Patrulhas da sexualidade… Alheias

Tem uma coisa que me incomoda… Incomoda muito! A tal da patrulha… “Olha, fulano tá namorando demais, cada dia com uma!”. “Olha, siclana trocou de namorado ontem e agora tá pegando aquela menina”. “ME-NI-NA, você viu! Beltrano saiu do armário… beijou não sei quem no carnaval, eu vi! Até que enfim!!!”.

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Registro Rupestre de um Beijo – Piauí-Brasil

E o problema da patrulha não é só, em alguns casos, a superexposição da sexualidade alheia. Sexualidade é igual marca de nascença, expõe quem quer. Tem gente que tem orgulho, tem gente que tem receio e tem gente que acha complicado. Acima de tudo, é foro íntimo e é da vontade de cada um usufruí-la para além de qualquer patrulha (sim! qualquer patrulha! de movimentos pela ou contra a liberdade).

Pra ser chato, eu meio que tenho uma teoria baseada em nada mais nada menos que minha mera observação sobre a situação: A patrulha da sexualidade alheia revela uma insatisfação com a própria sexualidade. Pois é… Me desculpem os psicólogos de plantão (e os que têm rotina também), mas é isso… Não to dizendo que o fato de um “heterossexual” se incomodar com “homossexuais” revele que ele seja um potencial “homossexual enrustido, ou que uma pessoa “pudica” que se incomode muito a “lascívia” de outras pessoas seja alguém “que não trepe”.

Pode até ser que isso seja verdadeiro. No entanto, o que quero dizer é que a preocupação e o incômodo sobre as formas como os outros exercem as próprias sexualidades (seja heterossexual, homossexual, bissexual, pansexual ou qualquer outra forma de designação) é um indício de uma incapacidade, ainda que momentânea, da pessoa se satisfazer plenamente a própria sexualidade e, em específico, sentir prazer com essa sexualidade. E não há nada pior que, ainda que exercendo a própria sexualidade, a gente não goze!

Em princípio, isso não é problema nenhum… Todo mundo já passou ou vai passar por algum momento de insatisfação sexual e de exercício “precário” da própria sexualidade. O problema é quando essa insuficiência de gozo se transfere do mero incômodo com as sexualidades alheias e parte para uma patrulha dos hábitos e das ações das sexualidade alheias. E, pior, parta para iniciativas de cerceamento das sexualidades alheias! O que é inconcebível.

Daí vem a minha implicância, porque patrulha/policiamento já nunca é bom, quando é da nossa sexualidade, então, é terrível! Por um simples motivo: a sexualidade é a prerrogativa mais íntima que nós temos e seu exercício livre é o maior sinônimo de nossa satisfação como humanos e em sociedade… É como a gente sente prazer, é o jeito que a gente goza… É isso…

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