Menstruação é tabu na Índia. Só na Índia?

Hoje de manhã uma das primeiras postagens que vi ao abrir o Facebook foi uma noticia da Revista Exame, sobre um homem que revolucionou o absorvente na Índia. Compartilhei, pois achei fantástico, e várias outras mulheres compartilharam também.

E isso me fez ficar pensando em menstruação, absorvente e tabus. Mês passado, ao fazermos as compras do mês, estávamos eu e meu companheiro no supermercado, e eu com a lista na mão fui me dirigindo ao corredor de absorventes. Chegando lá, fiquei observando os preços e os tipos, antes de fazer minhas escolhas. Havia também outro casal hétero, e não pude deixar de notar o quanto os dois homens, meu namorado e o outro rapaz, ficaram de lado, meio acanhados (ou foi impressão minha, e na verdade é só desinteresse mesmo? Não sei.)

Tantas opções nós temos, mulheres ocidentais de classe média, que confesso que fico perdida. Coberturas secas, extra-secas, natural, que disfarça odor. Com abas, sem abas, noturno. Com abas, cobertura seca, noturno. E os internos? Mini, médio, grande, super. Serve para o fluxo ou para o tamanho da vagina (piadinha, é para o fluxo de sangue menstrual, dependendo da intensidade, não tem nada com o tamanho da vagina ou com a existência ou não de hímen.)

Tantas opções me lembram da cena do cappucino em “Mensagem para você”, onde Joe (Tom Hanks) pega um café na Starbucks, a maior rede de cafeterias dos EUA, e explica: “A única utilidade de cafés como Starbucks é fazer com que pessoas que não têm capacidade de tomar decisões tenham que tomar seis decisões somente para comprar uma xícara de café. Curto, longo, puro, com leite, normal, descafeinado, light, desnatada… etc. Assim, pessoas que não sabem o que estão fazendo na Terra ou quem elas mesmas são, por apenas US$ 2,95 não apenas conseguem comprar um café, mas também um senso de si mesmas que as define.”

 


Enquanto na Índia o tema é tão tabu que o inventor da máquina que produz absorventes baratos para mulhers na área rural, Arunachalam Muruganantham, foi ameaçado e acabou se exilando de seu povoado, e as mulheres tem tão poucas opções que o mero fato de menstruar as impede de decidir quem serão, as impede de serem quem querem ser.

(Em um texto publicado aqui mesmo, em setembro de 2013, se falou um pouquinho sobre o tema. A autora Mabelle Bandoli abordou o ponto da ritualização da menstruação.)

Minha abordagem é outra. A gente não fala muito. Nem entre nós nem entre homens que não menstruam (destacando que podem existir homens que menstruam, não é? Me corrijam se estiver errada).

Para começar, os tipos de absorvente. Cobertura extra-seca? Me dá alergia! Aquilo não é feito para ter contato com mucosa, gente! Especialmente nessas épocas de depilação “completa”. Como aguentar?

REPORTAGEM DE SAUDE - ANTICONCEPCINAIS

Absorvente interno? Copinho? Dizem que o copinho é fantástico, mas ainda não experimentei. As Blogueiras Feministas já escreveram sobre o coletor menstrual, aqui. E já postaram textos bem bacanas sobre o assunto, também, como podemos ver aqui e já propusemos o tema como blogagem coletiva, e vários links foram divulgados aqui, na Campanha da Segunda Vermelha. Vermelha, sim, é preciso destacar, porque até hoje campanha de absorvente coloca via de regra roupa branca (quantas calças legging brancas vocês tem, normalmente? ) e com líquidos azuis.

Sexo na menstruação? Para algumas mulheres, aumenta o tesão. Para outras, some. Algumas mesmo com vontade não se sentem a vontade. E quase nunca falamos disso.

Todavia, o tabu que temos aqui nem se compara ao vivido em outros lugares, por questões culturais e também, como provou o inventor indiano, por questões materiais/econômicas. Não consigo imaginar a situação em que vivem mulheres como a mãe e a esposa de Muruga e milhões, centenas de milhões, de outras mulheres e meninas pelo mundo.

“Fui criado por mãe solteira. Eu vi como minha mãe lutou para me criar, então eu quis fazer isto para ajudar outras mulheres a ganhar a vida para sustentar suas famílias.” E então ele diz algo tão comovente que é poderoso: Se você empodera uma mãe, empodera um país.”

Não consigo pensar em algo mais contundente para encerrar essa postagem, apenas que trocaria “mãe” por “MULHER”. Para que todas possamos ter ESCOLHAS e LIBERDADE, para escolher como vivenciar nossos corpos.

Um basta ao mito da “heroína incomodada”¹

Por Mabelle Bandoli*, Biscate Convidada

Algumas notícias veiculadas nos últimos dias em blogs feministas e afins, me colocaram o desafio de digerir um tema meio controverso e que vem me incomodando há algum tempo: a maneira como algumas militantes têm se proposto a repensar a menstruação e seus significados.

As disputas discursivas e simbólicas se manifestam em meios muito comuns aos nossos movimentos e vêm se apresentando em toadas que vão desde uma tentativa de resgate da “Deusa Mãe Fundamental” a fóruns da Marcha das Vadias, passando por artistas – ativistas que chegam a propor que o sangue menstrual pode ser matéria-prima para pinturas corporais.

Acredito firmemente na validade da desconstrução dos mitos em torno da menstruação e do corpo feminino e seus fenômenos, em geral. Presencio, como toda mulher, a guerra travada contra nossa sexualidade e as insistentes tentativas de transformá-la em algo sujo, pecaminoso, repulsivo. A era da assepsia extremada não nos poupa de antigos tabus, os reinventando de formas a cada vez mais rebuscadas e cruéis. “Ciclos”, “fluxos” e “incômodos” “daqueles dias” precisam ser combatidos como inimigos vorazes e contínuos, à espreita todo mês, prontos para nos transmutar em criaturas asquerosas e um tanto obscuras – já que o sangue que nos “jorra aos borbotões pernas abaixo” não é o suficiente para ameaçar nossa existência, como as hemorragias que acometem os “corpos humanos perfeitos e integrais” masculinos.

THERE WILL BE BLOOD, ensaio fotográfico de Emma Arvida Bystom 2

Mas a verdade é que eu não entendo muito essa reivindicação da “celebração da menstruação” proposta por algumas feministas. Essencialmente, porque acho que esse não é o melhor caminho para que as meninas e mulheres lidem de uma forma legal com o próprio corpo. No fundo, acho essa onda meio fetichista. Se é um acontecimento natural, essencial para os nossos corpos, acho que o melhor é que seja tratado exatamente assim, concordam? Sinto uma pegada meio estranha nisso tudo, uma reminiscência de como as mulheres de outras gerações celebravam o fato de as meninas “virarem mocinhas” e acabavam criando uma enorme pressão sobre a vida delas, com uma sobreposição imediata de um papel social de procriadora com um fato natural da vida.

Acho que a criação de expectativas é algo muito ruim quando tratamos de corpo humano – ainda mais de corpos femininos, historicamente tão vigiados, afastados da noção de humanidade, “sacralizados” quando inseridos na lógica da “Santa Mãe” e repudiados quando atuantes como seres complexos e autodeterminados. A ritualização da menstruação, a meu ver, é a outra face da lógica aristotélica que reafirma que a mulher é o outro do homem, o corpo imperfeito e faltante, “frio e seco”. Para o filósofo grego, a menstruação era prova cabal de nossa natureza imperfeita, de nossa incapacidade de aquecer o sangue e transformá-lo em substância mais nobre, o sêmen – semente da vida. Algo parecido só poderia mesmo acontecer com o empréstimo de calor gentilmente feito pelos homens durante o coito, o que nos permitiria gerar leite² para as crias.

sueca Emma Arvida Bystom

Não acho que esse processo se reverta com uma despropositada glorificação de algo que devia ser encarado com leveza, naturalidade, espontaneidade. Como no caso dos movimentos feministas ligados ao resgate do “Sagrado Feminino”, acho que isso tudo tem, na verdade, um potencial muito opressor, porque nos retira de nossas condições concretas, de nossa “natureza” que é cultural e biológica, intrinsecamente. Acho que as meninas que têm a chance de viver essa transformação em seus corpos de uma forma menos fetichizada têm mais chance de levar a vida de uma forma mais autônoma. Além disso, essa essencialização ancorada no corpo biológico nega às mulheres trans sua necessidade de autoafirmação e o reconhecimento dos seus direitos à livre experimentação dos seus gêneros – que, nos lembremos, é algo construído social, cultural e emocionalmente. Por acaso as mulheres que não menstruam, não engravidam, são menos mulheres? Insistiremos na perspectiva do silenciamento de suas vozes?

Enfim, acho que o caminho que segue pela ritualização de tudo não desemboca em outro alternativo ao que transforma a menstruação em tabu. Aliás, acho que é exatamente a mesma coisa, com vernizes diferentes. “Agora você entrou pro clube das mulheres e deixou a condição de menina”. Sente o drama? É uma conseqüência muito possível e usual dessa abordagem. Essencializar nossos corpos e gêneros me parece seguir na contramão de tudo o que os estudos e movimentos feministas produziram de mais libertário e fértil.

O vídeo de uma propaganda de absorventes íntimos me parece positivo quando dá os verdadeiros nomes e cores às coisas, mas embarca nessa maré que afirma que “você é uma super heroína”, “você é capaz de superar a dor”. Quem disse que precisa ser doloroso? Quem disse que é um obstáculo hercúleo algo tão corriqueiro? Quem disse que atravessar os famosos “aqueles dias” é uma saga heróica? Como dizer para uma menina que se contorce de cólicas se conformar – “cause this it’s your life now” – pode ser algo libertador? Não, gente. Tá errado. Menstruar é pra ser algo tranqüilo e corriqueiro, indolor e não traumático. Se é sofrido, tá errado. Se é glorificado pela “superação do sacrifício”, também. Se é transformado em ritual de passagem, vira fonte de ansiedade, inquietação e alienação do corpo, a cada santo mês da sua vida.

Tudo isso me lembra um pouco um simulacro de resgate de rituais tribais³ nos quais as meninas mudam imediatamente de papel nas suas sociedades com o primeiro sangramento, ficando impedidas de viver sua infância – que não acaba imediatamente com a puberdade. Acredito que esses grandes rituais femininos não são diferentes, mas incorporam a parte que nos cabe na reafirmação de sistemas patriarcais, na garantia de seu funcionamento integral. São a celebração de nossa condição de outro, de menos humanas, menos “gente”, menos sujeito. Não tem nada a ver com aceitação e “pacificação” das nossas especificidades. Tem a ver com transformá-las em tabu.

THERE WILL BE BLOOD, ensaio fotográfico de Emma Arvida Bystom 3

Não seria mais legal e estratégico se as mulheres que infelizmente mantêm uma relação ruim com o seu corpo pudessem dizer “ya basta!” olhando para suas experiências com mais naturalidade? Felizmente, minha vivência se transformou, ao longo do processo de construção da minha identidade, em uma relação potencialmente muito parceira e solidária com meu corpo e seus ciclos, embora já tenha tido meus percalços com cólicas homéricas e constrangimentos socialmente impostos. Elas mesmas foram resolvidas com uma boa dose de autoafirmação e desejo de estar bem comigo, a despeito de conselhos médicos que me induziam a encará-las como uma experiência essencial do “ser mulher”. Reconciliar-me com a menstruação só foi possível quando recusei todo e qualquer simbolismo aprisionador que me retirava o direito de desencanar com meu corpo, o vendo como “coisa” minha, viva, como instrumento e aparato que tende a funcionar a meu favor.

Não é mérito menstruar. É mérito lutarmos por nosso direito às possibilidades de uma vida humana, plena. Menstruação não é jornada épica. É só o nosso corpo, sendo vivo.

¹ Este texto foi escrito a partir de debates enriquecedores com as militantes Xênia Mello e Luciana Nepomuceno. Além delas, preciso ressaltar a parceria sempre presente na elaboração das minhas inquietações, construída com a minha irmã Alexandra Bandoli e minha mãe Margot Bandoli.
² A memória me trai e me faz perder informações essenciais obtidas lá nos idos da graduação. Fico devendo, envergonhada, a referência adequada do texto. Mas acredito que este seja uma produção de Françoise Héritièr, antropóloga estruturalista e feminista francesa. Se alguém se lembrar da referência, é de imensa gentileza compartilhá-la aqui.
³ O uso deste termo não é exatamente consensual nas Ciências Sociais, em especial na Antropologia. A alternativa encontrada seria o uso do termo “sociedades tradicionais”, mas talvez ele perca um pouco do potencial de comunicação para pessoas de outras formações e saberes, bem co mo implique em determinadas conseqüências políticas – como é intrínseco à produção científica em geral – que opto por não assumir, no momento.
Imagens do ensaio fotográfico THERE WILL BE BLOOD de Emma Arvida Bystom, que retrata mulheres menstruadas em situações cotidianas.
mabele*Mabelle Bandoli é cientista política, formada pela Universidade Federal do Paraná. Carioca radicada em Curitiba, acha o “Rio de Janeiro uma beleza” e “ora sim, ora não” crê que “dor não é amargura”. Feminista com raízes que vão desde sua “mil- avó”, “carrega bandeiras”, hoje, no cotidiano não institucionalizado de movimentos sociais e partidos políticos, sabendo-se profundamente devedora deles para sua (trans) formação como ser humano. Na batalha pra ser uma “mulher desdobrável”, vai levando a vida e pelejando pra “cumprir a sina”, escrevendo, falando e vivendo o que sente.

Tarsila

Tarsila [ Mercer de Souza] com seus vinte e poucos anos é moradora da cidade de São Paulo/SP [bairro de pinheiros/zona oeste da cidade].

Tarsila [ Mercer de Souza] com seus vinte e poucos anos é moradora da cidade de São Paulo/SP [bairro de pinheiros/zona oeste da cidade].

Tarsila, é uma pessoa que está se esforçando em fazer o que gosta. Escrever é uma delas. Gosta também de outras coisas, como dançar e conversar com árvores.

Tarsila Mercer de Souza. São Paulo, 21/08/2013. foto: Antonio Miotto.

Menstruação

O sangue escuro sobre a pele morena

atesta: é tempo. os ‘quero-queros’ em revoada

fogem, sob o som ardido da dor.

A testa, deitada sobre os joelhos:

sem tempo. Os segundos são espessos.

Os períodos são concretos, a tristeza é agridoce

e física. Na própria lama ela se refaz;

o fluxo do vinho o refluxo dissolve,

cospe sapos e digere leões. Serpentes

escorrem pelas pernas bambas, a beijar os pés

plantados sobre suas próprias terras santas.

….

Sua poesia é uma forma de exercitar e compartilhar um pouco de inspiração.

Você poderá encontrar a Tarsila no facebook.

Tarsila Mercer de Souza. São Paulo, 21/08/2013. foto: Antonio Miotto.

-.-.-.-.-.-

recado da Tarsila

gostaria que você me desse crédito. Porque eu sou vaidosa, sabe? Sei que tenho que repensar isso e tal. Enfim, eu sei como a internet é, e não vou te processar se você usar um texto meu sem os devidos créditos. Pra falar a verdade eu acho que vou ficar bem feliz de ver os meus textos rodando por aí.

Se você mexer no meu texto, eu gostaria que você assumisse a autoria da mudança. É muito legal quando uma ideia nossa cai no mundo,  com o nosso nome ou não. Mas é ruim quando alguém coloca palavras na nossa boca.  Uma sugestão é falar que você se inspirou no meu texto, por exemplo.

Eu estou fazendo isso porque não acredito em copyright. Se alguém puder aprender algo com o que escrevo, melhor. Se alguém conseguir produzir algo legal mais facilmente com o que escrevo, melhor. Acho até que são objetivos bem ambiciosos de se alcançar. Além do quê, não tem nenhuma grande empresa por trás de mim, e eu atualmente não ganho pelos meus textos (embora eu gostaria de aprender a fazê-lo).

.-..-.-.-.-.-.-.

Fora que eu acredito no livre compartilhamento da inspiração. Vou me achar uma pessoa de imensa sorte se algum dos textos aqui inspirar alguém, e me sentiria uma pessoa horrível se eu tivesse que restringir meus textos em vez de simplesmente deixar as ideias fluirem, o mais livremente possivel. “Voa, passarinho, voa!” me dizia uma amiga minha. Então voa, textinho, voa.

Vermelho escarlate


Sangue, vermelho vivo. Sabe aquele sangue que corre por dentro? Então, a gente tem. E a gente escorre. Todo mês, com a graça da natureza, ele escorre. Bem ali do meio das pernas, seguindo uma rota conhecida que vem das entranhas, do útero, do processo de fazer-se mulher. Um fluxo pulsante que sai pela vagina, e volta para a terra. Que é força fecunda, matéria prima das nossas células.

Sangue menstrual devia ser motivo de orgulho. Orgulho, sim.  Sinal do corpo de que tudo anda bem, seguindo seu caminho de desaguar os rios femininos. Eu menstruo. E todas nós, mulheres, fluímos neste ciclo. Sem se esconder, vamos repetir? A gente menstrua.

E já é hora de esquecermos aquelas velhas amarras que vem dos moralismos antepassados, de que menstruar tem que ser escondido, que tem que ter sofrimento (claro, eu sei, cólica e TPM é um inferno, mas vamos deixar sair!), que trepar menstruada é ruim, que tem que ir no banheiro quase escondida, que o sangue é nojento, é “eca”, que mulher menstruada tem que se recolher e esperar acabar essa “tortura”. Vamos esquecer a história mal contada de que menstruação rima sempre com incômodo, que é ruim ir à praia, nadar, correr, sair de roupa justa e, até, viver, porque tem sangue vindo da vagina.

Deixemos o sangue vir enquanto a gente dança, ama, e se espalha por aí sem medo. Deixemos o sangue vir porque ele é força, uma renovação mensal da gente mesmo. A gente pode se tocar, o sangue que sai é de um vermelho colorido e bonito, a gente pode usar absorvente interno e agora os incríveis coletores menstruais (tire suas dúvidas aqui, no Blogueiras Feministas), a gente pode sentir a nossa feminilidade por inteiro, pode dormir se tiver sono, pode berrar se tá nervosa, pode chorar sem motivo, pode mandar todo mundo a merda, pode viver o que se chama ciclo. Porque a vida é cíclica. E existe prazer nos ciclos, um prazer bom de ser o que se é.

A artista plástica Vanessa Tiegs (http://vanessatiegs.com/) usou o seu sangue menstrual para pintar quadros, esses aí que ilustram o post. Foram 88 pinturas com seu próprio sangue, que hoje transitam por galerias ao redor do mundo. Ousada? Ela foi lá e fez, com seu ciclo, arte. E a gente pode fazer com o nosso ciclo o que bem entender.

Porque biscate é bem vermelho escarlate. Que pinta e borda as mais diversas ousadias de ser mulher.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...