Celebremos!

“Nem de exatas, nem de humanas, sou de trouxas”;

Eu o/

Eu o/

Se ser trouxa é demonstrar o que sente, sim, sou trouxa. Convicta. Daquelas que posta letras de pagode ou de sertanejo dos anos 90 na TL dedicadas ao(s) seu(s) amor(es). E nem é porque eu acredito em romance, em fórmulas perfeitas de amar ou de ser feliz, como na já meio batida (mas que ainda está longe de falir) vibe hollywoodiana. É porque passei bastante tempo sem celebrar – ainda que nas pequenas cafonices – o fato do meu coração estar aquecido pela presença de outro, assim, mais de pertinho. Eu já fui do time que ficava de bode quando pipocavam imagens de casalzinho feliz e pans.

A real é que faz pouquíssimo tempo que percebi que não me considerava merecedora de amor. Que eu não tinha motivos para ficar contente com algo que não era pra mim, porque na listinha padronizada do que é ser amável, eu nunca tive nenhum dos itens. Ou tentava mimetizá-los.

Nem preciso dizer o quanto falhei miseravelmente, né?

Por que dar afeto é ser trouxa? Por que comemorar momentos felizes (ou até de grudezinho) com quem você ama é indesejável? Por que isso ainda é visto como fraqueza, como ser bobo ou inconveniente, quando todos os envolvidos estão ok com a situação? Ou então, porque externalizar de alguma maneira seus sentimentos, mesmo que não sejam correspondidos, é tão zoado?

Sei lá. Talvez, a gente tenha meio que desaprendido o bem que faz um ato de carinho, tanto para quem dá quanto para quem recebe. Vivemos num mundo em que manifestações de bem querer parecem perda de tempo ou coisa de quem não tem nada melhor para fazer. Os lances que “dão certo” são os que encontram dificuldades. São os cheios de joguinhos, de esperar o outro te procurar, de não escancarar muito o que você está sentindo, porque senão não dão valor.

Amor como moeda de troca. Amor mercadológico.

Se ser trouxa é transbordar de amor, a ponto de não caber no peito, olha eu aqui!

Só não rasguem minha carteirinha de biscate, tá? Vai ter biscatagi trouxa sim.

Vai ter biscate celebrando o amor sim!

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