Um Sol Sem Graça

Cara, cês já viram médic@s terem que brigar para afirmar sua profissão como importante? É isso que artistas e (quase) todas as pessoas que trabalham na cadeira produtiva da Cultura (e nisso incluo @s professor@s) tem que fazer todos os dias. TODOS OS DIAS! Para família, amig@s, empregador@s e principalmente, para si mesm@s. É que no Brasil ainda somos considerad@s profissionais substituíveis, sabe? Nas escolas ou somos encarad@s como meros “decorador@s” para festas ou de nós é exigido o domínio (teoria e práxis) de TODAS as especialidades de “nosso” campo (música, teatro, dança e artes visuais), mesmo com cursos universitários e pesquisas na área sendo entendidos como coisa de vagabund@. Da galera que tá fora de sala de aula, a maioria não consegue sequer pagar as contas no final do mês, mesmo produzindo e “vivendo” arte e cultura 24 h por dia…

Então, se isso já era difícil de lidar com um Ministério específico pra nossa área, imagina sem um?

Ah, esqueci… talvez você e eu desaprendamos a imaginar. Porque né? Imaginar não é útil em diante da tal crise que está aí, nem tampouco contribui para o crescimento de nosso País nos ditames da tal “Ordem e Progresso”.

“Olha não tem ninguém na praça/

Só tem um sol sem graça/

Não tem ninguém para ver e contar…”

“Ah, mas só foi uma transferência, Raquel…”

O único só para mim nessa história é que Cultura é um babado do campo simbólico, Brasil. Portanto, atrelar Cultura a Educação é um desserviço que ecoará na produção artística de toda uma geração. Quer praticamente dizer que toda obra ou trabalho terá que ter uma “moral da história”. E no caso desse governo específico, cara, quero nem pensar em qual seria.

Ah, eu imagino sim.  Ainda?

Peças de teatro com conteúdo bíblico? Imitações de “estaltas” gregas com saia abaixo do joelho? Cinema com mensagens edificantes sobre ser “bela, recatada e do lar”?

Num vai “dar bom” isso não…

E (ainda) por falar em Cultura, muitas, muitas mulheres, em sua maioria pobres, fizeram e fazem cultura em nosso país. No intervalo do cuidar dos filhos, da casa, depois da lida na roça, cansando olhos, costas e coração.

Para ajudar num orçamento quase inexistente, insistiram na renda de bilro, no crochê, no ponto cruz. Para continuarem vivas e darem de comer as filhas e filhos a baiana montou seu tabuleiro e a paneleira acendeu seu forno de queima de cerâmica.

Talvez, também, para insistir em belezas cotidianas no meio de tanta dor? Acredito que…

No entanto, apesar disso acontecer desde que fomos “descobertos”, muitas dessas mulheres, até hoje, se envergonham do que produzem e não sabem “botar preço” no próprio trabalho. Porque, talvez, ainda não o entendam como tal?

Aí o “gênio” da moda, o chef estrelado, a loja no shopping se apropriam de suas criações para que a madame e o senhor, que contribuem com essa injustiça e alienação, ao acharem exorbitante pagar R$ 50 num “paninho”, desembolssem contentes R$ 50.000 numa peça que quem produziu jamais conseguiria pagar. Essas mesmas pessoas não sabem porque se chama alta costura a alta costura. Artesanato, senhoras e senhores. E cultura!

O valor do humano ali na sua frente, materializando tempo, paciência e heranças.
No país do quartinho de empregadA ainda temos muito que aprender e deglutir.
Por exemplo: que não há beleza alguma na morte da representatividade (essa morte em vida), não há apaziguamento possível diante da tentativa de nos calarem.

Porque de tantas formas “eles” tentaram, que aprendemos a “falar” e nos fazer entender de formas que sequer imaginam, esses sinhozinhos… mesmo quando parece que estamos servindo. Invisíveis. De joelhos.

Também aprendemos a ver, porque aprendemos na porrada e com o olho roxo, o que é feio e vil. Ainda que chegue-nos disfarçado como suposto respeito e consideração.

Portanto, não é “favor” algum dar-nos, enquanto mulheres, UM cargo de fachada num ministério extinto. Somos metade desse país, porra! Então é isso! Vai ter LUTA, SEUS MERDAS!

E lembrem, somos biscates… “Com a nossa rapa você não é capaz!”

 

Luiza ERUNDINA

Foto: Antonio Miotto

Luiza Erundina no CEU Perus (Foto: Antonio Miotto)

Luiza Erundina, deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, participou do evento no dia 11 de abril: diálogos com a comunidade no Centro Educacional Unificado (CEU) PERUS, na Zona Norte. O tema do evento foi “Ditadura Militar no Brasil – 50 Anos do Golpe de 1964 – Conhecer para não repetir.”

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Momento histórico, com direito a choro e emoção, cantando Vandré e até tietagem, com muita honra!!! Ditadura nunca, nunca mais!! (Foto: Antonio Miotto)

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Luiza Erundina (Foto: Antonio Miotto)

Alguns depoimentos

Sobre o processo que culminou com a eleição de Luiza Erundina, a primeira prefeita de São Paulo:

“Fizeste parte da histórica Revolução dos Bagrinhos, onde as base enfrentaram a direção, garantiram a indicação da Luiza como candidata e com o boicote da dita direção, as bases foras para as ruas, de casa em casa e voto a voto elegeram uma mulher pobre e nordestina como prefeita da maior cidade da América Latina.”

“Que conquista! E se não me engano em cima do Maluf cuja vitória nas pesquisas por mais de 5 pontos a globo cantou até a véspera. Tive o prazer de contar esta história para os meus filhos e na sexta apresenta-los a Luiza e ela a eles.”

O governo de Luíza Erundina, e sua opção política de governar com e para a periferia da cidade:

“Erundina foi pioneira na implementação de um projeto de governo voltado para o social, e a cultura e as artes eram eixos prioritários.”

“Foi uma vitória e um governo dos movimentos sociais e populares. A periferia pela primeira vez venceu, constituiu identidade. Foram os primórdios deste hoje vivo e pulsante movimento artístico e cultural que hoje está revolucionando as periferias.”

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(Foto: Antonio Miotto)

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