Lágrimas de um futuro frustrado

Pensar em morrer, sem choro nem vela, com uma fita amarela gradava com nomes, vários nomes. Quem nunca pensou? Desejou? não se trata de poligamia ou poliamor frustrados, mas pode ser também. Trata-se de planos, planos frustrados.

Uma coisa que é recorrente, pelo menos pra mim, é tomar as experiências e frustrações em relacionamentos como uma perda. Perda de tempo, de sanidade mental, às vezes, até perda de amor próprio. O que me sempre foi muito difícil e acredito que seja pra muita gente, é tomar essas experiências como ganhos. Sim, ganho de experiência, de autoconhecimento, de conhecimento de vários outros, de contato com pessoas e questões diferentes da nossa e, mesmo, de condições distintas da nossa.

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Talvez seja por isso que a gente chora (pelo menos, chora por dentro, para aqueles que não se permitem chorar mesmo). Nossas frustrações amorosaa (e quem é biscate sabe que tem uma tapa de frustração de uma leva só) são o reflexo de como desejamos o outro e como transferimos para esse outro, às vezes sem qualquer garantia, nossas vontades de futuro. Garantia… Nós sempre queremos uma garantia e, pior, queremos que o outro seja a nossa garantia… Difícil é sermos a nossa própria garantia com o outro…

Não se trata de buscar proteção, de não criar expectativas, etc… Se retrair diante de relacionamentos (ou possibilidade) é, talvez, a pior estratégia. Ao contrário, a ética do “se joga” abre a vida para um conjunto maior de possibilidades, felizes ou frustradas…

Talvez não seja fácil, muito menos pouco dolorido (no ego, no coração, na cabeça e no corpo), mas a frustração, o seu choro, as lágrimas derramadas são a nossa única garantia de ter buscado a experiência, de ter vivido o nosso desejo. Então, SE JOGA.

Das pessoas que passam pela nossa vida

Não acredito que nada seja perene, pra sempre ou eterno… talvez nem enquanto dure (desculpa, Vinícius). E assim também não é com as pessoas. Elas passam… no mínimo, todo mundo vai morrer um dia, inclusive nós mesmos. O mais importante, acho, é contudo o que eles deixam na nossa vida.

Paula Rego Flying Children

Paula Rego – Crianças Voando

Experiências, boas ou más. Experiências, dóceis ou abruptas; contínuas, interrompidas, frequentes. Experiências… sim, elas deixam experiências. Cada pessoa que passa em nossa vida, por mais singular que seja, as vezes quase imperceptível, as vezes como um turbilhão e as vezes como mar calmo em dia de muito vento, são experiências a serem aproveitadas, conhecidas, reconhecidas e elaboradas.

Boas ou más, experiências são oportunidade de autoconhecimento. Nada automático, tampouco cartesiano… não há uma relação binária ou mesmo linear entre uma experiência e um aprendizado, muito menos há uma relação temporal, mas o conhecimento de si vem… se vem!

E é bom… conhecer(se) é bom, a gente gosta e goza! E pra quem é biscate, quanto mais gente, melhor! Porque mais gente é mais oportunidade e gente é outra alegria!

São dessas coisas a vida… deixar as pessoas passarem… permitir, sobretudo, que elas permaneçam, pelo tempo que quiserem, como quiserem, enquanto for bom pra gente também. É sempre um também… vida sem também é uma vida sem experiências, é uma vida em que o conhecer-se não se resolve.

Como como diria o poeta, passar por essa vida é se dar, é chorar, é amar, é sofrer, porque, por incrível que possa parecer, esse é um dos caminhos de satisfação, de ser feliz… se sofrer, na vida, é um compasso de autoconhecimento, sofrer é também um passo de sublimação, de epifania… sofrer é parte do processo de amar, de se amar… Porque passar por pessoas, viver pessoas e se conhecer com essas pessoas é um ato de se amar…

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