Construir mosaicos

One chance
To keep it together when
Things fall apart
One sign
To make us believe it’s true
What do you see,
Where do we go?
One sign: How do we grow?
By letting your lifelines show
What if we do, what now?
What do you say?
How do I know?
Don’t let your lifeline go

Lifelines – A-Ha

Sempre fui do tipo que vivia remoendo o passado, as mágoas, as culpas. Não sou muito acostumada a me perdoar ou a esquecer. Quando erro, fico remoendo a culpa por dias, meses e anos, as vezes, a pessoa com quem errei já cansou de me perdoar e eu continuo me martirizando. E “se elx perdeu a confiança em mim?”, “será que eu mereço sua/seu amizade/amor depois do que fiz?!”. Essa é a Sara, aquela que perdoa qualquer pessoa, mas não se perdoa!Mosaico-de-Azulejos-Passo-a-Passo-3

Essa Sara está tentando mudar, parar de me responsabilizar por tudo que acontece, não entender fins de relacionamentos e de amizades, me sentir destruída e culpada por qualquer erro que cometo. Passei muito tempo catando cacos quebrados e tentando reconstruir exatamente o que existia antes, sem compreender que nada se mantém intacto. As coisas são mutáveis, os cacos de um relacionamento pode virar lixo ou pode virar um mosaico. Posso, sozinha ou acompanhada da pessoa do relacionamento, catar meus (ou nossos) cacos e tentar construir algo novo, tão bonito quanto, ou mais bonito ainda.

Sou apaixonada por mosaicos, acho lindo como restos de azulejos poderiam virar algo tão belo, eram restos, rebarbas, quebras que viravam pedaços de cor, uma nova forma colorida e desenhada. Quero levar isso para a minha vida, transformar a dor e os finais em novos risos, começos, choros de emoção e, porque não, continuações.untitled

Quero ser menos rígida comigo mesma, quero me perdoar do mesmo jeito que perdoo amigxs, familiares e companheirxs. Não quero viver carregando peso demais em minhas costas, faz mal a coluna. Quero poder ficar em paz, compreender que, mesmo quando algo não dá certo ou quando eu faço algo que magoa alguém, eu posso ver que eu fiz o possível e me perdoar. Não porque estou certa, mas porque errar faz parte e meus erros também constroem a mulher que sou e que, pra ser feliz, não preciso ser infalível, só preciso viver.

Viver é sofrer, chorar, quebrar amizades e reconstruí-las novamente, jogar amores no chão e montar mosaicos com seus cacos, é rir, é me permitir e permitir axs outrxs o erro e compreender que o erro, muitas vezes é o melhor dos acertos!

Talvez se nunca mais tentar

Viver o cara da TV

Que vence a briga sem suar

E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo

Dizer ao mundo todo

Que só conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito

Quando se encolhe o peito

E finge não haver competição

É a solução de quem não quer

Perder aquilo que já tem

E fecha a mão pro que há de vir

O dom de ser feliz

Tem gente que acha que a gente que é biscate não sofre por amor.

A gente sofre, sim. E chora. Ou não chora.

E sofre, por nós e pelos outros. A gente se chama de biscate, e tira do outro o gostinho de achar que ofende, mas a gente se entristece com gente que fecha os olhos. Com gente que nega alegrias. Que nega amor, que nega amizade.

A gente sofre por amor, a gente sofre por ver o preconceito e a discriminação ainda fazerem vítimas. A gente se engaja, as vezes, só do sofá, as vezes, saindo para a rua, as vezes, só militando em nossos círculos mais restritos.

A gente sofre quando vê a miséria física, explicitada em crianças nas ruas. Quando vê a miséria espiritual, sangrando nas páginas policiais.

Eu sofro quando vejo o outro sofrer. Eu me importo.

E a gente sofre quando o Outro, aquele que um dia nos teve nos braços, vai embora, leva tudo de si, tenta apagar toda e qualquer lembrança. Tenta contaminar, quem sabe sem querer,  toda lembrança boa, tudo que poderia ter ficado, ou que poderia ter sido.

Mas a gente vai e chora, e cai em outros braços. Braços de amigos ou braços de amantes.

E de repente, ela está ali.

Felicidade.

Outro dia acordei assim, de um sonho no meio do sonho, e sonhei com um beijo e um afago.

Mas não eram os dele. Já não era sem tempo.

Saudade tem fome, se a gente não alimenta, ela míngua.

Estou matando a minha de outros sabores, alimentando outras vontades.

Estou viva, cada dia mais.

Já paguei minha divida com as saudades, já não quero mais doer.

Quero o gozo infindo, aquele que parece a morte.

E acordar em outros braços.

Felicidade.

Não é alegria.

Não é estar apaixonada.

Não é acreditar que é retribuida.

É tanta coisa, e não é descritível.

É crível, só isso.

Palpável.

É se bastar, mas ter espaço para o outro, para os outros, para a preocupação e o cuidar, para o compartilhar e o dividir, para o egoísmo e o altruísmo.

Eu sou boa.

Quis ser má, quando foram maus comigo.

Mas essa não sou eu.

Quando chega a vazante, eu sou de Câncer.

Tenho minhas memórias e meu aconchego.

E tenho meu sorriso.

A vida segue.

(e para fazer invejinha, que sou boa mas não sou santa, mando uma fotinha de um momento de felicidade simples, ao lado de Renato Teixeira e Almir Sater, depois do show em BH)

Depois do show, a gente segue, tocando em frente
Eu sei… que nada sei…

Ela

Agora ela decidiu não se importar com nada, decidiu parar de sofrer, decidiu tomar banho de chuva e não se importar em gripar no dia seguinte. Viver sem medo do futuro, seja ele bom ou ruim, mergulhar de cabeça!

A partir daquele dia, ela não chorou mais de tristeza, não reclamou da falta de tempo, não falou da sua estafa, sorriu com mais facilidade. Suas bebedeiras não são mais em momentos de infelicidade, só bebe pra festejar e quando a tristeza bate, procura algo que lhe dê prazer para fazer e se distrair. Ela anda com um brilho novo nos olhos, ela vê a vida com um olhar otimista, ela acredita numa melhora, afinal, ela está fazendo por onde melhorar. Sim, ela não precisa de ninguém pra melhorar, somente dela mesma.

E não foi que as coisas começaram a melhorar? Ou será que ela começou a ver o excesso de trabalho, estudos e compromissos como algo bom? Um novo emprego em sua área, seu esforço começou a ser reconhecido! Problemas, ela ainda tem um monte, mas quem disse que são motivo de infelicidade? Ela trabalha, se esforça, corre atrás e consegue passar pelos problemas ilesa.

Ela aprendeu a se assumir, se amar e, a partir daquele dia, ela nunca mais desejou ser outra pessoa. Era completa, estando sozinha ou acompanhada ela se completa por si só. Ela sabe que enquanto ela não se amar por ser exatamente como é, ela nunca saberá amar outra pessoa ou ser amada por outra pessoa. Ela se viu preparada pra viver por si e apenas para si.

Ela finalmente entendeu que ela poderia conversar com amig@s, chorar com a psicologa, tomar remédios ou até mesmo se esconder da depressão dentro de um quarto trancado, se isolando do mundo, mas nada disso a curaria. A cura pra depressão estava dentro dela, estava em suas atitudes e em sua forma de ver e viver sua vida! Agora ela tá curada, agora ela é feliz novamente.

Quanto tempo é necessário para sentir-se feliz?

Há vários aspectos que podem fazer com que a gente fique feliz. Pode ser um objetivo alcançado, a resolução de um conflito, estar em algum lugar gostoso, divertir-se com os amigos ou com a família, brincando com um bichinho, tomando sorvete… Mas, e aí? Você costuma cronometrar quanto tempo leva para que essas coisas tornem-se boas? Existe um timing para isso?

Pois é, gente. Aposto que a resposta de muit@s de vocês tenha sido um sonoro NÃO. Ninguém, pelo menos que eu tenha conhecido, parou para pensar de onde vem tanta felicidade. Ou se questionado por que algumas situações nos trazem tanto prazer. Contudo, a gente faz exatamente isso quando conhece alguém interessante. A gente as vezes (para não dizer sempre) se policia demais em relação ao que este alguém nos provoca. Fica impressionad@ como em tão pouco tempo, tal pessoa consegue mostrar – se tão incrivelmente irresistível…

Eu digo isso abertamente p0r aqui porque já fui assim. E na minha opinião, encantar-se abobadamente por alguém em pouco tempo era superficial e idiota. Era algo que não merecia a minha atenção, porque da mesma forma que veio, iria. Bem rapidão. O que eu não imaginava é que, assim como para quase tudo na nossa existência, há uma série de variáveis que podem fazer com que isso valha muito a pena. Tentar viver mais  e com mais serenidade o presente, por exemplo, é uma delas.

Em pensar que eu acreditei com tanta força que não viveria isso denovo… Por um tempão.

Não acho que a gente não deva mais pensar no futuro. Só que o agora, o hoje, o presente pode se mostrar delicioso e muito digno de ser aproveitado. Não existe um tempo ideal de felicidade. Duas semanas, por exemplo, podem nos tirar o chão. Podem nos fazer um bem enorme. Dá para viver isso sem cobranças. Sem culpas e sem expectativas destrutivas e frustrantes, sobretudo se estas forem em relação ao outro.

Eis aqui uma biscate encantadinha. E que está aproveitando a sua felicidade e tudo que ela tem a oferecer naturalmente. Sem cronômetro.  🙂

Como é o corpo de uma biscate?

Ela sai do banho e evita o espelho. A relação entre eles nunca foi das melhores porque ela não gosta do que ele lhe mostra. Minto. Ela não gosta do que enxergava através dele. Tudo isso sem  entender muito bem o  porquê. Ou entende, mas talvez só entender não seja o suficiente.

Clara está chegando aos 30. Sempre foi uma mulher muito inteligente, divertida e independente. É também muito bonita – dizem. Mas, aos olhos dela, nada disso importa – para ninguém! – por conta do seu peso. Ser gorda, para ela (e para muita gente que reproduz preconceitos, infelizmente) tira todo o brilho de suas virtudes. E como isso a faz infeliz…

A história de Clara não lhe é familiar? Não parece que você já ouviu isso antes?

Pois é. Essa coisa de padrão de beleza é mesmo de doer porque quase sempre, é inatingível para a maioria das pessoas. Justamente por ser um padrão, ele não permite diversidade. Ele diz que se você não tiver um cabelo “tipo x” ou uma bunda “tipo y”, você não será bem vista. Isso existe também para o homem? Certamente. Mas para a mulher, equivale a uma obrigação: ser bonita e jovem. Uma “beleza” que se encaixe no que a maioria acha que é belo.

É Clara a culpada pela sua não-aceitação? Ou o conjunto mídia + sociedade + moda + certos tipos de médicos desumanos + nós mesmos não contribuímos para isso?

Não é fácil mostrar para essa maioria o quanto a diversidade de corpos, de cabelos e de peles é linda. É algo que talvez leve muito tempo para que compreendam. Enquanto isso, torço para que Clara e tantas outras se sintam bem com elas mesmas, do jeitinho que são.

Afinal, como é o corpo de uma biscate? As respostas são muitas. Mas com certeza, não são e nem nunca serão iguais.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...