Detox

Não, não irei falar sobre esses sucos verdes, que estão bem na moda. Alguns deles são bem gostosos e eu até tomo por isso (porque não sei se desintoxicam mesmo ou pra que eles de fato servem). Vou falar sobre algumas atitudes que às vezes, se fazem muito necessárias. Sobretudo para quem milita ou precisa de um tempinho para organizar as ideias, especialmente nas redes sociais.

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É. Tô na fase do detox. Mas um “detox pessoal”, sabem? É uma coisa que no fundo eu não gostaria de precisar fazer na vida, mas que não dá pra ficar sem. A internet as vezes se transforma num ringue onde algumas pessoas competem para saber quem tem o ego mais inflado, usando uma deturpadíssima noção que possuem do que é liberdade de expressão para propagarem suas falácias, que quase sempre são carregadas de preconceitos diversos.

E o mais legal de tudo isso é que essa galera domina muitíssimo bem vários recursos de linguagem, que fazem com que qualquer bobagem se pareça com uma opinião consistente, bem articulada e sensata. O grande segredo da coisa toda é enumerar, passar para tópicos, usar palavrinhas pomposas e “acadêmicas”. Te deixam confusa. Você aparentemente precisa parar para pensar – ou para ler – minuciosamente antes de elaborar uma resposta. Enquanto isso, vem os likes. Os shares. Os números. O alimento que aquele ego sobre o qual falei acima tanto precisa para não morrer.

Acham que tô falando sobre os reacionários, conservadores, trolls, coxinhas e afins? Antes fosse, porque eles são reconhecidos muito mais facilmente. É só dar unfollow né? Pronto. Só que não. Eu falo de gente que até bem pouco tempo atrás, lutava lado a lado comigo, porém, que adota justamente o modus operandi daqueles que diz combater (odeio essa palavra, é que não encontrei outra melhor). Gente que dizia acreditar no mesmo que eu. Gente que ao longo do tempo, aprendi a respeitar, mesmo em meio à inúmeras divergências teóricas/ideológicas.

O que quis dizer hoje aqui é bem simples (e doloroso, porque sou dessas): tô me desentoxicando dessas pessoas. Ou melhor, desses discursos contaminados. Porque me faz mal, percebem? Não vim ao mundo para ser vaca de presépio, sem ser crítica e autocrítica. Sou aprendente e aprendiz nesse mundo gigante, que não gira ao redor do umbigo de ninguém. Não endosso discurso de ódio disfarçado de militância, venha de quem vier. Sororidade, esse conceito altamente questionável e seletivo não é pra mim. O patriarcado já caga regras demais na minha vida, acho que não preciso que feministas venham fazer o mesmo, certo?

Façam o que bem entenderem com minha carteirinha.

 

Tempero ou Veneno?

Que atire a primeira bomba de chocolate quem nunca sentiu ciúme. Nem um tiquinho de nada. Muita pretensão da minha parte afirmar que todo mundo, de alguma forma, já passou por isso?

É bem difícil não ter ciúme quando a maioria de nós “aprende” que não existe amor de verdade sem esse danado. Procurando num dicionário uma definição para ciúme, eis o que encontrei:

ci.ú.me
sm (lat vulg *zelumen) 1 Inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade no amor ou em outra aspiração. 2 Vigilância ansiosa ou suspeitosa nascida dessa inquietação. 3 Ressentimento invejoso contra um rival ou suposto rival mais eficiente ou mais bem-sucedido, ou contra o possessor de uma vantagem material ou intelectual cobiçada. 4 Bot Arbusto asclepiadáceo, denominado também capulo-de-seda, flor-de-seda, bombardeira (Calotropis procera). 5 Bot Arbusto asclepiadáceo (Calotropis gigantea).

Forca-coraçãoLegal hein? Inquietação mental e vigilância ansiosa ou suspeitosa. Vigiar, suspeitar, controlar… Chama a atenção também a palavra possessor. Será que temos esse sentimento porque, talvez, já tenhamos acreditado que o outro é nossa propriedade?

Não sei explicar direito se isso faz bem para o ego. Na verdade, todas as situações que envolviam ciúme presenciadas ou sofridas por mim foram absolutamente patéticas. Eu não lembro de momento algum em que estive feliz com a ilusão de que “fulano é meu e ninguém tasca”. Muito pelo contrário, me senti uma idiota depois. Mas essa sou eu. Há quem alimente e defenda esse sentimento como algo fundamental em uma relação, caso contrário é, invariavelmente, falta de interesse. Muitas vezes, se esquecendo que há infinitas possibilidades mais gostosas de se demonstrar que ama alguém.

De uns tempos pra cá, comecei a pensar que na minha vida, o verdadeiro “tempero” para o amor é a confiança. Nada como deixar o outro estar contigo por sua própria vontade, sabe? É muito bom vivenciar um relacionamento que permita que eu continue sendo livre e que o outro seja assim também. Sem achar que quem está ao meu lado me pertence.

 

 

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