Paixão em preto-e-branco – GALO!!!

Brasileirão da Biscatagem
Atlético Mineiro, Renata Lima

“Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento” – Roberto Drummond

Éder Aleixo acompanhado só de feras. Entre eles, João Leite, Toninho Cerezo, Luizinho, Jorge Valença e Palhinha

A menina escuta o foguete estourando.

É dia de Nossa Senhora Aparecida. Mas pra ela, é dia de Galo.

A menina se senta na frente do avô, e o assiste ouvindo ao jogo pelo rádio. Ele fica pálido, vermelho, roxo. De repente, pula da cadeira, e grita: Galo!!!! E pega a menina no colo.

O manto de Nossa Senhora é azul, e a menina fica pensando que seria muito mais bonito se fosse preto-e-branco.

Mineirão, Atlético e Cruzeiro. Arquivo pessoal

A menina sou eu.

Desde que me entendo por gente, convivo com a paixão pelo Galo.

Clube Atlético Mineiro. Galo forte, vingador.

Desde que eu torço, na verdade, desde antes de eu nascer, nunca ganhou mesmo nada de destaque. Só esteve perto.

Esteve perto e foi roubado, como em 1981 – quando o Wright expulsou cinco jogadores do Galo, incluindo o Rei, num jogo que até hoje é lembrado pela roubalheira! Esteve perto e deu azar. Esteve perto, mas não era a hora.

O Doutor e o Rei – Sócrates e Reinaldo

Em 1999, no Mineirão, faltava pouco, tão pouco… Era o auge da dupla Marques e Guilherme. Era a nossa hora. Mas não foi. Foi uma derrota decepcionante e eu disse: NUNCA MAIS!

Marques e Guilherme!

Nunca mais vou sofrer por você, Galo.

Nunca mais vou chorar por você.

Nunca mais vou me embriagar de dor.

Nunca mais!

Só que… né?

Sou biscate, sou apaixonada, sou atleticana.

E em 2006, série B. O horror, o horror!!!! (dramática… )

E em 2007, de novo, no Mineirão. De novo.

Essa foto foi feita no carro, a caminho do Mineirão, em 2007 – arquivo pessoal

E a cada vez que ia ao Mineirão, meu coração disparava. Dispara.

Eu ainda sinto o cheiro da paixão.

Aquela coisa que a gente não sabe explicar, só que embriaga os sentidos.

O cheiro de churrasquinho e feijão tropeiro, no bar 26.

O sabor da cerveja – sem álcool, que antipatia… e dos inúmeros cigarros, os cantos da unha roídos.

O som da massa cantando: Aha, uhu, O MINEIRÃO É NOSSO! O batuque da fanfara, o coração disparado. O apito final.

A sensação daquelas arquibancadas tremendo, no ritmo da Galoucura pulando.

A visão do gramado, do sol se pondo sobre a arquibancada, das faixas espalhadas.

Os sorrisos e palavrões compartilhados.

Placar final no Mineirão! – arquivo pessoal

Aqueles UH! AH! NÓOO!!!

Minha garganta aperta de vontade de gritar GOOOOOL! GAAAAALOOOOOOO!!!!

Abre logo, Mineirão.

To com saudade!

A menina cresceu, mas ainda hoje, como todo atleticano, quando ouve um estouro de foguete, grita: GALOOOO!!!!

Porque Chanel e Valentino já sabiam do poder do clássico preto-e-branco! – arquivo pessoal – Hall de entrada do Mineirão

É de pelada que elas gostam!

Por Amanda Vieira*

Amanda (a primeira de camiseta branca da esquerda pra direita) e suas parceiras de futebol, em Brasília

Ela saiu de casa com aquela meia 3/4, que cobre a perna até o joelho e deixa um pedação das coxas pra fora. As unhas ainda estavam lindamente pintadas, mas a maquiagem estava visivelmente vencida. Andava com pressa, flutuando de alegria ao deixar uma pia de louça suja para trás. No meio do caminho o celular tocou. Ela apertou os lábios, olhou para o céu e soltou:

– Será que hoje vai dar quórum?

É assim que, aos poucos, a pelada das mulheres vai se formando. Algumas saem direto do trabalho para o jogo, outras levam os filhos, os maridos, as namoradas, as vizinhas, as chegadas – tem até as que aparecem do nada, sozinhas, sem avisar previamente: simplesmente elas chegam! E são bem recebidas – se os times estiverm completos, ela fica de próxima, no revezamento, sempre há um jeito de agregar uma visitante.

Algumas mulheres amam jogar futebol. Não pra acompanharem seus maridos ou terem um assunto em comum com homens: amam jogar futebol por motivos que dizem respeito somente a elas. O futebol pode ser vivido como um prazer puro e simples, mas também pode servir como um momento de relaxar as tensões do cotidiano, como um ritual sagrado de confraternização com outras mulheres e até mesmo uma forma lúdica de perder calorias e manter a forma, por que não?

O que nenhuma mulher gosta é de preconceito: nenhuma mulher deixa de ser mulher por jogar futebol, nenhuma mulher pode ser discriminada por cometer o crime de jogar bola. O futebol amador vem revelando jogadoras fantásticas – por que ainda se paga tão pouco para as que decidem se tornar profissionais? O que justifica essa desvalorização absurda?

Quando você encontrar mulheres jogando bola, fazendo embaixadinha ou treinando pênaltys, lembre-se: ali estão mulheres felizes. É futebol de valor, honesto e raro: ver mulheres felizes não tem preço!

.

* Amanda Vieira é jornalista, paulista dando o ar de sua graça e profissionalismo em Brasília, mãe da fofa Sofia, feminista, de esquerda, ativista das lutas essenciais e justas e uma das pessoas lindas desse mundo que ajudam a mantê-lo habitável, “fazendo castelos de areia e soprando as brincadeiras dos outros”. Dá uma espiadinha no seu blog e a acompanhe no tuíter em @amanditas1904.

Pontapé Inicial

Eu sei, eu sei… pequeno plágio que a ESPN vai me perdoar. O aquecimento para o Brasileirão da Biscatagi começa  agora. Coração na ponta da chuteira e todos os clichês futebolísticos afiados pra gente tratar do que interessa: rolar na grama.

Já estão escalados o grande amor e as pequenas desavenças, os gritos de prazer e os gemidinhos de desilusão, as alegrias das conquistas e a frustração do quase lá. Nesse rala-e-rola torcedor/time, vale tudo.

pontapé inicial

Todo mundo atrás deles…digo: atrás da bola!

E como todo mundo quer mesmo é saber da Tabela do Campeonato informo que a bola rola saindo dos pés da Amanda, logo a seguir, com seu texto delicioso sobre a relação de algumas mulheres com ela, aquela gostosa: a bola.

E daí pra frente é só bola na trave, cabeçada pra fora, defesas fenomenais e muito gol pra comemorar… vai ter emoção de sobra com Renata e sua paixão em P&B pelo Galo, o Gilson e seu coração tricolor, vai ter intensidade com o Furacão da Cris Rangel, Gre-Nal animado com Suzana e Rodrigo, a nação vascaína vai receber post da Letícia, o Santos vai dar bola com o Glauco e os corações rubro-negros vão se esbaldar entre o Brasil de Pelotas da Niara e meu Mengão. Ali, no banco, na dúvida se vai ter tempo pra jogar ou não, um torcedor pernambucano e o corinthiano Alexandre. Pra finalizar tudo em grande estilo, o Fernando nos oferece um belo bate-bola biscatagi-futebol.

Voltando à ESPN e aos pequenos plágios: Biscatagem é o nosso esporte. Então, vamos nos amar no mato (ops, bola no mato) que o jogo é de Campeonato!

Biscateando entre as quatro linhas…

Vai começar, vai começar…e rala o pinto, rala o pinto, rala o pinto!

Opa, não é bem isso, embora a empolgação seja quase a mesma. Vai começar o Campeonato Brasileiro de Futebol, lembram do nosso post sobre isso? (leiam aqui). Aquele período mágico em que as noites de quarta e as tardes do fim-de-semana pedem rala e rola, mas, assim, tipo suruba, nós e um montão de gente (pelo menos mais 22 marmanjos) fazendo um lance que, se não é sexo, parece bem, tem suor, urros, prazer, alguma dor e um cansaço depois que só uma boa soneca resolve. (aliás, o Verissimo faz uma comparação muito pertinente aqui)

Não sacaram? Vai começar o Campeonato Brasileiro, aquele período mágico em que a gente se empolga com os dribles, tabelinhas, craques, e também com os raçudos, a bola pro mato, o carrinho preciso. Tempo dos uuuhhhss e aaaiiisss com tal ênfase que o vizinho fica curioso sobre o que tá rolando. Tempo das camas redondas, ops, das mesas redondas. De debater com o comentarista em voz alta, talvez esperando que a gente em casa em frente à tv e ele no estúdio possamos, enfim, nos entender.

Mais ainda? Vai começar o Brasileirão e a mobilização do Biscate Social Club está intensa… Quer saber o que vai rolar? Na semana de 10 a 17 de maio (termina no dia do nosso quinto mesversário — anotem essa data ensandecente na agenda) aqui no BiscateSC se falará exclusivamente de futebol x biscatagi, ou a biscatagi no futebol ou as biscas no mundo do futebol. Bora falar do tesão que a gente tem de ver o jogo, o riso nas vitórias, a pontada de angústia nas derrotas e, bom, vocês sabem o que sentem e já entenderam.

Até agora temos na nossa escalação: Amanda (começando a budegagem na várzea), Niara (Xavante), Luciana (Mengão), Renata (Galinho), Gilson (pó-de-arroz), Glauco (caiu-na-rede-é-peixe), Sueli (tricolor de Sampa), Letícia (vascaína)… E quem mais vem? Sijoga gentem. Aceitamos convidadas de todos os times e paixões. É só escrever e enviar.

Posts no nosso colinho até dia 08 de maio, ok? Quem ficou confusa/confuso e quer mais, mais, mais…informações, é só mandar email para biscatesocialclub@gmail.com.

banner da nossa semana futebolística que ficará ali do ladinho, na coluna da direita

Ahh… Esse texto é de autoria da bisca-flamenguista Luciana Nepomuceno.

Entre as Quatro Linhas

Torcer, eis um negócio complicado. Esquisito como amar um homem (ou uma mulher, ou whatever), mas ainda mais confuso. Pelo time o amor mais abnegado. O pulsar mais constante. O deslumbramento. Um perder-se na velocidade com que se alternam os homens-minotauros (e também as mulheres, ora, martas) e o prazer do gol, um grito que passeia por todo o corpo e não cabe em uma pessoa, os braços se abrem, a boca se abre, as pernas do mundo se abrem e eis a vida fecundada de alegria. Amar um time é ter os olhos enfeitiçados. É aprender as esperas: o próximo jogo, o próximo turno, o próximo campeonato, a próxima temporada, o próximo ano. Amar um time é ter o dizer enfeitiçado. Pensando nisso, as biscas pensaram em um convite.

Não deve ser segredo para ninguém que as coordenadoras dessa bagaça aqui são duas torcedoras rubronegras (Luciana flamenguista, Niara xavante) fanáticas e achamos que futebol, discussões e debates sobre o esporte bretão são também coisa de mulher. E de biscate. Ainda mais quando temperamos tudo com paixão, suor, gritos de prazer e muita alegria – ou seja, quando vemos um bom jogo. Tudo a ver biscate e o mundo da bola, néah?

Depois da estreia da Luciana no Futepoca e alguns debates aqui e ali, cada um defendendo o seu time e flauteando os demais, tivemos a sacrossanta ideia de fazermos uma semana só sobre futebol aqui no BSC (aplausos, ola e muita cantoria na arquibancada). Uma semana especial com as mulheres escrevendo e contando histórias e defendendo a paixão por seu time.

Juntando a fome com a vontade de comer (ops), vamos aproveitar o início do Brasileirão 2012 (aumentativo é tão sexy, né) e fazer nossa semana cheinha de gente deitando e rolando na grama. Na semana de 10 a 17 de maio (termina no dia do nosso quinto mesversário — anotem essa data ensandecente na agenda) aqui no BiscateSC se falará exclusivamente de futebol x biscatagi, ou a biscatagi no futebol ou as biscas no mundo do futebol. Bora falar do tesão que a gente tem de ver o jogo, o riso nas vitórias, a pontada de angústia nas derrotas e, bom, vocês sabem o que sentem e já entenderam.

Vamos deixar um bannerzinho na coluna da direita com a nossa tabela. As biscas vão lá e se candidatam a escrever. Não pode repetir o time (ou seja, Brasil de Pelotas e Flamengo já tem — e acho que Atlético-MG também, né Renata Lima?). O prazo máximo para o envio dos textos é 5 de maio (mas as mais rapidinhas podem ir mandando logo). Se passarmos de dez inscritas, Houston não precisa de meter, não será problema, serão dois posts por dia.

Os homens-fofos-boleiros-sexys-gente-fina-admiradores-da-biscatagi não precisam ficar tristes. Vocês não vão ficar de fora. Às segundas temos guest post (podem ser dois, nessa semana aí, nessa questão, quanto mais, melhor). Nosso convitinho especial com piscadinha, chamego e tudo vai pros moços gentis do Futepoca.

Todas bisca torce desesperadamente para que tenham muitos inscritos e não saibamos o que fazer com tanto texto bom sobre futebol.

Quem ficou confusa/confuso e quer mais, mais, mais…informações, é só mandar email para biscatesocialclub@gmail.com.

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