#OcupaEstudantes – Revolta das Cadeiras

Hoje, blogs, sites e colunistas estão abrindo seus espaços para que estudantes de São Paulo possam falar, usando suas próprias vozes, sobre a experiência que estão vivendo de se juntar e lutar contra o projeto de reorganização das escolas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo. Todos os textos serão reunidos pela hashtag #OcupaEstudantes. Temos a honra de abrir espaço no Biscate Social Club para Lana Lopes do Etec Guaracy Silveira.

Revolta das cadeiras

Rendidos no chão, gritamos por nossas escolas. Encurralados pelas tropas policiais, que invadiram até o céu com seus 10 helicópteros, ocupamos as principais avenidas de São Paulo.

Nossas armas: o grito, lápis e papel. As do governo: bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, balas de borracha e cassetete pra todos os lados. Contra os estudantes, Alckmin declarou guerra, com todas as letras. Sendo assim, vestindo nossas máscaras, mulheres na linha de frente, seguimos de punho cerrado, sem arrego!

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A luta secundarista ressuscita e reinventa junho de 2013, em um movimento auto organizado, mostrando total capacidade de fazer política. Reconhecemos o avanço na luta contra a reorganização, mas exigimos um real diálogo, no qual possamos debater de forma ampla e pertinente a necessária reforma no ensino.

Deixamos claro o tipo de escola que queremos e o modelo de educação que mais dialoga com a juventude. Queremos uma educação emancipadora em espaços democráticos. Esse é só o começo de uma luta que se perpetua e se nacionaliza.

Nossa força só aumenta, nosso grito se sustenta, e o governo finge que aguenta!

Autora

Lana Lopes – Etec Guaracy Silveira.

Ocupem as escolas, ocupem tudo

Final de ano, me sinto mais ainda cansada que o normal e, convenhamos, 2015 não foi fácil. Cada dia uma porrada diferente, cada dia um 7 x 1 diferente na gente. Nem vou tentar começar a desfiar o festival de desgraças e tristezas pra não correr o risco de fazer competição de catástrofe. Não aguento mais nem me atualizar com as notícias. Tenho vontade de me refugiar só no quentinho das boas lembranças de um passado remoto quando ainda estava tudo mais ou menos bem.

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Mas, pra viver a gente precisa de ajuda para respirar esse ar pesado, para botar a cabeça fora d’água e puxar o ar de novo. E o que tem me animado a não desistir de olhar pra frente são os jovens. Pois é, 43 e já me considero velha. É que gente da minha geração já tem ou casa ou carro ou filhos ou um monte de contas a pagar por causa de algumas dessas coisas ou todas elas juntas e, aí, desiste de sonhar, de tentar mudar a si e ao mundo e aceita as coisas como estão e nos tornamos mais que realistas, nos tornamos pragmáticos, desiludidos e amargos.

Mas quem é que ajuda a impulsionar as mudanças de comportamento aqui e mundo a fora? Quem esteve em Paris 68? Quem foram os jovens que resistiram à Ditadura? Tem um chavão por aí que diz “não confie em ninguém com mais de 30 anos”. Trinta talvez não pra todas as pessoas, mas quarenta… com certeza.

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E hoje chego em casa e me deparo com essas meninas e meninos ocupando as escolas no estado de São Paulo. Nem terminaram o que na minha época a gente chamava de colegial e estão lá, lutando bravamente pelo direito de estudar contra uma reorganização sem objetivos claros, empurrada goela abaixo da comunidade escolar.

Sabem se organizar horizontalmente, distribuir tarefas. Estão arrumando as escolas, ao contrário do que a mídia, fazendo o papel de assessoria de imprensa do Estado e do governador, divulgou e… estão apanhando e sendo presos. Apanhando como se adultos fossem. Apanhando como se não existisse a proteção do ECA ou se como o Judiciário paulista não tivesse impedido a PM de forçar a invasão das escolas.

Dá raiva, nojo, quando ouvimos os áudios ( aqui e aqui )  de gente ligada à Secretaria de Educação e ao governo do Estado chamando para ir para a guerra contra essa molecada. É uma guerra desigual e desonesta da PM invadindo com cassetetes, balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral versus estudantes de camiseta de escola armados de palavras de ordem.

A grande justificativa é o tal do impedimento da via pública. Juro que queria entender qual o amor do paulistano ou do brasileiro em geral ao carro e ao trânsito acima das pessoas. Mas é um amor seletivo pois gente do MBL impediu o trânsito ontem na Av. Paulista e a polícia nem deu o ar da graça para tirar um selfies.

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“Tempos difíceis estão por vir…” , diria Dumbledore. E é por isso que tenho tentando manter nesse espaço o otimismo. E apesar do horror que a violência dos vídeos e fotos me causam, a esperança no futuro que outros vídeos, fotos e relatos de uma gente linda, inclusiva, honesta, elegante e sincera me causam com seus cantos e gritos de guerra.

E porque ninguém velho e amargo como nós é que iria vestir com tanta galhardia uma camiseta escrita à mão: “tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Sigam em frente, a luta é de vocês, e é também nossa, estamos juntos por um mundo melhor. Obrigada por não nos deixarem esquecer que tudo ainda é possível. Força.

Para mais informações sobre o #OcupaEscola clique aqui:

https://www.facebook.com/naofechemminhaescola/?fref=photo

https://www.facebook.com/Ocupa-E-E-Diadema-1505790296409080/?fref=ts 

https://www.facebook.com/ocupacaosalvadorallende/?ref=ts&fref=ts

https://www.facebook.com/brasildefato/posts/998486000199364

https://www.facebook.com/jornalistaslivres/?fref=ts

Quando fazer sexo?

A resposta é tão simples: sempre que você quiser!

Mas como explicar isso para adolescentes? Complicado? Pra mim sempre foi simples entender que sexo é a melhor coisa do mundo, que deve ser feito com quem você quiser, desde que exista responsabilidade de usar camisinha e ir a@ médic@. Mas será que estou certa em falar isso pra adolescentes de 12, 13 ou 14 anos de idade?

Sei que, por falar isso, sou a professora gente fina, moderninha e amiga, que muit@s pais e mães se sentem incomodad@s com esse tipo de informação e não gostam de adult@s que falam sobre isso com su@s filh@s. Mas queria explicar a@s minh@s alun@s que o corpo precisa ser respeitado de outras formas que não são o famoso “se dar ao respeito” que muit@s adult@s falam. Respeitar seu corpo e o corpo de terceir@s é fazer só o que deseja e com quem deseja, se dar o direito de esperar seu tempo e o tempo d@ outr@ para fazer sexo, na idade, no momento e com quem você desejar. Acho tão saudável @ adolescente que decide isso “cedo” (de acordo com outr@s adult@s) quanto @ adolescente que decide isso “tarde” (de acordo com algum@s amig@s que já começaram sua vida sexual). O corpo é seu, não é namorad@ pressionando, amig@s que já fizeram sexo e te consideram atrasad@ por ser virgem, nem familiares que acham que você tá nov@ demais pra fazer sexo e muito menos religiões que decidem por você o seu momento!

Acho que tod@ adolescente deve saber que, enquanto houver dúvida, não é momento de fazer sexo. E muitas das dúvidas podem ser resolvidas com a conversa com uma pessoa que possa te ajudar a se entender. As vezes é uma insegurança com o seu corpo, medo de engravidar, dúvida sobre como usar preservativos. Se todas essas dúvidas estão esclarecidas mas, mesmo assim, você ainda tem medo de fazer sexo, é porque não é o momento. Quando for acontecer, será natural, não será feito num momento de medo e insegurança.

Falar de sexo com adolescentes é complexo, é difícil saber até que ponto eles desejam saber sobre, mas acho que toda dúvida deve ser esclarecida sempre que aparecer no grupo, sem medo de estar passando dos limites. Fazer sexo é maravilhoso, seja com @ namorad@, com um@ ficante, na adolescência, na idade adulta, antes e depois do casamento. Desde que seja quando queremos, como queremos e com quem queremos. Porque falaria diferente a@s minh@s alun@s adolescentes?

Orgulho

Semana passada aqui em Juiz de Fora teve o tão famoso Rainbow Fest, com debates, baladas e a Parada do Orgulho LGBT. Esse foi o primeiro ano que praticamente não participei de nada, nem das baladas, nem da Parada (passei perto mas não estava atrás do trio elétrico), nem dos debates, meus horários de trabalho me deixaram sem tempo. Mas não poderia passar esse mês sem falar do meu orgulho! Meu orgulho em ser pansexual assumida, em ser uma mulher que não vive no seu cantinho, quieta e esperando que alguém lute por seus direitos. Uma mulher que não acredita que um relacionamento com alguém do sexo oposto faz com que eu possa “esconder” algo que é parte de mim.

Quando decidi virar professora e artista, não tinha ainda ideia que ambas as profissões me fariam levar minha militância e minha identidade tão a sério. Sempre ouvi dizer que ser professora é militar o tempo todo, mas só tive certeza disso quando comecei a dar aula. Ser artista nem sempre é sinônimo de ser militante, mas nunca soube como olhar e fazer arte sem ver nas entrelinhas, sem criticar o preconceito que encontro na nossa sociedade. Não sei separar a vida pessoal e política de qualquer artista de seu trabalho. Quando falo isso não falo de fofoquinhas, falo de como @ artista se relaciona com outras pessoas, se é preconcituos@, como reage a uma injustiça, se usa sua popularidade para algo além de ganhar dinheiro.

Ser professor@ é ser um exemplo pra outras pessoas, pessoas que ainda estão formando suas opiniões sobre vários assuntos. É uma tremenda responsabilidade, você é parte da construção do caráter de vários seres humanos. Tento fazer o possível para não levar a nenhuma dessas crianças qualquer tipo de preconceito, tento mostrá-l@s que seus preconceitos podem ser vencidos. Tudo é questão de olhar qualquer indivíduo e fazer por essa pessoa o mesmo que você deseja que façam por você. É simples, mas é a melhor forma de falar de respeito, tolerância e amor ao próximo! Não estou ali pra manipulá-los, apenas pra mostrar uma nova forma de ver a vida e os relacionamentos interpessoais.

Programação do JF Rainbow Fest 2012, notem o tema desse ano: “Brasil, país rico é país sem homofobia”

Me vejo todos os dias em luta, uma luta que não acaba. É coisa de Biscate enxergar luta em tudo na sua vida, eu gosto disso! Sei que minha militância diária começa na hora que acordo e só termina quando durmo, tem dias que até sonhando eu milito, rsrsrs! Ser educadora é ser uma eterna sonhadora, que acredita na utopia de que terá um dia em que eu não precisarei mais ter medo por mim, por minh@s amig@s, por minh@s alun@s, por ninguém. Que não existirá mais violência e intolerância contra ninguém! Enquanto esse mundo não existe eu continuo na luta.

Quando noto que consegui mostrar às minhas crianças que somos tod@s dign@s de amor e respeito me sinto muito feliz. Segunda, um aluno meu, heterossexual, me contou que foi na parada gay e que dançou atrás do trio elétrico. Como fiquei alegre em saber que ele fez parte dessa caminhada pelo amor sem preconceitos. É esse o meu maior motivo de felicidade e satisfação como educadora! Saber que posso ver jovens crescendo livres de preconceito.

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