Flores, assim, não tão raras

A gente sempre diz que biscatagi também é cultura, logo na Semana (ups, quinzena aqui no clube) de Visibilidade Lésbica e Bissexual, não podia faltar uma palavrinha sobre o filme Flores Raras de Bruno Barreto.

1951, Nova York. Elizabeth Bishop (Miranda Otto) é uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell (Treat Williams). Em busca de algo que a motive, ela resolve partir para o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary (Tracy Middendorf), que vive com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra. É o início de um romance acompanhado bem de perto por Mary, já que ela aceita a proposta de Lota para que adotem uma filha. (sinopse do filme Flores Raras disponível no site Adoro Cinema)

Elizabeth Bishop foi uma escritora americana, considerada uma das maiores poetas do século XX a escrever em língua inglesa (e, dado o poder social e político dessa língua, pode-se dizer uma das mais importantes poetas do século XX). Ela ganhou o Prêmio Pulitzer, em 1956. Sua poesia se destaca pela plasticidade da escrita.

Lota de Macedo Soares foi uma paisagista e urbanista autodidata brasileira, umas das responsáveis pelo projeto do Parque do Flamengo, localizado na cidade do Rio de Janeiro, o maior aterro urbano do mundo.

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Minha opinião:  Vi o filme Flores Raras. Se gostei? Não muito. O romance entre a urbanista brasileira Lota de Macedo Soares e a poeta norte-americana Elizabeth Bishop, vivido no Rio de Janeiro entre as décadas de 1950 e 1960 foi retratado com delicadeza e dignidade pelo diretor Bruno Barreto, porém, cenicamente, de forma fria e mecânica (na minha apreciação, claro). Que beijos falsos eram aqueles, minha gente? E por que diálogos tão desencontrados? Faltou paixão, calor e química entre as atrizes Glória Pires e Miranda Otto, que interpretaram, respectivamente, Lota e Elizabeth.

No entanto, Flores Raras traz uma reflexão bonita: os “fracos” tiveram vez na película. No caso, a fragilidade emocional de Elizabeth Bishop, vai se transformando em fortaleza no decorrer da história. E Lota, sua companheira, a síntese da firmeza e segurança, é quem tomba, justamente por não saber ao certo lidar com as perdas. Acho que a força poética do filme residiu bem aí, por mostrar esses contrastes de sentimentos e sensibilidades.

Se eu recomendo? Sim, claro. Pela poesia linda da Bishop, pela trilha sonora regada a bossa-nova e porque não é todo dia que uma atriz global interpreta uma mulher lésbica de forma tão empoderadora e afirmativa como a Lota. Recomendado pra biscatagi!

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