Vênus em Via Combusta

Não, esse não é um post pra falar de astrologia… tem muito mais gente competente pra isso do que eu… mas é pra pegar o mote de Vênus estar passando pertinho dO SOOOOOOL (você imitou a Alcione mentalmente) com perigo de se queimar.

Paula Rego

Esse post é sobre se queimar! No bom sentido… é sobre aproveitar essa via combusta (ui) e deixar o desejo (Vênus) exposto à irradiação… Sim… esse post é sobre superar medos. Medo de se expor, medo de sentir, medo de ser correspondido no sentir.

Pode parecer até ingênuo, mas o fato de se expor é o mais difícil para se atingir o desejo. A não ser que você seja facinho (e é uma delícia ser facinho), a biscatagi é um convite a ser mais facinho com o próprio desejo. E, principalmente, não ter medo de exercer esse desejo!

Sim, porque se engana quem acha que o desejo é um sentir… O desejo é um exercer… é um fazer circular gestos, intenções, palavras, atrações… O desejo só vale na medida em que ele executa, senão o nome é diferente, é frustração.

Por isso, é bom aproveitar a desculpa de vênus em via combustão par se queimar um pouquinho… Pra soltar o desejo, mesmo que ele seja pego pelo rabo… vai que quem pega no rabo dele, pega bem…

Uma gaiola e um passado nem tão distante

If you were a king up there on your throne
Would you be wise enough to let me go?
For this queen you think you own

Wants to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go

Ela acreditou que, talvez, o erro estivesse na escolha, homens mais novos eram dependentes. Então, após um término doloroso, ela decidiu tentar a sorte com um homem mais velho, um cara que aparentava ser carinhoso, doce, que faria tudo para ela se sentir feliz e mimada.

“Ele é mais velho, já é pai, não vai pressionar para ter um compromisso, filhxs, nada disso.” pensava ela. “Ele já viveu coisas ruins, tem uma bagagem maior, sabe que nada dura para sempre.” foi seu primeiro julgamento desse relacionamento.

E realmente ele era um cara com uma certa gentileza e cuidado, uma gentileza sufocante, um cuidado que a escravizava a cada “preocupação”. Ela acordava e tudo já estava pronto, ele preparava café, se ela pedisse, até passava suas roupas. Também queria pagar a conta, o táxi, queria saber onde ela tava.gaiola

Sua vida era recheada de decepções amorosas, mas ele acreditava piamente no amor eterno, no “para sempre”. Acreditava também que ela deveria nem se preocupar com camisinha, afinal, ele cerceava sua vida, não a deixava viver, e ele vivia para ela e por ela, que não tinha a possibilidade de acontecer traições. Falando em traições, quer traição maior que prender um passarinho numa gaiola? Mesmo com a porta aberta, alguns não saem por medo, insegurança ou simplesmente por acreditar que, mesmo ruim,é melhor isso que nada.

Ela estava em uma gaiola de porta aberta,uma gaiola feita de pressões psicológicas, onde era um absurdo ela não querer filhxs, onde a camisinha era um assunto que ele queria conversar depois de transar, sem camisinha. Cada pressão pelo uso da camisinha,ele aceitava como se fizesse um favor, afinal, não tinha necessidade usar entre eles, ele a amava de verdade. Era muito mais segurança que qualquer camisinha. E ela se sentindo cerceada, engaiolada. Querendo voar, para uma floresta onde a camisinha não seria um favor para ela, e sim parte da relação saudável de 2 adultxs. Onde não querer ter filhx não fosse uma coisa estranha, onde ela “mudaria de opinião assim que estivesse na idade certa de ser mãe….”  afinal, toda mulher quer ser mãe.

E quando ela voou e se encontrou livre do caçador, eis que, meses depois, ele se sentiu no direito de procurá-la para desejar boas festas. Quando ela o cortou, ele quis discutir relações, sendo que esse “mal entendido” nunca foi um mal entendido, foi um pesadelo. Ela tá livre, não quer ver nem de longe a gaiola!

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