Viver: nossa maior oportunidade

Rua  Augusta, São Paulo, quase 20h. Um monte de gente aglomerada em volta de um carro parado e, ao lado do carro, uma garota caída. Inerte. Parecia ser bem jovem.

Ver aquela cena mexeu bastante comigo , sabe?  Mesmo sabendo que atropelamentos  acontecem todos os dias, sobretudo em uma cidade imensa como São Paulo. Cidade onde a maioria das pessoas (sobre)vive com pressa e estressada.  Cidade onde dá para perceber de forma bem acentuada quanta gente está insatisfeita. E onde a vida parece ser mais breve do que em qualquer outro lugar…

O cotidiano às vezes nos torna cegos para essa brevidade que envolve a nossa existência.  Já repararam como a gente perde um tempo precioso remoendo as nossas frustrações ou reclamando daquilo que, por um motivo qualquer, não deu certo? Ou então julgando as escolhas dos outros pelo fato delas serem diferentes das nossas?

Pode parecer simplista o que vou dizer, mas acho que a gente poderia aprender a enxergar cada dia como uma chance. Chance para errar, para acertar, para começar ou recomeçar.  Viver é uma grande oportunidade que nem sempre valorizamos.  Há tantos caminhos a serem percorridos, tantas ideias ou experiências enriquecedoras para trocar. Por que não começar a exercitar isso desde já?

Não quero me tornar uma escrava dos meus dissabores. Não quero deixar para o futuro as coisas que eu poderia fazer hoje, só porque eu tenho medo de falhar. Quero aproveitar direitinho todas as minhas chances . O mundo pode estar bem ingrato, mas reclamação sem atitude certamente não ajudará em nada para que ele mude.

Não sei se a garota que mencionei no começo do texto sobreviveu. Ou se ela se tornou mais um dígito nas estatísticas paulistanas de mortes no trânsito. Mas eu fiquei imaginando que talvez, ela tivesse muitos sonhos. Ou que ela gostaria de fazer muitas coisas ainda. Pode ser que a última chance dela tenha sido até as 20h de ontem, e nem ela nem ninguém tinha como saber disso…

Parece até que foi ontem…

Em exatos três dias, completará um ano. “Caramba”, pensa ela, quando se dá conta de quanto tempo já passou. É que aquele 05 de junho pareceu tão terrivelmente interminável e insuperável, que ela achou que não suportaria…

A princípio, tudo era dor. Sabem como é, né?  Ouvir um “não te amo mais”  de quem a gente espera tudo e nada ao mesmo tempo pode soar pior do que a notícia – verídica – de um fim do mundo próximo. Mas o mundo não acabou e a vida seguiu.

Vida que seguiu melhor do que ela era capaz de imaginar.

Lágrimas foram derramadas. Noites não foram dormidas. Muitas lembranças povoaram a mente inquieta e o coração forte dela. Mas aos poucos, ela começou a superar as próprias expectativas. Aprendeu a deixar a dor ir embora. Entendeu que o passado só serviu e servirá para preencher páginas de sua história com aprendizados diversos.

Ela aprendeu a ouvir e a sentir mais. Aprendeu que é muito mais válido viver experiências do que ficar imaginando como elas seriam. Aprendeu que divertir-se é preciso. Aprendeu a sorrir, a demonstrar paixão pelo que gosta, a correr atrás de seus sonhos. Aprendeu a amar-se, a cuidar-se, a aceitar-se como é e a melhorar tudo de bom que já tinha. Aprendeu que ela não era, de forma alguma, responsável pelo sentir dos outros. Só que nada, absolutamente nada disso veio de uma vez: bastou que ela se permitisse tomar as rédeas de suas decisões.

Hoje ela canta, dança, cria, experimenta, ama, estuda, muda. Hoje, ela luta. Hoje, ela lembra e já não sente mais falta do ontem. E espera que algum dia, tod@s possam compreender que nada termina por acaso. Se algo tem fim… É porque um novo início – talvez muito mais interessante e enriquecedor – está por vir.

Que tal dar – se essa chance, tipo… AGORA MESMO?

 

 

 

 

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