Trilha Sonora Para…

musica-sexoMúsica pro vuco-vuco, pro rala e rola, pra vem minha nega, pra pode vir quente que eu estou fervendo, quem tem? Essa foi a pergunta que fizemos pras leitoras e leitores do nosso clubinho e que rendeu uma lista incrível.

Tem aquelas músicas que só de ouvir dá aquele comichão por dentro, né? Trilha sonora pro roça-coxa, pro esfrega-sfrega, pro roça-roça, pra chamegar. Música que ajuda no arrepio da pele, no umedecer e esquentar das partes.

Algumas vezes é uma canção que lembra um alguém ou um encontro específico. Outras invocam a imaginação, provocam os desejos adormecidos e aí… ah, não tem jeito. Tem música que lembra sexo, simula sexo, dá vontade de fazer sexo.

A gente pensa em striptease, devagarzinho tirar a roupa e chutar os pudores? Pois tem Joe Cocker pra apimentar a brincadeira….

 

Ah, o lance é o comecinho, acender o fogo, preliminar divertida, sexy, sensual? Toca Rihanna:

 

Prefere algo menos pop, AC/DC cai como uma luva:

E nós não fugimos do clichê, nós abraçamos o clichê, colocamos o clchê na roda e o celebramos. Ainda mais essas que parecem perfeitas na composição de qualquer cenário… Mesmo quem não sabe francês, já imagina o que Serge Gainsbourg e Jane Birkin estavam fazendo aqui:

 

E pra mostrar como o clichê pode ser uma delícia, chega mais com Bruce Springsteen

 

E a música brasileira também dá (opa) sua contribuição para engrossar o caldo das musiquinhas que pedem pele na pele, língua na pele, língua na língua e volúpias mil. Como não pensar em Cavalgada, de Roberto Carlos, na voz maravilhosa da rainha Bethânia?

 

Ainda com Bethânia, é só tocar que acende tudo, que deixa tudo morno e pronto, hein:

E se alguém está pensando que só tem coisa antiga nessa vibe, olha aí, somos um clube antenado com as novidades musicais e coroamos essa playlist biscate com essa delícia chamada Johnny Hooker:

 

Não vai tirar a roupa hoje a noite, não tem namorado, flerte, encontro inesperado, tinder dando sopa? Faz mal não, pense numa sanfona, pense em Gonzaga, pense em forró, pense em Alceu. Só o clipe já vai provocando uma quentura bem biscate..

 

Pequenos prazeres biscates: música

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

música

Cerveja de trigo, petiscos, o gato dormindo no puff ao lado da mesa. Música. E a iluminação perfeita do seu apartamento, que deixa a sua barba ainda mais ruiva. E linda…

Tiro seus óculos. Você solta o meu cabelo curtíssimo, mas que insisto em prender. Eu já te disse que seu beijo é uma delícia e que eu poderia passar uma, duas, dez noites inteiras só sentindo o sabor dele? É. Seu beijo é quase uma transa, meus parabéns!

“Preparei uma coisinha pra nós”.

Não lembro de ter te contado quais eram minhas bandas favoritas. Mas você acertou em cheio nessa playlist: tem TUDO que amo nela. E que gostoso é dançar bem pertinho, sentindo a sua respiração e o calor do seu corpo. Corpos que, molhados, se misturam ao ritmo da música, numa dança que dura até o nascer do sol, quase sem pausa…

Encosto minha cabeça no seu peito sardento e adormeço com o gostoso cafuné que você me dá. Obrigada pelo fim de semana incrível que, a cada shuffle, me trará deliciosas lembranças…

Para a Eterna Biscate, Amy

Por Tiago Costa

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 A dor de uma paixão é uma tragédia.

Corpo e vida desfiguradas. A dependência do outro ou de algo que tome o lugar desse outro na vida. A forma como isso atinge implacavelmente a auto-estima.

Na cabeça de alguns, essa tragédia vira comédia. Na verdade, a dor do outro, de uma forma ou de outra, é uma tragédia que vira comédia. E se tem uma vertente passional, viramos espectadores fomigerados de uma novela da vida real. Só que sem final feliz.

E assim assistimos a vida da biscate Amy Winehouse. Jovem dona de uma voz poderosa. Daquela que faz o coração tremer. Mas para além da própria voz, os refletores estiveram mais interessados em sua vida privada. Na sua autodestruição. No como ela se tornou ícone de dependência, de vexame, de autodestruição, de fraqueza. Essa foi a parte em que programas de televisão, tablóides e memes deram conta de transformar a dor tão bela e sinceramente cantada (a parte em que Amy tornava pública a sua dor) em piada. Já não havia espaço para publicizar a beleza de sua voz (única, diga-se de passagem), o interesse estava na sua imagem, melhor dizendo, na transfiguração de sua imagem.

As pessoas compravam seus cds, iam a seus shows, cantavam, adotavam seu estilo, acompanhavam seu drama. Todas a consumiam. Mas quem entendia o que ela gritava dentro dela mesma?

Quando nos apaixonamos, entramos num exercício de calibração do coração. Costuma-se a levar os sentimentos aos seus extremos. Nesse exercício, ou descobrimos (não sem custos) qual a medida certa do sentimento a ser desprendido, ou não descobrimos. E quando não descobrimos tudo é excesso. E quando tudo é excesso, cresce a dependência e adoecemos.

De certo, tem que haver um esforço individual para superar a dependência emocional e a baixa autoestima. Nem mesmo as biscates, como a Amy, estão livres disso. Mas o esforço é ainda maior quando a pessoa pela qual mantemos dependência identifica essa fraqueza e se aproveita disso. Não existe um único Blake no mundo. Mais esforço ainda, quando em tudo que se fala a respeito de você, está associado ao fracasso. As possibilidades de reabilitação são implacavelmente minadas.

E o desfecho dessa história já é conhecida. A morte. A morte de um jeito triste. Sozinha, como pareceu sempre ser.

Para alguns, fica a lembrança da infeliz piada que a pessoa se tornou. É triste ainda se deparar com isso ainda hoje. Para mim, fica a saudade de alguém que não conheci pessoalmente, mas que permiti entrar na minha intimidade. E permito que apenas a beleza dela ocupe esse espaço. Choro, ainda hoje, pela presença e pela ausência de Amy.

 

tiagoTiago Costa, meio termo, semitons, adaptável e qualquer coisa a mais que seja capaz de movimentar o mundo com graça! Quer conhecê-lo melhor? Espia seu blog ou no seu tuíter @FTiagoCosta.

 

Mil pedaços

Renato Russo cantou “me fiz em mil pedaços para você juntar”. E a Luciana sempre fala sobre essa nossa necessidade de nos fazer completos com o outro.

Já não sei dizer se ainda sei sentir, o meu coração já não me pertence.

Amor em mil pedaços.

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E cantou tantas outras coisas mais. Tem dias que ouvir Legião é como uma tábua de salvação, um pedaço da gente arrancado e colocado de volta. “Não sou mais tão criança a ponto de saber tudo”. Tem dias que ele fala para a gente.

E foi então que eu percebi como lhe quero tanto.

Muitas vezes o que eu vejo quase ninguém vê. E quase sem querer, eu quero o mesmo que você.

Frases soltas que embalam meu choro.

Que país é esse? Eu já cantei “é a porra do Brasil”, quando era jovem e gritava contra Collor e FHC, e quando Dinho caía do palco mas não era jurado da Globo, cara. Tão criança, a ponto de saber tudo.

Não foi tempo perdido. Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo…

Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui e com a minha própria lei…

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Tenho o que ficou e tenho sorte até demais. Como sei que você também tem.

As vezes é solitário andar por entre as gentes. E eu gosto de meninos e meninas. Tem sido dias estranhos. O mundo anda tão complicado. É a verdade o que assombra, o descaso que condena, a estupidez, o que destrói. Eu vejo tudo que se foi e o que não existe mais.

….

Tem sido dias estranhos. O ódio vem corroendo, de todos os lados. A gente enfia a cabeça em um chapéu verde amarelo. Vamos celebrar epidemias, é a festa da torcida campeã. Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos. Vamos cantar juntos o hino nacional, a lágrima  é verdadeira.

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Venha, que o futuro é perfeição.

Renato Russo morreu há anos. Era soropositivo. Deixou um filho, e outro dia vi uma noticia sobre a disputa pelo legado do Legião.

Dias estranhos.

 

Entre Braga e Nova York: Variações de um queer português

Por Mayra Resende*, Biscate Convidada

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A primeira vez que ouvi António Variações me veio careta e risada. Perguntei: isso é sério? Ele fez sucesso? E aí, como tudo o que me vem causando estranheza ultimamente, resolvi deixar a curiosidade conduzir uma descoberta incrível. Variações talvez pudesse ser definido como uma mistura de Amália, a fadista-diva (para ele, diva-fadista), com a performatividade autêntica de quem não se abate pelo olhar moralista, e uma boa pitada de espírito Faça Você Mesmo porque, se for pra esperar, morro sem mostrar pra esse país o que preciso expressar. A melhor definição, entretanto, é a de si mesmo: dizia que era qualquer coisa entre Braga, cidade de origem, e Nova York, metrópole cosmopolita de espírito variante, tal como o nome artístico que levava.

Um oceano inteiro de distância entre a aldeia que nasceu no norte de Portugal o a metrópole-selva-de-pedra estadunidense dá uma ideia das rupturas que teve ao longo dos seus 39 anos vividos. Cresceu em meio ao trabalho da terra, ouvindo o pai tocar cavaquinho e acordeon, atiçando os ouvidos de menino que se encantava pelas romarias e expressões folclóricas. Mudou para Lisboa aos doze anos, seguiu como militar para Angola e de lá soltou-se pelo outro velho mundo de Londres e Amsterdã, retornando para Lisboa  onde trabalhou como cabeleireiro no primeiro salão unissex de Portugal. Foi ali que escolheu o Variações incorporado como pseudônimo daquela persona cujo nome “sugere elasticidade, liberdade”. Se definia como uma pessoa que não se limitaria em um estilo nem para o que cantava, muito menos para o que seria (mais informações biográficas aqui)

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Nessa profusão de experiências, imagina só: Portugal, mais de 40 anos de Ditadura chega ao fim em meio a cravos e esperança, espectro conservador ainda pairando no ar. E aí surge um cabeleireiro, munido de tesoura e uma K7 caseira, apaixonado pelo fado e cantando amores queer. O tempo de dois discos, a primeira morte de um lusitano famoso em decorrência de complicações pelo HIV.

 “Canção do Engate”, lançada dez anos depois do 25 de abril que oficialmente coloca fim na Ditadura de Salazar, fala de amor como há muito não lia. Expressa, pela canção, a tensão do amor entre dois homens, em meio à aventura dos sentidos:

 Canção do Engate (1984)

Tu estas livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos

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Dois anos antes do lançamento de Canção do Engate, a homossexualidade em Portugal ainda era considerada crime. Variações não rompe somente com a estética moralista por meio das roupas e cores que se apresentava para seu mundo, mas também com o espectro opressor do passado em que cresceu. Expressa seu desejo sexual em meio a uma democracia ainda nascente, tematizando as tensões entre amor e sexo, ao falar dos encontros descompromissados, mas intensos em duração:

Vem que o amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te das

“Eu nasci no tempo errado”, dizia. Com a urgência que pulsa de dentro, talvez o tempo errado de Variações tenha sido o tempo certo para mostrar o quão atrasado aquele tempo estava. A canção rock e pop portuguesa não foi mais a mesma. E nem sou eu quem digo. O legado de três anos de carreira e dois discos ainda gera lindas releituras e inspirações. Um português, como lá dizem, com canções a não perder!

Uma versão de Tiago Bettencourt para Canção de Engate:

 

De pijaminha e ursinho na TV:

Texto inspirador (agradecimento pela indicação à amiga conterrânea de Variações, Catia Ferreira): Queer Interventions in Amália Rodrigues and António Variações.

523512_740147959334223_1070089815_nDiz, sobre si, Mayra Resende: Se onde nasci ajuda a me definir: sou do planalto central, Brasília céu no horizonte, pôr-do-sol toca o chão. Se o que estudo ajuda a me definir: sou socióloga de formação, mas a paixão mesmo é por cultura – oral, escrita, desenhada, cantada, tradicional, quente, fria, seca, crua. E um certo encanto pelo que não entendo e não uso, mas acho lindo, tipo, mapas.

Carta para um amor inacabado

(a liberdade tem tomado conta da minha vida e do meu coração)

*Preferi colocar trechos de músicas aleatórias e que não são as músicas que me lembram esse amor para manter a discrição de quem é a tal pessoa!*

Meu amor, cadê você?

Eu acordei

não tem ninguém ao lado…

Não, não me dói a sua falta, não me dói ter durado poucos dias. Na verdade, foi fácil, gostoso e simples, você não me prometeu nada, te amei sem nenhum planejamento, te amei sem insegurança. Amei por amar, desejo de ter o sentimento sem exigir nada de você. Não, também não foi o seu sumiço que me fez não te amar mais, também não foi um outro amor que me fez deixar de te amar, apenas passou, como um sonho bom passa quando acordamos depois de uma noite de belos delírios!

Sim, sinto muito, sinto por não ter te conhecido tão bem como queria, sinto por estar longe e não pude te aproveitar durante esse amor, sinto por nunca ter perguntado se eu tinha chances. Em momento algum senti minha posse, só sentia preocupação, sentia vontade de te proteger. Não, não desejava que fosse meu amor, te amava livre! Mas desejava te cuidar, te colocar longe da infelicidade, frustração, trauma e dor. Como sonhei estar perto para te cuidar quando precisou de cuidados! Sua vontade de ir além de minhas mãos me fez te amar, não sabia estar perto e sob cuidados, isso me deixava fascinada. Tão frágil a primeira vista e tão independente, são tantas as suas vontades, que, ao te ver, me sentia animada a voltar a ser o que já fui!

Labirinto - filme que, para mim, é o melhor para falar de amor, fantasias e expectativas românticas. O primeiro filme que povoou meu imaginário pré-adolescente quando falava de amor!

Labirinto – filme que, para mim, é o melhor para falar de amor, fantasias e expectativas românticas. O primeiro filme que povoou meu imaginário pré-adolescente quando falava de amor!

O motivo desse amor ser tão perfeito? Nunca ter continuado ou terminado. Não tivemos brigas, discussões, não criamos rotinas chatas, não nos cobramos. Sim, te amava pois estava longe, distante e, mesmo nessa distância, meu coração te sentia perto, aquecia meus sentimentos e me fazia sorrir. Hoje, ainda ouvi uma das músicas, das tantas que me lembram você, quis chorar, sorri de leve e meus olhos brilhavam. Como brilharam quando tive você perto pela primeira vez.

Sinto vontade de te rever, não sei como reagiria, se o coração bateria mais forte, se te olharia apenas como umx amigx, mas quero te abraçar e ver seu sorriso novamente, simplesmente porque ainda me cativa lembrar dele. Se isso não é um adeus, até logo! E não se esqueça de mim, você será parte de minha história!

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante…

Quem garante?

Apesar da correria insana, ontem arranjei um tempo para ouvir música. Porque proporcionar alguns momentos (ainda que mínimos) de prazer era fundamental para mim num dia f*dido como foi essa última segunda-feira.

cachorro música

Ownn… *-*

Entre um álbum e outro (dos trocentos mp3 guardados no celular) e uma estação e outra de metrô, me deparo com Tiê (é, nem só de rock são feitos os ouvidos da biscate que vos escreve). Mais precisamente, a canção Perto e Distante. E comecei a prestar uma atenção especial na letra:

 

Quem garante
Que o que você é
É o que o outro espera de você?

Distante
O que você me diz do que eu sinto
Não sei porque.

Quem garante
Que o que você é
É o que o outro espera de você?

Distante
O que você me diz do que eu sinto
Não sei porque.

Quem garante
Que seguindo adiante eu possa enfim viver?

Sem me comparar
Sem entristecer
Sem tentar mudar
Sem poder entender.

Não dá
Eu vou ter que sair pra poder voltar.

Me ver
Me achar
No seu olhar
Pra entender o que é o gostar.

Me ver
Me achar
No seu olhar
Pra entender o que é o gostar.

Quem garante
Que o que você é
É o que o outro enxerga?

 

idealização

Idealizando…

Acho que todo mundo já teve a mesma sensação que eu: “puxa, a música certa no momento certo”. Momento este em que eu estava pensando justamente em como a gente idealiza tanto os sentimentos e as pessoas a ponto de achar que elas são “perfeitas”. A ponto de achar que elas devem fazer exatamente aquilo que a gente gostaria que elas fizessem. A ponto de julgarmos que as atitudes do outro deveriam acontecer de acordo com o que acreditamos ser correto ( eu já disse que odeio demais essa palavra???).

Eu estou tentando “aceitar” (juro) que somxs feitxs de carne, ossos, erros, acertos, escolhas e anseios. Mas é difícil!!! Idealizar é tão reconfortante. Tão cômodo. Tão menos amargo do que armar-se da mais pura racionalidade. Tão mais rápido do que procurar em algum lugar dentro de nós o “tal” do bom senso…

Você garante que o que você é, é o que o outro enxerga ou espera de você???

Ah, o funk!

Já tem um tempo que as pessoas em minha timeline tem atacado sem dó nem piedade o funk, fazendo comparações com outros estilos musicais, principalmente o rock. Sou rockeira, por muito tempo me recusava a ouvir funk, pagode, axé. Sim, eu tinha essa atitude preconceituosa e me achava super culta de falar mal de músicas que não me pareciam inteligentes. Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinícius de Moraes eram músicas brasileiras dignas de se ouvir. Ouvia rock e pop internacional mas nem olhava para o pop nacional ou para o rock nacional pós anos 90.

Grande sensação da música POP para as minhas alunas MC Beyoncé

Grande sensação da música POP para as minhas alunas: MC Beyoncé

Precisei conviver com adolescentes para rever esse meu conceito, eu adorava Walesca Popozuda por ser um ícone, não por cantar funk. Com a convivência com meus alunxs adolescentes, conheci Naldo, MC Koringa, MC Beyoncé. Por algum motivo eu fiquei apaixonada pelas músicas da Beyoncé e do Koringa, vou à academia pra fazer aula de Jump só porque o professor coloca MC Koringa, uma a duas músicas por aula! Sim, agora eu amo Funk!

Gosto de como o Naldo fala da sexualidade, com naturalidade, um sexo de verdade, entre duas pessoas que se gostam. Acaba com o clichê que música romântica é sempre feita para mulheres virginais. Ele fala de romance, de amor, de sexo. O machismo nos faz acreditar que falar da sexualidade de uma mulher a denigre, o que vemos são mulheres que fingem não ter sexualidade, não usam decote, não usam short curtinho, não rebolam até o chão, não fazem sexo casual. Essas coisas diminuem a mulher, transformando-a em biscate, galinha, vadia, puta! É aí que o Naldo, casado com uma dançarina, que fala da vida sexual dele em suas músicas românticas, entra. Ele não fala da amante, ele fala da mulher da vida dele. A mulher que faz sexo gostoso pode e deve amar e ser amada, quebra de preconceito total!

Claro que existem músicas tipicamente machistas no funk, como existe no rock, no pop e no pagode. Até na antiga MPB existiam cantores machistas, que denigriam a imagem da mulher como indivíduo. Pra mim denigrir a imagem da mulher está muito além de falar explicitamente de sexo, falar de submissão é denigrir a imagem da mulher, pra mim. Falar de estupro, de proibição, forçar uma imagem que transforme mulheres em objetos dos homens, isso sim é denigrir a mulher. Fazer sexo e rebolar até o chão não denigre ninguém!

Biscarnaval

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É Carnaval! Hora de tomar conhaque com o ticket do leite. Isso mesmo, amiga-amigo, biscate. Caia na gandaia! Desça na boquinha da garrafa, segure o tchan, vá na dança da ondinha, chame Dalila, Pererê e quem quiser! #SiJoga

Beije um, beije dois, beije três e beija eu, seja eu! Porque se vamos comer Caetano ou Bethânia, tudo depende da madrugada com a vitrola rolando, nus, dançando de biquíni ou BB King sem parar! Pois já que em tempo de pega-pega-pega-pega-pega,  pega-pega, já peguei, nada mal, a gente curte o terra samba e tira essa loucura de dizer que não te quero, Conceição!

E, naquela hora, em que todo mundo é menino e vai gritar pra todo mundo ouvir: Olha a Mangueira aí, gente! Chama a Valesca e, #Mama, fia! Beija-flor, seja flor, dance no céu! #EuQueriaSerUmaAbelha #HajaAmor #AjaAmor

Depois, é felicidade que brilha no ar! É luar, estrela do mar e o que há de bom! Grita alalaôôôôô e vamos pra turma do funil!

É assim, bisca-amores, atrás da verde e rosa e na frente da Mangueira só não vai quem já morreu.  E como we are carnaval, we are folia, we are The world of carnaval, caia na folia!

Both Sides Now

Por Fabiana Nascimento*, Biscate Convidada

Quando se é fã do universo da cultura pop é impossível não notar como as coisas parecem tão mais conservadoras hoje do que foram há 40 anos. Digo isso não por saudosismo de um passado idealizado, mas por observar que o comportamento pessoal dos astros e estrelas pop é colocado como mais relevante do que a música que produzem.

Essa comparação me veio à mente quando assistia um documentário sobre a música folk aqui que faz uma cronologia do auge comercial desse estilo, dos anos 60 até meados da década de 70. E em um depoimento David Crosby, que fez parte de duas das mais importantes bandas do período o Byrds e o Crosby, Stills & Nash, diz que o modo de vida deles iria chocar as pessoas hoje, porque eles viviam em uma espécie de comunidade de artistas, em que se abusava de drogas e não havia parceiros sexuais fixos entre eles.

Isso todo mundo sabe por ouvir dizer, faz parte do folclore construído em torno dxs artistas daquele período, mas no documentário em questão, aparece uma cena de uma festa na casa do David Crosby em que várias pessoas tomam banho todos nus em numa banheira. Alguém consegue imaginar artistas número 1 nas paradas da música pop atual tendo um vídeo desses divulgado? O tamanho da repercussão nas inúmeras revistas de fofoca, programas de televisão e portais de internet?

Ainda no universo do folk californiano, assistindo a um show atual do James Taylor na TV a cabo, ele fez um relato antes de começar a cantar um de seus maiores sucessos You Got A Friend, que foi escrita por Carole King, as palavras foram mais ou menos assim: “um dia Joni Mitchell me mostrou essa letra época ela era minha biscate (a palavra que ele usou foi bitch, mas ele não a usou em tom pejorativo) e eu era o “biscato” dela”. Daí eu pensei , nossa, a Joni biscateou com James Taylor, o Graham Nash (dizem que uma das músicas mais lindas dela, Both Sides Now, foi escrita para ele), o Jack Nicholson, Warren Beatly Jackson Browne e era amiga do David Crosby, que dava essas festas animadas. E antes de ser famosa, Joni teve uma filha que foi dada para adoção, porque ela no momento não tinha condições de cuidar de uma criança. Certeza que se fosse hoje em dia ela teria seu comportamento sexual devassado pelos profissionais da vida alheia. E, como os tempos eram outros, esses relacionamentos todos não são importantes quando se fala de Joni Mitchell, quando se fala dela ressalta-se sempre suas virtudes como cantora, compositora e violonista.

Joni Mitchell e Graham Nash

Joni Mitchell e Graham Nash

Aí minha mente randômica me levou até o caso da Taylor Swfit (para quem não está por dentro do que se divulga no universo da música pop, é uma cantora estadunidense que acumula recordes de vendagens de discos e hits número 1), que tem os seus relacionamentos listados em sites e revistas mundo afora. Junto com a lista de seus relacionamentos, ela ganha uma lista de insultos que menosprezam seu comportamento, por não esconder suas trocas de namorados e fazer canções que relatam essas experiências.

Taylor Swift e seus namorados

Taylor Swift e seus namorados

Não quero fazer nenhum tipo de comparação musical, mas tentar entender a diferença nos relatos sobre essas duas cantoras. Me pergunto por que a vida pessoal dela seria tão importante, gerando tantas páginas (inclusive essa) e tantos profissionais envolvidos na “apuração” e divulgação dessas “notícias”? O que ela faz é música e é por isso, que a meu ver, ela deveria ser conhecida.

Sinto que – não tenho nenhum referencial teórico para constatar isso, se nos anos 60/70 xs artistas se comportavam de modo mais libertário, havia uma repressão muito maior ao comportamento sexual dos jovens. E essxs artistas eram vistos como pessoas exóticas. E hoje, depois de todos os movimentos de contra cultura, que tiveram, em grande medida esses astros da cultura pop, como porta vozes, o comportamento sexual dxs jovens é mais livre e menos vigiado em muitas partes do mundo.

Como otimista que sou, sempre acreditando no aprimoramento da raça humana, acho que esse movimento de vigília da vida sexual de artistas por parte dos veículos especializados na cobertura de entretenimento é um grito de desespero dxs moralistas, uma tentativa (falha, diga-se) de tentar fazer com que o mundo volte aos padrões de comportamento sexual do início do século XX. Controlando a vida das celebridades, xs moralistas do mundo esperam controlar a vida de quem consome cultura pop, que é em sua maioria jovem. Porque, por mais que os desesperados pelo retorno de um passado que nunca existiu gritem, o mundo se move em direções mais libertárias.

I´ve looked at love from booth sides now (tradução)

fabiana

*Fabiana Nascimento é nossa convidada que confirma a diversidade: biscate-tímida. Historiadora, feminista, indignada e preocupada com o mundo, ativa militante virtual. Inteligente e articulada, vai com a gente, sambando na cara da sociedade que anseia pela padronização.

‘Rôr-re’, mi amor… ♥

Por Niara de Oliveira

Faz tempo que uso esse espaço para declarar meus amores, e vou fazer isso mais uma vez… 😛

Não tive tempo de ler o post da Karla (nossa biscate convidada dessa semana) ontem, mas li hoje cedo no ônibus a caminho do trabalho, enquanto brigava com o sono. Post lindo por sinal, declaração de amor próprio biscate. Esse sentimento já existia, óbvio. Mas temos o dom, neste espaço, de renomear e ressignificar coisas, cores, sentimentos, lugares, e trazê-los à luz. Essa coisa de ser e de estar no mundo. Amo muito tudo isso, mas não é (só) esse amor que quero declarar.

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Essa relação que a Karla fez de dar e receber me lembrou desse amor, que estremece meu peito e pernas toda vez que ouço a música desse (docinho) uruguaio que me foi apresentado por ninguém menos que Vitor Ramil, numa entrevista generosa que Vitor me concedeu por telefone em Pelotas, em novembro de 2004. (p.s.: infelizmente a entrevista só existe impressa e ninguém me fez o favor ainda de escanear ou fotografar). Lembro que quando Vitor falou seu nome, Jorge Drexler, pronunciado em espanhol fica Rôr-re Drexler, tive que perguntar novamente e ele precisou soletrar para mim. Era a primeira de muitas vezes que ouviria e falaria dele… E me derreteria.

JorgeDrexler-8Quanto mais ouço e conheço Drexler mais me apaixono. Meus neurônios, hormônios, moléculas vibram com a música dele. Traduzindo: ele mexe com minha libido. Entro numa vibe de alegria quando o escuto, fico alheia às demandas e sentimentos diários. Fica tudo lindo, num tom azulado, brilhante… É minha ‘dorga’!

E tem uma música dele em especial, que poderia ser um hino da biscatagem e que traduz em notas musicais esse texto da Karla. E vou deixar aqui letra e música. Ah, assistir o Rôr-re cantando  nesse vídeo é pura biscatagi…

Todo Se Transforma

Tu beso se hizo calor,
Luego el calor, movimiento,
Luego gota de sudor
Que se hizo vapor, luego viento
Que en un rincón de La Rioja
Movió el aspa de un molino
Mientras se pisaba el vino
Que bebió tu boca roja.
.
Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.
.
Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.
.
El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en Torino,
Y antes de Torino, en Prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.
.
Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En Salvador de Bahía,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería
.
Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

Nada se perde na música de Drexler e ela se transforma em alegria para mim. ♥

Quer conhecer melhor o Rôr-re? Aqui um vídeo onde ele mesmo explica um aplicativo criado para interagir com seu público. Seu Site, e seus canais oficiais: Facebook, Twitter e Youtube.

Está liberado suspirar. Seria inútil proibir… É inevitável.

É Divertido, Gente!

A vida é curtição, dizemos lá em casa. Poder dizê-lo é poder viver. É divertido. Aprendi cedo que o riso me faz bem. Para além, que o riso me faz mais eu, mais próxima da eu que anseio, todo dia, ser um pouco mais. A vida é curtição e posso tomar banho de chuva na frente de casa. A vida é curtição e posso dançar na rua, usar chapéu, gargalhar alto, viver sem fazer poupança, beber cerveja antes das nove da manhã. A vida é curtição, declaro os amores sem medo de ter corações partidos. A vida é curtição, recebo as pessoas na casa, na vida, na alma, entendendo que amizade é festa de encontros. A vida é curtição, cada dia por ele mesmo. A vida é curtição, os pequenos prazeres. A vida é curtição, o ridículo escuta e se esquece de ser. Não ter medo a não ser do que pode me fazer mal (um leão, um prego enferrujado, o Silas Malafaia)… o ridículo não pode me fazer mal. E poder dar risada de mim mesma quando passar do meu próprio limite.

A vida é curtição. O sexo é curtição. É claro que há horas de devastação. Há sexo selvagem. Há sexo sereno. Há aquele sexo onde se mergulha um no olho do outro e mal se respira e o que os corpos fazem é só metáfora do gozo além. Há o sexo solene, quase ritual. Mas, para o dia a dia, para o passe o sal, para a rotina, pouca coisa é tão curtição como uma boa risada na cama. Cumplicidade. Rir de mim mesma, rir do outro, rir com o outro. Aceitar o bom, eu digo. Curtição.

Estou escrevendo isso e lembrando do Rhett Butler na metafórica linguagem cinematográfica dos anos 30: você já pensou em casar só pela diversão? E a minha querida Scarlett (meu alter ego), ainda desconhecendo o bom da festa: diversão é só para homens! Eu queria poder segurar a mão dela e dizer: nopes, baby, a diversão do sexo, no sexo, pelo sexo, é riso pra todos.

A curtição pode estar no que a gente conhece bem. Ou no absurdamente inusitado. Estava eu pensando em sexo, inusitado, diversão, riso, biscatagem e, zás, o inesperado, o riso, a cur-ti-ção. Não podia deixar de partilhar as imagens a seguir no nosso clube:

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Moça, se toque…

Fazendo Uma Boquinha

Quer Uma Mãozinha?

Dá Um Beijinho Que Passa…

Um Dedo de Prosa

E a vida é ainda mais divertida com trilha sonora, não concordam?

PS. As divertidas e instrutivas imagens são do artista Wim Delvoye e você pode conferir mais do provocante e variado trabalho dele aqui.

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