De perdas virtuais etc.

Sou do tipo que não se desfaz de amigo. Amigo, se é amigo, é amigo. Discordo, discuto, contesto: só que é amigo, ora. E assim será.

Mas esse texto – de que gostei muito – me fez pensar em outra circunstância: aquelas pessoas com quem convivo em redes sociais, algumas que até  já encontrei pessoalmente, e que se desfazem de mim. Assim, sem nenhuma briga, nada: elas me “desamigam”, provavelmente por não concordar com algo que eu disse, que eu postei, ou por terem problema com as pessoas com quem interajo. Por não aderirem à minha opinião, por achar que tenho más frequentações, por se sentir atingidas por uma indireta que não mandei.

Algumas dessas eu gostava de ler, com outras de interagir. Com algumas dessas eu já conversei inbox, já troquei e-mail: um passo à frente nas relações virtuais. Outras ainda eu já encontrei “no mundo real”, já sentei em bar, já tirei dúvidas, compartilhei preocupações e alegrias.
E, claro, é sempre possível brigar. Se desentender de verdade, achar que pra tudo há um limite e que não dá pra continuar daquele jeito. Não é disso que estou falando: é do desamigar fofo, sem aviso prévio: de repente, você vai falar com a pessoa e ela não está mais ali, na praça virtual em que se encontravam todo dia.

A minha reação, nesses caso, é assim, em geral: lamento um pouco pela relação que eu achava que era e não era.

Sinceramente, é só um pouco: porque, de verdade, o que fica mais forte é o “que não era”. E eu sou boa de me adaptar a choques de realidade. Se não era, então… não era. Porque alguém que corta relações comigo por esses motivos, sem nem dar um tchau, afinal, não era amigo, não é mesmo?

Vida que segue.
É aprender a entender a falta, lamentar sinceramente, e seguir adiante. Desapegar, soltar, deixar ir o que não é mais.
(E, sim, eu estou escrevendo um texto inteiro sobre corte de relações virtuais: pequenas coisas que têm a ver com coisas maiores, virtual-real que a cada dia mais são dimensões de uma realidade só.)

Se poupar? Economizar relações? Ficar protegida e resguardada? Não é a minha praia. Não é “do lado de fora”, não será “do lado de dentro”. Prefiro estar sujeita a isso: a descobrir, de repente, que uns que achava que era não eram. Até porque afinal, tem os outros: aqueles que, de verdade, são. E aí é de grão em grão. De clique em clique. De post em post. A gente vai construindo. Desbravando, caminhando, conhecendo. Se escrevendo, comentando, discutindo. Gostando, sim. Gostando, ué. Faz parte.
Bora lá. Me adiciona aí que eu tô com um bom pressentimento.

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Um Certo Moço Não Precisa Ser o “Moço Certo”

Obrigada, moço, por chegar. Pelo riso. Pelo bom. Pelo simples. Pelo cigarro, a cerveja, o tesão. Obrigada pela conversa fácil. Pelo antes. Pela fome. Pelo desejo direto. Pelo acolhimento da minha vontade. Por pedir. Por dar. Pelo movimento. Obrigada pela ausência de disfarce, de medo, de reserva. Pela malícia. Pela saliva. Pelo depois. Pelos filmes, pelo bocejo, pelo cansaço e a modorra. Pela piada da câmera. Por falar das borboletas, não como quem sabe, mas como quem se importa. Obrigada por não esperar certezas. Por não pedir promessa. Por não afirmar. Por não dizer futuros, mas indicar um amanhã possível em qualquer dia de corpo quente. Obrigada pela pergunta que me vê. Pela piscadinha de olho. Pelo beijo estalado. Obrigada por chegar. E partir.

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(depois daqui deve ter spoiler de Private Practice e de uma temporada bem antiga de Grey´s Anatomy, mas ainda é spoiler anos depois?)

E aí eu lembrei do Sloan e do vínculo dele com a Addison. Eu não sei se vocês assistiram Private Practice, provavelmente não, mas não tem importância, eu conto o que interessa pra vocês. Tem a Addison, uma mulher por volta de 40 anos, profissional de sucesso, vida amorosa agitada depois de um divórcio conturbado. Tem o Sloan, um dos melhores amigos da Addison. Eles tiveram um relacionamento enquanto ela era casada, terminaram, ficaram um tempo afastados, reconstruíram a amizade. Ele tem por volta de 50 anos e acabou de terminar um namoro com uma outra mulher, bem mais jovem que ele, porque tinham planos de curto prazo diferentes.

Daí tem essa cena de Private Practice em que está tudo bagunçado na vida da Addison e na do Mark Sloan e eles estão se sentindo velhos e tristes e perdidos. Ela acabou de descobrir que grande parte das coisas que acreditava sobre sua família, seus pais, coisas que norteavam seu comportamento e relações, estava equivocado. Ele teve uma guinada afetiva, acabou de reconstruir um vínculo com a filha e passou a ter planos mais estáveis e definitivos pra vida, mas por isso acabou se separando da pessoa com quem estava envolvido e que, nessas voltas e ironias dos processos, foi justamente quem o inspirou a ser uma pessoa mais entregue, comprometida e disponível.

Com afeto e cumplicidade, conversam sobre coisas/momentos que poderiam funcionar para amortizar a dor. Porque é preciso sentir, mas também é preciso descanso. Repouso. Conforto. Aí ele vai e tira a roupa e se oferece pra ela. Porque, diz ele, não sabe muitas formas de amenizar o que ela sente, mas isso eles podem fazer juntos. Porque é divertido. E eles fazem sexo porque é divertido e bom e amigável. E acolhem um ao outro na medida do possível. Sloan, que saudades de você.

Eu gosto imenso da sinceridade com que eles falam um com o outro, da forma como ele se coloca disponível e aponta seu desejo de encontro, da lucidez e da cumplicidade com que sabem que o sexo pode ser transitoriamente reconfortante. Algo que adormece a dor, o mal-estar, a tristeza. Não como resposta, que resposta não há. Como respiro. Como intervalo possível. E depois eles riem. Eles riem juntos. Eles gargalham.

Addison, que mulher! Vale a pena conhecê-la. Vale a pena ver a série e encontrar uma médica ginecologista e obstetra que de forma ativa se coloca do lado da escolha das mulheres no que se refere ao seu próprio corpo, seja uma gestação, um relacionamento ou um aborto. Vale a pena ver como ela se pergunta, se inquieta, mas segue insistindo, coerente com a fome que a move. Gosto de como a atriz a interpreta, colocando força, inteligência e sensualidade sem precisar disfarçar, justificar ou validar que uma mulher deseje, pense, trabalhe.

Pra terminar com alegria, um vídeo da Addison se divertindo um bocado (e me lembrando que legal a liberdade sexual da personagem sem que sejam feitos juízos negativos de valor sobre sua integridade, sua capacidade profissional, etc)

Aquele Abraço

Para Raquel e Sílvia,
sabendo que todos nós podemos nos chamar
Raquel e Sílvia
qualquer hora dessas.

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Eu queria saber fazer, desse texto, um abraço. E deixar aqui, no blog, pra quando as coisas pesarem demais, estiverem difíceis demais, doídas demais.

Sim, nós somos do riso, nós somos do gozo, nós somos do bom. Somos do samba, da festa, das palmas. Somos das gargalhadas, das noites se fazendo dia, dos grupos. Sim, nós somos do sim.

Mas tem dia que o que a vida nos pede mais um tanto. Coragem e riso não bastam. Tem dia que dói. Tem dia de sofrer. De temer. De fraquejar. Tem dia que somos pranto, canto do quarto, medo, insegurança. Tem dia que o dia nos tolda os olhos.

Tem dia que a vida apaga a luz. Desmancha o riso. Anuvia o céu. Tem dia que todos os afetos não bastam. Que nenhuma coberta aquece. Que nenhuma comida sacia. Tem dia que não sabemos vivê-lo. Dias em que a paleta oferecida é solidão, angústia, receio.

Para esses dias, eu não trago nenhuma certeza. Eu não trago nenhum consolo. Eu desconheço como serão, como podem ser. Eu simplesmente fico aqui, disponível. Eu sou apenas o que for preciso ser. Um grande ombro ambulante. Um peito pra descansar a cabeça. Mãos em cafuné. Um sussurro feito cantiga de ninar.

Gosto muito quando Kundera fala de compaixão e nos conta da diferença quando a palavra é formada ora com o radical sofrimento ora com o substantivo sentimento. Compaixão pode ser “sentir com”. Compaixão é uma imaginação afetiva, é sentir com o outro o que ele sente, alegria, raiva, solidão, dor, medo, angústia.

É essa compaixão que deixo aqui, entre as letrinhas desse post. Uma disponibilidade para estar com. Pra sentir com. Pra doer com. Pra lutar com. Pra chorar com. Pra perder com. Pra sobreviver com.

Eu queria saber fazer deste post um abraço. Um abraço biscate, onde houvesse, potencial, o riso, o gozo, o bom. Um abraço biscate que nutrisse, acolhesse, aconchegasse, desse força, apoio, sustentação. Eu queria saber fazer desse post um descanso. E um mergulho. Vida, que seja do jeito que for, a gente junto, mar, amar, amor, dor, um peito repleto.

É Dia de Renata Lins

Hoje é aniversário da nossa bisca Renata Lins e eu vim escrever um post fora do calendário. Extraordinário. Gosto dele ser assim, porque assim combina com ela, que é uma pessoa fora do comum, fora da norma, fora da curva, fora da risca.

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Poderia dizer que a Renata é como o futebol: uma caixinha de surpresas. E a piada seria boa, mas não seria tudo. Como uma taurina da gema ela é segurança, conforto, estabilidade. A gente sabe que pode chegar que vai ter: colo, afeto, calor.

Sabe aqueles bordados que a gente vê e parecem simples? Elegante, bem desenhado, cores definidas, poucos elementos e tal? Aí você chega perto e descobre que arranjo daqueles tem um incrível trabalho por trás, tudo muito sofisticado, intrincado, complexo e diversificado? É ela.

Quando penso em Renata, penso primeiro em corpo: a Renata é em unhas coloridas, em lábios que riem, em mãos que tocam, em cabelos que esvoaçam, em colo que acolhe cores e colares. Em voz. Quando leio a Renata, é como se a escutasse. Sempre foi assim, antes mesmo de nos encontrarmos e eu saber sua voz. Suas letras são concretas, materiais, se fazem próximas. E é engraçado, porque corpo é um lance tão transitório, né, ele muda. Ele está sempre mudando, até que deixa de ser. Deixa de ser um corpo e tudo e tal. E a segunda coisa que penso, quando penso na Renata, é permanência. Ela tem um jeitinho de chegar que parece que sempre esteve. E um jeitinho de ficar que faz sentir que sempre estará. Mesmo no depois de tudo. De qualquer coisa.

É engraçado fuçar os arquivos do blog pra encontrar o dia exato em que ela caiu na rede. Veio com o Wando, foi ficando, a gente enlinhando, ficou. Está. É. O BiscateSC é quem é, do jeito que é, também pela sua constância. Pela sua presença. A gente pode contar. E pela sua imprevisibilidade e sacadas geniais.

Se eu fosse resumir, diria assim: Renata não deixa a peteca cair. E com que graciosidade a mantém em movimento!

Procuro as coisas mais gostosas pra lhe desejar nesse dia e penso em coisas gostosas e lembro dela mesma. Então, que seja: querida, que seu dia seja em renatas. Um aniversário feliz e biscate. Biscatemente feliz.

PS. Essa musiquinha sempre me faz bem. É que nem você na minha vida <3

Sem correntes

Eu sei, é um doce te amar

O amargo é querer-te pra mim

Do que eu preciso é lembrar, me ver

Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Los Hermanos – Condicional

Demorei pra entender o que é amar, às vezes, acreditamos que amar é prender, isso é uma mentira! Nem sempre amar é compreender os atos dx outrx. As vezes, amar é dar espaço, mesmo quando dói se afastar. Amar é ser amiga quando se está apaixonada, pois sabe que carinho está além do tesão.

Amar é se encantar com as diferenças, é aprender com vivências diversas, é encontrar doçura no “dar espaço pra você respirar”. Muitas vezes, amar não significa lutar pra que dê certo, amar é deixar-se ir, é partir quando não se deseja, mas nos é pedido. É tomar a dolorosa decisão de não beijar quando seu maior desejo é beijar todo o tempo. Amor é respeito e compreensão, até quando respeitar x outrx dói no peito.

Em uma situação atual, estou aprendendo que deixar livre quem se ama é a maior prova de amor que poderia dar. Sei que não é um adeus, sei que, mesmo com essa vontade enorme de não dar espaço e tempo, a única atitude que posso tomar é dar espaço pra que se respire novos ares. Amar é não ter gaiolas, correntes, nada que nos prenda, pra que não fique a força, se me doer sua partida, problema é meu, você já tem os seus problemas, receios, questões, não terá que lidar com a minha dor.liberdade

Construir mosaicos

One chance
To keep it together when
Things fall apart
One sign
To make us believe it’s true
What do you see,
Where do we go?
One sign: How do we grow?
By letting your lifelines show
What if we do, what now?
What do you say?
How do I know?
Don’t let your lifeline go

Lifelines – A-Ha

Sempre fui do tipo que vivia remoendo o passado, as mágoas, as culpas. Não sou muito acostumada a me perdoar ou a esquecer. Quando erro, fico remoendo a culpa por dias, meses e anos, as vezes, a pessoa com quem errei já cansou de me perdoar e eu continuo me martirizando. E “se elx perdeu a confiança em mim?”, “será que eu mereço sua/seu amizade/amor depois do que fiz?!”. Essa é a Sara, aquela que perdoa qualquer pessoa, mas não se perdoa!Mosaico-de-Azulejos-Passo-a-Passo-3

Essa Sara está tentando mudar, parar de me responsabilizar por tudo que acontece, não entender fins de relacionamentos e de amizades, me sentir destruída e culpada por qualquer erro que cometo. Passei muito tempo catando cacos quebrados e tentando reconstruir exatamente o que existia antes, sem compreender que nada se mantém intacto. As coisas são mutáveis, os cacos de um relacionamento pode virar lixo ou pode virar um mosaico. Posso, sozinha ou acompanhada da pessoa do relacionamento, catar meus (ou nossos) cacos e tentar construir algo novo, tão bonito quanto, ou mais bonito ainda.

Sou apaixonada por mosaicos, acho lindo como restos de azulejos poderiam virar algo tão belo, eram restos, rebarbas, quebras que viravam pedaços de cor, uma nova forma colorida e desenhada. Quero levar isso para a minha vida, transformar a dor e os finais em novos risos, começos, choros de emoção e, porque não, continuações.untitled

Quero ser menos rígida comigo mesma, quero me perdoar do mesmo jeito que perdoo amigxs, familiares e companheirxs. Não quero viver carregando peso demais em minhas costas, faz mal a coluna. Quero poder ficar em paz, compreender que, mesmo quando algo não dá certo ou quando eu faço algo que magoa alguém, eu posso ver que eu fiz o possível e me perdoar. Não porque estou certa, mas porque errar faz parte e meus erros também constroem a mulher que sou e que, pra ser feliz, não preciso ser infalível, só preciso viver.

Viver é sofrer, chorar, quebrar amizades e reconstruí-las novamente, jogar amores no chão e montar mosaicos com seus cacos, é rir, é me permitir e permitir axs outrxs o erro e compreender que o erro, muitas vezes é o melhor dos acertos!

Talvez se nunca mais tentar

Viver o cara da TV

Que vence a briga sem suar

E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo

Dizer ao mundo todo

Que só conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito

Quando se encolhe o peito

E finge não haver competição

É a solução de quem não quer

Perder aquilo que já tem

E fecha a mão pro que há de vir

Escrever nunca foi tão triste

Tentei escrever,
colocar os sentimentos em palavras.
Pensei em você,
os versos, em gotas, molharam o papel.

(Alves Rosa)

 

Ontem, olhei as nossas fotos. E todas as lembranças se transformaram num filme que assisti sozinha…

Quando te conheci, juro, não esperava nada. Eu realmente acreditei que você seria escreverapenas mais um entre tantos que poderiam estar comigo. E confesso que gostava dessa fase de incertezas. Porque parecia que quanto menos pistas nós tínhamos do futuro, mais a vontade de estarmos juntos aumentava. As descobertas eram o alimento dela.

Agora, estou tentando entender onde foi que nos perdemos um do outro…

Dói. Dói ouvir você dizer que é impossível não gostar de mim, mas que não se sente feliz ao meu lado. Ou quando você me pede para pensar nos momentos bons que tivemos. É torturante essa dor. É duro cultivar memórias que não irão se repetir. E chego a pensar que sua indiferença talvez doesse menos em mim do que a sua oferta de ombro amigo.

Ser amigos. Esta foi uma das muitas promessas que fizemos um ao outro ao longo da nossa trajetória como casal. “Casal perfeito”, nas palavras de nossos amigos e familiares. E mesmo passando a vida inteira desconfiada de “perfeições inabaláveis”, acreditei genuinamente na nossa. Achei que realmente nada iria nos abalar…

E por mais difícil que seja o meu momento atual e te dizer isso, vá. Não quero ninguém ao meu lado por pena ou por consideração. E quando você realmente souber o que procura, seja feliz! De verdade.

Quem sabe um dia, a gente não consiga cumprir aquela promessa, não é mesmo? É que as feridas não cicatrizam imediatamente após o impacto.,,

tumblr_lcyv5867q91qakmqso1_500E feridas de amor demandam muito cuidado. Porque só ama novamente um coração verdadeiramente curado. E enquanto não ama, sente mil coisas inexplicáveis. Às vezes, vai do bem querer à raiva em questão de minutos. Mas até isso passa. E ensina.

Muitas foram as páginas em branco que preenchi. Ora com cores, ora com dores materializadas em palavras. Mas escrever, para mim, nunca foi tão triste como agora.

 

Borboletas na alma

 

Eu não sou borboleta. Não sou leve, daquela leveza fluida e colorida das belas borboletas. Sou mais mariposa. Ou achava que não era e que era.

Até que veio ela. E mostrou que borboletas nos olhos é um estado de espírito. É uma escolha, um modo de ver a vida, de levar a vida, de trazer a vida para perto. E é isso que ela faz.

Dizem por aí que “O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

Só que a Luciana é borboleta e traz em si também o jardim. Ou sei lá, ela cultiva o jardim em cada um de nós, para que seja sempre doce e quente e colorido, para que a gente sempre vá até ela, e ela venha até a gente e todo mundo se junte e se misture e … tá bom, já entenderam.

Através do olhar generoso da Luciana eu aprendi tanta coisa… não, eu nao sei nada, mas aprendo todo dia.

E a generosidade não se traduz em moleza, não. Generosidade de falar quando a gente erra, de mostrar o que foi errado, porque não tá legal, que existem outras possibilidades ali.

A Luciana é alguém que me faz ser melhor. Do que eu gosto, quando gosto dela? Gosto de rir, de abrir a mente e a alma para a mais gostosa gargalhada do mundo. Gosto de poder me abrir para ela, sem medo do julgamento. Gosto de chorar e ranger os dentes e desabafar quando isso aqui (aqui e aqui fora) fica muito tenso, pesado, raivoso.

“Então, tem aquela outra música: “viver é afinar um instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro”. Resolvi que não adiantava esperar “mudar a minha forma de sentir” pra agir diferente. Era preciso agir diferente pra ir mudando minha forma de sentir. Então eu procuro agir de acordo com a pessoa que eu quero ser e, pouco a pouco eu vou sendo essa pessoa, sabe. (Borboletas nos Olhos, aqui)

Gosto – e gosto tanto! – de ter encontrado na minha vida esse clube de pessoas.

Gosto de poder respirar e não pirar nas baixarias e no ódio e no rancor que assola nosso mundo, porque tenho um lugar para pirar e inspirar.

E amo, muito, ter a oportunidade de fazer uma declaração de amor para você, no seu aniversário.

Então, hoje, apesar de toda dor lá fora e aqui dentro do meu peito, eu agradeço por ser seu aniversário e por ter você na nossa vida.

Te amo.

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Alegria Alegria (a moda na minha vida)

Descobri um novo amor: a Moda! E, numa relação de amor e ódio, ontem uma modelo desfilou com a minha primeira estampa. Assumo que estou me sentindo incomodada em passar por toda a pressão de faculdade de novo, é como se tivesse voltando aos 19 anos, quando alguns dias meus giravam em torno do estresse do final do período!

O mais interessante nessa arte que estou é que tudo é muito imediato! Você corre com planos enormes e com poucos dias para execução. Funcionar a toque de caixa, desesperar, criar! Tudo tão unido… No meu segundo desfile (no primeiro apenas fiz cenário), encontrei um frio na barriga que me é tão familiar, mas com uma tonalidade diferente de medo.

Ver sua roupa subir na passarela em meio a artistas que tem muito mais experiência de área, mais conhecimento de área, assusta! Faz muito tempo que só faço o que domino, uma sensação que não existia mais em minha vida profissional era essa. E, ao final, ter que dar a cara a tapa, subindo junto da roupa.

Sou dessas que precisa de novidade para amar sua vida! Estava passando por um momento turbulento e muito difícil, pensei muitas vezes em largar tudo de mão e parar de ter esperanças. Minha vida pessoal teve um baque muito grande, perdi meu chão. Só não desisti porque amigxs foram e colocaram o chão para eu pisar e não cair de vez. Andava por aí meio morta viva, tentando me agarrar em qualquer coisa que me fizesse voltar a viver! Quando vi minha roupa entrar na passarela, voltei a ter fé em mim!Minha estampa teve essa imagem como inspiração. O tema era Tropicália, a música!

Foi uma das melhores experiências que tive, o mais gostoso e importante foi saber que ainda tenho controle sobre a minha vida, nada é tão ruim que possa me derrubar! Posso dizer que, graças ao apoio dos meus amigos e das minhas amigas, consegui seguir em frente, no escuro, até conseguir enxergar essa luz no fim do túnel e ter esperanças novamente!

Termino falando que, da mesma forma que descobri um novo amor, redescobri um amor antigo, que sempre esteve aí por mim, meus amigos e minhas amigas! As vezes coisas ruins acontecem para a gente valorizar tudo de bom que existe em nossa vida!

*Nome do post baseado no tema da minha estampa e do desfile que participei, Tropicália!

O amor que nunca morre

Você se lembra? Era assim: a gente ria, brincava, bebia, coçava e dormia com a paz dos justos. Não éramos justos, mas também nunca fizemos mal a ninguém. A gente ia reinventar um mundo, um outro no qual caberia aquilo que éramos e que estivesse cheio de amor. Mas nunca fomos egoístas e a gente sabia que tinha mais gente que queria um mundo bom e justo e a gente também queria que essa gente toda coubesse nesse mundo.

 A gente fez tantos planos para viver juntos. Um bar. Um bar de chão de brita pra gente dançar bem muito e sair com as pernas doendo. Um bar em que só se podia entrar de sandália de couro ou tênis surrado. Nada de salto, nada de plumas e paetês, nada que cheirasse a ostentação, nada que lembrasse aquele mundo que a gente nunca gostou. Mas era um bar biscate porque, ainda que não soubéssemos, sempre fomos biscates.

 A gente fez tantos planos para viver separados. Eu ia pro mar. Você ia por aí. Não sabia bem pra onde queria ir, só sabia que queria. Mas, no fim, a gente sempre se encontraria e viveria junto. Para sempre. Porque sempre achamos que somos imortais e o exagero era nosso companheiro. A única coisa que nos matava era o tédio, e aquelas pessoas tão acostumadas ao mundo torto que achavam que ele tinha sido desde o início assim: feio, injusto, violento, com gosto de chuchu. E justo nós que sempre amamos uma pimentinha, uma cachacinha nunca conseguimos acompanhar essas pessoas.

Porque amizade é o amor que nunca morre

Porque amizade é o amor que nunca morre

 E nos planos não contamos com a saudade. Ah, sempre ela a nos doer. Às vezes muito, às vezes pouco. Mas sempre ali à espreita. E a gente tenta enganá-la com conversas longas, com cartas longas, com promessas de encontros que nunca aconteceram. A sua estrelinha está guardada na caixinha esperando você chegar. Não mando pelo correio porque tenho medo de que ela se perca. E ela me dá sempre a esperança de te reencontrar, te abraçar, te beijar, e saber novamente que o mundo é nosso. De novo.

mãe e amiga

Nunca soube quando me dei conta que era bissexual, mas minha atração física desde sempre foi por ambos os gêneros. Já me perguntaram porque me atraem as mulheres, outra pergunta que acho difícil de responder, eu sei o que me atrai, mas porque, não tenho ideia!

Meu primeiro beijo com uma mulher me incomodou, para mim foi tão natural que me incomodou, como assim? O normal é querer homem, será que sou estranha? Uma garota de 15 anos passando por essa reviravolta louca na cabeça! O que fazer? Será que eu sou errada? Já não bastava ser a nerd, a desajeitada nos esportes, a filha de militar, ainda seria a “machona”? Você fica em pânico, quer se esconder… Por muitos anos não assumia minha sexualidade a ninguém, só ficava com homens.

Aí, desabafei com minha mãe, contei para ela, tive medo de sua reação mas ela reagiu como nunca imaginei que reagiria, ela foi a minha companheira! Depois disso, ela se tornou minha maior e melhor amiga. Somos brigonas, mas ela sempre foi meu porto seguro, vejo tantas meninas na mesma situação que eu sofrendo com o preconceito da família. Assumo que sou uma tremenda sortuda, nunca precisei me esconder da minha mãe. Apaixonei por homem, por mulher, conto pra ela, falo e mostro quem é, ela torce por mim.

“Eu amo a minha filha lésbica”

Qual a dificuldade de amar seu filho ou sua filha? Sendo hetero ou homo, não deixa de ser filhx! Minha mãe é moderna, diferente de mães que conhecemos? Sim, mas poderia ser o modelo de mãe que se encontra no cotidiano. Triste saber que amigas minhas sofrem, são expulsas de casa, sofrem coisas piores de familiares intolerantes que não conseguem aceitar e conviver felizes com a diferença.

Ia escrever um post sobre preconceito, mas acho legal falar de como é bom ter esse apoio em casa, uma forma de falar de como a tolerância na família pode fazer bem. Saber que independente de como seja meu dia, independente de como me tratem, cheguei na casa da mamãe, lá eu tenho carinho, apoio, cuidado e um ombro pra desabafar! Sou dessas que acredita que um bom exemplo pode mudar muita coisa, é o exemplo da minha mãe que deixo hoje nessa quinzena da visibilidade lésbica e bissexual.

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Esse texto faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love

Das minhas perdas…

Das minhas perdas, de todas elas, você foi a pior que tive. Meu querido melhor amigo, que admirei tanto e não por ser ou pensar como eu. De todas as perdas, você foi quem mais me fez chorar, não porque te queria aos meus pés, me desejando, mas porque sinto falta de nossas conversas, nossos bons assuntos, mesmo discordando, gostávamos de saber a opinião dx outrx.

Dos meus arrependimentos, não ficar com você não é um deles. Muito pelo contrário! Se já sofreu assim, imagine como seria se nossos desejos saíssem do platônico? Queria conversar hoje contigo, contar novidades do meu dia, rir de coisas bobas, me maravilhar com sua inteligência, uma cultura tão diferente, mas tão brilhante de se conviver!

Sempre achei que amizade estava muito além desse tesão e sentimentos que, por pegadasalguns dias, ficaram em ebulição entre nós. Te amo, talvez muito mais que só um amigo, você é e foi uma pessoa inatingível, com seus compromissos e seu dever patriota, sua cabeça deixava nossos sentimentos confusos. Queria você, acreditei que isso que sentimos mudaria sua cabeça, não sei se teve a mesma esperança.

Desisti de um amor incerto, queria entender que dor foi essa e, mesmo agora, ainda sinto um medo de ter errado. Errado em ter te feito ir embora, errado em ter me aproximado de você, ou até mesmo de ter alimentado nossas esperanças tão vazias. Das minhas perdas, você foi um pedaço meu indo embora para sempre, uma ferida que não vai cicatrizar!

Impotência que sinto por falhar em um amor que nunca foi real, que sempre soube que não daria certo. Das minhas perdas, você foi uma das que não precisava existir, deixei passar todos os momentos que tive para pausar esse amor, que já sabíamos que iria falhar, dar errado.

Desejo que seja feliz, que se sinta completo, pois está seguindo a vida que sempre sonhou, desejo que seu antigo amor consiga ocupar todas as lacunas que você criou graças a ela. Desejo que viva plenamente e feliz! Por último, mas não menos importante, desejo que leia esse texto e saiba que meu amor por você continua aqui, doendo e esburacando o meu coração!

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo…

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante…

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero…

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar…

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