Meu coração é rubro-negro e bate pelo Furacão

Brasileirão da Biscatagem
Atlético Paranaense, Cris Rangel

Sou paranaense, curitibana, para ser mais precisa e não carrego qualquer orgulho disso. Em compensação sinto muito orgulho em dizer Sou Atleticana!

Minha história de amor e paixão com o Clube Atlético Paranaense (CAP) começa… Gente começa antes que eu sequer pensasse em nascer!

Vou explicar. Sou descendente de italianos e alemães por parte de pai. Meu avô paterno, como bom italiano, torcia pelo Palestra Itália, o Palmeiras. No Paraná o time que tinha a simpatia de Seu José era o Coritiba.

Meu pai, em plena infância e adolescência e querendo ser o inverso do que era o pai dele e fazendo tudo para contrariar começou a torcer pelo Corinthians e pelo Atlético, arquiinimigos do Palmeiras e do Coxa. Menino danado esse meu pai. Imagino eu a decepção do meu avô, mas foi assim mesmo que tudo começou.

Meu velho sempre gostou de futebol. Jogava quando menino e moço. Chegou a conhecer alguns dos grandes nomes do Furacão (CAP) e conseguiu ter três filhos torcedores atleticanos, duas filhas, diga-se, apaixonadas pelo time e uma neta também torcedora do CAP.

A primeira vez que prestei atenção em futebol e no Atlético foi lá pelos anos 80 quando, depois de uma fase de seca de títulos nos anos 70 o time venceu um campeonato paranaense. Foi a glória em casa, meu pai comemorando o título do rubro-negro e a gente junto, um bando de crianças que só sabia que a bola tinha que entrar no gol.

Cresci e sempre acompanhei futebol até que, grávida, entrei pela primeira vez na Arena da Baixada, o Caldeirão como é chamada, pra ver meu time jogar, ao vivo e em cores. Até aquele momento não tinha sentido emoção maior. A torcida inteira nas cores vermelho e preto, gritando ‘Uh! Caldeirão! Furacão Ê Ô Atléticooooo’ mexeu comigo, mexeu com a menina que estava na minha barriga e levou meu coração a saltos gigantescos. Nunca esquecerei daquele momento enquanto viver.

Nasceu a menina e, um ano depois, em 2001, o Atlético foi finalmente campeão Brasileiro. Gritei muito naquele dia, sofri outro tanto. Mas, amor e paixão sempre nos levam à glória e ao sofrimento, não tem jeito.

Em 2005 o CAP foi vice-campeão da Libertadores. Outro tanto de lágrimas derramadas na final. E, em 2011 novas lágrimas: o rebaixamento para a segunda divisão do Brasileirão, numa partida com o arquiinimigo Coritiba. Chorei. Chorei como criança vendo o jogo enquanto montava a árvore de Natal.

Este ano jogaremos na série B. Estamos na final do paranaense contra o Coritiba e ainda na disputa pela Copa do Brasil. E eu vou torcer com vontade. Meu time consegue fazer vir à tona o meu lado passional, minha veia enfurecida, que grita, discute, briga, chora e se entrega numa torcida muitas vezes insana. Talvez por isso mesmo que eu ame tanto, o futebol e o Atlético, porque é nesse momento, no meu momento torcedora, que me entrego à paixão com garra e vontade.

Curiosidade – O apelido de Furacão do Atlético Paranaense deve-se ao time de 1949, que foi campeão paranaense sem nenhuma derrota e do qual o Capitão era o zagueiro, falecido no início deste ano, Nilo Biazzetto. O jogador ganhou, naquele ano, o apelido de Capitão Furacão, daí o apelido do Atlético até os dias de hoje.

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*Cris Rangel é atleticana de corpo, alma e ventania. Jornalista na fria e carrancuda Curitiba. Mãe de menina. Audaciosa. Corajosa. Encrenqueira. Louca por cinema, rock’n roll, vinho e conversa afiada. Corredora amadora, aficcionada por academia. Biscate exigente, livre e liberta.

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