O debate de gênero nas escolas é necessário

Por Matheus Rodrigues*, Biscate Convidado

Quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, estudava num colégio católico tradicional aqui de Niterói, me chamaram de gay na sala de aula. A professora, que ouviu, foi mais rápida que eu para esboçar uma reação e disparou em alto e bom tom: e se ele for? o que que tem?

Num primeiro momento não só estranhei, como não gostei da resposta dela. Afinal, como a maioria dos adolescentes gays, eu próprio reprimia a minha sexualidade. Era algo ruim, algo de que eu deveria me envergonhar. Foi assim que aprendi. Hoje essa professora, Mônica Mançur, é uma das pessoas a quem mais sou grato, por ter me ajudado a perceber que eu não tenho que ter vergonha nenhuma de quem eu sou, que quem tem que ter vergonha são aqueles que destilam ódio.

No dia 8 de junho aconteceu a primeira audiência pública na Câmara de Niterói sobre o Plano Municipal de Educação (PME). Se eu disser que foi um show de horrores, vou estar usando um eufemismo muito fraco. Ódio atrás de ódio por parte dos defensores da exclusão, do PME, das metas referentes ao debate de gênero, identidade de gênero e orientação sexual nas escolas.

E por que uso a palavra “ódio”? Porque o PME não vai ensinar as crianças a serem gays. Não vai estimulá-las a mudar de sexo. Não vai ensinar uma criança a chupar o pau de outra, como certo vereador afirmou uma vez. Não vai destruir as famílias. Não vai induzir as crianças à promiscuidade nem acabar com sua inocência. Ao insistirem nessas mentiras, os defensores do combate à tal da “ideologia de gênero” (que sequer existe, o termo nunca foi usado em nenhum documento oficial) deixam bem claro que não é racional a sua objeção à discussão de gênero, diversidade sexual e identidade de gênero nas escolas. Deixam claro que é ódio. Puro e simples. Ódio ao diferente, ao que ousam fugir do padrão do que eles interpretam da leitura de livros de milhares de anos.

O que o PME propõe, e qualquer um que pegar o projeto pra ler vai constatar, é que as escolas comecem a ensinar que não é certo xingar ou bater em uma pessoa só porque ela é diferente. Que todos são iguais em dignidade e direitos. Que as mulheres não são menos capazes que os homens, e muito menos objetos deles. Que não se deve excluir ou ofender alguém só porque essa pessoa é uma mulher que gosta de mulheres ou um homem que gosta de um homem, ou uma mulher que gosta de homens e mulheres, ou um homem que gosta de homens e mulheres, ou ainda uma pessoa que simplesmente não se identifica com o seu sexo biológico. Que o mais importante é o respeito à diversidade, às diferenças. O PME quer que mais professores e professoras façam o que a Mônica fez comigo anos atrás. Nada mais que isso. Tá lá escrito, é só ler.

Mas se mesmo assim vocês continuam a ser contra a discussão de gênero, de diversidade sexual e de identidade de gênero nas escolas, se mesmo assim vocês acham que isso tudo não passa de “doutrinação”, eu gostaria de fazer um pedido: sendo parente, “amigo” ou o que for, me excluam. Não só do Facebook, mas de qualquer relação social ou pessoal que porventura tenhamos.

Vocês também atiraram as pedras que mataram Alexandre João Batista Santiago aos 32 anos em Santa Catarina. Também participaram do estupro coletivo da garota de 16 anos na Praça Seca. Vocês têm nas mãos o sangue do Alexandre Ivo, torturado até a morte aos 14 anos em São Gonçalo por ser gay. Vocês têm nas mãos o sangue do Alex André, espancado até a morte aos 8 anos pelo próprio pai no Rio para aprender a “andar como homem”. Da Amanda Araújo, travesti de 17 anos morta a facadas no Maranhão. Da Elivane Santos de Almeida, morta aos 32 anos pelo marido na frente da filha no Mato Grosso. Do Luís Antônio Martinez Corrêa, morto com nada menos que 107 facadas em 1987. E, se continuar assim, vão ter também o meu. Eu quero é distância de vocês, da sua intolerância, do seu ódio. O que me traz alento é a certeza de que vocês não passarão.

MatheusRodrMatheus Rodrigues é gay, ateu e comunista: só não foi para o inferno ainda porque não acredita no tinhoso. Avesso a todo tipo de grades e muros, acredita que com força e com vontade a felicidade há de se espalhar com toda intensidade.

Institucionalidades

As músicas dizem muito sobre como pensamos a vida. As músicas expressam, às vezes, aquilo que estamos dispostos a dizer, mas não dispostos a tornar imperativo, aquilo que é necessário ficar no imaginário, sem ser objeto de intervenção. Não só a música, eu sei, é um propósito da arte, não toda, mas de alguma. A institucionalidade, ao contrário, nos obriga.

Paula Rego - O Regresso

Paula Rego – O Regresso

Exato, a institucionalidade, a esfera da exclusão do que é belo, por definição. Como boa Bisca que sou, tenho minhas teorias sobre a institucionalidade. A principal delas, é que as pessoas não só esperam por isso, como clamam, imploram e se submetem. A institucionalidade é, em si, a representação documentada da condição de ser… É a própria submissão à condição de estatística.

Mascarada como legitimidade, a institucionalidade é a forma como a nossa sociedade conseguiu, sem ao menos tentar, praticar a fraternidade. Sim, a fraternidade, aquela bela forma de reconhecer no outro os mesmos direitos, as mesmas liberdades, as mesmas possibilidade de dançar, à sua maneira, a mesma música que dançamos… A institucionalidade, em forma de lei, de decisão jurídica, de ordem de autoridade, é a nossa declaração de absoluta incompetência para viver com o outro, de conviver com o outro.

Sim, estou culpando o resultado por sua causa… Anarquia? Talvez… Por que não? A busca incessante que vivemos hoje pela satisfação de direitos através da lei é o resultado desse processo de institucionalização da vida… Bato nessa tecla, estamos passando da esfera do “livres para fazer o que não é proibido” (seria melhor livres para fazer o que não afete a liberdade alheia) para a do “livres para fazer o que a lei manda” (no melhor dos casos). Estamos invertendo tudo.

Desculpem a visão utópica. Do entender a marcha das minorias (e alguns excluídos nem minorias são) pela institucionalização de direitos, a concordar que isso é a única forma de se fazer respeitar as diversas condições, me falta a vontade. Me perco, às vezes… simplesmente não registro o quê de liberdade que há nisso. É como se a minha música tocasse não para ser ouvida, mas para ser registrada, não para ser dançada, mas para ser marchada, não para ser sublime, mas para ser verdade.

Sobre Institucionalidades - Laerte

Sobre Institucionalidades – Laerte

Assim, eu não queria… Mas, pelo jeito, por uma infortuna “formação cultural” o que tem pra hoje é um processo amplo, geral e restrito de institucionalização. No qual ao invés de se reivindicar direito, reivindica-se legalizações. Vivemos num país onde o se educar em conjunto, tornou-se um vamos fazer valer “isso” para que as pessoas, então, aprendam. Perdemos o bonde do processo de socialização… deixamos de significar as relações sociais para criar instituições, caixinhas mais confortáveis onde as pessoas possam dormir melhor…

Assim eu não queria… Mas se o jeito, hoje, é lutar para que as pessoas institucionalizem sua condição social, sua cor, sua sexualidade, sua identidade de gênero, não vou fechar os olhos e deixar acontecer, meu jeito é lutar junto. Lutar junto, contudo, para lutar mais. Lutar é a única forma de se posicionar pela igualdade, pela alteridade! Ser intransigente, se preciso, na minha opinião e combater o conformismo, sempre!  É assim, virarei estatística, se preciso, pra defender o direito ao reconhecimento, sobretudo pra defender minha utopia de não ter que institucionalizar o que sou, sou livre, sou música, sou dança, sou a arte de uma vida de histórias e sentimentos, não caibo em definições…

Cabras e suas Ambições

Você deve estar se perguntando: Por que as cabras, de repente, passaram a povoar as redes sociais? Que brincadeira é essa? Qual o porquê desse novo meme? Pois é, as cabritinhas que passaram a habitar suas redes de relacionamento são uma reação de sensatez, uma nova metáfora nas reivindicações de direitos de igualdade.

De onde surgiu essa reação? Bem, você leu a Veja dessa semana? Não leia, não vale a pena… Pois então, foi nessa revista, em um artigo sobre a questão da homossexualidade no Brasil em que uma comparação descarada entre o casamento igualitário e o casamento entre um homem e uma cabra foi feita, como forma de desclassificar o primeiro. É… leia por si próprio na imagem abaixo…

O problema não está na alusão ao sexo com animais… isso pouco importa… O problema está na comparação, na relação de direitos que isso significa. Reduzir a condição do casamento igualitário à vedação do casamento entre seres humanos e outros animais é igualar em direitos humanos e animais. Sim, animais têm direitos, mas não há sequer um pingo de possibilidade de se dimensionar os direitos dos animais aos Direitos Humanos, principalmente os relacionados à Liberdade e à Igualdade.

A questão não está na comparação esdrúxula, aliás, essa foi a primeira coisa a ser tomada como piada. O problema está no fato de tal comparação banalizar, em um texto repleto de preconceitos, uma causa que está em voga atualmente e que precisa de amplo suporte. A artimanha? Buscar nas origens do patriarcado e de um Estado de bases religiosas, porém laico, uma forma de justificar as opiniões pela vedação de direitos. O raciocínio é simples: o casamento, com base nas tradições (e a Constituição é um poço de normatização de tradições) é uma instituição destinada a criar uma família e só quem pode fazer isso de forma natural são um homem e uma mulher (Adão e Eva, lembra?); logo, homem com homem, mulher com mulher, gente com bicho, não pode.

O problema está justo aí, utilizar a estratégia de reafirmar um conceito formado através de uma tradição religiosa para impedir uma relação laica. Exato, o casamento previsto legalmente em nosso “Estado Laico”, é de origem religiosa. Para reafirmar esse estado como laico, é necessário que suas instituições também sejam laicas, assim temos que chegar à Família! Deixando de lado as cabras que não têm essa ambição – aliás, se alguma te procurar demonstrando interesse e você se afeiçoar à bichinha, vá fundo! Havendo consentimento, não há impeditivo – a busca pelo direito ao Casamento Igualitário é uma luta pelo reconhecimento de direitos, Direitos Humanos conquistados historicamente, mas plenamente desrespeitados institucionalmente e socialmente.

Aliás, a palavra Direito tem muito a dizer sobre isso tudo. Direito refere-se a conquista e, mais, à possibilidade de livre manifestação de vontade. Ou seja, que case quem quiser,  pode ser homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher, etc. Se não tiver vontade não se case. A beleza do reconhecimento e um direito é a afirmação dessa liberdade em relação a ele, poder exercê-lo!

Entenda, ninguém está pedido que, de uma hora para outra, todo mundo passe a corroborar com a homossexualidade, pois preconceitos cada um guarda onde bem entender. O que se pede, é que o de cada preconceito um não impeça os demais de alcançar e garantir direitos. O que o texto da má-afamada revista faz, com a comparação ridícula com as pobres cabras – e poderia ser com qualquer outro animal, ninguém aqui é contra cabras – é reafirmar esse preconceito religioso, em um estado laico e, com isso, reduzir direitos e descaracterizar um debate que ganha força.

Mas onde está o preconceito se a liberdade religiosa deve ser preservada como direito humano? Bem, pra ficar simples de entender: a garantia do direito de liberdade religiosa SÓ existe em um Estado Laico. É justamente pelo fato de o estado estar se lixando para as crenças alheias e buscando garantir a liberdade e a igualdade de todos, que cada qual pode seguir a crença que quiser. Assim, como cada um crê no que quer, nenhuma crença pode, igualmente, ditar padrões de conduta e organização social sobre questão alguma, principalmente sobre a forma de constituição das famílias. Essa é a finalidade da interdependência dos direitos humanos: a medida de um deles vai até o ponto em que não interfere no outro.

Portanto, nesse e em outros aspectos, quando tentar exercer seu direito humano de expressão é de bom tom procurar compreender se ele contém um discurso de redução dos direitos alheios. Isso é muito comum na história contra negros, judeus, mulheres, homossexuais, populações nativas e se repete ainda hoje e, pior, se replica. E é por aí, da próxima vez que for comparar cabras com seres humanos, lembre-se que cabras não têm muitas ambições, seres humanos têm e muitas delas são legítimas e vêm sendo constantemente impedidas por uma sociedade que se acha no dever de impor uma moral que não é universal. É essa vontade de ser dominante que mantém as coisas da forma que estão…

Minha cidade se chama…

Dia 9 de junho teve a Marcha das Vadias na cidade que escolhi chamar de minha casa. Ela se chama João Pessoa e o seu nome sempre me pareceu redundante. Mas nenhum nome vem sem causa, não é?

De acordo com a Wikipédia a história é a seguinte:

“Em 1928, Anayde iniciou um relacionamento amoroso com João Dantas, político local ligado ao Partido Republicano Paulista, que fazia oposição ao então presidente do Estado (governador) da Paraíba, João Pessoa. Depois do violento confronto político que deu origem ao Território de Princesa, João Dantas acabou se refugiando no Recife, mantendo o relacionamento com Anayde à distância, através de cartas.

João Pessoa reagiu, mandando a polícia revistar as casas dos revoltosos e suspeitos, em busca de armas que pudessem ser utilizadas em uma revolta armada. Um desses locais foi o escritório de João Dantas na Cidade da Paraíba (atual João Pessoa), invadido em 10 de julho de 1930. Embora não tenham sido encontradas armas, os policiais depredaram as instalações e arrombam o cofre, onde foi encontrada a correspondência de Dantas, inclusive cartas e poemas de amor recebidos de Anayde.”

Ui!!! Tem sexo, violência e glamour, não é?

Mas continua…

“Nos dias seguintes, o jornal governista “A União”, e outros órgãos de imprensa estadual ligados à situação, publicaram o conteúdo das mesmas, visando atingir a honra de Dantas.

Em 26 desse mesmo mês, João Dantas, acompanhado de um cunhado, Augusto Caldas, entra na Confeitaria Glória, no Recife, e dispara contra o peito de João Pessoa, matando-o. Lavava, com esse gesto, a sua honra ofendida, com sangue.

Criticada publicamente por razões morais e políticas, Anayde sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa, que causou comoção popular. Desse modo, abandonou a sua residência na Paraíba e foi morar em um abrigo no Recife, onde passou a visitar João Dantas, detido em flagrante e recolhido à Casa de Detenção naquela cidade.

(…)

Anayde veio a falecer, dias depois, aos 25 anos de idade, supostamente por envenenamento provocado por ela, quando sob os cuidados de freiras. O seu corpo foi sepultado como indigente no Cemitério de Santo Amaro.”

Assim se consumou o nome da cidade onde moro.

Antes de (também) criticar apenas um ou outro, lembremos que o Nego de nossa atual bandeira (vermelha e preta, flamenguista!) vem de uma frase de João Pessoa que tentava livrar o Estado de uma política oligárquica, e na época representada pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais com aquele negócio que a gente estuda em história e chamam de política do “Café com leite”.

Pois é. Confusão.

E é nessa cidade que pela primeira vez aconteceu uma Marcha das Vadias há nove dias atrás. Não pude comparecer, mesmo tendo me programado com antecedência e por causa de um trabalho. Eu estava em outra cidade, no sertão Paraibano, há seis horas de João Pessoa e que se chama Sousa.

Triste, eu sei… eu sei…

Mas enfim…

Os comentários machistas e preconceituosos que surgiram desde que começou-se a falar da Marcha das Vadias aqui, e que pareceram se intensificar quando passei a ajudar a na organização da mesma, e que em muitos momentos me tiraram do sério, hoje não me parecem tão importantes, perto de outros comentários, da conversa de bar que acabei de ter, e das fotos que compartilhei de mulheres e homens, que pela primeira questionaram falsas, limitantes e sufocantes noções de “moral”, que aprisionam seus corpos e suas mentes em prol de uma suposta ordem social, que nada mais é, a grosso modo, apenas o que possibilita manter o status quo dominante que é branco, masculino, heterossexual e classe média.

E o que Anayde (o sobrenome é Beiriz, se lhe interessar) tem a a ver com isso?

Anayde se tornou a “prostituta do assassino do Presidente” por aqui na época em que viveu. Hoje ela é homenageada em casas populares e nomes de escolas. É mote de mestrado e motivo de orgulho, de uma Paraíba feminina, mas “mulher macho, sim senhor” retratada inclusive por Tizuka Yamazaki em filme.

Mas sabe o que ainda assim me entristece?

Não achei nenhum texto, nenhum, nenhunzinho, dentre muitos que ela tenha possivelmente escrito enquanto pensadora da sua época, porque sim, ela não era apenas uma mulher dividida entre uma coisa e outra, entre um ideal e outro, entre alguém que lavava sua honra e outro que a dizimava…

Ela era poeta, professora, pensadora, escrevia em jornais, vivia entre intelectuais, ditava opiniões…

A única poesia disponível na web coloca-a como um personagem dúbio, entre puta e santa, entre mártir a algoz. Isso é bom ou ruim? Inclusive enfia historicamente, um outro homem a quem ela escrevia. Isso é bom ou ruim?

Ah, tudo bem, tudo bem… a vida é assim mesmo…

É?

Quem é essa mulher alem desses homens? Além da história?

E você, quem é além desse ou daquele? Disso ou daquilo?

Então escrevo esse texto como quem pede: questionem seus pensamentos e padrões!!! Suas histórias!!!

Sejam livres! A liberdade é uma escolha, mas precisamos lutar por ela, acreditem!!!

Que ninguém, além de você mesm@, possa escolher quando calar e quando falar. E em que tom. Não são nossos peitos que algumas pessoas que nos criticaram não queriam ver, porque “isso” toda a sociedade assiste hipnotizada em desfiles de carnaval e em qualquer programa de televisão.

Não se deixe iludir!!!

O que penso sobre os críticos da Marcha das Vadias aqui, na minha cidade, é que essas pessoas não queriam, quando reclamavam das pessoas, homens e mulheres, que defendiam uma causa, era ter que escutar os gritos de dor, medo e revolta escondidos durante muito tempo. Palavras que clamam justiça, igualdade e liberdade.

Porque eles incomodam quem prefere manter-se dormindo em sua zona de conforto e não quer pensar sobre si mesm@ e no quanto suas escolhas, mesmo que seja a de manter-se em silêncio, arrombar casas ou “defender a honra”, também destroem, machucam, mutilam e matam.

De quem você é filh@? Qual seu sobrenome? De que partido?  Com que roupa?

Sim, mulheres também são machistas, como muitos nos apontam os dedos para não ter que novamente (ai, que cansaço!) pensar sobre si.

Sim, talvez eu seja preconceituosa e carregue machismo como todo mundo, vejam só! Mas eu não sou só mulher, artista, pagã, romântica, divorciada, filha, amiga, feminista, louca, poeta, machista ou preconceituosa. Novas versões de mim podem surgir simplesmente quando penso, questiono ou apenas aceito que certas atitudes que tomo e pensamentos que tenho, farão diferença no meu caminho, só ou acompanhada, mesmo nesse mundão tão grande, todos os dias, todas as horas, em todos os momentos. Que posso inclusive MUDAR meus pensamentos, se eles forem machistas ou impliquem em qualquer dor ou mágoa, se eu for preconceituosa ou sexista com meu semelhante.

A Marcha não mudará nada? Faremos alguma diferença?

Minha cidade poderia se chamar Anayde, se ela não tivesse sido tão esquecida, mesmo quando lembrada. E a sua?

P.S: Nenhuma luta é isenta. Nenhuma bandeira é carregada sozinha. Esse texto é para Ieda, Tony, Wagner e Lauro. Porque sim.

P.P.S: As imagens que ilustram esse texto acima foram “roubartilhadas” do grupo Marcha das Vadias João Pessoa no facebook. Exceto a que me conta (ou não) aí embaixo.

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* Raquel Stanick, de acordo com ela mesma, não é, mas está, artista visual, entre mil outras e tantas coisas (inclusive quase sempre apaixonada) lá pras bandas da Paraíba. Delicada, arruaceira, mocinha do bem, mulher da noite, poeta do amor fácil e da vida difícil (e outras tantas vezes o inverso), é, não apenas biscate na vida mas biscate-fixa-escrevente no nosso clube. Quer mais Raquel? Ela é colunista da Revista Mostra Plural, se desalinha em Todas Essas Coisas Sem Nome e ainda tem este blog onde você esbarra em um pouquinho do lindo trabalho dela: Ceci, n’est pas un blog .

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