. Mas respeito pelo outro, pelo desejo do outro, pelo corpo do outro. Confiança na entrega. Aquela, ali, daquele momento).

E assim dá pra vagar, sem muitas respostas, com vontades de saber mais. De conhecer mais. Aquela pessoa que está ali, naquela hora, com você. Aquele cabelo, aquele olho, aquela boca, aquela mão, aquele corpo inteiro que tem consistência e forma, que tem seu próprio jeito de ser-com-você. Na cama. Ou “na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê”.

Ah, só mais uma coisa, que já disse no outro texto, mas acho que vale repetir: leveza. A leveza de saber que não precisa ser incrível todas as vezes. Nem sempre o encaixe, o ritmo, o gosto vão ser aqueles que tirarão você do chão. E daí? Daí nada, ora. Pode ser apenas o.k, ou até não ser bom de fato; dessa vez não foi, quem sabe na próxima? Até mesmo com aquela pessoa, se houver interesse e vontade: de repente não foi da primeira, mas se conhecendo mais, dizendo dos gostos e vontades… sabe-se lá. Vai que.

Resultado de imagem para sexo simbólico

PS. Também no Biscate: Boa de Cama e Tem Sempre que Gozar?

De Noite

Aquela pele clara, a respiração dele em seu pescoço, ela nem conseguia acreditar que estava sentindo o calor dele, o cheiro dele a deixava tonta. Ela se virou e olhou nos olhos dele, e viu aquele olhar de entrega. Ele falou “Me beija!”, ela beijou e com uma das mãos apertou a cintura dele pra perto dela. Ele apertava sua bunda enquanto ela colocava sua perna por cima da dele, a outra mão dele estava entrelaçada na dela, sim eles estavam de mãos dadas!

"Lick me alone!" #eroticdrawing #eroticart #erotic #petitesluxures

A post shared by ❤️ Petites Luxures ❤️ (@petitesluxures) on

Ela era apaixonada pela bunda dele, pelo peito, pela barriga, pelas coxas, eles se achava magro demais, ela o achava maravilhoso, ele se achava alto demais, ela só queria sumir naqueles quase 2m de altura e ficar lá sentindo o gosto, o cheiro, o toque dele. Ela falou no ouvido dele “Te amo!”, era amor, construído de forma linda e numa conexão que nunca sentiu antes. Ele sorriu, ele não gostava do próprio sorriso, ela amava o sorriso dele.

“You’re in my mind all of the time
I know that’s not enough
If the sky can crack
There must be someway back
For love and only love ” – U2, Electrical Storm

Ele disse “deita!”, ela deitou de barriga pra cima, ele se apoiou por cima dela, beijou sua boca, seus peitos, beijou e mordeu sua barriga, desceu até a virilha, beijando as coxas e a virilha, abriu suas coxas, beijou e mordeu enquanto ela segurava os ombros dele com ambas as mãos, ele olhava pra cima, parecia sorrir com os olhos e continuava, sugando e beijando.

Assim que ela gozou, ela pegou a camisinha na mesa de cabeceira – “vem cá”, ela disse, ele deitou e ela colocou a camisinha nele, ela deitou por cima dele, o encaixe era perfeito, ela sempre soube que seria. Ele apertava seu bumbum, ela segurava em seus ombros, ela adorava os ombros dele. A respiração ficou mais forte, os movimentos mais rápidos, ele estava com o rosto vermelho, estava lindo, ele subiu as mãos pelo corpo dela, passando pelo pescoço e chegando em sua cabeça, ele alisava a cabeça dela, ela descobriu que sente muito tesão na cabeça desde que começou a raspá-la.

Ela sentiu o corpo todo arrepiar, ela iria gozar, ele também iria, sentiu por sua respiração….

Nesse momento o despertador tocou e ela acordou, mais uma manhã comum. Abriu o zap e viu o boa noite dele, deu bom dia e foi pra sua rotina de todo dia. Sem ele.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...