Sou uma biscate, muito prazer!

Por Cris Rangel*, Biscate Convidada

Quando recebi o convite da Luciana para escrever por essas bandas fiquei muito honrada. E o convite veio depois de uma conversa no twitter na qual eu dizia: agora que sou mulher livre e desimpedida, com fogo na bacurinha, vou é biscatear muito.

Hoje estou tudo isso e muito mais como mulher, talvez mais mulher do que nunca porque a cada dia percebo que posso sim tomar atitudes que não foram pensadas previamente e que podem ou não mudar a vida de algumas pessoas. OK, e daí? Eu mexo com a vida dos outros porque quando mexem com a minha, ninguém manda aviso prévio.

Sou uma pessoa comum. Casei, tive filha (não nesta ordem, que fique claro), separei. Engatei namoro firme demais logo após a separação – ou após a última fase de separação, que teve várias e sofridas fases.

Eis o primeiro grande problema: eu separei e não me dei o tempo de ser biscate, eu não me permiti. Em todas as fases de separação eu emendava uma relação mais séria e não biscateava como deveria. Perdi aprendizados importantes com a falta da biscatagi.

E lá se foram dois anos de namoro com um homem daqueles que só pensa em si, que é o centro do mundo. E, opa! Um belo dia eu realmente digo chega! Por que vamos ser honestos, o centro do meu mundo sou eu. Quem dita as regras e normas à minha vida sou eu. Certas ou erradas sou eu que faço as minhas escolhas.

Mas acontece que a gente tende a passar um período inerte, como se sob o efeito de psicotrópicos quando nos apaixonamos, não é mesmo? Fazemos umas coisas que jamais imaginamos quando nos apaixonamos, chegamos a nos anular (quem nunca?). Agora, passado o efeito da anestesia e devidamente acordada e com os dois pés plantados no chão decidi que vou cuidar da minha vida, única coisa verdadeiramente minha nessa confusão que é viver.

Ele ainda não entendeu. Eu não vou mais explicar. Por que se tem coisa que cansa é explicar e reexplicar, e explicar de novo e mais uma vez. Cansa.

Em meio a tantas decisões, mais uma, vou voltar a ser a mulher que sempre fui: uma biscate. Uma biscate meio tímida admito, mas com um potencial que vocês nem imaginam! Farei o que eu quiser, quando eu quiser, com quem eu quiser. Estas escolhas são minhas e ninguém vai roubá-las de mim. Reaprenderei a ser a minha melhor companhia, reaprenderei a me amar ainda que nos momentos em que deixo virem à tona meus piores defeitos.

Nunca é tarde para voltar a ser quem eu fui.

Não sei também se os relacionamentos amorosos não foram feitos pra mim ou se eu é que não fui feita pra eles, mas há algo muito errado nesta equação. Mas isso é assunto pra outro papo e não é hora de pensar assim, é hora de voltar pra biscatagi porque esse é o meu lugar.

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*Cris Rangel é atleticana de corpo, alma e ventania. Jornalista na fria e carrancuda Curitiba. Mãe de menina. Audaciosa. Corajosa. Encrenqueira. Louca por cinema, rock’n roll, vinho e conversa afiada. Corredora amadora, aficcionada por academia. Biscate exigente, livre e liberta.

Meu coração é rubro-negro e bate pelo Furacão

Brasileirão da Biscatagem
Atlético Paranaense, Cris Rangel

Sou paranaense, curitibana, para ser mais precisa e não carrego qualquer orgulho disso. Em compensação sinto muito orgulho em dizer Sou Atleticana!

Minha história de amor e paixão com o Clube Atlético Paranaense (CAP) começa… Gente começa antes que eu sequer pensasse em nascer!

Vou explicar. Sou descendente de italianos e alemães por parte de pai. Meu avô paterno, como bom italiano, torcia pelo Palestra Itália, o Palmeiras. No Paraná o time que tinha a simpatia de Seu José era o Coritiba.

Meu pai, em plena infância e adolescência e querendo ser o inverso do que era o pai dele e fazendo tudo para contrariar começou a torcer pelo Corinthians e pelo Atlético, arquiinimigos do Palmeiras e do Coxa. Menino danado esse meu pai. Imagino eu a decepção do meu avô, mas foi assim mesmo que tudo começou.

Meu velho sempre gostou de futebol. Jogava quando menino e moço. Chegou a conhecer alguns dos grandes nomes do Furacão (CAP) e conseguiu ter três filhos torcedores atleticanos, duas filhas, diga-se, apaixonadas pelo time e uma neta também torcedora do CAP.

A primeira vez que prestei atenção em futebol e no Atlético foi lá pelos anos 80 quando, depois de uma fase de seca de títulos nos anos 70 o time venceu um campeonato paranaense. Foi a glória em casa, meu pai comemorando o título do rubro-negro e a gente junto, um bando de crianças que só sabia que a bola tinha que entrar no gol.

Cresci e sempre acompanhei futebol até que, grávida, entrei pela primeira vez na Arena da Baixada, o Caldeirão como é chamada, pra ver meu time jogar, ao vivo e em cores. Até aquele momento não tinha sentido emoção maior. A torcida inteira nas cores vermelho e preto, gritando ‘Uh! Caldeirão! Furacão Ê Ô Atléticooooo’ mexeu comigo, mexeu com a menina que estava na minha barriga e levou meu coração a saltos gigantescos. Nunca esquecerei daquele momento enquanto viver.

Nasceu a menina e, um ano depois, em 2001, o Atlético foi finalmente campeão Brasileiro. Gritei muito naquele dia, sofri outro tanto. Mas, amor e paixão sempre nos levam à glória e ao sofrimento, não tem jeito.

Em 2005 o CAP foi vice-campeão da Libertadores. Outro tanto de lágrimas derramadas na final. E, em 2011 novas lágrimas: o rebaixamento para a segunda divisão do Brasileirão, numa partida com o arquiinimigo Coritiba. Chorei. Chorei como criança vendo o jogo enquanto montava a árvore de Natal.

Este ano jogaremos na série B. Estamos na final do paranaense contra o Coritiba e ainda na disputa pela Copa do Brasil. E eu vou torcer com vontade. Meu time consegue fazer vir à tona o meu lado passional, minha veia enfurecida, que grita, discute, briga, chora e se entrega numa torcida muitas vezes insana. Talvez por isso mesmo que eu ame tanto, o futebol e o Atlético, porque é nesse momento, no meu momento torcedora, que me entrego à paixão com garra e vontade.

Curiosidade – O apelido de Furacão do Atlético Paranaense deve-se ao time de 1949, que foi campeão paranaense sem nenhuma derrota e do qual o Capitão era o zagueiro, falecido no início deste ano, Nilo Biazzetto. O jogador ganhou, naquele ano, o apelido de Capitão Furacão, daí o apelido do Atlético até os dias de hoje.

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*Cris Rangel é atleticana de corpo, alma e ventania. Jornalista na fria e carrancuda Curitiba. Mãe de menina. Audaciosa. Corajosa. Encrenqueira. Louca por cinema, rock’n roll, vinho e conversa afiada. Corredora amadora, aficcionada por academia. Biscate exigente, livre e liberta.

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