A (in)visibilidade trans* é problema meu também

trans*Nesses poucos anos de militância, aprendi muita coisa. E talvez, a maior e mais importante lição que tive em meio a todo este processo foi reconhecer meus privilégios.

Explico.

Ninguém nunca questionou a minha identidade de gênero. Eu nasci com uma vagina e me identifico como mulher ( no caso, sou uma mulher cis). Mas, e se eu tivesse nascido com um pênis e me identificasse como mulher, será que esses questionamentos continuariam inexistentes em meu cotidiano?

Seria fácil arranjar emprego ou tirar meus documentos?

As pessoas me aceitariam facilmente como sou?

Como eu lidaria com o fato de que muita gente considera transexualidade como uma patologia e pessoas trans* serem marginalizadas?

Pois é. Pessoas cis jamais saberão como é ter que enfrentar algo assim.

Pessoas trans* convivem com situações como as que descrevi acima durante boa parte de suas vidas, quase sempre sem ter a quem recorrer. Hostilizadas, muitas vezes, até mesmo por colegas de militância (que, na minha modesta opinião, deveriam ouvir o que elxs têm a dizer, não contribuir para difundir ódio e preconceito). Como se esta causa fosse menos urgente ou importante.

Honestamente, acredito ser perfeitamente possível abraçarmos várias bandeiras. Uma luta não anula ( ou pelo menos não deveria anular ) a outra. Eu, como feminista interseccional, sigo a seguinte premissa: enquanto todxs não forem livres, eu também não serei. Não me parece minimamente razoável eu ficar aqui, brandando aos quatro ventos que luto por igualdade, enquanto existirem pessoas que sofrem a mais alta gama de dificuldades por não expressarem identidade ou papel de gênero condizente com seu sexo biológico.

Toda forma de opressão deve ser combatida. Que o direito de ir e vir, a ter dignidade humana e a livre expressão não seja uma exclusividade das pessoas cis.

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