Escrever nunca foi tão triste

Tentei escrever,
colocar os sentimentos em palavras.
Pensei em você,
os versos, em gotas, molharam o papel.

(Alves Rosa)

 

Ontem, olhei as nossas fotos. E todas as lembranças se transformaram num filme que assisti sozinha…

Quando te conheci, juro, não esperava nada. Eu realmente acreditei que você seria escreverapenas mais um entre tantos que poderiam estar comigo. E confesso que gostava dessa fase de incertezas. Porque parecia que quanto menos pistas nós tínhamos do futuro, mais a vontade de estarmos juntos aumentava. As descobertas eram o alimento dela.

Agora, estou tentando entender onde foi que nos perdemos um do outro…

Dói. Dói ouvir você dizer que é impossível não gostar de mim, mas que não se sente feliz ao meu lado. Ou quando você me pede para pensar nos momentos bons que tivemos. É torturante essa dor. É duro cultivar memórias que não irão se repetir. E chego a pensar que sua indiferença talvez doesse menos em mim do que a sua oferta de ombro amigo.

Ser amigos. Esta foi uma das muitas promessas que fizemos um ao outro ao longo da nossa trajetória como casal. “Casal perfeito”, nas palavras de nossos amigos e familiares. E mesmo passando a vida inteira desconfiada de “perfeições inabaláveis”, acreditei genuinamente na nossa. Achei que realmente nada iria nos abalar…

E por mais difícil que seja o meu momento atual e te dizer isso, vá. Não quero ninguém ao meu lado por pena ou por consideração. E quando você realmente souber o que procura, seja feliz! De verdade.

Quem sabe um dia, a gente não consiga cumprir aquela promessa, não é mesmo? É que as feridas não cicatrizam imediatamente após o impacto.,,

tumblr_lcyv5867q91qakmqso1_500E feridas de amor demandam muito cuidado. Porque só ama novamente um coração verdadeiramente curado. E enquanto não ama, sente mil coisas inexplicáveis. Às vezes, vai do bem querer à raiva em questão de minutos. Mas até isso passa. E ensina.

Muitas foram as páginas em branco que preenchi. Ora com cores, ora com dores materializadas em palavras. Mas escrever, para mim, nunca foi tão triste como agora.

 

Quando um coração biscate sofre…

Amar não é mérito pra ninguém… maior dos desassossegos, invade, infunde, aborrece… não é para principiantes. Causar amor, sim. Trabalho de qualquer um para um qualquer… não se vê, ou só vê quando quer, ignora, tripudia, samba de salto agulha na existência alheia…

Sim, amor, às vezes, não tem troca… A profundidade da existência de um é amargada pela liberdade e a negligência do outro. Se deprime? Quem sente? Amar sem ser correspondido é como ser uma Maya Desnuda eternamente deitada chamando “vem, neném”, Goya! Amar sendo correspondido é resguardar um malicioso sorriso e olhar para tudo sem ver nada, Da Vinci…

Amar e Correspondência… furos vitais na biscatagem… não que biscates não amem… Amamos, só não devemos nos apegar às correspondências… atrapalha o Carpe Diem, o amor… esse monumento de papel machê prestes a derreter na primeira chuva da infância. É aí que, pego pelo rabo, o coração biscate aprende a sofrer…

É, assim, morto na fraqueza de que tanto ri, que um coração biscate não correspondido padece de tudo… é enxaqueca, febres, tremores… doenças da cabeça que refletem na pureza da alma que não quer ser pura. Sim, porque se for pra ter tremores, que seja de desejo; febres, de êxtase; e dor de cabeça, de falta de cuidado com a cabeceira da cama… quando for convencional…

Querer e Sofrer não combinam, mas se completam… fundidos à biscatagem levam a coisas que fariam a Monalisa virar O Grito, Munch. Tudo forma de se expressar. Amar-Querer-Sofrer… tudo necessidade de expressão… tudo um fator de ubiquidade, de querer estar em tudo e em todos ao mesmo tempo… com o mesmo tesão. É assim, sofro, por você, mas enquanto não te tenho (mais?), vou fazendo como meu amigo José Augusto: “eu já tentei, fiz de tudo pra te esquecer, eu até encontrei o prazer”, sempre… Perdeu!

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