Quando eu mudei minha visão sobre sexo

Já fui dessas pessoas (sim, elas existem aos montes por aí) que acreditava jamais conseguir transar com alguém por quem eu não fosse, no mínimo, apaixonada. Não sei ao certo se isso foi fruto da educação essencialmente conservadora que tive, da minha baixa auto-estima ou se o sexo é tão introjetado em nossa sociedade como algo sujo e imoral, que ainda afeta boa parte das pessoas, especialmente mulheres. Contudo, não pretendo cagar regras ou trazer receitas prontas sobre como deixar de pensar assim, até porque não cabe a mim decidir nada sobre a vida de ninguém. Aqui, só falo por mim.

Sempre que eu ouvia amigos ou outras pessoas falando sobre suas vidas sexuais, eu meio que torcia o nariz ao saber que em boa parte das situações, predominava o sexo casual. Deixar-se levar pelo tesão, pelo calor do momento era algo que eu certamente não achava que “combinava” comigo. Só que, como para tudo na nossa existência, o que realmente conta é a experiência. É permitir-se viver algo que fuja da rotina quando se tem um momento oportuno.

E assim foi.

Sabe quando você sai de um relacionamento que já tinha chegado ao fim, mas que só você não se deu conta disso e o outro vem e põe um basta? Era assim que eu estava. E quando a carência vem, aquela carência de afeto, de carinho, de pele mesmo, nem o melhor dos passatempos consegue suprimir. É seu corpo que pede outro toque que não seja o seu próprio. Sua boca pede beijos. E sua imaginação acaba se transformando numa bomba atômica, graças aos seus hormônios, esses safadjenhos.

sex

Resolvi dizer sim e abracei uma oportunidade que veio do acaso… E foi bom. Bom demais, e não só para a pele. Foi libertador e libertar-se revigora, sabe?

Vejam bem: não estou dizendo que todo mundo deve fazer ou não isso. Insisto. Porque como falei logo ali em cima, cada um é cada um e felicidade não é receita de bolo (se bem que um bolinho de cenoura com cobertura de chocolate agora não seria nada mau, viu…). Mas por que não se deixar levar de vez em quando?

Definitivamente, para mim hoje: sexo é uma coisa, amor é outra. Eles são perfeitamente separáveis e podem conviver muito bem assim, cada um do seu jeitinho. Talvez, quando eles andam juntos, se complementam e fique bem bom. Mas aproveitar esses momentos carnais não mata nem te manda para o inferno. Eu acho…

Algumas linhas sobre mudanças

Que saudade daqui! Foram dois meses longe que mais pareceram dois anos…

E é muito bom estar de volta. 🙂

Apesar do pouco tempo distante, voltei bem diferente. Pode parecer meio idiota, mas apenas alguns dias podem fazer a diferença na vida da gente pelo simples fato de fazer escolhas diferentes das de sempre. E as mudanças, pelo menos para mim, foram e tem sido um grito de libertação.

Já notaram como muitos de nós abominamos, mesmo as menores, alterações em nossa rotina? Ou como ficamos ligeiramente “chocados” quando aquele “casal perfeito” da nossa convivência termina uma relação de anos? Ou quando alguém larga casa, emprego, família para conhecer o mundo com uma mochila nas costas?

mudançasÉ pessoal. Sei lá quem colocou na nossa cabeça que estabilidade é essencial para todos. Aprendi a questionar isso aos poucos e faço isso todos os dias atualmente. Talvez tenha sido porque percebi quão interessante pode ser mudar. Mudar hábitos, opiniões, gostos… Dá para crescer um monte assim.

Mudei de visual
Vou mudar de profissão
Mudei meu “ideal de vida”
Mudei a forma de enxergar a mim mesma
E estou fadada a continuar mudando. (Que bom!)

Não se deixe estagnar por medo do novo. Acho preferível arriscar-se, ainda que com a possibilidade de fracasso, do que passar toda uma vida pensando  “e se…?”. Clichê ou não, ainda acredito que é muito mais válido tentar do que arrepender-se do que não fez.

 

Casulos

Riso fácil, vivacidade, liberdade. Ser/estar/descobrir-se bisca é bem legal, né povo?

Maria_Sibylla_Merian-728x993É, eu também acho. Fantástica essa ruptura das amarras que uma galera chatona aí insiste em nos colocar. Ser o que se é, sem pudores, desconfortos ou medos. Sentimentos normais, mas que podem nos fazer sofrer  –  na maioria dos casos – mais pelos outros do que por nós mesmxs.  E a gente deixa.

As mesmas amarras que tentam nos impedir de mostrar a nossa verdadeira essência, são as que tentam nos obrigar a acreditar que a felicidade (desde que seja comedida e sem escândalos. Bem coxinha mesmo, tipo comercial de margarina) é  estado normal  e intrínseco a todas as pessoas e pelos mesmos motivos. Parece até que ficar triste ou precisar muito de uns momentos de reflexão quanto à própria vida é crime…

Sei lá. Acho que nós, humanxs, precisamos tanto de casulos (no nosso caso, “casulos sentimentais”) quanto as lagartas. Um tempinho para nos fecharmos e ficarmos quietinhxs até que a metamorfose aconteça. Até que melhoremos. Até que surjam novas cores e que possamos criar asas para voarmos, biscatemente livres. Como as borboletas.

sybillaClaudinha está lagarta. Meio feinha, perdidinha e esfomeada. Preparando um casulo quentinho, bom para aquecer meu coração e renovar meus pensamentos. Quando eu finalmente for uma borboleta, só espero uma coisa: que minhas asas sejam grandes. Para que eu voe mais longe. Para que eu possa ver e mostrar como sou leve e bonita.  Para que eu repense meus caminhos. Para que eu sinta que mudar é bom. Mudar… Mudemos.

* As imagens que ornamentam este post são de autoria de Maria Sibylla Merian, naturalista e ilustradora científica alemã. Pioneira, num tempo em que as Ciências Naturais eram “coisa de homem”. Conheci os trabalhos dela no ano passado e coincidentemente, hoje seria seu 366º aniversário e o Google fez um doodle lindo em sua homenagem. Veio a calhar com o texto de hoje: Sibylla dedicou sua vida a registrar por meio de sua arte as metamorfoses dos insetos, principalmente das borboletas. Que danada, né? Em pleno século XVII, justo uma mulher se destacar por fazer essas coisas!  

😉

Dando um rumo para a própria vida

Convém dizermos que, quando alguém dá um “rumo” para a própria vida, significa que esta pessoa tomou uma decisão ou fez uma escolha que implicará em alguma mudança. E mudar às vezes dá medinho. É um pouco complicado para muita gente adaptar-se ao novo. O futuro assusta e nem sempre temos – ou achamos que não temos – condições de arriscar. Decidi compartilhar por aqui uma experiência minha bem recente que demandará um esforço grande da minha parte.

Eu tenho 23 anos. Daí,  você se pergunta o que uma garota tão nova tem a falar sobre mudanças… Pois, bem. Lá vai! Eu entrei na faculdade muito cedo, mais precisamente aos 17 anos. Escolhi o curso de Letras, que na época, era UM SONHO para mim. Eu adorava (e adoro!!!) ler, ia muito bem em Literatura na escola, dava aulinhas de inglês e tinha certeza absoluta de que era aquilo que eu faria a vida toda. E que aquele era o meu “rumo”.

Hoje eu sei que deveria (e devo) desconfiar sempre de certezas absolutas…

Além desse mundo inebriante das palavras, Arte  sempre me fascinou. Música, teatro e desenho  ocupavam boa parte das minhas atividades. Contudo, era através do desenho que eu expressava tudo que sentia, que aprendia, que vivia. E era ali que eu me destacava. Só que mesmo com tanta gente dizendo: “Cláu, invista nessa área, corra atrás, aperfeiçoe-se”, tive medo. E assim, concluí o meu curso de Letras, aos 20 anos. Fiz de tudo um pouco nesta área: lecionei, revisei, traduzi… Gostei. Só que a tão almejada realização, aquela vontade de fazer isso cada vez mais… Não chegou. Nem com um projeto de mestrado em fase de conclusão.

Adiei um pouco a idéia do mestrado e fui fazer um curso técnico. Mais precisamente, de Design Gráfico. Não encontro palavras para expressar o quanto me apaixonei por cada coisa nova que aprendia, por cada esboço, por cada minuto das aulas de composição, de desenho geométrico, de computação gráfica. Eu respirava aquilo. Fui conhecendo gente, mantendo contatos. Vieram os trabalhos como freelancer e foi ficando difícil conciliar meu emprego fixo e estável como servidora pública e os projetos e as ilustrações. Só que ainda assim, estava feliz por ter a oportunidade de fazer o que gosto.

Pois é. Eu deveria estar engajada com o mestrado, procurando orientadores, escolhendo qual processo seletivo tentar primeiro… Mas ao invés disso, me matriculei num cursinho pré-vestibular semi-intensivo que começará em maio. Vou tentar ingressar em um curso superior de Design ou de Arquitetura – que também me agrada sobremaneira –  numa universidade pública de Sampa. Vou começar do zero numa área totalmente diferente da que me formei. Vou, com um certo atraso, investir naquilo que sempre quis. E não estou cabendo em mim de tanta felicidade!

Espero que meu relato não tenha cansado vocês. Mas, um dos princípios fundamentais para que alcancemos com plenitude a nossa autonomia é ter coragem, sobretudo de mudar. Mudar quantas vezes for preciso, até que consigamos viver de bem com nós mesm@s. E, como vocês bem sabem: biscate é também uma mulher que tem peito ( literalmente ou não) para assumir os riscos que envolvem dar um (ou uns, por que não?) rumo para a própria vida.

E para finalizar, aqui vai uma frase fantástica que o meu amigo Gilson me disse, via twitter: “fazer o que gosta pode não enriquecer, mas ajuda a sorrir”.

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