Plural!

Escrevi esse post na minha volta do Tour Biscate SC 2013 em Beagá. Foi um momento em que me dei conta de como meu coração anda biscate. Sempre fui livre, mas não conhecia esse tipo de liberdade, liberdade de se permitir se apaixonar a cada cidade/porto/local que se passa. Em duas semanas viajei muito, além do tour Biscate, tive festival de teatro. E quando fui viajar para o festival fui com coração cheio de uma paixão inesperada e muito calma. De uma beleza única, que aconteceu rápido e forte. Voltei desse festival com a cabeça confusa, jurava comigo que não estava apaixonada, mas eu tinha apaixonado, apaixonei e a paixão antiga não foi embora, se manteve.

Tava confusa, achei que Beagá me faria sair dessa confusão, achava que longe descobriria de quem eu mais gostava. Descobri que estava tão apaixonada por umx quanto por outrx, no fim me apareceu um terceiro sentimento. Independente disso, saí de lá com nova visão de tudo que está acontecendo. Eu posso estar apaixonada por quantas pessoas eu quiser. Saí de Beagá apaixonada, um sentimento que sem eu procurar apareceu a primeira vista e só cresceu no passar dos dias. O melhor desse sentimento foi que eu não me cobrei futuro, não planejei nada, se for continuar é leve, sem medo e com calma, como desejo que seja com tudo que tenho sentido.

Eu posso querer de formas diferentes pessoas diferentes. Saí de Beagá entendendo que não se apaixonar por uma única pessoa não me faz menos feliz. Cabe apenas a mim decidir me entregar a umx ou a todxs. Sou corajosa o bastante pra peitar isso de verdade, mesmo sabendo que o medo anda multiplicado por 3, a insegurança também, sou mulher de enfrentar e aproveitar tudo de bom que possa vir.

Me acostumei tanto a viver para uma pessoa, planejar minha vida e meu futuro com esse alguém ao lado, é a priimeira vez que tento não planejar nada, só viver. Claro que eu quero um futuro, mas quero descompromissado e divertido. Seja o que for que vá acontecer, que seja bom e sem planejamentos. Estou no clima de deixar rolar, já planejei demais e sofri ao ver planos que não aconteceram, vamos tentar de outro jeito, vai que funciona! 😉

Paixonites esquizofrênicas

Ou, o amor nos tempos da bipolaridade.

Por Jeane Melo*, Biscate Convidada

paixonite

Eu desperto e o seu cheiro ainda está em mim. Não me incomodam os seus pêlos que em carícias sorrateiras vêm parar na minha boca.  Esses me engasgam, eu cuspo e rio depois. O que me incomoda é a sua ausência. É passar o dia todo com você em mim. Quem sabe não furo uma veia, abro ainda mais um poro, invento algum outro orifício pra ver se você me ausenta sem dor. Ou racho a minha cabeça pra ver se escoam essas lembranças inúteis. Não sei pra quê as guardo. Da mesma forma como ainda não sei porquê eu nunca te disse eu te amo. Talvez puro receio disto não ser recíproco. E certamente não será. Mas estou com vontade de dizer. E aí, você aguenta? Esquenta, meu bem, pois o cobertor, é curto, bem curtinho, então vem logo. Sabe por que? Amanhã eu mudo de idéia. E te odiarei, teu time, teus pêlos, teu jeito desastrado.  Só posso ser feita de matéria abjeta e suja, porque até hoje não ouvi de você, espontaneamente, nem um mísero e vago “eu te adoro”. Eu, justamente eu, que me arranhei, me sangrei, aprendi a cozinhar na panela de pressão, a entender o que era um impedimento, a ver o jogador Fred para além da sua beleza e prestar atenção para um voleio (!). Você, verme miserável, que sai plácido e cinicamente da minha cama quase todas as manhãs não merece mais do que meu mortal desprezo. Nunca mais vou tencionar dizer eu te amo. Te odeio e tenho fome de ti. A louca de sentimentos imprevisíveis, que à distância se reconhece bipolar, só quer um abrigo no espaço de teus braços. Um carinho, somente. A palavra dita na hora certa. A coisa feita na hora certa. E não pense que estou falando das vezes que você me convidou pra comer sushi e eu aceitava com os olhos brilhando. Não, não me vendo por comida. Ok, só algumas vezes. Mas naquele dia foi sacanagem, vinho argentino e salmão com molho de maracujá, porque você precisava ser tão baixo??? Era só ter trazido mais uns cinco sashimis que eu te declararia amor eterno. E você, em contrapartida, o que você sabe do meu mundo? Sabe o que eu pesquiso? Sabe que eu choro ao ler Neruda? Que fico paralisada e arrasada depois de ver um filme de Bergman? Que meu sonho é viajar pro Chile e pra Cuba? Que meu desejo mais íntimo é ser só mais uma na multidão, confundida com toda essa gente? Mas você só sabe falar mal dos meus vestidos compridos. Esses mesmos vestidos que são elogiados no meio acadêmico e de trabalho, esses vestidos que você condena porque não são curtos, coladinhos e chamativos, como você queria. É querido, você namora com um bicho-grilo (que não vai mudar o seu visual). E eu, com um caretão tardio que quer tão somente uma menina transadinha e na moda, maquiada e escovada, toda trabalhada no previsível gênero inteligível (só Butler pra me salvar!). Juro que vou ficar apenas pra ver quem ganha essa queda de braço, eu, a sua outsider preferida.

Beijos, te cuida…

Peraí, vc sabe o que é uma outsider?

.

jeane melo*Jeane Melo é uma pernambucana torcedora do Sport morando no Maranhão. Adora cinema de arte, música, culinária, bons livros, amigos queridos, vinhos, praia, meditar, escrever, viajar, assistir MMA e dançar tambor de crioula.

Paixão? Amor? Outra resposta possível?

Aqui em Minas, a gente tem um jornal. Quer dizer, temos uns três, mas acho que um é “O grande jornal dos mineiros” ¬¬ e é o Estado de Minas – EM (uma grande porcaria, se querem minha opinião. se não quiserem, azar.).

Meu pai ainda o lê. E minha mãe, na segunda feira, me mostrou uma coluna escrita por um deputado e conselheiro sentimental, cagador de regras, chamado Antõnio Roberto, o artigo em comento, que começa, via de regra, como as colunas dele no tal jornal, com a pergunta de um leitor(a).

Eis a pergunta:

“Antônio Roberto, apaixonei-me por um rapaz, há um ano. Foi uma loucura nosso relacionamento nesse período. Vivíamos exclusivamente um para o outro. Há um mês, ele terminou, após um período de esfriamento. Por que a paixão acaba? Estou sofrendo muito. Me ajude. Beatriz de Belo Horizonte.”

Me peguei pensando em todas as paixões, paixonites e amores que já vivi na vida.

E lembrando de Legião Urbana e do amor que é fogo que arde sem se ver e que sem amor, eu nada seria…

E de todas as canções de amor que já foram escritas.

E de que alguém já disse que de amor não se morre, se vive.

E que sou uma eterna romântica, mesmo quando faço cara de biscate blasé.

E lembrando de Legião, busquei o Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

E lembrando da Luciana, que freudianamente me indico este texto, eu lembrei de um post do Borboletas, e quando o encontrei, me perdi. E me achei.

A resposta, Beatriz, afinal, eu não sei.

Paixão, amor, amor, paixão? Quem é que sabe?

Mas explicação para eu escolher os dois, sempre, mesmo com a dor e a agonia, é essa aqui, do vídeo:

Enquanto dura, é bom pra caralho! (E pra buceta!)

Uma Paixão Imponente

Brasileirão da Biscatagem
Palmeiras, Daniel Nascimento

Um amor assim, biscate, livre, liberto, não vem de bate-pronto como uma decisão que se toma na vida, de caso pensado. É necessário a maturidade, aquela cevada, as dores. Passar pela etapa do gozo e da dor. Compreender que muitas coisas são incompreensíveis e que pra ser verdadeiro não faz-se mister a posse e que com isso a palavra fidelidade ganha um sentido mais amplo. Vira cumplicidade. Esse amor vem de manso, te magoa, te faz sofrer. Mas justamente tais passos lentos e dolorosos fazem tal sentimento penetrar na carne e na alma. E assim os obstáculos somem. Vem aquela paz e tranquilidade de uma relação onde sabe-se que não importa os obstáculos, as agruras, as lágrimas: sempre teremos um ao outro.

Falo de uma relação com outra pessoa? Poderia bem ser. Mas no caso é o que sinto ao querer transcrever minha paixão por meu time: o Palmeiras.

Nasci em 1978. Quando criança eu amava – e ainda amo – mesmo é o futebol. Sou de uma família onde toda a parte paterna é palmeirense e a parte materna corinthiana. Diz meu pai e meu avô materno comprova que este fez de tudo para que eu fosse mais um alvinegro na família: deu-me camisa, bola, boné. Eu poderia dizer que meu pai venceu a batalha mas as coisas nunca são tão simples assim. Afinal nos anos 80 (como hoje por sinal, mas isso não importa) o Palmeiras não ganhou nada. Imaginem uma criança louca por futebol ver os amiguinhos corinthianos e são-paulinos revezarem-se na comemoração por títulos. Até o Santos teve sua vez em 1984. E a Inter de Limeira, em 1986. Justamente em cima do Alviverde. Mas a grande verdade é que eu realmente não me importava muito. Gostava mesmo do jogo.

 Mas aí veio a adolescência e nela junto com os hormônios que nos dão pulsão e desejos veio a necessidade de por tal amor à prova. Pensei até em não torcer pra time nenhum ou, como bom metido a outsider, torcer por um time de tradição mais refinada como o Santos ou Botafogo (que sempre me foram simpáticos) ou a Portuguesa. Afinal, time que não ganha nada por time que não ganha nada esta é mais cool. Como diz um grande amigo meu: eu era jovem e tolo. Isso era uma clara fuga. E tudo foi recompensado e confirmado em 12 de junho de 1993. Dia dos namorados; só podia ser. O Palmeiras humilha o Corinthians, logo o Corinthians! na final do Paulistão por 4 x 0, devolvendo derrota simples na partida de ida, levanta a taça, quebra o jejum de 17 anos, me dá um tapa na cara e diz: você é meu! E era.

Torcida que canta e vibra

A partir daí, lua de mel: grandes times, grandes jogos, grandes conquistas. Mais estaduais, bi-brasileiro, Copa do Brasil, Mercosul, a cobiçada Libertadores. Vi grandes craques desfilarem e honrarem o manto-sagrado alviverde, como Evair, Edmundo, Mazinho e seu show contra o Boca Juniors, Alex, Zinho, César Sampaio, a era Felipão – quando aprendemos a ter raça, e o maior de todos: São Marcos.

Como não há mal que nunca acabe nem bem que dure pra sempre, hoje voltamos a vivenciar uma fase ruim. Mas como disse no início, esse amor já está consolidado, enraizado, e não há queda pra segunda divisão (quando fui em todos os jogos que ocorreram no Palestra), vexames ou gozações que nos afaste. Ouço muito dizer que viraremos uma nova Portuguesa. Como se isso importasse ou fosse vexatório. São tolos; não aprenderam ainda. Eu e o Palmeiras não precisamos ter títulos, ter maior torcida, ter o melhor estádio, ter nada. Simplesmente somos.

Daniel Nascimento é palmeirense, roteirista de ficção científica e faz um guacamole como ninguém. Tem 33 anos de paixão por futebol, ama os grandes torneios mundiais e tem saudades do Desafio ao Galo. Nasceu em São José dos Campos, mas tem alma cigana, mora em São Paulo e já viveu em outras três cidades, outro estado e outro país. Não está satisfeito, tem aquela coceirinha de conhecer muito mais do mundo. Não sabe de umas tantas coisas, mas sabe bem de uma, onde  estiver terá sempre uma raiz: sua paixão pela Sociedade Esportiva Palmeiras

Paixão em preto-e-branco – GALO!!!

Brasileirão da Biscatagem
Atlético Mineiro, Renata Lima

“Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento” – Roberto Drummond

Éder Aleixo acompanhado só de feras. Entre eles, João Leite, Toninho Cerezo, Luizinho, Jorge Valença e Palhinha

A menina escuta o foguete estourando.

É dia de Nossa Senhora Aparecida. Mas pra ela, é dia de Galo.

A menina se senta na frente do avô, e o assiste ouvindo ao jogo pelo rádio. Ele fica pálido, vermelho, roxo. De repente, pula da cadeira, e grita: Galo!!!! E pega a menina no colo.

O manto de Nossa Senhora é azul, e a menina fica pensando que seria muito mais bonito se fosse preto-e-branco.

Mineirão, Atlético e Cruzeiro. Arquivo pessoal

A menina sou eu.

Desde que me entendo por gente, convivo com a paixão pelo Galo.

Clube Atlético Mineiro. Galo forte, vingador.

Desde que eu torço, na verdade, desde antes de eu nascer, nunca ganhou mesmo nada de destaque. Só esteve perto.

Esteve perto e foi roubado, como em 1981 – quando o Wright expulsou cinco jogadores do Galo, incluindo o Rei, num jogo que até hoje é lembrado pela roubalheira! Esteve perto e deu azar. Esteve perto, mas não era a hora.

O Doutor e o Rei – Sócrates e Reinaldo

Em 1999, no Mineirão, faltava pouco, tão pouco… Era o auge da dupla Marques e Guilherme. Era a nossa hora. Mas não foi. Foi uma derrota decepcionante e eu disse: NUNCA MAIS!

Marques e Guilherme!

Nunca mais vou sofrer por você, Galo.

Nunca mais vou chorar por você.

Nunca mais vou me embriagar de dor.

Nunca mais!

Só que… né?

Sou biscate, sou apaixonada, sou atleticana.

E em 2006, série B. O horror, o horror!!!! (dramática… )

E em 2007, de novo, no Mineirão. De novo.

Essa foto foi feita no carro, a caminho do Mineirão, em 2007 – arquivo pessoal

E a cada vez que ia ao Mineirão, meu coração disparava. Dispara.

Eu ainda sinto o cheiro da paixão.

Aquela coisa que a gente não sabe explicar, só que embriaga os sentidos.

O cheiro de churrasquinho e feijão tropeiro, no bar 26.

O sabor da cerveja – sem álcool, que antipatia… e dos inúmeros cigarros, os cantos da unha roídos.

O som da massa cantando: Aha, uhu, O MINEIRÃO É NOSSO! O batuque da fanfara, o coração disparado. O apito final.

A sensação daquelas arquibancadas tremendo, no ritmo da Galoucura pulando.

A visão do gramado, do sol se pondo sobre a arquibancada, das faixas espalhadas.

Os sorrisos e palavrões compartilhados.

Placar final no Mineirão! – arquivo pessoal

Aqueles UH! AH! NÓOO!!!

Minha garganta aperta de vontade de gritar GOOOOOL! GAAAAALOOOOOOO!!!!

Abre logo, Mineirão.

To com saudade!

A menina cresceu, mas ainda hoje, como todo atleticano, quando ouve um estouro de foguete, grita: GALOOOO!!!!

Porque Chanel e Valentino já sabiam do poder do clássico preto-e-branco! – arquivo pessoal – Hall de entrada do Mineirão

Pontapé Inicial

Eu sei, eu sei… pequeno plágio que a ESPN vai me perdoar. O aquecimento para o Brasileirão da Biscatagi começa  agora. Coração na ponta da chuteira e todos os clichês futebolísticos afiados pra gente tratar do que interessa: rolar na grama.

Já estão escalados o grande amor e as pequenas desavenças, os gritos de prazer e os gemidinhos de desilusão, as alegrias das conquistas e a frustração do quase lá. Nesse rala-e-rola torcedor/time, vale tudo.

pontapé inicial

Todo mundo atrás deles…digo: atrás da bola!

E como todo mundo quer mesmo é saber da Tabela do Campeonato informo que a bola rola saindo dos pés da Amanda, logo a seguir, com seu texto delicioso sobre a relação de algumas mulheres com ela, aquela gostosa: a bola.

E daí pra frente é só bola na trave, cabeçada pra fora, defesas fenomenais e muito gol pra comemorar… vai ter emoção de sobra com Renata e sua paixão em P&B pelo Galo, o Gilson e seu coração tricolor, vai ter intensidade com o Furacão da Cris Rangel, Gre-Nal animado com Suzana e Rodrigo, a nação vascaína vai receber post da Letícia, o Santos vai dar bola com o Glauco e os corações rubro-negros vão se esbaldar entre o Brasil de Pelotas da Niara e meu Mengão. Ali, no banco, na dúvida se vai ter tempo pra jogar ou não, um torcedor pernambucano e o corinthiano Alexandre. Pra finalizar tudo em grande estilo, o Fernando nos oferece um belo bate-bola biscatagi-futebol.

Voltando à ESPN e aos pequenos plágios: Biscatagem é o nosso esporte. Então, vamos nos amar no mato (ops, bola no mato) que o jogo é de Campeonato!

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