Amostrada

#AlmaBiscate
Por Raquel Stanick

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Não sei desde quando sou biscate, mas lembro que aos dez anos, minha mãe foi advertida por uma amiga que a filha dela estava se “amostrando” demais, nas férias que passávamos em grupo num interior da Bahia. E que se eu continuasse “daquele jeito” iam acabar falando mal de mim. Para quem não sabe, em Recife, cidade onde nasci e morei um bom tempo, uma pessoa “amostrada” é alguém que se exibe, que se “acha”.

Mas vamos ao que interessa e tratemos logo dos assuntos que caracterizam e carimbam uma mulher como biscate. Sexo. E liberdade.

A primeira vez que fiz sexo foi com um cara que havia voltado há pouco dos States, usava brinco de caveira e calça rasgada. Tinha namorada “séria”. Me presenteou quando fiz quinze anos com um solo de bateria cercado de uns amassos leves. Algumas semanas depois perguntei se ele queria transar comigo. Com essas mesmas palavras. De forma direta, sem romantismo ou ilusões de manter algum relacionamento posterior com ele.

Querem algo mais biscate que isso? Pois tem.

Nunca namoramos, mas chegamos a morar juntos na casa da minha mãe, outra bisca de carteirinha, que sempre desejou, acima dos falsos moralismos, que eu fosse feliz. Eu tinha dezesseis anos.

Imaginem o escândalo.DIGITAL CAMERA

Desde então transei com eu queria, quando queria e onde queria. Simples assim. Para mim e pelo menos por um tempo. Algumas amigas passaram a ser aconselhadas por suas mães, mulheres mais “ajuizadas e sérias” que a minha, a não andarem comigo. Passei a ser má companhia. Muitas pessoas da minha família também criticavam abertamente meu estilo de vida, que incluía rock, cerveja, tatuagens e namorados demais, nas suas dogmáticas opiniões. É, os ônus sempre são muitos quando escolhemos viver com liberdade. Fazendo sexo. Se somos mulheres. E doem sim. Muito.

Falemos deles também.

Conheci o homem que se tornaria meu marido aos vinte anos. O traí. Ele ameaçou me matar. Me assustei mais do que quando era chamada de puta por alguém com quem tivesse compartilhado beijos e prazer no dia, no mês ou no ano anterior. Devia ter algo errado comigo, só podia ser isso- pensei. Tentei me “comportar”, pois. Casei. Vim morar na cidade desse homem. Muitas brigas, anos e violência depois, acabei me separando, quando um dia finalmente me convenci que eu acabaria morrendo se continuasse naquela relação. Nem que fosse de tristeza e murchando aos poucos. Não foi tão simples e quem acha que demorei demais para tomar a decisão não deve saber do que eu estou falando. Exigiu uma coragem que tinha se atrofiado com o tempo vivendo aquilo, que por mais que eu tentasse e diziam-me ser o certo, o que toda “boa” mulher almeja, o que tanta gente invejava, eu não conseguia mais desejar.

A terapia, a Arte e a escrita, essa última refúgio e fortaleza desde a infância, ajudaram-me a tomar essa e outras decisões e reafirmar-me como pessoa, e sim, sim, sim, biscate. Finalmente.

Foi como tal que escolhi largar uma profissão em que ganhava muito bem para tentar viver de cultura e arte. Voltei para a universidade. Mudei completamente de padrão de vida. Passei por algumas necessidades e sufocos financeiros, mas também a entender que o que eu tinha vivido não tinha sido culpa minha. Mas que sim, eu era e sou responsável pelas minhas escolhas e que mesmo errando, risco que corremos em maior grau quando livres de certezas absolutas, eu posso transformar esses erros em sentimentos e ações se não corretas no sentido literal da palavra, ao menos justas para comigo e com xs outrxs.

Também foi através da escrita, dessa vez em blogs, que conheci a Luciana. Estabelecemos uma amizade que só fez se fortalecer em vários encontros regados a cerveja, cidades variadas e compreensão e que rendeu o convite há alguns meses atrás (mentira, me ofereci mesmo. Sou dessas) de escrever por aqui.

Tenho assim, aprendido aos poucos, na prática e todos os dias, sozinha e acompanhada, lendo e escrevendo, pintando, bordando e fotografando o que é ter uma alma de biscate. Talvez eu nunca consiga entender completamente o que isso significa. Mas tenho tentado. Talvez daqui a alguns anos eu consiga. Talvez outras pessoas o façam por mim. Mas o que sei é que enquanto isso não acontece, já ajudei a organizar a primeira Marcha das Vadias na cidade que escolhi chamar também de minha, ministrei palestra sobre Beauvoir no interior do Estado, sobre a própria Marcha por aqui mesmo. Ganhei prêmio como artista, fiz várias exposições, escrevi e aprovei projetos. Minha arte cada vez mais tem se misturado com feminismo e literatura. E com meu próprio corpo. Viajei. Dancei. Usei muito decote, roupa curta e batom vermelho. Fiz outras tatuagens. Gargalhei muito também.DIGITAL CAMERA Alto.

E o Sexo?

Bom, ainda transo como eu quero, quando quero e onde quero. Simples assim. Para mim. Também ando na companhia de gente maravilhosa e que de um jeito lindo aconselham a outras pessoas, mulheres principalmente, a andarem, correrem, trotarem, se relacionarem com quem e como quiserem. É, os bônus sempre são muitos quando escolhemos viver com liberdade.

Tem como não ter um orgulho danado, desses que não podemos contar sem desnudar também um pouco de nossa história, em ter essa tal de alma biscate? Tem como não se “amostrar” em fazer parte desse club?

E como diz Piaf: “Avec mes souvenirs/ J’ai allumé le feu (…)”

Feliz ano novo, amores e amoras.

Quem tem fama…

#AlmaBiscate
Por Renata Lima

Não nasci biscate.

Me fiz biscate.

Nasci mineira, da tradicional família.

Mas sou ousada (palavras, em tom elogioso, de meu pai).

E por pensar diferente de alguns muitos e muitas, por agir diferente (nem sempre melhor, claro), muito nova, sem mesmo provar o gosto da fruta, já fui tachada de má-companhia.

Decorrente da língua de jovens homens que seguiram (seguem?) o roteiro, de falar mais do que realmente fizeram, de contar como vantagem, o que pra nós, mulheres, tem que ficar escondido.

E o primeiro namoradinho, tadinho, veio com tanta sede ao pote, achando que eu era… galinha, fácil, biscate…

Não era, ainda.

E ele se descobriu namorando uma jovem da TFM, com um pai zeloso e horários para chegar. Depois do primeiro “avanço” e do esclarecimento, o temor de se/me comprometer. E ele saia da minha casa, onde me deixava, virgem, pura, intacta, e ia se encontrar com uma ex (soube disso anos e anos depois, pela ex, imagine que mundo pequeno… realmente, Ovorizonte. )

O fato é que um dos primeiros caras que beijei, em uma festa, num canto, disse pra todo o colégio que me “comera”. E todos acreditaram… menos eu, que só fiquei sabendo mais de ano depois.

A verdade é que a fama não me fez deitar na cama. Pelo contrário. Por mais que eu quisesse, as vezes, temia o momento. Era romântica, jovenzinha, e queria toda a coisa de luz de velas, declarações de amor e um príncipe no cavalo branco.

Vieram príncipes. E sapos. E ogros. E dragões.

E demorei muito, muito tempo, para realmente descobrir o que eu desejava. Desejo: Amor. Respeito.

Sexo.

No fim das contas, com um ou com vários, o que define uma biscate, ao menos para os outros, é uma mulher admitir, em público, que gosta de sexo. E que faz.

Com amor, sem amor.

Mas sempre, com respeito. Respeito por si, respeito pelo parceiro.

Respeito pelos limites e pelos momentos uns dos outros.

Sempre questionei tantos duplos padrões, tantas coisas que meu irmão, mais novo, podia fazer, e eu não. Horários, locais. Mas admito que tive mais liberdade que a maioria das colegas da minha idade. Para as mães delas, eu era muito “solta”.

Hoje, me identifico cada vez mais com o texto da Márcia, biscate convidada, sobre ser Biscate Loser.

Sim, eu sou.

Ainda que não biscateie tanto quanto desejaria (ou quanto as vezes parece que biscateio), minha biscatagem é constante.

E é constante na busca da coerência de não julgar, de não medir outras mulheres (e até homens, claro!) pela mesma régua com a qual fui medida.

Nem sempre é fácil, e as vezes escorrego. Em pensamentos, e até em palavras. Mas me arrependo (sim, Jesus, vem e me chama de Madalena, seu lindo!) e logo volto a persistir no propósito:

Se não veio o anjo e me disse para ser biscate na vida, eu mesma decido e digo que sim, eu sou biscate, prá vida!!

E com a ajuda do super time de biscates super poderosas (e poderosos), sei que vencerei!

Cinema em Linha Reta

#Alma Biscate
Por Fernando Amaral*, Biscate Convidado

Letsplay.tumblr (3)Todo mundo tem uma trepada memorável para contar. E aí sobe a rampa do planalto, como que assim o mundo fosse a mais perfeita tradução da pessoa incrível que a gente é. Entre um gole de chope e outro, entre uma piada e outra, piadas as vezes de gosto bastante duvidoso, conta-se o jeito que ela estava, de como a cousa toda funcionou, da molhação, da durescência, do ritmo, das promessas de vida eterna que um simples gozo pode dar. É engraçado que nessas histórias de transa perfeita quase sempre escapa ao relato aquilo que certamente confere a uma determinada transa um status de “memorável”: pouco se fala do afeto e do riso do depois, do carinho com as unhas nas costas, da brincadeira que ela faz com o pau em repouso, como aqueles aparelhos de jogar videogame, com um nome inglês que me deu preguiça de procurar a grafia correta – estamos falando de sexo, caramba, deixemos as grafias de lado: É tudo língua.

Voltando ao núcleo duro do parágrafo anterior, as trepadas para contar por aí são muito mais as aventuras das estripulias de educação física do que os sentimentos de química. Como um retrato daquelas cenas perfeitas de cinema e tudo fica tão maravilhosamente bem feito que aquela cueca rasgada, aquela calcinha puída, aquele chulé evidente depois de um dia de intenso trabalho, meia social ou suor no pé, somem dos resumos, desaparecem das súmulas. É evidente que escrevo aqui com um olhar do cromossomo Y e que aí já começamos a entender que os estereótipos sempre nos pegam no flagra: vai ter aquele cromossomo X que dirá que não é bem assim, que relata mais as nuances dos romances, que serve mais como rima do que como escusa… Mas aí recordo da calcinha puída, esta desaparecida política.

O cacete disso tudo é que este roteiro de cinema não permite muito inovações para as horas em que o trem todo descarrilha, que a máquina engripa e que o guerreiro… medra. Numa conversa de bar é libertador falar da boa e velha, mítica mas mais natural do que erva, brochada. Prepara a alma, prepara o menino, prepara discurso. Mas mais do que isso, prepara o riso, que é a única e verdadeira redenção. Nem o azulzinho salva. Pode ter sido a bebida em excesso, aquela mesma bebida que transformou aquele bate papo descompromissado num pedido de casamento. Pode ser o trabalho, as contas que não fecham, o chefe que persegue, a chefe que assedia. Podem ser as culpas cristãs, o adultério, a paúra de deus. Pode ser a trava porque a moça tem um brinco entre os lábios. Pode ser o pânico do goleiro na hora da penalidade. Pode ser orgânico. Pode ser arrependimento. Xi… pode ser tanta tralha, tanta gaveta cheia, tanto ar, canção, enxofre, paixão desmedida por outra ou outro, apetite, ejaculação absurdamente precoce. Pode ser, pode ser… mas será: a inevitabilidade da brochada é a garantia de que você é humano.

E, sim, na hora das filmagens, e não da exibição entre um gole e outro de vantagens, é encarar o roteiro com elegância. Deixar fluir a vergonha, deixar ela – ou ele, sei lá – brincar com aquele ingrato, mexer, dar beijinhos na ponta. E não é para vê-lo acordar em riste, vingador, perfeito. É para ele se sentir melhor. Só isso. Evidente, o roteiro nestes casos há que ter improviso. Mas se fosse para dar um conselho, tentaria este: nesses dias de infortúnio, tente um pouquinho salvar as preliminares, que a surpresa pode vir entre os afetos, os carinhos, as unhas nas costas. Mas não esqueça da proeza que é o sobreviver depois de uma digníssima brochada. O bar também precisa disso, dos sobreviventes.

Neste blogue de biscatagem libre, neste espaço de libertinagens, a machaiada pode encontrar a mais linda parte do tal feminismo, que é a sua capacidade libertadora, emancipadora. Então, que venham brochadas, cuecas furadas, calcinhas puídas, chulé. E que rir da gente mesmo é melhorar nosso cinema, e não só um ou outro roteiro. E se filme de aventura é, na maioria das vezes, mero entretenimento, comédia, quando boa, é arte pura.

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fernando_amaral*Fernando Amaral é um advogado paulista de rara sensibilidade. Se define como alguém que gosta de ler e escrever e é pai de dois caras supimpas. Torcedor do São Paulo, gosta de papo, chope, torresmo, listas, cinema, Chico Buarque, Deep Purple, Jamelão, Charlie Parker e mais um tantão de coisa. Conheça seu blog e o acompanhe no tuíter @Quodores.

 

Tá Todo Mundo Nu…Ou Quase.

Strip-Tease Biscate: Cada um tira o que quer, mostra o que quer…

Somos Biscates. Somos o Biscate. Somos em ideias, as nossas ideias de liberdade, ausência de julgamento moral, equidade, gozo. Somos em valores, os que insistimos em afirmar teimosa e cotidianamente onde quer que estejamos. Somos em comportamentos: nos nossos amores, nas amizades, na escolha do ofício, nas redes sociais.

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Agora fecha os olhos e imagina o que quiser. Pode ser o que for, cabe tudo aqui. Nudez de corpo e alma, liberdade de soltar a imaginação em busca de. De qualquer coisa que se queira.*

Somos o Biscate nas letras que trazemos, todos os dias, aqui, pra vestir as brancas páginas. Cobrimos a página de letras e nos desnudamos. Aqui, escrevemos.

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Deixe os livros de lado, as falas prontas, a pretensa intelectualidade de explicar os porquês das relações e da sexualidade. Agora é só sentir, e sentir assim, nu, sem subterfúgios, sem fugas, sem desvios, deixe as falas saírem despidas, sem pensar, só querendo o prazer intenso e profundo da pele e dos sentidos.*

Escrevemos porque não podemos evitar, para ser lido, para tentar dizer, para não morrer. Escrevemos para passar o tempo, para parar o tempo, para mudar a história.

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Pegue um copo, embriague-se. Beba o que quiser, expanda os sentidos, com água ou cerveja, suco ou vodka boa, grandes goles, grandes sensações, deletei-se!*

Escrevemos para tecer em palavras um véu que esconda o horror deste vazio que nos ocupa. Escrevemos porque somos humanxs e o mais humano é dizer-se. Só o íntimo, o gozo, a morte, a dor, o riso, o pensamento íntimo e próprio é que sabe se tornar letra biscate.

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Deixe-se gozar. Experimente-se. Permita-se.*

Escrever é reconhecer toda falta: de tempo, de corpo, de ser. E é negar, em cada traço, o vazio. Escrever é reconhecer todo excesso: de tempo, de corpo, de ser. E negar os extremos com as entrelinhas, as vírgulas, os intervalos.

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Explore os detalhes, que afloram quando a gente menos percebe. Exale o sexo que está escondido nas curvas dos quadris, atrás da nuca, no canto do pescoço, no que ninguém percebe mas que está ali, latente, e pronto para ser degustado.*

Escrevemos porque sabemos que o mundo com o qual sonhamos precisa ser construído também em discurso. A um mundo não basta ser percebido, ele precisa, essencialmente – e é a única essência que reconhecemos – ser dito.

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Decifre o outro. Os outros. Você mesmo na cama. Decifre seu prazer, sem controle moral. Desafie-se a ir além.*

Escrevemos o mundo que fazemos e o mundo que queremos. Escrevemos o mundo que habitamos e o que transformamos. Escrevemos sonhos. Daqueles que se sonha com os pés plantados no céu e a cabeça no asfalto. Sonhos que são estrada.

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Os pés, as raízes. Ficam-se ao solo e captam vibrações terrenas, prazeres mundanos. Zonas erógenas bem expostas no dia-a-dia, que estão aqui prontas para serem reinventadas.*

Escrever é ir despindo a alma. Escrever é ir desnudando as vontades. Escrever é uma coragem. E um gozo. Escrever aqui é celebrar a possibilidade. De Ser. De ser o que se pode e se quer ser. Se fazer.

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Desenhe no corpo. Com giz, tinta, com os dedos, com a língua, com caneta permanente. Desenhe seus mapas e labirintos. Seja.*

Somos o que fazemos, sabemos. E fazemos o que somos. Fazemos o Biscate. Somos o Biscate. Em dito. E em pele. Em corpo. Matéria.

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E, claro, fantasie. O que seria da realidade sem a fantasia? Fantasie-se, fantasie a vida, viva a fantasia, viva a possibilidade de se reinventar a cada dia.*

Por isso, nessa nossa festa, nessa celebração do que somos, dizemos, fazemos, nos trouxemos em corpo pra partilhar com vocês. Invertendo a lógica, o nosso corpo é uma metáfora. Do que, diariamente, revelamos Expomos. Mostramos.

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Olhe com calma. Profundo. O sexo pode começar no olhar. Olhe bem. Trepe com os olhos, janelas da alma. Olhe para além do que a vista alcança.*

Reafirmamos o nosso Editorial: Acreditamos, convictamente, que todos e cada um deve ser livre para fazer o que bem entender com quem escolher e onde bem quiser – inclusive tirar a roupa no seu próprio blog nos festejos de aniversário. E persistimos na busca de Gentileza, Beleza, Leveza.

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E depois de tudo, ainda há mais. Recomece. Tire tudo de novo. Vá por outros caminhos. Nudez desgarrada. A gente não quer mais as mesmas roupas. A gente quer as roupas que se reinventam, que se perdem, que se acomodam diferentes no corpo a cada dia.*

O nosso strip é porque a gente quer se mostrar? Claro. E não temos vergonha nem de mostrar nem de saber disso. Mas não é só (embora isso só já o justificasse). O nosso strip é um convite. Estamos dizendo: Vejam. Olhem. Leiam. Descubram. O que se põe à mostra. O que se põe à prova.

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O riso. Grande e farto. O gozo, livre. Alegria. Viver é alegre, ou pelo menos deveria. O sexo liberta, ou pelo menos deveria. Aqui a gente ri, grande e farto, e a gente pode. Ui ui ui! paraterminar, dá uma reboladinha com a gente, mexe os quadris em busca de leveza, solta tudo por dentro, deixa vir a vontade!*

O nosso strip é um convite. Pra você se desnudar com a gente. Pode tirar os anos de inquietação. Os preconceitos. Pode despir a vergonha. O medo de não ser aceito. Pode se livrar do mito da beleza perfeita, do corpo perfeito, da pessoa perfeita: somos, todos, imperfeitos em livre construção aqui. Vem se mostrar. Se desvelar. Se re-velar, se quiser. Porque quando nos damos a ver é uma forma de indicar o que ainda não foi visto. É sexy, acredite. Vem se ver. Se dizer. Se saber. Se saborear. Biscatear.

E não tem festa boa sem convidado, né?

Segue fotinha de bisca-não-escrevente mas que se saboreia, se sabe, se diz, se vê. Pra festejar com a gente. #VemNiNós. Então, já sabe: hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, de quem vier. 

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Seios arrepiados. Vamos tirar tudo. Sentir todos os calafrios de se estar desabrigado de defesas.*

E se você quer saber mais, ver mais, ousar mais, passeia pelo blog, vai, tateia, inspira, toca e se toca. Quer trilha sonora? Vai nessa:

*Textos das legendas das fotografias de Sílvia Badim.

Feira das Bisca: por que não?

As Bisca tão em festa! *o/* #TodasComemora *o/* É hora de fazer nossa feira. Vai ter rifa, leilão #TodosDáMais o |o| /o/ E resposta a nossa linda clientela! Chega mais #SeusLinda

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É isso mesmo, freguês/freguesa! Você que estava #Xatiada de não ter encontrado algo à altura das suas inquietações biscates lá no Bisca, seus problemas acabaram. *o/* Neste saldão de aniversário resolvemos responder aos termos de busca que trouxeram leitores ao blog, mas que não necessariamente satisfizeram completamente as curiosidades felinas dos leitores #GangDoTeQuiero.

Sendo assim, colega de função da balada, liga Magal bem alto aí, coloque a sua roupa de fim do mundo e se prepare para compartilhar dos #Desejos, #Recalques, #Pudores e #Safadezas da biscatagi! #TodosMorreCuriosa

A primeira dúvida que vamos responder é de um amigue que pesquisou “Agora Eu Entendo Porque Mulher Vira Biscate”.  Mandando a letra:

Uia! E como foi esse “entendimento”? Eu, de minha parte (de várias partes, aliás: boca, mãos, pernas…) entendo que não se “vira biscate, nasce-se biscate” (malz aê Beauvoir). Vê só. A gente tem desejo, tem tesão, vontade, mas ouve o tempo todo que não deve ter, mas tá tudo lá, latente, doido pra sair, ganhar mundo, camas, colchões, tapetes… Aí vem o Biscate Social Club e samba na cara da sociedade dizendo: “eu quero, eu trepo com quem eu quiser. Eu não tenho vergonha do meu gosto e do meu gozo”. #TodosSemVergonha Então amigue, não sei bem o que você entendeu. Espero só que entenda que esse clube de biscates está fazendo (e bem gostoso) uma revolução! Liberte sua biscatice e venha gozar (ui!) com a gente.  #SoltaAFranga

Pois é, Bunito veio a nós entender como é que se faz gostosinho pra chegar de jeito na biscatice das parceira #TodasParceiraComemora. Mas não é só isso, tem um monte de gente na vibe #VenhaaNós procurando “Biscate”:

“O que falar para a pessoa quando chama a gente de biscate? Quando isso acontece eu agradeço. #TodosÉEducada Depois explico que ser Biscate é algo libertador, nós precisamos rever o que é bom e ruim, porque a liberdade é algo ruim? Será que precisamos nos prender ao formato de “mulher perfeita” que a sociedade nos empurra goela abaixo para sermos felizes ou realizadas? Eu não preciso desses rótulos da sociedade para me sentir completa, muito pelo contrário! Eu prefiro que me chamem de Biscate. #TodosAgradecidaComAConsideração

Não é só isso! Às vezes temos vocês, freguesas, que estão com uma ou outra dúvida sobre o que fazer pra agradar na cama, pra tirara a poeira do relacionamento. #SoltaABiscaInovadora E nessa esteira, temos para você conselhos sobre como ficar “Arreganhada Para Meu Marido Ver”:

Querida amiga, aconselhamos arreganhamentos da forma que melhor lhe aprouver, seja dos dentes em gargalhadas escancaradas, seja de qualquer parte do seu corpo para que seu marido, peguete, amante, namorado, homem, parceiro, companheiro, tico tico no fubá ou sei lá quem, possa ver e ir para a luz. Mas principalmente aconselhamos que você se arreganhe para si mesma. #TodasBiscaAutoConhecida Abra sua mente, escancare o coração, abra mão e largue o pé de qualquer preconceito. Caso ele (ou você) não consigam enxergar liberdade com essa nossa dica fofa e singela, sugerimos uma consulta ao oftamologista. #TodosVaiNoAlcoolista

Vocês acham que fica porraí nossa sessão Clarisse Lispector de Auto-Ajuda-Sexual? Claro que não! É muita redondeza para passar! Só não respondemos as questões ambíguas, afinal “mulheres jogando bola pelada“, pelada é o tipo de partida, furreca e mequetrefe ou o galerê tá a fim é de ver a moçada de peito aberto? De resto, temos a dica perfeita pra você, amigue, que está interessadíssima na “Posição Caqueira Voadora” e outros atalhos do naipe:

Você, amig@-leitor@-preocupad@-e-inventiv@-interessad@ com dúvidas sexuais, resolvemos fazer um bate-bola esclarecedor. Lembrando: pra gozar não precisa modelo. “Paus enormes”: não são necessários, pode ser tamanho P M G, acessórios, dedada, língua ou qualquer outra ideia divertida. “Comer vaselina”: não recomendamos, pode dar desarranjo e atrapalhar o rala e rola. “A porra da buceta é minha”: mas na hora da brincadeira pode partilhar, comunismo aí vamos nós. “Sexo gostoso”: façam. “Posição caqueira voadora”: deixe o moço no ponto, afaste-se alguns metros, mire, corra e pule em cima. Não esqueça do telefone da emergência na cabeceira. “Desfrutável”: arrisque. “Bucetas usadas”: lavou, tá novo, #FikaDika. Breve, tudo isso na nossa #CartilhaIlustrada 

E tá pensado que para por aí? Nossa seara de dicas é enorme! Não podemos esquecer que o “CU”, uma das coisas que mais traz pessoas ao Bisca não deve ser negligenciado! #TodosAtentaParaOCu Isso mesmo, sem medo se deixar o cu à mostra, as Bisca senta na janela e, lembrando do post “Manteiga, Gel ou Vaselina? Vontade” aconselham:

Impressiona que muitas buscas falem de cu, em verso e universo. A pergunta prática é se pode ou não pode manteiga, gel ou vaselina. E como biscate não foge à luta, a dúvida procede. #TodosFodeOuVaiÀLuta Você leitor veio ao lugar certo, seu lindo e sua linda que querem dar ou comer bem. A resposta você encontra aqui. #TrazemosOCuAmadoEm3Dias

 E acrescentamos, num clima mea culpa:

Olha, esse motores de busca… Sério, alguém precisa urgente neste blog escrever um post sobre como fazer sexo anal – mitos e verdades. Ao que parece levaram muito a sério O último tango em Paris e todo mundo quer comer cu com manteiga (pessoalmente prefiro pão quente com manteiga) o que só deu certo no filme já que Maria Schneider detestou a cena tão famosa. Tem um monte de buscas assim: “manteiga no cu” (essa aparece muitas vezes, com variações), “gel pra comer um cuzinho”, “vaselina no cu”, “mocinha dando o cu”. Fixação anal define. #TodosBiscaChamaFreud Mas nenhuma busca ganha de: pablo picasso obrazy tapeta na telefon. Se alguém decifrar, por favor, cartas para a redação, grata. Só loucura o que aparece aqui, mas se é loucura tão parando no lugar certo, né?  

E não ficamos só nisso! Na sessão “Variedades Duvidosas” temos de tudo #TodosAmaADiversidade. O galerê não esquece do “Bisclassificado”. Vendemos de tudo! (emprestamos e damos também) Mas se você precisa de um “Fuscão Custelete 2011/12”, explica pras bisca o que é!

O fuscão custelete 2011/12 que eu não achei nem no Google, nem na minha cabeça. Quando vi esse termo na busca aqui do Blog, fiquei imaginando se isso seria uma piada, um nome de grupo musical que irá bombar no próximo carnaval ou um modelo de fusca novo que estariam lançando. Nem o Google conseguiu me explicar com clareza do que se tratava (provavelmente nem para o autor da busca XD). Será que fusca tem alguma relação direta com biscatagi e eu não to sabendo? #TodosMorreCuriosaEGata Isso me lembra uma conhecida, que há muito não vejo. Ela tinha um fusca roxo, com bancos de oncinha e calotas aro 15, todo tunado. #TodosQuéUmIgual Era, sem dúvida, uma das mulheres mais autênticas e decididas que conheci: ela não tinha a menor vergonha de ser como era. Recebia um monte de críticas por gastar tanto com o carro. Mas quem disse que ela ligava? Pena que perdi o contato com ela… Senão, eu perguntaria que diabos de fuscão costelete é esse… Se alguém entender o que a busca pelo fusca tem a ver com as bisca, conte pra gente!

E gostamos também de culinária. Claro! #TodasComeDeTudo porque biscatagi que se preza tem que ser de cama, mesa, banho e balada! E se você chegou aqui tod@ salivante procurando uma “Bruschetta” quente, verás que por aqui todo mundo cai de boca:

64 pessoas chegaram até nós através desse termo. Pois é. Caro leitor que chegou até aqui procurando bruschetta: o que será que achou do que achou? … bom, até tem bruschetta mesmo no blog, aqui. “É pra comer”, diz o título do post da Borboleta-Luciana. Mas fica a dúvida: você parou mesmo na bruschetta? #TodosVaiEmFrenteERebola Ou será que aproveitou pra conhecer, por exemplo, esse post aqui da Bisca-Renata Lima? Vai lá que vale a pena. Afinal, como já dizia um sábio meu conhecido, “comer ou comer, eis a questão”. Ao que, biscatemente, a gente responde: comer e comer, que tal? #TodasSalivando Podemos começar pela bruschetta! Eu, pelo menos, adoro.

Salivou, frequês/freguesa? Eu também! E pra acompanhar uma boa comida, nada melhor que música! E é nessa que eu faço minhas incursões nas dúvidas da galere pelo Bisca. Afinal, me respondam: o que pensar de alguém que #CaiNiNóis com o termo “Músicas para ouvir que falam de uma mulher livre”?

Só digo que é muito amor <3<3 Afinal, quem não se delicia com um “Você Abusou” da nossa querida Dolores Duran, na voz de Maria Creuza? Quem não se derrete com os sussurros de uma Piaf cantando “L’accordeoniste”? Quem não suspira ouvindo Mônica Salmaso dando vida à “Mortal Loucura” do José Miguel Wisnik? Ou quem não delira ouvindo Bethânia cantando “Debaixo D’Água” de Arnaldo Antunes seguida do poema “Agora”? Porque Biscate, para além da mulher, é qualquer pessoa livre! #MePerdoemSeEuInsistoNesseTema

Mas tem leitor@-amig@ que não consegue relaxar e gozar pensando, roendo as unhas e queimando o juízo tentando saber se vai precisar de casacos e botas ou opta pelo básico camiseta de alcinha…ou seja, tem gente chegando aqui pesquisando loucamente “Previsão de Tempo para o Fim do Mundo”. 

Vai chover, sem dúvida, vai chover. Meus calos doem e avisam chuva. A previsão de tempo para o fim do mundo é nublada, nuvens cinzas, pingos grossos, raios, clarões. Mas não se assustem, não vai fazer frio, vai cair água quente em grandes goles. #TodasSeBanha. O fim do mundo vai ser fecundo. Úmido e próspero. Cheiro inebriante de sexo, corpo solto, pessoas soltas aos galopes. #SurubaGeral. Todo mundo vai querer morrer trepando. O último prazer, o último gozo, livre, profundo, intenso. E o mundo acaba. #HoraDaPoesia

Pois Biscatagem é Poesia. E riso. E mais. A biscatagem é o mote da liberdade que nós encontramos e queremos partilhar com vocês! Especialmente se você é ess@ leitor@-cult@-ansios@ que procura por “Coisas Inteligentes”:

50 pessoas chegaram ao Biscate Social Club procurando não por pessoas x ou pessoas y, não por sexo, fantasias ou fetiches, mas por “coisas”, e coisas com adjetivação, coisas com uma qualificação: “coisas inteligentes”. Coisas inteligentes a dizer? Coisas inteligentes = pessoas? Coisas inteligentes = mulheres? Ou coisas inteligentes = biscates? Bueno, não há como saber. Então vou responder genericamente. Você que procura por “coisas inteligentes” veio ao lugar certo. #TodosFazACulta Aqui mulheres inteligentes se coisificam ou se objetificam se quiserem, quando quiserem e com quem quiserem, seu desejo e vontade é a medida da coisificação. Porém se veio ao BSC procurando mulheres inteligentes para coisificar ao seu bel prazer, veio ao lugar errado. Consideraremos seu desejo e sua vontade na mesma medida que considerar o nosso desejo e a nossa vontade. Vale? #TodasSeArrepia

by João Lennon

by João Lennon

E vale! Vale Muito! Que vocês voltem por muitos e muitos anos ao Biscate Social Club e encontrem nossas coisas inteligentes à mostra! #TodosDesavergonhadaPira Que vocês partilhem da nossa liberdade, da nossa liberalidade e da nossa libertinagem. JUNTOS! Com consentimento, fazendo gostoso aquilo que mais queremos no Bisca: te ver livremente feliz! (#AinQueBrega S2 S2) Sem culpa, sem medos, na frente de luta!  Por que não? #TodosBiscateIncentiva AGORA!

Quer brincar com a gente? Tem motor de busca pra #GenteQueParticipa fazer a festa na caixa de comentário respondendo:

por que a eis mulher dis que nao gosta mais quando fica perto fica suspirando e nervosa”

“como a mulher deve se comportar na cama”

dicionário da namorada”

“mulher vendendo caju”

“ponto de interrogação rosa”

 

 

Primeiro Aniversário Biscate… ♥

Ai, que susto! Não, pera…

Quando é para comemorar aniversário a gente enfeita a casa e deixa tudo mais colorido e alegre, né? Pois é. Exageramos? Exageramos, êêêê! Pesamos a mão e nossa casa ficou meio over. É FESTA NO APÊ! Essa semana ficaremos com esse visual. A gente aproveita e pergunta o que vocês acham do cara do Club. Gostam mais minimalista, clean como antes ou mais colorido e estiloso?

Bom, a nossa gordinha sexy deu uma saidinha da janela ali de cima porque foi tirar o rest… digo, trocar de roupa para os festejos do níver. Mas fizemos uma fotinha e demos um jeito de mantê-la aqui com a gente.

festa no apê!

Amanhã, 17 de dezembro, o Biscate SC completa um ano de vida. Parece que foi ontem que nos indignamos com aquele post xexelento que tentava nos classificar entre mulheres incríveis e biscates. Fizemos nossa escolha e passamos um ano inteirinho sambando na cara do moralismo e do preconceito. E nessa semana de festa — sim, teremos uma semana inteira de festejos biscates — não será diferente.

No nosso aniversário, óbvio, tem um cantinho especial para os leitores. Queremos saber de quem nos acompanha um dos posts que você realmente gostou nesse um ano de biscatagi. Responda nos comentários aqui, na nossa página no Facebook ou tuíte o link do texto escolhido citando @BiscateSC. Essa ação é específica para as redes sociais e as respostas dos nossos leitores estarão no nosso twitter e facebook.

Fizemos a mesma pergunta, qual melhor post, @s biscas escreventes fix@s numa espécie de mandala ou amigo secreto. Este será o post de amanhã, dia 17 de dezembro, com a seleção dos melhores posts de nossos escreventes escolhidos entre eles mesmos com uma pequena apresentação justificando a escolha.

Na terça-feira (18) faremos uma seleção comentada dos motores de busca do Biscate SC. Afinal, não é só uma curiosidade nossa saber como internautas chegam até nós. Na quarta (19) é a vez dos comentários dxs inúmerxs biscates convidadxs que passaram por aqui nesse ano. Esses recados e comentários estarão disponíveis também na nossa fan page no Facebook.

Na quinta-feira (20) é dia de fazermos um balanço sobre os espaços onde intervimos nesses doze meses e que “mundamos” (verbo novo, criado especialmente para essa festa) neles. Será que o mundo ficou mais biscate? Mundou?

E se o mundo não mundou o suficiente até agora, é hora de darmos uma chacoalhada nele. Na sexta (21), que é dia de gandaia geral, vai ter strip-tease biscate. Uhu! Tirem as crianças da sala, fujam pras montanhas, fechem os olhos se não quiserem ver, mas o time biscate estará aqui, despido, de peito aberto, desavergonhadamente. Será tanto assim? Tanto mais, tanto menos…? Isso, claro, se o mundo não acabar. Ou será que o mundo vai acabar por causa do nosso strip-biscate-coletivo? 😛

previsão para o fim do mundo

previsão do tempo para o dia 21, dia do strip-biscate-coletivo: A TERRA VAI TREMER!

No sábado (22), na ressaca dessa bundalelê todo e do fim do mundo, teremos a melhor parte dessa festa. O título do post e a ordem geral do dia será QUEM AMA O BISCATE LEVANTA A MÃO E DIZ PORQUÊ! Se você nos ama é hora de gritar ao mundo e dizer o porquê. O post será uma coletânea dos comentários e votos de aniversário que receberemos durante a semana aqui, no twitter e facebook. Manifeste seu amor por nós!

E, claro, fica tomo mundo curioso onde vai dar esta bagaça (porque onde cada um@ de nós vai dar é sempre uma surpresa, uma alegria e um prazer)… daí que no domingo (23), já nos 45 minutos do segundo tempo dessa festa de arromba, vamos conhecer o mapa astral do nosso Club. Ou seja, tudo-aquilo-que-você-sempre-quis-saber do Biscate e nunca soube como perguntar (oi, Woody).

Todos os posts especiais da semana estarão reunidos no banner com a nossa gordinha aqui na coluna do lado, bem lá no topo. Ela é anfitriã dessa festa. Acompanhe o agito em #UmAnoBiscateSC

Por fim, resta dizer que finalmente migraremos para o nosso endereço próprio e teremos casa e cara nova. Se não for possível fazer isso logo depois da festa (sabe comé ressaca de festa e tem toda a sujeira para limpar…), do reveillon não passa. E aí já será outra festa…

p.s.: Não, não é mera coincidência o “fim do mundo” colidir com nosso níver… 😀

Ser biscate é…

Por Niara de Oliveira

… não ter vergonha nenhuma na cara!

Minha avó Carolina dizia que mulher tinha que ter vergonha na cara e à boca pequena dizia que mulher só tinha que ter vergonha na cara.

Vou dar uma ideia para vocês da minha sem-vergonhice ou da minha descaração e do que estou falando. Estou em falta com o BiscateSC e desde que comecei um novo trabalho em meados de julho deixei minha parceira na gerência dessa bagaça pendurada no pincel e solita. Antes fosse pendurada noutra cousa, né Lu? Não faço ideia se vocês estão sentindo minha falta (tinha que ter um mimimi…), mas eu — depois de um estresse básico e de querer ficar um pouquinho afastada mesmo — estou morrendo de saudade da biscatagi por escrito. Claro, porque da outra biscatagi eu não largo nem a pau (aliás… bem… cês entenderam, né?)

Não é que falte inspiração para escrever, mas é que estou num momento estranho e profundo da biscatagi sobre o qual ainda não consegui escrever.

Aí, tentando dar uma curva na-falta-de-saber-o-que-escrever, resolvi perguntar no feicibúqui (clica para conferir) e no tuíter (clica para conferir) o que era ser biscate para cada amigue. Buenas, as respostas foram quase todas na mesma direção e nenhuma me satisfez. Teve ainda a linda da Bárbara que sugeriu essa trilha pra noite de ontem e se dispôs a me ajudar depois de algumas cervejas (adogo!)… Mas, ela também foi na direção contrária do que eu (não) estava pensando — Aproveito, sendo muito cara-de-pau, para convidá-la a escrever como nossa biscate convidada. Vem, Bárbara!? — Obrigada também a Márcia, Amana, Clara, Vivi, Jeane, Tati, Tania, Mônica, José João, Daniela, Ginga, Renata, Luciano, Moses e Cris. A todos também fica o convite, afinal essa casa está sempre de portas e pernas (ui!) arreganhadas para quem quiser entrar.

Mas, voltando à vaca fria… A inspiração não veio, meu dia foi atropelado pela agenda doida de trabalho e eu não consegui descobrir um aplicativo para postar (ainda bem!) o rascunho péssimo que rabisquei no ônibus no trânsito engarrafado de hoje de manhã pelo celular. Só consegui parar em frente a um computador agora (30/08, 16h31) e saiu esse desabafo.

Achei melhor ser sincera — porque biscate diz o que pensa e o que sente –, reconhecer a minha falha e declarar minha saudade da biscatagi escrita.

… e morrer de saudade!

Agora, dá licença que tem amiga biscate na cidade me chamando para tomar cerveja e eu não resisto.

Beijo, me liga!

Duas mulheres, muitas mulheres

O papel da mulher na História varia tanto quanto a mesma História. Fixar a mulher, como qualquer coisa, em uma entidade entendida como um tipo apenas, formatada diante de estereótipos, é torná-la não mulher, não viva, esquecê-la, encaixotá-la.

A mulher não nasce oprimida e nem se torna vítima, frágil ou cor de rosa choque, tudo é construído, mantido, transformado, desconstruído, reconstruído, no decorrer dos tempos, resistências, ações e omissões.

A mulher é a mulher e suas circunstâncias, parafraseando Ortega Y Gasset.

Uma das mais interessantes descobertas de minha vida de historiador foi a mutabilidade da mulher não só no decorrer do tempo, mas do espaço.

A mulher e seu papel são variáveis tanto na história quando na divisão de classe, e a liberdade veste muitas roupas e comportamentos nesse ínterim, inclusive vestindo fardas.

Se escravas iam além do papel de cativas trazendo tradições de comércio e tornando-se senhoras delas e de outros a partir de sua arte comercial, o que diríamos de mulheres que saiam do papel de Esposa-mãe e tornavam-se revolucionárias de arma em punho? Ou que saiam do papel de vítima de abuso pra sair de um estupro cravando alfinete no pênis do agressor ou responder à violência doméstica lançando um ferro antigo de passar roupa na cabeça do marido violento?

Mulheres resistem. E não resistem apenas de forma visível, mas resistem inclusive com a apropriação do espaço de poder doméstico e avanço diante do espaço de poder público. Em múltiplas formas de luta as mulheres se organizam e ocupam papéis mais ou menos radicais na defesa de seus direitos, anseios e liberdades.

 Desde o feminismo Materno de grupos Estadunidenses do início do Século XX até as Socialistas do mesmo período passando pela queima dos sutiãs e pelas Pagu, as Mulheres rompem com o domínio sobre si de diversas formas no decorrer da História, algumas vezes mediando, outras vezes tocando fogo.

Duas personagens fazem parte desta reflexão de forma enfática. As duas fazendo parte de descobertas recentes, uma via documentos, outra via memória.

Falamos aqui da revolucionária Alzira, participante da Coluna Prestes, e de uma certa Violeta Moura Chamarelli, vulgo minha avó, que no início do Século XX, em período próximo, tocaram fogo nas ruas e sertões, sapateando na cara de uma sociedade que via a ambas como demônios sedutores, serpentes e subversivas formas de andar pelo mundo.

Enquanto Alzira saía do Rio Grande do Sul para se enamorar de Miguel Costa e acabar presa enquanto liderava patrulha de revolucionários em Uauá na Bahia, Violeta ia de trem todo dia para o centro da cidade do Rio, sendo alvo, ambas, de ações e julgamentos que as tinham por prostitutas.

Alzira sai de sua família e vai pro mundo, Violeta vai pro mundo antes que o tempo autorizasse.

Alzira usou o corpo como quis e bem entendeu, ou nos braços de quem amava ou nos braços de quem queria, ou por tesão ou por interesse, como quis e desejou e foi feliz, e jogou sinuca e tomou cachaça e não sofreu na prisão até sua anistia.

Violeta viu a opressão trocar de mãos e tentar bater nela, e ali, magra, frágil, mostrou uma força e uma raiva que impede domínios e que mostra pra fascista que com os braços soltos o adversário reage.

Alzira lutava contra Arthur Bernardes, Violeta contra uma sociedade conservadora e hipócrita, um marido fascista e uma ideia que mulher que trabalhava podia ser estuprada no trem.

Alzira queria mudar o mundo por uma ideia. Violeta resistia ao mundo e o mudou por vontade própria, nem sempre consciente.

Ambas exerceram papéis tomados à força das mãos do roteirista.

Uma virou soldado, outra enfermeira.

Enquanto Alzira lutava ao lado de homens para transformar o Brasil, Violeta transformava o Brasil no cotidiano, inclusive amando livremente sob os olhos de rapina do fascista torturador a mando de Getúlio, enquanto amava comunistas o marido os matava.

Alzira e Violeta viveram nos anos 1920 e 1930 no mesmos país que a muitas outras mulheres oprimiu e que a História tende a tornar todas boas donas de casa e virginais senhoras , avós que não viveram.

Alzira e Violeta viveram e por vezes ofenderam, urraram, gozaram, maltrataram os olhos de quem não entendia como que uma mulher podia sair do papel original e brilhar em palcos diferentes.

Só descobri e entendi Alzira quando entendi e descobri Violeta.

Violeta que me comparava a seu algoz pela personalidade e autoritarismo, Violeta que m e defendia em minhas rebeldias, que me ensinava a ler, a ser duro. Violeta e eu nunca fomos amorosos um com o outro, e nem podíamos.

Alzira que me ensinou a vê-la, Violeta.

A ambas um muito obrigado.

PS: Quem quiser saber mais sobre a Alzira é só clicar aqui e ler o maravilhoso artigo de Maria Meire de Carvalho chamado “A invenção das Vivandeiras: Mulheres na marcha da Coluna Prestes”.

Yes, nós temos barriga!

Sim, a gente tem. Uma barriguinha daquelas arroxadas, por vezes salientes, mostrando ao mundo que o corpo é imperfeito. Barrigas de diversos tipos e tamanhos, que acompanham a nossa personalidade, a nossa estrutura física, a nossa sede e a nossa fome de vida. Barrigas que guardam ainda o gosto bom do prazer, de alimentar-se sem pudor, sentindo os sabores humanos e mundanos da vida farta. Barrigas que salivam por aquela cerveja gelada, uma após a outra, desfrutando o sábado e o domingo descompromissado e etílico madrugada adentro. Barrigas de mesa de bar, de feijoada, de carne de sol com mandioca, de batata frita e frango à passarinho, de chocolate derretido entre os dentes, de sorvete duplo com calda, caramelo, e tudo que se tiver direito. 

Claro, eu sei, a gente é vaidoso. E tem uma vida a zelar. Não estou falando do descuido completo do corpo, de se entupir de gordura trans, de descer ladeira abaixo rumo ao desfecho final da saúde. Estou falando de gozo e aceitação, delineando (ou tentando delinear) aquelas prosas bem hedonistas de se querer viver bem, e relacionar-se com o que o outro tem de melhor. Porque companhia boa, e cheia de tesão, é aquela companhia de se desfrutar prazeres. Nada mais bonito do que ver a amada deliciando-se, degustando a vida por entre uma garfada e outra, derramando-se numa cerveja bem gelada sem pressa de ir embora. Vivendo sem culpa, e sem padrão de aceitação. Porque o que importa, mesmo, é outra coisa. É a vida que está lá, ali, querendo ser vivida em momentos de querer, de delícias, de prazeres bem terrenos e finitos. 

E também porque tesão, gente, é mágico. Podem passar mil corpos esculturais, barrigas de tanquinho, pernas torneadas, receitas de aminoácidos e fórmulas de emagrecer, que os pêlos não se arrepiam e a vontade de partilha, ainda que sexual, pode se esgotar na primeira corrida na esteira. O que arrepia, mesmo, é outra coisa. Como diria o poeta, “uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza”. Porque é nesse algo mais que mora o tesão, o amor, o desejo. A vontade. E nada melhor para despertar esses sentires sem fronteiras do que o prazer compartilhado, com barriga ou sem barriga, rumo aos banquetes fartos. Degustações tantas e aventureiras, gastronômicas-etílicas-sexuais, despudoradas e desavergonhadas, cheias de quereres sem limites de qualquer natureza. 

E é por isso que, aqui, eu reverencio essas barrigas e pessoas maleáveis, convencidas de que a vida está aí para ser desfrutada até a última gota. Esses corpos imperfeitos e que sabem que, no fundo, o sentir não se resume à estética. Corpos que querem sentir o outro livre de qualquer peso moral ou consumista, rotulável por academias e avaliações físicas, por revistas de moda e medidas engessadas de peso e altura. Porque isso, eu bem sei, é um saco. E serve para que mesmo? Para desfilar nas passarelas da vida? O que importa o desfile se a gente não pode gozar o prazer para além das curvas retinhas e bem costuradas?

Como já disse Xico Sá: “Época chata essa.. As mulheres não comem mais, ou, no mínimo, dão um trabalho desgraçado para engolir, na nossa companhia, alguma folhinha pálida de alface. E haja rúcula! A gente não sabe mais o que vem a ser o prazer de observar a amada degustando, quase de forma desesperada, uma massa, um cuscuz marroquino/nordestino, um cabrito, um ossobuco, um barreado, um bife à milanesa, um torresmo decente, uma costela no bafo (…)”. É isso Xico, vamos incentivar as comilanças, os banquetes bem servidos, a vida farta e avessa ao “arrumadinho” e magro de sentires. Vamos exaltar, repetidamente, o hedonismo que tem que se ter para, minimamente, ter-se uma vida mais feliz, em meio a essas tantas neuroses implantadas em nosso trânsito cotidiano.

Porque biscate que é biscate não se importa com a balança contada. Se importa é com o prazer.

Vadias e Biscates, SOMOS TODAS!

Por Iara Ávila*, Biscate Convidada

Sim, eu sou uma vadia. Eu sou uma mulher da vida, uma Geni, uma biscate, uma piriguete. Eu também sou mãe, e sou trabalhadora. Sou igual a várias mulheres que conheço. E ao mesmo tempo diferente.

Partilho com elas o drama de ser mulher numa sociedade machista, mas sou branca e heterossexual, de família classe média, tive tudo que puderam me dar, embora não tudo o que eu quis aos 15-18 anos, porque sonhos de adolescente são, em geral, bem distantes das possibilidades paternas, ou até mesmo dos objetivos educacionais dos pais.

Partilho com essa mulheres saber que fui preterida para cargos de direção porque tinha filhos pequenos, partilho com outras mulheres saber que não fui escolhida porque era a menos bonita. Partilho com essas mulheres cantadas nojentas,  por exemplo grávida, de roupa de grávida e atravessando a rua.

Sei que a vida das colegas negras e homossexuais ou transexuais deve ser ainda mais difícil. Não lhes dão o direito de amarem, de terem seus nomes assim como o sentem. Nos documentos oficias, a não ser depois de longo, subjetivo e desgastante processo judicial ou administrativo.

Sei, ainda, que a vida das mulheres negras para conseguir emprego é ainda pior que para uma mulher branca, são em geral preteridas no mercado de trabalho, a não ser que embranqueçam, tenham traços mais parecidos com os das brancas e jamais usem cabelo afro, ou seja, ruim (ruim porque é de negra, não porque é enrolado). Óbvio que simplifiquei a questão, mas existem vários outros problemas adicionais ao de serem mulheres quando estas mulheres são transexuais ou negras.

Sou vadia, biscate, gosto de vadiar… Gosto de sexo, gosto de ser livre nas minhas escolhas sexuais e amorosas e isso nunca, jamais significou ou significará convite para estupro.  Porque eu escolho meus parceiros e não sou, portanto, objeto a ser escolhido. Enfatizo que meus parceiros também não o são. Somos apenas pessoas com o mesmo interesse.

Sim, sou gorda, mas há homens que me desejam, gostam de mim pelo que sou — não a gorda — gostam da inteligência, do papo, do humor, do carinho. Sei lá. Tantas coisas batem entre um casal. É pele, é momento. É limitado escolher somente por tipo físico. Mas cada um tem seu gosto e suas prioridades.

Sendo assim, por ser vadia, vou me policiar para nunca mais condenar outra mulher por suas escolhas amorosas e sexuais, por ser gordinha ou não, vaidosa ou não, condenar  suas escolhas de como criar seus filhos, ou de não tê-los, de casar ou não. Não vivi a vida alheia para saber o que levou tal pessoa àquele momento.

Desejo mesmo é que  todas as mulheres vadiem pelo mudo livres, aportando aonde quiserem, zarpando quando lhe aprouver, que as considerações a serem feitas ao chegar e partir pertençam a elas e a ninguém mais. Sim, elas sabem o que deixam para trás e quais são suas responsabilidades perante outras pessoas, por exemplo, e óbvio que isso lhes pesa, como deveria pesar a um homem também, ou a um trans ou gay. Não nos cabe julgar, não cabe a ninguém julgar.

Desejo, enfim, a todas as mulheres o que desejo a mim: que sejam livres na vida para serem elas mesmas, sejam biscates do mundo. Meu desejo como feminista é um só: liberdade para escolher sem ser julgada. Porque ser vadia é ser livre. Aos olhos do mundo seremos sempre vadias, por uma razão ou outra que nos impingem e que independe do nosso comportamento ou decisão. Que sejamos, então, vadias, e também biscates, com orgulho e unidas, sem condenar a coleguinha.

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* Iara Ávila é “baixinha, gordinha, nervosa, dentuça” e pede que devolvam seu coelhinho. Adora comentar novela, BBB e política e curte sambar essa “contradição” na cara das pessoas. Está lá na Brasólia rindo das bestagis do mundo e se indignando com machismos e preconceitos. No tuíter ela é a divertida @bete_davis, mas é vadia e não diva — segundo a Camilla Magalhães — e você pode acompanhá-la também no seu blog.

Uma biscate incomoda muita gente…

Por Deh Capella*, Biscate Convidada

Por que essa biscate te incomoda tanto?

É a roupa curta dela? É o colorido das peças, é a exposição do corpo?

Que bobagem. Vamos com calma, vamos pensar juntos. A primeira coisa é: ela te obriga a se vestir da mesma forma? Não? Então já temos um item a riscar do nosso checklist imaginário: a forma como ELA se apresenta é DELA. Pode não ser exclusiva, provavelmente você verá outras assim por aí – uma horda de biscates, que horror! – mas não é propriamente um dresscode, certo? Se você não gosta da roupa da biscate é só não usar roupa igual e pronto. Viu que fácil é?

Ah, mas aí os trajes da biscate estão em desacordo com o teu código moral, você acha que aquela roupa identifica uma pessoa com problemas de caráter? Pense que são roupas apenas. Que se a bisca em questão andar por aí de terninho e saltinho, vestida da forma mais distinta e modesta possível o caráter dela continua sendo o mesmo. Conheço bastante gente vestida em tons pasteis e cortes discretos, comprimentos e decotes que as Senhoras de Santana aprovariam e que ainda assim não vale um traque. Roupa é só roupa, aceite isso.

Ah, mas aí ela tem muita carne exposta e assim não pode, assim não dá? Pode. Dá. O corpo é dela. Biscate não sente frio? Ó que bom pra ela! Ah, biscate sente frio? Problema dela, uai. Ela que vá se virar com a gripe dela, você se agasalha como se sente melhor ou então vai externar sua preocupação com o próximo fazendo um voluntariado, que tal?

Não é a roupa, são os “modos”? O que seriam “modos” de biscate, então?

É porque seus gestos e atitudes são livres? Porque ela faz o que tem vontade? Pois bem. Primeiro pense se aquilo te incomoda porque você quer ser daquele jeito e não consegue. Oras, ou você tenta ou você admite que as pessoas são diferentes, têm temperamentos, reações, prioridades, interesses diferentes, vieram de contextos diferentes, têm outras vivências. E deixa pra lá, aceitando que a biscate faz sim parte desse colorido caldeirão de pessoas e que é justamente isso que faz do mundo um lugar interessante – e não um cenário de romance distópico onde pessoas são robôs idênticos programados para agir do mesmo jeito.

Você acha que a biscate em questão te prejudica? Mas como é isso? Ela está te puxando tapete, te fazendo mal de fato? Te atrapalha no trabalho ou no dia-a-dia? Ora, então cresça e resolva a parada. Mas como gente grande, conversando, de preferência sem usar aquele argumento odioso que faz referência ao uso que ela faz das próprias partes pudendas (só eu me divirto demais com essa expressão?) – sim, deixe as partes pudendas da moça em paz, até porque se ela é biscate das boas ela pensa e age e sente não só com os genitais, mas com o corpo todo (e creia, isso é bom! Já tentou?). Ah, a biscate te roubou a criatura amada? Pense primeiro, mas pense BEM se a criatura amada é tão volúvel assim a ponto de simplesmente ser levada sem querer. Então, se for o caso, repense o status da criatura amada na sua vida, porque né? Quem quer estar junto de alguém que não tem domínio das próprias vontades e responsabilidade pra lidar com o que vem pela frente, pessoa passiva que só “é roubada”?

Se o que existe aí é mágoa porque ela não te quer, e você passa seu tempo enumerando seus defeitos, é hora de desapegar e seguir em frente, crescer. Dói, mas você supera e a vida continua, é uma promessa.

Ponto final, meu amor: ignore a biscate, se for o caso. Deixe que ela exista, deixe que ela fique por aí e viva a vida dela – te garanto que ela não vai deixar de ser quem é porque te incomoda. Pense se não é uma imaginação fértil demais somada a um monte de preconceitos que te fazem detestá-la. Aquela vagabunda/periguete/biscate/ordinária/lambisgoia/desclassificada/mocreia pode ser uma pessoa cheia de defeitos sim, mas pode também ser alguém legal, pode ser inteligente, pode ser companheira, pode ser divertida, pode ser uma boa profissional, uma amiga leal, pode ser até uma filha/irmã/sobrinha/tia/mãe sensacional. Mas seus olhos não te deixaram ver isso ainda.

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*Deh Capella é historiadora de chuteiras penduradas, bibliotecária positiva e operante, tem 36 anos e é mãe de um menino bonito de quase 5. Vive de ler, escrever, ouvir música, correr, nadar e se aborrecer com a quantidade de gente disposta a encher a paciência dos outros por capricho, inveja, dor de cotovelo ou rabugice mesmo. Ah sim. A sua própria ranzinzice está em tratamento – dizem que o primeiro passo é admitir o problema, não? Atende também no Por trás da tela… e uma vez por mês no Blogueiras Feministas e não, não morde. Mesmo. Experimenta pra ver!

Ser periguete ou parecer periguete?

Ou qual papel a sociedade de consumo escolheu para você hoje e o que isso tem a ver com o Dia dos Namorados

Já está um pouco cansativo essa coisa de ficar afirmando o que é ser biscate. Porque não há definição, ou não há UMA definição e é aí que todo mundo se atrapalha, já sabemos. Estamos acostumados com esse mundo encaixotadinho, fácil, onde cada um representa apenas um papel. Ops! Esse é o mundo das representações, né? Porque no mundo real pessoas são complexas, inteiras e são várias numa só e é muito bom que seja assim. Maluquice, né? Sabemos o quanto somos complexos quando olhamos para nós, mas quando nos refletimos ou nos vemos inseridos na sociedade temos essa necessidade insana de classificar, reduzir, enquadrar… E cabe a pergunta: Temos mesmo essa necessidade ou ela nos é imposta diariamente por esse modelo de sociedade que visa nos transformar em coisas, em apenas consumidores?

Já questionamos uma reportagem sobre o comportamento sexual da periguete e de novo lá afirmamos o nosso entendimento (do BiscateSC). Felizmente saiu na última semana uma outra matéria no mesmo site um pouco melhor, com um entendimento/perfil bem menos preconceituoso sobre o que é uma periguete. Será que fez diferença o fato de agora ser uma mulher escrevendo? Não necessariamente, mas talvez porque sendo mulher e já tendo sido em algum momento classificada e em não gostando disso esteja mais atenta a essa forma nem tão sutil assim de opressão… Mesmo assim essa nova matéria escorrega, e a principal escorregada esteja talvez no tal “Raio-X da periguete” que imediatamente se choca com o perfil da periguete mais comentada do momento, a personagem Suelen da novela Avenida Brasil.

Diz a matéria, de Julia Baptista no Delas (portal IG):

“Mulheres que exibem sua sexualidade e a usam para conseguir coisas são tradicionalmente alvo de todo tipo de piadinha e expressões pejorativas. As periguetes não fogem da regra. “Essa mulher livre e que ousa fazer suas próprias escolhas ocupa um espaço tão importante nas fantasias masculinas que dá para se perguntar se a mulher que faz esse gênero está de fato ‘vivendo a sua sexualidade plenamente’ ou apenas desempenha, sem sequer se dar conta, mais um papel que a sociedade delega”, explica a historiadora e escritora especialista em questões femininas, Nikelen Witter.
A fantasia nasce justamente porque “nossa cultura ainda tem dificuldades de conceber uma mulher numa posição igual a do homem em termos sexuais, profissionais e sociais”, acrescenta Nikelen. Mulheres assim representam uma ameaça, um perigo, e, por isso mesmo, são fascinantes.

É mais ou menos o caso da tal Suelen de Avenida Brasil, que mesmo sendo considerada “mau caráter” (e talvez seja esse o problema no perfil da personagem, colocá-la como mau caráter) e usando seus “atributos pessoais” para obter vantagens ela é dona de si e faz do seu corpo o que quer. Talvez isso explique — me apossando aqui e usando o comentário da Nina Lemos — o sucesso dela entre os homens na trama, a simpatia pela personagem tanto de homens quanto mulheres e a maluquice que é viver encaixotado dessa forma que vivemos. E quando digo “vivemos” me refiro à sociedade como um todo, porque eu (acho!) já me livrei das caixinhas tem tempo e não impunemente, assim como a Suelen que paga sua conta por viver do seu jeito.

Querem um exemplo de como precisamos ser encaixotados para virarmos azeite nessa sociedade de consumo? Alexandre Herchcovitch, um dos maiores nomes da moda atualmente no mundo, revelou ontem na Folha de São Paulo sua estratégia diante da novas classes C e D — a tal “nova classe média”, que não é exatamente classe média e que foi elevada não à categoria de cidadã mas de consumidora pelo atual governo (mas essa é uma outra discussão que não cabe aqui): “Hoje, quem quiser sobreviver no Brasil, e competir, vai ter de fazer produto para a classe C e D”. Ao mesmo tempo que diz não saber fazer roupas para “o perfil da brasileira“. Diz ele: “Já tentei fazer essa coisa de ‘estilo da brasileira’, um certo padrão, mas não tenho mão para isso. Começo a fazer e sai outra coisa. Poucas marcas sabem desse gosto geral do Brasil. Isso não é um problema, pois o país é grande e há variedade de gostos. Minha marca conquistou seu espaço. Se minha roupa fosse periguete, teria mais clientes, mas não sei fazer. O lance é saber ajustar expectativas.” — Não, Herchcovitch não conceitua o que é ser periguete, apenas diz que não faz roupa para elas. Mas isso não é de certa forma dizer, classificar (inclusive no sentido de classe social), conceituar?

Relembrando o tal Raio-X da periguete e o comentário da Nina Lemos sobre a Suelen fica bem desenhadinho que é preciso não apenas classificar o comportamento dessa mulher (e não é que a imprensa seja responsável por isso, é a sociedade como um todo que o faz), da periguete, mas definir o seu jeito, definir o seu gosto. Quer ser periguete? Dê para quem quiser — isso é bom e eu recomendo –, não precisa nem anunciar que está dando, o julgamento e o “título” vêm mais cedo ou mais tarde. Quer parecer periguete? Vista-se assim, maquie-se assado, tenha o cabelo Y e tenha a atitude X. Se isso não é pasteurizar as pessoas e massificar cultura eu não sei o que mais pode ser.

Mas o que tudo isso tem a ver com o Dia dos Namorados, cáspita? Vou facilitar.

O dicionário diz:

periguete
(origem duvidosa, talvez de perigo)
s. f.
[Brasil, Informal]  Mulher considerada desavergonhada ou demasiado liberal. = PIRIGUETE

Na matéria do Delas, do portal IG, da semana passada a definição é essa:

A gíria, surgida na periferia da Bahia no início da década de 2000, virou apelido de cerveja e entrou para o dicionário Aurélio como sendo uma justaposição de ‘perigo’ + ‘ete’, “moça ou mulher namoradeira, mas sem namorado”.

Periguetes e biscates na teoria não namoram, elas flertam com os namorados alheios (ui!). Tudo vadia. Né? ERRADO. Já desfilaram por aqui dezenas de excelentes posts sobre biscates casadas, de um homem só, apaixonadas, mães e até de “quase” não-biscates. E não é que estejamos subvertendo o conceito ou a definição de biscate e periguete, é que ele não existe mesmo, por mais que tentem enquadrar, classificar, encaixotar. E se for para dedicar um dia ao seu amor-caso-peguete-enrosco-amante que cada um/uma escolha a sua data. Acho que ficaria bem menos normativo, massificado e impositivo. Mas, quem quiser cumprir o ritual-combo consumista de presente-jantar-motel hoje, fique à vontade. Sou da opinião que somos livres inclusive para escolher esse modelo consumista, mesmo que o ache bem meia-boca e sirva apenas para dar satisfação à sociedade que estamos tuteladas e estamos momentaneamente “menos perigosas”, mesmo que não seja nada disso. 😉

Amar é ser assexuado como esses bonequinhos? Deve ser por isso que as biscates e periguetes são definidas como quem não namora… Né?

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