Cansei…

Cansei…

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… do acolhimento do discurso conservador por uma maioria sem memória da história política mais recente, identificada com os piores delírios da direita ultraconservadora.

… das viúvas e viúvos do regime militar, que salivam em imaginar a ditadura de um moralizador Estado mínimo (mas máximo na arrecadação de impostos).

… da ausência de empatia, alteridade e compaixão pelo outro (Um pouco de tudo isso não cai mal não, sabe?).

… do cinismo de nossa classe média, encampando os ideais das elites, que por sua vez, têm verdadeiro asco da vida de classe média. Ou do pobre que vota nelas, nas elites.

… do eterno mimimi dessa gente que não consegue enxergar um palmo além da sua bolha de privilégios – geralmente sem margem de erro pra mais ou pra menos: homem branco, heterossexual, cristão e de classe média.

… do discurso esquizofrênico da “nova política” (eu vejo um museu de grandes novidades – Cazuza já cantava essa pedra).

… dos meios de comunicação que são empresas a serviço de interesses hegemônicos e que dão uma cobertura política tão parcial e escusa que chega a beirar o criminoso.

… de ouvir que o PT implantará a ditadura comunista e patrocinará, além de Cuba, toda a China e a Coréia do Norte (bem que podia começar patrocinando o comunismo aqui no Maranhão, rs).

… do ódio de classe manifestado na ojeriza aos programas sociais de transferência de renda como o Bolsa Família (porque a culpa da pobreza é do pobre, como ensina o capitalismo e a meritocracia, by the way).

… do racismo esboçado por nossa classe médica contra os médicos (negros) cubanos do programa Mais Médicos (essa gente parece empregada doméstica!).

… das defesas apaixonadas por um Estado cada vez mais militarizado, autoritário e genocida da população negra e pobre, através da redução da maioridade penal (bolsonaristas vão ao delírio!).

… do perigoso discurso moralizador em defesa da família, proferido pelos “homens e mulheres de bem”. Vocês estão falando de qual família mesmo? Famílias higienizadas, sem veado, sem sapatão, sem trans, apenas com mulheres que não abortam e cheia de homens honrados?

… do racismo geográfico contra os nordestinos (essa gente sem estudos que não trabalha e que é um obstáculo para o desenvolvimento do sul maravilha, não é mesmo?).

… do argumento que a alternância de poder é uma marca da democracia, logo, o PSDB teria supostamente todas as credenciais para melhorar a saúde da coisa pública brasileira (Oi? A racionalidade mandou lembranças…).

… do preconceito de gênero em aceitar uma mulher na presidência. Pior ainda pelo passado de esquerda e militância que essa mulher carrega na sua história de vida (porque sim, isso é um demérito pra muitos).

… da arrogância de um playboy desrespeitoso e corrupto (agressor de mulheres?) que se põe como arauto da exemplaridade e dos bons costumes.

Enfim, cansei dos argumentos que não conseguem enxergar que o buraco é mais embaixo. Muito mais.

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Notinha de Rodapé: No BiscateSC todo mundo é livre pra votar ou não em quem quiser…espia aqui.

Teve um dia que me chamaram de puta…

I’m a bitch, I’m a lover
I’m a child, I’m a mother
I’m a sinner, I’m a saint
I do not feel ashamed
I’m your hell, I’m your dream
I’m nothing in between
You know you wouldn’t want it any other way

Meredith Brooks – Bitch

E esse dia não foi o único, mas foi uma ocasião diferente das inúmeras vezes em que fui chamada de puta no dia a dia. A diferença estava na importância que a pessoa tinha na vida do meu companheiro na época. Sim, fui chamada de puta por umx familiar de um namorado, mas também não foi x primeirx membrx da família de um namorado meu que me chamou de puta. O que diferenciou é que, nas outras vezes, eu ainda não estava empoderada e, dessa vez, já era Biscate assumida.

Mas, pensemos: Porque me chamar de puta? Bem, a pessoa usou esse nome pra mostrar que desaprovava meu relacionamento com esse namorado. Afinal, um homem como ele não deveria namorar uma mulher como eu. Mas, como sou eu? Bem, sou ex-professora, formada e pós graduada, com meu emprego próprio, me mato de estudar todos os dias pra passar em um concurso público e apaixonada pela minha mãe. Se eu fosse uma mãe, tia, avó, irmã, eu adoraria uma mocinha dessas como namorada de umx membro da minha família. O que incomodou tanto essa pessoa, afinal? Ah, eu esqueci, sou daquelas mulheres que transa no primeiro encontro, não frequenta igrejas, bebe muito, mora fora da casa de sua mãe e seu pai, foi criada em um “lar desfeito” (ah, o medo de mulheres divorciadas criarem pequenos monstros que não fazem as tarefas de casa sozinha!) e tem suas opiniões muito fortes. Sim, eu sou uma biscate!

Meus companheiros não precisam ir a casa de minha mãe e meu pai me pedir em namoro, na verdade, se ninguém por lá aceitar o namorado ou namorada, eu nem ligo. Sou carinhosa, gosto de cuidar de quem amo, cozinho e faço agrados, mas espero agrados de volta, como me ajudar com a louça que acumulou em minha pia por causa de minha tendinite (afinal, divisão de tarefas vem também de cuidar e amar). Não sou muito simpática com pessoas que me impõem coisas como religião, comportamentos e atitudes. Não quero e nem preciso ser recatada ou delicada, falo alto, rio alto, durmo pelada na casa do namorado. E apesar de adorar namorar, tenho uma lista beeeeeem extensa de parceirxs sexuais em meu passado.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Foto da Marcha das Vadias de Brasília em 2013.

Biscate, piranha, vagabunda, puta, palavras que pra mim são tão comuns (resignifiquei todas para não julgar as coleguinhas) que fiquei em dúvida se deveria me defender ou não, mas, no calor da discussão, me defendi, me magoei. Afinal, praquela pessoa, ser puta é ser indigna. Não ser mulher praquele cara especial (bastante, como todos os caras que não separam mulheres pra transar e pra casar) era ser puta, ele não me buscou na casa de mamãe e pediu minha mão em casamento, eu não cheguei virgem até ele. Então eu não era mulher que a “família” escolheria pra ele.

O fato é, não existe isso de você não é homem ou mulher pra alguém. Relacionamentos deveriam ser construídos longe de preconceitos e caixinhas de “par ideal”. E, quando conseguimos construir fora de caixinhas esse relacionamento entre duas pessoas (ou 3 ou 4, a escolha é das pessoas envolvidas), vem uma pessoa de fora querendo se meter no que tá dando certo por puro preconceito. Então, familiares, acho que se um homem namora uma puta, biscate, vadia ou o que for, isso só diz respeito a ele. Deixe que ele seja feliz, pois, se escolheu aquela pessoa é porque é com ela que quer dividir aquele momento de sua vida. Seja por uma noite, seja por meses ou anos.

This labeling
This pointing
This sensitive’s unraveling
This sting I’ve been ignoring
I feel it way down
Way down

These versions of violence
Sometimes subtle, sometimes clear
And the ones that go unnoticed
Still leave their mark once disappeared

Alanis Morissette – Versions of Violence

Aborto. Qual é o crime?

E neste final de semana teremos eleições. E mais uma vez o tema do aborto foi tratado de forma clandestina pela maioria das campanhas. Isso é inadmissível. O aborto continua sendo… crime.

No último dia 28 de setembro foi o dia de luta latino americano e caribenho pela legalização do aborto. Todo dia, entretanto, é dia de lembrar que milhares de mulheres morrem no continente por causa de procedimentos absolutamente precários e inseguros de interrupção da gravidez. Morrem. Acabou, ponto final.

A questão principal não é – nem sei se algum dia foi – ser favorável ou não ao aborto. Para esta decisão o importante são as informações, os valores, a cultura de cada mulher. A questão é se a prática do aborto deve ser um crime, punindo com cadeia quem faz e quem realiza ou ajuda a realizá-lo. E é este o ponto que revela toda nossa hipocrisia. Porque todo mundo conhece uma história. Todo mundo conhece uma mulher que fez. Todo mundo conhece. E a pergunta é: esta mulher deveria ser presa?

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Não estou pedindo para que aceitem o aborto. Estamos pedindo para que este deixe de ser crime. Para que seja o serviço de saúde equipado para realizar procedimentos seguros, diminuindo a mortalidade de mulheres por todo o continente. No Brasil. No mundo. Porque a morte destas mulheres resulta no fim de várias histórias, das mulheres, de suas famílias, de suas crianças, de seus pais e mães, dos amigos e amigas, dos sonhos. Porque quando não resultam em mortes podem existir sequelas graves, muito graves.

O sonho da maternidade é um sonho bonito, sem dúvida. Mas não é para todas. E todos. Mas mais do que isso: quando o aborto é ilegal, todo e qualquer procedimento que não o parto passa a ser clandestino ou feio ou inóspito ou triste. Quantas e quantas grávidas não tem o processo de gestação interrompidos naturalmente, por algum problema no feto ou no organismo da própria mulher, alguma incompatibilidade? Quantas e quantos episódios não conhecemos de gravidez interrompida?

E como no serviço de saúde, o público e o privado,  o aborto é pecado, sabe o que acontece nestes casos onde naturalmente houve a interrupção da gravidez? As mulheres são tratadas como “gestantes”. As mulheres são encaminhadas para exames, que vão detectar que o feto não tem mais pulsação, que a gravidez é tubária ou qualquer outro tipo de problema, junto com mulheres que estão indo bem em seus sonhos, com a gestação seguindo firme. E para se fazer uma curetagem, porque é preciso em determinados casos realizar um procedimento invasivo para se limpar o útero, encaminhamos estas mulheres para maternidades, para onde são realizados partos. A crueldade deste tipo de situação é enorme. É triste demais. Na mesma sala de espera… Por causa de um tabu, de um crime.

Aborto seguro. O sistema de saúde, público e privado, preparado para ofertar procedimentos com começo, meio e fim. Com tratamento específico, diferenciado, educado. Com acompanhamento, acolhimento, humanidade. Com informações para se decidir, cada mulher, o mais adequado proceder. A questão do aborto não pode ser vista como um crime.

O crime, sinceramente, é outro. É o da hipocrisia. Lenta e sempre, que mata: vidas e sonhos. Só que este não leva ninguém à cadeia.

 + Sobre o assunto:

[+] O que é aborto

[+] Documentário Clandestinas

[+] 28 dias pela vida das mulheres

[+] 5 Mitos Sobre o Aborto

[+] Aborto é coisa de mulher

Vandalize o discurso de ódio nas eleições!

Texto assinado pelas coordenações
das Blogueiras Feministas e pelo Biscate Social Club.

No último domingo (28/09), foi realizado um debate ao vivo entre os principais candidatos a presidência do Brasil transmitido pela Rede Record.

Ao longo do debate, o candidato Levy Fidelix (PRTB) proferiu diversas ideias preconceituosas. Em relação a usuários de drogas, disse que: “o País tem mais de 1 milhão de drogados apenas nas grandes capitais. Esse pessoal todo não trabalha, não produz nada, além de serem, honestamente, peso para qualquer governo”. Em outro momento, ao elaborar uma pergunta ao candidato Pastor Everaldo (PSC), ofendeu presidentes da América do Sul dizendo que “Evo Morales vai trazer mais cocaína pra cá”, além de chamar Cristina Kirchner de louca. Porém, o pior ainda estava por vir.

Em determinado momento, a candidata Luciana Genro (PSOL) questionou Levy Fidelix: “os homossexuais, travestis, lésbicas sofrem uma violência constante. O Brasil é campeão de mortes da comunidade LGBT. Por que as pessoas que defendem tanto a família, se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo?”.

Na resposta Levy Fidelix derrubou um caminhão de chorume, fazendo relação direta entre o conceito de família com reprodução, além de se referir a homossexualidade como uma doença e relaciona-la a pedofilia. Por fim, ainda bradou que a maioria não deve aceitar essa minoria, que é preciso enfrentá-los. Praticamente conclamando a população para agir com preconceito e violência contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans*.

O silêncio dos outros candidatos

Após essas declarações, houve o momento das considerações finais, mas nenhum candidato usou esse tempo para repudiar veementemente as declarações absurdas de Levy Fidelix. É assustador pensar que NENHUM dos candidatos tenha usado seu tempo para repudiar a fala de Fidelix.

E, se nenhum deles o fez, se ninguém quis marcar posição nesse momento tão importante diante de uma manifestação fascista de um candidato a presidência em rede nacional, então fica difícil endossar as falas e programas dos candidatos quanto ao tema dos direitos LGBT.

É fácil estampar tais temas em programas de governo ou discursos de campanha. O uso demagógico das lutas das minorias não é novidade. Porém, responder de modo enfático e imediato é o atestado de quem tem a sensibilidade para perceber a gravidade do discurso homofóbico, lesbofóbico, bifóbico e transfóbico proferido. E isso não aconteceu.

O candidato Eduardo Jorge (PV) reconheceu em declaração no twitter que errou ao não repudiar o discurso de ódio no momento do debate. Após o debate, Luciana Genro publicou em seu twitter uma mensagem de repúdio. Ao que parece os outros candidatos não irão declarar nada quanto ao que foi dito por Levy Fidelix.

Nessa hora em que alguém mostra todo o seu ódio em rede nacional, não responder só mostra o quanto essa pauta é pequena para a nossa política. Que dia triste esse em que um sujeito incita a violência contra homossexuais dizendo: “Vai para a avenida Paulista, anda lá e vê. É feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los”; e assistimos os demais silenciarem.

O discurso de ódio será vandalizado

O discurso de Levy Fidelix é homofóbico e também carrega muitos outros discursos de ódio. Porém, é preciso lembrar que não devemos desumanizar Levy Fidelix, como ele faz quando se refere a gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans*. Esse discurso não é coisa de um monstro horroroso que mora em um lugar distante ou de apenas um candidato nanico isolado. Não. Esses discursos estão no cotidiano dos corpos marginalizados.

É o discurso que rasga, violenta e mata diversas pessoas todos os dias. Esse discurso não vem só de Levy Fidelix, vem também de nossos vizinhos, amigos, parentes, etc. O que você faz quando alguém diz: “tenho até amigos gays, mas não quero que nenhum chegue perto”? Ou que “respeita, que tolera”, que “não entende como tem homem que gosta de outro homem”, que diz que “a mulher é lésbica porque nunca achou o homem que a pegou de jeito”?

Esse discurso limpinho de tolerância é o suficiente para você? A piada feita com aquelas pessoas que não se encontram dentro de uma categorização normativa de gênero e orientação sexual é engraçada para você?

Apoiamos as diversas manifestações populares em repúdio a Levy Fidelix. Estão sendo organizados desde beijaços na Avenida Paulista até campanhas de denúncias em massa ao Ministério Público Federal. Exigimos que o candidato não possa mais participar dos debates, porque não aceitamos que discursos de ódio sejam proferidos em canais de televisão que são concessões públicas.

Não, não é fácil ouvir Levy Fidelix fazer um discurso extremamente violento em um debate para candidatos a presidência. Não desce. Não tem como dar conta disso. E por isso, esse tipo de discurso não pode mais ser admitido. Nem no debate de candidatos para presidente, nem por aquele seu amigo do trabalho, nem pelo tio no jantar de família. Não aceite ser tolerado. Não aceite ser apenas respeitado. Nós não merecemos migalhas. Nós merecemos existir da forma que queremos e não dentro dessa categoria normativa que engessa. Vandalize essas categorias e vamos à luta! Vandalizar a política!

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Foto de Danilo Verpa/Folhapress.

+ Sobre o assunto:

[+] OAB pede cassação da candidatura de Fidelix por declarações homofóbicas

[+] Luciana Genro e Jean Wyllys apresentam representação contra Levy Fidelix por discurso homofóbico em debate

 

Eu tô cansada dessa merda

Eu tô cansada dessa merda
Da violência que desmede tudo
Da minha liberdade clandestina
De ta no meio dessa briga, Chega!*

Porque tem dias em que eu me canso. Chego em casa rouca, as pernas cansadas, a voz brigando por resultado nenhum. Não, é mentira. A gente tem resultados. E é assim que eles germinam: baixinho, em silêncio, crescendo rasteiros na grama do jardim. Em cada olhar sensibilizado, em cada pequena iniciativa de proteção à mulher, à diversidade, à fala da população que é sempre calada pela mídia de massa e pela política perversa de exclusão.

Eles estão sempre lá, os donos do poder. Os Sarneys da vida. Os “macho” usurpadores da liberdade feminina. Os machistas agressores. Os homofóbicos. A voz dominante da opressão aos pobres. Aos negros. A grana suja do tráfico lá no Congresso, e todo mundo fazendo de conta que tá tudo bem, que as drogas devem continuar todas ilegais porque “fazem mal”.

As campanhas financiadas pelas grandes empresas que querem grana, e mais grana, seus whiskys importados no iate na praia, suas mulheres plastificadas de silicone, sua viagem para a Europa arrotando caviar e degustando a elite soberba que sempre cagou na nossa cabeça brasileira. É essa grana mesmo, que cresce e destrói coisas belas. Se ao menos as mães fossem felizes. Mas nem isso. Essa vida consumista é vazia. E a violência contra a mulher existe lá também, no paraíso de praias artificiais com grama sintética e champanhe francês.

Eita!
Que o sangue pinga nas notícias
Vendidas como coisa bela
A merda já tá no pescoço
E a gente acostumou com ela

Aqui embaixo tá foda. Todo dia é uma notícia nova de corrupção, de violência, de morte. Mulheres morrem por abortos clandestinos às pencas, enquanto a grana cala e paga o preço da hipocrisia. Porque lá em cima, na montanha, mulher que aborta não morre e ninguém fica sabendo. Aborto de rica é só uma solução para um problema. Aborto de pobre é crime.

Negrxs apanham por coisa nenhuma. Lésbicas são agredidas por amarem. Gays são espancados por não “falarem como homens”. Trans são agredidas até dentro do próprio movimento feminista! Xs militantes do SUS estão esgoelando que a saúde vem sendo sucateada e vendida à preço de banana e ninguém fala nada. Não, minto de novo. Falar a gente fala, mas a todo momento temos nossos microfones cortados nas grandes arenas decisórias.

A máquina acordou com fome
Vem detonando tudo em sua frente
Comendo ferro, carne e pano
Bebendo sangue e gasolina

Mas eu acredito. Que temos que gritar contra as violências e injustiças. Que temos que nos mobilizar. Que temos que brigar por um mundo melhor. Que temos que denunciar. Que não podemos nos calar. Que temos que juntar nossas forças, parar de atacarmos os aliados, os movimentos tantos que estão despontando com causas diversas de luta, e lutarmos com essa grande lógica perversa capitalista e excludente, branca, machista, homofóbica, elitizada e concentradora de renda, riqueza, bens e outras parafernálias tantas que nos fazem consumidores vazios e desumanos.

É que hoje eu cansei. Vou dormir um sono bom, e voltar com mais energia para as brigas tantas.

*versos da banda Eddie. Eu tô cansado dessa merda. 

Como se o pecado alheio fosse nosso…

Um pecado tudo isso.

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É um pecado, mesmo, a gente usar nossos deuses e crenças para fazer picuinhas. Porque aquilo que é nosso, dentro da gente, nossa crença mesmo, é, essencialmente, a gente mesmo. Cada um tem seu deus – ou deusa, o meu é uma deusa – interno. Ele mora em mim, como na poesia de Caeiro, Pessoa.

É um pecado, mesmo, porque quase nunca a gente está feliz. Porque a culpa e eu não bebo mais, não fumo mais, não como mais, não faço mais, não dou a bunda mais, não gozo mais na cara mais, porque ou é feio, ou é pecado, ou é feio e pecado. Porque a fé caminhando como um exercício diário da culpa só nos leva ao paraíso. E o paraíso, sabemos todos, é aquele lugar que pode ser. Não é, ainda não é.

Não. Não quero dizer aqui e ali que não é para crer, temer, respeitar. Se isso tudo faz bem, como a rotina para a criança, como o amor quando é  substantivo, não posso e nem quero julgar, ter, negar. O problema é outro. É esta mania de querer levar todo mundo junto, como se o pecado alheio fosse nosso e a redenção dependesse essencialmente da alma a ser credulizada. Os bárbaros precisam ser vencidos para que todos tenhamos o reino prometido. Porque não deixamos, ora pelotas, que os bárbaros queimem na chama do juízo eterno, se o tal do livre arbítrio é isso mesmo? Não, eu não entendo este “fiscalismo” do rabo alheio, essa jardinagem no quintal do outro.

“Ah…. mas e se as ervas daninhas estiverem a destruir o meu jardim?” Então, vamos lá, neste caso extremado, vamos lá convidar o vizinho para um chá, tosar ou queimar umas pontas que insistem em invadir o acolá. Mas só, porque o respeito é essencialmente isso.

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É um pecado, isso sim. Que novamente e novamente sejamos todos moedas de troca nesta engrenagem estapafúrdia que funciona na base do medo e de pecado, da culpa. E em nome de sei lá qual deus, esse um que não é meu, nem seu e que acaba sendo de ninguém.

“Mas não ia ser legal se ao invés de um jardim para cada um a gente tivesse um parque, para todo mundo?” Seria, mas neste caso só há sentido e razão, da prática e da outra, quando todo mundo pelado, pelada. De outro jeito qualquer, o tal do parque ia ser só um resort: um empreendimento imobiliário pretensamente divino.

Propriedade, julgamentos e violência contra a mulher

Por Niara de Oliveira

A super lua de ontem me fez saudosa de muitas coisas. De mim, inclusive, da Niara que enxergava o mundo e até escrevia com um pouco mais de encantamento e poesia. Lembrei de um post onde contava um pouco das minhas memórias, da lua e de uma música, feita pra lua e sobre ela.

Ando seca. Talvez seja Xangô me atormentando e dizendo que não se pode descansar ou vacilar com tanta injustiça em volta. Só que é aquilo… Tanta injustiça embrutece a gente. E é só das injustiças e indignadades desse mundo que estou sabendo escrever. De modos que… Segue mais uma.

Acordei num mau humor do cão ontem. Porra, domingo, um dos raros em que não teve festa em nenhuma das ruas aqui perto de casa em OuCí e nem ensaio da banda horrorosa que ensaia na casa do lado… Mas tinha foguetório — sempre tem — e Lalá latindo, ogro gripado e roncando e se atirando na cama, #dinofilhote acordando toda hora. Não consegui dormir duas horas ininterruptas. Quando finalmente “acordei” e fui fazer meu café para sentar em frente ao pc e trabalhar — vida de jornalista freelancer é isso mesmo –, Gilson comenta sobre essa notícia que acabara de ler nas internetes… Fui despertada por ela.

Em julho do ano passado vi uma matéria com esse casal, Christy Mack e Jonathan Koppenhaver, o War Machine. Eles tinham feito uma “tattoo de compromisso”. Ele tatuou seu sobrenome na parte frontal do pescoço e ela tatuou um carimbo estilo “made in” dentro de um retângulo tracejado nas costas, próximo ao ombro direito, dizendo “PROPERTY OF WAR MACHINE” (Propriedade de War Machine — seu codinome de lutador).

montagem com as "tattoos de compromisso" feitas por Christy Mack e Jonathan Koppenhaver, o War Machine

montagem com as “tattoos de compromisso” feitas por Christy Mack e War Machine

Pausa. Respira. Respira de novo… Respira mais fundo. Bóra descascar esse abacaxi…

Suas profissões não vêm ao caso. Conhecemos inúmeros casos de homens agressores extremamente violentos exercendo profissões consideradas até dóceis. E a vítima, bem… É só a vítima! Me nego a fazer qualquer observação a esse respeito porque considero que a mulher é livre para fazer o que bem entender, inclusive uma tatuagem dizendo que é propriedade de outrem ou casar e assumir o sobrenome do marido. E sabemos também que a violência contra a mulher é democrática, horizontal, perpassa todas as classes, raças, países, origem, idade, credo e conduta.

O que tem de errado nessa história — além da violência, que infelizmente já foi “normalizada” — é a forma como a notícia foi apresentada. Em primeiro lugar editores do portal Terra, violência contra a mulher não é “confusão”. Confusão é jogar dinheiro pra cima no meio do Saara ou do Mercadão de Madureira ou na 25 de Março ou ainda no Bric da Redenção. Quando um homem espanca uma mulher, independente da natureza de sua relação (pode não haver nenhuma, inclusive) é apenas e tão somente violência contra a mulher. Não há meias palavras, não há relativização a ser feita, não há pílula a ser dourada.

Em segundo lugar editores do portal Terra, não fica claro no título o motivo pelo qual Christy Mack não está podendo falar. Não poder falar é eu fazendo o #dinojantar com as mãos ocupadas entre a cebola, a pimenta e a colher de pau sem poder pegar o telefone para falar com alguém. E o pior de tudo, editores do portal Terra: Por que a profissão de Christy abre a frase do título da notícia? Por que o julgamento moral e o machismo dx editxr (deve ser um homem quem exerce o cargo, como indicam as pesquisas a respeito de cargos de chefia no jornalismo brasileiro, mas como o machismo é estrutural e estruturante, e passível de ser reproduzido por todos, inclusive mulheres, melhor deixar o gênero do cargo indefinido) responsável por essa seção do portal são mais importantes que a notícia? Atriz pornô merece apanhar? Atriz pornô que namora lutador de MMA violento a faz menos vítima? Atriz pornô que tatua ser propriedade de namorado violento a torna merecedora de violência? Se a atriz vítima de violência fosse de comédia a sua profissão estaria no início do título?

A questão é que tanto faz. Não importa sua profissão ou qual a sua especialização como atriz, sua conduta e nem mesmo sua permissividade com relação à violência. Não cabe à chefia da editoria do portal Terra julgar isso. Jornalismo relata fatos, conta como eles aconteceram, o “julgamento” fica a critério de cada leitor/a. E sabemos que nem precisava desse escárnio com Christy para que ela fosse julgada como merecedora do espancamento do qual foi vítima. Se ao ler a notícia, mesmo que nos detalhes finais, estive escrito que ela é atriz pornô todos a julgariam. Então, pra quê? Sabemos pra quê, mas estou questionando diretamente a editoria do portal Terra. Porque nesse caso não é o repórter peão que não pode ser responsabilizado pela manipulação da informação do veículo onde trabalha, nesse caso é a chefia, é quem detém a confiança do proprietário do veículo que deveria ser de informação, e não de julgamento.

Como ficaria um título isento para essa matéria? “Atriz é espancada e mal consegue falar. Namorado está desaparecido”

Se Christy não tivesse se tatuado como propriedade do namorado, ela estaria a salvo da violência? Não. Nenhuma mulher está. War Machine se sentiria menos proprietário de Christy sem a tatuagem? Não. Homens tendem a se sentirem proprietários da mulher, independente de terem ou não uma relação com ela. Há uma enxurrada de casos de assassinatos de mulheres onde o feminicida é o ex. Nesses casos todos é comum a imprensa vimitizar de novo a mulher ao julgá-la, como fez (e ainda faz) no caso da Eliza Samudio, só para citar um exemplo.

Não importa o que façamos, o que somos ou o que pensamos. Quem está na berlinda é sempre a mulher. E me admira muito que numa matéria com esse título não tenham dado uma rápida guglada e citado a tattoo como mais um atenuante para o agressor…

Não sei vocês, mas eu estou pelas tampas com moralismo barato usado para justificar machismo, misoginia e, por consequência, violência contra a mulher.

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atualização 11/08 às 13h30: Até consigo entender que num portal todas as notícias relacionadas a “famosos” estejam num mesmo local, mas é inadmissível que um caso de violência contra a mulher esteja na seção “Diversão”.

atualização 12/08 às 14h15: Christy Mack divulgou em suas redes sociais na segunda à noite um comunicado agradecendo o apoio e carinho que vem recebendo e relatando o que houve. Esse comunicado foi traduzido e divulgado pela seção “Combate” do Sport TV da Globo.com, num tom bem mais aproximado da realidade dos fatos. Mesmo assim, num trecho diz [o que talvez para alguns justifique as agressões de War Machine]: “Ela relatou que foi espancada pelo atleta, com quem teria rompido relações há três meses, após >>>ser flagrada<<< junto a um amigo em sua casa em Las Vegas.

FLAGRADA??? O termo flagrante aqui dá a ideia de que ela estaria fazendo alguma coisa errada. A própria Christy justifica em seu comunicado que ela e o amigo estavam vestidos quando da chegada de War Machine em sua casa.

Diz a Renata Corrêa, e eu subscrevo: “As mulheres são flagradas de biquini no site de fofocas, flagradas conversando com amigos pelo namorado ciumento mas o único flagra mesmo é do machismo na sociedade. A menina ainda tem que dizer que estavam vestidos. E se estivessem pelados? Podiam apanhar?

Por fim, um trecho do relato de Christy com parte do “saldo” de seu espancamento e as fotos dela no hospital ontem (11/8): “Minhas lesões incluem 18 ossos quebrados ao redor dos meus olhos, meu nariz foi quebrado em dois lugares, perdi dentes e vários outros (dentes) estão quebrados. Estou incapaz de mastigar e de ver pelo meu olho esquerdo. Minha fala está confusa por causa do inchaço e da falta de dentes. Tenho uma costela fraturada e o fígado severamente rompido por causa de um chute na minha lateral. Minha perna está tão lesionada que não consigo andar sozinha.

Christy Mack no hospital, após ser espancada pelo ex, War Machine

Christy Mack no hospital, após ser espancada pelo ex, War Machine

E se resistir for um chocolate amargo?

Existe um tempo da delicadeza, disse o poeta. Acho até que foi o Chico. Buarque. Mas existe esse tempo, de hoje, onde a delicadeza deu espaço e lugar para urgências desmedidas e por uma profunda incapacidade de tolerância. Se é verdade que esses novos – e não tão novos – espaços pelas redes criam vida, criam laços, novas ideias, intercâmbios, também é mais que verdade que tudo, mas tudo tudo, ganhou a dimensão do já. Ontem é infinitamente distante…

 Muro Resistir

O que me faz escrever nesse espaço biscate, das mais prazerosas cousas que há, é o diálogo, o debate, a empatia, a libertinagem e o libertário. E há o doce exercício do sonhar e o outro exercício, amargo, o de resistir. Aqui nesta casa, que é boteco, varanda, chinelo, colchão d´água, chicotinho, divã, sala de aula, mancebo, a gente pode exercitar nossas lentes de ver o mundo. E não dá para fazer isso com tanta pressa, uma pressa que nos é imposta por alguém que encontra no relógio a resposta pronta para tudo, uma exigência de mercado.

Ser solidário é requerimento de essência. Ter empatia. Se colocar no lugar do outro. Mas isso não quer dizer sem rusgas, sem desavenças, sem incompreensões, sem dúvidas. Tudo que é certeza incomoda, a princípio, nossos amores – e desamores. Precisamos recuperar o tempo, este tempo.

Estamos morrendo porque não conseguimos tratar com seriedade temas como o aborto, a violência, o racismo, questões de gênero, a pobreza e o machismo na esfera pública, na política, no mundo. A seriedade pressupõe procedimento, escutar, ouvir, entender, depreender e milhares de verbos que não se resolvem na base de tacape ou de um “pré, conceito”.

Mas o alerta é outro. O alerta é que a pressa do relógio é absurdamente preconceituosa, preconcebida, porque a decisão é tomada com base naquilo que arraigado, sem discussão, a saída aparentemente mais fácil. E que é urgente, aí sim, que saiamos desta casinha. A urgência, a que não é a desmedida, é que necessitamos de outras soluções, outras percepções, outros caminhos.

 Sonho Impossível - Flor

Talvez isso tudo sirva só de amuleto ou consolo. Porque estamos resistindo, resistindo, resistindo – e nossa impotência tem sido muito cruel conosco, com nossas reflexões, com nossos desejos, nossa disposição. Resistir é absolutamente necessário, sabemos. Mas resistir é calma, que do contrário esta pressa nos engolirá, como vem engolindo a tudo. O nada, do “História sem fim”.

O chocolate amargo sabe ser delicioso. Resistamos, pois.

Cuidar de meninos, ainda

DeBruyne

Cuidar de meninos. Já escrevi um sobre isso, aqui. E tenho vontade de falar muito mais sobre o assunto. Meninos: pressões sociais. Ser menino, algo que eu acho tão difícil. Acho tão difícil, daqui de onde olho. Sem ser. Mas vejo as pressões, o tempo todo, permanentes. As pressões para sentar de tal jeito, não mexer a mão de tal outro, falar com voz assim ou assado. As roupas. Ah, as roupas. Só pode isso e aquilo, aquela nem pensar, essa cor de jeito nenhum. De-jei-to-ne-nhum.
“Mas por quê?”
E a resposta definitiva: “Não é coisa de menino”.

Coisa de menino: não é tanta coisa que pode. Tanta coisa não pode. Uma, em particular: não pode brincar de boneca. Não pode ter boneca. Já ouvi histórias de gente que deu bonecos (nem eram bonecas, vejam bem: eram bonecos, bebês) para filhos de amigos. Pareceu fazer sentido, ia nascer um irmãozinho: um boneco é algo que se dá com frequência quando vai nascer um irmãozinho, ajuda a criança a lidar, a aprender a cuidar, a brincar de “ter o seu bebê” também, agora que a mãe vai estar ocupada com um.

Mas não deu certo. O boneco foi rapidamente escondido, afinal, não é coisa de menino.

Que se dá? Ah, sim, se dá para as meninas. Ponto. Menino não brinca de boneca. E vão os pequenos lidar com suas dores sem apoio. Sem aprender a botar no colo, a ninar. No máximo um bicho de pelúcia, não-humano. Boneca, nem pensar. É coisa de menina.

Panelas, comidinhas? Coisa de menina. Vassoura, ferro de passar? De menina. Brilhos, paetês, maquiagens? De menina, de novo.

Pros meninos? Sobram os carros. Carros: potência, velocidade. Atributos “de macho”. Sobram as armas. Na minha casa não rolava: no máximo, pistola de água. Porque era de água, não porque era pistola. Mas é presente comum, né? As pessoas dão. As bolas, que são talvez a parte mais legal. Já tinha comentado no outro texto:

Mas porque não cordas de pular, elásticos? Porque não bonecas? Tantos meninos gostam de bonecas. É tão legal brincar disso. Cuidar. Botar no colo. Fazer carinho. Isso sim é educar um menino pra ele não ser machista. Pra ser um pai bacana. Pra ser feliz como ele quiser ser.

Porque educar é isso, não é mesmo? Educar pra quê? Pra navegar do seu jeito nesse mundão velho sem porteira, acho eu. Pra saber que o outro é outro e é igual a você. E merece respeito, como você. E merece atenção, como você. E merece viver do jeito dele, como você.

E pra isso, é melhor começar cedo. Quando as crianças são pequenas. Bem pequenas. Com o exemplo, ainda mais importante que as palavras. E com as aberturas de espaços. Conviver com os outros diferentes. Aprender que os diferentes são, também, iguais. Brincar. Brincar, que é aprender a vida. Brincar que ajuda a se entender no mundo. Mais meninos brincando de bonecas. De pular corda. De elástico. Brincar de roda. Junto com as meninas. Junto. Fazendo junto. Se fantasiando junto. Criando novos mundos. Do seu jeito. Com o que der. Abrindo possibilidades e caminhos.

E, sim, isso é assunto para esse nosso bloguinho. Que tantas vezes fala da violência contra a mulher. E o que está proposto aqui é, também, forma de luta. Lá no começo, quando eles ainda são bem pequenos, cuidar para começar a desmontar essa armadilha.

calvin-e-haroldo

A mulher de valor, o medo da buceta e o moralismo de plantão

Quem tem medo de buceta? Aparentemente, os julgadores e moralistas de plantão. E acham que a mulher que não tem medo da própria buceta não tem valor.

Na semana passada foi noticiada uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o órgão recursal da Justiça estadual, na qual um desembargador emitiu um voto no qual considera que “Não cuida da moral mulher que posa para fotos íntimas em webcam“. Tratava-se de um recurso sobre uma ação de indenização por dano moral, diante da divulgação de fotos de cunho intimo compartilhados pela autora da ação (vítima da quebra de confiança) com o réu (autor da divulgação indevida das fotos que lhe foram enviadas no curso de relação intima). Popularmente, o pornô de vingança.

marias da net

A autora ganhou a ação em primeira instancia, e o juiz concedeu o valor de R$100.000,00 (cem mil reais) de indenização, a ser pago pelo réu. Foi uma vitória, especialmente diante do Judiciário de um Estado onde se costumava usar uma tabela para o dano moral, e que continua parcimonioso na concessão de indenizações.

No entanto, obviamente o advogado do réu impetrou recurso, como é seu direito, e de todos (para isso existem os tribunais e o segundo grau de juridição, para que um grupo de magistrados possa dar a decisão final sobre o inconformismo de uma das partes com a decisão do juiz único da primeira instância).

O TJ/MG manteve a condenação. Nos termos do voto do relator, o desembargador José Marcos Rodrigues Vieira, o valor do dano moral deveria ser reduzido para R$ 75 mil, mas rechaçou o argumento de concorrência de culpa da vítima. “Pretender-se isentar o réu de responsabilidade pelo ato da autora significaria, neste contexto, punir a vítima.”

No entanto… muito bom para ser verdade? Pois é. O desembargador revisor, contudo, divergiu do relator. Para ele,

“a vítima dessa divulgação foi a autora embora tenha concorrido de forma bem acentuada e preponderante. Ligou sua webcam, direcionou-a para suas partes íntimas. Fez poses. Dialogou com o réu por algum tempo. Tinha consciência do que fazia e do risco que corria”.

Asseverando que a moral é postura absoluta e que “quem tem moral a tem por inteiro”, o julgador ainda chegou a entendimento de que as fotos sensuais diferem-se das fotos divulgadas pela autora da ação, imiscuindo-se não só no campo da moral, mas no da moralidade…

As fotos em posições ginecológicas que exibem a mais absoluta intimidade da mulher não são sensuais. Fotos sensuais são exibíveis, não agridem e não assustam. Fotos sensuais são aquelas que provocam a imaginação de como são as formas femininas. Em avaliação menos amarga, mais branda podem ser eróticas. São poses que não se tiram fotos. São poses voláteis para consideradas imediata evaporação. São poses para um quarto fechado, no escuro, ainda que para um namorado, mas verdadeiro. Não para um ex-namorado por um curto período de um ano. Não para ex-namorado de um namoro de ano. Não foram fotos tiradas em momento íntimo de um casal ainda que namorados. E não vale afirmar quebra de confiança. O namoro foi curto e a distância. Passageiro. Nada sério.” Disse, ainda, o Des. Francisco Batista de Abreu: “Quem ousa posar daquela forma e naquelas circunstâncias tem um conceito moral diferenciado, liberal. Dela não cuida.”

Nesse contexto, vem-me tantas coisas a cabeça que chego a engasgar.

Inicialmente, pela condenação do réu na primeira instância, meu coração se aquece, e surge uma ínfima esperança de que algo sim, está mudando. Vários dos comentaristas do portal jurídico onde primeiro li a noticia da decisão também criticaram a postura do desembargador.

E aí vem essa traulitada. Vem esse jovem senhor, com 64 anos, mais novo que meu pai, que vem dizer o que é erótico, o que é pornográfico, e vem medir, etiquetar, rotular, e cortar fora o que não cabe em seu limitado entendimento da alma humana. Pega um conceito de sensual e pornográfico direto da coleção primeiros passos,  e vem despejar moralismo no que pode ou não pode fazer entre quatro paredes, entre pessoas adultas e capazes.

Não, senhor. Como bem escreveu a Bete Davis, aqui mesmo no Biscate:

Então, como vou eu definir o que é erótico e o que é pornográfico quando estas palavras  ganham a conotação moralista de certo e errado? Artístico e lixo? Erótico é o que me excita, e o que me excita eu bem sei. O que excita você, car@ leitor@, você também sabe.

Segundo o entendimento do terceiro desembargador da turma, que seguiu o voto do revisor:

De qualquer forma, entretanto, por força de culpa recíproca, ou porque a autora tenha facilitado conscientemente sua divulgação e assumido esse risco a indenização é de ser bem reduzida. Avaliado tudo que está nos autos, as linhas e entrelinhas; avaliando a dúvida sobre a autoria; avaliando a participação da autora no evento, avaliando o conceito que a autora tem sobre o seu procedimento, creio proporcional o valor de R$5.000,00.

O que os nobre magistrados não percebem é que o valor aqui não é só o valor que a autora tem sobre si. Eu, como disse a minha xará, Renata Correa, “particularmente não valho um centavinho furado. Ninguém pode me medir, me pesar, me trocar ou me comprar: não tenho preço, código de barras, cifrão ou vírgula. Quem tem o direito de dar preço para minha alma? E pro meu corpinho? Nobody, baby. ”

Mas a ação em si, o ato do ex-namorado, que fosse por tempo curto (hello, o doutor acha um ano um tempo curto? Baby, conheci e fui morar junto com meu marido em menos tempo que isso, e nesse tempo, namoramos à distância, doutor, veja só). Tem nome, o ato do réu, e é pornô de vingança. E é uma dessas “modas” que pegam, e que deviam ser inibidas e não estimuladas por decisões como esta.

“Mas, de qualquer forma, e apesar de tudo isso, essas fotos talvez não fossem para divulgação. A imagem da autora na sua forma grosseira demonstra não ter ela amor-próprio e autoestima.”, aponta o desembargador.

Quem tem medo de buceta? Aparentemente, os julgadores tem. E acham que a mulher que não tem medo da própria buceta, que não só se toca e goza, mas tira fotos, oh, horror dos horrores, de sua “grotesca” VAGINA, não tem amor-próprio, não tem auto-estima.

origem do mundo

A Eliane Brum trata, lindamento, deste medo, deste horror, por parte da sociedade, neste texto aqui:

Que há algo perturbador no órgão sexual feminino não há dúvida. Até nomeá-lo é um problema. Vagina, como tenho usado aqui, parece excessivamente médico-científico. É como pegar a língua com luvas cirúrgicas. Boceta ou xoxota ou afins soa vulgar e, conforme o interlocutor, pejorativo. É a língua lambuzada pelo desejo sexual – e, por consequência, também pela repressão. Não há distanciamento, muito menos neutralidade possível nessa nomeação. É uma zona cinzenta, entregue a turbulências, e a palavra torna-se ainda mais insuficiente para nomear o que Courbet chamou de “A origem do mundo”. Para Lacan, “o sexo da mulher é impossível de representar, dizer e nomear” – uma das razões pelas quais teria comprado o quadro.

Eu tenho problemas com a forma da decisão, com as palavras, cuidadosamente escolhidas pelo julgador para des-valorizar não só aquela autora, aquela mulher que teve a coragem de se expor e exigir a retratação não pela exposição da imagem, mas pela quebra de confiança.

Eu tenho muitos problemas com quem não vê o machismo explicito nessa decisão, com quem a julga tecnicamente correta, pois a autora da ação, vítima da exposição indevida, se colocou em situação de risco.

Eu tenho muitos problemas, sim, com quem é incapaz de perceber que se expor para um homem, em um contexto privado não significa que a mulher não se valoriza. Pelo contrário, nesse mundo de bocetas plastificadas, depiladas, infantilizadas, é preciso muito amor próprio, muita segurança e auto-confiança para se exibir, por si, para o seu prazer. A regra é a exibição controlada e regulada da buceta para o prazer do homem, para o lucro, para a pornografia mainstream, dominante, dominadora. A mulher que se exibe porque quer, para quem quer (e só para quem quer, ouviram? Só para quem ELA quer, é bom repetir) tem um poder sobre o próprio corpo que a maioria dos moralistas de plantão não consegue admitir, aceitar, sequer tolerar, que dirá respeitar.

arte2

Eu me descobri feminista em 2010, depois de trabalhar em um caso de estupro. Date rape, para ser precisa, ou “estupro de encontro”, uma figura importada dos EUA, onde a vítima do estupro já conhece o autor, e com ele mantém uma relação de confiança, ainda que volátil e passageira. No caso, a jovem havia conhecido o rapaz em uma festa, estavam ficando, outras pessoas foram para a casa dele depois da festa, em casais, incluindo ela, com as amigas e os amigos dele, amigos em comum, entre si. E la, depois, em algum momento, ela se sentiu desconfortável.

Ela disse NÃO. Ela se atreveu a dizer NÃO, NÃO QUERO. Não, não permito que você me use para o seu prazer. E ele prosseguiu, contra a vontade dela, mesmo sem usar de violência física. Isso É estupro. E eu o indiciei, e o Ministério Público o denunciou, o Judiciário recebeu a denúncia. Não acompanho o caso, soube que ele se mudou de Estado para fugir do processo, eu mudei de Delegacia, mudou a juíza, mudou a promotora do caso. Eu duvido que hoje ele seja condenado. Eu temo pelo que a jovem vítima terá que ouvir como “defesa” do acusado, como a vida sexual prévia e a atual serão colocadas na berlinda.

Daniel-Maidman-Blue-Leah-7-2012

E essas decisões, desses homens e mulheres, sobre o nosso valor, vão pautar no futuro a forma como tantos casos semelhantes serão tratados. Serão essas pessoas, que vivem nesse mundo, que decidem e decidirão nosso valor.

Eu fecho com a Renata Correa, de novo:

Não valho nada. Não me atribuo valor algum. Não tô a venda: tô vivendo sem conta, sem mercantilismo amoroso, fraterno ou sexual. E também não tô comprando. Mas isso é outra história. (Renata Correa, Mocinha de Valor)

.

Se eu for embora?

Now there’s gravel in our voices
Glass is shattered from the fight
In this tug of war, you’ll always win
Even when I’m right
‘Cause you feed me fables from your hand
With violent words and empty threats
And it’s sick that all these battles

                                                          Rihanna – Love The Way You Lie

Aprendi, com um relacionamento meu e com alguns relacionamentos de conhecidas minhas, que certos homens não sabem lidar com a separação tão bem. Não estou falando do medo de perder, nem da fossa, nem da tristeza ou da vontade de se afastar para não sofrer que muitos homens e muitas mulheres sentem; falo daquela sensação machista que muitos homens têm de que SUAS (pronome possessivo) companheiras são posse e só podem ir quando eles desejam uma nova namorada/esposa/noiva.
Eu sofri com isso no meu primeiro namoro, onde eu sofria humilhação, era maltratada, mas não podia deixá-lo, afinal, ELE escolhia quando iria me abandonar. Quando decidi ir embora, fui com medo, fui perseguida, perdi minha paz. Falo por mim, eu consegui tomar a decisão de ir embora. Largar de um homem assim é difícil, algumas querem mas não conseguem. Têm filhxs, trabalham junto com ele, as ameaças de ¨tirar xs filhxs¨ou de ¨destruir sua profissão¨.
A violência, em muitos casos, não é física, então não é fácil de enxergar, se estamos de fora, alguns homens parecem homens acima de qualquer suspeita, companheiros, que apoiam o emprego de suas companheiras. Muitos são “perfeitos cavalheiros”, quando a companheira decide brigar, gritar e mandá-lo embora, aparecem com presentes, cartões carinhosos, mensagens no ZapZap, pedindo pra voltar, que não vivem sem elas. Exato, não vivem, então preferem morrer e matar a viver sem ela, ou ela viver com outro!

Vá embora!

Vá embora!

Me assusta muito isso, me pergunto como estive com uma pessoa tão doentia no passado. Vejo mulheres que passaram por isso, independente de lutas por direitos das mulheres, quando é com a gente, o buraco é mais embaixo. Dói, nos sentimos culpadas pelos acessos de raiva, pela brutalidade. O medo só cresce, a vergonha de “causar” isso em um homem também cresce. Mas, entendam, minhas queridas, a culpa não é nossa. Somos vítimas, vítimas de seres com uma doença social chamada machismo.
Ninguém é obrigadx a ficar com ninguém, somos livres para ir e vir. Amar e estar junto é ser companheirx sem cobrar a presença eterna dx outrx em sua vida. Amar é deixar ir quando x outrx quiser ir, por mais que doa, por mais que machuque a falta, sabemos que é uma dor que passa, uma falta que pode ser preenchida por outra pessoa. Sem perseguição, sem medo de ir embora. Que seja bom, que você lembre com carinho do passado, não que se pense no alívio de partir!

Bruxa!!!

bruxaMuitas pessoas chamam hoje a Antiga Religião de Wicca, mas no imaginário popular e para alguns que (assim como eu) a escolheram, Bruxaria é um nome que soa melhor. Porque assim o é para mim. Simplesmente por isso.

Sim, eu sou uma bruxa!

(Pausa para as reações de incredulidade, hilariedade (risos irônicos também valem), nojo, ou dificilmente (?) pelxs que “imagino” lerem esse site de medo e preconceito,ainda que disfarçado de superioridade intelectual ou religiosa).

Pois é, Bruxaria… Ah, a Bruxaria… O que dizer dela que já não esteja espalhado em milhares de sites disponíveis a distância de apenas um clique de mouse?

(Mais uma pausa para… para… suspiro…)

Seus praticantes podem se denominar (ou se calar, já que nem sempre foi “agradável” “assumir-se”) de diversas maneiras, mas existem e fazem parte de uma religião que se insere num grupo maior e entendem-se como pagãos ou neopagãos, estão espalhados pelo mundo e tradições distintas, assim como os galhos e folhas que surgem da mesma e antiqüíssima raiz.

Podem estar cozinhando sozinhos em casa ou se reunindo em grupos chamados de Covens, espécies de “famílias” com no máximo treze membros, frequentando feiras e palestras que tratem de temas esotéricos, cursos de Ciências da Religião nalguma universidade, lendo cartas de tarô, acendendo velas e incensos, começando ou cuidando de uma horta, abraçando árvores ou mergulhados em literatura especifica.

Também, quem sabe, em sincretismo e palavreado com sentido mágico, estejam benzendo com galhos de arruda em algum interior do Nordeste, vendendo ervas e “garrafadas” nos mercados públicos Brasil afora, depois de levar suas filhxs e netxs para conhecer uma florebenzedirasta na Itália ou de auxiliar partos domiciliares em algum outro e qualquer rincão desse mundão da Deusa.

Muitxs destxs provavelmente sequer se dirão. Mas também o sabem entre os seus. Comum à todxs é o fato de praticarem magia, que podem (também) chamar de Grande Arte, e modificando suas realidades pela força da vontade.

Circulam entre profissões, costumes, ideologias políticas e “filosofias” diversas até porque a “estrutura” da religião, que nada tem de dogmática ou piramidal, estimula a liberdade de pensamento e ação, uma vez que não acreditamos em pecado, julgamento, culpa.

É uma religião politeísta, mas honra basicamente uma Deusa Tríplice e um Deus Chifrudo (ui!), que circula em volta desta numa Dança que deu e dá origem a tudo que está. Esta Deusa e este Deus são interiores e independente do gênero dx praticante da Arte sabemos nos “habita”, nós Xs somos e Xs vivenciamos, mas também são exteriores e em tudo mais espalham-se. São apesar disso, Além de Tudo e Mistério.

A Deusa e o Deus podem ser chamados, invocados e suas características específicas “potencializadas” através de nomes diversos, dependendo do panteão que se escolha honrar ou sequer referidos por denominações, mas por “sensações”. Vez em quando, por exemplo, chamo a Deusa de Força. Ou de Amor. E o Deus de Tesão.

Mas continuemos… Bruxs celebram essa referida Dança que é criadora, mas também destruidora (num sentido de “destrutiva” como facilitadora dum posterior renascimento), através do ciclo anual das estações, no período de um ano solar, comemorado em oito festas anuais chamadas de Sabbats e nas primeiras noites de cada lua cheia, denominados de Esbats. É através do tempo externo, ou de que chamamos de Roda do Ano, que vivenciamos as mudanças internas e passamos a entendê-las como cíclicas e espirais.

É uma religião que se vive através de “mitos” poéticos, pois só o Amor que habita a Criação pode tentar sussurrar o Incontável. Tenho a opinião, pelo tanto de Tempo que a tenho vivenciado, que é até por poetizar essa “impossibilidade” dicotômica, que bruxas e bruxos não acreditam ou concebem nenhuma entidade que seja “portadora” dum mal absoluto, portanto não acreditamos em demônios que “contrapõem-se” a divindades. A própria lógica ecológica que permeia xs adeptxs parece que não “dá trela” pressas coisas.

bruxa 2A nudez é estimulada dentro dessas comemorações, e é vivenciada e protegida pelo que chamarei de espiral energética criada por quem delas participa, mas não é obrigatória, tampouco tem caráter de fetiche, e sim de compromisso com a verdade individual, que habita para além das roupas, símbolos de “poder” e máscaras sociais. Alguns, por exemplo, contam o estar nu num ritual de estar vestido de Céu.

Obviamente (e posso “chocar” alguns companheirxs de crença ao dizer isso (que minhas benções recaiam sobre elxs)) pode haver sexo consensual nessas comemorações, assim como em qualquer “boa” festa que se preze. Para a Bruxaria, a sexualidade e todas as suas instâncias são vistas e vividas como dádivas e presentes dxs deusxs. Todo ato “criador” é sagrado, mas não estimula-se ou impõe-se sua “sacralização”. A possibilidade de acontecer alguma “suruba” demoníaca, pois, como é lugar comum imaginar quando menciona-se algum “Sabá de Feiticeiras” é inexistente. Não acreditamos em demônios, com já frisei. Então, se seu intuito é participar de orgias e afins, recomenda-se procurar uma casa de swing, não a Religião Antiga.

pentagrama

Existe muito pouco de “impositivo” na bruxaria, até por considerar-se que todo ato que gere dor e-ou sofrimento a outrem esbarra na única Lei e/ou “Regra” que norteia nossas práticas: tudo que fizeres voltará três vezes para ti. Simples e objetivo, não? Nem por isso deixamos de desejar algo e sim, de fazer feitiços para diversos fins específicos e considerados “egoístas”, inclusive se você considerar se proteger assim.

Mas enfim, tudo que escrevi aqui não pretende nada além do “educativo”, já que por ser a bruxaria uma religião iniciática, pede um período de estudo prévio, que hoje é considerado adequado ser em um torno de ano e um dia após o que alguns entendem e nomeiam como o “chamado” da Deusa até a iniciação propriamente dita. Depois dela, bom… tem mais estudo e “obrigações” ainda, exigindo, portanto, um comprometimento que poucxs querem ter, liberdade de pensamento e não oferecendo redenções ou “facilidades”.

Também não existem nenhum “cargo de liderança” que traga compensações materiais à espera, o poder dentro de um Coven (que dificilmente são encontrados em anúncios nas páginas amarelas) é considerado “ideal” quando vivenciado de forma cíclica por todxs, uma Alta Sacerdotisa ou Alto Sacedorte de um Coven (se escolherem serem chamadxs assim) sabem-se canal de manifestação da Deusa e do Deus, e portanto, que tentar manter-se nesse “patamar”, para isso impedindo o crescimento das potencialidades dos seus outrxs membros é fatalmente abrir mão do Poder.

HowgartsE antes que você, leitor e leitorx de Harry Potter como eu, me peça o telefone de Howgarts,  já  aviso que sou o que conhecemos na Religião como Bruxa Solitárix, sendo assim, por escolha e característica, não faço parte de nenhum coven. Bem como não “inicio” ninguém.

Sendo ainda mais clara, não interessa a um bruxo ou a uma bruxa, nenhuma espécie de “conversão”, já que “dizem alguns mitos” que ninguém deixa de ser quem é ao se tornar… quem se é. Eu mesma continuo nada adepta da dieta composta por asa de morcego e pata de lagartixa, por exemplo, por mais que me digam que é ótimo para emagrecer, ficar eternamente jovem e tal e coisa e coisa e tal.

Também não seqüestro crianças e as mato. Acusação da qual Fabiane, chamada de bruxa, foi “setenciada” por uma horda de pessoas que revestiram-se de um Poder que crê em espancar alguém até a morte. Que a Deusa me livre do encargo de julgar e amaldiçoar essas pessoas é o que peço enquanto escrevo esse texto, porque ainda não sei como mensurar o horror que senti diante do acontecido…

FabianeFabiane Maria de Jesus não era Bruxa. Sei porque ela estava indo buscar o livro sagrado da cristandade ao ser assassinada. Esse argumento é até óbvio, mas cheguei a ler em algum lugar que tal Bíblia poderia ser “usada” nas mesmas tais “missas” (oi?) de magia negra que essa mulher, que levava no seu nome os da Mãe e do Filho dos Cristãos, supostamente praticava. Para quem escreveu isso, assim como para qualquer seguidor de outras sendas espirituais eu afirmo: bruxa alguma precisa negar ou ritualizar o que não crê. Simples assim.

Fabiane Maria de Jesus não era bruxa, repito!

Mas e se fosse?…..

 P.S:  Se você quiser entender ou saber mais sobre Bruxaria existem diversos sites, livros e palestras sobre o tema pululando na Internet e nas livrarias e bibliotecas.

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