Começar de Novo….

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Tive aos menos 4 momentos de viradas na minha vida. Momentos em que fui forçada a me reinventar pra sobreviver aos acontecimentos externos: gravidezes, separações, mortes.

Mas, também, finalmente superei a morte de um sonho: a carreira. Como milhares de brasilienses, sonhava em fazer carreira em um órgão público. Poderia se dizer que logrei êxito: passei num concurso e tomei posse, mas em 9 meses meu sonho se tornou pesadelo. Sofri assédio moral com gritos e berros, e eu, que sempre me achei inteligente, sempre fui reconhecida assim pelas pessoas, que no emprego anterior era reconhecidamente competente, fui chamada de burra, incompetente e, pior, preguiçosa. Autoestima virou pó.

Somado a outros fatores da minha vida naquele momento, esse contribuiu para uma depressão profunda da qual só vislumbro sair agora, mais de 2 anos depois. E na terapia tive de rever o tal sonho  de carreira. Terapia é vida.

Pois bem, é preciso muita força para admitir que não tenho mais esse sonho, que não ligo mais pra isso, que quero fazer outras coisas e achar outros caminhos na minha vida. É preciso também força interior para lidar quando te olham com desdém porque você não é nada, e não é mesmo, mas tá tudo ok, porque não é isso que importa. Vou lá, trabalho bem minhas horas diárias contratadas, e tchau. Não quero mais fazer do emprego que paga minhas contas o centro da minha existência. E isso está bom para mim. Quero descobrir outras coisa fora de lá.

Isso foi difícil decidir,  porque na vida moderna é o cartão de visitas do seu trabalho, o seu crachá, o seu currículo ou o seu lattes que definem grande parte do que o mundo externo vê e respeita em você. Aí é preciso desapego desse respeito, dessas convenções, desse desejo de reconhecimento externo para ser só você de novo em busca de você. De se sentir bem com você mesma e fazer algo que dê a você sentido e retorno. Seja lá o que for esse retorno. E porque o que importa menos é dinheiro e posição e mais paz de espírito e tempo pra se fazer o que gosta e estar com quem se ama.

É difícil fazer tudo isso quando você achava que aos 40 e poucos estaria tudo definido. Mas, olha que legal, aos 40 e poucos você sabe mais quem é você e as possibilidades estão todas abertas de novo.

É isso. Tudo pode ser recomeçado de novo.

Aborto e creches públicas: duas pontas

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

#8demarço #nãomedeemflores #diainternacionaldamulher

As duas pontas essenciais, quando se trata dos direitos das mulheres. Uma ponta, que a gente já discutiu tanto aqui, é o direito à interrupção voluntária da gravidez. O direito da mulher de escolher não continuar grávida. Fundamental, quando se fala de direitos iguais. De direitos humanos. De direito ao próprio corpo. De direito ao sexo. E não adianta vir com essa conversa de que “foi irresponsável, agora paga”: como todo mundo sabe (ou deveria saber), camisinhas furam, pílulas falham, DIU às vezes são ineficientes. A pessoa pode ser absolutamente responsável, e, mesmo assim, engravidar. No corpo dela. Na vida dela. Se é para ser consequente com o direito das mulheres de fazer sexo, é necessário e inevitável que o aborto seja descriminalizado e legalizado. Aceito que existam outras opiniões, mas então digam logo: mulher não tem direito de fazer sexo  como os homens. Já que pode engravidar.

A outra ponta, inevitavelmente, é o direito à creche pública e à educação infantil integral e de qualidade. A creche, a pré-escola, permitem às mulheres trabalhar fora, sabendo que seus filhos estão bem e cuidados. A Constituição de 88 já reconhecia isso, e garantia o direito à educação infantil para crianças até 5 anos. No entanto, o quadro ainda está muito longe de ser satisfatório.
O cuidado com as crianças ainda recai principalmente sobre a mãe, e isso é outra discussão necessária, já que se essa responsabilidade for entendida como sendo dos pais em conjunto, existe algum avanço possível. Mas o fato básico é que a inexistência de alternativas para o cuidado com as crianças pequenas penaliza, sobretudo, as mulheres da classe trabalhadora. As soluções são  em geral familiares: uma avó, um parente, um vizinho, o filho mais velho – às vezes nem tão mais velho assim. Gambiarras para suprir aquilo que o Estado não dá conta de garantir. Responsabilização e culpabilização, mais uma vez, das mulheres. Que deveriam ficar em casa, que deveriam ter um trabalho em tempo parcial…. que deveriam. E, enquanto isso, nada de independência, de autonomia, de igualdade.

Para as mulheres de classes mais abastadas, existe, além da creche privada,  no Brasil – e isso é um sintoma de atraso tão grande, do ponto de vista da cidadania  – a opção de ter uma babá. Ou várias. Mulheres que tantas vezes deixam seus filhos para cuidar dos filhos dos outros e assim garantir a subsistência. Desigualdades. Injustiças. (não, eu não estou dizendo que você trata mal a babá dos seus filhos. Apenas sonho com um mundo em que não existam mais babás).

 Duas pontas. Que parecem tão distantes, e no entanto se conectam no mesmo eixo, que é o direito das mulheres de serem iguais. De terem oportunidades e desafios iguais. Chances iguais. Trajetórias iguais. Dificuldades iguais. No direito que parece tão básico –  e está tão longe de sê-lo – de ter o mesmo direito que os homens.

 

Quem vem?

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

 #nãomedeemflores #diainternacionaldamulher

Por Renata Côrrea, Biscate Convidada

Mais um dia oito de março passou. O meu mais pessimista e mau humorado dia das mulheres. Não quero parabéns por ser mulher. Não me parabenizem.

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Não gosto de ser mulher guerreira ou mulher lutadora. Esses são só adjetivos que mostram como nós temos que combater um mundo violento e machista.

Não me dêem flores. Elas significariam muito se fossem uma homenagem para aquelas que o machismo matou e continua matando. Mas não. São só símbolo da fragilidade que se atribui a nós.

Não tentem me vender cosméticos, roupas, seguros, aparelhos domésticos usando esse dia como pretexto. Isso só reforça o quanto o patriarcado acredita na nossa função decorativa e consumista motora do capitalismo. Sua publicidade que usa adolescentes brancas e anoréxicas não me interessa. É só mais uma forma de exploração.

Não me atribuam adjetivos de docilidade, não generalizem, não comecem uma frase com “as mulheres são”. As mulheres não são. Não são todas iguais. Não são o equilíbrio do planeta. Não são o esteio do lar. No máximo em sua totalidade as mulheres são, em maior ou menor grau, violadas, são subestimadas, são achatadas – no mercado de trabalho, nas relações amorosas, nos seus partos, no transporte público, na rua.

Então não. Eu não estou aceitando parabéns. Nem felicitações. Mas aceito de braços abertos quem deseja mudar essa realidade. Quem vem?

renata corrêaRenata Corrêa é tijucana no mundo, fotógrafa sem câmera, desenhista desistente, roterista praticante e feminista. Já fez livro pela internet, casou pela internet, fez amigos pela internet, compras pela internet, mas agora tá preferindo viver um pouquinho mais offline. Saiba mais dela no seu blog ou no seu tuíter @letrapreta.

Aprendiz de amor livre

Se a Cláudia de hoje pudesse trocar uma ideia com a Cláudia adolescente, ou mesmo com a Cláudia apática e rancorosa do ano passado, certamente ela diria:

“Você não faz ideia de quanta coisa seu coraçãozinho jovem vai viver em tão pouco tempo. Para de ser babaca e aproveita”.

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A sensação mais recorrente evah na vida desta que vos fala é a de aproveitar pouco o que sente. Sim, eu tenho um medo imenso de amar. Sim, sou uma bisca medrosa e já sofri demais. Vocês não fazem ideia de como fico absolutamente idiota quando me apaixono e acho que é por isso que evito envolvimentos mais profundos com as pessoas atualmente. Viro a pior companhia possível neste estado, perguntem a quem convive comigo.

Sambaram na minha cara tantas vezes por causa disso…

Eu acho que essa coisa toda vem da visão que construí do amor ao longo da minha existência. E ela é bem parecida com o que vendem pra gente como única forma de amor possível ou verdadeira. É a velha receita de bolo: você conhece alguém, se encanta e é recíproco. Aí vocês ficam, começam a namorar, tudo é lindo no começo e tals. Vem a rotina, tudo esfria e vira bosta. Termina. E lá vai você obrigatoriamente viver o luto e ficar na sofrência até que surja UM novo amor.

Por que tem que ser assim pra ser de verdade?

Nem todo mundo fica de luto quando um amor acaba (eu fiquei, mas isso é regra?). Tem amores que se transformam. Existem casais que ficam melhores depois que tudo acaba. E há pessoas que não encontram apenas um amor, inclusive, há quem encontre váaaaaaarios amores ao mesmo tempo.

Ficou confuso?

Bom, o que quis dizer com tudo isso é que enquanto o que vendem e ensinam como verdade única e possível são as relações monogâmicas – e quase sempre heteronormativas, diga-se de passagem – muita gente luta para desconstruir esse paradigma visando ter relações norteadas pela autonomia e pela liberdade.

Mas que liberdade é essa? É poder sair por ai pegando todo mundo, sem “compromisso”?

Olha, não necessariamente. Você pode sair por aí pegando todo mundo sem compromisso, não é crime. Mas relacionamentos envolvem uma série de outras questões, problemas e desafios. Numa relação não monogâmica, arrisco dizer que essas nuances todas podem ser multiplicadas pelo número de parceiros que se tem. São pessoas diferentes, com vivências diferentes. Cada uma com seu jeito de sentir. Complexo, né?

Para os homens, a não monogamia nunca foi exatamente uma novidade. A eles sempre foi permitido – e enaltecido – o direito ter muitas parceiras. Ainda hoje, a mulher que decide buscar uma relação livre não é vista com bons olhos pela nossa sociedade. Então, para uma mulher, a não monogamia pode significar e ao mesmo tempo exigir um nível de empoderamento e de autonomia muito grande. E ainda nem mencionei a pressuposição machista (especialmente nas relações heterossexuais) de que a moça que deseja se relacionar com várias pessoas está, na verdade, disponível. Como se ela não tivesse o direito de escolher com quem quer estar. Digo isso por experiência própria, mesmo que ela seja pouquinha.

Não acho que as pessoas não possam ser felizes inseridas nos modelo tradicional de relacionamento. No entanto, acredito que desconstruir o conceito do amor romântico pode sim fazer com que tenhamos vivências mais plenas em nossas relações. Tô aprendendo ainda. Tá difícil. Mas estou neste caminho pela minha própria vontade, porque não quero mais me destruir por conta de ideais que na maioria das vezes são inatingíveis.

Que o amor venha para me (nos) libertar.

*** Dois textos bem interessantes para quem deseja se aprofundar sobre o tema: aqui e aqui! 😉

De que jeito

Tá no final desse ano com jeito de que que não vai acabar e eu só queria isso: que se definissem menos regras para os outros.

Menos regras. Menos “assim está certo, do outro jeito está errado”. O jeito é o jeito de cada um. O gosto é o gosto de cada um. Com quem, como, onde? Quem sabe é você. Quem sabe é quem está com você. Na primeira, na segunda, quando? Quando quiser, quando der vontade, quando for, quando acontecer. Assim, assado, cozido? Temperado?Oceânico, matatlântico, desértico, escaldante? Embriagado, alucinada, descolado, incorporada, acoplado, fantasiada? Quem sabe é você, quem sabe é quem está com você.  Salgado, doce, azedo, amargo. Agridoce. Picante. Um com outro. Com outra, com outros.

Antes, depois, durante e até. Por cima, por baixo, pelo lado, pelo meio. Pesado, leve, suave, intenso, macio, áspero. Molhado, úmido, seco, ensaboado. Deslizando, empurrando, pegando, inserindo, encostando, roçando, esfregando, alisando, lambendo, chupando. Mordendo, beliscando. Apertando. Recebendo, abrindo, ampliando, ajeitando, acolhendo.

Parando…

De novo, mais forte, mais rápido, agora não, espera, agora vai. Se quiser. Onde quiser. Quando quiser. Aí também, mais por aqui, do outro lado, agora vira, faz assim, é isso? Não diz nada, deixa que eu chego, fecha-o-olho-e-abre-a-boca. Ou fecha a boca, abre os olhos, sei lá. Sei lá. Apenas. Talvez. Quem sabe. Quem sabe é você.

Sobre idade, mulheres e desejos

Li recentemente um blog de uma brasileira que vive na Austrália. A menina fez uma lista falando das diferenças culturais entre os dois países. Não costumo dar ibope pra esse tipo de comparação que geralmente recai na inferiorização da cultura brasileira frente ao outro. Como se nada aqui prestasse ou se eles, os outros, fizessem tudo certo e nós, bárbaros, as coisas erradas. Não dá. Porém, algo me chamou atenção na lista dessa moça. Ela disse que lá na Austrália, os homens mais velhos preferiam se relacionar com mulheres da idade deles. Que era até difícil ver um casal com uma diferença significativa (?) de idade.

Daí fiquei pensando em um monte de coisas. Até meio contraditórias. Confesso que achei bacana isso de pessoas mais velhas continuarem namorando, se apaixonando, se encantando. Mas também acho que a diferença de idade entre casais não pode ser tabu. Chato mesmo é ter regras rígidas pautando normas em relacionamentos afetivos. Né?

Mas, em nossa cultura, só um lembrete: homens, de qualquer idade, estão autorizados a ter vida sexual e afetiva. O mesmo não vale para as mulheres.

É sem sombra de dúvida, um hábito cruel e canalha desautorizar socialmente que uma mulher mais velha namore. Com alguém da idade dela, mais velho ou mais novo (aí o escândalo é total). Parece válido indagar: por que mulheres consideradas “maduras” ainda causam bastante estranhamento por exercerem seus desejos e suas sexualidades? Parece que a sua avó, a sua tia, a sua mãe ou aquela sua ex-professora devem estar condenadas a viver sempre no lugar da não-libido; como se fossem seres destituídos de desejos e que devem ser engolidas por essas identidades, quase sempre ligadas a maternidade com uma conotação conservadora e aprisionante.

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Vejo com dó o escarcéu que a mídia faz em torno da vida amorosa de Susana Vieira. Quase sempre na perspectiva de ridicularizá-la e de torná-la uma figura folclórica porque a mesma simplesmente comete a ousadia de namorar. E de namorar homens mais novos. Mas e daí? Susana poderia se relacionar com toda a torcida do Flamengo mais a do Corinthians que não seria da nossa conta.

Mas a mídia que alimenta as fofocas das celebridades, esperta como ela só, sabe que criar esses personagens como esse, da “senhorinha sem-vergonha”, ajuda e muito a vender revistas e a aumentar o número de acesso aos sites de espetacularização da vida privada. E sinceramente, a gente só perde com isso. Porque não devíamos reforçar essa cultura que tanto deprecia as mulheres mais velhas no exercício das suas liberdades de corpos e afetos. Ora, todxs nós chegaremos lá (assim espero, risos). E que vida linda, farta e generosa podemos ter sem esses rótulos babacas e moralistas! Realmente precisamos alimentar esse julgamento que acaba pesando muito mais pra nós, mulheres?

Não concordo e não darei o braço a torcer. Jamais esboçaria qualquer sinal de reprovação se minha mãe, aos 56, viúva, quiser namorar. Aplaudo e sempre aplaudirei pessoas que optam por serem felizes, sozinhas ou acompanhadas, por viverem seus desejos à revelia do olhar alheio, da patrulha alheia. Gosto dos que têm fome, como diz o verso de uma música de Adriana Calcanhotto. E vamos parar de apontar o dedo e deixar que as pessoas apenas fluam nas suas experiências, em qualquer fase da vida.

Mulheres rodadas: quem tá nessa roda?

Por Larissa Santiago*, Biscate Convidada.

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Essa semana, a poderosa internet nos agraciou com uma imagem que já era piada pronta: depois de ouvir os Bolsonaro da vida falar que a Dep. Maria do Rosário não merece ser estuprada, vimos um homem cis branco e [provavelmente] hetero exibir orgulhosamente um cartaz que diz: “Não mereço mulher rodada”.

Não me surpreende em nada essa declaração machista, depois de ter notícia da última pesquisa divulgada no Fórum Fale Sem Medo que aponta que 51% dos jovens defendem que a mulher tenha a sua primeira experiência sexual somente em um relacionamento sério; 41% afirmam que a mulher deve ficar com poucos homens; 38% garantem que a mulher que fica com muitos homens não serve para namorar e, difícil de acreditar, 25% dos jovens pensam que, se usar decote e saia curta, a mulher está se oferecendo.

Ora, a juventude aponta que a sociedade é machista e sexista e suas respostas corroboram com seus atos, justificando assim a dinâmica da sociedade patriarcal. Estamos falando de liberdade sexual e direito aos corpos também, e fica claro com essa pesquisa que a sociedade ainda acha que é ela quem manda nas mulheres.

Precisamos ter o aval de homens e instituições para resolvermos se queremos ou não nos relacionar, sair, transar. E seja lá qual for nossa “decisão”, teremos ônus.

Mas o que eu quero destacar nesse texto, além do machismo evidente, se resume a pergunta: De qual mulher estamos falando?

Fechem os seus olhinhos e imaginem a mulher rodada. Depois me contem nos comentários.

De largada lhes digo que essa mulher rodada tem independência financeira, no mínimo tem alto grau de escolaridade e provavelmente está no hall das “eleitas para um futuro”. Quero dizer com isso que algumas mulheres podem se dar ao luxo de serem rodadas, outras não. E mesmo que não exerçam sua liberdade sexual tal qual gostariam, serão taxadas de ““““prostitutas”””” [com muitas aspas, pois não há intenção de moralismo aqui] e sempre serão hipersexualizadas.

Queremos que ser rodada ou não seja uma escolha nossa, certo? Mas ainda temos os dedos do machismo em riste na cara, dizendo quem pode ser rodada e quem nem se quer pode andar na rua em paz, ou se sentar num bar com amigas de cor sem ser importunada pelos que se sentem no direito de invadir seu espaço e lhes cobrar atenção – e caso não role, ainda saem como as “““““vadias””””” [também com bastaaante aspas].

 O dilema da liberdade sexual atinge as mulheres de diferentes modos, essa é a verdade das coisas. O machismo e o sexismo também. É óbvio que o mocinho se referiu a todas as mulheres quando as quis insultar, mas para algumas mulheres – como essa que vos fala –  ser rodada tem um preço bastante alto e que envolve variadas questões. Isso significa que eu quero abrir mão de ser rodada? Não. Isso quer dizer que eu prefiro o celibato? Muito menos. Só não posso negar o fato complexo que isso, ser rodada ou não, significa na minha vida e na vida de outas mulheres negras. Impossível fechar os olhos para o simples fato de que isso na maioria das vezes não é uma escolha pra nós: está implícito, graças ao machismo, o sexismo e o racismo.

Por enquanto, vamos juntas tentando desconstruir esse pensamento machistinha uó enraizado de que mulher boa mesmo é mulher que não transa no primeiro encontro, de que mulher tem que ficar em casa enquanto uzomi sai com os amigos (vide video da plateia Altas Horas) e que nenhum homem merece (sic) uma mulher rodada.

De verdade? Nenhuma mulher merece essas violências simbólicas e essas baixarias, seja na rua, seja na internet. Estamos todas fartas e isso sim deve estar na roda!

 

larissa*Larissa Santiago é baiana e publicitária.

 

Por que o aborto deve ser um direito?

Nesta quinzena vamos falar de interrupção da gravidez no nosso clube. Aborto. É hora de parar de punir as mulheres que fazem sexo. O silêncio é cúmplice. Por culpa do seu, do nosso moralismo, uma mulher está morrendo a cada dois dias em um aborto inseguro e violento.

#AbortoSemHipocrisia

Porque não engravidamos sozinhas e não merecemos o apedrejamento alheio por uma gravidez indesejada.

Porque não deveríamos ouvir coisas horrendas do tipo: “na hora de abrir as pernas, não pensou em usar camisinha, né?”

Porque não queremos ficar à mercê de açougues humanos que são grande parte das clínicas clandestinas de abortos deste país.

Porque tortura é obrigar uma mulher a levar adiante uma gravidez que ela não queira.

Porque não desejamos ser assassinadas caso o procedimento abortivo dê errado. Porque também não somos assassinas e nem criminosas.

O aborto seguro é um direito das mulheres e dever do Estado.

O aborto seguro é um direito das mulheres e dever do Estado.

Porque vivemos em uma cultura masculinista que favorece a omissão do homem que nos engravidou.

Porque quase sempre estamos sozinhas e desamparadas nisso. No antes, durante e depois. E isso é doloroso pra caramba.

Porque o aborto é uma questão de classe sim. Pergunte isso a uma mulher pobre que quis abortar.

Porque não suportamos mais depender de redes clandestinas de venda de medicamentos abortivos, quase sempre falsificados.

Porque o nosso ventre não é um espaço para o seu moralismo religioso e seus discursos autoritários.

Porque os corpos são nossos e nossas vidas devem ter prioridade acima de qualquer coisa.

Porque não somos incubadoras ambulantes e nem depósitos sem valor que só servem para despejar crianças.

Porque não precisamos justificar para ninguém as nossas escolhas, a não ser para nós mesmas.

Porque, basicamente, filhos têm que ser frutos do desejo e não de uma imposição. Apenas isso.

Porque, mesmo que você não queira, sim, NÓS ABORTAMOS! Aborto legal assegurado pelo Estado já!

É assim tão difícil de entender? Ou precisamos desenhar?

Aviso: o moralismo mata

Aviso: o moralismo mata

Aborto: vamos parar com a hipocrisia

Nesta quinzena vamos falar de interrupção da gravidez no nosso clube. Aborto. É hora de parar de punir as mulheres que fazem sexo. O silêncio é cúmplice. Por culpa do seu, do nosso moralismo, uma mulher está morrendo a cada dois dias em um aborto inseguro e violento. 

#AbortoSemHipocrisia

 

 Eu não sei nem o que dizer. Sério. Não sei nem o que dizer, porque a cada dois dias morre uma mulher no Brasil por conta da criminalização do aborto. É isso. Morre uma mulher a cada dois dias.
Uma mulher com nome, com idade, com história, com família. Com filhos.

Jandira, 27 anos.
Elizângela, 32 anos.
Elenilza, 18 anos.
Josélia, 23 anos.
Josicleide, 37 anos.

E tantas, tantas outras.

Morrem mulheres. Temos uma mulher na presidência, e a morte das mulheres continua sendo uma realidade. Mulheres morrem. Todo dia. E o assunto não pode nem começar a ser discutido.

É muita hipocrisia. Abortos são feitos. Por qualquer motivo, são feitos. Não queria entrar na discussão dos motivos: não há “aborto bom” e “aborto ruim”. Há mulheres que estão grávidas e não querem mais estar. Há mulheres que se arriscam para não estar mais grávidas. Se arriscam a morrer. Se arriscam a ser presas. Por não querer estar grávidas.

Não quero também falar dos homens: claro que ter apoio nessas horas é bom, é importante, se for possível. Mas nem sempre é possível. E não é porque os homens sejam necessariamente canalhas ou irresponsáveis: muitas mulheres não sabem de quem engravidaram, não têm certeza, não querem contar. Os homens não chegam nem a saber. Gravidez é, essencialmente, um assunto de mulheres. É no útero delas. É no corpo delas. É a vida delas. É a morte delas.

E nem venham me dizer que é “porque a mulher não se precaveu”, que “hoje em dia só engravida quem quer”. Façam-me o favor. Mulheres engravidam porque fazem sexo. E não existe nenhum método anticoncepcional infalível: só a abstinência.

Por outro lado, há tanto tempo que existem procedimentos seguros. Interromper uma gravidez indesejada pode ser um procedimento simples. Mas vira tragédia tão facilmente, quando a lei proíbe.

Fora, é claro, a hipocrisia do dinheiro. Haverá sempre um aborto seguro para quem tem dinheiro suficiente. As mais violentadas, sempre, são as mulheres pobres. As mulheres fazem aborto, e as que têm dinheiro suficiente fazem abortos seguros. Sempre foi assim.

Quando se abandona a hipocrisia, há esperança: mulheres religiosas a favor da despenalização do aborto; freiras a favor da descriminalização; médicos a favor da legalização do aborto. Unidos na luta pela vida das mulheres. Que fazem sexo. Que não precisam estar grávidas, se não quiserem. Que não precisam morrer por não querer estar grávidas.

Está mais do que na hora de acabar com essa hipocrisia que mata mulheres todos os dias. Está mais do que na hora de tirar esse assunto da gaveta do esquecimento onde ele fica relegado. De trazê-lo para a luz. De parar de ser conivente com as mortes de todos os dias. Vamos parar de ser coniventes. Vamos parar de matar gente, por ação ou por omissão. Vamos parar de julgar e condenar mulheres que fazem sexo.

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Participe, não se cale. Assine a petição para Regular a interrupção voluntária da gravidez, dentro das 12 primeiras semanas de gestação, pelo Sistema Único de Saúde.

 

 

 

E de perto…?

Nesta quinzena vamos falar de interrupção da gravidez no nosso clube. Aborto. É hora de parar de punir as mulheres que fazem sexo. O silêncio é cúmplice. Por culpa do seu, do nosso moralismo, uma mulher está morrendo a cada dois dias em um aborto inseguro e violento.

#AbortoSemHipocrisia

Outra vez, a estatística. De longe, é um número. O número de mortes no Brasil por causa de procedimentos clandestinos em razão do aborto. A quinta causa de morte materna no país. Morte. Mas… e de perto?

Quem é aquela moça? O risco dela morrer numa agulha de crochê é mesmo uma vingança por uma trepada descuidada? Até quando a gente vai considerar que o sexo é, basicamente, para procriação, um ato solene, um bater carimbo? Por que transformar o sexo nalgo sacro ou numa roleta russa, onde o pecado está ali ao lado e por isso você pode, inclusive, morrer?

Toda a questão filosófica sobre a existência, a vida, a perenidade, deus, deuses, deusas, mãe, mães. Toda a vida de debates, reflexões, camisinhas, pílulas, “responsabilidades” podem e devem estar nos cardápios, nas camas, nos dilemas, nas escolhas. Mas… e se?

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A pergunta não é – como querem muitos – a de ser a favor ou não. Esta pergunta mascara intenção, esconde o verbo, oculta. A questão é manter na clandestinidade, no obscuro, na vala suja, um procedimento que feito de forma segura pode impedir mortes, prisões, dores e pontos finais. O comércio clandestino de quem pode pagar.

Vamos continuar fingindo que ali na esquina não existe uma gravidez indesejada? E agora, nesta maluquice pós moderna, vamos mandar para a inquisição, para a chama das bruxas, aqueles e aquelas que “contribuem” para a realização do aborto? Vamos mandar mais gente para lotar e lotar prisões por causa de nossa incapacidade em entender desejos e não desejos, possibilidades e não possibilidades, maturidades e imaturidades, diferenças, sexos?

O pecado original, a salvação, a danação eterna. Mas ali, ali na esquina, tem uma gravidez indesejada. E se a gente não mudar a lei, não descriminalizar, não oferecer amparo e proteção, vai continuar a significar morte, dor, ponto final. E estatística, lá longe.

Até ser aqui perto… Então, perguntamos: “E de perto…?”.

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Participe, não se cale. Assine a petição para Regular a interrupção voluntária da gravidez, dentro das 12 primeiras semanas de gestação, pelo Sistema Único de Saúde.

Não tenho filhos. E daí?

Reencontro com as colegas da antiga turma de graduação via um grupo virtual que foi criado. Muito tempo que não as vejo, que só tenho contato com algumas poucas por intermédio do facebook. Das primeiras perguntas: Quem casou? Quem tá solteira? Quem teve filhos? Respirei fundo, porque já pressentia como ia ser a tônica da conversa e falei de mim, como estava a minha vida, no que fui solenemente ignorada. Aqui o papo é outro. Muitas respondem orgulhosamente que casaram. Que já tiveram filhos. O primeiro e o segundo. Que estão grávidas. Como não tenho filhos, não casei e nem penso em engravidar no momento, senti que fui deixada de lado. Já um pouco cansada daquela conversa, tentei mudar o assunto. Muito embora porque entenda que nós somos maiores que esse projeto do casamento e que, vez ou outra, é bom conversar sobre filhos, mas também é prazeroso bater um papo sobre carreira, viagens, projetos profissionais, bofinhos, bofinhas e outras contingências mais. Então ousei perguntar: “Além disso (casamento e filhos), quais são as outras novidades? Que vocês andam fazendo de bom, meninas?”. E escuto, na lata, de uma colega que já tinha dito anteriormente que estava grávida, repetindo em alto e bom som: “eu fiz um FILHO!”. Assim, com letras garrafais mesmo. Entendo que ela esteja feliz e empolgada com a primeira gravidez (e com todo direito), mas o que não gosto é dessa sutil crítica que permeava a conversa, em dividir, as mulheres entre aquelas casadas (supostamente bem-sucedidas) e as solteiras coitadas (“mas não se preocupe, deus vai te mandar o homem certo na hora certa”). Percebendo o rumo da coisa, eu fui irônica de uma forma que até me causou arrependimento depois e falei sem pensar: “E por acaso você quer um troféu por estar grávida?”

familiaNão, não gostei do que eu disse. Achei desnecessário e um pouco arrogante até. Mas tentei ir na defesa de escolher entre um caminho ou outro. Porque sempre acreditei em um feminismo amplo e generoso, que respeita as liberdades e projetos de vida diversos de outras mulheres. Não estou criticando a escolha de ninguém em casar e ter filhos. Apenas não tolero que façam isso comigo porque tenho escolhido justamente o oposto.

Bem, depois disso, achei que fosse ser expulsa do grupo. Não fui. Mas também não me senti mais confortável de estar lá. Vi-me como uma estranha no ninho. Deslocada, perdida, sem conseguir me comunicar. Mas mais do que isso. Muito mais. A percepção da sociedade ainda é de lançar esse olhar piedoso e de cobrança para a mulher que tem mais de trinta anos e que ainda não casou. Mulher assim é considerada um projeto amputado; falta-lhe alguma coisa. Que pode ser prontamente resolvido com um marido e crianças. E dói saber que sejam as próprias mulheres a cumprir esse papel do carrasco. Nós, vítimas e algozes ao mesmo tempo dessa cultura que insiste em nos dar um script pré-acabado pra todo mundo. Mas eu rejeito, sabe? Não quero esse roteirão. Não vou dar chance para que meçam minha felicidade ou lhes dar poder para que façam o balanço da minha vida baseado em critérios que não são meus. Não acho que uma mulher que tenha casado e tido filhos seja superior a mim. Nem tampouco eu sou a ela. Somos todas mulheres, com trajetórias e escolhas diferentes. Por que eu deveria medir a minha vida pela sua? Não percebem o quão arbitrário e violento é isso? Favor parar com essa coisa de criar um ranking de parâmetro de sucesso individual pra saber quem fez mais ou menos com a sua vida. Coisa mais ultrapassada e démodé…

E o fato de eu não ter casado e não ter tido filhos não faz a minha vida menor ou incompleta. Também não é uma vida perfeita e sem crises. Uma das poucas coisas que tenho certeza, é que a existência não deve ser pautada pelo suposto verde da grama de outrem. Esse verde definitivamente não me cabe, não me representa, não me acolhe. Meu verde é outro, sabe? Sorrindo ou não, a minha grama é uma aquarela com nuances amarelas, azuis, brancas, vermelhas, cinzas e marrons. Aceite isso antes de querer me enquadrar. Apenas.

Arte linda da Carol Rossetti. Só pra lembrar que não somos menos mulheres porque decidimos não ter filhos.

Arte linda da Carol Rossetti. Só pra lembrar que não somos menos mulheres porque decidimos não ter filhos.

O Que Aconteceu Com Renée Zellweger?*

com a leitura querida
de Patrícia Guedes e Liliane Gusmão

Circularam esses dias uns links sobre a aparência de Renée Zellweger, no estilo antes e depois e a pergunta, em diversos tons, dos mais maliciosos aos bem preocupados: o que aconteceu com ela? Engordou? Emagreceu? Anorexia? Botox? Bronzeamento artificial? Cirurgia? Doença terminal? Drogas? Os comentários nos links não foram menos diretos e não pouparam agressividade e virulência: ridículo, aterrorizante, doente, repulsivo foram termos usados para descrever seus rosto e devastada, mentalmente desequilibrada, enlouquecida, embarangada, plastificada, algumas das palavras usadas – das que tive estômago pra ler – que se referiam a ela integralmente.

Então agora, vou dizer tudo que eu acho que tem que se discutir sobre a aparência dela: (                                ). Pois é, um imenso, enorme, absoluto: NADA.

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Mas, como sou muito legal e para efeitos pedagógicos, vou até responder a inquietação dos mais bem-intencionados: o que aconteceu com ela tem nome. Vida. Em muitos sentidos.

Vida, porque é uma mulher de 40 e tantos anos que tem uma doença de pele (rosácea), que usou bastante maquiagem dados seus compromissos profissionais, que se expõe a forte iluminação artificial por causa das filmagens, uma mulher que engordou e emagreceu várias vezes por motivos vários – inclusive de trabalho. Vida porque é razoável supor que ela riu, chorou, teve dor de cotovelo, passou alguma noite em claro, divertiu-se, pegou sol, pegou brisa. Então, vida, ou como costuma ser apelidada: tempo.

Mas vida, também e principalmente, porque o que lhe aconteceu é o que tem nos acontecido, a nós, mulheres, por todo o tempo que passamos nessa bagaça: somos observadas, julgadas, avaliadas e rotuladas. O corpo, o rosto, a “moral” sob uma enorme lupa. Uma série de “tem que” dos quais é difícil escapar (e nunca sem alguma marca), inscritos na estrutura e que, no máximo, nos é apresentado como uma luta individual. Autoestima, amor próprio, ser mais independente… uma dose especial de crueldade tomar como responsabilidade pessoal um problema social que se espalha na cultura.

Essa lupa enorme e constante não deixa escapar nada. A mulher está sempre errada. Caso se submeta ao padrão (olha aí, não sabe envelhecer, tá usando botox; tá magra demais,deve ser anorexia) e caso o ignore (devia ter vergonha de ir a praia mostrando as pelancas; olha já dá pra ver cabelo branco, é muito desleixo). Uma mulher TEM QUE manter-se jovem, mas, atenção, não pode aparentar estar querendo se manter jovem. Tem que ficar jovem sem esforço e aí, se envelhecer (risível usar o “se” pois viver é sempre “quando”) desaparecer. Sabe coméqueé, velhice é feio, não é pra expôr assim.

Li um bocado de comentários dizendo que ela não soube envelhecer com dignidade, como se houvesse um jeito correto de viver, como se a uma mulher – especialmente famosa – não houvesse pressão sobre a aparência, como se não vivêssemos em uma cultura que glamouriza a juventude, como se não houvesse menos papéis nos filmes para mulheres maduras, como se não fôssemos bombardeados diariamente com a relação entre aparência jovem e saúde. Como se “envelhecer com dignidade” fosse um caminho reto individual sem relação alguma com contexto sócio-histórico. Como se, especialmente, pudéssemos julgar como alguém deve viver sua própria vida. Alguém, claro, uma mulher. Esse animal público.

O fato é que nos sentimos no direito de avaliar e emitir impressões sobre a aparência das mulheres. Isso está tão naturalizado que nem nos questionamos sobre. Como se o corpo e o rosto da mulher existissem para o olhar dos terceiros e devessem a ele corresponder, agradar, submeter-se. Mesmo as pessoas que solene ou alegremente entoam: “meu corpo, minhas regras” às vezes escorregamos e estamos lá, dando nota mental pro corpo da coleguinha.

Então não, não devia interessar a aparência da Renée. Renée não existe pra enfeitar a vida de ninguém. Nenhuma de nós, aliás. Mesmo que você esteja falando com a melhor das intenções e super preocupado com a saúde dela, é bom prestar atenção no pronome possessivo. O corpo, a saúde, a aparência, tudo DELA. No lugar de apontar dedos pras coleguinhas, talvez seja melhor a gente desconstruir esses padrões que oprimem, machucam e demandam de todas nós um dolorido impossível. E, no “por enquanto” dessa demorada mudança de paradigma, todas as vezes que pensarmos em comentar a aparência de alguém – especialmente uma mulher, mais ainda uma mulher envelhecendo – vamos contar até 10. De preferência, em biscatês (um rala e rola, dois rala e rola, três rala e rôlas, OPS…). Distrai e faz sorrir.

PS. Não que cada uma de nós não tenhamos autonomia ou discernimento, não que sejamos conduzidas, moldadas e forjadas apenas pelo ambiente. Não. Mas ignorar esses fatores é cruel e deturpa o olhar. Não custa lembrar do Graciliano Ramos: “liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”

PS2. Não por acaso a pergunta “o que aconteceu com Renée” leva-nos ao filme “O que aconteceu a Baby Jane” e à discussão sobre fama e aparência.

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