O test drive do coelhinho do prazer

Já que tão fudendo a gente todo dia, já que a cada dia a gente acorda e tem um 7 x1 diferente pela frente, que tal fuder da forma gostosa de verdade? Que tal fazer um 5 x 1? (desculpem, piada horrível, num resisti) .

Mas como fazer isso se: tô cansada, solteira, o bofe ou a gata mora longe, estou com a mão engessada, a cara metade tá fazendo doutorado? (sei lá, mil questões)  Seus problemas se acabaram-se! (ao fundo toca a musiquinha das organizações da tabajara)

Amiga-companheira-feminista que curte um sexozinho ilícito, se jogue no maravilhoso mundo dos sex toys. Ah, mas eu tenho vergonha, ah mas se eu comprar pela internet o porteiro vai ver, ah mas o marido/parceiro/boy/gata/peguete/etc não vai gostar, vai achar que estou substituindo ele/ela, mais outros trocentos argumentos baseados no desconhecimento, medo, vergonha e temperados no preconceito.

Amadas amigas-amantes-biscates, em primeiro lugar a gente tem menos orgasmos e menos prazer quanto menos se conhece. Para isso a gente deve explorar nossos pontos, nosso ritmo e nossas imaginação. Dedos, mãos e sim, por que não, brinquedinhos. Claro, dedos e mãos são imprescindíveis. Acho incrível como se fala pouco de masturbação feminina quando é sabido que nosso orgasmo é muito mais clitoriano que vaginal (sobre isso indico esse post ótimo) . E para isso além, óbvio dos dedos, a gente pode usar os deliciosos vibradores clitorianos.

Em segundo lugar as sex shops podem parecer lugares amedrontadores com umas parafernálias esquisitas. Então chame uma amiga ou um grupo ou vá ou ainda compre on line. Eu já comprei, mais de uma vez, juro que o porteiro não vai saber o que está chegando, a embalagem é comum, de entrega e não há logomarca de identificação etc. Ademais, se o problema é vergonha, sozinha em casa na internet a gente pode fuçar mais, né?

Em terceiro lugar: sex toy não é substituto pra nada, é só um outro tipo de sexo. Tem tantos… Ah e não, não vicia, não faz mal, não dá doenças e tal. É delícia. Mas, e então?

Antes, parêntesis: vou esclarecer que esse blog não é um blog patrocinado e eu não sou a Pugliesi do sexo. Mas, sim, vou indicar algumas coisas. E, bom, pra indicar a gente faz test drive, né? Se o pessoal faz test drive de carro por que não fazer de sex toy?

O fantástico mundo dos sex toys vai bem além dos dildos (ou pênis, prefiro dildos, já que pênis é só o de verdade e só conheço alguém que tinha um na caixa:  Perpétua da novela Tieta  e óleos. Atualmente os materiais são bem mais duráveis, mais fáceis de limpar, alguns têm bateria recarregável (adeus pilhas, o bolso agradece, a natureza também #sexosustentável #marinasilvaaprova) e tem design e cores que são um charme.

Sua mãe, a faxineira (a minha perguntou se era brinquedinho dos gatos <3), a vizinha frutriqueira, a cunhada até vão ver na sua mesinha de cabeceira e pensar que, sei lá, é um despertador, um timer e você aderiu à técnica pomodoro. Tudo bem diferente de quando comecei a frequentar sex shops (uns 18 anos atrás), quando os dildos eram de um plástico horroroso.

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Daí que como o orgasmo mais delícia é o clitoriano e adoro um design resolvi fazer um test drive com o produto queridinho do https://fluidlab.com.br/ – o laboratório do prazer – e assim chegou aqui em casa o  coelhinho estimulador (olha que coisa fofa, gente!).

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O fluidlab é uma loja on line com um blog com uma proposta muito diferente dos demais sex shops, a gente percebe de cara no visual mais clean, bonito. É de uma amiga também feminista. O site tem informações sobre sexo, saúde da mulher e uso e conservação do seu brinquedinho. Vale a pena ler os posts, muita informação bacana. Inclusive um ótimo post sobre masturbação .

Vamos ao que interessa né?  Para que comprar vibradores se eu posso fazer isso com a minha mão? Olha, você pode e deve fazer isso com suas mãos e dedos, você tem que conhecer seu ritmo, seu tempo e gozar é uma delícia, mas garanto que, assim como as sensações com cada pessoa que transamos são diferentes, o gozo com um estimulador também é diferente. É outro tipo de delícia, bem como de um estimulador para outro também há diferenças ( como na vida as pirocas são diferentes né, gente,  pode mudar por causa da velocidade do aparelho a maciez do material etc.

Eu tenho 2 vibradores/ dildos que tem estimulador clitorianos acoplados e já os usei sem penetração também. Qual a diferença que achei pro coelhinho? Bom, em primeiro lugar: design. É lindo! Muito fofo e discreto, guardo na gaveta da cômoda. Ademais ele não precisa de pilhas, é recarregável, a bateria dura 2 horas (testei e durou pra eu gozar umas 3 vezes  e não acabou ulalá). O material é de altíssima qualidade. Ele tem 3 velocidades que a gente controla apertando o controle que são os olhinhos do coelho. Mas, olha, de todos os que tenho, achei a velocidade, digamos, mais potente e gostosa. Tenho usado muito para relaxar e dormir. Indico muito, principalmente se a sua cota diária e 10 homens pra sexo ilícito não estiver chegando ao destino (aka sua cama).

Mas vibrador clitoriano é pra usar somente sozinha? Então… resolvi fazer mais um test drive, dessa vez acompanhada ( ui), aproveitando uma viagem curtinha no feriado e… pois bem, o coelhinho foi bem útil. A gente não tem medo dele ser visto no raio-x da bagagem de mão do aeroporto, né? Parece um brinquedinho qualquer. Mas olha, como foi útil o bixim… De bruços e ele embaixo encaixadinho no clitóris foi ótimo! E depois descobrimos novas funções pras orelhas do coelho, pode entrar em alguns lugares e tal, até porque o material dele é fácil de limpar e bastante higiênico.  Ah, enquanto isso… a bateria lá, firme e forte. Duas horas sem sair de cima, ou de baixo, ou de dentro….enfim…  Sim, claro, sex toy não tem limite de uso, cada um faz com o seu o que quiser, a imaginação não tem limites.

Espero ter em breve grana para comprar mais uns sex toys novos. Por enquanto, de olho em bolinhas porque pompoar é tudo de bom ( fica a dica).

 

Siririqueira de mão cheia

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

Esses dias, a cantora Pitty reclamou em seu perfil no Twitter sobre uma declaração sua que saiu deturpada em matéria do jornal O Globo. O caso já foi resolvido. Pitty havia comentado sobre masturbação: “Meu corpo me basta! Cheguei a pensar, inclusive, em incluir um momento de masturbação, reforçando o quanto estou me amando sozinha”. Após a repercussão, ela logo recebeu inúmeras mensagens ofensivas na internet, muitas delas dizendo: “Siririqueira”, “Toca uma pra nós” e “Mal amada”.

Ora pois: eu, como boa siririqueira, preciso levantar a mão, chupar os dedos e me manifestar. Quem pratica e mantém o hábito de siriricar sabe que sozinha sim, mal amada nunca! Um ato tão prazeroso que pode começar nas roçadinhas básicas do braço do sofá, passando pelo tão idolatrado chuveirinho íntimo do banheiro, até chegar nas atléticas habilidades em cima da máquina de lavar. A siririca é essencialmente uma prática do cotidiano, da qual podem participar inúmeros objetos presentes ao nosso redor, que pode ser realizada em momento solitário ou em conjunto, em ritmo lento ou rápido dentro do molejo que o dia apetecer.

Entre nós do Biscate há um dito interno que diz: a siririca é a verdadeira sororidade. Porque é por meio da siririca que damos as primeiras mãos em direção a conhecer nosso corpo, nossa fluidez, nossos desejos, nossa intimidade. É a espuma do banho que um dia faz uma cócega diferente. É o líquido que apareceu depois de um beijo na novela. É o frisson de ter cruzado com alguém que soltou faísca. É também, no meu caso, a certeza de que eu e Keanu Reeves fomos feitos um para o outro desde a minha adolescência. Assim como hoje tenho certeza que eu e Chay Suede também deveríamos nos conhecer melhor.

Siririca eu, siriricas tu, siririca ela, siriricaremos nós todas. Siririca é a resistência da buceta, da vagina, do clitóris, dos grandes e pequenos lábios. Desse corpo cheio de terminações nervosas e desejos. Desse corpo que sabe exatamente como gosta de ser tocado por aquela pessoa que mais o ama. Se toque! Toque para os outros! Faça como Pitty e fale sobre masturbação. É bom para o gozo, a alma e o coração.

Cena do clipe 'Adore' da cantora Miley Cyrus com direito a chupadas de dedo e masturbação.

Cena do clipe ‘Adore’ da cantora Miley Cyrus com direito a chupadas de dedo e masturbação.

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

 

A arte da punheta canhota

Outro dia, numa deselegância colossal, quebrei a mão. Sim, o tal metacarpo quinto, da mão direita, a que escrevo. O motivo da deselegância? Futebol. Meu time perdeu uma peleja e eu, incomodado com a forma mais do a derrota, desferi um soco numa mesa. A mesa passa bem, incólume. Eu…

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Essas fraturas nos tiram bem mais do que locomoções, manejos, praticidades. Elas fraturam também os pequenos pedaços da alma que nos moldam. Fiquei deprê, confesso. Fui um idiota e quebrar a mão por causa de uma deselegância dessas não faz menor sentido. Ou faz… sei lá.

Certo, também, que não era só o futebol. Percebi, depois da alucinada reação, que naquela semana estive mais preocupado do que o habitual com contas, mais do que sempre com as frustrações de um trabalho que mais mecânico cada vez e vez mais. Uma semana onde queria chope, mas veio refrigerante sem gás. Uma semana em que – mais uma vez – um desapontamento com a política me tirou mais encantos, me tornou mais cético, mais cínico, menos sonhador. E quando o time perdeu, sem alma, sem brigar, sem fazer furdunço dos indignados – ainda que papelão de derrotado, projetei, me vi no espelho, bovino e pronto: prum trabum crac. Gesso.

Tirei esta semana o gesso. E tá doendo muito, tudo. A mão inchada pelo mês parado. Aquela sensação que sua mão parece um pão. O dedo não dobra. A articulação parece a interlocução do governo Dilma com a sociedade, dura, macilenta. O metacarpo? Tá lá, escondido, desviado um cadinho. Passou medo pela cabeça, de nada voltar a ser como antes. De não conseguir me desvencilhar desta porcaria de dor. E me odiei mais um cadinho, neste exercício de perseguição que a gente comete quando faz uma cagada monstruosa, como esta que relato.

Mas neste mês de gesso, olha lá, finalmente fiz uma planilha excel para uns cálculos de uns processos. Antes, fazia todo o trem de cabeça, anotava, pensava. A tal planilha revolucionou o mundinho do meu trabalho, meu mundinho chato de escritório e saíram mais cálculos, tirando um pouco de peso dos atrasos acumulados. E aprendi a usar a esquerda para muitas e muitas coisas. E percebi também o quanto este mundão é despreparado para quem tem restrições de algum tipo… Do ônibus ao banheiro.

A esquerda…. a mão esquerda…. Era ela uma companhia fina quando era adolescente. A piada era boa: Se masturbar com a esquerda dormente dava a impressão de que era outra pessoa a fazer o ato… Uma arte deliciosamente canhota.

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NU RECLINADO COM O CABELO SOLTO, 1917, ÓLEO SOBRE TELA DE AMEDEO MODIGLIANI/OSAKA CITY MUSEUM OF MODERN ART

Pensando bem, a esquerda… bati de novo a punheta sagrada. Devíamos nos masturbar mais e quem sabe a punhetação do resto das cousas não nos incomodasse tanto. Há punhetas e punhetas, cabendo a nós – desconfio – qual masturbação escolher.

Pequenos prazeres biscates: faça você mesma

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

 #PequenosPrazeres

masturbação

Ouviu seu grito de gozo e viu que era bom. E aí se fez uma paz e uma alegria tão grande dentro dela que adormeceu. Ali ao seu lado, repousavam os objetos companheiros daquele orgasmo todo: seu vibrador e o já quase findo, lubrificante.

Tinha muito tempo que a moça se esquecera desses pequenos prazeres solitários. Há muito tempo que não gozava assim, para a casa toda ouvir. As paredes e seus tijolos e tintas, o sofá, o criado-mudo, as janelas e as cortinas. Havia, novamente, gozo naquela casa. Havia prazer.

Achava que não sabia mais gozar sozinha. Tinha tanto tempo que não se tocava, que não se amava, que não sentia tesão por si mesma. Andava muito ocupada com o mundo lá fora, que se esquecia que era necessário gozar a vida. Em todos os sentidos.

Naquele dia preguiçoso, em que não precisava trabalhar nem lavar louça, nem cuidar do mundo um segundo sequer, podia se dar ao prazer, ao desfrute, às carícias. Lembrou do último moço com quem havia se encontrado e lembrou o quanto foi bom. Levou a mão até a buceta e começou a mexer devagarinho, sentindo os pelos e a pele tão macia. Estava molhada, mas ainda não era suficiente. Lembrou da sua caixinha guardada no baú.

Acordou de um sonho daqueles tão bons que nem dá vontade de sair dele. Sonhara com um moço alto, moreno, de sorriso largo e uma moça de camisola transparente preta. Eles não se falavam, mas se conheciam e transavam os três ali numa espécie de esteira, numa sala aberta com muitas pessoas passando.

Acordou molhada. De novo. Sentindo um tesão enorme. Não teve dúvidas de que era chegada a hora de gozar, gozar como se o mundo fosse se acabar todo ali, estupefato com seu sexo molhado, inchado, macio e ávido para botar fim naquela deliciosa agonia, ansiando pela petit-mort.

 

Masturbação também é coisa de mulher

Onze anos. “Você ficou mocinha!” Não entendi bem. Ainda era uma moleca completa, que se preocupava mais em subir em árvores do que em paquerar ou aprender maquilagem, e não via muito sentido nessa história. Então a parte que registrei foi: a partir de agora é isso todo mês, incluindo as cólicas, e você já pode engravidar (socorro!!!).

Quinze anos. Adeus virgindade. Conclusão: sexo é um troço que dói pra caralho, e tirando isso, não entendi porque falavam tanto nele. Mas estava apaixonada…

Dezoito anos. Sozinha no quarto, resolvi insistir na tal da história de mexer no grelo, que já tinha tentado antes sem ver nenhuma graça. Surpresa! Insistindo, ficava bom. Primeiro orgasmo.

Quarenta anos. Caminhos todos descobertos.

Será?

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Garotos brincam de corrida de submarino. Garotas brincam de casinha.

Homem vê pornô pra bater punheta. Todo mundo sabe, todo mundo brinca com a coisa, todo mundo aceita. Aí você vai perguntar sobre o assunto para uma mulher, constrangimento imediato.

 Passo no sex shop, depois vou tomar um café com uma amiga, mostro a nova aquisição. O olhar dela é de criança fazendo arte escondida. Digo que, para mim, o único problema de um pau industrializado é que não vem com ombro… E ela acaba me confessando que também tem um. Mas quando a conversa surge tempos depois, com outra amiga do lado, ela finge que não sabe de que se trata. Eeeeuu? Imagina.

Mas gente… qual o problema? Mulheres se masturbam. Ponto. E têm vergonha de assumir que usam brinquedinhos? Ou mesmo sem eles, que mulher conta para outra de que forma se masturba? Pouquíssimas.

 Um amigo me descreve em detalhes como masturba as namoradas. E eu fico pensando que a forma dele parece infinitamente mais poderosa que a minha…

Aí entro em um site e abro a categoria de mulheres se masturbando. Coisa que nunca tinha pensado em ver. “Ah, isso é pra excitar homem, pra que eu quero ver outra mulher se masturbando?” E não é que a coisa é educativa? Há vários modos. Não só o meu. E alguns são bem interessantes…

 Por que a gente não conversa sobre essas coisas? Por que tem de ser um caminho trilhado sozinha, às cegas – às apalpadelas… Por que quase não trocamos dicas e informações? Cadê a confraria feminina do bem? Por que ela não atua em prol do nosso prazer? Quem disse que se ele não envolver um parceiro é coisa para ser escondida? Vamos democratizar as informações, minha gente. Eu tenho várias dúvidas, vocês não tem? Por exemplo, será que as diferenças na “anatomia íntima” influenciam no tipo/intensidade de estímulo de que uma mulher precisa para gozar? O Ponto G, esse desconhecido… sei muito bem onde o meu está, mas tenho problemas em descobrir o que/como fazer com ele… Por que algumas mulheres gozam tão facilmente com sexo oral, e outras nem a pau, Juvenal? Verdade que tem mulher que goza pelo rabo, sem nenhum estímulo no grelo?

 Já ouvi relatos de mulheres que foram ter o primeiro orgasmo aos 40, com a duchinha do banheiro. É uma forma. Vibradores? Já descobri que a intensidade da vibração nem sempre basta para gozar… se for baixinha, acaba só sensibilizando, e se tornando desconfortável. Filmes, livros? Ajudam, abrem o apetite. Quanto a filmes, odeio os americanos, onde tudo parece plastificado. Tenho um critério básico pra gostar de um filme: a mulher tem de estar se divertindo também. Pragmaticamente: a buceta tem de estar molhada. Só isso não garante, é claro, pode ser um gel qualquer, mas nada me incomoda mais do que ver um filminho onde um homem com um caralho gigante fode sem parar uma mulher seca. Tudo o que consigo pensar é em incômodo.

Mas há filminhos amadores bem interessantes e excitantes. Há fetiches para todos os gostos. E hoje já é fácil encontrar a categoria “Orgasmo” (feminino) em vários sites. Em geral são de squirting, porque sabe como é, filmes feitos por homens, eles acham que se não esguichar alguma coisa não vale como happy end. Mas mesmo assim alguns são ótimas inspirações para auto-punhetagens.

Aí vem a coisa em si. Percebi que tenho um ritual meio fixo de punhetagem. Sentada ou deitada de barriga pra cima. Primeiro mamilos, até dar um grau, depois grelo, movimentos laterais-circulares. Às vezes penetração, com dedos ou vibrador. (Nessas os orgasmos são muito mais intensos. Não me perguntem por que não faço sempre assim então, porque eu também não entendo…)

Mas vendo os tais filmes de masturbação, confirmei a minha impressão de que havia muitas outras formas. Mulheres que cavalgam travesseiros até gozar. Mulheres que enfiam dois dedos na buceta enquanto estimulam o grelo um pouco mais pra cima do que eu. Mulheres para quem um ovinho vibratório encostado no lugar certo é suficiente para orgasmos intensos. E por aí vai.

(Detalhe: tirando os filmes de fetiches, não vi nenhuma se masturbando com vibradores em tamanho ator pornô, o que confirmou minha teoria de que a geral prefere o standard plus, e essa coisa de enormidades é só fixação masculina mesmo.)

 Achei também esses dois vídeos, super explicativos. Meio toscos, mas, na falta de melhores, já ajudam.

 

E você, qual o seu estilo? O que já aprendeu que vale a pena compartilhar? Que tal quebrar esse contraproducente pacto de silêncio? 😉

 

De você para você mesma

Nunca. Nunca mesmo vou me esquecer de um livro que li, com o seguinte título: A Moça e Seus Problemas. Não sei dizer com certeza em que ano ele foi escrito, mas tudo indica que tenha sido no início da década de 50, por um médico chamado Haroldo Shryock. Este livro aborda temáticas sobre  sexualidade e comportamento e fiz essa leitura quando tinha uns 15 anos de idade. Aquele momento decepcionante em que você passa por um sebo, julga o livro pela capa e pelo título, compra e… Enfim.

Como esperado, a obra reflete amplamente os valores morais extremamente conservadores da época. Fala sobre como uma moça virtuosa deveria se comportar, sobre namoro, sobre como a “imprudência” da juventude poderia ser um caminho sem volta para a “perdição”, sobre aspectos biológicos do corpo da mulher, de onde vem os bebês, sobre o que fazer com aquela “coisa nojenta” chamada menstruação e por aí vai. Mas o mais ah, digamos, assustador deste livro é a forma como a masturbação é abordada. Dentre outras questões, há menções de como esta pode prejudicar a saúde e levar uma pessoa – principalmente uma garota – à loucura irreversível.

Você aí, que tem plena consciência de que estamos no ano de 2012 e que agradece por estar livre desse tipo de pensamento acha mesmo que hoje está tudo 100% bem?

Não gente, não está. Conheço pessoas que jamais tiveram coragem de se tocar. Que acham isso feio. Que têm vergonha ou (!!!) nojo. Que pensam que esse tipo de estímulo é imoral e profano.  E penso que este é um resquício daquela época (somado a muitos valores religiosos). Ficariam surpres@s se eu lhes dissesse que essas pessoas que conheço são mulheres? Mulheres independentes financeiramente, inteligentes, queridas… Mas que não conseguem manifestar um amor genuíno pelo próprio corpo. Pessoas que não se sentem a vontade para descobrir a delícia que é dar carinho e prazer para elas mesmas.

Agora, como será a vida sexual de alguém que não conhece o próprio corpo?

Não, eu não sou extremamente experiente no assunto. Não sou médica, nem psicóloga e nem tive vários parceiros ao longo da minha vida. Só que é bem triste pensar que ainda há esse tipo de mentalidade circulando por aí. Que há inclusive quem pregue que é assim que tem de ser. Ainda existe uma permissividade em nossa educação que acha que o ato de marturbar-se é conveniente e saudável para os garotos. Já para as garotas, é sujo e inapropriado, devendo ser coibido.

Masturbar-se não é indecente. É normal, saudável, gostoso e importante. É algo da gente para a gente mesmo. Mulheres, é algo de vocês para vocês mesmas. Não há porque ter vergonha ou nojo. O corpo é de vocês e ele precisa – e merece – que vocês o conheçam melhor. Afinal, como querer dar prazer para alguém se não conseguimos fazer isso nem por nós?

Tive que amadurecer mais um pouquinho para entender que não é a moça que tem problemas… Mas sim aquele livro. E quem, nos dias de hoje, usa argumentos remanescentes dos anos 50 para profanar algo que é tão natural quanto comer, beber água ou dormir.

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