Ode aos dildos

Vamos falar de dildos. Esses queridos objetos tão renegados, tão escondidos nas gavetas afora. Tão essenciais. Cores e formatos diversos, propósitos uns e outros. Os dildos, não se enganem, não são como pênis. Pênis pressupõe outro alguém. Um pênis nunca é só um pênis. O dildo, ao contrário, não é mais do que um dildo. Nunca.

A graça do dildo é o dildo. Se quero pênis, procuro pessoas. Dildos e pênis, aliás, não são nunca excludentes e muito menos substitutos. Incomparáveis, eu diria. Aliados.

Uma liberdade tão, mas tão livre que julgada e acusada a todo instante. A penetração profana, o dildo é prazer pelo prazer. Sem chance pra procriação. Serve em todo e qualquer buraco. De toda e qualquer pessoa que assim quiser. Estraçalha qualquer lógica evolutiva do sexo. O dildo é o futuro.

Dildos decoram. Quebram o decoro pudico da suposta intimidade em que o sexo – esse bem tão público – é confinado. Exibem-se em paredes de sex shops, lojas virtuais, sonhos de suor e lágrima. Disfarçam-se em batons ou objetos de design mas estão sempre, sempre, lá. Fuce uma gaveta, clique um link, leia um conto. Dildos, dildos, dildos e mais dildos.

O prazer da penetração pela penetração. Autopenetração. Penetração combinada, conjugada, dupla, tripla. Aqui, ali e acolá. Um ato de amor próprio. Libertem os dildos das gavetas da vergonha!

Sejam despudoradamente felizes.

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