Todas Essas Coisas Sem Nome – 2o Capítulo

Esse é o segundo capítulo do livro de Raquel Stanick intitulado Todas Essas Coisas sem Nome. Sua primeira, única e artesanal edição encontra-se esgotada.

Os capítulos seguintes serão publicados quinzenalmente aqui no Biscate Social Club. As ilustrações utilizadas nos posts serão da mesma autora, vindas da série Ceci n’est pas un blog.

Boa leitura!

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Entrei no chuveiro gelado. Esfreguei com força a boceta. Penteei os cabelos com raiva. Nunca pensei que no inferno era tão frio.

A estação continua. Ainda não choveu o suficiente.

Enquanto eu observo os galhos secos das árvores lá fora, lembro-me das veias nas mãos da minha avó. Eu fumo enquanto penso na minha avó. Se ela gostaria de você…

Olho minhas mãos com extrema atenção enquanto levo o vinho aos lábios e acendo um cigarro no outro.

Tenho andado aterrorizada com mãos que tremem e esfregam.

Sou apenas mais uma boceta no mundo. Num corpo que sente, pensa, e acha tudo tão ridículo. Meu coração está entre as pernas, você me contou e eu só queria o desejo de me tocar e enfiar-me dedos, mas é inverno, querido, é inverno.

Só consigo lembrar é da minha avó que já morreu.

E tornar a encher o cálice de mais vinho.

(link pro prefácio e primeiro capítulo)

Vestida de onça pintada

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Carminha é vendedora de frutas lá em Pirapora, minha cidade natal, no sertão de Minas Gerais. Conhecida como “Mulher-Tigre”, na verdade, ela é mesmo uma onça! Há mais de 20 anos ela só se veste com roupas de estampa print animal, “inclusive nas peças íntimas”, me contou safadinha, da vez que conversamos.

“Me vestir assim é minha missão de vida”, disse, sem entrar em detalhes e me deixando mais atiçada ainda. A lenda que corre é que ela teve um marido abusador, que a maltratava física e emocionalmente. Belo dia, esse homem, metido a caçador, teria saído pela mata e sido engolido por uma onça. Desde então, Carminha assumiu essa espécie de luto perpétuo subvertido.

Até tentei confirmar isso que me parece uma história pra lá de instigante. Ela nada disse. Apenas riu.

Uns anos atrás foi publicado um texto apócrifo em Pirapora ridicularizando “personagens curiosos” da cidade. Carminha estava lá, num contexto de galhofa que misturava comentário sobre sua aparência e “piada” homofóbica sobre seus filhos.

Com que facilidade uma mulher se torna alvo de patrulha por não seguir um padrão, qualquer que seja ele, né? O do dress code cotidiano, por exemplo, sobretudo aquele apontado como o “mais adequado” a uma senhora. Ainda mais se tratando de uma senhora que, no folclore local, ao invés de render homenagem ao marido morto decidiu homenagear a onça que o teria devorado!

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E por mais que eu fique tentada a dessa história escrever um conto, o caso é que, no final das contas, qualquer elucubração pretensamente literária esbarra mesmo nas perguntas mais simples: por que Carminha não pode se vestir da maneira que quiser sem contar ora com a condescendência, ora com o desprezo disfarçado de ironia por parte de alguns? Por que Carminha foi parar num panfleto covarde, porque sem autor, por sua maneira de vestir?

Ainda que seja amada na cidade, porque é, nem sempre as pessoas se abstêm da ironia ao se referir ao seu estilo.

O que me consola, nesse caso, é que ela não parece se importar nadinha com a opinião alheia. Porque ela passou ao largo do disse-me-disse machista e do texto barato e continua se mantendo fiel às suas escolhas de moda.Quer conhecê-la, é só ir lá em Pirapora. Da rodoviária mesmo basta perguntar onde fica a banca de frutas da “Mulher-tigre” ou ‘mulher onça”. Qualquer um sabe.

Recebe muitos presentes, de bichos de pelúcia a livros, de todos os lugares do mundo. Em um desses livros, me disse, aprendeu que há vários tipos de onça: grande, pequena, albina, mas que a mais valente é a onça pintada.

“Mais valente que o leão!”

Nem Sempre

Não tenho raiva de você nem nada disso. É claro que eu sinto sua falta. Nem sempre, não todo dia. Às vezes. Lembrei de você dia desses. Lembra da mulher do seriado que a gente via e que não conseguíamos identificar de onde a conhecíamos? Então, a reconheci em outro seriado. Engraçado, né? Tanto tempo depois e lá estava ela. Queria ter te contado isso na época. Achei que você ia gostar de saber. Ah, e lembra aquela nossa série favorita, que vimos tudo de uma vez num fim de semana só? Pois então, achei a segunda temporada. Já viu? Ai, assiste, você vai gostar.

Talvez você ache irrelevante ou até mesmo bobas as lembranças que me trazem você. Mas saiba também que sinto falta do teu peito, de entrelaçar meus dedos nos seus pelos, de coçar tua barba depois do sexo. Sinto falta de gozar na sua mão. Nem sempre, não todo dia.

Te contei que vou viajar? Vou. Decidi, pedi as contas, aluguei o quarto, raspei a poupança e vou. Vou começar por Cuba. É, a gente pensou em ir pra lá um dia, quando nossas férias coincidissem. Você dizia que eu tinha que conhecer, que era a minha cara. Eu também sempre achei isso. Aí agora, resolvi ir. Vou ficar hospedada pertinho do bar em que você diz que tomou um porre de rum com Win Wenders. Você sabe que nunca acreditei nessa história, né? Mas sempre gostava quando você contava e mudava sempre alguma coisa. Mas, vou lá. Quem sabe não dou a sorte de vê-lo, né?

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Bom, é claro que vou me lembrar de você quando estiver lá e mais certo ainda que vou ansiar pela sua presença. Mas sei também que estarei feliz por estar viajando pra um lugar que sempre quis conhecer, sozinha, treinando meu tão enferrujado portunhol, descobrindo outros bares, outras paragens e outras pessoas. Sentirei sua falta, mas nem sempre, não todo dia.

E daqui uns meses quando eu voltar, quem sabe terá chegado o dia – o tão aguardado dia – em que sua ausência não será mais sentida. E também chegará o dia em que você vai falar de mim sem saudade, sem tristeza e sem rancor. O dia em que nossas presenças serão indiferentes. E nesse dia, poderemos nos sentar no nosso antigo bar preferido, beber e brindar à vida que seguiu seu rumo lenta e todo dia.

Mais e Menos

Ainda bem menina do juízo ouvi falar de Freud e da ideia de que viver é um estado permanente de incompletude. De que a possibilidade de ser/existir advém justamente dessa impossibilidade de ser-todo que nos estrutura. E para mim isso fez – e continua fazendo – todo sentido. Além, isso me proporcionou uma bem vinda liberdade, especialmente no que tange a relacionamentos.

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Saber que não é possível a metade da laranja, a tampa da panela, o encaixe perfeito, o sapato velho pro pé cansado (qualquer que seja a alegoria preferida), me fez lidar de maneira mais solta com as idealizações, demandas e expectativas tão disseminadas na cultura a respeito do amor romântico.

Não importa o quão bom seja o relacionamento, não importa o tanto que o moço ou moça nos faça bem, não importa o quanto a gente se acerte, se ajeite, se curta, vai ser menos do que o que nos completa (ainda bem). Reconhecer isso geralmente me garante duas frentes:

1) ter a monogamia como algo irrelevante nos meus vínculos: saber a minha incompletude é, também, reconhecer e respeitar a das outras pessoas. Sentir que ninguém vai ser capaz de me completar (inclusive ninguéns, porque não é uma questão de quantidade) me faz lidar de forma leve com o fato de que eu também não sou “o que basta” pra alguém. Que o que falta ao outro, para além de mim, se encontre ora em um disco, em uma caminhada, em um programa de tv ou em sexo onde eu não estou envolvida não implica na diminuição, aviltamento, whatever, do que a pessoa sente e vive comigo.

2) amenizar aquele momento pós lua de mel dos afetos: a gente se encontra, se esbarra, se roça, se enrosca, se encanta, mergulha. A pele arde, o corpo pede, palpitação, falta de ar, deslumbramento. Gozo. Muitas vezes se pensa: agora vai, é essa “A” pessoa. E quando o desassossego encontra o cantinho dele no peito que lhe é de direito (seja primeiro no nosso, seja primeiro no do outro), sem a ideia da incompletude ali na mesinha de cabeceira, a desilusão com a outra pessoa, com a gente, com os relacionamentos de maneira geral cai na cabeça que nem piano em desenho animado da infância.

Lembrar que a impossibilidade da completude é o que nos define e nos possibilita viver me ajuda a reconhecer meu desejo e lidar com ele. Seja para partir em busca do coração em descompasso e da sensação de inebriante bebedeira de um começo outro com outro pequeno vislumbre do encontro perfeito, seja para respirar, puxar o cobertor mais um pouquinho pro meu lado, encaixar no abraço e seguir.

É que, penso eu, não há garantias. Não há escolha certa. Saber o não-toda tem uma beleza silenciosa que é acolher, em antecipações, o que vem. O que faremos de nós. O que nos acontecerá e o que faremos com isso. Vem, vida. Sentir que amor e felicidade não vivem uma relação causal, que felicidade é nas horinhas de descuido, alivia.

Então eu falto, eu falho, eu tropeço, eu manco. Eu não-toda. Buracos. Espaços. Às vezes úmidos de lágrimas. Mal não há, o molhado faz o fértil, tantes vezes. Então o mais, o além, o depois, o também. Então o desconforto, o desassossego, o desmantelo, a demanda. Então o repouso, o morno, a certeza, o descanso. Então os encontros, as marés, as danças, os ritmos. Tudo menos do que. Bonito. Gostoso. O vão, a brecha, o intervalo, lacuna. Os outros. E a voz da Elza Soares no peito:

Do Que é Preciso ou Pollyanna, Eduardo e Outras Crianças

Se o Pequeno Príncipe não é muito bem visto, imagine a Pollyanna. Paciência, é com eles que sigo. Mas o que a Pollyanna veio fazer no meio da biscatagem? É que tenho lembrado muito dela e do seu jogo do contente. O jogo do contente consiste em procurar ver uma situação desfavorável por um ângulo mais animador. Pollyanna passa o livro inteiro ensinando esse jogo para todas as pessoas que conhece, procurando facilitar-lhes as vidas e garantindo que é mais gostoso viver desse jeito. Aí um dia morre uma pessoa e o amigo dela diz: olha, pelo menos a gente tal e tal (não lembro o que é, se é ficar sem ir a escola ou algo assim). E a Pollyanna explica que o jogo do contente tem essa ressalva, excepcionalmente não funciona no que tange a mortes. A morte é pra ser vivida completa e absolutamente. É preciso sentir o quando, o onde, o porquê. É preciso saber a perda. É preciso sofrer a perda. É preciso chorar a perda.

Não há nada que justifique desviar os olhos da morte do menino Eduardo Ferreira Calei. Não há nada que justifique não acrescentar: do assassinato. Não há nada a aprender. Nada a tergiversar. Nada a amenizar, a minimizar. O menino Eduardo Ferreira Calei, dez anos, foi assassinado. É preciso saber: assassinado. É preciso sentir: uma criança foi morta porque morava em uma favela, era preto, pobre. É preciso chorar porque não sabemos o bastante, não sofremos o bastante. É preciso saber: não foi o único. É preciso sofrer: jovens pretos pobres são mortos apenas por existirem. É preciso engasgar em choro: nós somos cúmplices. Não há horizonte possível, não há humanidade possível, não há jogo do contente possível: o menino Eduardo Ferreira Calei foi assassinado. Ele era, não é mais. E nós, nós todos somos menos, por isso.

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Política de Extermínio: crianças mortas vítimas da violência no Rio entre 2007 e 2009 – Levantamento Rio de Paz

Chuá de saudades, Inezita

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

#nãomedeemflores #diainternacionaldamulher
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Uma mulher não precisa ser feminista de carteirinha ou sem carteirinha para ser uma grande mulher. Basta ser apenas uma grande mulher. E no dia 8 de março, o dia em que se comemora e tal o tal dia, perdemos uma grande mulher, uma das maiores brasileiras que tivemos: Inezita Barroso.

E este post curtinho é só uma homenagem minha a ela, e uma homenagem indireta a outar grande mulher: minha mãe, Teresa, que me ensinou a gostar de música, de arte, de cultura e em especial de cultura brasileira. Me ensinou a amar o Brasil.

Ë engraçado como as músicas que embalam a nossa infância nunca são esquecidas, posso cantar as modas de viola todas de cor até hoje e elas me soam mais doces e mais lindas que todas as outras músicas que conheço.

Inezita era mais que a grande dama da música caipira, era uma grande dama da cultura de raiz brasileira. Apresentou por 35 anos o “Viola Minha Viola”  na TV Cultura aos domingos, som que sempre embalou a casa dos meus pais e dos meus avós. Além de cantora ela foi instrumentista, arranjadora, folclorista e professora.  E como toda mulher forte e admirável, a moça de família tradicional, Ignez Magdalena Aranha de Lima, teve de brigar e desgostar a família para seguir carreira artística, tendo se formado primeiramente em Biblioteconomia, na USp. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

Mas o certo é que, durante esses 35 anos, Inezita manteve acesa  a chama da cultura popular caipira brasileira. Uma grande mulher que fará muita falta em nosso cenário cultural e humano, pois era queridíssima de todos que a conheceram.  Em nome de tantas mulheres que fazem muito pelo país e jamais levantam a bandeira feminista é também o dia 8 de março, pois a luta às vezes também é feita de pequenos atos, como seguir em frente pela carreira que se ama, pela cultura que se ama. Esse post é também uma homenagem a tanta mulheres que sacolejam em ônibus lotados pelo pão nosso de cada dia. Talvez elas escutem pérolas do nosso cancioneiro popular nas poucas horas de folga e cantem sem saber que quem manteve vivas essas músicas foi Inezita. Tomara que novas Inezitas surjam dessa músicas que a gente canta.

 

Agrada, mas não satisfaz

por Bianca Cardoso*, Biscate Convidada

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Não nos conhecíamos, mas nos reconhecemos como duas pessoas que gostam de sexo. Estávamos há pelo menos meia hora numa disputa onde os corpos ficavam bem encostados e os lábios muito próximos. No confronto de olhares, um mais direto e o outro se fazendo de bobo – mas foi ele mesmo que fez o gesto: correu a boca pelo meu pescoço, arrastou os lábios, os dentes e um gemido na orelha. Cedi, como não, e mergulhei para provar a boca carnuda que me desafiava com malícia. Passamos a tarde perdidos nesses novos sabores, em línguas afoitas, dois cegos se identificando.

No início da noite um pequeno descanso, um lado a lado silencioso e ofegante. Mas depois de insinuados os caminhos, eu já queria mais, mais beijos, bem quentes. Queria o outro se contorcendo, gemendo baixinho, respirando mais fundo, entregue às minhas mãos. Você quer? Sim. Eu conheço um lugar. Sim. Agora? Sim. Aqui? Sim. Os outros mesmos beijos e roupas que se empilhavam no chão. Nessa alternância de desbravamentos, uma insinuação de força nas mãos que usei pra empurrar seus ombros em direção ao colchão. Meio riso, meio tesão, ele deitou e se deixou como brinquedo novo pra diversão alheia. Sentado no seu quadril, olhos fixos naquele rosto relaxado, eu me esfregava enquanto decidia o que fazer. Com a outra mão, alisei seu peito, belisquei mamilo, escorreguei pelo braço até encontrar sua mão. Sem desviar o olhar, entrelacei os dedos e puxei em minha direção. Lambi a palma, entre os dedos, mordisquei e chupei, firme, o dedo médio, como convite ou promessa. Ele gemeu e tentou levantar o corpo. Neguei espalmando as duas mãos no seu tórax. Fica aí. Ele ficou.

 Mordi seu ombro sem força e deixei a língua molhar seus pelos até o umbigo. Pequenas contrações na barriga denunciavam os desejos, não sei bem se dele ou meus. Descobri seu pau, ainda não intumescido. Sem aviso nem preparo, enfiei-o inteiro na boca e lá o deixei, quieto, sem movimentar língua nem bochecha, apenas lá, enquanto minhas mãos deslizavam pra baixo, levantando-lhe o quadril e apertando com força sua bunda. Paciência, paciência e o pau, em espasmos, esquentou e cresceu entre meus lábios. Satisfeito, deixei que escorregasse pra fora da boca e passei a alternar mão e boca. Lambi desde a base, chupei só a cabeça, enfiei o saco na boca e fiquei chupando com ritmo enquanto apertava ora de leve ora com força. Mordi entre as coxas e suguei. Um tantinho descontrolado, segurei com mais vigor antes de colocá-lo inteiro dentro da boca. Estava gostando tanto de sentir aquele volume entrando e saindo que poucas vezes olhei para o rosto do dono do pau. Estava dominado pelo anseio de saboreá-lo. Meu corpo enrijecia e se movia como um espelho do prazer que ele parecia sentir. Seu quadril se mexia como a indicar o que, quando e como. Ali, mais forte, agora. A minha boca antecipava o quase. Quase nada se ouvia além do deslizar úmido do pau no movimento que já não era meu nem dele. O tempo. E o alerta: vou gozar – enquanto puxava meu cabelo com força, afastando minha boca e me obrigando a ver seu rosto meio distorcido enquanto o esperma quente escorria. Como um desafio a mais, lambi enquanto segurava seu pênis entre as duas mãos, acolhendo enquanto amolecia o tesão. Um cochilo, penso. Mas ele me puxa pra cima, me vira de bruços, monta e sussurra no ouvido com a cara mais cínica e toda a sua sinceridade peculiar:

– Agrada, mas não satisfaz.

10478212_885847744762498_1294414712196997681_n*Bia Cardoso teve uma curta carreira de escritora erótica entre 2005 – 2007. Esse texto é dessa época, quando ela ainda nem pensava no gozo de hoje. É autora do Groselha News e pode ser encontrada no twitter como@srtabia.

Dia Mundial Da Lembrança Trans

Por Daniela Andrade*, Biscate Convidada

O Dia Mundial da Lembrança Trans ocorre anualmente no dia 20 de novembro. É uma data para relembramos todas as pessoas assassinadas por motivos transfóbicos.

O Dia Mundial da Lembrança Trans foi fundado em 1998 por Gwendolyn Ann Smith, uma mulher trans designer gráfica, colunista e ativista, para relembrar o assassinato de Rita Hesler em Allston, Massachussets. No que foi seguida por diversas pessoas trans ativistas e pessoas aliadas da comunidade trans em São Francisco, que decidiram que era hora de lembrar de todas as demais pessoas trans assassinadas em diversas outras cidades.

Rita era uma mulher trans negra que foi brutalmente espancada e recebeu 20 golpes de faca no peito em seu apartamento por um homem desconhecido. Seu corpo foi encontrado no dia 28 de novembro de 1998.

À polícia, sua irmã contou que na noite anterior Rita foi vista na companhia de dois rapazes em um bar, sendo que um dos quais a seguiu até em casa. O suposto assaltante não levou qualquer joia, dinheiro ou objeto de valor de seu apartamento. O Boston Globe informou na ocasião que Rita trabalhava como prostituta com o nome de Naomi, mas que não há qualquer evidência de que ela tenha sido atacada por um cliente.

Muitas pessoas da comunidade trans norte-americana sustentam que se tratou de um crime de ódio por conta da forma brutal com que houve o assassinato, com diversos hematomas e escoriações pelo seu corpo e tendo o assassino não roubado qualquer objeto de dentro de sua casa. Esse fato levou a comunidade trans e seus aliados a fazer uma vigília com velas acessas e a promover uma marcha em Allston, em dezembro daquele ano.

Desde quando foi fundado, o Dia Mundial da Lembrança Trans, conhecido internacionalmente pela sigla TDOR, angariou diversas pessoas preocupadas com os assassinatos das pessoas trans.

Em 2010, 185 cidades em 20 países fizeram manifestações em função do TDOR.

Geralmente são lidos nesses atos os nomes das pessoas trans que tiveram suas vidas ceifadas no último ano em função da transfobia. Lembrando aqui que como esse tipo de crime é subnotificado, não sabemos exatamente quantas e onde são as pessoas trans assassinadas por motivos transfóbicos. Os atos geralmente contam com pessoas fazendo vigílias com velas acesas, exposições artísticas, apresentação de filmes e diversas marchas.

Members of the Gay, Lesbian and Transgen

Sendo o Brasil o país campeão mundial de assassinato de pessoas travestis e transexuais, é importante também relembrarmos a memória de tantas pessoas dessa comunidade, extremamente vulneráveis e invisíveis, que perderam suas vidas em função do ódio que a sociedade nutre contra as pessoas que possuem uma identidade de gênero divergente da maioria. Um país em que a expectativa de vida de uma travesti ou mulher transexual é de apenas 30 anos.

daniela andrade *Daniela Andrade é uma mulher transexual, membro da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/Osasco, diretora do Fórum da Juventude Paulista LGBT, Diretora da Liga Humanista Secular, que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou.

Para voltar a ter medo

Por Andrea Moraes*, Biscate Convidada

Ninguém quer sentir medo. O medo é desses sentimentos desprezados, desqualificados. Ser medroso é um xingamento. O medo, já dizia um daqueles moços que inventou o “Contrato Social”, ou uma de suas versões, é o que faz o Homem depositar tudo o que tem na esperança de ser vigiado por Outro. Ele pode paralisar, destrói silenciosamente qualquer aposta de futuro. Definitivamente, o medo não é boa companhia. O medo vem em muitas embalagens, grandes e pequenas, de formas e pesos diferentes. Mas, não importa muito como venha, é sempre ele, onipresente, avassalador.

Quem não se lembra das historinhas infantis onde o medo é ingrediente fundamental? Tem até a versão do Chico Buarque para o tema: Chapeuzinho Amarelo, amarela de medo! Além das historietas mais moderninhas que querem fazer as crianças “aprenderem a refletir sobre… blá-blá-blá”. Na adolescência tinha Stephen King, o máximo dos máximos, tudo de bom. E aquelas tardes no cinema gritando de horror, beijando loucamente e deixando a mão dele deslizar e apertar enquanto se vivia o susto e o êxtase. Ai, o medo, como era bom!

Em algum momento da minha vida eu parei de sentir medo. Ele simplesmente me abandonou por um longo período. Não senti falta. Na verdade, eu não me dei conta de que a previsibilidade, as certezas, aquele gosto de rotina só existiam porque ele tinha ido embora. Nada contra esse mundo de relojoaria suíça, eu gosto dele assim. Pés no chão, coração tranqüilo. Uma pessoa pode viver assim por um longo tempo. Para alguns, poder viver assim é tudo o que se pede. Mas, eu confesso que sinto falta de ter medo. Sinto falta da potência que ele despertava em mim.

O bom do medo é que ele se instala sem aviso. O medo vem pra bagunçar o coreto. Aguça os sentidos, traz vertigens, a fantasia. O absurdo vira seu vizinho e estão abertas as portas pra tudo e qualquer coisa. O medo, se vivido em todo seu esplendor, é uma força criativa, faz o impossível. Sentir medo, meus amigos, pode ser libertador. Mas, para isso, há que abraçá-lo sem peias, sem pudor. Entregar-se ao medo sem resistência é o que faz dele o melhor sentimento do mundo. O medo não se combate, se acolhe. Apontar para o medo, mostrar que ele está ali respirando ofegante ao seu lado, animal colado na sua pele. O medo que é, antes de tudo, cria da sua costela e não algo que vem de fora, do outro. Não! O medo está todo ali em você, é sua obra mais espetacular, o testemunho da sua vida. O medo é o seu filho torto, e não aceitá-lo é a receita para alimentar o que ele tem de menos encantador: a atrofia. Acolher o medo é o que ainda nos falta pra viver melhor.

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AndreaBiscate

*Andrea Moraes [@M5Andrea] é carioca, pisciana, tem 43 anos, estudou antropologia e atualmente é professora universitária. Gênero e feminismo são temas de seu interesse constante.

 

Não me Arrependo

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Amor, eu não me arrependo de você. Não me arrependo do tempo que esteve na minha vida, não me arrependo de ter dado oi naquele aplicativo de pegação, não me arrependo do seu seu cheiro, não me arrependo do seu beijo, do seu corpo suado junto do meu. Não me arrependo da sua mão que subia pela minha perna, entrava na minha bermuda e pegava no meu pau no fundo do ônibus. Não me arrependo do sorriso safado. Não me arrependo da pouca grana, de ter me doado. Não me arrependo de te convidar pra morar comigo sem te conhecer direito. Não me arrependo das brigas, das mancadas dos desentendimentos.

Sim, eu não me arrependo. É, claro, ás vezes me pego pensando “e se eu tivesse agido daquele jeito e não daquele”? Se eu tivesse ligado? Seu tivesse mandado mensagem?  Será que ainda estaríamos juntos? Eu sei, amor, é apenas um exercício de imaginação. Não dá pra saber o que teria sido, sabemos apenas o que fizemos. E, sim, ás vezes acho que foi culpa sua, ás vezes acho que foi minha, mas daí lembro que não há culpa, nem desculpa, fizemos da nossa vida juntos  o que foi possível.

Outro dia aqui em casa entrei no quarto que era nosso e foi como se uma onda de memória me tomasse. Lembrei de quando chegava em casa cansado , entrava no quarto e te via dormindo. Era como no clichê  dos apaixonados porque parecia que o mundo parava naqueles segundos em que eu te olhava. E eu só saía desse estado de apaixonamento pra te beijar. Você nem se mexia. Foi assim durante meses.

Mas acabou. Assim como esse texto.

 

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*Maycon Benedito é da “província litorânea” de Santos e diz que se mostra como é e vai sendo como pode. Atende no guichê tuíter pela arroba @MayconBenedito.

Sete de Mãe, digo, de Maio

“Filhos, há que se ter essa coragem:
ir e deixá-los, deixá-los ir.” (Renata Lins)

Domingo é o dia das mães. Eu sou mãe. Uma mãe biscate. Laralilá. Adoro comemorações. Sou festeira. O que eu não sou é uma boa mãe. Nem má. Sou, apenas. Acho importante desmistificar isso que ser mãe é padecer no paraíso. É nada. Tem um monte de coisas boas e um monte de coisas péssimas. E uma porção de coisas que normalmente são boas mas que naquela hora são péssimas e uma porção de coisas que são péssimas mas, em alguns momentos, ficam até boas.

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Minha mãe é exatamente assim, como na tirinha. Dava jeito em tudo (em certos dias em que preciso de colo, ela ainda dá). O jeito que minha mãe dava sempre parece melhor que o jeito que eu dou (em uma análise feita por mim mesma se eu fosse minha filha). Já pro Samuel, o jeito que eu dou parece ótimo. Ah, os pontos de vista!

O certo, certo mesmo, é que eu só sou a mãe que eu sou, isso significando o que quer que signifique, por causa do Almir, o pai. O Almir fez possível uma maternidade mais tranquila e alegre. Ele estava sempre lá. Ele está sempre aqui. O Samuel, hoje, mora com ele. É ele quem cuida das coisinhas que a nossa sociedade, com seu apego aos papéis, credita às mulheres. Ele que olha se as unhas estão curtas, as tarefas feitas e a saúde em ordem. Sou muito grata por tê-lo como companheiro nos cuidados com o Samuel. Se eu sou a mãe que sou, com defeitos e acertos, é muito por sabê-lo aqui, perto, disponível e pronto pra tocar o barco. E, mais, só sou a mãe que sou pela incrível e amorosa rede de familiares e amigos. Suas dicas, sua disponibilidade, seus exemplos, suas perguntas, suas aporrinhações. Tudo que me fez tentar, pensar, mudar.

Ser mãe não é a coisa mais importante que sou. Nem a menor delas. Sou eu, como tantas outras coisas que sou. Não sou a “Mãe”. A cada dia vou dando ao termo “mãe” mais a minha cara, o meu jeito, o meu ritmo. Por outro lado, o exercício da maternidade vai me constituindo e caracterizando. Não vem primeiro o ovo nem a galinha, mas um omelete de frango, acho.

O certo é que tem memórias que, quando o peito dói, servem de bússola e alento. Como o dia em que fui, a pé, da Universidade ao escritório, tomando banho de chuva, barriga de sete meses, enorme, a sensação de prazer e liberdade. Ou amamentar. Amamentar pode ser complicado, pra muita gente é. Pra mim foi alegria e prazer desde a primeira vez (tenho vídeo provando, mas acho que ele não seria aprovado pela censura, o outro seio fica lá, exposto e descarado). Ou colocar o filhote pra dormir na rede. Ai, poucas coisas são tão gostosas na minha memória como aquele peso no peito, o cheirinho cativante e a respiração pausada. Às vezes que ele fica doente (eu sei, sou terrível) e procura a minha mão. Mesmo grande, 16 anos e quase 2 metros, quando ele tem febre e quer ficar aconchegado, meu coração dá saltos. Nenhuma dessas coisas é natural. Não vem no automático. São construções. O amor não é um dado. É um processo e o filho sempre, sempre, permanece um Outro, acho eu. Estranho, invasor, conquistador. Bárbaro, em todos os sentidos do termo. Quase sempre como a gíria.

mafalda - mae

Comecei dizendo: domingo é dia das mães e eu sou mãe. Equívoco, claro. deveria ser: “domingo é dia das mães e eu sou mãe do Samuel”. Ser mãe não é uma categoria abstrata a qual nos enquadramos. É uma experiência concreta que vai sendo o que que vou sendo e vai me tornando quem sou. Não sou Mãe. Sou a mãe desse moço aí, meio menino, meio rapaz, quase homem. Outro. Admirável, interessante, divertido, enraivado, carinhoso, impertinente. Ele. Eu. Nós.

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E hoje, pra terminar a conversa, hoje é sete de mim, digo, de maio. Já faz dezessete anos que você, Samuel, está por aí, por aqui, em mim. Já faz dezessete anos que você me surpreende, alegra, tira o ar, preocupa, enerva, confunde, enternece, dezessete anos que me comove. Dezessete anos e eu ainda sei tão pouco sobre você, sobre nós, sobre ser quem eu deveria ser com você ou pra você. Não sei estar, talvez, onde você quer. Mas estou onde você precisa, espero. Estou aqui pra você. Te amo. E tenho um orgulho danado de fazer parte dessa história que é sua, que é você. Parabéns, eu digo, por ser assim como é: em construção.

Quando o Amor Acabar

Eu ainda sinto a sua falta e aqui, onde dói em perguntas, eu reviso letra a letra imaginando como construí o abismo. Sei, claro que sei, que não foi nada que fiz ou disse, apenas a vida que afasta barcas que navegam entre portos distintos. Mas saber que a vida é maior que eu não conforta. E eu demoro no nunca mais. Nunca mais não saber o que te responder. Nunca mais a conversa instigante. Nunca mais me saber no seu olho. Nunca mais querer acertar. Nunca mais rir tão fácil. Nunca mais comparar expressões. Nunca mais um novo velho filme. Um velho novo livro. Nunca mais Minnie. Nunca mais cangaceira. Nunca mais ir longe demais e voltar, assim, segurando firme outra mão. Nunca mais aquele abraço em que sabia tudo tão certo. Nunca mais querer. Sinto falta disso, daquele vazio que era vontade de te saber em mim. Ninguém puxava meu tapete como você… Eu sei que você tem essa dor. Esse medo. Sei que o seu corpo se curva e sua testa se enruga nessa angústia tão mais material que a minha. E entender isso me dói tão mais. Porque já não sou eu que aliso essa ruga. Mais, porque já não quero ser. Porque não queremos. Porque sentimos falta, eu sinto falta, de quem éramos, de quem eu era com você. Mas já não quero ser aquela.  Apenas sinto saudades: de nós, de você, dela.

Em seu disco Almanaque, Chico perguntava, meio terno, meio ácido, pra onde vai o meu amor, quando o amor acabar? E ele não é o único, garanto. Tem uns, que nem o Leminski, que acham que nem acaba, se transforma. Uma outra coisa qualquer: alívio, raiva, aprendizado. Vira raiva – ou rima. É difícil saber quando o amor passa a ter outro nome em nós. Quando somos capazes de falar da pessoa amada sem que borboletas façam festa no estômago? Quando aprendemos a usar o passado imperfeito? Quando é outro o nome que pensamos em sobressalto? Saber quando acaba um relacionamento é um pouco mais fácil, mas nem por isso. Alguns acabam o relacionamento em um golpe seco. Outros arrastam alguns ensaios. Algumas vezes, ainda, o relacionamento acaba antes pra um dos parceiros e o outro demora a entender. Quando o relacionamento acaba há sinais externos, quase sempre. Já não fazemos as coisas que fazíamos, já não temos os compromissos que tínhamos, às vezes é preciso mudar de casa, de trajeto, de bar. Mas o amor? Como sinalizar seu fim? Como simbolizar o “nunca mais”? Quando acaba o amor, pra onde vai?

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Hoje já se tem resposta possível.  Quando o amor acaba pode ir pro Museum of Broken Relationships. Isso mesmo, um Museu de Relacionamentos Terminados/Acabados/Finitos/Findados, de Vínculos Rompidos, de Corações Partidos. Legados de um amor que já não é. Você, que teve seu amor e suas manifestações concretas e que, não tendo mais o primeiro não consegue conviver com as segundas, agora é só enviar pra Croácia! Nada mais de tocar fogo nos bilhetes, rasgar fotos, deletar emails, rebolar no lixo os mimos. Vai diretinho pra outra canção do Chico, ora… vai para as vitrines.

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Queria visitar, deve ser um tanto melancólico, é verdade. O vestido do primeiro encontro, o LP do aniversário de casamento, pelúcias, livros, a coleção de sutiãs. Objetos triviais, em si mesmo quase insignificantes, que encarnam o sentir e são, eles mesmos, narrativas condensadas. Tanta coisa por dizer, tanto futuro supostamente perdido, alguns arrependimentos, umas saudades. Alguma alegria recordada, espero. Objetos que dizem de vidas que já não são. Queria visitar, deve ser inspirador. Todos esses objetos que ocuparam tanto espaço, depois de doados, deixam o vazio pra que a vida possa ser.

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Fico pensando nas pessoas que doaram os objetos para o Museu. No que sentiam. Em como reordenaram o sentir com esse gesto. Aquele momento em que a gente deixa pra trás (fica mais bonito em inglês: let it go). Porque mandaram pra lá seus objetos? Uma forma de lidar com a dor? A compreensão de que a coisa já não comporta tudo que existiu? A ideia de que longe dos olhos longe do coração? A vontade de dar um sentido maior à sua perda pessoal?

E eu fiquei pensando nos meus findos amores. Guardo tudo, sabe. Poesia escrita em guardanapo, telegrama, foto, cartão, colagem, cartas, blusas. Eu não me desfaço de mim mesma. Tenho grande carinho por tudo que vivi. E gosto de reencontrar-me nos olhares outros que me disseram tanto. Lembrei de um episódio de How I Meet Your Mother em que a namorada atual do moço exige que ele se desfaça de tudo que ele ganhou ou comprou junto com os relacionamentos passados. Que ele abrisse mão de todos os objetos que contassem alguma história de amor que não fosse a deles. E, quando ela voltou a entrar no apartamento dele, não tinha mais quase nada. Uma certeza: somos quem somos, um tanto pelas pessoas que amamos, pelos relacionamentos que tivemos. Quando amo alguém que é, agora, mesmo desconhecendo o que foi e quem amou, amo também sua história. Há coisas que nem costumo lembrar que foram de um amor passado ai, num repente, a lembrança. O momento. A pessoa. Meu sorriso. Gosto de ter a vida que vivi por perto. Em mim. Como escrevi um dia desses: Estão em mim, os meus amores, no meu jeito de sorrir, nas histórias que repito, na ruga no canto do olho. Estão na pele, na curva do corpo, no balanço das mãos. Estão em mim. Eu sou todos esses amores. Enquanto eu for, eles são. Somos. Todo amor é eterno enquanto eu dure. Também estão nas coisas que apinho nas gavetas #SouDessas.

postbisca

Mas se fosse montar uma exposição temporária lá no Museum of Broken Relationships com as minhas despedidas: uma blusa azul. O LP Drama 3o Ato. Três cigarros. Sorvete de Flocos. Um bilhete de avião. Uma coleção de telegramas. Um ursinho. Um óculos com as lentes embaçadas. Um CD do Fito Paez. Um molinete. Uma foto na praia. Não, uma porção de fotos na praia. O que iria na sua mostra?

Museum of Broken Relationships anda por aí. Agora mesmo está na Cidade do México (link aqui). A exposição ficará lá até dia 08 de junho.

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