Silvia

Na cidade de São Paulo, cidadãs descobrem que a bicicleta é também um meio de transporte. Leia a entrevista com a educadora física Silvia Oliveira, de 31 anos e moradora do bairro de Campo Belo.[zona sul]

foto: Antonio Miotto

foto: Antonio Miotto

1-Por que você escolheu a bicicleta como meio de transporte?

“escolhi a bicicleta, como meio de transporte por perceber quanto tempo eu perdia no trânsito.”

2. De modo geral, a saúde melhorou depois que começou a pedalar? O que melhorou exatamente?

“melhorou sim e muito! passei a ter muito mais fôlego, minhas pernas ficaram beeem mais fortes, e eu passei a me sentir bem mais alegre, bem humorada e de bem com a vida!”

Foto:  Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

3. Se uma pessoa que está pensando em usar mais a bicicleta no dia a dia perguntasse a você: “E aí, o que tem de bom em pedalar em cidade grande?”, o que você responderia?

“como passar a vivenciar a cidade de maneira mais humana, mais intima e verdadeira. sua vida passa a ter mais cores, sons, passa a ser mais vida! fora q vc passa a ter mais folego, condicionamento fisico e pernas incriveis! [risos]”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

obs. hoje, segunda-feira, ocorre o encontro entre algumas as paulistanas que caminham e pedalam, conhecido como “miça” [ um trocadilho para o hábito de beber com as amig@s em algum bar de esquina…]

Renata

“Conversamos” com Renata Oliveira (neta de DORA), ex-moradora do bairro do Itaim [ extremo leste de São Paulo ], que usa e abusa de suas poesias no dia a dia da cidade com dimensões superlativas.

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Balança meus cabelos
Refresca meu cheiro
Bala roubada no beijo
Bálsamo sobre meus medos
Beleza que bane minha tristeza
É você!
Que fala a língua dos meus ouvidos
que faz minar amor
Dos meus dias amargurados
Do pior dia
Só você mesmo
Extrai alegria
Bálsamo da minha vida
Desamarra as cordas do meu peito
E faz brotar notas doces
Num tom assim
Como o da tua voz
Dizendo pra mim.. tranquilo
Bálsamo lindo
Enfeita meu dia com o teu riso
Balança toda minha vida
Com um cheiro de não me deixa…
Que não me deixa
E fica.

Luiza ERUNDINA

Foto: Antonio Miotto

Luiza Erundina no CEU Perus (Foto: Antonio Miotto)

Luiza Erundina, deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, participou do evento no dia 11 de abril: diálogos com a comunidade no Centro Educacional Unificado (CEU) PERUS, na Zona Norte. O tema do evento foi “Ditadura Militar no Brasil – 50 Anos do Golpe de 1964 – Conhecer para não repetir.”

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Momento histórico, com direito a choro e emoção, cantando Vandré e até tietagem, com muita honra!!! Ditadura nunca, nunca mais!! (Foto: Antonio Miotto)

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Luiza Erundina (Foto: Antonio Miotto)

Alguns depoimentos

Sobre o processo que culminou com a eleição de Luiza Erundina, a primeira prefeita de São Paulo:

“Fizeste parte da histórica Revolução dos Bagrinhos, onde as base enfrentaram a direção, garantiram a indicação da Luiza como candidata e com o boicote da dita direção, as bases foras para as ruas, de casa em casa e voto a voto elegeram uma mulher pobre e nordestina como prefeita da maior cidade da América Latina.”

“Que conquista! E se não me engano em cima do Maluf cuja vitória nas pesquisas por mais de 5 pontos a globo cantou até a véspera. Tive o prazer de contar esta história para os meus filhos e na sexta apresenta-los a Luiza e ela a eles.”

O governo de Luíza Erundina, e sua opção política de governar com e para a periferia da cidade:

“Erundina foi pioneira na implementação de um projeto de governo voltado para o social, e a cultura e as artes eram eixos prioritários.”

“Foi uma vitória e um governo dos movimentos sociais e populares. A periferia pela primeira vez venceu, constituiu identidade. Foram os primórdios deste hoje vivo e pulsante movimento artístico e cultural que hoje está revolucionando as periferias.”

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(Foto: Antonio Miotto)

Maria de Fátima Pimentel Lins é sujeito da história

Por Renata Lins.  Fotos: Antonio Miotto.

Ela. com o nome todo. Maria de Fátima, e não Fáfa (assim com acento no primeiro “a”), porque ela gosta desse. Pimentel que é o nome da família de onde veio e a que pertence, tanto, sempre: de Paudalho, meu avô e minha avó. Lins que é o nome que ela adotou depois que casou, que é tão dela também.

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Dali vem. A família, que nutre e que se espalha,  que dá origem e sentido. Tradições, como a “Folhinha do Sagrado Coração de Jesus” que ela compra todo ano e dá para os filhos, os irmãos, os sobrinhos. Como fazia meu avô. A religião, que faz parte dela de um jeito alegre, que lhe abriu a porta para a política. Porque ela levou a sério essa história de “somos todos irmãos” e foi lá tentar ver o que dava pra fazer. Entrou pro movimento de juventude católico, filhote da teologia da libertação. JEC, JUC. Viagens, amizades. Ampliação de horizontes. Vontade de transformar. Veio dali.

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Veio dali também, acho, a escolha do curso: Serviço Social, na escola onde Paulo Freire dava aula. Pra botar a mão na massa, pra fazer o que estivesse ao seu alcance. Utopias concretas. O primeiro projeto de conclusão de curso era um projeto de alfabetização pelo método Paulo Freire. Numa favela do Recife. Ela sempre conta que ficou surpresa quando, junto com algumas colegas de curso, foi perguntar do que era que aquelas pessoas tão despossuídas sentiam mais falta: essa seria a base do projeto delas. Pois bem, foi isso. Aquelas pessoas queriam saber ler. Saber ler pra poder entender com a própria cabeça. Escrever com as próprias palavras. E elas entraram de cabeça no projeto: alfabetizar aquele grupo de gente que não tinha nada, mas queria cidadania. Pela alfabetização.

Corria o ano de 64 e estava tudo planejado: ela iria se formar e casar no final do ano. Seu noivo Marcos (noivado recente, do ano anterior) trabalhava com o prefeito do Recife, Pelópidas da Silveira. Ventos de mudança por ali, pelo Nordeste inteiro. No Rio Grande do Norte, a campanha “De Pé No Chão Também Se Aprende A Ler” era símbolo da prefeitura de Djalma Maranhão. Método Paulo Freire, ainda.

E teve o golpe. E mudou tudo. Pelópidas foi preso, Marcos saiu do Recife, por dúvida das vias. Pra São Paulo. O Dr. Antônio Pimentel decretou: “filha minha não sai de casa sem estar casada”. Pois muito bem: casou por procuração. E até hoje ela comemora “o dia em que casei com meu pai”, rindo de ter realizado a freudiana fantasia de toda menina. Casou no religioso, depois, em São Paulo. E foram pra Paris, assim de repente. Depois para a Argélia. E, quando ela ficou grávida, voltaram para o Brasil, para sair de novo, dez anos depois, fugindo da polícia da ditadura.

Com isso tudo, a formatura não aconteceu. História interrompida. Fio solto e sempre, apesar de todas as realizações, meio dolorido. Tanto que foi o pedido feito à Comissão de Anistia: ter o direito de se formar. Só faltava a monografia, o trabalho de conclusão de curso.

E assim, cinquenta anos depois, ela vai se formar. Na UFRJ, dessa vez. Apresentando um memorial em que conta essa história, sua história.
“Não é a história toda… mas é a minha verdade”. Esse o título do memorial. Depois de tanto tempo. Tanta luta. Tantas perdas. Tantas paisagens: Paris, Argel, Genebra, Brasília, Roma. E o Recife como pano de fundo, onde começava o mundo. Pelo menos o mundo deles.

E a gente, os filhos, a gente vai tar lá pra bater palma, pra ver a reparação dessa perda que parece pequena, e é tanto. A gente se alegra, a gente vibra, a gente lembra daquele que foi seu companheiro durante quarenta anos e que não vai tar aqui pra ver isso. Mas, de alguma maneira, vai.
Esse texto é pra ela, é pra ele também. Com orgulho e gratidão.

Viva você, mãe. Vai ser lindo.

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Lu e Fátima. Biscateando…

Faça você também

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Entradas

PAPAYA VERDE E PIMENTÕES

– torradinhas
– 1/2 unidade(s) de mamão papaya verde sem semente(s)
– 1 unidade(s) de pimentão vermelho em tiras
– quanto baste de alcaparra em conserva
– 1/2 xícara(s) (chá) de azeite extra-virgem
– quanto baste de sal
– quanto baste de pimenta-do-reino branca
Rale o papaya verde no sentido do comprimento, a fim de obter tiras finas e longas.
Corte o pimentão da mesma maneira.
Misture os dois, regando com o azeite. Tempere com o sal e a pimenta.
Coloque um pouquinho dessa mistura sobre cada torradinha e decore com uma alcaparra sobre cada uma delas.

DICA: Mantenha a mistura de papaya com pimentão gelada, montando os canapés somente no momento exato de servir. Assim, ficam mais refrescantes.

COISA DE ABACATE ( ou quase um guacamole)

– 2 abacates pequenos ou a metade de um abacate grande maduro picado em pedaços cúbicos médios; – Coentro picadinho; – Cebolinha picadinha; – 1/2 limão para temperar a gosto ; Azeite
– 1/4 de cebola picadinha; – Pimenta-do-reino e sal a gosto

misture todos os ingredientes com uma colher sem amassar demais o abacate. Coloque na geladeira e sirva bem fresco. [pode acompanhar tb pão ]

3- BATATAS COZIDAS COM PIMENTA E COENTRO

– 3 batatas doces; – 1 batata inglesa ; – 1 limão; – 1 pimenta dedo de moça; – 50g de tofu(dido); – Coentro (um punhado); – Sal; – Pimenta-do-reino; – Azeite

As batatas; Corte-as ao meio e lave-as (mantendo a casca). Ponhas as batatas em uma tigela para que cozinhem no vapor. Corte um limão ao meio e coloque-o virado para cima, sem deixar o interior encostar nas batatas. Acrescente uma pitada de sal para temperar. Tampe a tigela com plástico filme e leve ao micro-ondas por cerca de 12 minutos. Após o cozimento, retire a tigela do micro-ondas, descarte o limão e quebre as batatas cozidas com uma colher. Reserve. Fatie a pimenta e, sobre ela, jogue sal e pimenta-do-reino a gosto. Acrescente alguns fios de azeite. Corte o coentro grosseiramente e amasse o tofu por cima. Misture tudo com as mãos. Despeje as batatas por cima dessa mistura e pique tudo grosseiramente com uma faca.

4- SALADA DE PEPINO

– 1 pedaço pequeno de gengibre;– 1 limão; – 1/2 pimenta chilli vermelha; – 1 colher de café de óleo de gergelim; – 2 colheres de sopa de azeite extravirgem; – 1 colher de sopa de molho shoyo; -1 pepino; – 1 punhado de coentro

Descasque e rale o gengibre. Ponha em um recipiente e acrescente as raspas da casca do limão. Em seguida, parta o limão ao meio e o esprema bem, para obter o suco. Acrescente o óleo, o azeite e o molho shoyo. Misture tudo com uma colher. Com um auxílio de um descascador de legumes, descasque o pepino no sentido de seu comprimento – e de maneira que fique bem fino. Pare de descascar quando chegar ao centro do pepino, que é aguado. Faça um montinho com o pepino em cima do molho preparado anteriormente. Misture tudo.

5- SOPA DE TOMATES

4 tomates
1/2 pimentão verde
1 pepino pequeno
Azeite, manjericão e sal a gosto

Bata no liquidificador.
Coloque na geladeira por 2h e sirva.
Se os ingredientes estiverem gelados e a fome grande, pode consumi-lo logo após o preparo.

Alimentação. SÃO PAULO/SP, Brasil 02/03/2014. (Foto: Antonio Miotto)

Luciana Nepomuceno

Em terras cariocas.

em 15/02/2014

Lançamento do livro Contos do Poente  de Luciana Nepomuceno e Rita Paschoalin, ilustrado por Joana Faria, na livraria FOLHA SECA [rua do Ouvidor, em prédio construído há mais de cem anos, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores – centro do RIO DE JANEIRO].

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“quero a risada mais gostosa…”

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Na noite de 13 de fevereiro, na cidade de São Paulo, no Bar e Restaurante Canto Madalena,[em Pinheiros, Zona Oeste], Luciana Nepomuceno [a bisca escritora, cobradora, organizadora e outros predicados] durante o lançamento do livro Contos do Poente, escrito com Rita Paschoalin, ilustrado por Joana Faria no  de São Paulo

a gargalhada da Luciana. foto: Antonio Miotto

a gargalhada da Luciana. foto: Antonio Miotto

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Mais sobre o livro? A Renata Lins escreveu aqui, ó.

.-.-.-.–.

LU’Z Ribeiro

É Lu’z, do início ao todo. A poetisa paulista LU'Z RIBEIRO, poetisa com seus 25 anos e moradora do extremo sul da cidade e autora do livro de poesias Eterno Contínuo. Foto: Antonio Miotto

É Lu’z, do início ao todo. A poetisa paulista LU’Z RIBEIRO,  com seus 25 anos e moradora do extremo sul da cidade e autora do livro de poesias Eterno Contínuo. Foto: Antonio Miotto

Desta Manhã – por Lu’z Ribeiro

Nasceu na Luz um carinho, 

bairros antes surgiu um olhar.

Conheci a Cracolândia e vi que ali nada há,

Praça Júlio Prestes e eu prestes a duvidar,

de um querer de outras datas.

A cidade me viu como prova o universo me cedeu à lua, 

que me seguiu e me atingiu a alma. 

Eu estava cheia de luz, 

tão tão tão que se fez

tum tum tum. 

Suspeitei, que todos ouviam essa batida 

estalei os dedos pra disfarçar. 

Passos trôpegos me fizeram brincar com o chão 

(não me pega, não me pega não).

Meu andar acelerado inibiu o [seu] só vislumbrar.

Olhar atento e vago.

meu peito cheio… De ar?

Eu tive asas ontem, inúteis 

eu queria ser parada e sentir a brisa fria.

Curiosidades, curiosas e sabidas.

A inocência se fez, eu vi bonecos nas nuvens, 

essas que nem se faziam.

Eu me fiz feliz por esquecer, 

mas durou só até o metrô onde desconhecidos se (des)conhecem.

Eu queria falar, sorrir e dançar, 

mas temendo o novo, fiz silêncio.

Já em casa as cores da parede geraram cobrança:

– preciso de um herói pra dormir!

Lembrei-me de Pandora, 

ainda há esperança!

Luz Ribeiro Lança livro

Caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência

Lembrete aos leitor@s:

(…) Daqui, das páginas do BiscateSC, afirmo (ainda que só em meu nome) que estamos aqui sempre para colocar o bloco na rua para lutar por liberdade e democracia. […] Já não bastava a violência da polícia para enfrentar? (…)

(…) Agora, a esquerda — ou o que sobrou dela — terá que estabelecer uma pauta mínima de consenso para não deixar que um direito legítimo dos trabalhadores e uma pauta da esquerda não seja sequestrada, saqueada e transformada em mais violações de direitos humanos e opressão para os trabalhadores, negros, mulheres, LGBTs e demais minorias. (…)

……………………………………….

História:

No dia 30 de Dezembro de 2013, usuários do Albergue para a população de rua Vivência, no bairro Canindé (região central de SP) levantaram-se contra as condições precárias do local, onde há banheiros sujos, entupidos e sem água, corredores inundados, a alimentação é oferecida vencida e o local está infestado por pragas, insetos e doenças. O serviço que deveria oferecer condições minimamente dignas de vida para estas pessoas extremamente vulneráveis. No dia 01/01/2014 foi decretada a prisão preventiva de 4 dos moradores que participaram do protestos [30/12/13], Alexandro, Hudson, Vantuir e Enmanuel.

Padre Júlio Lanceloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] - Foto: Antonio Miotto

Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos] – Foto: Antonio Miotto

No final da tarde de ontem [03/01], liderados pelo Padre Júlio Lancelloti [da pastoral de rua e militante de Direitos Humanos], ativistas sociais realizaram caminhada e ato pela libertação dos presos do albergue vivência.

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Leia mais também aqui.

Miosótis

Entrevista-depoimento com/da MIOSÓTIS*

Contra a violência as mulheres. São Paulo, 23/11/2013. foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

#fimdaviolenciacontramulher :

” Nome fictício:  (é uma flor.)

Situação: 19 anos, sem emprego, sem filhos, e sem relação com o agressor.

Relato da violência: Estava voltando para casa (4 km de caminhada a 4 anos) quando ao terminar de atravessar uma das ruas, um carro bateu em mim. O meu antebraço ficou encaixado no carro (meu corpo ficando em cima do capô) até ele parar, mais ou menos uns 100 metros do local da pancada. Depois, vários motoboys me ajudaram ligando pra minha família e depois ligaram para a SAMU. Estava muito mole e tentando recobrar a memória, mas ainda não estava sentindo dor alguma. Por alguma razão, que ainda tento entender, não quis processá-lo. Ele pedia muitas desculpas, mas continuava com um discurso de que eu também estava errada por estar a pé, por estar sozinha e estar andando à noite. Total imbecilidade. No hospital, apesar de terem tirado Raios-X do meu corpo, disseram que eu não havia quebrado nada. Uma semana depois voltei por sentir dor no antebraço, aí descobri que estava quebrado. Depois disso tudo fui a um hospital particular e engessei o braço e fiquei uns três meses achando que o osso iria calcificar, mas não havia jeito. Depois de quase cinco meses depois do acidente (até marcar e fazer todos os exames demora…), tive que fazer uma cirurgia de enxerto de células ósseas, do meu próprio quadril. Depois fiz um mês de fisioterapia e o braço parece bem melhor.

Situação do processo: Não o processei, mas ainda estou juntando as coisas para receber o dinheiro do seguro obrigatório do carro, que cobre acidentes, o DPVAT.

Opinião da vítima sobre o atendimento recebido: o posto de saúde falhou muito ao me mandar para casa com o antebraço quebrado sem eu saber. Isso agravou o estado do meu antebraço, pois se soubesse na hora, daria para colocar o antebraço no lugar e não perderia todo esse tempo com dor.

De que forma a violência contra a mulher te atingiu/atinge?
Hoje, vejo a agressão que sofri com um atentado a vida, com justificativas machistas. Hoje, não sofro violência física, mas psicológica, às vezes, como provocações quando caminho onde tem avenidas movimentadas, e antes quando pedalava.”
……………………..
*Texto originalmente publicado em novembro de 2010

Niara

Niara por ela ou “bóra listar as dezoito coisas que vocês já deveriam saber sobre mim.”

recorte d'eu, pela lente generosa do amigo Antonio Miotto

recorte d’eu, pela lente generosa do amigo Antonio Miotto

1- meu nome é revolta.
2- nasci comunista, quis ser jornalista aos 8 anos, e me tornei feminista aos 19 por necessidade.
3- minha cor preferida é preto, não tem a ver com meu espírito deprê.
4- acordo SEMPRE mal humorada. respeite.
5- meu café preferido é café com leite e bolacha maria (da Zezé, de Pelotas! o resto não presta), mas se tiver sucrilhos com leite gelado o meu dia já começa a melhorar…
6- acordo sempre com fome.
7- sou ~única e exclusivamente~ XAVANTE. até morrer.
8- cozinhar é um prazer imenso, desopila, e gosto de ver as pessoas se embucharem com minha comida. esse é o elogio que espero. então, se não for pra se embuchar nem comece a me com…digo, a comer minha comida. 
9- cinema e falar sobre cinema pra mim é só prazer, se percebo disputa de quem sabe mais largo pras cobra.
10- amo butiá, pitanga e bergamota (frutas que sempre tive no pátio de casa), mas minha fruta preferida é laranja. (sou óbvia, confesso)
11- amor pra mim é doação, tem de ser de graça. se precisa negociar, vira outra coisa. né?
12- até colocar no ar o Pimenta com Limão achei que não sabia escrever sobre mim.
13- me sinto melhor aos 41 do que em qualquer outra época da vida.
14- gosto de Ennya, Kenny G e MAGAL. (me deixa).
15- sou chata. pra gostar de mim é preciso me aturar.
16- odeio que tentem me manipular.
17- se rifou minha amizade, não tem volta. não sei esquecer. e falando em amizades ninguém no mundo me conhecerá melhor ou terá melhor sintonia comigo que a Fernanda (minha melhor amiga da vida toda, e pra vida toda).
18- meu rompimento com o PT foi doído, dói até hoje. questões políticas não são menores ou ficam em segundo plano, elas ajudam a definir o que sou. e me explicam.

Agora juntem com a outra lista. Sou esse emaranhado.

1- odeio falar durante a primeira hora que acordo.
2- aprendi a gostar, manifestar afeto com o Calvin.
3- já usei cabelo pela cintura com uma trancinha dreads e pedrinhas na ponta.
4- quando caminho na rua não enxergo ninguém, estou sempre viajando.
5- prefiro assistir filmes sozinha.
6- nunca quebrei nenhum osso.
7- o não-casamento com o Gilson é o primeiro da vida.
8- detesto repetir o que digo.
9- larguei o teatro na escola porque confundi o estômago com o coração.
10- amo chá de cidreira, andar na chuva e bala 7 belo porque lembram a infância.
11- odeio atender o telefone em casa e por vezes finjo que não estou quando toca a campainha.
12- fiz meu primeiro bolo aos 8 anos de idade.
13- os fantasmas da infância, adolescência ainda me assombram.
14- odeio camarão (não é alergia, só não gosto mesmo).
15- discurso primeiro, beijo no coleguinha (que me valeu título de biscate) no pátio depois (no Jardim de Infância, aos 5 anos).
16- eleição pro grêmio estudantil primeiro, transar depois.
17- guardo mágoas e ressentimentos da vida toda (maior espaço interno da categoria).

e se me virem rindo descompensadamente não procurem ‘entender a graça’, é deboche em estado puro, e quando começo não paro nunca mais.

UFA! 

………………………/

obs. Adora joaninhas…

Lady BUG. Brasil, 18/11/2013. foto: Antonio Miotto Lady BUG. Brasil, 18/11/2013. foto: Antonio Miotto

Vera

Vera. foto: Antonio Miotto

Vera. foto: Antonio Miotto

“Dinâmica, alegre, com muita fé e de bem com a vida, esta sou eu, casada há 21 anos e com dois filhos maravilhosos e um trabalho que me faz ser produtiva, criativa e ligada no 220, uma vida “normal”, até receber o diagnóstico de um carcinoma ductal invasor — em outras palavras, um câncer de mama.

Como em um flash e em questão de minutos voltei ao passado e relembrei minha história e muito mais rápido não enxerguei o futuro e logo prospectei seis meses de vida. Tinha a sensação de não pisar no chão e o vazio e dor no peito eram grandes, tal era o medo que sentia.

O impacto da notícia refletiu no medo das perdas, o arrependimento de não ter vivido melhor, de ter amado muito mais, de viver cada segundo como se fosse o último, de caminhar ao sol, de simplesmente viver.

A primeira semana foi de lágrimas e de pensamentos desordenados e impulsivos, totalmente sem equilíbrio mental e espiritual, comecei a organizar documentos e deixar tudo pronto para que minha família tivesse acesso à tudo com facilidade. Ao ver meu marido e filhos não conseguia me conter e posso dizer que foi a pior semana da minha vida.

Apesar de saber que existem hospitais e tratamentos avançados para o câncer, neste momento não conseguia enxergar as possibilidades que estavam ao meu redor e por momentos achei que não fosse conseguir.

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Porém, como iniciei o texto, não poderia me entregar sendo eu tão dinâmica, alegre, cheia de fé e de bem com a vida e após uma semana de lágrimas pensei: tenho duas escolhas, lutar ou desistir mesmo antes de tentar. E com muita fé, coragem e determinação fui em busca do meu tratamento e da minha cura.

Foram exatamente dois meses até a cirurgia de mastectomia radical em fevereiro de 2012, seguida por 16 sessões de quimioterapia e 28 radioterapias, completando o ciclo parcial do tratamento, que me deixou sem cabelo e sobrancelhas e com cicatrizes no corpo devido as intervenções necessárias. Nos próximos anos, até completar cinco, vou estar recebendo um medicamento e fazendo os exames e retornos necessários até a alta final dos médicos.

Foi um tratamento longo, cheio de surpresas inesperadas no caminho, fiquei sem forças, sem ânimo, sem apetite e sem dúvida, me sentindo feia, porém, sou grata a Deus porque a cada dia sentia Sua presença através do tratamento bem sucedido e da melhora constante.

Em nenhum momento deixei de trabalhar e estudar e poucas foram às vezes que deitava para descansar, sabia que tinha que lutar e ser forte e determinei que não iria mudar a minha rotina por conta do tratamento.

Cursando o 3º ano do Curso de Serviço Social cheguei a pensar em trancar a faculdade, tendo em vista a fraqueza do meu corpo e da minha mente em raciocinar, devido a quantidade de medicamentos, porém, meu grupo sempre presente, quase todas as noites me buscava em casa e não me deixaram desanimar e com isso estou alcançando o tão sonhado diploma.

Hoje após este período de lutas e vitórias, tenho certeza que me tornei uma pessoa melhor, como esposa, mãe, amiga e entendi que enfrentar um câncer, nada mais é do que enfrentar a própria vida de corpo e alma, de cabeça erguida, de viver intensamente e verdadeiramente, sem medo de arriscar, de tentar, de sonhar, de lutar pelos nossos objetivos, independente dos obstáculos que vamos ter pela frente – somos mais fortes – é nosso dever cumprir com a missão que nos foi delegada por Deus … que é viver.”

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Helga

@m@r

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

“Um dia eu ouvi de um escritor que se você vai colocar um livro no mundo, você não pode escrever qualquer livro. Porque de livros o mundo já esta cheio. Basta dar uma olhada em qualquer livraria! Por isso, se você for escrever um livro, escreva algo que realmente importe para o mundo…

Bom, eu não preciso nem dizer quantas vezes essa frase me fez sentir uma pessoa incapaz. Ou uma ostra, que deveria permanecer quieta e fechada tentando fazer pérola. Afinal, o que teria eu para falar que fosse algo realmente importante para o mundo? Isso é muita coisa. E eu nem me sinto tão importante assim.

Para piorar, eu sempre tive um amor infernal por livros. Amor de todos os tipos. Teve livro que eu fiquei, teve livro que rolou só um sexo casual, teve livro que eu amei (com direito a borboletas no estômago), teve livro que eu casei. E esses eu deixo na estante com as folhas dobradas, para ler de vez em quando as frases que gosto e recuperar a esperança no mundo…

Helga no Memorial

Enfim, mas de alguma forma todos os livros que passaram por mim, deixaram alguma coisa. Troquei algumas pessoas por livros, nas vezes que me senti incapaz e torta demais para o mundo. Porque livros são quase como se fossem pessoas, das quais nunca saíram do papel. Achei que livros eram lugares mágicos, reservados à gente excepcional, tipo a Clarice Lispector, o Amyr Kilnk, o Marçal Aquino, o Marcelo Rubens Paiva, a Virginia Wolf, o Bukowsky, o Leminski, a Xinran, o Nietzsche, e tantos outros… Pensava que livros não eram somente casas de palavras. Eram espaços de encontro entre corações desconhecidos. Livros, para mim, são muita coisa.

Mas, independentemente dos livros, eu demorei muitos empregos, muitos namorados, muitas horas de terapia, gastei muito dinheiro e muito tempo, para finalmente entender, que mesmo que isso não seja uma profissão ou um meio de ganhar a vida, escrever é o que eu mais amo fazer. E foi por meio da escrita que eu penso que conquistei uma das melhores sensações do mundo que é a paz no silêncio. Ou o que muitos poderiam traduzir como satisfação. Foi escrevendo que eu dei forma a tristeza, para depois, deixa-la ir embora. Foi escrevendo que ganhei amigos, ganhei histórias, cativei pessoas, seduzi, ganhei presentes de verdade, da vida. Foi escrevendo que eu conquistei um elenco incrível de 11 artistas que formam o Delas e contribuem com tanto talento para dar formas a tantas palavras, que hoje, não me pertencem mais. Foi escrevendo que eu me descobri feliz. É escrevendo que eu respiro.

Eu não sei se fui capaz de escrever algo muito relevante para o mundo (sinceramente acho que não). Mas acho que também não escrevi um livro somente para enfeitar a prateleira de uma livraria, ou para fazer um lançamento.

Escrevi um livro porque eu amo escrever e acho que é isso que eu sei fazer de melhor. Por todos os caminhos que percorri até aqui, acho que eu aprendi (de um jeito nem sempre fácil) que quando a gente faz algo que realmente ama, e isso é incondicionalmente verdadeiro, isso é, de certa forma, contagiante. Acho que quando a gente faz algo que realmente ama, a gente acaba fazendo bem para o mundo. Mesmo que indiretamente…”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

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