Talvez um sorvete…

Queria nada, não. Outro dia mesmo, numa dessas megas torres blaster última geração que rasgam os céus da cidadona, mal consegui usar um elevador. Sim, um mero equipamento moderno. Sem botões, não sabia como subir, indicar andar, descer, parar. Bastava entrar e a máquina lá: prum. Minha cara de idiota e espanto.

Nem o celular sei usar. As “mileduas” pastas de arquivo, página de downloads, reconhecimento de voz,  aquele escarcéu todo de possibilidades. Queria era só fazer uma ligação, talvez: “cheguei.” “tudo bem.””como vai.”. Talvez usar a internete. Talvez um sorvete.

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A televisão? Ela grava, assovia, filma. Tem mais recursos que meu cérebro inútil, parado no tempo, perguntando a hora do jogo e preocupado porque vai perder o horário do filme. Queria nada, não. Ou talvez queira, porque nesse mundo tem sido assim o querer sem saber porquê. Nem a maldita regra do “por que porque porquê”…

Queria era um sorriso, talvez. Daqueles repletos, mesmo quando repete piada. Queria era um pau calibroso, durão, bonito, sempre a postos, sem que a porcaria do cartão de crédito ou a flacidez de ânimo estivessem ali, na espreita, na companhia, querendo algo que não sabe o quê. Queria era só um sorvete, de suco com água ou leite, congelado – sem gourmet, mesmo que feito daquela groselha antiquada.  Queria ler livro de papel, jornal de papel, mimeógrafo e colar cartaz de campanha política em poste, com soda cáustica e um cadinho daquela farinha de milho da embalagem amarela na calada do noite. Queria beber sem pressa mas no bar de sempre, sem deixar as calças numa cerveja super gostosa com preço de champanhe e retrogosto de alguma obra do romero brito.

Enfim, ando desconfiado que não caibo mais, não visto mais, não sonho mais, não quero mais…

Nessas horas, confesso, o único remédio possível é recordar, mastigar, saborear memórias, afetos, dengos e de sexos – molhado, amplo, geral, irrestrito, com sabor de quem chupa e se lambuza numa manga amarela doce, veludo, fiapo. No fundo, a tabacaria deveria ter o cigarro, a cerveja e uns libretos de foda.

A caretice é a última carta da tal mão invisível do mercado. Uma mão que não te masturba, mas só nos fode trazendo o prospecto das últimas novidades super lindas das torres de elevador inteligente internetes de oito mil gês e cacetes infláveis com pílulinhas azuis de um matrix sem fim….

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Nem Tão Silenciosa Assim

Porque nos reencontramos, reencontrei o desejo que eu já nem sabia. Você falava e eu quis, como na canção, rodar as horas pra trás e ficar no tempo em que eu vadiava em seu dizer. Mais: em que seu dizer vadiava em meu corpo. E não só ele. Voltar a uma tarde que não ficara, em mim, tão silenciosa como eu imaginava.

Trouxe o desejo pra casa, comigo. Como quem sabe o bom, esperei deitar-me pra sentir o querer inteiro. Queria sim. Queria assim. Queria, outra vez, essa risada que me distrai, assim, pertinho, ao pé do ouvido. Fazer reais, úmidos e curiosos os beijos educados que se espalham nas palavras que trocamos. Sem nenhum talvez, confesso: queria renovar o estoque de vinho. Queria voltar a saber mãos, pele, olho. Língua, queria sabê-la. Queria aquela força com que me colocaste de bruços no sofá. A mordida, queria. Queria que você sentisse agora, como eu sentia – mesmo ali, naquele espaço tão cheio de gentes e assuntos outros – que as roupas nos atrapalhavam, como sentimos antes. Queria o dedo duro molhando-se na minha cona. Queria os apelidos engraçados que no esfregar das peles se fizeram tesão. Queria ter a boca ocupada de você. Queria outra vez aquele choque de te ter percorrendo sem dúvida o que eu nem pensava que viesses a demandar. Queria aquela dor que gozei, cada vez mais e cada vez melhor. Queria o peito molhado da tua agonia quase riso. Queria o sem jeito do depois. Os olhos enevoados. O sutiã na maçaneta da porta. O telefonema antecipado. O adeus apressado. O banho corrido. E a rua, aquela esquina e tanta vida que seria.

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Música de molhar a calcinha

Ensaio "Beleza Real". Foto de Bárbara Heckler.

Ensaio “Beleza Real”. Foto de Bárbara Heckler.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E nessa polêmica toda de “50 Tons de Cinza” estava era me lembrando que os livros têm trilha sonora. Se não me engano, fãs compilaram tudo, numa seleção clichê que inclui até “I’m on fire”, do Bruce Springsteen. Claro!

Mas, ó, nem critico, não. Provavelmente, é a menor das questões da trilogia. Sem falar que, né, este texto aqui também está beeem provido de lugar-comum. Inclusive, minha dúvida no momento é: tem como música de molhar a calcinha fugir tanto assim do obvio? Mesmo que você me apresente aquela canção delicinha de uma banda indie norueguesa, pode mesmo ser melhor que “Lets get it on”?

Ouquei. Admito que estou falando de trilha sonora de motel, que já provoca formigamentos pelas obvias ilações que sugere. Bota aí as de Sade, Nina Simone, Marvin Gaye, Al Jarreau, Billy Paul, que molho a calcinha com todas as versões algo meio cafonas de “Your song“. E seguindo o fluxo, há quem molhe com Astor Piazzolla e Gerry Mulligan e outros com Bryan Ferry, por quê, não?

E há quem alucine com “Besame Mucho“. Adoro demais “Samba para ti“, do Santana, mas, piro mesmo é com “Fogueira“, de Rô Rô. E o que dizer de “Tatuagem“, especificamente com Elis? Ou “Ne me quitte pas“, com Maysa, que é de fossa, mas pra mim de sexo?

Cartas de amor são ridículas. Será o tesão igual?

Eu tinha muito siricutico sublimado quando dançava música lenta nos bailinhos da turma do colégio. E aquele negócio de o menino passar a mão nas costas, a dança inteira, só no alise, e a gente ir se chegando, esbarrando os quadris e a parte de baixo de quando em quando?

E quando a dança deixava de ser dança e virava mesmo um abraço e uma carícia entre o cabelo e o pescoço, ainda mais com salão escuro, segundos antes do beijo, que nem sempre vinha, as vezes era só o sarrinho acanhando e um cheiro no cangote? E era bom. Bom mesmo.

Duvidar, sou capaz de sorrir safada até hoje se ouvir “We’ve got tonight“, que fez parte da trilha sonora da novela mais bafo do meu comecinho de adolescência. E a vozinha atrevida que soltava aos 11, 12 anos, quando cantarolava, me fazendo de distraída, sussurrando no ouvido do coleguinha “wo-ho, let me see…”, que só anos mais tarde descobri que era mesmo “from all that we see”?

Porque, né. A gente entende o que dá conta de entender. E fala o que convém na ocasião, fazendo o maior virundum malicioso dentro daquela ingenuidade toda. Eu nem sabia direito o que queria “see”, mas o “let me” saia assim, com sorrisinho nervoso de canto de boca, num pedido espertinho escondido no verso equivocado da música. Sim, amigues, sou das antigas. Já molhava a calcinha antes mesmo de vocês terem nascido.

Enfim, a maioria disso tem um cenário, uma lembrança, uma pessoa no meio ou várias. Mas, também tem aquela música que a gente se arrepia só de ouvir, do nada, não porque lembre alguém ou alguma situação, mas pela canção em si. Não tem?

Tem uma que me enlouquece, pela música mesmo, por essa interpretação maravilhosa. Tesão absoluto. Nem tenho memória específica de nada com ela, de primeiro namorado ou transa épica. É que acho a música fodástica (ui!) de verdade. Bom, se bem que tem esses dois juntos, lindos, tesudos, cúmplices, se querendo. É. Tem isso.

Como não gosto de complicar e posso ser bem evidente nas historias, e esse texto aqui é sobre obviedades, afinal de contas, minha melhor música de molhar a calcinha é esta! A de sempre. A de muitxs. Porque nessa vida, minha gente, tudo o que é gostoso começa mesmo é com Chico Buarque de Hollanda.

Segura essa, Christian Grey!

Êxtase

Por Paulo Candido*, Biscate Convidado

Às vezes é muito rápido, vai, entra, faz e sai, urgente, correndo, fugindo do mundo, nem que seja só por um instante de calor e esquecimento. Um instante de explosão, um instante de paz. Um minuto para suportar todos os outros minutos do dia. Um minuto tão rápido, os gestos quase de máquina, a eficiência quase de funcionário, a atenção só no no essencial, no objetivo, no fim.

Outras vezes não, é devagar, sentindo cada momento, cada carícia, cada toque. Se deixar envolver, ver quase que de longe o calor crescer, perdida do mundo, perdida do tempo, rendida. Tudo bem lento, tudo quase parado, gestos longos, olhando para cada pedacinho do corpo, para cada canto escondido, para cada vontade insatisfeita. Sem hora para começar nem dia para terminar. Várias vezes. E de novo. Até não aguentar mais.

Às vezes é em pé, quase um exercício, quase uma dança. Giros de corpo, a cabeça virada para trás, as mãos se esforçando para alcançar todo o corpo, a pernas ora levantadas, ora estendidas, por vezes dobradas. Por vezes ajoelhada, por vezes curvada até tocar os pés.

Outras vezes deitada, imersa, coberta. O corpo todo tocado ao mesmo tempo, a pressão, o abraço, de algum controle, de chão. Acolhida, envolvida, entregue. Dada. O corpo inteiro envolto vagarosamente, o calor nascendo nos lugares mais inesperados.

Rápido ou devagar, mas sempre. Todo dia. Pelo menos uma vez por dia. Duas, nos dias em que o calor cresce. Três, quatro, muitas, nos dias de feriado e férias, nos dias vadios de verão na praia.

Em pé, deitada, mas sempre. Todo dia, como uma rotina cega, o dia todo como respirar. Nos dias de lida, rápido e em pé, nos dias de folga, devagar e deitada. Nos dias de férias o dia todo, nos dias de suor, todo dia.

Como? Não. Não é nada disso. Não tenho culpa se você só pensa nisso. Eu estava falando de banho.

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PauloCandido

Paulo Candido imagina que grande maldade fez para uma cigana, para viver em tempos tão interessantes. E vez por outra conseguir aquilo que deseja. Prefere o jogo aos times e aos jogadores, mas adora contemplar esse Fla-Flu eterno do mundo. Mas torcendo sempre pelo Olaria ou pelo Juventus. E daí escreve, na esperança de um dia se perder no texto e nunca mais ser visto.

Carícias: de leve…

Ano novo começando e deu aquela vontade de falar de carícias… Aquelas pequenas, cotidianas, costumeiras, que podem virar um acontecimento. E tem esta receitinha que uso e vi sei lá onde. Provavelmente, numa revista feminina dessas “para agradar o parceiro”. Aí, a gente subverte tudo e vira uma folia a dois, pra nos agradar em primeiro lugar. Afinal, carícias podem apenas ser. Somente. Elas. E a pessoa que você quer.

Coloca óleo mineral num potinho, esquenta de leve no microondas, volta correndo pra cama e comece a brincadeira!

E com a pele besuntada, depois de palmas das mãos cheias e onipresentes, vem aquela outra parte que mais adoro.  O roçar das pontas dos dedos nas costas… Leve, mas longo e contínuo. Por horas. Saindo da omoplata, passando pela cintura, quadril e subindo de novo. Às vezes, desliza pro abdômen. Mas, nem sempre. As costas. Nas costas. E um ir se desmilinguindo toda. Virando pele. E silêncios. Quando muito, suspiros. Baixinhos. Um sussurro qualquer.

Tenho pra mim que se me mover os dedos vão se lembrar que estão ali e perceber que estão cansados. E de bruços, arrisco só um abrir de pernas. E os dedos percebem e escapam pra lá. E voltam repetindo o trajeto ao revés: quadril, cintura, omoplata, pescoço…

Posso gozar só nisso.  Com as pontas dos dedos nas minhas costas. E desse ir manchando o lençol de óleo. Há anos.

Pequenos prazeres: a barba

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

A barba é um dengo. Gosto dela rala, farta, média, comprida, cerrada, aparada ou não. De todo o jeito. Barba selvagem, meio bagunçada, barba até imberbe, feita sob medida para que as mãos possam se perder em afagos e carinhos.

A barba excita. Dá cartaz. Arranha os lábios quando beija. E é tão gostoso… Tem o poder de invocar cheiros e delícias quando resolve passear lá. Lá embaixo. Naquele lugar. Úmido. E todo o tesão recomeça num beijo que retorna cheio de fluidos, salivas e línguas.

Perdição define esse momento.

Johny Hendricks, lutador do UFC, com essa dobradinha matadora: barba e óculos...

Johny Hendricks, lutador do UFC, com essa dobradinha matadora: barba e óculos…

A barba, mes amis, é muito mais que a simples presença de pêlos no rosto. Ela é capaz de pintar cenários de erotismo, projetar sacanagens e sugerir trepadas inesquecíveis. Gente com barba é gente que promete deleite na pele e arrepios no pescoço.

E acho que ainda não inventaram nada melhor pra conservar o cheiro lascivo do sexo que os pêlos. Faciais ou não.

Ouso dizer que a barba tem até o poder de curar todas as feridas narcísicas da alma.

A barba é quase um sex shop. Propaganda de sexo bom e safado 24 horas por dia. Tara (minha) pura?

A barba é uma posição político-ideológica. De esquerda, que dá mais charme. Denota uma suposta ausência de frescura, coisa muitíssimo bem-vinda nesses tempos assépticos e de corpos infantilizados. Saudade dos tempos mais peludos e menos ditatoriais (para todxs).

Apenas sigam esse conselho

Apenas sigam esse conselho

O que circula por aí é a mais absoluta verdade: faça amor, não faça a barba. Porque ela é  uma preliminar ambulante. Um chamego a mais. Um cheiro que se pede.

E eu só posso assinar embaixo. Lá embaixo, de preferência…

Pequenos Prazeres: Brincadeiras

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

 #PequenosPrazeres

Eu o abraço e ele reclama: “estou suado, deixa eu trocar a camisa do uniforme.” Mas ele não compreende que eu não ligo. Nem chega a ser suor, é só o cheiro do dia todo que eu gosto. Assim como eu também amo aquele cheiro de cama e a cara amassada, parece que, pela manhã, o tesão só aumenta e adoro acordar com seu pau encostado na minha bunda. Pra falar a verdade, é bem por isso que curto dormir de conchinha.chocolate

Mas não é só o cheiro, o gosto dele também me excita, tem dias que me perco no gosto do corpo dele, lambo, mordo e chupo cada pedaço dele, acabo esquecendo do resto do mundo. Ele gosta de 69, eu gosto do beijo dele depois que ele me chupa, os sabores se misturam. E sugo a boca dele inteira, enquanto ele me penetra com força, ele gosta de gozar beijando, eu também.

Um dia, ele decidiu jogar óleo nas minhas costas, cheiro doce de pêra, ele massageava e me apertava com suas mãos grandes. Tem mulheres que não gostam de ficar de quatro, eu adoro, ainda mais se tiver óleo de massagem. E o cheiro fica preso no meu nariz, misturado com o cheiro de sexo.dk_Boca_com_morango

Gosto de melar a barriga, o peito, as pernas e o pau dele com gel ou óleo comestível, adoro sabores doces com o gosto do seu suor e do seu gozo. A gente ri, se mela, depois um banho e mais uma trepada, quem sabe, ou só umas brincadeiras. Todas tão comuns, mas tão nossas!

Pequenos prazeres biscates: faça você mesma

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

 #PequenosPrazeres

masturbação

Ouviu seu grito de gozo e viu que era bom. E aí se fez uma paz e uma alegria tão grande dentro dela que adormeceu. Ali ao seu lado, repousavam os objetos companheiros daquele orgasmo todo: seu vibrador e o já quase findo, lubrificante.

Tinha muito tempo que a moça se esquecera desses pequenos prazeres solitários. Há muito tempo que não gozava assim, para a casa toda ouvir. As paredes e seus tijolos e tintas, o sofá, o criado-mudo, as janelas e as cortinas. Havia, novamente, gozo naquela casa. Havia prazer.

Achava que não sabia mais gozar sozinha. Tinha tanto tempo que não se tocava, que não se amava, que não sentia tesão por si mesma. Andava muito ocupada com o mundo lá fora, que se esquecia que era necessário gozar a vida. Em todos os sentidos.

Naquele dia preguiçoso, em que não precisava trabalhar nem lavar louça, nem cuidar do mundo um segundo sequer, podia se dar ao prazer, ao desfrute, às carícias. Lembrou do último moço com quem havia se encontrado e lembrou o quanto foi bom. Levou a mão até a buceta e começou a mexer devagarinho, sentindo os pelos e a pele tão macia. Estava molhada, mas ainda não era suficiente. Lembrou da sua caixinha guardada no baú.

Acordou de um sonho daqueles tão bons que nem dá vontade de sair dele. Sonhara com um moço alto, moreno, de sorriso largo e uma moça de camisola transparente preta. Eles não se falavam, mas se conheciam e transavam os três ali numa espécie de esteira, numa sala aberta com muitas pessoas passando.

Acordou molhada. De novo. Sentindo um tesão enorme. Não teve dúvidas de que era chegada a hora de gozar, gozar como se o mundo fosse se acabar todo ali, estupefato com seu sexo molhado, inchado, macio e ávido para botar fim naquela deliciosa agonia, ansiando pela petit-mort.

 

Pequenos Prazeres: 69

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates

#PequenosPrazeres

Por Larissa Santiago*, Biscate Convidada.

Ah, não gosto não. Na verdade eu não me concentro!
Precisa tá tudo depilado porque se não, nem vem.

panoramio Não estranho, essa prática é pouco relatada e mencionada com amor.

Quando excitadamente relato os “cases de sucesso”, as pessoas se impressionam e até pedem as lições aprendidas de como encarar o 69 com mais naturalidade.

Na minha lista de posições, ele está no topo! Swingado, sincronizado é o que há quando há cumplicidade, disposição e habilidade.

Aliás, disposição é preciso. Envergonhar-se não é preciso.

Uma mistura perfeita de chupar e ser chupado, ter e dar prazer alcançando os recônditos lugares erógenos.

Sempre que possível é bom tentar e experimentar, se dar essa liberdade [sou suspeita pra falar]. E logo perceberás que 69 se tornará uma paixão, um assessório essencial, uma posição que não poderá faltar.

Mas elx não quer nem tentar!
Parei tudo e deixei só a outra pessoa…

Sem tentar, realmente fica difícil: você só sabe que não gosta de chá verde até tomar chá verde, correto? Não significa que obrigar a pessoa a fazer o que ela não quer só pra provar que ela pode gostar é o caminho da salvação – obrigação e sexo nem combinam. Uma boa conversa e uma tentativa consentida garantem o primeiro passo.

Sobre parar, ahhhhh, essa é uma constante até para os mais experientes e amantes do 69. Aquele momento em que você respira fundo, olha pro teto e começa tudo de novo: faz parte do show!

69 é um pequeno grande prazer daqueles difíceis de se ter, mas quando se consegue, inesquecíveis.

69 devia ser instituído o pequeno grande prazer na lista das deusas do prazer na cama.

69 para todxs.

larissa*Larissa Santiago é baiana e publicitária.

Pequenos Prazeres: Todo dia

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#PequenosPrazeres

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Pequenos prazeres… me desculpem, não consigo associar o sexo a pequeno prazeres, sexo, pra mim, é um grande prazer. O pós-sexo também, a mão que descansa na bunda, ficar agarradinho, dedos que acariciam levemente as costas, beijos carinhosos. Tudo um grande prazer.

Pequenos prazeres para mim estão nas coisas comezinhas do dia a dia, pequenos gestos deliciosos e diários que vão às vezes numa sequência.

Chegar em casa e tirar o sapato, tirar o sutiã, tomar um banho gostoso e lavar o cabelo. Usar no banho um óleo de banho delícia. Pedir pizza de banana com borda de catupiry e coca geladinha para ver algo bacana floodando no twitter ( ultimamente o #Masterchef) .

Se não comer pizza no dia vale comer chocolate (o lacta  branco com oreo),  lambuzar o dedo e lamber o dedo. Melhor ainda se ganhar massagem nos pés e nas costas.

Na hora de dormir é delícia se for o dia que trocou a roupa de cama e ela estiver novinha e cheirosinha.

Mas seria um grande, imenso, incomensurável prazer mesmo se no dia seguinte fosse feriado. Não é. Boa noite, vou dormir tendo como pequeno prazer antes do sono meus dedos… Bons sonhos pra vocês também.

Pequenos Prazeres: Delicatessens

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates

#PequenosPrazeres

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Então….

Poucas, mas poucas, poucas mesmo, cousas na via são tão boas como o cheiro dum refogar. A panela quente, o azeite. Aquele barulho. O barulho… Nem sei qual onomatopeia usar: zizzzzuuuuszizzzzz. A cebola, picada. Mais barulho. O alho…. E aquele cheiro que toma conta da cozinha, da casa, da alma. O que vai ser depois? Pouca importa, se tomate, se espinafre, se outro cozido qualquer. Aquele cheiro pela casa perfuma toda a vida….

Acordar. E encontrar lá aquele pó de café. Sim, nem máquina, nem mesquinharia em sachê, nem solúvel. O pó. Com cuidado no coador. A água quente, mas nem tanto borbulhar, esparramando-se pelo pó. Ouçam o cheiro… pergunto se pode existir cousa tão ébria quanto este primeiro cheiro de café. Não há, certamente. Não há.

Teus pés, descalços. Tua sola do pé brincando com as minhas. Teus pés me tocando. Tocam e retocam, panturilha, joelho, coxa, pau. Brincando. Teus pés, sem roupa. Aquele formato de pé, da parte alta. Sem salto, sobressalto. Sei lá, teria mil dias para me perder por ali.

Puxa, aquele filme comédia romance final feliz bobinho. Delícia, Demi Moore, Rob Lowe, ela não me aparece de madrugada para dar uma trepada com ele, benzadeusas! Filme bom… Como bolo de fubá com café. Como refogado de bife acebolado. Como pé com pé. Deita aqui, deita. Me faz um cafuné. Tem cheiro melhor que este do teu pescoço? Me faz um dengo, beijo. Aumenta o som. Abaixa o som. Ajusta a imagem, vai….

“Neguinho, tem um texto tão gostosinho no blogue de vocês… me deu um tesão, sabia….”.

Na vitrola, tocava Marvin Gaye, antes da ciumeira dos cabides….

Pequenos prazeres: Palavras

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates

#PequenosPrazeres

relações perigosas

“… as palavras, mesmo chulas, ganhavam contexto, prosa e poesia. Erotismo.”

Não me lembro a idade, nem na verdade o livro.

Mas lembro que ofeguei, escondi, e mais tarde retomei a leitura de um trecho que me arrepiou e estremeceu.

Depois disso, buscar esses pequenos prazeres, fontes de inspiração ou as vezes de uma repulsão magnética, se tornou comum.

Eles estavam onde menos se esperava. Nem tanto nos romances açucarados de banca quanto nos livros de Harold Robbins (esses, misto de fascínio e repulsa). As vezes, entrevisto em O Guarani, ou em Senhora, ou em outro “clássico”.

E quando descobri o reduto das revistas escondidas… bem, digamos que o que era entrevisto se tornou revelado. Mas as figuras explicitas, se excitavam (excitavam!) o corpo, não encantavam a mente tanto quanto as palavras, os relatos, os contos…

livro na cama

De uma outra época, onde existiam revisores,copy desk… as palavras, mesmo chulas, ganhavam contexto, prosa e poesia. Erotismo.

Em “Crônicas de uma namorada“, Zélia Gattai escreve uma ficção fofinha e biscatinha, onde Geana, a protagonista, descobre entre os livros do primo-primeiro amor os livros que vão (começar) ensiná-la a compreender aquela história de amor e sexo e tal.

E em “Julie & Julia”Julie Powell também conta sobre sua descoberta daquele livro, escondido nos pertences dos pais, aquele livro com figuras ilustrativas de homens e mulheres sérios e velhos (para uma adolescente de 14 anos!) que a deixava com o corpo quente e mole.

Hoje as palavras estão aí, jogadas, na rede, e é fácil encontrar um site de “conto erótico”. Difícil as vezes é encontrar o erotismo nas palavras ali jogadas... nada faz sentido nessa frase, cara!

Poesia-Erotica-capa

Mas ainda é possível encontrar pérolas. Encontrar o erotismo explícito em palavras escritas para umedecer, ou no erotismo sutil, que enlanguesce (adoro essa palavra, sempre quis usar!).

Aqui, mesmo, no Biscate. Nessa quinzena especial, a Bia e a Vanessa já deixaram aqui e aqui posts inspiradores, já viu?

Lidas ou ouvidas num contexto digamos, adequado, meras palavras podem me fazer… ahn, ah… você sabe.

😉

lendo na cama 2

 

 

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