Ainda sobre beijos

Hey, Gorette! Saudade, amada. Que foi? Tá triste por quê, fia? Fica assim não, Santa! É a vida… Que que tem? Biscates…. Hum. Conta… Hã, tá. Seu filho? Resolveu biscatear? De maneia não convencional? Conte-me mais…

Ah, Gorette! Que que foi? Vai me dizer que há problemas com o menino! Como não? Claro que não! Só porque ele gosta de beijos diferentes? Que que tem? Beijo é bom, você não gosta?… Pergunta retórica, fia… Quem não gosta de beijos?!? Isso mesmo! Mesmo diferentes, beijos são beijo!

Sim, qualquer beijo vale a pena se a boca não é pequena, diria Pessoa se biscateasse… Hahahah! Claro que é sacanagem, fia! Mas a história do beijo é à vera… É, Gorette, beijos são não só bem vindos, mas necessidades prementes do ser humano normal! Vai me dizer que você não gosta daquela boca carnuda, daquela língua serelepe, daqueles lábios molhados, daquela garganta profunda?!?!

O que é que tem se não são lábios convencionais? Bom… que bom que o menino está se especializando… foi a época, filha, em que um homem mandava uma mulher se lavar para usá-la só como “Papai e Mamãe”. Hoje, limpa ou suadinha, tem que estar todo mundo preparado e experiente para os melhores tipos de emoções.

Claro, Gorette, deixa de ser quadrada! Homens também têm que saber levar todas ao limite do subir pelas paredes… Só na sua época é que só um na relação é que era chamado de lagartixa! Pelo “Me joga na parede, Me chama de lagartixa” amplo, geral e irrestrito, fia! Isso mesmo, amada! Deixa o menino treinar bastante e satisfazer todo mundo que ele ganha mais… Afinal, quem come de tudo tá sempre mastigando!

Sobre Beijos e Línguas

Aviso aos Navegantes:a Renata Lins publicou este post (Meus 50 tons de…) que incendiou a imaginação d@s bisc@s deste nosso querido Club. Decidimos, pois, cada um@ tratar do erotismo como lhe apetece. Inclusos @s convidad@s. Tem sido uma quinzena caliente não lhes parece?

#Erotismo em Nós
Sobre Beijos e Línguas, Augusto

Beijo: lábios, línguas, encontros. Sim, o beijo. A mais erótica das artimanhas, tão carnal e tão banalizada e, ainda assim (ou por isso), o que mais causa tesão. É o beijo, o bom beijo, o caminho para um bom sexo, para uma boa relação, para a duração de um relacionamento. Acabou o gosto pelo beijo, pode fazer a fila andar…

É assim que eu gosto. O grau mais básico de conhecimento do outro, língua com língua. Mas não só isso, para a língua chegar à língua precisa do olhar, da cumplicidade, do suspiro profundo captar todos os cheiros e perfumes, precisa do abraço, da pegada. Encostou lábio com lábio e não tremeu, nem precisa botar a língua lá que só vai achar cuspe… Sim, beijo por beijar é só troca de cuspe…

É isso mesmo! O beijo é o meu ato da entrega. Encostar os lábios, abrir suavemente a boca, invadir e deixar-se invadir pelo outra língua, com carinho, ternura e, mesmo, violência… descobrir se aquela boca é a “conta melhor que tiraste em vida”… O jogo de línguas, a troca de paladares, as mordiscadas nos lábios, a barba no pescoço, o beijo no pescoço, a pontinha do nariz subindo pelo lado do rosto, o toque úmido da boca naquele pedaço desconhecido entre a parte de trás da orelha, a nuca e o cabelo, o segredo de liquidificador…

Beijar é se unir, é provar o gosto do outro passando a língua no próprio lábio, só para ter certeza do quanto é bom. É ter as mãos nos cabelos, nos ombros, nas costas, na cintura, na bunda, nas pernas e naquilo e ter aquilo na mão e ter a mão naquilo e aquilo na mão e a mão naquilo e aquilo na mão… PERA! Já deixou de ser beijo… é outro post…

Beijo é abraçar por trás, acariciar o pescoço com ou sem barba, com ou sem dentes, com ou sem língua, encoxar… é todo o jogo de pernas, por frente e por trás, lembra que não existe pecado do lado de baixo do equador e da linha da cintura… fundamental! E em meio à encoxada, retomar o beijo, mesmo que dê torcicolo…

Muitos tipos de beijo, tic tac, selinho, lábios sem língua, lábios com língua, só línguas… mas guardem os dentes, pelo amor de dada! Lábios… lábios tremendo, comprimidos… explorar lábios reprimidos! Finos, grossos, pequenos, grandes lábios… Muitos tipos de língua: pequenas e sapecas, grandes e complacentes; sufocantes, extenuantes, insaciáveis, incontroláveis, preguiçosas, apavoradas… muito grossas, muito finas, línguas…

Procurar línguas diferentes e descobrir outros beijos. Pegadas diferentes, entregas diferentes… Ficar só em línguas brasileiras não me bastou… a curiosidade pela língua mãe fez da portuguesa, gráfica e ritmada, uma experiência oposta à pura malemolência tropical. As raízes italianas…a língua quente e arfante, digna de arrebatamento! A inglesa… cuidadosa e educada, que pede licença para entrar e marcar um compasso inteligente, irônico e amável.

São línguas, jeitos diferentes… Humores distintos. Estadunidense… afoitas e eufóricas, loucas que uma vez controladas levam ao êxtase! Húngara, aff, as húngaras! Não é atoa que o diabo as respeita… Quer que façam miséria no seu coração? Beije línguas húngaras… Turcas! Línguas engraçadas, quase apavoradas, sempre à espreita e dispostas à plena carícia… Francesa!!!! Nem quero comentar… Doces-apimentadas, revolucionárias, porém metódicas… cartesianas, postas e dispostas à experiência. Vietnamita… um tanto oprimidas… singelas, porém potentes, basta mostrar o seu jeito e aguardar o resultado…

Sou desses, dado à experimentação… Indianas… picantes, mas inocentes… quase exotéricas. Lituanas, carentes e potentes… incrivelmente compenetradas! Bermudas… safadas, nem um pouco sérias e perigosamente luxuriosas! Neozelandesas, incontroláveis e potentes… essencialmente oferecidas! E, por fim, a Grega, o poço da civilização! Se há língua a ser provada para mostrar o porquê da existência humana, beije a grega! Há no beijo grego algo inexplicável, algo metafísico, da esfera do inaudito… o beijo grego é o ponto alto de toda a entrega, o berço de onde todas as línguas buscaram seu aprendizado! Um beijo grego pra todos vocês! Beije!

Outros textos da série #Erotismo Em Nós:

Façamos, Renata Lima

Trinta Anos Quase, Renata Lins

Orgia com Brando e Schneider, Lis Lemos

O triângulo aponta o caminho, Niara de Oliveira

Erótico Pornográfico, Bete Davis

Águas Feminnias, Sílvia

Espera, Raquel

Inverno, Perséfone

Pode rezar por mim que eu deixo

Sou fã de mimimis, só que não, principalmente os da vida real. Acho que muitos deles ajudam a mostrar quem realmente somos e muito do que estamos tentando esconder sobre nós mesmo… Mimimi é como o recalque fala… Um dos mais interessantes é o relacionado à religião e vem em múltiplas frentes: os fanáticos religiosos, dos que creem em alguma coisa e ama, dos que creem em alguma coisa e odeiam e dos que não creem em nada, pra citar os mais comuns.

Eu acho um saco esse bate boca entre “fanáticos retrógrados” e “ateuzinhos modernos” (faltam aspas) do que pode e o que não pode com relação às crenças, de como tem ou não que ser; se, quando, onde e para quem pode rezar… Tipo, piro o cabeção… Que o Estado é laico, sem discussão. Que a religião não deve ser usada para afligir o corpo e a mente, ou a alma pra quem tem ou acredita ter, inegável! Essas discussões são meio que fora de questão, mesmo que eu esteja vendo obviedade onde não tem, elas comportam extremos e grupos sociais que só se relacionam para tentar se cutucar com vara curta… e no mau sentido…

Sim, to falando do dia a dia. Da convivência com avós, pais, mães, tias novas, velhas, chatas e moderninhas, irmãos e amigos… Não entendo como as pessoas podem ser tão intransigentes na esfera de relacionamentos cotidianos quando um assunto tão fácil de rechaçar hoje em dia, a crença, vem à tona. Às vezes falta um pouco de “50 tons da minha mão na sua cara”, mesmo que imaginários, para que isso se resolva…

Me ocorre sempre aquela situação relativamente comum em que algum desses “crentes” que conseguem operar a maravilha de amar o próximo (nem Freud explica), as vezes na inocência, soltam aquela: “vou rezar por você”. Desde que não seja rezar para me fazer mudar, me explica o mal que há nisso? O povo do mimimi não entende que isso é, talvez, uma das maiores demonstrações de carinho que podem estar recebendo. Pensa bem, alguém está se dispondo a deliberadamente dispensar parte de seu tempo pensando em você, pensando no seu bem.

Ao invés de reclamar, podia, sei lá, descobrir uma forma de retribuir… Depois que eu me dei conta disso, ao invés de me aborrecer quando minha avó dizia que ia rezar por mim, passei a responder: e pra comemorar vou na balada hoje, vó, vou fazer um pega-pega em homenagem a você! Pode rezar que eu deixo!

Fala, Gorette*: Fiofagem

Fala, Gorette! Beleza, fia? Saudadocê, tá magrinha, hein! Comendo nada, também… Esse seu cobre só vai gastando! Se eu vi? Vi! Confesso que foi uma experiência bastante assustadora no início, mas depois foi piorando… Tive que repensar toda a existência por causa daquele vídeo! Você também? Ufa! Achei que só eu tinha me espantado com a moça fazendo a tattoo no fiofó… É, Gorette, fiofagem!!!!! Sua infâme…

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Para de gracinha, santa! Poxa, não sei… Acho que é coisa nossa, se assustar… Tem uma galera fazendo e, sério, aquela estrela até que ficou bonitinha. Tudo bem que é uma coisa íntima, talvez não precisasse mostrar, mas há de convir que se tatuagem é arte, pelo menos algumas são, tem que mostrar… E a moça não foi a primeira a mostrar o cu em público… Lembra do disco do Tom Zé? É, aquele do cu com a bolinha de gude… Pois é, cu faz sucesso. E isso desde a Grécia antiga… Não é? Então não reclama…

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Como assim você é contra marcas no corpo???? Ah, para, Gô! Deixa de estória… Você é estauta, tá aí paradinha na sala e leva pintada a hora que eu quiser! E larga de recalque senão eu te tiro a vista de Iemanjá e te viro pra parede… Acho que você tá precisando mesmo refletir sobre a existência… Pensa bem, mané! Olha a quantidade de biscatagi que dá pra fazer depois dessa inovação tecnológica.

Tipo, dá pra ter carinho: Dia dos namorados, surpresas, no meio do passeio de língua você abre o olho e se depara com um “Te Quiero”… os Picasso pira, fia… Dá pra ter sacanagem: precisa apimentar o relacionamento ou fazer aquela biscatagi homérica, aluga o filminho “A tatuagem de Brokeback Moutain”… os Dalí capota! Dá pra ter ilusão: amor platônico, sofrimento, você lembra do Sid Guerreiro pra animar e “que cor? cor azul, na boca e na porta do céu”, pronto, registra a experiência! Os Wilde dá looping… Dá pra ter desespero: desilusão amorosa, dor, depressão, vontade de quê? de gritar! Ó que lindo ter o quadro mais caro do mundo lá!!! os Munch falece, paixão! Impressionista, não?

As possibilidades são imensas, Gô… Já pensou? Um fumè à lá Monet, um jogo de luz à lá Rivera, um sorrizinho à lá Da Vinci, uns traços modernos à lá Tarcila… Um Mama à lá Valesca!!! Os dadaísta batekabelo! Tá vendo como uma fiofagem pode dar felicidade, contentamento e mais graça à vida? Gostou, né! Essa rizadinha maliciosa aí é de quê, hein? Hehehe, tá cogitando… Né? Pois é, fia, libera geral aí e tatua o alter ego! As Freud comemora.

*Fala Gorette é um protótipo de coluna mensal que estou matutando. Gorette, minha amiga, é a estauta com quem estou conversando no momento… Espero que gostem! Augusto ;-p

Bisca Millet

Há alguns anos atrás, quando li “A vida sexual de Catherine M” (“La vie sexuelle de Catherine M.”, no original), autobiografia erótica da crítica de arte francesa Catherine Millet, confesso que fiquei chocado e excitado. Não precisa nem dizer que a publicação do livro foi um escândalo no meio artístico e intelectual francês, pois, imagine, a renomada figura de um dos círculos mais odiados do mundo das artes (a crítica) estava ali, em seu oitavo livro, abrindo o ventre para quem quisesse ver. Best seller imediato, lógico!

Eu fico só imaginando a cara de todos aqueles artistas novinhos, alvos da caneta ferina de Catherine Millet que, talvez tarde demais, descobriram que todos aqueles “va te faire foutre” e “va te faire encouler” dispensados à nossa biscatona foram, na verdade, muito bem recebidos… elogiosos, inclusive. O “mon cul” coletivo deve ter sido impagável! O ahazo daquelas poucas páginas, pelo que li das resenhas à época, serviram para mostrar que o ambiente moderninho da arte francesa do início do novo milênio não era capaz de digerir uma respeitável profissional de meia idade expondo aventuras sexuais que iam da suruba a escatologias ao ar livre em ambientes parnasianos.

É bem possível que essa diva não tenha sido a primeira, mas certamente há um quê de pioneirismo na sua narração. Começando pela completa fusão entre autor e eu-lírico, em uma narrativa em primeira pessoa e sem voltas. Aquele distanciamento que, por vezes, aparece em livros de memórias, aquele sentimento de “não fui eu, foi o meu eu-lírico” não aparece nesse livro. O “La vie” (para os íntimos) é uma prosa sincera, direta, divertida e do tipo do “graças a deus que existe pecado do lado de cima do equador só pra gente fazer mais um”.

Pra mim, o que faz o “La vie” tão incrível e arrrojado é o fato de que, como em toda boa obra literária, o estilo de Catherine nos insere na história e nos induz a compartilhar do ambiente de liberdade e liberalidade sexual que ela experimentou. A ânsia de conhecimento do corpo, da sexualidade e do prazer se transpõe da autora para o livro para o leitor como uma paixão em cadeia e fulminante, que vem da constatação de um pequeno detalhe da relação: que o se percebe em si e no outro é aquilo o que transforma uma relação sexual em algo a mais.

Catherine Millet não parou por aí, recentemente publicou um novo livro de memórias “A outra vida de Catherine M.” (“L’autre vie de Catherine M.”, no original), no qual aborda as contradições da liberação sexual a dois, em particular o ciúme (veja entrevista no vídeo abaixo). Eu ainda não li, mas já tá na pilha de livros que se amontoa na minha cabeceira. Afinal, não é todo dia em que alguém está disposto a pegar esse conjuntinho de preceitozinhos sociais (conservadores e libertários, sim, ambos com seus pré-conceitozinhos) e praticar a modalidade olímpica de arremesso de merda no ventilador, escancarando pra quem quiser a receita do desejeXse liberteXgoze… Dá-lhe, Bisca Millet!

Um medo biscate

Ser deixado à medida do Bonfim, não valer pra ninguém. Esse é o medo Biscate. Entenda, a biscatagi não quer dizer que nossos padrões sejam baixos e que não nos importamos com a duração da relação. Ao contrário, nós, biscates, vamos atrás de experiências para, justamente, encontrar aquela que atenda perfeitamente aos padrões que estabelecemos. Não nos contentamos com o “de qualquer jeito”.

É uma questão de se dar ao luxo e, mesmo, de amor próprio. Biscates têm três tipos de status de relacionamento: na pegação; com o amor da vida em determinado momento; e melhor só, porque to com preguiça. Acho que é por isso que ser biscate incomoda. Porque, vamos combinar, ser de bem com vida, seguro de si e do próprio corpo e ainda passar o rodo é algo que gera alguma indignação no bonde do recalque…

Mas voltando ao medo, sim temos medos. Medos que se reportam a nós mesmos e que pouco têm a ver com qualquer pressão social. Biscates têm medo de solidão, não da voluntária, é ótimo sumir de vez em quando, mas daquela que ocorre pelo “desaparecimento” das pessoas queridas – também chamado Efeito Vida-Maldita. Biscates têm medo de rotina e de calmaria, a intensidade com que vivemos nossa vida e relacionamentos mostra isso e cair na vala da mera sobrevivência é morte para um/uma biscate. Biscates têm medo da perda e não estou falando de pé-na-bunda, isso é normal na vida de qualquer um, mas sendo tão passionais e intensos como somos, perdas esperadas e inesperadas são grandes inimigos da biscatagi.

E o diabo do “não valer pra ninguém”? Esse sim acaba com qualquer biscate! Não queremos trocar nada em miúdos, aliás, ao caralho com as miudezas. Nós buscamos nossa metade, quem nos faça um par nessa valsa triste e não somos exigentes… que seja no centro de um planalto vazio, como se fosse em qualquer lugar, nos basta o outro…

Leo e Bia

E o não valer pra ninguém… sim, porque as vezes a gente não acha… Outro dia eu mesmo tinha cá pra mim que eu vivia enfim um grande amor… Mentira! Era a cabrocha mais bonita de toda a ala. Não só arrasou com meu projeto de vida, como me deixou mudo o violão! Pois, é, mas somos biscates, seguimos em frente e continuamos procurando, podemos até “não valer pra ninguém”, mas que seja pela tentativa e não pela falta de experiência! Aproveita que hoje samba saiu!

Orgulho de ser gente!

Porque homi é homi, minino é minino, macaco é macaco e viado também é gente.

Hoje é Dia do Orgulho Gay e @s biscates – ess@s descarad@s que só querem corromper a sociedade e vão contra a moral e os bons costumes – se embrulham na bandeira e se jogam na discussão, luta e celebração.

Por que? Porque biscatagi rima com respeito ao outro, com diversidade, com direito ao próprio corpo, com liberdade, com manifestação de afeto e desejo.

E a data que relembra e celebra o Orgulho Gay é isso aí tudo, feito seta e memória. Então, do começo:

Orgulho gay é a ideia de que gayslésbicasbissexuais e transexuais (LGBTT) devem ter orgulho da sua orientação sexual e identidade de gênero. O movimento tem três ideias centrais: que não se deve ter vergonha da orientação sexual e identidade de gênero; que a diversidade é uma dádiva; e que a orientação sexual e a identidade de gênero são inerentes ao indivíduo e não podem ser intencionalmente alteradas.

E por que 28 de junho?

A data teve origem em Nova York, quando ocorreu a Rebelião de Stonewall. A Rebelião de Stonewall foi um conjunto de episódios de conflito violento entre gayslésbicasbissexuais, transgêneros e transexuais e a polícia de Nova Iorque. Stonewall foi um marco pelo relevante número de pessoas que se uniu para resistir aos maus tratos da polícia recorrentemente infligidos à comunidade LGBTT.

E o que nós temos a ver com isso?

Tudo. “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Quem condena, maltrata, persegue, quer “converter ou curar” a homossexualidade são os mesmos que medem o tamanho das nossas saias e acham legítimo dizer que “quer ser respeitada, se dê ao respeito” como preâmbulo pra estupro. Uma sociedade de tolerância, aceitação e convivência passa pela luta sistemática, organizada e ativa contra a homofobia.

meme, no facebook: “Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando o céu” — Oscar Wilde

“Sou o amor que não ousa dizer o nome”

Homofobia não é apenas a sua opinião sobre a vida do outro (sobre a qual, aliás, você não tinha que dar pitaco algum). Homofobia é uma violência e tem causado sofrimento sistemático a muitas pessoas. Um exemplo icônico é o grande escritor Oscar Wilde. Oscar Wilde não foi um exímio narrador apesar de ser gay. E nem porque era gay. Ele foi um excelente autor porque ele era ele (lembrando Montaigne: porque eu o amo? “porque era ele, porque era eu”). Mas ser ele mesmo incluía ser homossexual numa época em que se condenava, perseguia e silenciavam as relações homossexuais (somos todos vitorianos, quase escuto). E por ser ele mesmo e tentar viver e amar quem ele quisesse foi preso e condenado a trabalhos forçados. Com a repercussão da situação, seus livros e peças ficaram escanteados e ao sair da prisão passou a viver na miséria.

Links legais:

Doze autores: Especial Dia do Orgulho Gay

As Entranhas da Homofobia

Oscar Wilde e os direitos homossexuais

Ou mama, ou volta pra caverna…

Me irrita! Profundamente… Odeio preconceito musical! E não é uma coisa de memes de redes sociais. Me irrita mais porque já tive e agradeço a Jisuis por ter me salvado, mas me perturba o fato de que esse tipo de coisa prejudica a biscatagi. Como? Simplesmente pelo fato de que a música talvez seja o maior motor de difusão cultural de massa e é ela que ajuda, e muito, na liberação sexual, sem a qual nós biscates não teríamos nem o que fazer…

Vou me restringir aos últimos 50 anos e não vou sair do Pop. A primeira regra pra não cair no preconceito musical é lembrar que a nossa querida Transviada, Violetta, e a baluarte do passarinho rebelde, Carmen, infelizmente têm pouca influência nesse processo recente e, em suas épocas (me refiro às estreias), foram vistas como jogos retóricos ou óperas bufas. Eu prefiro falar de algo mais próximo. Eu quero Freddie, eu quero MDNA, eu quero Gaga, eu quero VLSK. Sim, porque é a BCTA deles que tem o poder!

Como já disse, sem jogos retóricos e sem erudições. Essas quatro figuras são arte, são de massa e são responsáveis por uma trajetória de liberalização sexual que está impregnada em suas músicas. E, melhor, incomoda! E, desculpe, só é arte de vanguarda porque incomoda, senão era outra coisa, talvez ainda arte, mas não contribuiria para nenhuma frente biscateira.

A escolha dos quatro também não é por acaso e nem são todas as músicas que me interessam. Pela proximidade dos eventos, eu tinha pensado em escrever algo específico sobre as Prides que estão bombando esse mês, mas ficaria chato e, mesmo, restrito, não pensar das queridas Vadias, no pessoal peladão de bicicleta. Afinal, liberação sexual é algo que atinge as hetero, as guei, as bi, as trans, os homi e as racha, indistintamente. Pode até atingir de forma diferente, mas atinge a todos.

É sim, pois o próprio Freddie diz isso naquela entrevista-maior-vergonha-alheia-do-braseu à Glória Maria que “I Want to Break Free” é uma ode a quem está cansado da rotinha, da repressão da vida cotidiana e que é necessário muitos mais que uma blusinha rosa, uma saia de couro, bigodes e um aspirador de pó para se libertar. God knows! Tem que colocar um colã de fauno depois do meio dia (né não, Nijinsky?) e nadar por cima de pessoas rolando no chão. Não que isso seja algo que você só utilize para dizer à sua Mama que você acaba de matar um homem, mas que o show só continua se você tiver motivos para manter o sorriso no rosto!

E, porque não, dar uma incrementada na entrega ao outro? Sentir-se virgem é sempre uma opção. Claro que sim! E engana-se quem pensa que isso signifique uma ideia de repressão feminina. Nossa Senhora do Like a Virgin, em suas preces, está apenas nos dizendo que, no mistério a vida erótica, cada nova experiência deve ser única. Cada nova entrega, por amor, desejo ou seja lá o que for pode ser uma ótima experiência e, já que resolvemos nos libertar, nós temos a chave, ao tocar de parceiros sexuais com a próxima roupa, vamos esquecer as más experiência, aprender com as boas e transformar as novas em únicas!

Esses dois grandes ícones vêm acompanhados de perto por um pessoal que tá dando o que falar. E é nessa polêmica, nessa confusão que Gaga e Valesca colocam suas Mamas para funcionar. Mama-Monster foi diretíssima, mudou o Pop ao resolver escrever o seu mau romance. Disse o que todos sempre quisemos dizer: “eu quero tudo o que vier de ti, contanto que seja livre”, sim, livre, “gratuito” não funciona nessa tradução! Desculpa quem não gosta, ou quem já cansou, ou sei lá, mas à beira da glória, ela veio pra mostrar que nós podemos nascer e ser como somos, não importa o tamanho da poker face da sociedade. Depois dela, filhos, todas tá procurando um Alejandro ou Alejandra, ou até um Judas para chamar de seu criminoso!

E a nossa Popozuda? O muito amor <3 <3 que a liberação sexual que te dar, que te dar, quer te dar dar-dar-dar-dar-dar-dar? Ao contrário dos outros, ela não nasce no Pop, mas é a coragem que desce o morro pra mostrar que a nossa buceta tem poder. No sentido real e no figurado. Por quê? Porque quanto mais sexualmente repressiva a sociedade, mais alto devemos que “Pega no meu grêlo e mama”, pois enquanto isso chocar os ouvintes é necessário que seja dito! Da mesma forma como não se nega um copo d’água. Sim, já fazia anos que alguém não cantava e difundia tão lindamente os sentimentos e reações somáticas de um encontro de paixão à primeira vista, encharca daqui, pisca de lá, lateja dali…

Eu não sei porque isso causa horror e todos eles, de alguma forma, causaram. Simplesmente por descreverem em sua arte o que nós sentimos e não expomos nesse ambiente de repressão sexual quotidiana. Mas também causaram grandes influências que se espalharam por aí, como os vídeos mostram! Por isso, então, mama, ou volta pra caverna! Porque somos biscates, dependemos e defendemos essa liberdade sexual e vamos continuar exaltando tudo o que nos ajude a difundi-la! Queremos isso e, assim, quem sabe, um dia possamos continuar mais essa conversa com Bizet, com Verdi, com Piaf e massificar todas as formas de biscatagi por aí!

Orgasmo Masculino Fake: o Desejo X a Culpa

Há alguns dias eu recebi um desafio. Sim, teve uma reunião das Bisca que decidiram me interpelar brutalmente (DM no Twitter, com twit de “@Mozzein —>DM”) para que eu falasse de um tema complicado para nós, homens: orgasmo fingido, broxada. A ideia era aproveitar as discussões resultantes do post “Orgasmos: é à brinca ou é à vera?” da Renata Lins e da Silvia Sales e preparar um dedo na nossa ferida… (O post foi tão bom que rendeu a homenagem do Matheus, confira aqui) e fiquem calmos, o dedo vai só na ferida mesmo. Como eu sou muito #FACINHO, aceitei imediatamente, pois, já que eu estou fazendo hora e fazendo fila na vila do meio-dia, não custa nada me coçar, me roçar e me viciar na biscatagi…

A questão principal é HOMEM FINGE ORGASMOS? Como isso poderia acontecer? Há quem diga que homem só broxa e que fingir orgasmos é coisa de mulher… pê-pê-pê, pá-pá-pá, sexismos etc. e tal. Só digo uma coisa pra vocês, dispam-se disso. Homem finge orgasmo sim. Vamos pensar em conjuntos, em inter-relações e em trocas para tentar entender isso… se eu abusar do sociologês, pode bocejar e continuar lendo, mas vamos lá.

Primeiro, sexo e orgasmo (heterossexual e homossexual) é algo que se descobre a dois. Não existe uma receita. Existe prática, conhecimento do outro, cumplicidade. Pode rolar de primeira, delícia que sempre seja assim, mas se não rolar (e, pior, se não está rolando) é importante se conhecer. Colocar o nariz, a língua, o dedo, a boca, usar de todos os artifícios que o nosso corpo permite (e que não o “destrua”) para aproveitá-lo, na plenitude.

Outra coisa é o autoconhecimento. Não adianta querer meter o dedo (y otras cositas más) no outro se não sabemos onde o outro pode colocar na gente. “SE TOQUEM”, sempre digo isso! (aliás, se você não leu, veja lá a situação do Gerônimo!) É preciso que as pessoas pratiquemos isso! Como pretendemos ter algum tipo de prazer sexual, despejar o gozo do nosso desejo (que envolve 2 partes, o psicológico e o somático, a mente e o corpo) se, no mais simples, no nosso corpo, nos recusam a nos TOCAR??? Irrita-me, profundamente, quando escuto certos discursos que, muitas vezes veladamente, condenam o autoconhecimento. Pior, que condenam o reconhecimento do próprio corpo como um elemento de satisfação.

Sim, o nosso corpo é um elemento da nossa satisfação. Ninguém está aí para ser a satisfação do outro (o nome disso é estupro, físico ou cultural, sim, se você finge o orgasmo você pode estar sendo culturalmente estuprado). E o bom é que se alcance a satisfação com o outro, juntos, senão não serve. Pra isso, há uma terceira questão: A CULPA. Sim, essa senhora é o algoz de todo o DESEJO. CULPA, CUL-PA, C-U-L-P-A. Pessoal, familiar, social, ou cultural, a culpa é o motivo de muitos orgasmos fingidos. É a culpa de ser gordo em uma sociedade magra, de ser feio em uma sociedade linda, de ser raquítico em uma sociedade atlética, de transpirar em uma sociedade anti-transpirate. Mas esse é só o primeiro nível de culpa, pois envolve apenas aspectos fisiológicos.

Outro nível é a culpa de gozar. Não só de gozar, mas de se permitir fazer sexo. É a dos jovens de pais repressivos, dos homossexuais de pais homofóbicos, dos religiosos de seitas que pregam a suma reprodução, dos diferentes que sofrem com os dedos apontados pelos iguais. Haja Freud! Se encaixou em alguma delas? Pois é, é aí que começa o fingimento do seu, do meu, do nosso orgasmo, querido leitor-leitora biscate-wanna-be. Sim, isso serve para as meninas.

Isso tudo me traz à cabeça Clarice Lispector no “Uma aprendizagem, ou o Livro dos Prazeres”, que conta o processo de emancipação sexual de Lóri, levado a cabo por Ulisses. Não vou entrar em detalhes sobre a história (cuja leitura, mais que recomendo), me interessa a questão da emancipação que, no caso, ocorreu pelo fato de que alguém que exercia um papel de dominância (Ulisses) resolveu permitir ao outro, que queria e buscava isso, um processo de liberação.

O processo de aprendizagem é algo difícil, doloroso e, em certo ponto, pende entre alienante e emancipatório (a Lóri passa por esses estágios). Já diria meu querido Bourdieu (mais especificamente sobre a escola) que a reprodução de um sistema de dominação (e, sim, educação sexual da culpa é uma das mais fatais em nossas vidas) é principal motor de um “sistema de alienação”. Cabe, assim, a todos nós dominadores ou dominados, ou dominados em conjunto. Trabalhar pela nossa emancipação.

Todo processo de aprendizagem é um processo de dominação. Há sempre o que diz (ou faz) e os que reconhecem que aquilo o que é dito (ou feito) é “bom” (ou “ontologicamente melhor”, pra usar o Bourdieu). Sem querer reduzir a questão sexual apenas à questão simbólica do poder, cabe a quem domina, a quem tem o reconhecimento, decidir sobre exercer seu poder para emancipar, ou praticar a violência e alienar. E cabe ao dominado buscar ver o processo por cima, de forma crítica e entender a intenção do seu dominador. O mundo pode até ser dos sensíveis, mas não é dos ingênuos… infelizmente!

E não se enganem, alienação sexual é também uma escolha e é NOSSA. Pelo simples fato de que somos nós que reconhecemos nesse sistema a suas capacidades de nos dizer o que é certo ou errado sexualmente. Mas não é só isso, felizmente. Não é comum, mas vira e volta surge um desses “dominadores” (no sentido de detentores de poder/conhecimento/reconhecimento e não de repressores) que resolvem se permitir conosco modificar essa situação e, aí, acontece a reversão da dominação. Afinal, o que seria de nós sem os pais responsavelmente permissivos, os professores avant garde, os meios de comunicação libertários, os movimentos pelas liberdades, os psicólogos e psicanalistas.

Onde fica o orgasmo masculino fingido nessa história? Fica principalmente nessa culpa decorrente do nosso processo de alienação sexual. O homem não finge o orgasmo pela ausência de uma regularidade fisiológica, a impotência. Fingir o orgasmo não tem nada a ver com isso, aliás, precisamos estar em riste para poder fingir algo que não vai ocorrer. É justamente nas questões de autoconhecimento e de culpa que reside o nosso momento #FAKE.

É assim: Veio a vontde, começamos a trepar, mas o parceiro gemia esquisito; a foda estava mal dada, entrou atravessado; colocaram a mão no lugar errado, ou não colocaram a mão em lugar nenhum; conversou muito, conversou pouco; a culpa afligiu o desejo… era suor demais, gordura demais, ossos demais, dente torto demais, mau cheiro e sangue demais; as vezes o tesão nem era tão grande e só pegamos para mostrarmos que éramos homenzinhos; pegou menina e gostava de menino; era a voz da mãe, do pai, da avó, do pastor, do padre, do professor, ou da vizinha que não saía da cabeça; ou, ainda, o mais simples e digno, o cansaço era maior.

E aí, assim, metemos, beleza. Rolou um vap-vap-vap. Mas não tava lá essas coisas. Aí, atire a primeira pedra que nunca pensou na mãe morta, no cachorro atropelado, na vizinha velha nua, ou simplesmente broxou (e volto a dizer, não é algo somático, não é impotência, é psicológico, é falta de vontade, de desejo), por ter escutado lá dentro, no inconsciente, a voz de algum repressor. Então, é só dar um urro e não deixar a falta de conteúdo dentro da camisinha à mostra. Pronto, está feito um orgasmo masculino fingido. Acontece, pode até não ser comum, mas não é raro. O que faz com que ele ocorra? São motivos mil, incontáveis, a maioria dependente da ambivalência Desejo-Culpa. Não deixe acontecer mais com você. LIVRE-SE DA CULPA!

Só pra lembrar, vale ver o vídeo em que Sean Maguire (personagem do Robim Willian) lembra a Will Hunting (personagem de Matt Damon) que “NÃO É SUA CULPA”, no filme Gênio Indomável. GOZE!

 

Ovos mexidos: utilidade pública

Hoje resolvi prestar um serviço de utilidade pública: aula de culinária. Mas não é qualquer comida, arroz com feijão todo mundo já está acostumado a fazer, são ovos mexidos… E, sim, de utilidade pública, pois tem muita gente fazendo errado por aí! Tem que saber fazer! Não me venham com essa de que é ovo, só bater (não!!!!), jogar lá e deixar esquentar que tá pronto. Bons ovos mexidos vêm acompanhados de outros bons ingredientes e de todo um cuidado e ritual especiais em se fazer… Vão então as dicas e quem adora ter, sempre, os ovos mexidos, não importa e no café, no almoço, no jantar ou no lanchinho da madrugada.

Meus Ovos Mexidos – by Augusto Mozine

Primeiro passo: escolha os ovos. Pode ser ao gosto do freguês/freguesa. Grandes, pequenos, médios, um maior e o outro menor; frescos ou guardados na geladeira, dependendo da sua condição de pessoa comprometida ou não com o supermercado. Mas escolhas bons ovos, não importa se brancos, vermelhos, azuis, de granja, caipiras ou orgânicos, por dentro, são todos amarelos e transparentes.

Segundo passo: cheire os ovos. Claro! Você não vai ficar manuseando, cozinhando e, depois, colocando na boca quaisquer ovos fedorentos. Lave-os, se necessário. Não resolveu? Joga fora. Aspecto é uma coisa muito importante, ovos têm que parecer (e ser) saudáveis.

Terceiro passo: escolha os acompanhamentos. Primeiro o óleo, certo, isso com certeza vai afetar o sabor! Azeite de oliva ou manteiga caem bem, mas não custa nada ter um bom óleo aromático em casa para essas horas, né! Aí, você amigo, você amiga, pode colocar o que mais quiser, quem vai comer é você! Cogumelos para os veganos; um bom e tenro presunto para os preguiçosos; bacon para quem privilegia uma boa gordurinha; linguiça para os tradicionais; frutas secas para os chiques; queijo para os ligeirinhos; bacalhau desfiado para os requintados; e mexilhões, sururus e camarões, para os que comem de tudo…

Quarto passo: o preparo. Pegue sua melhor caçarola, não pense que vai conseguir ovos maravilhosos com uma frigideira amassada e com aquele queimado no fundo. Unte bem com o óleo ou manteiga escolhidos. Coloque os acompanhamentos. Sim, preparar uma boa cama para mexer os seus ovos é o melhor negócio! Então, com delicadeza, pegue os ovos, quebre-os com carinho e os coloque por cima. Isso mesmo, não bata os ovos (pra que machucar?), deixe que eles se espalhem sem pudor pela sua caçarola já toda receptiva e preparada no recheio e aguarde o cozimento. Quando vir que os ovos já estão durinhos é a hora de mexê-los, com calma, nada de afobação, mexer bem os ovos com o cuidado para que eles se dissolvam por todo o seu recheio é um momento de sabedoria. Tá pronto. Tempo de preparo: indefinido, quem vai escolher os acompanhamentos é você… Mas deve durar de 15 a 30 minutos.

Depois? Caia de boca! Chame seu amor, seu bem, sua amiga, seu amigo, sa femme, son homme. Faça um programinha gostoso e ofereça uns ovos mexidos bem incrementados. Pode acompanhar vinho, cerveja, refrigerante, suco e sacanagens (aqueles palitinhos com azeitona, pimentão, presunto e queijo, que se compra no supermercado). Afinal, hoje em dia, não falta ovo disponível na prateleira… Só passa fome que quiser!

Se toquem: sobre Gerônimos e Pocahontas…

Outro dia enquanto tomava banho (sim, sempre há uma luz de reflexão no fim do banho) me lembrei de uma situação inusitada de uma conversa que escutei em uma mesa de lanchonete (não, não tenho costume de ouvir conversa alheia, mas estava sozinho, atoa e o assunto era interessante, como ocorre a todos que escutam as conversas alheias). Estava eu lá, mais ou menos no meio da regra sagrada da ordem do que lavar no banho (é… eu sigo a metodologia do “cabeça, ombro, joelho e pé”…) e, do nada, me estalou o quanto aquele papo adolescente explica em muito a nossa sociedadezinha conservadorazinha. Nome fictício do protagonista: Gerônimo. Por três motivos: não conheço nenhum Gerônimo; Gerônimo era o Chefe Apache que virou símbolo de valentia e macheza; e vai ajudar na piada…

Era uma roda normal de alunos de uma escola católica tradicional. A conversa, deus sabe porquê, descambou para aquele assunto que só ocorre entre meninos e meninas adolescentes quando há um ogro no grupo ou quando não há interesse sexual entre nenhuma das pessoas presentes: como tomar banho. Terreno escorregadio… todos os medos do sabão cair no chão… mas levaram a conversa.

A conversa me chamou, mesmo, atenção quando um dos meninos, que chamo de Descartes, disse que era adepto da técnica do “cabeça, ombro, joelho e pé” (todos pira). Foi interessante vê-lo expor cientificamente minha metodologia de lavar o corpo (que eu nunca tinha elaborado), que as meninas acharam infactível (imagina lavar o cabelo todos os dia e começar a limpeza de cima para baixo para que a água que escorre por você seja sempre limpa????)… Continuando o papo, alguns não tinham técnica nenhuma, mas todo mundo cheirava bem (pelo menos pareciam cheirar bem). Entraram no assunto alergia, muito produtivo, eram a perfumes, esponjas, determinados produtos, etc… Descobriram que tinha gente que só usava sabonete líquido, que já usava sabonete íntimo e que tinha a rykaa que tomava banho de banheira com sais da L’Occitane… Então, Gerônimo me solta a pérola: “eu não sei como vocês conseguem passar o sabonete na bunda! Só de pensar… já tenho medo de virar viado”…

Entre gritos de pavor, nojo, graça e de “como você se lava?”, Gerônimo passou por ogro que não lava a bunda e mudou-se de assunto… Na mesa, ninguém pareceu se tocar (talvez se Jerônimo tivesse se tocado nos poupasse da história), mas era tarde… diabo trabalha… na minha cabeça só pipocava: “que inferno de recalque é esse”?!?!?!?!

Como alguém pode se privar da higiene íntima por medo de virar Pocahontas? Na boa, o cara que diz que lavar (LAVAR!!! Ninguém falou em enfiar nada, fazer ligação direta, fio terra ou o escambau) a bunda pode lhe causar uma sensação de prazer a tal ponto de causar #MEDO de “virar” homossexual? Tipo, mesmo que ele estivesse “brincando” (e não estava), tem muito que conversar com o tio Freud… Primeiro, porque não deveria haver problema em ser homossexual (ou bisexual, ou gostar de fio terra, sei lá…); segundo, que pavor é esse que nos é quase que imposto e que nos impede de fazer coisas tão simples como tomar banho e nos tocar?; e terceiro, mas não menos importante, se ele não lava, aí é que ninguém vai querer mesmo!!!

Mas vamos ao ponto. O que nessa nossa sociedade, na nossa formação (porque, sim, isso faz parte da nossa formação cultural, é algo que está infundido no nosso imaginário), faz com que as pessoas não sejam, ainda jovens, capazes de descobrir seus próprios corpos? Por que isso é visto como uma infração, um pecado, uma aberração? Que inferno de repressão medieval é essa que, nem na felicidade de um bom banho, não nos permite ser livres?

Eu, que fui adolescente e estudante de escola católica tradicional na época em que o Bento ainda era XV, confesso que tenho medo com o que ainda acontece na geração Bento XVI. Se, nessa altura do campeonato, vive-se com medos que começaram a ser enfrentados no século XIX, há muito o que se temer para o século XXI. Que modernidade é essa? Deve tá certo o Bruno Latour que diz que “Jamais fomos modernos”… e gente por aí se afirmando pós-moderna… Me mata ver que essa verborragia inócua e estéril de desenvolvimento social morre quando [não] vamos ao mais simples: nossos corpos…

Enquanto tivermos medo de nos tocar, estaremos (eu, você e o Gerônimo) constrangendo nossos corpos como sempre foi feito e nosso único “progresso” vai ser a eterna permissividade consumista da introdução (recorrente) de novas formas de fazê-lo. No final, tem que fazer mesmo como #GÊNIO da lâmpada do Aladdin da Disney que, na década de 1990, já não tinha medo de ser Pocahontas…

Se toquem!

É Dia de Festa!

Nosso quarto mesversário, estamos aqui comemorando a proximidade dos cem mil acessos, 119 posts e 1.583 comentários. Isso é bem mais do que se imaginávamos quando o clube abriu as portas. O time que começou com duas jogadoras e muitas promessas hoje tem no elenco nove “escreventes” e ainda as promessas todas. Hoje é dia de festa e a comemoração é com as letrinhas dos noss@s escreventes-fix@s (já que biscatagi casual não nos falta)…

Augusto MozineAugusto Não é fácil ser o único homem fixo da biscate… Responsa da braba! E foi mesmo um romance, diria que até atribulado. Conheci a Biscatagi por uma amiga, que já frequentava o meio há tempos e, claro, pirei! Daí começaram os flertes, alguns dos textos dos meus blogs tinham alguma conexão com a linha das Biscates e, depois do Expurgando Teresinhas, veio o convite para o primeiro Guest Post (Os mino pira na biscatagi) que foi um debut muito gostoso! E, então, um belo dia me surpreendi com o convite para uma parceria fixa e aberta uma vez por mês. Só tive uma resposta: Muito Amor <3 <3. A experiência? Liberating! Escrever e participar de discussões sobre a safadeza nossa de cada dia tem me feito muito bem. Além disso, já recebo alguns comentários do tipo: ah, uma amiga leu o seu post num Blog, disse que gostou muito. É sempre bom, né! Daqui pra fentre? Consolidar a parceragi, me embrenhar nos caracóis dos cabelos biscates e ser feliz!

charôCharô Minha busca pelo ser biscate é uma estória que sei exatamente como começou. Os tempos eram outros e as únicas fontes de informação, além da escola e família, eram os livros e a televisão. Como a gente não lia, dou graças a deus pela televisão. Foi alí que encontrei as primeiras sementinhas de um mundo que nem mesmo desconfiava existir. Um mundo onde o Bryan Ferry cantava Don’t Stop The Dance, com mulheres dançando livremente na minha casa. Tudo muito sutil, o suficiente para que pudesse acontecesse na sala de estar que, no meu caso, também fazia as vezes de quarto de dormir. Apenas um rodopio de cabeça, jogada suavemente para frente e depois… Oh, para trás. Gestos que me ensinaram como a força pode ser inversamente proporcional à leveza de gestos. E essa estória continua, a cada novo post, a cada novo autor do blog. E se me perguntassem, diria que é esse um dos motivos que me fazem amar o o Biscate Social Club. Que de clube só tem o nome. Somos uma comunidade da qual participa quem quiser. Até o presente momento, 1,336 já se identificaram com o blog. E como hoje é dia de distribuir carinhos e beijinhos, fica o convite para que você deixe seu comentário, sua participação. E para terminar, muitos beijos e aplausos aos que se dedicam, tijolinho por tijolinho, para que o dia de hoje se repita, pita, pita… Com muito amor biscate.

Cláudia GavenasCláudia Medinho. Ou de escrever sobre coisas que me encabulam (biscate tímida, presente) ou da força que a palavra BISCATE tem (uhum, isso já me aconteceu). Foi justamente isso que senti quando recebi pelo Facebook o convite da Luciana para escrever por aqui. E tudo começou quando eu curtia os posts por lá. Aí, a Lu disse: “Cláudia, pára de só curtir e sijoga”. Pronto, me joguei. E não me arrependo nem um pouco disso porque eu cresço a cada texto que publico ou que leio neste blog. Fico imensamente feliz, não só por saber que o Biscate Social Club cresceu e cresce a cada dia, mas sim, porque isso significa que tem muita gente que também cresce e aprende com o conteúdo que é oferecido. Agora, orgulho define o que sinto por fazer parte deste clube. E espero que venham muitos aniversários a serem comemorados!

Luciana NepomucenoLuciana ser autora do biscate é ser uma eu: dessas que ama escrever, que ama escrever em blogs, que ama escrever em blogs com outras pessoas que vai aprendendo a amar. Ser autora do biscate é ser uma eu: dessas que tem discurso, bandeira e projeto. Ser autora do biscate é ser uma eu: dessas que esquece a hora, o tema, o rumo. Ser autora do biscate é ser uma eu: dessas que pede post, comentário, atenção, leitura, fotinha. Ser autora do biscate é ser uma eu, uma que diz: sou dessas. Ser autora do biscate é ser dessas.

Marília Ser Biscate não é a questão. Sempre fui. A questão é ser autora-biscate. É defender a biscatagem em público. É provocar com palavras a ira, a inveja, a gula e sei lá mais quais pecados capitais andaram inventando por aí. É testar os limites do bom senso comum. Deixar com interrogação. É demandar, assim, porque quero, minha própria liberdade. própria liberdade.

Niara de OliveiraNiara Ser biscate no mundo é complicado. Tem muito de alegria e tem aquele peso de quem transgride regras, desacomoda as pessoas de seus papéis fáceis e pré-determinados e não sabe muito bem — e nem quer — qual outro papel colocar no lugar. Nem sei se quero papel. Quero viver, quero o mundo com todas suas cores, dores e alegrias, de preferência no bar da esquina entre copos e risos. Ser biscate escrevente é isso e mais o enorme prazer de saber que estou por trás da libertação de muitas mulheres e homens de seus papéis e caixas através das letrinhas todos os dias publicadas no BiscateSC. Mais. Ser biscate nesse clube é o prazer contínuo de se libertar diariamente, em doses homeopáticas de alegria, pelas minhas letrinhas e de outras/os.

Renata LimaRenata O Biscate é o meu boteco. E a gente tem altas ideias inovadoras e revolucionárias, no boteco. O Biscate é a minha cozinha, aquele lugar gostoso para onde a gente leva os amigos de verdade. O Biscate é um prazer, nada secreto. Quando fui convidada para escrever, não sabia se conseguiria, mas a cada dia, me sinto mais liberta de amarras (salvo as que eu desejo… ) e preconceitos. E a cada dia, com cada uma e um e todos que escrevem no blog, eu aprendo mais, até mesmo sobre eu mesma. O Biscate é o boteco das feministas, dos homens que amam as mulheres, é o boteco onde a gente fala de coisas leves com profundidade, ou de coisas pesadas e densas, com leveza. Eu adoro escrever, ler, divulgar os textos, conhecer novas opiniões, novas perspectivas. Quebrando formas, amassando caixinhas, rompendo com os moldes, e tentando não criar novos. O Biscate é um rótulo que brinca com os rótulos, e ao brincar, desconstrói e deixa que cada um se forme, se amolde a si mesmo… E o Biscate é o lugar onde eu encontro a Lu, a Niara, a Claudinha, a Sara, a Marilia, a Silvia, a Charô… as anfitriãs dessa festa, e as convidadas e convidados mais incríveis. É uma festa! Daquelas bem boas, daquelas que deixam sempre gosto de quero mais, vontade de se jogar, e ser feliz!

Sara JokerSara Ser autora do Biscate é uma honra pra mim, me sinto fazendo a diferença de forma divertida e muito marcante. Cada dia que vejo uma nova autora biscate, fixa ou convidada, me sinto numa luta muito mais forte. Desconstruir uma palavra é coisa pra mulher forte, não ter medo de uma palavra é coisa de gente com coragem. Assumir que podemos ser um conjunto de biscates sem medo do julgamento alheio é quebrar tabus. E o melhor de tudo, estamos quebrando tabus da melhor forma possível, com bom humor. Sempre que ouço algum@ amig@ minh@ falando que leu o blog me sinto tão orgulhosa. E quando, além de ler, mudaram de opinião por nossa causa, me sinto importante, parte de algo muito maior.

Silvia BadimSilvia Um convite, daqueles que arrepiam a alma: ser autora-permanente-escrevente-biscate-arrebatadora? para mim? É claro que só podia ser recebido com um sim-sorriso. Com um sim-claro. Com um sim-eu sou. Com um sim-vamos juntas. Enlacei minhas mãos fortes aquelas mãos que ali estavam. Um laço que se fez verdadeiro desde que recebi as primeiras linhas do Biscate Social Club. Mesmo antes do convite eu já estava lá, inteira, reconhecendo-me em cada letra, em cada linha escrita, em cada concepção de ser mulher-livre que se quer cada dia mais livre . Orgulho de ser, e de me reconhecer nas outras mulheres que ali estão, expondo-se em linhas cruas e nuas de ser quem se é. Linhas que viram asas e voam, em direção a um mundo mais cheios de possibilidades de felicidade verdadeira. E minhas escritas começaram a sair. Saíram, e saem, ganhando o mundo. Juntas às vozes biscateadas que ali estão, fazem-me reconhecer em cada uma, em cada um que lê as divagações traçadas com vontade de quero mais. Com vontade de ser mulher sem amarras morais. De ser em sorrisos rasgados e anseios se permitir ir além. Ser biscate é uma construção diária, uma disposição que não se retraí, uma verdade que não se cala. Nesse espaço, nesse clube seleto e de dimensões sem contornos, a gente vai explorando as tantas possibilidades de dizer ao mundo que a gente pode. Que a gente quer. Que a gente é. Que mulher pode assumir as rédeas do próprio desejo, que mulher é lindo e vermelho e pulsante, e que se expande rumo a realização de nossas vontades mais estranhadas e estranhas, mais ricas e diversas, mais vorazes e com sede de vida. E a gente quer é isso: ser biscate cada dia mais, em um ano, dois, dez, vinte, percorrendo gerações e gritando ao mundo: desnudem-se!

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Gostou do time BiscateSC? Ainda há vagas. E se você nos paquerar direitinho, assim dicumforça com gosto e vontade, a gente que é biscate e facinha pensa aí na possibilidade de distribuir alguns convites para mais autor@s fix@s desfrutarem da nossa intimidade. Hein-Hein-Hein?!?!  ;-P

*Clique na foto ou no nome de cada autor para ver todos os seus posts no BSC.
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