Flerte

Flerte.

Eu flerto, tu flertas, ele flerta.  Nós, biscatemente, flertamos.

Flertar é verbo cotidiano, verbo que faz bem aos olhos. Olhos que se cruzam, bocas que se olham, poesias, gentilezas, músicas, escritos, conversas despretensiosas, deleites, prazeres fugazes, levezas, brincadeiras.  Um chopp, ou dois. Desce outro. Um bilhete, um e-mail, um gracejo, um passeio, um mergulho, um cigarro aceso ou só um cruzamento na esquina.

Um bom flerte pode ser um bom começo, o prenúncio de uma noite quente. Ou pode ser só ou o fim em si mesmo. Não importa. Flertar é arte de sorrir, de se fazer voar ao encontro da mágica do acaso.

Eu flerto, e conto, aqui, uma pequena história flertada. Flertemos!

Flerte

De repente ela estava ali, sentada em meio a um mar de gente sem rosto.

A noite era fresca, e o evento era um protocolo divertido.

Ventava um vento leve, e eu cheguei com as boas aberturas que me percorriam os dias.

De repente eu estava ali. Com uma máquina na mão a registrar o escuro que envolvia as taças de vinho e os livros autografados.

Esbarramo-nos, num instante cheio de acontecimentos.

Seus olhos coloridos me convidaram a sentar. Eu sentei, com a naturalidade de seguir o pulso.

E no ritmo acelerado de sentir, fui soltando palavras que fluíam ao seu encontro.

Uma atrás da outra lhe chegavam conhecidas, em meio às outras vozes que ali estavam.

Seu sorriso grande parecia gostar do que eu dizia.

Encontramo-nos.

Tudo aconteceu muito rápido, impulsionado pelo fogo vermelho dos astros.

Em segredo ela me olhou e disse: eu quero.

Ouvi sua fala sem voz, e senti a força de seus olhos atentos.

Em silêncio respondi: eu também quero.

E de repente tudo estava ali.

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