Olhar(es)

Esse último mês num foi lá muito fácil para mim.

Foi tenso. Do nada ( ou nem tão do nada assim), minha auto-estima foi parar na lama. Olhar no espelho estava bastante desconfortável, porque tudo que via em mim mesma era defeito. Ora uma espinha, ora uma olheira. Ou o cabelo que estava pesado e sem brilho. Ou então eram as duas ou três dobrinhas a mais na barriga que me deixavam triste.

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Olhar

Parece frescura, né? Coisa de gente fútil e superficial, e tals. Só que não. Percebo que muitos de nós estamos bem insatisfeitos com a nossa imagem e por isso, acabamos sendo bem cruéis conosco e com os outros. Julgamos, medimos, comparamos. Gastamos uma puta grana com produtos “milagrosos” que nos prometem a aparência photoshopada das revistas.

Se você for mulher então, é bem pior. Não que isso não atinja aos homens, atinge sim. É que mulher tem a “obrigação” histórica de estar sempre bela. De ser perfeita. De caber perfeitamente nas roupas, nos adornos e nas caixinhas que alguém com bastante poder, determinou que eram as ideais para ela.

Acontece que a natureza não tem o menor compromisso com essa estética absurda e inatingível para a maioria de nós. O natural é a variedade. O que é natural, bonito e saudável não engloba apenas o magro, o loiro, o liso ou o jovem. Nela há espaço para muitas nuances, texturas e tamanhos.  E o nosso olhar, tão bombardeado por imagens  que fogem absolutamente dessa variedade,  não tá acostumado com isso.

Bora treinar esse nosso olhar viciado para uma beleza plural? Porque não são os nossos corpos que devem ser repudiados…

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