8 de Março é dia de quê?

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Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil.

38% dos assassinatos de mulheres são cometidos por seus parceiros, estando as mulheres negras mais sujeitas à agressão por cônjuges e ex-cônjuges do que as mulheres brancas;

1 em cada 3 mulheres no mundo sofreram violência física e/ou sexual ao longo da vida;

No Brasil, mulheres recebem salários 30% inferiores aos dos homens;

O salário mensal médio de uma mulher negra é cerca de R$ 1,5 mil menor do que o salário médio de um homem branco, tendência que se manteve inalterada nos últimos 20 anos;

Mulheres e meninas fazem cerca de 2,5 mais tarefas domésticas que homens e meninos, além de continuarem responsáveis pela maior parte dos cuidados não remunerados;

O Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo, a expectativa de vida delas é de apenas 35 anos – menos da metade da média brasileira.

No Brasil, 4 mulheres morrem, por dia, em hospitais, por complicações de interrupção da gravidez porque aborto é criminalizado.

Entre 2014 e 2017, no Brasil, 126 mulheres foram mortas por serem lésbicas.

Em Portugal, apenas 15% das ruas com nomes próprios apresentam nomes de mulheres, isso é um reflexo do apagamento das mulheres na História. No Brasil de uma amostra de 389 rodovias, apenas 8 (2%) têm seus nomes dedicados a mulheres. Seguindo a lista, homens ainda dão nome à maior parte das viadutos (88,2%), avenidas (87,1%), parques (86,9%) e praças (85,4%). Enquanto nomes femininos têm participação um pouco melhor, sem nunca chegar a 30%, em vilas (29,6%), passagens (27,2%), escadarias (24,3%) e vielas (24,0%).

No mundo, 8 mil mulheres estão em risco de sofrer mutilação genital diariamente.

A previsão é de que demore 217 anos (de mudança contínua, se tiver retrocessos, piora) até que a igualdade laboral entre homens e mulheres seja uma realidade.

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Por isso, termino com o que disse a Rita Paschoalin:

“As iranianas que querem decidir se usam ou não seu véu; as paquistanesas que querem ir à escola; as brasileiras que querem andar sozinhas na rua sem serem importunadas; as tantas brasileiras que querem andar no ônibus e no metrô sem serem assediadas; as mulheres de qualquer parte que não querem ser culpadas pelo estupro que sofreram; as mulheres que não querem morrer porque não querem permanecer em um relacionamento; as grávidas que não querem perder seus empregos; as mulheres de qualquer parte que querem decidir se serão ou não mães; as meninas que querem brincar de qualquer coisa; as engajadas que querem disputar espaços políticos sem serem julgadas por sua aparência; as mulheres trans que querem sua identidade de gênero respeitada; as amigas que rejeitam a piada machista; as mulheres que amam outras mulheres; as feministas que nos mostram todas elas. Cada uma delas luta todo dia. Força, queridas. E obrigada.”

8 DE MARÇO É DIA DE LUTA.

Fontes:

[1] https://www.publico.pt/2018/03/08/sociedade/noticia/santas-maes-rainhas-so-15-das-ruas-com-nomes-proprios-sao-de-mulheres- 1805679[2] http://www.observatoriodegenero.gov.br/…/homens-recebem-sa…/
[3] http://g1.globo.com/…/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-travest…[4] https://economia.uol.com.br/…/mulher-negra-continua-com-men…
[5] http://www.redebrasilatual.com.br/…/mais-tempo-gasto-com-tr…
[6] https://www.nexojornal.com.br/especial/2016/02/15/Nomes-de-ruas-dizem-mais-sobre-o-Brasil-do-que-voc%C3%AA-pensa
[7] http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/…/IPEA_DossieMulher…
[8] http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs239/en/
[9] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,diariamente-4-mulheres-morrem-nos-hospitais-por-complicacoes-do-aborto,10000095281

Feminicídio: #nãofoiciúme

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Uns meses atrás publiquei no Facebook que gostaria de criar um espaço que reunisse relatos e analisasse a maneira como a imprensa trata os casos de feminicído e violência contra a mulher. Afinal, a gente já não suporta mais que esses crimes continuem sendo noticiados como “passionais”, movidos por amor, por ciúme.

Não aguentamos mais a romantização e naturalização da violência contra a mulher. Sem contar as vezes em que somos culpabilizadas pela violência sofrida. Muitas amigas feministas se interessaram em participar e criar esse ambiente de relatos e análise da mídia.

No dia 25, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, lançamos a página Não foi ciúme. Também estamos no twitter com a arroba: @naofoiciume

De acordo com os dados do mapa da violência, o Brasil é o quinto país no qual mais se mata mulheres no mundo: em 2013, houve 4.762 feminicídios registrados, sendo que um terço disso, 1.583 casos, foi de crimes cometidos por parceiros e ex-parceiros. Os dados são assustadores e crescentes, principalmente contra as mulheres negras. Entre 2003 e 2013, a taxa de homicídios de mulheres negras aumentou 54%, o que faz com elas combinem machismo e racismo em seu cotidiano; em comparação, os crimes contra mulheres brancas diminuíram 9,8% no mesmo período. Sem contar os crimes movidos por transfobia, que sequer entram nas estatísticas.

A proposta da página é reunir publicações veiculadas diariamente em nossos meios de comunicação que noticiam feminicídios como “crimes passionais”, “crimes motivados por amor / por ciumes” e outras justificativas inaceitáveis para o homicídio de mulheres. Para isso, contamos com a colaboração de todas as pessoas: nos mandem notícias de suas localidades, cometem, divulguem.

Até por isso, o nome da página, que pode ser interpretado como um símbolo das “justificativas românticas” pra crimes dessa natureza. Além disso, queremos divulgar e comentar relatos de outras violências e agressões contra mulher, não apenas aquelas que terminam em morte, incluindo os movidos por lesbofobia e transfobia.

Somente reconhecendo os crimes pelo que realmente são – mortes causadas por machismo – é que se pode lutar e combater efetivamente os assassinatos e as agressões contra as mulheres. Não é por amor. Não é por ciúme. Não é passional: o machismo mata e, muitas vezes, sai impune. Sem contar as vezes em que a mulher é responsabilizada pela violência sofrida.

Ontem, no final da noite, estávamos em 2 mil curtidas na página. Agora, no meio da tarde do 26, já passamos das 5 mil, indo pra 6 mil. Além disso, houve até agora mais de 70 compartilhamentos de nosso texto de apresentação, uma sugestão de pauta por inbox nos primeiros 15 minutos de divulgação da página e picos de mais de 100 curtidas em alguns posts. Acredito que para um primeiro dia, a visibilidade foi bem razoável.

O bom é que essa capilaridade pode potencializar mais ainda nosso alcance, gerando mais notícias, mais análises, mais críticas.

Precisamos cobrar de nossos jornalistas um posicionamento ético na cobertura dos fatos. Que as histórias sejam contadas sem eufemismos ou adjetivos que romantizam ou naturalizam a violência e/ou agressão e, com isso, contribuir para a real diminuição da violência contra mulher e o feminicídio.

Além de mim, essas maravilhosas abaixo também fazem a página:

Bianca Cardoso
Cecília Oliveira
Iara Ávila
Klaus Saphire
Niara de Oliveira
Renata Lins
Tássia Cobo

#‎NãoFoiCiúme
É #‎ViolênciaContraAMulher
É #‎Racismo
É #‎Feminicídio

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