Passado, Futuro e Um Pássaro no Peito

“O amor é um pássaro rebelde”

francesca-woodman

E tem aqueles abismos no peito. Eu não tenho ciúmes das histórias passadas, mas tenho um tanto de inveja dos romances futuros. As histórias antigas estão nesse você que desejo, que admiro, esse você de quem gosto. Tanto. Mais além: as histórias passadas são esse você. Seus anseios, medos, amores, o tesão que sentiu e saciou, as noites em claro, os sonos e os sonhos compartilhados. Todas as palavras de afeto que ouviu, todos os gestos de carinho que realizou, os amores que sentiu e os que provocou, estão e são, você. Você que eu gosto tanto, que me põe em febre e riso. Daí que não só não tenho ciúmes das histórias que você viveu como tenho um certo chamego por elas. São as suas histórias e as minhas histórias, são seus amores passados e os meus amores passados, que, presentes, possibilitam que esse amor seja.

“(…) eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor”. (Vinícius de Moraes)

Porém. Pois é. Ali, escondidinha e meio embaraçada por existir, a inveja de quem virá. Porque eu sei a voz rouca de desejo, a mão carinhosa entre os fios do cabelo, conheço a perna que descansará, pesada, entre as que não serão minhas, o conforto do abraço e a fome que há no beijo. Tenho inveja das tardes que passarão ouvindo música, da intimidade na cozinha, dos pequenos acordos verbais que se transformam em brincadeira. Inveja dos momentos em que verão seu franzir da testa e estreitar dos olhos, seu acordar preguiçoso, sua concentração cozinhando. Sinto inveja dos abraços. Das conversas arrastadas. Das mensagens trocadas à distância. Dos pequenos mimos. Tenho inveja das coisas que nosso relacionamento deixou em você. O olhar mais terno. O silêncio mais cúmplice. As manhãs preguiçosas de pernas enroscadas. Os filmes na cama.

Sinto inveja da alegria que se sente quando a gente percebe o gostoso de ser gostada por você. Inveja, digo eu, podia dizer saudade.

“Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado esperto, só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir. Digo-lhe, eu sei que estás aí, por isso não estejas triste. Depois, coloco-o de volta, mas ele canta um pouco lá dentro, não o deixei morrer de todo e dormimos juntos assim, com o nosso pacto secreto e é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e tu?” (Bukowski)

A culpa, o samba, os relacionamentos 2*

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Um casal (famoso ou não) se separa e as especulações começam. Se há suspeita (e sempre há, quando não por indícios “reais”, por pura inferência) de um triângulo amoroso, não resta dúvida: a “culpa” é da mulher. Ou das mulheres, com gradação. Primeiro a culpa da “traída”, porque não soube segurar seu homem, não deu atenção, deve ser fria, trabalha demais e tal e coisa e coisa e tal. E, com mais vigor, as recriminações à que é descrita como causa, motivo, razão da separação. A outra, a rameira, fácil, destruidora de lares e mais uma coleção de xingamentos que relacionam atividade sexual com pouco caráter e/ou ética questionável. Em uma vibe aparentemente menos virulenta, mas ainda com uma demanda de rotulação e culpabilização da mulher, chegam os argumentos de “cadê sororidade?”, “tem que respeitar o relacionamento da outra mulher pra ser respeitada”, “mulheres tem que se apoiar e não tomar o companheiro da outra”, etc.

Um questionamento válido que muitas pessoas acrescentam são reflexões e indagações sobre a participação dos homens envolvidos na relação. Afinal não são eles os comprometidos no casamento/noivado/namoro/whatever? Não são adultos, responsáveis pelos seus desejos e ações? Não são eles que “quebram” os votos, as promessas, os vínculos? A “culpa” não é deles?

Nessa vibe, uma manchete que responsabilizava a babá pelo fim do casamento entre Ben Affleck e e Jennifer Gardner foi transformada em: Ben Affleck é pivô da separação entre Ben Affleck e Jennifer Gardner. Parece bom? Parece. Mas. Pois, esta biscate tem mania de mas. A manchete modificada traz a ideia de que uma separação, o fim de um relacionamento, tem um responsável, um culpado. E, aqui entre nós, penso que não existe pivô de uma separação. Um casal se separa porque chegou ao ponto em que não dá mais. Porque sim. Porque assim é melhor. E se é pra um dos dois, é para os dois. Quem convive com suas razões, e apenas estes, podem explicá-las a quem lhes é de interesse, aos outros melhor seria ocuparem-se de seus próprios nós. A vida íntima alheia (de célebres ou não) não deveria motivar tanta preocupação e, principalmente, julgamentos baseados em julgamentos do comportamento sexual das mulheres.

E tem outro mas. Ai tem? Tem. Porque o buraco, penso eu, é bem mais embaixo. O bafafá e quiprocó sobre separa-não-separa, foi-por-causa-do-quê-de-outra-não-de-homi-que-não-presta só acontece inserido em uma lógica de a) exclusividade afetivo-sexual e b) imperdoabilidade (existe essa palavra?) de relacionamentos sexuais com outras pessoas.

A nossa sociedade construiu e tenta sustentar (ao mesmo tempo que se sustenta, também, nela) uma ideia de que relacionamentos certos são capazes de – e devem – suprir todas as demandas, faltas e necessidades dos envolvidos. Mas, sei eu e, aposto, sabe você, somos seres de incompletude. Nada, ninguém, relacionamento nenhum vai nos deixar inteiros. Ah, mas a gente não precisa atender a todos os nossos desejos, porque essas pessoas não se controlam? Eu mudo a pergunta: porque é preciso o controle sobre o corpo e o desejo? O que se garante, garantindo esse controle? A quem interessa regrar o sexo alheio?

Vamos combinar: o que há de realmente grave no fato da pessoa com quem trepamos trepar com outra pessoa? Ou ainda, o que há de mais grave nisso do que ela ir ao cinema com outra pessoa? Do que ela gostar de conversar sobre vinis antigos com outra pessoa? O que há de realmente mais grave no fato da pessoa com quem trepamos participar de uma suruba do que participar de um grupo que faz degustação de vinho ou escalada? Porque achamos que é uma imposição nos afastarmos de quem beijou outra boca que não a nossa mas não de quem passa horas jogando videogame com outro alguém que não a gente? Parece-me que nada – afinal tem prazer envolvido, tem tempo envolvido, tem desejo envolvido em todas essas outras atividades, assim como no sexo – a não ser o local em que colocamos o sexo na nossa pudica sociedade. E como o usamos para cercear, reprimir e hierarquizar situações, pessoas e desejos.

Não estou dizendo que não dói, que não mexe, que não balança a gente saber que a boca que encostou na minha boca anda sugando línguas outras. Afinal somos todos inscritos em um discurso de posse, exclusividade, que nos ensina que isso é pra doer, que isso é prova de desamor, que se perdoa quase tudo, mas isso, ah, isso não. Não estou, também, dizendo que, ok, agora entendi, então vamos todos nos tornar não-monogâmicos. Não estou dizendo que ah, coitadinhos, deixa os homens treparem à vontade. Estou dizendo nada disso. Estou, mal e mal, tentando circunscrever esses discursos de posse, separação, traição. Tentando discutir que essa dor de “ser traída” não é um dado natural inevitável, mas resultante de uma construção social que pode ser desconstruída, devagar e sempre (incluindo a noção de traição) rumo a uma sociedade que nos reprima menos e onde se goze mais. Tentando conversar sobre o quanto intimidamos e magoamos outras pessoas ao reforçarmos discursos onde a exclusividade sexual se torna tema central e inquestionável (quantas vezes não ouvi as pessoas dizendo “mas é CLARO que ela devia se separar, imagina, ele transava com outra pessoa há meses”) dificultando que as pessoas afirmem seu desejo de continuidade “apesar de” ou, mesmo, “por causa de”.

Disse antes e repito, não se trata do que sentimos, mas do que fazemos com o que sentimos. Trata-se de quem queremos ser e em que sociedade queremos ser quem queremos ser. Trata-se de ser responsável pelo meu desejo, pela minha falta e pelas minhas ações. Trata de amar no outro a sua incompletude. De amar, na vida, também os silêncios, os vazios, as distâncias. Trata-se de mais. Querer mais, ser mais, gozar mais. Trata de substituir a culpa pela responsabilidade. De afirmar o desejo. E de parar de se importar com quem os outros estão trepando, porque estão trepando, o que A ou B acham da trepada. Parar de criar regra pra trepada alheia, olha aí um bom mote.

*Texto desenvolvido a partir de uma postagem de Dai Dantas no FB que, aliás, está copiada (com autorização) praticamente sem mudanças no parágrafo em itálico no meio do texto.

Um Olhar Biscate Sobre a Novela Em Família

Ano passado escrevi sobre Lado a Lado, a linda novela das 6 que ganhou o Emmy internacional de melhor novela, batendo inclusive a queridíssima Avenida Brasil.

Agora temos na faixa das mais uma novela do Manoel Carlos, o Maneco, como é chamado carinhosamente. Manoel Carlos tem 80 anos e um currículo de trabalhos de sucesso na tv entre eles a excelente Água Viva, onde foi co-autor junto com Gilberto Braga e que está reprisando no viva e Presença de Anita. Também fizeram muito sucesso as novelas de suas Helenas tais como em Baila Comigo, Sol de Verão, Por Amor e História de Amor (das Helenas  a minha favorita).

Maneco escreve novelas sobre a sua vida idílica, a vida como deveria ser. Os vizinhos lindos e amigos se ajudando, as famílias que brigam mas no fundo se amam, o médico da família (Maneco ainda vive do século 18, só pode, hoje a gente nem médico tem, que dirá da família), sempre um tal Dr. Moretti. Os cafés da manhã enormes, e a gente mal come pão com manteiga e toma café de tanta pressa, os vizinhos bacanas (sei nem quem são os meus, prefiro não saber), gente que passeia com o cachorro pelo Leblon..As crianças super fofas (sempre tem criança fofa que sabe tudo na novela do Maneco, maduras, mais que os pais). Empregadas que não tem vida própria e vivem par nos servir (precisa nem achar… OOOOO MIIIRRRNNNAAAA).

E o Leblon… tudo é no Leblon. O Maneco ama o Leblon. Você pisa no Leblon e toca bossa nova. Tem uns pardais treinados em piar Tom Jobim no Leblon. Uma beleza.

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Enfim essa vida idílica, quase comercial do Itaú entremeada por alguns desacertos amorosos, essa aí de cima é a  típica novela do Maneco. Ou Era. Ë que algo mudou desde a Helena passada (Viver a Vida) que já foi bem ruinzinha até essa atual de Em Família.

 A trama central da novela é o Amor, o grande amor, aquele que renasce como a fênix ( (pausa para  cena a la Harry Potter ).  Nada contra o amor, não fosse  o autor da novela entender por “grande amor”, ciúmes e violência. O mocinho da trama, Laerte, é extremamente possessivo, ciumento e violento, comportamentos esses que em geral vem acompanhados um do outro.  Mas o autor justifica o descontrole emocional do mocinho (como se houvesse justificativa possível pra isso), com o comportamento da mocinha, a Helena da vez, que, segundo a narrativa da novela, gosta de “ficar provocando”. Na cena em questão Laerte diz que farai tudo por amor, até matar, um Othelo moderno.

Ora, Othelo é bem interessante, assim como Dom Casmurro e seu atormentado Bentinho. Mas cabe, nos dias atuais, numa trama ambientada nos dias atuais, incentivar e conceber como grande amor um relacionamento baseado em possessividade, ciúmes e violência? Justo quando o noticiário diário das grandes cidades é tão pródigo em notícias de feminicídio? Ou Manoel Carlos não lê mais as notícias? Justo ele que fez o excelente Malu Mulher?

Porque Helena é uma personagem que se culpa o tempo todo pelo ciúmes que posa ter provocado. Muitas mulheres agem assim com seu parceiros violentos. O que falta aprender em termos de relações abusivas é: não sou responsável pelo comportamento do outro em relação ao que faço, mas sou responsável pelas minhas escolhas.

Parece contraditório, mas não é. Se, por exemplo,  quero ter amigas e meu parceiro não deixa e por isso é violento comigo essa não é uma relação em que devo estar se ele não consegue aceitar quem eu sou. Eu claramente não estou aceitando as ideias dele também, não consegui mudá-las. Hora de ir. É resumido. Parece lógico. Mas é dolorido. Quebrar o ciclo de uma relação não é rápido e simples assim, especialmente quando se tem filhos.  Especialmente para mulheres que já tiverem sua autoestima quebrada, sua rede de relações também, muitas vezes estão desempregadas porque abriram mão da carreira para cuidar da família. Várias questões estão em jogo.

E quase sempre esse marido se sente dono dessa mulher, nào aceita que ela se vá, aí acontece o feminicídio, fruto do machismo. Fruto do pensamento do homem que acha que a mulher é sua propriedade. Fruto do ciúmes, da violência e da posse, tantas vezes confundidos com provas de amor e que nada mais são que medo, insegurança e posse mesmo.

E aí vem essa novela dizer que isso é uma amor de 20 anos, que um sujeito violento e descontrolado com claros sinais de psicopatia é assim só porque, tadinho…: ama demais… E a culpa de tudo, claro, é da mulher que dá bola para vários. A culpa não é de quem faz a conduta mas daquela mulher má que instiga, quase uma Eva…

E daí que fico triste que o Manoel Carlos que já fez tantas novelas excelentes, que meu querido Malu Mulher que tanto me ensinou,  tenha chegado aos 80 anos fazendo uma novela que confunde amor com posse e coloque como tema na cabeça de algumas mulheres um amor obsessão que nada tem de amor porque Amor é felicidade, como bem disse Carlos Lombardi em Pecado Mortal, no outro Canal.

(e isso que nem falei dos problemas de racismo, classicismo e proselitismo religioso nessa novela, fica pra próxima…)

Ciúme é a merda do amor

Há quem não concorde com o título acima e ache que ciúme é perfume, bem como pensa o Poetinha. Pois eu estou com Caetano e não abro – e olhe que sou dessas que gosta de abrir. Os braços, a mente, as pernas…Ciúme é, para mim, uma coisa assim meio que posse misturado com insegurança. O ciúme não está no sorriso largo que a moça oferece ao moço do outro lado da mesa. O ciúme não está no abraço que o moço dá naquela que foi companheira enquanto ela enterra o avô. O ciúme está no olho de quem vê, no coração de quem sente.

Nada me deixa mais feliz do que ouvir aquelas duas belezuras chamadas Chico Buarque e Wilson das Neves e toda sua segurança de malandro. O malandro é tão malandro que sabe que não importa para quem ela bamboleia ou pra quem ela pisca o olho, porque no final – da noite, pelo menos – é com ele que ela fica. Diz aí como não sentir tesão por dois malandros tão seguros de si.

Ciúme também é posse. É querer se apoderar dos sentimentos, desejos, sonhos e pensamentos do outro. E há os que ainda querem controlar o incontrolável: o passado do seu Objeto de amor. Digo objeto porque quem quer ter tanto poder assim sobre o outro, não vê nele um sujeito autônomo, cheio de vontades, virtudes e defeitos, sobre o qual não há que se exercer controle, mas sim um objeto sobre o qual se pode dispor, como um quadro que enfeita a sala.

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Desconfio que quem saber tudo o que se passa com o outro não sabe o que se passa consigo mesmo. Quem ama – ou diz que ama – alguém com esse tipo de sentimento quer ser o centro da vida daquela pessoa, não admite que o outro possa ser feliz, sorrir, amar outros além dele. Gente que sente assim não admite que o outro possa ter outras formas de ser feliz que não o incluam.

Amar assim é fácil porque se elege o objeto de amor, trata-o como tal e coloca nele todas as expectativas de sua vida. Ele, o objeto, passa a ser o responsável pela sua (in) felicidade. Quem ama assim, tira a própria  responsabilidade de sua vida e é incapaz de perceber que cada um nasce e morre só e que o que acontece no meio disso só pode ser creditada a ele (por mais clichê que isso possa parecer).

Quem ama assim não admite que o mundo aconteça além dele; que as relações que seu objeto de amor estabelece com outros não são da sua conta. Não entende que ele ocupa um lugar na vida do outro e que não tem o direito de cobrar aquele amor todo que devota ao objeto amado. Quem ama assim quer ser presença todo o tempo sem saber que o amor também se faz nas ausências.

ciúme vem aliado a uma boa dose de machismo

ciúme vem aliado a uma boa dose de machismo

Não nego, contudo, que quem ama assim, sofre. Mas não sofre porque o outro é mau, canalha o tem um coração leviano. Sofre porque quer segurar, amarrar e guardar na gaveta aquilo que não é seu; e que nunca será. Quer ser dono daquilo que é matéria do outro e só a ele pertence.

Difícil é amar sabendo que a única certeza que se tem é dos próprios sentimentos, ou nem tanto assim, e que a vida do outro não é sua. Amar sabendo que o outro é senhor de si não é fácil, mas acredito que seja o mais honesto.

Tempero ou Veneno?

Que atire a primeira bomba de chocolate quem nunca sentiu ciúme. Nem um tiquinho de nada. Muita pretensão da minha parte afirmar que todo mundo, de alguma forma, já passou por isso?

É bem difícil não ter ciúme quando a maioria de nós “aprende” que não existe amor de verdade sem esse danado. Procurando num dicionário uma definição para ciúme, eis o que encontrei:

ci.ú.me
sm (lat vulg *zelumen) 1 Inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade no amor ou em outra aspiração. 2 Vigilância ansiosa ou suspeitosa nascida dessa inquietação. 3 Ressentimento invejoso contra um rival ou suposto rival mais eficiente ou mais bem-sucedido, ou contra o possessor de uma vantagem material ou intelectual cobiçada. 4 Bot Arbusto asclepiadáceo, denominado também capulo-de-seda, flor-de-seda, bombardeira (Calotropis procera). 5 Bot Arbusto asclepiadáceo (Calotropis gigantea).

Forca-coraçãoLegal hein? Inquietação mental e vigilância ansiosa ou suspeitosa. Vigiar, suspeitar, controlar… Chama a atenção também a palavra possessor. Será que temos esse sentimento porque, talvez, já tenhamos acreditado que o outro é nossa propriedade?

Não sei explicar direito se isso faz bem para o ego. Na verdade, todas as situações que envolviam ciúme presenciadas ou sofridas por mim foram absolutamente patéticas. Eu não lembro de momento algum em que estive feliz com a ilusão de que “fulano é meu e ninguém tasca”. Muito pelo contrário, me senti uma idiota depois. Mas essa sou eu. Há quem alimente e defenda esse sentimento como algo fundamental em uma relação, caso contrário é, invariavelmente, falta de interesse. Muitas vezes, se esquecendo que há infinitas possibilidades mais gostosas de se demonstrar que ama alguém.

De uns tempos pra cá, comecei a pensar que na minha vida, o verdadeiro “tempero” para o amor é a confiança. Nada como deixar o outro estar contigo por sua própria vontade, sabe? É muito bom vivenciar um relacionamento que permita que eu continue sendo livre e que o outro seja assim também. Sem achar que quem está ao meu lado me pertence.

 

 

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