Pequenos Prazeres: Tempo

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates

#PequenosPrazeres

O mundo anda bem agitado e eu por aqui tenho andado meio que encaquifada, assim como que estranhando sua velocidade, que sei também minha, já que, afinal de contas, sou mulher desse tempo que agorinha mesmo escrevi.

Então pois, não sei se é coisa do por dentro ou se realmente o tempo tem parecido cada vez menor, brincando de tomar a porção do encolhimento lá no País das maravilhas da Alice.

Tempo.

Falar desse senhor sem idade pode nem parecer tão interessante assim, quando imagino prazeres e ah… as possibilidades… mas o sino dos ventos murmura com a ajuda da brisa fugidia nesse verão que ainda não começou, que talvez seja isso mesmo…

Tempo.

tempo

Para andar descalça, tomar banho de mangueira pelada, deitar na grama. Perder as horas dando e recebendo cafuné, alisando costas, experimentando arrepios, até encontrar-me no aqui, agora.

Tempo.

Para as risadas compartilhadas, a saliva antecipando sabores, o corpo se abrindo para a experiências de fome e saciedade enquanto deixo cozinhando lentamente uma delícia planejada na panela de barro, que um dia ainda vou comprar naquele mercado que estive não lembro direito quando.

Tempo.

Para o ritual do embelezar-se em canela, erva doce e hortelã, para a purificação em arruda e sal grosso, para mante-me corajosa em pimenta e girassol. Plantados nessa minha terra, com minhas mãos cheias de propriedades. Para experimentar todos esses cheiros também naquele outro que amo, o que agora dorme ao meu lado. Para raspar as pernas lembrando da meninice quando apenas imaginava que sim, sim, sim. E ria, ria, ria…

Tempo.

Para fazer todas as esperas transformarem-se em alegrias, delicadezas e gozo.

Tempo.

Para estar pronta quando. Para nós dois.

Pequenos prazeres biscates: música

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

música

Cerveja de trigo, petiscos, o gato dormindo no puff ao lado da mesa. Música. E a iluminação perfeita do seu apartamento, que deixa a sua barba ainda mais ruiva. E linda…

Tiro seus óculos. Você solta o meu cabelo curtíssimo, mas que insisto em prender. Eu já te disse que seu beijo é uma delícia e que eu poderia passar uma, duas, dez noites inteiras só sentindo o sabor dele? É. Seu beijo é quase uma transa, meus parabéns!

“Preparei uma coisinha pra nós”.

Não lembro de ter te contado quais eram minhas bandas favoritas. Mas você acertou em cheio nessa playlist: tem TUDO que amo nela. E que gostoso é dançar bem pertinho, sentindo a sua respiração e o calor do seu corpo. Corpos que, molhados, se misturam ao ritmo da música, numa dança que dura até o nascer do sol, quase sem pausa…

Encosto minha cabeça no seu peito sardento e adormeço com o gostoso cafuné que você me dá. Obrigada pelo fim de semana incrível que, a cada shuffle, me trará deliciosas lembranças…

Pequenos prazeres biscates: lista

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates, hoje tem uma lista…

 #PequenosPrazeres

lista

Uns olhos verdes de miolo amarelo, brilhando em sorrisos de antecipação. Olhos.

Um jeito de pegar no cigarro, familiaridade, hábito, um jeito de acender o cigarro. Dedos.

A boca fumando o cigarro, os lábios envolvendo o cigarro. Os dedos. Os lábios. A boca.

Um alô ao telefone, grave, expectativa, e o arrepio por dentro. A voz.

Um qualquer coisa que dá vontade de mais, de ouvir mais, de olhar mais, de ficar mais. Espera.

Espera. Antecipação. Expectativa.

Mais.

******

Os lençóis amarfanhados. As roupas pelo quarto. A porta que ficou destrancada: pressa demais, tesão demais. Ufa.

Uma mão passando de leve pelo corpo morno e satisfeito.

Um mordiscar na nuca, uma língua indolente, ainda, mais e quase  tudo de novo. Quase.

Os olhos fechados. Suspiro. Lembrança. Delícia.

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Pequenos prazeres biscates: siririca

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

 #PequenosPrazeres

siririca

 Zumbido chato do celular vibrando embaixo do travesseiro. Mas, também. Só desse jeito pra não perder a hora. Mesmo assim, preguiça de sair da cama e um pouco de ansiedade pela apresentação que viria.

E aquela coisa de dormir pelada que acaba deixando o lençol com cheiro bom de hidratante?!

Pega o celular e, antes mesmo de ver mensagens, busca “contos eróticos”. Abre o site de sempre e os contos até sabe de cor. Clica em qualquer um, só pra lubrificar um pouquinho. Nem precisa ler direito, só de pensar… Até porque, ruim ler pelo celular, letra pequena, ainda tem que ficar segurando o aparelho e masturbação com uma mão só fica meio sem ritmo.

Hum. Tipos.

E aí, já molhada….

Chupa os dedos, passa as mãos pelos peitos, contornando os mamilos. Hum, aperta os peitos, mas nem fica ali muito tempo. Não dessa vez. Vai direto pra buceta. Com uma mão abre, com a outra passa um dedo pelo clitóris, depois dois, três. Ai… Volta pros peitos com a esquerda e cai de novo na buceta com a direita. Vai circulando o dedo no clitóris e enfia o médio na xoxota. Dois. E o clitóris com o polegar. Nem pensa em nada mais que aquilo. Sobe aquele calor e o vermelho no rosto e pescoço. Como sempre. Hhhmmm. Aumenta o ritmo. Diminui. Quer gozar. Mas, aquela sensação do pre gozo é delícia demais! Segura só mais um… pouquinho…

E massageando o clitóris com os três dedos do meio, descendo o indicador pra dentro da buceta. Tira. Mete de novo. Tira. Mete.  Mete. E depois o polegar no clitóris, circulando, pressionando. Coração acelera. Respiração ofega. Goza. Geme alto. Pressiona as coxas uma na outra, levantando a perna direita.. Fica por ali mais uns 2 minutos, largada na cama.

Ri.

Levanta, se mete no chuveiro. Tem vontade de começar de novo. Mas, lembra. Melhor nem demorar muito mesmo. Buceta ainda se contrai de leve algumas vezes. Curte. Ri de novo.

Sai, se troca e vai. Feita.

Pequenos Prazeres Biscates: Acordar

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres
por Bianca Cardoso, Biscate Convidada

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Obra de Darli de Oliveira, 2010. Outras obras, aperte aqui

Ele tinha chegado de viagem no início da noite. Eu havia prometido que ia dormir no seu apartamento. Cheguei arrumada, mas estava cansadíssima, só consegui dar uns beijinhos e quando ele levantou para ir à cozinha, dormi. Uma comédia. Mas na manhã seguinte acordei mais cedo e decidi fazer algo para dar as boas vindas.

Ele ao meu lado dormindo, só de cueca. Levantei o cobertor com toda a delicadeza para não acordá-lo, me movimentava bem devagar. Dei um beijo de leve, ele começou a acordar. Então peguei sua cueca e comecei a tirá-la. Ele ainda com sono, meio sem saber se era sonho ou não. Segurei seu pau e comecei a movimentá-lo para cima e para baixo… Bem devagar, olhando para seus olhos ainda sonolentos. Minha língua começou percorrendo a região ao redor, lambendo a parte interna das coxas… Até chegar na base do seu pau, que já estava duro e pronto para receber todos os carinhos que eu poderia dar.

Posicionei-me com o rosto bem em cima de seu quadril, bem na direção onde ele pudesse observar, deixei a bunda bem arrebitada e comecei com longas lambidas, da base até a ponta… Percorrendo todo o comprimento daquele pau, procurando sentir o sangue que corre por dentro dele. Sugando com vontade o líquido que denuncia sua excitação. Chupando primeiro a cabeça, beijando-a, passeando os lábios. Preparei-me para a descida, abri um pouco a boca e deixei que ele entrasse e saísse… Entrava fácil com a ajuda da minha saliva e saía com alguma resistência por causa da pressão que eu fazia, tentando segurá-lo mais tempo dentro da boca. Em intervalos, eu parava de chupá-lo e segurava seu pau com força com umas mãos, procurando manter o ritmo enquanto o assistia se contorcer na cama… Suas mãos tentando alcançar meus cabelos… E sua boca tentando dizer “não pára” entre gemidos. E quanto mais via ele se contorcer, mais eu mexia minha bundinha rebolando… E mais eu brincava com seu pau.

Abri a boca mais uma vez e enquanto escorregava seu pau dentro, passava a língua ao redor, deixava-o todo lambuzado, até o momento em que senti que ele estava mais duro, que seus músculos estavam ficando tensos, aumentei o ritmo e a intensidade das chupadas. E então escutei o gemido profundo, só um. E senti na boca aquele gosto que começa doce na ponta da língua e vai descendo amargo no final, quente e fácil de engolir.

10478212_885847744762498_1294414712196997681_n*Bia Cardoso teve uma curta carreira de escritora erótica entre 2005 – 2007. Esse texto é dessa época, quando ela ainda nem pensava no gozo de hoje. É autora do Groselha News e pode ser encontrada no twitter como @srtabia

Pequenos Prazeres Biscates: Orais

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates, hoje temos prazeres orais…

#PequenosPrazeres

orais

Boca, língua, dentes. Febres. Calor. Você passeia pelo meu corpo, morde meus lábios, lábios grossos e molhados. Molho-me. Mordo, me mordes, chupo teu pescoço e deslizo pela orelha, labirinto adentro. Labirinto afora.

Pelos, cabelos, saliva. Tua língua desenha minhas costas, desce, desce mais, quadris, bunda, adentra. Adentro. Penetra-me com os lábios abertos, sinto-te boca, sinto-te toda. Então me beijas com o gosto que vem de mim,  e eu de ti enlouqueço no furor da língua, exploro o céu da boca, lambida, mergulho. Lambo-te, descubro o gosto que escondes embaixo dos lábios, queixo, seios, dedos, umbigo.

Beijo, beijo de novo, mordida, mordo forte enquanto me lava os braços, língua correnteza,  rio que extravasa os poros, suor meu, suor seu, onda que nos leva, redemoinho.

Prazer de lábios, prazer oral, prazer que bebo com sabor desperto, degusto, deleite. Prazer nosso a ser vivido em cavidades e banhos de mar, esse nosso mar que nos cobre, gozo, desaviso, de novo, vem.

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Pequenos Prazeres Biscates: Beijo Grego

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

Cunete, anilingus, rimming, cuzete, beijo negro, beijo natalistico, beijo baruerense, beijo allanistoico, beijo tianical, tulipa roxa, folhinha verde. SIM, ele, o BEIJO GREGO.

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Disembodied Lips – Julia Randall

Talvez um dos maiores tabus da vida sexual contemporânea média. Pois é, um dos melhores Pequenos Prazeres Biscates, Ele é, sim, o mais castigado pelas convenções. Sujo, imundo, anti-natural…

Expressões de ódio e ojeriza ainda estão pra ser criadas, cada vez mais aviltantes, para designar, por referência, o Beijo Grego. Se foram os gregos mesmo quem o inventaram, pouco me importa… A pluralidade de designações é suficiente pra mostar que origem não é o problema, o que importa é a prática!

Receita simples: 1 cu e 1 boca. Junteo-os e exercite a gosto! Mulher em homem, homem em mulher, mulher em mulher, homem em homem. Não importa a orientação de gênero, nem a identidade de sexo, sequer sexualidade. Sim, o beijo grego é, talvez, o pequeno grande prazer sexual 100% passível de prática entre todos os seres humanos dispostos nesse planeta! Beijo, democracia!

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Disembodied Lips – Julia Randall

Não… esse post não é uma manual de Beijo Grego, para isso convidamos vocês à prática, tampouco um serviço de saúde pública (para isso recomendamos gente especializada, por exemplo, urologistas e ginecologistas). Esse post é, sim, um serviço de felicidade!

O Beijo Grego, esse nosso pequeno prazer, nossa maior expressão Biscate, é a liberdade de se permitir atingir o ponto amplamente negado pela história da atividade sexual. Sim, não se trata simplesmente de ser um cu e uma boca… Trata-se de ser a junção apaixonada desses parceiros anatômicos e fisiológicos.

Pontas de um mesmo sistema, cu e boca (e que fique claro que línguas e dentes – sim, dentes – também participam) promovem o encontro do êxtase… Revelam, em si, a autonomia fundamental: a de se permitir fazer o sexo que tiver vontade!

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Disembodied Lips – Julia Randall

Por isso, amigxs biscates, tome o Beijo grego como um ato de liberdade, como um ato de auto-conhecimento e de conhecimento do parceiro. Não se trata de concessão, de prova de amor… Trata-se de descobri uma fonte de desejo. Beije!

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