Morrer é Foda

Morrer é foda. Morrer é difícil pra burro. Repetia para si as palavras da amiga. Era isso. Havia matado a relação e se matado também. Sentia falta dele, mas percebia que sentia, sobretudo, falta de quem era naquela relação com ele. Sua amiga condensou sua dor em duas frases banais trocadas por whatsapp: “morrer é foda. Morrer é difícil pra burro”.

Morria lentamente de saudade do homem com quem trepava divinamente. Morria de saudade das conversas, da voz, do cheiro. Do olhar. Aquele olhar derramado sobre ela, morno, mas que incendiava tudo por dentro. Um olhar terno, acolhedor e revelador. Ria de como ele não conseguia ler a embalagem do requeijão e achava seus óculos horrorosos. “Vou comprar óculos redondos, ter cavanhaque e camisa xadrez só porque você gosta”, ele prometia irônico.

Ele morreu para ela. Nunca mais a facilidade de gozar naquelas mãos, nem a cerveja comprada no mercado da esquina. Quando foi que ele deixou de ser mais um e se transformou naquele em que pensava com constância, de quem sentia falta? Lembrou-se do dia – o mesmo do requeijão, será? – ele na sua cozinha, abrindo seu armário, pegando a faca e cortando o pão. Naquele dia de intimidade besta, ele fez morada. Ela soube, então, que a partir daí não tinha mais como continuar. Era preciso morrer.

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Doía não só a ausência dele. Quinze dias sem notícias se arrastaram como uma quarentena no deserto. Justo ela tão comedida nas palavras e no sentir. Faltava o ar. O peito esmagado e a certeza de que o único lugar em que cabia era o abraço dele. Doía a ausência dele dentro dela. Doía a falta do corpo dele entre as suas pernas, da boca dele nos seus seios e daqueles dedos longos que a preenchiam por completo.

Morrer é foda. Quando leu a mensagem da sua amiga, riu. Pensou: “bem, não morri. Quem morreu foi ele”. Morrer é difícil pra burro. Aquilo lhe marcou. Pensava sempre nessas duas frases. Sua amiga sabia do que falava. Ela ainda não tinha visto as coisas daquele jeito. Passou dias remoendo o quanto era foda a morte e o quanto era difícil morrer. Até que percebeu que ela também morrera. Morrer é foda. Morrer é difícil pra burro

Morrera aquela que passava as tardes transando com ele. Aquela mulher corajosa de quem ele tanto falava. Morrera a mulher cheia de doçura. Morrera aquela que era vista por aquele olhar carinhoso. Morrera a que ia passar o dia na praia com ele, mas nunca sentiram o mar juntos. Morreu aquela mulher que contava histórias da sua vida e se sentia livre para contar seus devaneios mais íntimos. Morreu aquela que não teve pudor de declarar sua paixão.

Morrer é foda. Morrer é difícil pra burro.

Ser biscate é…

Por Niara de Oliveira

… não ter vergonha nenhuma na cara!

Minha avó Carolina dizia que mulher tinha que ter vergonha na cara e à boca pequena dizia que mulher só tinha que ter vergonha na cara.

Vou dar uma ideia para vocês da minha sem-vergonhice ou da minha descaração e do que estou falando. Estou em falta com o BiscateSC e desde que comecei um novo trabalho em meados de julho deixei minha parceira na gerência dessa bagaça pendurada no pincel e solita. Antes fosse pendurada noutra cousa, né Lu? Não faço ideia se vocês estão sentindo minha falta (tinha que ter um mimimi…), mas eu — depois de um estresse básico e de querer ficar um pouquinho afastada mesmo — estou morrendo de saudade da biscatagi por escrito. Claro, porque da outra biscatagi eu não largo nem a pau (aliás… bem… cês entenderam, né?)

Não é que falte inspiração para escrever, mas é que estou num momento estranho e profundo da biscatagi sobre o qual ainda não consegui escrever.

Aí, tentando dar uma curva na-falta-de-saber-o-que-escrever, resolvi perguntar no feicibúqui (clica para conferir) e no tuíter (clica para conferir) o que era ser biscate para cada amigue. Buenas, as respostas foram quase todas na mesma direção e nenhuma me satisfez. Teve ainda a linda da Bárbara que sugeriu essa trilha pra noite de ontem e se dispôs a me ajudar depois de algumas cervejas (adogo!)… Mas, ela também foi na direção contrária do que eu (não) estava pensando — Aproveito, sendo muito cara-de-pau, para convidá-la a escrever como nossa biscate convidada. Vem, Bárbara!? — Obrigada também a Márcia, Amana, Clara, Vivi, Jeane, Tati, Tania, Mônica, José João, Daniela, Ginga, Renata, Luciano, Moses e Cris. A todos também fica o convite, afinal essa casa está sempre de portas e pernas (ui!) arreganhadas para quem quiser entrar.

Mas, voltando à vaca fria… A inspiração não veio, meu dia foi atropelado pela agenda doida de trabalho e eu não consegui descobrir um aplicativo para postar (ainda bem!) o rascunho péssimo que rabisquei no ônibus no trânsito engarrafado de hoje de manhã pelo celular. Só consegui parar em frente a um computador agora (30/08, 16h31) e saiu esse desabafo.

Achei melhor ser sincera — porque biscate diz o que pensa e o que sente –, reconhecer a minha falha e declarar minha saudade da biscatagi escrita.

… e morrer de saudade!

Agora, dá licença que tem amiga biscate na cidade me chamando para tomar cerveja e eu não resisto.

Beijo, me liga!

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