Feminismo na tevê, tudo a ver?

Em uma conversa informal com uma amiga no ano passado ficamos debatendo sobre programas de tevê e filmes, e as cobranças de que sejam feministas ou de que assumam posturas feministas. Ora, vivemos em uma sociedade capitalista ( #cejura? ) e obviamente produtos feitos para o mercado terão características designadas por seus produtores aptos a agradarem a determinado nicho de mercado.

malu  mulherO feminismo voltou a ser pauta na imprensa mundial. Miley Cyrus se declara feminista, outra jovenzinha de Hollywood se declara não feminista, e por aí vai. No Brasil a bela campanha da jornalista Nana Queiroz #eunãomereçoserestuprada virou pauta nacional. Antes disso o feminismo ganhou capas de jornais e revistas semanais. O feminismo voltou a pauta, e não me parece mais uma palavra démodé como foi nos anos 80/90. Muitas garotas bem jovens (me sinto quase avó delas, e acho bacana. #bençavó) e antenadas buscam saber mais sobre o feminismo e onde atuar.

E a tevê? A tevê tem por obrigação pautar o feminismo? Não vejo como obrigação pautar o feminismo ou levantar bandeiras feministas. Tevê é mercado, é produto. Já o feminismo é movimento social, político e filosófico que visa a igualdade de direitos entre os gêneros e a libertação de padrões opressores baseados em modelos patriarcais e de mercado. Como se vê, o feminismo de identifica com valores reconhecidos como de esquerda (ver aqui). Sendo assim, a tevê — produto concebido para o mercado, para o lucro e a venda do supérfluo — e o feminismo podem se encontrar na sua tela, mas será um acaso fruto de conveniência e força de vontade de algumas partes envolvidas como já tivemos em Malu Mulher e Lado a Lado. Belos acasos, de belos frutos, é verdade. E acasos frutos de seus tempos também.

laerte e luiza

Mas e aí? Como faz uma blogueira feminista que assiste e adora novela? Joga tudo fora e torce pro Laerte tacar uns tabefes na chata da Luiza? Bate palmas pra misoginia pura da novela do Maneco? Acha bacana que todo personagem negro de novela tenha que ser salvo do racismo por um branco? Acha legal pacas que boa parte da crítica seja feita por quem aceite os padrões machistas, racistas, homofóbicos classicistas e de comportamento? Sim, porque uma coisa é o discurso da venda do produto, esse não tem interesse social, mas o discurso de quem compra, nós que assistimos a tevê, temos interesse social e assim podemos rejeitar personagens como o Laerte e torcer fervorosamente pelo primeiro beijo gay. E assim mudamos um pouco o mundo, a tevê, ganhamos mais um espaço. Cidadania não é consumo, não é isso que estou dizendo, mas a posição crítica diante do que consumimos já que é inevitável consumir, é cidadania.

E é isso que vou fazer aqui quinzenalmente, primordialmente falar de tevê, séries etc, o que der vontade, sendo eu, biscate e feminista e sendo crítica. E detestando a novela do Maneco. #VoltaCarminha

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Um Olhar Biscate Sobre a Novela Em Família

Ano passado escrevi sobre Lado a Lado, a linda novela das 6 que ganhou o Emmy internacional de melhor novela, batendo inclusive a queridíssima Avenida Brasil.

Agora temos na faixa das mais uma novela do Manoel Carlos, o Maneco, como é chamado carinhosamente. Manoel Carlos tem 80 anos e um currículo de trabalhos de sucesso na tv entre eles a excelente Água Viva, onde foi co-autor junto com Gilberto Braga e que está reprisando no viva e Presença de Anita. Também fizeram muito sucesso as novelas de suas Helenas tais como em Baila Comigo, Sol de Verão, Por Amor e História de Amor (das Helenas  a minha favorita).

Maneco escreve novelas sobre a sua vida idílica, a vida como deveria ser. Os vizinhos lindos e amigos se ajudando, as famílias que brigam mas no fundo se amam, o médico da família (Maneco ainda vive do século 18, só pode, hoje a gente nem médico tem, que dirá da família), sempre um tal Dr. Moretti. Os cafés da manhã enormes, e a gente mal come pão com manteiga e toma café de tanta pressa, os vizinhos bacanas (sei nem quem são os meus, prefiro não saber), gente que passeia com o cachorro pelo Leblon..As crianças super fofas (sempre tem criança fofa que sabe tudo na novela do Maneco, maduras, mais que os pais). Empregadas que não tem vida própria e vivem par nos servir (precisa nem achar… OOOOO MIIIRRRNNNAAAA).

E o Leblon… tudo é no Leblon. O Maneco ama o Leblon. Você pisa no Leblon e toca bossa nova. Tem uns pardais treinados em piar Tom Jobim no Leblon. Uma beleza.

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Enfim essa vida idílica, quase comercial do Itaú entremeada por alguns desacertos amorosos, essa aí de cima é a  típica novela do Maneco. Ou Era. Ë que algo mudou desde a Helena passada (Viver a Vida) que já foi bem ruinzinha até essa atual de Em Família.

 A trama central da novela é o Amor, o grande amor, aquele que renasce como a fênix ( (pausa para  cena a la Harry Potter ).  Nada contra o amor, não fosse  o autor da novela entender por “grande amor”, ciúmes e violência. O mocinho da trama, Laerte, é extremamente possessivo, ciumento e violento, comportamentos esses que em geral vem acompanhados um do outro.  Mas o autor justifica o descontrole emocional do mocinho (como se houvesse justificativa possível pra isso), com o comportamento da mocinha, a Helena da vez, que, segundo a narrativa da novela, gosta de “ficar provocando”. Na cena em questão Laerte diz que farai tudo por amor, até matar, um Othelo moderno.

Ora, Othelo é bem interessante, assim como Dom Casmurro e seu atormentado Bentinho. Mas cabe, nos dias atuais, numa trama ambientada nos dias atuais, incentivar e conceber como grande amor um relacionamento baseado em possessividade, ciúmes e violência? Justo quando o noticiário diário das grandes cidades é tão pródigo em notícias de feminicídio? Ou Manoel Carlos não lê mais as notícias? Justo ele que fez o excelente Malu Mulher?

Porque Helena é uma personagem que se culpa o tempo todo pelo ciúmes que posa ter provocado. Muitas mulheres agem assim com seu parceiros violentos. O que falta aprender em termos de relações abusivas é: não sou responsável pelo comportamento do outro em relação ao que faço, mas sou responsável pelas minhas escolhas.

Parece contraditório, mas não é. Se, por exemplo,  quero ter amigas e meu parceiro não deixa e por isso é violento comigo essa não é uma relação em que devo estar se ele não consegue aceitar quem eu sou. Eu claramente não estou aceitando as ideias dele também, não consegui mudá-las. Hora de ir. É resumido. Parece lógico. Mas é dolorido. Quebrar o ciclo de uma relação não é rápido e simples assim, especialmente quando se tem filhos.  Especialmente para mulheres que já tiverem sua autoestima quebrada, sua rede de relações também, muitas vezes estão desempregadas porque abriram mão da carreira para cuidar da família. Várias questões estão em jogo.

E quase sempre esse marido se sente dono dessa mulher, nào aceita que ela se vá, aí acontece o feminicídio, fruto do machismo. Fruto do pensamento do homem que acha que a mulher é sua propriedade. Fruto do ciúmes, da violência e da posse, tantas vezes confundidos com provas de amor e que nada mais são que medo, insegurança e posse mesmo.

E aí vem essa novela dizer que isso é uma amor de 20 anos, que um sujeito violento e descontrolado com claros sinais de psicopatia é assim só porque, tadinho…: ama demais… E a culpa de tudo, claro, é da mulher que dá bola para vários. A culpa não é de quem faz a conduta mas daquela mulher má que instiga, quase uma Eva…

E daí que fico triste que o Manoel Carlos que já fez tantas novelas excelentes, que meu querido Malu Mulher que tanto me ensinou,  tenha chegado aos 80 anos fazendo uma novela que confunde amor com posse e coloque como tema na cabeça de algumas mulheres um amor obsessão que nada tem de amor porque Amor é felicidade, como bem disse Carlos Lombardi em Pecado Mortal, no outro Canal.

(e isso que nem falei dos problemas de racismo, classicismo e proselitismo religioso nessa novela, fica pra próxima…)

Pelo direito à vulgaridade

Estou muito cansada de ver as mulheres que exercem sua liberdade vistas, tratadas como vilãs. Basta estar diante de uma mulher mais atirada e que tome iniciativas para o homem se tornar vítima indefesa. Socorro, hein… É nessa representação de papéis que se afirmam e perpetuam preconceitos e discriminações. E é de papéis, representações, personagens e atrizes que quero falar.

Faz um tempo que observo e comento que em algum momento entre os anos 80 e hoje encaretamos. Não que a passagem do tempo seja garantia de evolução, não é. A história é cíclica e encadeada, determinado fato teve outro(s) fato(s) como causa e provocará consequências e talvez, momentos de maior liberdade que ansiavam ou caminhavam para um determinado ápice, quando frustrados geram traumas que mudam a ordem das coisas, tiram da sequência. Não sou historiadora, mas arrisco dizer que o ano de 1989 tenha sido esse divisor de águas. E não foi para o bem.

Do ponto de vista cultural e comportamental, a simples existência de Leila Diniz, Elis Regina, Dina Sfat não nos garantiram por si só que tivéssemos depois delas atrizes e cantoras enfrentando a hipocrisia dessa época e/ou simplesmente tendo coragem de assumirem o que pensam. Talvez elas tenham chocado demais e produzido gerações covardes, caretas, babacas… Talvez a quebra após 1989 e a ascensão do neoliberalismo nos anos 90 explique… Mas, são apenas conjecturas de como chegamos aqui.

Sei que, daqui, do ponto de vista do nosso clubinho, acho que estamos muito mal representadas, principalmente nas novelas. Ou porque as periguetes das novelas são personagens que ousam pouco além da arte de seduzir e a conquista de objetivos imediatos ou porque as atrizes que as representam são moralistas, caretas e preconceituosas. Isso sem esquecer o fato de que periguete é SÓ a menina que manifesta seu desejo.

eu quero ser a puta! o/

eu quero ser a puta! o/

Não que Leila, Elis e Dina fossem biscates ou periguetes. Não? Não. Do ponto de vista do senso comum e de como esse perfil é visto e representado, não. Do ponto de vista de serem visionárias, revolucionárias, feministas e bem resolvidas com seu corpo e sexualidade, SIM!

E o que elas têm em comum com suas correspondentes* atuais? Vejamos. Ísis Valverde que interpretou recentemente uma periguete em Avenida Brasil numa entrevista na tevê — no mesmo programa que a Graúna-Lu-Borboleta estava — disse, textualmente: “Não deixem seus namorados perto de uma periguete. Ela vai tentar seduzi-lo”. Sério mesmo que o namorado é propriedade, que a relação é nesses termos e basta ser periguete para seduzir todo mundo? Aí… lembrando Leila Diniz: “Eu posso dar para todo mundo, mas não dou para qualquer um“. Foco no direito de escolha da mulher. Não é porque é periguete que vai seduzir todo mundo. Além do que, para duas (ou mais) pessoas se enroscarem-envolverem é preciso a vontade de ambas. A contradição: a personagem batia no peito e assumia que usava o corpo para conseguir o que queria e não se envergonhava disso. Não deixou lição nenhuma para a atriz.

A cantora Sandy virou polêmica nacional uns dois anos atrás por ter declarado numa entrevista à Playboy que “é possível ter prazer anal. Após a repercussão e repressão que se seguiu, voltou atrás e declarou que não foi bem aquela a sua resposta, dizendo: “nunca falei e não falo detalhes sobre minha vida sexual“. Aí… lembrando Elis Regina, sobre Fábio Jr.: “Ele foi como um sorvete, gostoso e rápido, mas brigamos quando eu disse que ele estava com saudade do plim-plim da Globo” e arrematou “ninguém vai fazer da minha vida uma novela” respondendo sobre os boatos do namoro. A contradição: A pessoa construiu uma imagem de pudica, de diva adolescente eternamente infantilizada/assexuada, aí resolve dar entrevista para uma revista masculina pra quê? Trocar receita de bolo? Mas, nada disso justifica o linchamento moralista e hipócrita sofrido por Sandy nas redes sociais por conta da tal declaração.

A atual periguete “em cartaz” na novela Amor À Vida só é periguete nos xingamentos da vizinhança. Porque, vamo combiná, ela não tem atitude nenhuma. Trepar e ir a motel todo mundo trepa e vai, o que faz uma periguete é a atitude, principalmente se assumir como tal. Mas, tá… Vamos considerar que ela seja periguete, além de não ter nenhuma fala no sentido de exercer sua liberdade sexual, a atriz Tatá Werneck declarou em entrevista na cobertura de sua participação no especial do Dia da Criança do programa Altas Horas (explicando o sucesso da personagem com a criançada) que “a Valdirene não é uma periguete vulgar“. Então não é periguete, né? Porque se ser liberada sexualmente para a mulher é ser vulgar, não existe periguete que não seja vulgar. A contradição: a Valdirene é vulgar. O que ela não é, é periguete.

Pasmem. Diz o Dicionário Aurélio, VULGAR: adj. Relativo ao vulgo. / Comum, trivial, corriqueiro: fato vulgar. / Baixo, reles, desprezível: sentimento vulgar. // Latim vulgar, latim que se falava no Império romano (por opos. a latim clássico). / &151; S.m. O que é vulgar. / Língua vernácula. Nada, nadica, nenhuma referência à mulher ou comportamento, apenas com a condição social. Ser vulgar, na raíz da expressão, é ser reles, do povo. Tomemos a expressão ao pé da letra e sejamos vulgares. Sem ser sexy.

Retomando. Liberdade é exercício, então deixe a pessoa com quem te relacionas livre para ir, voltar, ficar, ser, estar. Se importe menos com xs outrxs periguetes e seja mais periguete você. É possível ter prazer de várias formas, se permita, e principalmente assuma o seu prazer. Além de libertador pode ajudar a libertar outras pessoas. E por fim, PELO DIREITO DE SER VULGAR!

Não, não esqueci da Dina Sfat. Deixei sua imagem para encerrar o assunto, porque biscate-periguete-puta pode até estar na vida só pela diversão, mas a gente aprecia muito as que são de luta.

dina sfat

*essa correspondência não tem caráter comparativo de talento, importância ou grandiosidade.

Lado a lado, uma novela e suas mulheres livres e biscates

Novela também é cultura, informação e, porque não, biscatagem, em forma de entretenimento. Sem perder que mais que cultura novela é um produto feito para dar lucro temos que admitir que é um produto brasileiro, apreciado em vários lugares do mundo, e que pode ser feita com muita qualidade. O filósofo pop star Slavoj Žižek diz que as novelas brasileiras são uma contribuição genuína para a cultura mundial. Ou seja, agora você pode dizer que é noveleira sem culpa de ser chamada de fútil, desinformada e inculta.

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Isabel e seu corpo, livre.

Tivemos recentemente o sucesso retumbante de Avenida Brasil e Cheias de Charme, mas quero é falar da novela que ganhou o meu coração – Lado a Lado. Ela não atingiu na média o Ibope que a emissora pretendia como média para o horário, mas é um sucesso de crítica. Esse texto excelente do Maurício Stycer explica algumas das razões,  por exemplo, excesso de didatismo no começo e  um ritmo mais lento que as novelas atuais. O texto também fala uma boa reflexão sobre o dilema audiência x qualidade.

Mas entre várias noveleiras amigas e amigas feministas (algumas são as duas coisas) a novela está nos nossos corações.  Lado a Lado me ganhou logo de início: ambientação de época linda, como só a vênus platinada faz, atores dando o melhor de si e muito bem escalados para o papel e texto ótimo, com diálogos ágeis e bem escritos como há tempo não se via (sou fã de filmes calcados em bons diálogos). Aliás, do lado de cá da telinha é quase palpável a alegria dos atores ao interpretar, o carinho por suas personagens e suas falas, como demonstra Lázaro Ramos nesta entrevista linda aqui. 

E não há só diálogos maravilhosos quando a novela toma um lado, digamos, panfletário, há diálogos ótimos na parte dramalhão – nos embates entre Isabel e Constância (Camila Pitanga e Patrícia Pilar, que aliás está novamente dando um show como grande vilã da trama). Digo que na novela há um tom panfletário porque são claras as bandeiras levantadas pelos autores – o racismo e  a emancipação feminina e a liberdade de culto – tendo como pano de fundo no início do século XX. Em vários momentosa novela deu uma aula de História, melhor que vários livros didáticos, sobre a expulsão dos cortiços da cidade, o início da formação das favelas, a Revolta da Chibata e a Revolta da Vacina.

Mas ao meu ver o grande fio condutor de toda a trama ainda é o amor, e encarnado numa das formas mais belas de amor, porque não tende a aprisionar – a amizade profunda que nasce entre as duas mocinhas da trama, Isabel e Laura, uma negra e a outra branca. Elas se encontram no dia que deveria ser o mais precioso de suas vidas, o dia  de seus casamentos. Uma indo casar com o amor de sua vida (Isabel) e a outra casando com um homem que não amava e mal conhecia, por conveniências sociais. Uma alegre outra infeliz. Os acontecimentos do destino mudam a vida de ambas – Isabel não se casa e Laura encontra com o tempo sua alma gêmea no marido Edgar (Thiago Fragoso, também em ótimo momento).

Ok, ficou meio conto de fadas. Mas esse modelão clássico do drama vem junto com o pacote de duas mulheres que também lutam contra toda espécie de preconceito do início do século, muitos deles ainda presentes nos dias de hoje, infelizmente. Duas mulheres bem  biscates, por assim dizer. Elas almejam ser independentes, dentro das relações amorosa, em  suas vidas profissionais, pessoais e na vida sexual, na liberdade de ir e vir sem ser vista como mero objeto de desejo dos homens.

Laura quer ser reconhecida como pessoa, como mulher capaz de se sustentar sem um marido, depois de um divórcio (na época mulher divorciada e prostituta eram a mesma coisa). Laura que ser jornalista (homenageando talvez  o papel desempenhado pela primeira mulher  a publicar textos em jornais do Brasil e precursora do feminismo, Nísia Floresta). Isabel também quer ser profissional reconhecida – empresária e bailarina (inspirada talvez  em Josephine Baker), com o adendo da dificuldade de ser negra, aliás um grande obstáculo no seu caminho. Ser mulata, negra, a faz sofrer ainda mais que Laura na trama, bem mais. Ela é além de vítima do machismo da época, vítima do racismo, esse mesmo racismo que até hoje negam existir entre nós, mas insiste em mostrar a sua face perversa aqui e acolá.

E, claro, a  liberdade sexual de ambas as moças é questionada – uma porque é negra e dançarina no teatro (algo equivalente a prostituição na época) e outra porque é divorciada, logo, sem dono. Laura, inclusive, é vítima de uma tentativa de estupro em dado momento, e pesa contar ela o fato de ser divorciada, como se por isso só instigasse os avanços indesejados dos homens. Afinal a mulher até o hoje é  considerada muitas vezes culpada pelas violências que sofre. Isabel, para piora é ainda mãe solteira, um terror na época.

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Uma mulher “sem dono” que escolhe quando e como quer ficar ao lado de quem ama

E é essa a novela que amamos todos dias ás 18:15. Que nos emociona, nos faz ver o quanto  as mulheres que lutaram antes de nós fizeram com que possamos ser mais livres hoje, mas ainda não totalmente livres, somos prisioneiras de nossos corpos, da nossa cor, de imagens preconcebidas do que é ser mulher. Somos, ainda, vítimas de sexismo e violência doméstica, mas estamos lutando para que isso tenha um fim.

E todo esse pano de fundo da trama vem  colorido por  excelentes atuações e diálogos finíssimos. E ainda temos o amor, porque somos biscates românticas (quem disse que feminismo não combina com romance?) e faz a gente torcer pelos casais: Laura e  Edgar (Laured) e Isabel e Zé Maria. Porque na novela a vida sempre tem final feliz.

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