O IMC que não leva em conta nossos sonhos

Por Katiuscia Pinheiro, Biscate Convidada

Recentemente eu fui ao médico levando resultado de exames e felizmente meu colesterol e glicemia e todos os outros exames estão bem, apenas precisando aumentar um pouquinho a taxa do colesterol bom.

 Mas o médico me diz que eu preciso perder peso. E eu pergunto porquê. E ele titubeia e não sabe bem a resposta, já que meus exames estão ótimos. Ai ele menciona o famoso IMC (ìndice de Massa Corporal) e diz que eu estou fora desse parâmetro…

Eu olho pra ele com aquela cara de “E em que isso afeta a minha saúde?” E ele, numa tentativa de flexibilização mínima, reconhece que realmente esse índice não leva em conta elementos como a estrutura óssea da pessoa…

E cá comigo eu penso que não leva também em conta nossos sonhos… A verdade do meu corpo que sai da boca dele começa a se desmanchar como sorvete no deserto…

No fundo não tenho motivos plausíveis para emagrecer. A não ser a pressão midiática que quer nos convencer que somos feias e que temos que ter o corpo padrão da Rede Globo. Que nos ensina a odiar nossos corpos e que se vale de profissionais como ele para enterrar a pá de cal em nossa auto estima…

Ele me manda fazer atividade física (o que acho importante para ter disposição e flexibilidade), mas é com relação ao peso que ele associa essa recomendação… Ele quer que eu fique magra… Quase disse a ele que meu IMC é outro: Índice de Mulher Chacrete!!! E que com esse corpo eu consigo descer até a boquinha da garrafa, mas que não desejo entrar nela!!!

E se algum dia eu desejar virar a “Jeannie é um Gênio” eu o farei, mas não pela negação de quem sou hoje, mas pela clareza de que essa é TAMBÉM uma possibilidade, nem melhor nem pior que a realidade corporal que vivo atualmente. Apenas outra. Porque quando eu decidi ser ruiva não foi porque eu odiasse meu cabelo… Fiz porque tenho direito a escolhas e a uma régua que só cabe a mim mesma.

10481940_846432465423526_6050972462899631474_nKatiuscia Pinheiro se diz assim: leonina transfeminista, professora e tia. Ando com somente um pé no chão, de noite e de dia. Curto dançar, sexo e coisa e tal, mas ficar triste também é normal. Na alma tenho muitos defeitos, no corpo, dois peitos. E se a mídia não atrapalhar, vou envelhecer sem me estressar.

 

Vamos deixar as pessoas em paz

Texto de Iara Paiva
com participação da bisca Luciana

Hoje na hora do almoço tava pensando em como alimentação é algo que rende assunto. Porque a gente pode pensar do ponto de vista da cultura, da história, da nutrição, da política de comércio internacional, da economia. É fascinante. Mas tem um ponto em que eu me recuso a entrar na conversa: quando passamos pra gordofobia.

Gordofobia, de forma simples, é o preconceito contra pessoas gordas. É julgar e rotular personalidade, comportamentos, valores a partir de um aspecto físico: ser gorda. Assim, nossa sociedade gordofóbica costuma relacionar às pessoas gordas coisas como preguiça, desleixo, má saúde, etc. A gordofobia faz com que as pessoas gordas sejam representadas, de maneira geral, como desagradáveis, repulsivas ou inconvenientes. A pressão que fazemos sobre as pessoas gordas, como sociedade, geralmente promove perda de autoestima, ódio internalizado, sofrimento psíquico, desconforto, inadequação social, etc. Gordofobia é a naturalização discursiva e material (porque tanto acontece quando dizemos que pessoas magras são mais bonitas como quando produzimos meios de transporte cujas poltronas não acolhem todo tipo de corpo com conforto) de um “modelo cultural que privilegia pessoas magras e marginaliza gordas”.

Podemos pegar o exemplo dos fumantes… por mais que ninguém seja obrigado a fumar – como é obrigado a se alimentar – por mais que fumar possa causar diversas doenças, por mais que deixar de fumar seja socialmente mais simples do que fazer regime, o fumante não é assediado como a pessoa gorda. Ainda bem, nem tem que ser! A gente discute propaganda, indústria do tabaco. Discute os limites alheios por conta da fumaça e tal. Mas eu não vejo ninguém ridicularizando fumante, sabe? Tratando como alguém inferior ou digno de pena.

Mas, ain, é por causa da saúde, sei que lá a saúde da pessoa gorda, muitos anos de vida”… Mas saúde não é nem precisa ser um referência individual universal. Nem o desejo de viver muito tempo. Tem gente que quer e se preocupa, tem gente que não, ué. Ser saudável (o que quer que isso seja, porque é outra discussão bem longa) é um valor e uma referência individual que não podemos imputar ao outro e quando o fazemos é sempre uma violência.  Como disse a Jarid: “ é também papel do feminismo combater esse discurso de ódio e má fé disfarçado de preocupação com o bem estar; é necessário lutar contra a imposição de padrões, seja de aparência, roupas ou comportamentos. Cuidar de si mesma e amar outras pessoas significa não constrangê-las e envergonhá-las. Ninguém jamais deveria impoôr aà outra pessoa, não importa quem seja, nenhum tipo de roupa, alimentação ou comportamento.”

Então me irrita essa desculpa cínica do “é pela saúde!”. Não é, nunca foi. Vamos assumir que a gente não gosta de gordo? Que foi ensinado socialmente, mesmo que não tenha sido dito explicitamente, que gordo é inferior? Que mesmo pessoas gordas sofrem com gordofobia internalizada? Que eu tô escrevendo textão, mas olho no espelho e acho meu bracinho de biscoitera roliço? Que até pessoas magras podem sofrer por se acharem “gordas demais” para uma sociedade cujos padrões são cada vez mais magros e se afastam cada vez mais de uma suposta “busca de saúde”?

Bora ser honesto. Depois a gente foca o debate na indústria alimentícia, na propaganda, na política, no discurso médico, na educação, no caralho a quatro. Mas primeiro vamos deixar as pessoas em paz.

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Das réguas de que não preciso

Por Deborah Sá*, Biscate Convidada

Em um clínico geral do SUS…

Residente – Só exame de rotina mesmo?
Eu: – É, eu faço uma vez por ano, tudo, pode pedir tudo de sangue, os de praxe ginecológicos, etc. Quero um oftalmogista também, faz uns sete anos que não vou em um.
Residente: – Hum, estou vendo aqui na sua ficha que você é vegetariana, você tomava B12, não é?
Eu – Sim, continuo tomando e eu ainda sou vegana Emoticon smile
Residente: – Sente ali, por favor

Após medir pressão, sentir o estetoscópio nas costas, língua para fora, luz nos olhos e etc.

Residente:- Sua pressão está doze por oito
Eu:- É…eu não sei o que isso significa
Residente: – Está normal, aparentemente está tudo normal.
Eu: – Ah, que bom.

Médico, entra na sala: – E está tudo bem?
Residente: – Está tudo bem.
Médico: – Já fez pesagem? Seria interessante
Residente: – Ah, não, tire o sapato por favor. Ali, incline a cabeça e…88 quilos, um metro e sessenta e oito.
Médico: – O IMC, faz o cálculo do IMC
Residente:…Então, você está no nível da obesidade, precisa perder uns dez quilos

Eu: – ¯\_(ツ)_/¯
Residente: – Você tem que continuar sua dieta e…
Eu: – Eu sou vegetariana há oito anos, eu já era gordinha antes, eu continuo gorda depois. Ouço isso, que eu tenho que perder dez quilos desde que eu tinha sete anos. Eu subo escada, eu estou vivendo bem, minha alimentação é ótima, meus exames estão sempre tudo bem, eu estou bem.

Depois que saí do consultório, os panfletários da Herbalife ofereceram seus “santinhos”. Diacho! Não é a toa que as mulheres ao meu redor estão todas tentando emagrecer. Nunca estive tão gorda e tão feliz com o espelho… mano, até mais bonita me sinto. Ao mesmo tempo é esquisito ter de endurecer com isso, ter que me impor com isso. Pelos meus cálculos, faz 22 anos que ouço esse discursinho, que eu estou gorda, que eu preciso perder peso, que eu devo diminuir as porções, fazer mais exercício. Só que 1) Gosto mesmo de comer, repetir até, se der vontade, faço por onde e que mal há nisso, cacete? Mulheres que comem por prazer são ~pecadoras~, mais uma vez, aos homens toda a pulsão e para as mulheres, todo o freio nesse raio de mundo 2) Não tenho projeto de ser atleta, mas assim que sobrar um dinheirinho, vou me inscrever em um curso de dança porque adoro dançar.

Eu poderia ter respondido os médicos: * Dançado Anaconda * Dançado Bootylicious *Mostrado um nude.

Mas preferi fazer a gorda orgulhosa e sair do consultório sendo educada sem pedir desculpas, sem me chamar de preguiçosa ou sem-vergonha (já acompanhei mulheres que dizem isso para médicos, eu mesma já disse, quando mais nova). Migas, tá foda, é foda, não tem um único dia que eu não ligo a TV, convivo com outras mulheres, vejo vitrines, ou bancas de jornal que o tal emagrecimento não seja gritado aos sete ventos. Até nas prateleiras de livros da minha casa as dietas estão lá de soslaio (os livros não são meus). Todas as mulheres da minha família são grandes e ou gordas, faz parte do que eu sou, eu ocupo espaço, chamo atenção, só que agora estou aproveitando isso, usando uns colarzão mesmo, uns dourados, pintando o cabelo de vermelho, só que né, eu fico chateada pelo discurso médico não avançar nesse sentido desde meu tempo de criança. De imaginar que ninguém consegue se safar dessa pressão chatíssima de patrulhamento dos corpos. Mesmo o corpo estando lindão, completamente dentro do que precisamos dele.

Mais uma régua em que não caibo, talvez uma das mais antigas da minha coleção.

* 11351327_1457045754607564_5642394097373800822_nDeborah Sá é uma biscate delicinha que só sabe querer de tudo, com todas as coberturas, com todas as sensações e com todos os sabores.

Beleza é subjetivo?

Semana passada, me senti muito mal com um comentário que me contaram sobre mim. Me contaram sobre um papo que rolou sobre mim, que eu tinha o rosto feio, que a única parte bonita do meu corpo é a minha bunda. Me senti um lixo, ouvi muito isso na adolescência, que era feia de rosto e tinha a bunda bonita. Adolescentes sofrem muito com a opinião dxs outrxs, eu me lembrei muito daquele momento quando ouvi o comentário.

Machucou demais, mas parei pra enxergar o que aquele comentário queria dizer. Padrões de beleza racistas e gordofóbicos, que dizem que negras são feias, gordas são feias, se for as duas coisas, mais feias ainda. Dizem que beleza é subjetivo, mas é, na verdade, uma construção social, você se interessa pelo que sempre lhe foi mostrado como belo. Através da história das artes visuais, notamos o quanto essa “subjetividade” se adapta aos padrões da sociedade e seus preconceitos.

E, sim, o tesão também é uma construção social, então, se excitar com mulheres loiras, brancas e magras vem sim de como você foi criadx em uma sociedade racista e gordofóbica, você aprendeu a desejar a loira magra e enxergar a negra e gorda como uma mulher “com qualidades, mas não tão bonita” ou “com um rosto tão lindo, mas não se cuida” ou ainda assim “tão bonita, mas o cabelo não combina com ela”.

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Eu me desconstruo todos os dias pra me enxergar bonita e desejável aos meus próprios olhos, pois também sou fruto da sociedade, é difícil, luto contra tudo que absorvi por 30 anos vivendo em contato com o mundo. É esquecer o preconceito, o bullying e tudo que já ouvi de preconceituoso e seguir adiante, me transformando e transformando quem passa por mim. Afetando as pessoas e fazendo–as compreender que a beleza precisa ser desconstruída, no dia a dia. Calma e pacientemente.

Gordos

Outro dia falei dos meus traumas de ser gorda. Bem, hoje queria falar sobre como eu adoro homens acima do peso, gordinhos, gordos.images (1)

Não alimento o desejo que a mídia vende para nós de homens fortes e com a porcentagem de gordura próxima do zero. Gosto de homens largos, com barriga grande, com pernas grandes, braços grandes e sem muito músculo. Já fiquei com homens magros e homens fortes, mas minha preferência sempre foram os mais gordos. Por muito tempo eu não aceitava o meu próprio desejo, achava feio me sentir atraída por homens fora de um padrão, mega gordofóbico, que exige que eu ame ou deseje um parceiro “apesar de” ser gordo e não por ser gordo. Acho que se libertar de padrões que se acham no direito de ditar os meus desejos é muito libertador. Mais que ser livre pra ter o corpo que eu quiser, tenho que ser livre pra desejar quem eu quiser, independente do seu corpo se encaixar no padrão midiático.

E vocês não tem ideia de como o sexo é bom quando nos libertamos de nossos preconceitos. Transar pegando na pessoa inteira, mordendo, apertando e beijando barriga, pernas, bunda, o corpo inteiro sem se preocupar. Já tive medo de meus parceiros se sentirem incomodados por eu apertar, pegar demais. Por ser frustrada com meu corpo, via o toque como uma lembrança do meu tamanho, da minha gordura, então me privava de pegar com vontade pra não levar o mesmo trauma a quem está comigo. Agora não deixo de tocar e ser tocada, aprendi a me libertar do medo de ser pouco gostosa por causa do meu tamanho. Com isso, entendi que um cara gordo também precisa entender o quanto é gostoso pra mim e só posso mostrar isso se eu pegar, morder, beijar e apertar inteiro, qualquer parte do seu corpo.

Quinta-feira passada, assistindo The Voice Brasil, na Globo, vi o cantor querido das meninas (que é muito bonito), Kim Lírio, e o achei bonito. Mas, quando apareceu o Lui Medeiros, fiquei totalmente encantada, e não é tipo “gordo com rosto bonito”, não gosto dessas coisas, quando acho bonito, acho tudo bonito, rosto, corpo e sorriso. E eu não pegaria o Kim, mas pegaria o Lui fácil, fácil! Não só ele, acho o Jack Black lindo, o André Marques também, mas eu mesma nunca analisei esse meu preconceito. Por muito tempo, eu falava que o André Marques era bonito, mas era gordo. Por um medo de assumir que gordos são bonitos e me atraem.images (2)

E o desejo é uma coisa curiosa, né? Minhas melhores transas com homens foram com homens gordos. Porque sexo não tem nada a ver com ser bom ou ruim de cama, ter pinto ou não, grande ou pequeno. Sexo também não tem nada a ver com “peso ideal” e nem com “beleza midiática”, uma trepada gostosa diz respeito apenas ao que nos agrada aos olhos, olfato, paladar e tato, o que nosso corpo quer e gosta, e cada umx de nós tem gostos diferentes. Que bom! 🙂

Gorda

Everyday I fight a war against the mirror
I can’t take the person starin’ back at me
I’m a hazard to myself

Don’t let me get me
I’m my own worst enemy
Its bad when you annoy yourself
So irritating
Don’t wanna be my friend no more
I wanna be somebody else

Pink – Don’t Let Me Get Me

Me sinto incomodada com o meu corpo, estou passando por uma transição de mentalidade, preciso compreender porque não aceito meu peso, sou obcecada por emagrecer. Esse sentimento estranho, antes eu utilizava a desculpa de “fui magra a adolescência toda, esse não é o meu corpo natural”. Mas, se eu fui magra 17 anos da minha vida, sendo nesses 17 anos, apenas em 4 deles meu corpo já era adulto, como poderia assumir meu corpo de infância como o corpo real? Sim, meu corpo da maior parte da minha vida adulta é um corpo em sobrepeso. Não sei se sou gorda de verdade ou se apenas não sou do manequim 40. Mas, vestir 48 foi um problema dos meus 18 até hoje, são quase 12 anos nessa tortura de “emagrecer por saúde”. O que me incomoda não são os olhares de outras pessoas, é o meu próprio olhar, é o incomodo ao enxergar as dobras, a barriga, o rosto redondo.

Na infância, ainda era magra

Na infância

Ser saudável eu já sou, de acordo com uma cardiologista que ia quando tinha uns 90 e tantos quilos, meus exames são de dar inveja em muitx esportista, então qual é a minha doença? Probabilidade de infarto? Problemas de coluna? Acho que minha doença é um preconceito que tenho sobre o meu corpo. Minha felicidade depende de eu vestir 40? Serei mais realizada se isso acontecer? Realmente, entre meus planos de futuro, sempre esteve o manequim 40, o mestrado e o doutorado, a casa própria. Coisas de uma menina de classe média, que, sem querer, aprendeu que ser feliz é poder usar biquini sem gorduras pulando por cima da calcinha do biquini.

Final da adolescência, 17 ou 16 anos, ainda era magra

Final da adolescência, 17 ou 16 anos

Estou começando a me aceitar, afinal, é doentio eu olhar mulheres e homens gordxs a minha volta, considerar todxs lindxs, mas não me aceitar linda. O que falta para que eu seja linda? Falta autoestima, falta empoderamento? Talvez seja só isso, o manequim 48 seja parte de mim, uma parte que eu TENHO  que amar também. Não por conformismo, mas por liberdade! Me libertei de tantos preconceitos, mas esse é o mais difícil de todos de libertar, talvez por aprender a vida toda que gordura é sinonimo doença, falta de saúde, preguiça, baixa auto estima.

Uma das últimas fotos que tirei antes de perder 15kg

Uma das últimas fotos que tirei antes de perder 15kg

Eu nunca enxerguei pessoas gordas como muitxs enxergam, pessoas solitárias, infelizes, sem companheirxs, sem vida sexual. Até porque eu sempre tive vida sexual ativa, estando gorda ou magra. Não tenho e nunca alimentei o preconceito que mulheres gordas não arrumam alguém, nunca foi minha preocupação. Não só por não viver pra ter um marido/namoradx/esposa, mas por ser educada pra viver por mim apenas. Entendam, não tenho medo de ser solitária, na verdade, ser solitária às vezes pode ser libertador. Meu medo é diferente do medo de não ter ninguém que me deseje ou me ame.

Auge do meu emagrecimento, menos 15 kg

Auge do meu emagrecimento, menos 10 kg

Meu drama com o peso e com o manequim sempre foi muito “classe média”, eu queria comprar roupas pra mim e, ao invés de lutar pra que as roupas se adaptassem a meu tamanho, eu lutava pra me adaptar a ditadura magra e alta que sempre fui imposta. E, quando aprendemos que saúde é diretamente relacionada com esporte e alimentação, você se acostuma a achar que todx gordx é doente, não faz esporte e não controla a boca. Eu era a primeira a me cobrar.

Foto de quando estacionei meu emagrecimento

Houve uma época em que malhava todos os dias, contava calorias das refeições, fazia capoeira,hap ki do. Estava chegando aos 70kg, esses 70kg foi o menor peso que tive de forma “saudável”, menos que isso só quando tomei inibidor de apetite e ansiolítico. Depois desses 70kg, só emagreci passando fome. Comecei a enlouquecer comigo mesma, eu estava fazendo algo errado, tinha que ter algo errado. Entrei em depressão, engordei um bocado de novo, troca de hormônios, tudo misturado.

Foto atual

Foto atual

Não sei se voltarei aos 70kg, não acredito que isso seja importante, preciso trabalhar outra área da minha saúde, a psicológica, a aceitação do meu peso. Pois, agora, acordei para um medo muito maior que ser gorda, que é ter um distúrbio alimentar por acreditar que “preciso emagrecer”. Essa luta é muito mais importante, já que sei que meus exames estão todos em taxas super saudáveis, o peso não interfere em minha saúde. Estou começando a me aceitar, usar roupas curtas e justas, sem raiva do espelho, mas tem dias que não consigo me sentir feliz com o que enxergo.

Now and then, I get insecure
From all the pain, I’m so ashamed

I am beautiful no matter what they say
Words can’t bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can’t bring me down
So don’t you bring me down today

Christina Aguilera – Beautiful

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