Quatro

O Biscate fez aniversário. Quatro anos. Faz festa em um tempo difícil, resistimos com riso e tesão. Difícil em contexto, são temos sombrios, de moralismo,  backlash, genocídio, políticas públicas autoritárias e desvinculadas das demandas das minorias, repressão. Difícil no grão em grão, muitos biscas escreventes passando por situações complexas, ocupados, atarefados, cansados. E isso aparece nas linhas e entrelinhas. Difícil mas nos esmeramos na busca da gargalhada, da trepada, do desejo pra fazer frente. Pra ir em frente.

Uma vez escrevi, nesse nosso mesmo clube: somos o que fazemos, sabemos. E fazemos o que somos. O Biscate somos todos que o fazemos, que o lemos, divulgamos, comentamos. Somos todos que o escrevemos. O Biscate sou eu, parodiando o Rei Sol. E o Biscate me é. Tento, todo dia, ser mais e mais a biscate que esse clube me inspira a ser: liberdade, aceitação, prazer, entrega. Encontros.

O que eu faço no clube e o clube faz em mim é abrir. Portas, alma, peito, ideias, pernas. Um convite insistente de vida. Um convite insistente de luta. Um convite insistente de gozo. É pouquinho e é imenso, em um mundo onde as mulheres não podem usar a roupa que querem, sair e andar por onde querem, na hora que querem, ainda não podem decidir sobre quando e com quem trepar, se querem ou não ter filhos, um mundo em que nossos corpos são vistoriados, pesados e rotulados, nosso desejo é escamoteado e negado, nossa vida é menos. Menos importante. Menos gente.

Então, o Biscate resiste. Insiste. Faz aniversário, acende o neon, aumenta o decote, coloca o brega na vitrola, pega a taça maior e vai pra pista. Vamos pra pista. E aproveito o embalo pra fazer as declarações de amor. Porque sim. Porque sempre. O Biscate é quem o faz, repito.

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Augusto, um Biscate, meu Biscate, em frestas, picadas, trilhas. Um Biscate que caminha em risco e riso, a beira do abismo como companhia e incentivo. Um Biscate que desvela, que rasga o véu, que escracha. Que gargalha. Que aponta o plural do possível. Amar-te no Biscate é confiança, cumplicidade e conforto. Amar-te é amar em liberdade. Amar-te é amar a liberdade.

Bianca Cardoso, um biscate que chega, que dá, que (se) oferece. Um biscate de  letras precisas e leves. Amar-te no Biscate é um amor a mais, um amor de gratidão e aprendizado.

Fernando, um Biscate em rima. Poesia do corpo. Um biscate escrito em suor, saliva, semen. Um Biscate que vem da rua, meio tonto, meio vinho, meio vida. Esquinas. O avesso do avesso do avesso até ser o que ele mais é: idenfinível. Amar-te é te saber em mim, justinho no canto que deveria estar, como falta. Amar-te no Biscate é aceitação, descoberta, sufixo que faz de mim nova palavra.

Iara Ávila, um Biscate de humor acentuado, olhar crítico mas generoso. Um Biscate pop, antenado, televisivo. Um Biscate de luta e de afetos. Amar-te no Biscate é um amor de encontro, de distância diminuída com afeto, de acolhimento e cumplicidade.

Jeane Melo, um Biscate nordestino, de um nordeste colorido, quente, afetuoso. Um Biscate que é sobrevivência e noites de lua, o morno na pele, a vida afirmada nos encontros. Amar-te no Biscate é como um fetejo de São João, há ritmo, sabor, corpo e promessas de um sempre.

Klaus, um Biscate que é transformação. Que é busca, inquietação e sonho. Uma escrita que se reinventa, uma pessoa que se redescobre, um clube que não se limita. Amar-te no Biscate é deslumbre, abraço, horizonte. Amar-te é processo e belezas.

Lis Lemos, um Biscate que é tesão. A letra mais nua, mais quente, mais sexy. A coragem de escrever entre lençóis, de mergulhar de olhos abertos, de cozinhar em fogo alto. Amar-te é em saudades, em espera, em tempos e suspiros. Amar-te é uma alegria.

Raquel, um Biscate que era antes de ser. Um Biscate de letras intensas, de perguntas, de conversas, de convites. Uma escrita tão pessoal e única que nos recebe a todos, que indica anseios que nem suspeitávamos em nosso peito. Amar-te é reencontro, beira de praia, cerveja gelada, conversa solta, vento levantando as saias. Amar-te é.

Renata Lima, um Biscate em intervalos. Aquele que diz só e justamente o que tem pra dizer. Um Biscate de histórias. De vivências. De certeza que é possível ir sem deixar de estar. Amar-te no Biscate é sentir sua falta toda semana e celebrar cada encontro, cada vez que fomos, que seremos.

Renata Lins, um Biscate em delicadeza. Cada texto, porto, viagem e oceano. A escrita que é lâmina em seda enrolada, como a cantiga. Uma escrita que é, ao mesmo tempo, pra mim, reconhecimento e surpresa. Um Biscate que é afirmação dos caminhos. Amar-te no Biscate foi. Amar-te no Biscate é. E além.

Sara, um Biscate feito de coragem e superações. Um clube que é a cada dia, a cada texto, a cada tempo. O mesmo. Outro. Descobrindo percursos. Descobrindo-se no percurso. Amar-te no Biscate é certeza de futuros. De encontros. De abraços.

Sílvia, um Biscate feito de intensidade.  Os textos sem pele. A escrita e o viver com entrega, com beleza, com fé, com amor. Um clube que está. Como cristal, bate a luz e a beleza quase ofusca. Cores. Matizes. E aquela firmeza de pedra, núcleo, sustentação. Preciosa. Amar-te no Biscate é alento. É respiro. Suspiro e lembrança de que sim, em algum momento, o bom é.

Vanessa, um Biscate que é luta, gozo, transformação, riso, leveza, história. Um Biscate que é gente. A fala da gente. A vida da gente. Um Biscate que é diário. Que é concreto. Que tem cheiro, gosto, que se toca e que se sente. Amar-te no Biscate é espelho. Mais, é casa de espelhos, onde somos muitos, possíveis, outros e mesmos.

O Biscate que eu amo é cada um e é tanto amor que eu nem sei escrever. Que bom o tempo que passamos aqui. Que bom um tempo em que somos, juntos.

PS. O Biscate faz aniversário. Festejamos. Comemoramos. Escrevemos. Convidamos. Vem Biscatear, vem fazer, vem ser Biscate com a gente. Se quiser escrever um post convidado, manda no nosso mail biscatesocialclub@gmail.com

PS2. Que difícil resistir às piadinhas com ficar de quatro.

Biscate: categoria celebração!

#BiscatagiÉCultura #2anosBiscateSC

Então são dois anos de Biscate Social Clube, e como autora não-convidada membro honorária deste dileto clube, voltei a dar as caras para celebrar!

Hoje minha categoria é “Biscatagi É Cultura”. E nessa categoria tem de Gilda a Niara. Passando por Stefhany, Amanda Palmer, Dina TalaatSimone de Beauvoir, Pagu, Maria Medalha, Joan JettJosephine, Madonnaartistas latinas da rua, Lucia, Scarlett O’Haragrafiteiras, Pam Grier, Angélica, Joni Mitchell e Taylor Swift, Yazda Rajab, Chica da Silva, Catherine Millet, Nina Simone, Cora Coralina, Alzira e VioletaMarguerite Yourcenar, Ana Cañas, Tatazão, pretas, escravas e sinhás, Pete Burns, Piaf, Louise Bryant, Gracyanne, Laerte e Vânia Flor, Brigitte Bardot e tantas, tantas outras…

Do clássico ao “brega”, do Cult ao Pop. Biscate-Caminhão, Biscate sofredora.

Biscates reais e biscates ficcionais, com as quais nos identificamos tanto quanto.

Biscateamos em alto estilo com o Clint, Bond, com roqueirossoltamos a franga.

Nesses dois anos, foram dezenas de posts, sobre anônimas e famosas que se enquadram na nossa deliciosa categoria BISCATE. Biscate, essa mulher livre, para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser.

Nem sempre é fácil, e muitas tantas vezes escorregamos, sem querer, em julgamentos feitos com a mesma régua com a qual nos medem e julgam.

Sobre o comprimento da saia, a profundidade do decote, o peso da maquiagem, o salto alto de fuck me…

Não somos perfeitas, não cobramos perfeição. E tentamos ser coerentes, ainda que isso seja difícil e dolorido.

Hoje o post é para todas nós, Biscates.

Luciana e Niara.

Renata e Renata, Sara, Jeane, Charô.

Bete Davis, Silvia, Raquel, Cláudia, Lis.

Toni e Mozzein.

Biscates fixas e convidadas do Brasil e do Mundo, Uni-vos! (sorry, Niara, não resisti!)

Esse post de final de ano é um post-memória-celebração.

Memória é vida, como bem deixa a Renata Lins, no post de ontem, entendido.

Estamos aqui, não estamos sós.

É um prazer e uma honra caminhar junto com vocês nesses dias difíceis, mas torço para que em 2014 estejamos juntas mais e mais vezes!

Amo vocês! ♥

biscas

Ah, essxs lindxs…viva xs convidadxs! (2)

E xs convidadxs que viraram fixxs!

#BiscateConvidadx #2anosBiscateSC

Minha maior alegria nesses dois anos do clubinho é ver gente que estava por aí se reconhecer biscate ao se deparar conosco. Minha segunda maior alegria é transformar essxs que agora se sabem biscates em escreventes convidadxs. E a terceira maior alegria é ver esses escreventes convidadxs se transformarem em biscas escreventes fixxs.

Muitxs não aceitaram a responsa de escrever por aqui a cada quinze ou trinta dias e preferiram mandar seus textos conformem fossem saindo ou respondendo a convites especiais. Alguns aceitaram e estão aí há tanto tempo ou tão organicamente inseridos que parece estarem desde sempre. Tem a Renata Lins, que começou fazendo um lindo obituário do Wando quando de sua morte, em fevereiro de 2012, e nunca mais parou, pegou o touro pelo chifre e teve tanta-tanta-tanta gente que se reconheceu biscate através dela que não há mais como dissociá-la de nós. *\o/*

A Charô Lastra chegou para apresentar a lindeza e biscatice de Josephine Baker, numa quinta cultural antes mesmo de completarmos um mês de vida, e ficou escrevente fixa, depois aleatória, de novo fixa e aleatória novamente, e sua presença é tão linda e iluminada que sua cadeira na Academia Biscate está garantida pra sempre, e torcemos fervorosamente para que ela a ocupe pelo menos de vez em quando para matar nossa saudade. ♥

A Jeane Melo chegou até nós como escrevente convidada em junho de 2012, com essa carroça já andando, com seu texto facinho e cheio de poesia, dúvidas e ousadia. E não é que ela se acomodou direitinho junto com as demais abóboras e virou escrevente fixa? Ah, ela chegou toda apaixonada, ainda em dúvida se amor combinava com a biscatagi, mas já desaforada. 😉

O Toni Miotto já é macaco velho na biscatice, nos acompanha e se reconhece biscate desde o primeiro dia, mas chegou oficialmente ao blog com seu registro fotográfico da Marcha das Vadias São Paulo de 2013. E gostou tanto de ver suas fotinhas aqui que foi oferecendo generosamente outros registros, com seu olhar e sensibilidade ímpar com a dor e o sofrimento humanos, até que o convidamos para fazer isso sempre. E ele ficou. Ê!!!

Esse post era para falar dxs Biscates Convidadxs, mas achei que tinha de fazer esse registro. Primeiro para dizer… Tu aí que colabora de vez em quando nesse clubinho, e gosta muito: estamos vendo tudo e querendo mais — sempre queremos mais — e qualquer dia pode pintar um convite mais formal… Então… Talvez seja o caso de nem esperar o convite… Se oferece logo, vai?! 😛

Ano passado, no aniversário de um ano, fiz um post parecidinho com esse, cheio de depoimentos lindos — que depois viraram banners mais lindos ainda lá no facebook –. Então, seguem aí outros depoimentos tão lindos quanto aqueles, que mais tarde virarão banners.

cris charãoCris Charão“Quando me olhei neste espelho, me vi. Hoje, falo assim, de boca cheia, escancarada, lambuzada: sou biscate. E ando em ótima companhia. Longa vida à biscatagem!”

andréaAndréa Moraes“Quando eu era pequena minha avó morava comigo. Eu aprendi a ser biscate com a minha avó. Quando eu ficava decepcionada com alguma coisa, ela sempre dizia: Não fique triste assim! Você tem muita sorte. Pra minha vó era assim: eu tinha sorte e o mundo era melhor por isso. Tinha sorte porque podia estudar, tinha sorte porque não era obrigada a casar, tinha sorte porque podia escolher com quem namorar e que roupa usar. E foi assim que eu aprendi que era a vida. Depois vovó morreu, eu cresci, vi que as coisas não eram assim tão simples. A minha sorte não era um prêmio, a minha sorte dependia de tantas lutas e histórias que vieram antes de mim e mais do que isso, a minha sorte depende da crença de que não só eu, mas todas as mulheres merecem sorte. Que a boa fortuna venha pra todas e que esse mundo possa ser mais biscate.”

marianaMariana Rodrigues“Dois anos de biscatice livre e prazeirosa e também dois anos de biscatice engajada e comprometida! Muito bom ser a Biscate Sapatão (ou seria a Sapatão Biscate?) para participar e acompanhar de perto toda essa produção sobre os temas da nossa vida: saúde, amor, trabalho, visibilidade, autonomia, sapatonices, filhos, perdas, saudades, politica… Enfim, dois anos deliciosos com toda a nossa história contada, produzida, relatada, inventada e compartilhada por nós, Biscates para Biscates do mundo! Que venham todos os (muitos) outros anos cheios de biscatice autônoma, livre e engajada!”

bárbara guimarãesBárbara Guimarães“Lembro quando o Biscate foi criado. E eu impliquei, é claro. Se não implicasse não seria eu. ‘Ah, mas biscate tem uma conotação negativa irremediável!’ Eu estava errada. Que bom. Hoje vejo o Biscate como um espaço fundamental. Nosso. De todo e qualquer um que tenha o que dizer para ajudar nesse longo processo de compreender e abraçar o feminino – o que inclui lutar contra as coisas que o sufocam ou oprimem. Parabéns, biscates corajosas!!!”

eversonEverson Fernandes — “Foi conhecendo o Biscate Social Clube, as biscas e os biscas, que eu aprendi a me desconstruir. Aos poucos, todos os dias. Essa biscatagem eximida da culpa de outrora. De gente que se oferece, que deseja, que beija e se deixa desejar. De gente viva, gente delícia. Gente biscate.”

E a biscaiada se agita e responde rapidinho aos apelos… Mais! Mais! Assim…

clara (2)Clara Gurgel
Biscate. Bi. Pan. Pa pum!
Bis…coito. Molha. Com um, com oito.
Bisca, pisca, trisca, pode, fode.
Bisca mor. Morde, assopra, de prima, de salto,
de quatro, no ato.
Biscate. Capte-me mas não adapte-me. Camaleôo.
Bisca…radamente desavergonhada, assume, assanha a sanha.
Bisca, zen, sem, com, dentro, fora, tudo ao mesmo tempo agora.
Bis…cato. De cá. De lá. De lado. De novo.
Biscate. Aranha que arranha a jarra, a vara, a cara.
Bisca…anátema, santa, profana, profícua.
Bisca, busca, lusca-fusca, ofusca
Bis…cate! Cate mas não mastigue. Engula, a gula
Peça bis… Biscate!

cl_romanoClaudio Luiz — “Quando conheci Luciana – Niara – Renata e passei a ler o Biscate fiz um up grade nos meus pontos de vista sobre a luta feminina, sobre pessoas, sobre liberdade de escolhas, sobre sexo. Depois, quando a Luciana me convidou a escolher algumas imagens que entrariam nas postagem de domingo, mais um ponto acima. O que seria interessante para elas? Quais imagens estariam mais de acordo com o site? Não acho mais que uma imagem diga mais que mil palavras, mas tenho claro que eles podem dizer muito (independe do número de palavras para traduzi-las. Sou mais de imagem do que de letras). E treinar o olhar, tentar ver todas as nuances expostas na imagem é um exercício para ser menos preconceituoso e consequentemente, mais atento a pessoas.”

deborah sá

Deborah Sá
“Jardim de delícias
Toda malícia
Biscate
Social
Clube
Colore tons de lume
Tão logo assume
A incandescência
De toda concupiscência”

Foi Biscate Convidadx e seu depoimento não está aqui? Ainda dá tempo. 😉

já que estamos rememorando... esse foi o banner do primeiro aniversário biscate :)

já que estamos rememorando… esse foi o banner do primeiro aniversário biscate :)

A misteriosa tabela entre a caixa de retalhos, a bola e a descoberta da liberdade

Por Fernando Amaral*, Biscate Convidado
#BiscateandoEntreAsQuatroLinhas #BiscateFC #2anosBiscateSC

Quase que o apito, final. O ano. Abro jornal, correio, caixa de email. Caixa de costura… Gosto de ler sobre futebol. Zilhares de metáforas, que bem cabem em tudo. Das analogias, com a vida, com a guerra, com o amor… O meia que costura. A meia costurada, cerzida. Urdiduras…

coração bola

“A menina cresceu, mas ainda hoje, como todo atleticano, quando ouve um estouro de foguete, grita: GALOOOO!!!! “. Em maio de 2012, nos primórdios do blog, fomos convidados a escrever sobre nosso time do coração. E eu encerrei meu texto, Paixão em Preto-e-Branco, com essa frase. E outro dia, no Facebook, uma amiga, de São Paulo, que mora em BH, falava sobre a estranha mania dos belorizontinos de gritar GALO, do nada, em coro. Só que não é “do nada”, especialmente nesse final de ano: 2013, TREZE, é GALO, é CAMPEÃO DA LIBERTADORES, campeão das AMÉRICAS… e o final do parágrafo acabou no Raja, um time africano desconhecido para nós, que só olhamos para nossos próprios umbigos, um time africano que derrotou o Atlético e cujos jogadores disputaram um sorriso do Ronaldinho Gaúcho, reconhecendo o talento mundial. Pena que nós subestimamos o talento deles, todos, e não mostramos futebol nenhum. De toda forma, ainda assim, 2013 foi o ano do Galo, vencendo o título inédito e nos fazendo cada dia mais ter orgulho de torcer para o Clube Atlético Mineiro.”

Fui lá. Fui tentar entender, buscar, compreender, desenhar, rascunhar, chorar e mais um monte de verbo tudo junto misturar. Nesses dois anos foi sempre assim. Um texto ali e outro ali, estórias e histórias, por mais que saiba que as regras da gramática, do vernáculo, da boa escrita, teimam em afirmar que as primeiras não existam mais. Mas regras… quem acostumou a menstruar sabe bem que nem sempre…

“Ser tricolor vai além de ser um resultado prático de animação por cheer leaders eletrônicas ou por ufanismos bestas, não é um sintoma de arrogância clubística cortejada pelas redes nacionais de mídia, menos ainda é cortejar felicidades iludidas aliando-as ao abandono quando navegamos pelos vales da sombra da morte. É mais do orgulho histórico de sermos ela, a História, com seus erros e acertos, com suas dúvidas, lambadas e rebaixamentos, com a lama nos sapatos, na alma, na camisa. É mais do que nos ater a Dons Sebastiões rotos e esfarrapados como ex-deputados sujos de charuto e de manobras. É mais do que portar o estandarte de uma glória inexistente, de museu mesmo, e arrotar uma grandiosidade ao mesmo tempo que abandona as parcas cores por que o amor de sua vida não repete o que Anjos de Pernas tortas fizeram em passado longínquo. Ser tricolor é, antes de tudo, Ser. Ser tricolor é cantar, com Candeia, que “de qualquer maneira meu amor eu canto, de qualquer maneira meu encanto eu vou cantar!”

Mas que textos! Já chorei, ri, compartilhei, amei e até odiei. E sou outra agora. Depois de dois anos, aquela que achava que certas cousas eram importantes, mas não fundamentais, mudou de lado, de escrete, de time. Já me chamaram até de feminazi, numa idiotia de quem não quer entender para além do próprio umbigo. E da própria impressão que faz de si mesmo. Para nosso espelho quase sempre somos lindas, lindos, perfeitos, engajados até. Aprendi, firme, que não: fundamental. A velha anotação: o time joga, perde uma, perde outra, ganha uma, ganha outra, mas é, também, o campeonato que disputa.

Mais de ano e meio depois deste texto aqui, o que ali estava desenhado se concretizou: a despeito de um título de Copa do Brasil sofrido e até heroico, fizemos uma péssima campanha no Brasileirão e caímos à B. Subimos, é verdade, e em 2014, ano do centenário, estaremos de volta à elite. Muito provavelmente para ser um ano centernada e com sérios riscos de disputarmos o Tri da Série B em 2015. Mas, isso pouco importa. Na alegria e na tristeza; na saúde e na doença; na moderna Arena de nome alemão ou nos maltratados campos estado e país afora; continuaremos sofrida mas apaixonadamente cantando:  “Palmeiras minha vida é você….””.

Da primeira vez que me chamaram “biscate”, doeu. Opa, se doeu! Porque ali naquela palavrinha havia um adjetivo. Uma consideração, uma opinião, um rótulo, um pré: conceito. É difícil, muito, mesmo, sempre, sentir esta labareda que sobe o ventre, molha o sexo, explode no coração, muda a entonação do cérebro. Hoje sei, “biscate” é substantiv(a). Mais que palavra que só acompanha. Mais que palavras… Mais do que os jogos, bem mais que os jogos.

“Em 2012, quando tivemos o especial de futebol no Biscate, o Atlético Paranaense, meu Furacão, amargava a segunda divisão no Brasileiro. Hoje não só estamos na primeira divisão como conquistamos uma vaga na Libertadores. Fizemos uma final inédita contra o Flamengo na Copa do Brasil (parabéns pelo teu rubro-negro Luciana!) e temos, no elenco do time, o artilheiro do Brasileirão 2013. Ser torcedor do CAP – Clube Atlético Paranaense – é viver com o coração na mão, entre altos e baixos, mas nunca, jamais, despir a camisa rubro negra que, como diz o hino do time ‘só se veste por amor’.”

Fui aqui escolhida, e confesso lisonjas, bela, nua, inteira, para escrever nestas festas de dois anos deste blogue linda. Fêmea. Plural. Legal, de bom e não de de direita – feminino de direito ou definição ideológica do palco da revolução. E resolvi que neste texto seria ela, que acaba por muitas vezes e muitas vezes tentar compreender o que se passa por uma cabeça feminina.

“Em maio de 2012 o Brasil de Pelotas estava na segundona do Gauchão e tinha ganho na justiça o direito de disputar a série C do Brasileirão. Depois disso foi rebaixado para a série D pelo STJD, entrou na justiça comum contra a CBF e a FGF, e se segurou enquanto pode enfrentando a cartolagem do futebol. Mas sabe comé… índio pequeno – mesmo guerreiro – num mar de tubarão… virou isca pra peixe. 2012 encerrou sem títulos, como sempre; mas com promessas e o crédito da torcida, como sempre. Finalmente, em 2013 voltamos à elite do Gauchão. Brasileirão? Sei lá… Andando pro Brasileirão. 2014 teremos de novo o maior clássico do universo futebolístico: o BRApel, e… “nós esse ano vamos vencer, salve o Brasil, o campeão do bem-querer”! Eu acredito.”

coração costurado

Aprendi muito das mumunhas nesses dois anos: a simples “conferida” pode encerrar um conteúdo político, sexista, machista, feio. E eu, que sempre gostei de olhar, admirar, paquerar, brincar, começo a pensar que seria muito linda a noite depois da revolução. Onde estas questões se resolveriam sem medos, receios, tolices, mas sem opressão, caralho de qualquer tamanho, tamanho qualquer de quadril. O jogo, a bola, a jogada arquitetada – ou intuição, talento, faro, tino.

“Entre maio de 2012 e dezembro de 2013, algo não mudou no Grêmio: a “seca”. Não ganhou absolutamente nada. Sequer um turno do estadual. Nem mesmo o grupo da Libertadores de 2013: ficou em segundo lugar, atrás do Fluminense. Mas nesse tempo aconteceram importantes mudanças. Paulo Odone felizmente deixou a presidência, para o retorno de Fábio Koff. Também houve a inauguração da Arena, em dezembro de 2012. Um belíssimo estádio, sem dúvidas, que oferece muito mais conforto que o Olímpico. Mas lá falta algo: alma. Parece um lugar mais voltado ao consumidor do que ao torcedor. Onde um cachorro-quente bem fuleco (eis um bom uso para o nome do mascote da Copa: como palavrão) custa os olhos da cara. Onde a norma é assistir ao jogo sentado em uma confortável cadeira… Como se estivesse em casa. Mas se é para assistir “como se estivesse em casa”, por que ir ao estádio? Minha última partida no estádio foi em abril: Grêmio 0 x 0 Fluminense, pela Libertadores. Nunca passei tanto tempo sem ir a um jogo do meu time. Talvez volte em 2014, já que tem Libertadores de novo (e num grupo difícil pra caramba). Dizem que o estádio é nossa segunda casa, mas a verdade é que agora me sinto mais em casa assistindo no buteco, junto com aqueles que não podem pagar caro por um ingresso.”

Estou aqui a cerzir. Costurar cousas neste canto de sala que tem meu computador, alguns livros, dicionários. Cerzir, fantasiar sobre tecidos puídos. Costurar, que as etiquetas todas dão como tarefa de menina porque “banal”. Enquanto que o alfaiate faz o chique, o soberbo, o diferente. Tão simples de entender as razões desses significados, destas dicotomias… mas que demora tanto quando a gente simplesmente não quer tentar entender. O passe está lá, a redonda também… o que nos impede de jogar o fino?

“Há dois anos escrevi sobre o Vasco. Ainda assinei com meu pseudônimo, Letícia Fernández, e me empolguei falando do orgulho de ser vascaína. Falei dos cem anos de história do meu time. E é exatamente essa história que vem sendo apagada hoje. Preciso explicar? Todo mundo viu a barbárie do último domingo do campeonato. Meu time do coração caiu para a segunda divisão, e isso não é nada perto do que aconteceu. O Vasco não caiu de pé; pelo contrário, caiu em meio a muita violência e vergonha. Continuo vascaína, porque torcer por um time é um amor que não se explica, mas, agora, não carrego a cruz de malta com nenhum orgulho. Minha torcida, agora, não é por gols, mas sim por decência no clube do meu coração.”

E quando me convidaram para escrever, que beleza, resolvi que seria Alfaiata. Minhas fazendas e vestidos nesta festa de comemoração: falar de futebol! Alfaita, treinadora, professora, lutadora. Tática, métrica, ponto, linha, agulha, ponta de lança, artilheira, zagueira, goleira, comentarista, corneteira… biscate.

“Transição. A palavra serve para definir o que foi o Santos de 2013. Com um presidente que já vinha se afastando por problemas de saúde e agora definitivamente licenciado, além de um técnico cansado e cansativo saindo do clube, o torcedor teve que ver seu maior craque pós-Era Pelé ir embora justamente para o clube catalão de tão amarga lembrança. Foi a saída do gênio ainda garoto que determinou a queda de Muricy, a quem o santista tem gratidão pela Libertadores de 2011, mas pelo qual nunca teve reverência, por conta de seu DNA nada ofensivo. E o samba de uma nota só caracterizado pelo refrão “bola no Neymar que ele decide” deixou de existir, dando lugar a um time comandado por um maestro ainda inexperiente, Claudinei Oliveira, que talvez tenha grande futuro à frente de outras orquestras. Fez o papel que lhe cabia, e era o que se podia fazer, lançou jovens e recuperou jogadores experientes, como Montillo. Deixou um legado (palavra da moda) e o torcedor alvinegro pode ver um Santos mais afinado com alguns reforços em 2014.”

Futebol que se define macho. E por isso, bestializam – no sentido de feras animalescas e não no bestial de estupendo, fenomenal, maravilhosa. Naquilo que podemos fazer, o melhor que faríamos, era desmachar o ludopédio. Porque a bola, é fêmea. A meta, mulher. A torcida, a peleja, a vida, a paixão, a desmedida. Olha que linda a partida, olha que maravilha, que bestial. Plural, porque coletivo. Singular, porque comum de gêneros.

Não pense que estou dizendo isso pela proximidade do “ano novo”, estou dizendo essa frase desde junho, aliás desde junho eu gostaria que o ano acabasse… Sem casa e sem comando, o meu AMOR se perdeu, tropicou, quase caiu /o\ Briguei, xinguei, chorei..agora passado o susto , quero que venha 2014 e que o velho-novo GIGANTE seja o palco da nossa reconciliação. Te amo INTER, meu CAMPEÃO DE TUDO, e sei que o GIGANTE me espera para começar a festa!!!!”

E mais, não me cabe só falar – escrever – sapatear – brincar – sobre o futebol. Outra das missões era costurar um conjunto de parágrafos e linhas descritos sobre nossos times, nossos casos de amor, nossas camisas. A minha são-paulina e as outras. Biscates que somos! E não é porque este campeonato brasileiro acabou que a linha deixou de ter sentido. O novelo todo, segue lá, necessário. Alias, já houve um “biscateando nas quatro linhas”, uma série de paixões moventes que encantou o blogue no ano passado e que inspirou este brigadeiro.

Em 2012 eu escrevi que eu torço Flamengo pra sentir tudo mais vivo e feliz em mim. Há uma magia em saber-se Flamengo. Digo sempre que cada clube tem seu estilo. Entra e sai jogador, passa o tempo, o time muda, mas há alguma coisa, intangível e específica, que permanece. No meu Mengo é a vocação para a leveza. Meu time me faz feliz quando joga assim: leve, alegre, com vontade de vencer, sem medo de perder. E foi assim que o Flamengo venceu a Copa do Brasil de 2013, com essa ousadia, essa vontade de um pouco mais. Foi o primeiro campeão do “novo” Maracanã – e por mais que se conteste a forma e o processo dessa transformação, é ainda belo que o time que tem o Maraca como casa inscreva na História seu nome de campeão. Torcer Flamengo. Amar o Flamengo. É quem sou. A alegria rubro-negra, pra mim, só equivale à alegria do grande amor. Aquele que tira o fôlego, o eixo, o norte, os pés do chão. Aquele amor de sempre ou o amor de agora. O amor de pra sempre, o amor de uma rapidinha no banheiro do bar. O amor dos que se conhecem sem falar e os que não param de falar pra tentar chegar mais perto. O amor dos iguais, o amor dos dessemelhantes. O amor de alma, o amor de corpo. A alegria rubro-negra equivale à alegria do amor que é gozo. A alegria rubro-negra é a do amor biscate. é de dançar na rua e do coração sambar no peito. Eu sigo alegre.”.

Vamos lá, cerzir pedaços. Construção. Jogada. Defesa, meio campo, ataque. Tática, estrutura, resultado, método. Aqui a agulha, a caneta, o teclado, a chuteira, o boteco. Parabéns para todas nós. Biscateando, sambando, vivendo: “Gooooooooooool”.

biscateando entre as quatro linhas

Os textos foram costurados e são: Da Renata Lima, o do Galo. Do Gílson, o do Fluminense. Do Daniel Nascimento, o do Palmeiras. Da Cris, do Furacão. Da Niara, do Brasil. Do Rodrigo, o do Grêmio. Da Nádia, do Vasco. Do Glauco, o do Santos. Da Suzana, o do Colorado. Da Luciana, do Mengo. E eu, que são-paulino.

fernando_amaral *Fernando Amaral é um advogado paulista de rara sensibilidade. Se define como alguém que gosta de ler e escrever e é pai de dois caras supimpas. Torcedor do São Paulo, gosta de papo, chope, torresmo, listas, cinema, Chico Buarque, Deep Purple, Jamelão, Charlie Parker e mais um tantão de coisa. Conheça seu blog e o acompanhe no tuíter @Quodores.

Dos encontros biscate

#EncontrosBiscate #2anosBiscateSC

Luciana, Cláudia e Renata Lima

Luciana, Cláudia e Renata Lima

Dos encontros biscate. Porque nosso clube é feito de encontros. Encontros que se fizeram pelas redes virtuais, unindo pessoas com os mesmos ideais feministas e militantes da liberdade, da diversidade sexual, da vida aberta para as diferentes formas de ter, e viver, com prazer. Com vontade. Com peito estufado para se comprar brigas em prol da biscatagi, e do respeito a qualquer forma de se gozar a sexualidade.

Cláudia, Lis, Luciana e Augusto

Cláudia, Lis, Luciana e Augusto

Raquel e Luciana

Raquel e Luciana

Luciana e Renata Lins

Luciana e Renata Lins

E assim nos encontramos. Demos as mãos para formar esse clube que já tem dois anos, e não para de crescer em amor. Fomos caminhando pelo Brasil, enlaçando as almas-biscate. Do Maranhão ao Rio de Janeiro, passando pela Nordeste da Paraíba e Ceará, chegando ao Espírito Santo, Minas, Brasília, São Paulo. Até irmos parar no além-mar, para onde nossa bisca-borboleta-graúna voou recentemente.

Lis e Cláudia

Lis e Cláudia

Luciana e Niara

Luciana e Niara

Augusto e Silvia

Augusto e Silvia

Renata Lima e Luciana

Renata Lima e Luciana

E como a gente tem corpo e gosta de se pegar (ops) encontrar ao vivo e a cores, a gente faz acontecer encontros reais, presentes, de abraços, beijos, bebidas, comemorações, risadas e alegrias bem biscates, sentadxs na mesa do bar, em parques e piqueniques, na praia, nas praças, na rua e juntinhxs em casa, compartilhando madrugadas, comidas, indagações sobre a vida e amor farto espalhado no ar. A gente gosta de se apertar, amassar, beliscar, morder e….o que mais vier da gente junto.

Augusto, Lis e Luciana

Augusto, Lis e Luciana

Niara e Luciana

Niara e Luciana

Iara Ávila, Augusto, Silvia e Babi

Iara Ávila, Augusto, Silvia e Babi

Cláudia, Luciana e Augusto

Cláudia, Luciana e Augusto

Porque a gente tem saudade do rabo um do outro. Fizemos até tour pelo Brasil: tour Biscate saudade do seu rabo.  Porque somos desses. E a nossa próxima parada será no Rio de Janeiro, em fevereiro, nos aguardem e venham conosco nessa caravana biscate de mais e mais gente e mais e mais tesão de vida!

Raquel em Brasília pelas lentes de Silvia

Raquel em Brasília pelas lentes de Silvia

Silvia, Augusto, Iara Ávila

Silvia, Augusto, Iara Ávila

Silvia e Raquel

Silvia e Raquel

Nosso Livro de Receitas

#ReceitaBiscate #2anosBiscateSC

Dois anos de BiscateSC, dois anos escorregando entre modelos, desviando de padrões, escapando de ideias preconcebidas. Biscate não gosta de receitas, certo? Mais ou menos. Aquelas que se sabem mais indicações que roteiros imutáveis, essas nós até curtimos. E a gente aproveita daqui pra lembrar: “no nosso clube, diariamente re-afirmamos que a vida vem sem bula. Que o como viver é sem receita, modelo ou prescrição. Sem guia. O como é a medida da individualidade. Mas também re-afirmamos que o como não é um dado natural, estático, imutável, mas um processo a ser construído, diariamente, em interação. O como vai se fazendo na medida em que somos capazes de assumir e nos responsabilizarmos por nossas escolhas e, assim, nos aproximarmos de sermos capazes reconhecer e respeitar o direito do outro escolher e se responsabilizar por suas escolhas. Neste movimento, acreditamos, nos tornamos um tantinho mais livres de avaliações e julgamentos das nossas escolhas e das escolhas alheias. É por isso que aqui brincamos de contradição. Porque se há pouca coisa menos biscate que modelos, fôrmas, padrões, é muito biscate subverter as receitas e torná-las caminhos pra um viver assim, menos dolorido.”

Já no primeiro post da categoria (É Pra Comer), nós indicávamos: “Biscatear é ação, movimento, estilo. Não tem receita. Mas se não tem receita de mulher, nem receita de biscate, tem Receita Biscate. Uma Receita Biscate é aquela que é facinha, flexível, gostosa, fica bem em quase toda hora e lugar…né?” Com essa sinalização, as gostosuras se sucederam: tivemos posts docinhos, posts com sotaque lusitano, tivemos o pão da ira e canjinha das mais (bem ou mal) intencionadas e visitas que moram nos states mas que passam receitas bem brasileiras, que nem coxinha e pão de queijo. E, claro, não podiam faltar, as comidinhas para Depois do Sexo. Talvez a mais biscate das receitas esteve presente no primeiro (e delicioso) encontro da gerência do Clube, no interior nordestino, a famosa, saborosa, indecorosa (rufem os tambores): Galinha Beuba!

Fazendo a ligação entre os temais mais culinários e as demais receitas, temos a curiosa combinação: receita de bolo, pau e reflexões biscates. E, como bem avisamos, tivemos umas receitas pra alimentar outras fomes: seja de vingança (Na Temperatura Certa), de conhecimento (Manteiga, Gel ou Vaselina? Vontade!), de som e diversão (Quem Não Curte Um Brega), de poesia (Encontro Domingueiro). As receitas biscates não se furtaram aos temas sérios e a bisca Niara escreveu nossa Receita Contra a Violência, convidamos a Hailey pra trazer sua Receita de Aceitação e o Everson pra partilhar conosco o Guia Biscate Para Homens: Como Andar na Rua.

E não esquecemos os grandes temas que motivam os humanos: das coisas mais mundanas (Boa de Cama, Masturbação e Orgasmos) até temas como envelhecimento (Para Não Envelhecer: Morra!), morte (Sobre Morrer Amanhã) e amor (Uma Receita Para o Amor).

E na comemoração de aniversário, não podíamos deixar de mencionar a campeã de todas as receitas, a imperdível, a mais divertida, a sensacional: Você Escolheu Errado o Seu Super-Herói.

E você, tem uma receita preferida? Quer partilhar com a gente? Aproveita que ainda vamos ficar em festa até o fim do ano (ou da vida, mais provavelmente). Ah, tem presente pros leitores biscates… clica na imagem e descobre como ganhar um livro:

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Dois anos de mudanças

Time may change me
But I can’t trace time

Falar sobre como o Biscate Social Club fez a minha vida passar por mudanças é meio difícil. Eu passei a enxergar o mundo de forma diferente desde o momento em que comecei a escrever para o Biscate e o mundo começou a me enxergar diferente. Acho que passei a me preocupar menos com o julgamento das pessoas com o que faço de minha vida. Fiquei mais livre, assumo meus gostos, minhas atitudes, minha vida sexual, meus sentimentos. Parei de ter medo de me mostrar nas redes sociais. Sempre me preocupei em não causar incomodo entre minha mãe e meus familiares, mesmo sabendo que para ela não fazia diferença o que qualquer umx falasse, ficava mais quieta, não retrucava comentários preconceituosos, misóginos, homofóbicos de certas pessoas da família.

Hoje em dia, apostei na postura de me afirmar! Ser sincera, tentar ao máximo não ser artificial. Não preciso afirmar coisas que não são realidade. Fiz isso quando assumi que amava funk aqui no Blog. Foi uma forma de me soltar das amarras de “mulher acadêmica e elitista” que me colocaram sem a minha escolha.

Também fiz isso quando comecei a falar sobre minha vida sexual mais abertamente. Fiz isso pela primeira vez no especial #erotismoemnos, quando falei da minha vida sexual com meu ex. E não foi o único, fiz um sobre minha ligação com o meu atual namorado, Wesley, como o sexo nos traz confiança e companheirismo. Também foi por aqui que me dei o direito de falar sobre liberdade para fazer sexo como quiser e desejar.

Também foi aqui que me senti a vontade de falar sobre problemas no trabalho, assédio sexual, sobre uma amiga que sofreu assédio moral. Meus desabafos aqui sempre foram comuns, assim como também gosto de usar o blog para falar de minhas felicidades dentro e fora do trabalho. Eu comecei a me libertar, a falar da minha vida com mais tranquilidade.

E meus desabafos não foram só sobre trabalho e estudos, também desabafei sobre minha vida amorosa, pois já amei várias pessoas, já amei intensa e platonicamente, já tive um amor inacabado. Falar sobre minha vida faz parte agora da minha militância. Aprendi que ser Biscate é falar o que quiser e sentir, doa a quem doer.imagesForam apenas dois anos, mas consegui amadurecer por décadas, acreditar que sendo eu mesma eu seria muito melhor do que me escondendo em papéis criados para agradar outras pessoas!

#2anosBiscateSC

Nossa Alma Biscate

#AlmaBiscate #2anosBiscateSC

O primeiro post que escrevi para este blog, praticamente o primeiro post do blog, já falava da minha alma biscate. De lá pra cá, pouco mais fiz do que repetir as ideias primeiras: liberdade, aceitação, entrega, prazer. E pus, no clube e na repetição, minha alma. É até engraçado ver minha insistência para que o clube andasse, dos seis primeiros posts do blog, quatro escrevi sozinha e um em parceria. E são, acho, dos meus preferidos. A água mole em pedra não tão dura, os convites descarados e a pareceria amorosa de outra alma biscate me permitiram encontrar, repetidas e belas, as primeiras ideias em tantos outras letras, em posts outros. O bom do club é, também isso, os encontros, a festa no peito de saber a biscatagi no mundo. Em dezembro de 2012, desnudamos nossas almas biscates. Foram lindos textos, indo de quem reconhece a ousadia como passo primeiro a quem afirma a dor e a delícia da liberdade. Ter a alma biscate, digo eu, é buscar o bom. É reconhecer erros, perdas, dores, mas insistir no que pode ser coração morno. Gostoso. Ter a alma biscate, acho eu, é saber seguir. É abrir as pernas, os poros, o peito pro que vem. É saber chorar. É se permitir gargalhar. É encontrar o amor e saber que ele não cabe nas definições. È maior. E menor, cabe certinho no quase nada de espaço que fica entre eu e o outro em um abraço. Ter a alma biscate é sair das dicotomias, é esquivar-se dos arranjos prontos, das frases feitas, das verdades absolutas. Ter a alma biscate é ficar no entre. Ter a alma biscate é saber-se no outro. Por isso, hoje, em festa e no meu post, chamo pra dizer comigo um biscate querido. Maycon, esse lindo que de vez em quando passeia no clubinho. Pode parecer, à primeira vista, um tema estranho pra quem tem a alma em festa. Mas eu insisto no convite, porque ter a alma biscate, acho eu, é ter coragens.

Por Maycon Benedito, Biscate Convidado

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Meu pai morreu. faz dez anos. pausa. respira. faz dez anos. uma década.2003. último ano do ensino médio. Morreu dia 15 de dezembro, mas é hoje que to pensando nisso. Ele tinha só 46 anos. Cinco dias antes do meu aniversário. Dez antes do Natal. Dezesseis dias antes do ano novo. E por isso não gosto nem do meu aniversário, nem de natal, nem do ano novo. Ainda que eu tenha aprendido a dar conta. Com ajuda, é claro.

Acompanhei meu pai no seu adoecimento, vi a vida diminuindo, ficando mais fraca nele. Ele chegou a ficar tão mal que eu conseguia pegá-lo no colo, levá-lo ao banheiro, seja pra tomar banho, pra mijar, etc. revezei com minha mãe , minha irmã e minha vó (materna) no hospital pra cuidar dele. Quando ele estava já muito mal não podíamos dormir direito porque de tempos em tempo ele vomitava um líquido meio escuro, que tinha um pouco de cheiro de sangue e que podia sufocá-lo. Tínhamos sempre que estar atentos. é claro que o peso maior dos cuidados ficou pra minha mãe que sempre foi muito firme e forte. virginiana. eu era um adolescente e, é claro, ainda que com o pai doente queria fazer outras coisas.

Sinto falta dele todos os dias. ás vezes mais, ás vezes menos. tem dias que andando pela rua começo a chorar. tenho que parar, sentar e chorar. ás vezes acordo chorando, ás vezes durmo chorando. não é sempre, mas acontece.

Lembro dele cantando, tocando cavaquinho, rindo, alegre. Lembro dele chorando quando brigava com a minha mãe e lembro bem de que ele dizia “buiu, não importa o que aconteceu, você tem que ficar do lado da sua mãe”. Adorava quando ele me chamava de buiu, era tão amoroso, tão alegre quando ele me olhava e falava “buiu”. E eu me sentia tão amado. Só mais velho foi descobri que buiu é um jeito carinhoso de chamar os meninos que moram na favela ou no morro. ao menos era assim antigamente.

Meu pai era do morro, criado no morro. preto. lindo. um leonino vaidoso. charmoso. engraçado. Lembro de subir o morro com ele sentado na cacunda dele. Quando a gente tava chegando perto do morro da subida do morro ele dizia “vem, buiu, vem na cacunda do pai”. E a gente subia o morro. Ele cantando, alegre, rindo. dando “oi” pra todos. E olha que ele foi motivo de chacota no morro depois que nasci. Meu pai era preto, minha mãe branco e eu como mestiço nasci mais claro que ele e ainda com os olhos claros. E é claro que o povo comentava que eu não deveria ser filho dele já que, né, um casamento interracial nem incomodava as pessoas no país dos somos racistas. Pelo o que sei meu pai nem ligou. Ele era leonino.

Lembro do meu pai triste em poucos momentos. Em geral quando brigava com a minha mãe ou quando lembrava dos pais que morreram muito cedo. antes de eu nascer. Lembro que ele sentava no sofá, colocava Altemar Dutra e chorava. De saudade. E eu ficava ali, sentado no chão da sala brincando com meus carrinhos de fricção – coisa que nem sei se existe mais hoje – acompanhando aquele momento dele. Aquela dor. Com profundo respeito. Ás vezes chegava perto, fazia um carinho nele, enxugava as lágrimas e voltava a brincar ali do lado dele. Ele nunca me disse nada, nunca me falou que era pelos pais que chorava, mas eu sabia. Foi com ele, nesses momentos,que aprendi que a música é uma grande companhia para as dores da gente e hoje faço o mesmo quando estou mal. Curo minhas dores de cotovelo – e outras dores – ouvindo música. Ele também dançava muito bem, ensinou minha irmã e eu a dançar desde pequenos. Ainda que eu não tenha aprendido a dançar tão bem como ele. Foi dançando que ele ensinou pra mim o que era amor. Lembro dele dançando com minha mãe. E achava aquilo a coisa mais linda do mundo. Ficava parado, quieto, vendo os dois dançar. E me dava uma alegria. E amar pra mim tem um pouco daquilo. Deles rodando. Ele indicando com o corpo pra onde ela deveria ir, ela indicando com o corpo pra onde ia e ambos acompanhando um ao outro e sorrindo de cumplicidade e alegria. olha, se aquilo não é amor nada mais é. Nunca mais vi minha mãe alegre daquele jeito. E entendo. Me dói, mas entendo.

Minha mãe e eu fomos juntos fazer a exumação do meu pai, mas fui eu quem foi acompanhar a retirada dos ossos do túmulo. Estavámos o coveiro e eu naquele momento. Era um senhor. Ele não me deixou chegar muito perto, daí quando ele abriu o túmulo e puxou o caixão, que estava frágil pela ação do tempo, quebrou e vi o crânio rolando e caindo no chão. Ele juntou tudo, colocou todos os ossos num saco e me deu. Antes ele me disse algo com um olhar de doçura, não lembro direito as palavras, mas era algo como “ele ajudou a trazer você pra esse mundo e agora você carrega os ossos dele. a vida é mesmo algo…”. não lembro as palavras, só o sentido. e agradeci porque foi bonito o que ele disse.

E se vocês acham que to triste, melancólico, querendo morrer , não entenderam nada. voltem ao começo do texto porque to bem vivo.

XXXXXXX

Ter a alma biscate, acho eu, é ter a beleza de saber-se bem vivo. Brindo a esse clube que me permite conhecer e amar pessoas que se sentem, se sabem, se reconhecem assim: bem vivos. Te amo, Maycon.

XXXXXXX

Outras almas biscates? Clica aqui!

E lá se vão dois anos de biscatagi… Já??? *\o/*

biscate

Parece que foi ontem, e foi mesmo. Indignadas por causa de uma postagem dessas que parecem “valorizar” a mulher, e que deixam tantas mulheres em dúvida, entendemos que o espectro do fantasma “mulher pra casar; mulher pra trepar” ainda nos ronda. E não é exatamente um fantasma. É o machismo que estrutura essa sociedade e nos mede a partir do nosso comportamento sexual, nos violenta e nos condena pela violência sofrida, e nos classifica como coisas.

Nesses dois anos de Biscate Social Club foram 634 textos, nossos e de inúmerxs biscates convidadxs, quase 5 mil comentários que tentamos responder, no sentido de alertar, quase sempre de forma bem-humorada, que algumas/muitas atitudes machistas aparecem travestidas de gentilezas. Quase não há polêmica nas caixas de comentários como na maioria dos blogs feministas, e achamos que é tão na cara que estamos aqui para sambar na cara da sociedade, que ou as pessoas sambam com a gente ou ficam nos olhando desfilar. A gente beija o ombro e segue.

Claro que sabemos que essa atitude um tanto quanto passiva diante do nosso passeio, do nosso gingado, é uma forma disfarçada de tentar manter tudo como está. O bacana? Sabemos que não está. “Eu já tô com o pé nessa estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã…” Essa é a nossa missão, diária. Virar o espelho de volta na cara do preconceito e, assim, virar esse mundo de cabeça pra baixo. No mundo biscate não há espaço para moralismo, hipocrisia, violência ou para fingir que os problemas não existem. Compramos todas as brigas necessárias, mas fazemos isso sem esquecer a alegria, a sambadinha no salto e o copo de birita. Desculpaê, a gente é da pá vir… digo, do copo virado, goela adentro. 😛

De hoje até o dia 25 de janeiro de 2014, quando completamos um ano de casa nova — o que também merece festa *\o/* — rememoraremos os nossos especiais de futebol, carnaval, visibilidades, etc. Na verdade a festa só acaba com um grande encontro ao vivo da biscaiada toda no domingo 16 de fevereiro de 2014, no Rio de Janeiro. A agenda toda ainda não está confirmada, mas divulgaremos por aqui e no facebook.

E para começar os festejos, realizaremos AMANHÃ às 19h na nossa página do facebook o sorteio do livro Contos do Poente, de autoria da bisca-graúna-bandoleira-borboleta Luciana Nepomuceno e da querida estrada-de-anil Rita Paschoalin, com ilustrações de Joana Faria. Fiquem atentos, curtam a nossa página e compartilhem o banner promocional do sorteio. Valendo desde já!

E para quem se liga em astrologia, lembramos aqui o nosso lindo Mapa Natal feito pela Renata Lins, mas desde já adianto que na verdade, na verdade mesmo, o Biscate SC não é sagitariano, ele foi parido no inferno astral de capricórnio — signo da maioria, rasa, mas maioria –. E tipo, isso quer dizer… Quer dizer mesmo o quê, Rê? 😛

Feira das Bisca: por que não?

As Bisca tão em festa! *o/* #TodasComemora *o/* É hora de fazer nossa feira. Vai ter rifa, leilão #TodosDáMais o |o| /o/ E resposta a nossa linda clientela! Chega mais #SeusLinda

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É isso mesmo, freguês/freguesa! Você que estava #Xatiada de não ter encontrado algo à altura das suas inquietações biscates lá no Bisca, seus problemas acabaram. *o/* Neste saldão de aniversário resolvemos responder aos termos de busca que trouxeram leitores ao blog, mas que não necessariamente satisfizeram completamente as curiosidades felinas dos leitores #GangDoTeQuiero.

Sendo assim, colega de função da balada, liga Magal bem alto aí, coloque a sua roupa de fim do mundo e se prepare para compartilhar dos #Desejos, #Recalques, #Pudores e #Safadezas da biscatagi! #TodosMorreCuriosa

A primeira dúvida que vamos responder é de um amigue que pesquisou “Agora Eu Entendo Porque Mulher Vira Biscate”.  Mandando a letra:

Uia! E como foi esse “entendimento”? Eu, de minha parte (de várias partes, aliás: boca, mãos, pernas…) entendo que não se “vira biscate, nasce-se biscate” (malz aê Beauvoir). Vê só. A gente tem desejo, tem tesão, vontade, mas ouve o tempo todo que não deve ter, mas tá tudo lá, latente, doido pra sair, ganhar mundo, camas, colchões, tapetes… Aí vem o Biscate Social Club e samba na cara da sociedade dizendo: “eu quero, eu trepo com quem eu quiser. Eu não tenho vergonha do meu gosto e do meu gozo”. #TodosSemVergonha Então amigue, não sei bem o que você entendeu. Espero só que entenda que esse clube de biscates está fazendo (e bem gostoso) uma revolução! Liberte sua biscatice e venha gozar (ui!) com a gente.  #SoltaAFranga

Pois é, Bunito veio a nós entender como é que se faz gostosinho pra chegar de jeito na biscatice das parceira #TodasParceiraComemora. Mas não é só isso, tem um monte de gente na vibe #VenhaaNós procurando “Biscate”:

“O que falar para a pessoa quando chama a gente de biscate? Quando isso acontece eu agradeço. #TodosÉEducada Depois explico que ser Biscate é algo libertador, nós precisamos rever o que é bom e ruim, porque a liberdade é algo ruim? Será que precisamos nos prender ao formato de “mulher perfeita” que a sociedade nos empurra goela abaixo para sermos felizes ou realizadas? Eu não preciso desses rótulos da sociedade para me sentir completa, muito pelo contrário! Eu prefiro que me chamem de Biscate. #TodosAgradecidaComAConsideração

Não é só isso! Às vezes temos vocês, freguesas, que estão com uma ou outra dúvida sobre o que fazer pra agradar na cama, pra tirara a poeira do relacionamento. #SoltaABiscaInovadora E nessa esteira, temos para você conselhos sobre como ficar “Arreganhada Para Meu Marido Ver”:

Querida amiga, aconselhamos arreganhamentos da forma que melhor lhe aprouver, seja dos dentes em gargalhadas escancaradas, seja de qualquer parte do seu corpo para que seu marido, peguete, amante, namorado, homem, parceiro, companheiro, tico tico no fubá ou sei lá quem, possa ver e ir para a luz. Mas principalmente aconselhamos que você se arreganhe para si mesma. #TodasBiscaAutoConhecida Abra sua mente, escancare o coração, abra mão e largue o pé de qualquer preconceito. Caso ele (ou você) não consigam enxergar liberdade com essa nossa dica fofa e singela, sugerimos uma consulta ao oftamologista. #TodosVaiNoAlcoolista

Vocês acham que fica porraí nossa sessão Clarisse Lispector de Auto-Ajuda-Sexual? Claro que não! É muita redondeza para passar! Só não respondemos as questões ambíguas, afinal “mulheres jogando bola pelada“, pelada é o tipo de partida, furreca e mequetrefe ou o galerê tá a fim é de ver a moçada de peito aberto? De resto, temos a dica perfeita pra você, amigue, que está interessadíssima na “Posição Caqueira Voadora” e outros atalhos do naipe:

Você, amig@-leitor@-preocupad@-e-inventiv@-interessad@ com dúvidas sexuais, resolvemos fazer um bate-bola esclarecedor. Lembrando: pra gozar não precisa modelo. “Paus enormes”: não são necessários, pode ser tamanho P M G, acessórios, dedada, língua ou qualquer outra ideia divertida. “Comer vaselina”: não recomendamos, pode dar desarranjo e atrapalhar o rala e rola. “A porra da buceta é minha”: mas na hora da brincadeira pode partilhar, comunismo aí vamos nós. “Sexo gostoso”: façam. “Posição caqueira voadora”: deixe o moço no ponto, afaste-se alguns metros, mire, corra e pule em cima. Não esqueça do telefone da emergência na cabeceira. “Desfrutável”: arrisque. “Bucetas usadas”: lavou, tá novo, #FikaDika. Breve, tudo isso na nossa #CartilhaIlustrada 

E tá pensado que para por aí? Nossa seara de dicas é enorme! Não podemos esquecer que o “CU”, uma das coisas que mais traz pessoas ao Bisca não deve ser negligenciado! #TodosAtentaParaOCu Isso mesmo, sem medo se deixar o cu à mostra, as Bisca senta na janela e, lembrando do post “Manteiga, Gel ou Vaselina? Vontade” aconselham:

Impressiona que muitas buscas falem de cu, em verso e universo. A pergunta prática é se pode ou não pode manteiga, gel ou vaselina. E como biscate não foge à luta, a dúvida procede. #TodosFodeOuVaiÀLuta Você leitor veio ao lugar certo, seu lindo e sua linda que querem dar ou comer bem. A resposta você encontra aqui. #TrazemosOCuAmadoEm3Dias

 E acrescentamos, num clima mea culpa:

Olha, esse motores de busca… Sério, alguém precisa urgente neste blog escrever um post sobre como fazer sexo anal – mitos e verdades. Ao que parece levaram muito a sério O último tango em Paris e todo mundo quer comer cu com manteiga (pessoalmente prefiro pão quente com manteiga) o que só deu certo no filme já que Maria Schneider detestou a cena tão famosa. Tem um monte de buscas assim: “manteiga no cu” (essa aparece muitas vezes, com variações), “gel pra comer um cuzinho”, “vaselina no cu”, “mocinha dando o cu”. Fixação anal define. #TodosBiscaChamaFreud Mas nenhuma busca ganha de: pablo picasso obrazy tapeta na telefon. Se alguém decifrar, por favor, cartas para a redação, grata. Só loucura o que aparece aqui, mas se é loucura tão parando no lugar certo, né?  

E não ficamos só nisso! Na sessão “Variedades Duvidosas” temos de tudo #TodosAmaADiversidade. O galerê não esquece do “Bisclassificado”. Vendemos de tudo! (emprestamos e damos também) Mas se você precisa de um “Fuscão Custelete 2011/12”, explica pras bisca o que é!

O fuscão custelete 2011/12 que eu não achei nem no Google, nem na minha cabeça. Quando vi esse termo na busca aqui do Blog, fiquei imaginando se isso seria uma piada, um nome de grupo musical que irá bombar no próximo carnaval ou um modelo de fusca novo que estariam lançando. Nem o Google conseguiu me explicar com clareza do que se tratava (provavelmente nem para o autor da busca XD). Será que fusca tem alguma relação direta com biscatagi e eu não to sabendo? #TodosMorreCuriosaEGata Isso me lembra uma conhecida, que há muito não vejo. Ela tinha um fusca roxo, com bancos de oncinha e calotas aro 15, todo tunado. #TodosQuéUmIgual Era, sem dúvida, uma das mulheres mais autênticas e decididas que conheci: ela não tinha a menor vergonha de ser como era. Recebia um monte de críticas por gastar tanto com o carro. Mas quem disse que ela ligava? Pena que perdi o contato com ela… Senão, eu perguntaria que diabos de fuscão costelete é esse… Se alguém entender o que a busca pelo fusca tem a ver com as bisca, conte pra gente!

E gostamos também de culinária. Claro! #TodasComeDeTudo porque biscatagi que se preza tem que ser de cama, mesa, banho e balada! E se você chegou aqui tod@ salivante procurando uma “Bruschetta” quente, verás que por aqui todo mundo cai de boca:

64 pessoas chegaram até nós através desse termo. Pois é. Caro leitor que chegou até aqui procurando bruschetta: o que será que achou do que achou? … bom, até tem bruschetta mesmo no blog, aqui. “É pra comer”, diz o título do post da Borboleta-Luciana. Mas fica a dúvida: você parou mesmo na bruschetta? #TodosVaiEmFrenteERebola Ou será que aproveitou pra conhecer, por exemplo, esse post aqui da Bisca-Renata Lima? Vai lá que vale a pena. Afinal, como já dizia um sábio meu conhecido, “comer ou comer, eis a questão”. Ao que, biscatemente, a gente responde: comer e comer, que tal? #TodasSalivando Podemos começar pela bruschetta! Eu, pelo menos, adoro.

Salivou, frequês/freguesa? Eu também! E pra acompanhar uma boa comida, nada melhor que música! E é nessa que eu faço minhas incursões nas dúvidas da galere pelo Bisca. Afinal, me respondam: o que pensar de alguém que #CaiNiNóis com o termo “Músicas para ouvir que falam de uma mulher livre”?

Só digo que é muito amor <3<3 Afinal, quem não se delicia com um “Você Abusou” da nossa querida Dolores Duran, na voz de Maria Creuza? Quem não se derrete com os sussurros de uma Piaf cantando “L’accordeoniste”? Quem não suspira ouvindo Mônica Salmaso dando vida à “Mortal Loucura” do José Miguel Wisnik? Ou quem não delira ouvindo Bethânia cantando “Debaixo D’Água” de Arnaldo Antunes seguida do poema “Agora”? Porque Biscate, para além da mulher, é qualquer pessoa livre! #MePerdoemSeEuInsistoNesseTema

Mas tem leitor@-amig@ que não consegue relaxar e gozar pensando, roendo as unhas e queimando o juízo tentando saber se vai precisar de casacos e botas ou opta pelo básico camiseta de alcinha…ou seja, tem gente chegando aqui pesquisando loucamente “Previsão de Tempo para o Fim do Mundo”. 

Vai chover, sem dúvida, vai chover. Meus calos doem e avisam chuva. A previsão de tempo para o fim do mundo é nublada, nuvens cinzas, pingos grossos, raios, clarões. Mas não se assustem, não vai fazer frio, vai cair água quente em grandes goles. #TodasSeBanha. O fim do mundo vai ser fecundo. Úmido e próspero. Cheiro inebriante de sexo, corpo solto, pessoas soltas aos galopes. #SurubaGeral. Todo mundo vai querer morrer trepando. O último prazer, o último gozo, livre, profundo, intenso. E o mundo acaba. #HoraDaPoesia

Pois Biscatagem é Poesia. E riso. E mais. A biscatagem é o mote da liberdade que nós encontramos e queremos partilhar com vocês! Especialmente se você é ess@ leitor@-cult@-ansios@ que procura por “Coisas Inteligentes”:

50 pessoas chegaram ao Biscate Social Club procurando não por pessoas x ou pessoas y, não por sexo, fantasias ou fetiches, mas por “coisas”, e coisas com adjetivação, coisas com uma qualificação: “coisas inteligentes”. Coisas inteligentes a dizer? Coisas inteligentes = pessoas? Coisas inteligentes = mulheres? Ou coisas inteligentes = biscates? Bueno, não há como saber. Então vou responder genericamente. Você que procura por “coisas inteligentes” veio ao lugar certo. #TodosFazACulta Aqui mulheres inteligentes se coisificam ou se objetificam se quiserem, quando quiserem e com quem quiserem, seu desejo e vontade é a medida da coisificação. Porém se veio ao BSC procurando mulheres inteligentes para coisificar ao seu bel prazer, veio ao lugar errado. Consideraremos seu desejo e sua vontade na mesma medida que considerar o nosso desejo e a nossa vontade. Vale? #TodasSeArrepia

by João Lennon

by João Lennon

E vale! Vale Muito! Que vocês voltem por muitos e muitos anos ao Biscate Social Club e encontrem nossas coisas inteligentes à mostra! #TodosDesavergonhadaPira Que vocês partilhem da nossa liberdade, da nossa liberalidade e da nossa libertinagem. JUNTOS! Com consentimento, fazendo gostoso aquilo que mais queremos no Bisca: te ver livremente feliz! (#AinQueBrega S2 S2) Sem culpa, sem medos, na frente de luta!  Por que não? #TodosBiscateIncentiva AGORA!

Quer brincar com a gente? Tem motor de busca pra #GenteQueParticipa fazer a festa na caixa de comentário respondendo:

por que a eis mulher dis que nao gosta mais quando fica perto fica suspirando e nervosa”

“como a mulher deve se comportar na cama”

dicionário da namorada”

“mulher vendendo caju”

“ponto de interrogação rosa”

 

 

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