Somos muito vadias. Quanto mais vadiagem, melhor!

Roubei esse título descaradamente da Bisca-Borboleta Luciana, porque condiz lindamente com o que irei escrever hoje.

O último sábado foi marcado pela realização da Marcha das Vadias em várias cidades do Brasil. Eu, como biscate e vadia paulistana de nascença e por opção, estive na 3ª edição da Marcha, em Sampa. E foi tudo muito lindo, como eu nunca tinha visto (ao vivo) antes.

Manifestantes reunidxs na Nova Praça Roosvelt, no encerramento da Marcha das vadias SP - 2013

Manifestantes reunidxs na Nova Praça Roosvelt, no encerramento da Marcha das vadias SP – 2013

Tinha muita gente. Muita mesmo. A imprensa e a PM contabilizaram cerca de 1500 pessoas, mas acho que tinha muito mais gente. A Rua Augusta ( já consagrada como uma das mais boêmias da cidade) estava forrada de vadias. Vadias sim. Vadias com orgulho, de todas as idades, gêneros, cores e crenças. Vadias que empunhavam mensagens de liberdade e de empoderamento sobre seus próprios corpos.

Namorado e eu, vadiando juntos!

Namorado e eu, vadiando juntos!

Com o tema “Quebre o Silêncio”, a Marcha das Vadias de São Paulo chamou a atenção para a importância de denunciarmos  agressores e estupradores, que agem covardemente porque acreditam na impunidade e porque o machismo arraigado em nossa cultura faz com que eles acreditem que brutalidade, principalmente contra um grupo historicamente oprimido, seja um pré-requisito fundamental para provarem a sua “masculinidade”.

O que eu achei mais legal nesta edição? A pluralidade. Vi muita gente jovem, muitos idosos e crianças e muitos homens, bradando frases como “Cuidado, cuidado, cuidado seu machista. A América Latina vai ser toda feminista!”; “Vem, vem, vem pra rua vem, contra o machismo!”; “Eu amo homem, amo mulher, tenho o direito de amar quem eu quiser!”. Me enche de orgulho e de esperança saber que tantas pessoas acreditam e defendam a ideia que o mundo seria um lugar muito melhor sem o machismo.

Se ser livre e se lutar por isso é ser vadia, somos TODXS vadias. Muito vadias. Quanto mais vadiagem, melhor!

Bisca-Vadia, feminista e livre!

Bisca-Vadia, feminista e livre!

 

 

Orgulho feminista

Por Miss Garden*, Biscate Convidada

feminista

Quando recebi o convite pra escrever no blog, fiquei meio em choque. Algo do tipo: “Como assim? Não sou formada, nunca escrevi um artigo, uma nota ou qualquer coisa do gênero.” Mas percebi que é esta a diferença quando se abraça uma causa justa e coerente.

Porque eu precisaria de um diploma? O que tenho que esfregar na cara da sociedade é isto mesmo, minha capacidade de me expressar totalmente fora dos padrões exigidos por aí afora.

Depois de resolvido este conflitinho bobo, veio a pergunta que não se calava: “Sobre o que escrever?”

Logo em seguida me vi procurando inspiração. E foi na mesa do bar, bebendo com as amigas, que olhei em volta e percebi que não haveria melhor pessoa em quem me inspirar, a não ser eu mesma.

Com 36 anos de idade e mãe de duas meninas, me dei conta de que sou livre e sempre fui.
Um dos motivos pelo qual eu agradeço imensamente pela minha liberdade, é o fato de ter crescido sem pai.

Isso pra mim é bárbaro e me enche de orgulho. Existe sensação melhor do que sentir orgulho de você mesma?

Tive o privilégio de ser uma garota que não precisou estar debaixo das regras de um homem, me dando ordens e me dizendo o que fazer, eu concordando ou não.

Isso com certeza ajudou a me fazer quem sou. Me ajudou a ir colocando pra fora toda essa sede de luta e justiça que hoje eu sei o que significa e amo o seu significado.

Chego a amar algumas provocações porque eu tenho argumentos sólidos, válidos e verdadeiros.

O feminismo na minha vida teve um efeito bem interessante: afastou de mim muita gente, no geral aquelas pessoas passionais demais, passivas demais e que usam a palavra feminista num tom perjorativo quando se referem à mim.

Ele também aproximou de mim pessoas que não me julgam e que sem que eu esperasse, o abraçaram comigo com todas as forças. Ou seja, além de toda dignidade, o feminismo só me trouxe coisas boas e a cada dia que passa eu me sinto mais e mais orgulhosa ainda.

Claro que sofro frandes preconceitos e na maioria das vezes, dentro da minha própria família, que por falta de informação, julgam um abuso da minha parte me impor, exigir respeito e passar isso pras minhas filhas.

Os comentários são infinitos, mas quer saber? Eu acho lindo tudo isso, porque não basta ser feminista, tem que ter do seu lado o machismo latente pra luta ficar mais gostosa.

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* Miss Garden é biscaste paulistana, mãe de meninas e amiga de quem merece. Futebol, rock n’roll, tatuagens e cabelo curto, sim. Prefere as crianças aos animais e não abre mão do seu feminismo. Lê muito e diz que não escreve nada (nós discordamos!). Biscateia pela vida cheia de amô. No twitter é @Miss_Garden.

 

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