Arruma um lugar para a gente!

É, definitivamente, um tempo de saudades. De pequenas nostalgias. De grandes nostalgias também. Porque o mundo virou – em fração de segundos, milésimos de segundos – um lugar absolutamente inóspito. Brotam como chuchu transgênico, numa cerca de dry-wall, notícias horrorosas e de todos os cantos do mundo: gente que acredita que o planeta é plano, logo ela, a Terra, tão linda e redonda e cheia de curvas, meneios, trópicos, calores equatoriais. Gente que se incomoda com cada coisa de alcova alheia, que benzamãe, benzapai. Gente, que no fundo, não parece gente, parece é um número, uma manivela, uma maçaneta, uma tecla de um tecladão.

Aí, a gente tem saudades. Saudades de tempos mais leves, menos enxofres, menos crucifixos, panelas, menos baba, menos fiscais de rola, cu, buceta, nariz, boca, ouvido. E tudo foi assim, de um dia pro outro. Até presidenta arrancaram para colocar um bando de gente cretina com cheiro de gomalina vencida. Até isso….

Mas a gente tem saudades e isso, muitas e muitas vezes, nubla a vista da gente. Porque nunca foi tão assim diferente, leve. Era que as cousas demoravam mais para nos atacar os fígados. Ou porque a gente estava mais junto, talvez. Porque se tem algo que mudou neste mundo redondo é isso da gente estar junto – maldita telinha de celular… E estamos todos nos falando, nos teclando, nos conectando, mas não estamos mais juntos. Falta, na verdade, o essencial.

Fico imaginando a Terra dançando para gente. Aquele Equador todo, separando quentes de frios, de frios e de quentes, naquele rodopio, dança, ao sol, à lua, ao ventre. Aqueles trópicos mudando horários, meridianos emprestando cores, localizando florestas, convidando a viajar, a flanar, a passear. Os dedos passeiam suas costas… sobem, descem… tua nuca é tão bonita, sabia? Já te disse? Florestas, parques, desertos, aquela cueca puída rasgada e beje, no chão. Beijo teu dorso, tua coxa, tem Vênus, abajur ligado, quero te ver. Esse pelo arrepiado parece mais uma onda. Chove lá fora ou aqui está tão molhado que a gente não sabe mais é de nada?

A Terra nunca poderia ser plana… esse gosto da tua boca.

A gente tem saudades. Mas é algo que a gente tá cuidando. O Biscate tá voltando…

Bunda que abunda ou qualquer outro trocadilho besta

Com a inenarrável,  imprescindível e indefectível coautoria de Bianca Cardoso

Em meio a estupores políticos e tremenda crise hídrica na cidade de São Paulo, incluindo ameaça de racionamento 5×2, foi a bunda da atriz Paolla Oliveira que quase quebrou as internetez na semana passada. Trending topic por dias, seja lá o que isso realmente signifique, o certo é que a bunda de Paolla desbancou até mesmo o eterno Luan Santana do topo do Twitter. Um bunda apenas. Não. Melhor me corrijo. Uma bunda nunca é apenas. Ou mesmo “uma”. É um conjunto, afinal vem com duas band…. Não, pera! Que srta. Bia me pediu pra superar as piadas do tio do pavê, que isso aqui é coisa séria. A bunda que reposiciona carreiras e eleva a status de estrela devassa e abundante a mocinha chata e insossa das novelas globais tem que ser tratada como a celebridade que merece. Transcendente. Até parece que nunca se viu bunda igual e nem Drummond faria melhor.

bundapaola

Tentei entrevistar a bunda de Paolla pra entender melhor esse fenômeno e saber se ela estava confortável nesse papel de musa. Mas, com toda a fama, ela nem tchuns pra mim e pra minha bunda comum e corriqueira. Acabei pegando mesmo a primeira que passou na minha frente. Uma bunda anônima, da voz rouca das ruas, mas que também almeja fama e sucesso. Enquanto espera convites e que reconheçam o talento das suas formas e meneios, resolveu expor sua posição (ui!) e suas opiniões sobre o bundalelê que tomou a TV brasileira nos últimos dias.

Algumas pessoas comentaram que a cortina fez toda a diferença para a atuação da bunda. Você concorda com isso?

Bunda: Acredito que a cortina seja uma boa parceira nas cenas diurnas. Ela traz aconchego quando a bunda precisa de calor e ao mesmo tempo evoca a transparência que está super na moda.

Quando a bunda sai de cena, ela continua presente no imaginário. Qual deveria ser o foco de Paolla em seu próximo papel?

Ah, o foco sempre deve ser no meio, ne? Pra respeitar o protagonismo das duas bandas da bunda. É importante que todo o conjunto se sinta confortável no papel, que a calcinha seja macia, que as partes da bunda e o cu sintam-se incluídos no processo. Afinal, uma bunda não faz sucesso sozinha, é um trabalho de equipe.

Você, enquanto bunda anônima, se sentiu mais representada na mídia?

Há muito tempo há bundas na mídia. Especialmente nessa época de carnaval. Não me sinto representada, pois a maioria das bundas anônimas não é tão perfeita como os filtros da mídia mostram. Nossa beleza está nos detalhes, no rebolado e na esperteza de muitas vezes ter um cu guloso.

A bunda anônima tem uma vida tranquila nas grandes cidades ou pensa em mudar-se para o interior?

A bunda, por mais anônima que seja, por mais pequena ou grande que seja, geralmente não tem muita paz. Porque no Brasil existe essa cultura de passar a mão na bunda, até sem querer, apesar de Gonzaguinha já ter dito que ninguém tá com ela exposta na janela. Então, não é fácil viver nas grandes cidades com todo assédio e os péssimos assentos do transporte público. Também não é fácil viver em eventos familiares com todas as piadinhas envolvendo legumes fálicos. Cada bunda sabe a dor e a delícia de ser o que é.

O cu diz que muito do sucesso da bunda, deve-se a ele. Como você vê essa crítica?

A história e a Anaconda de Nicki Minaj não me deixam mentir. Por mais que eu e o cu sejamos uma dupla infalível, há segredos profundos envolvendo essa parceria. Como ele tem fama de gostoso, só precisa fazer mistério para ter sucesso. Eu tive que me expor, ir a luta, dançar muito o É o Tchan para ser plenamente reconhecida.

A bunda que vai é a mesma bunda que vem? Ou todos os dias há novas experiências?

A bunda que vai e vem nunca é a mesma. A cada movimento, a cada requebrada, a cada rebolation, surge um novo hit do axé. Numa sociedade capitalista a bunda nunca deixa de ser explorada em toda sua solidez e liquidez. Como diz Zigmunt Bauman: “Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade”. Para uma bunda, tudo depende da cueca e da calcinha. Apesar de nos darem segurança, apenas sem elas há a verdadeira liberdade.

Qual a maior dificuldade que uma bunda enfrenta pra mostrar o seu talento?

Olha, pra mim, nossa maior dificuldade é segurar o cu. A gente tem visto tanta coisa esquisita ultimamente, que ele cai toda hora, ne? Pra botar no lugar depois dá o maior trabalhão.

 

 

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