Silvia

Na cidade de São Paulo, cidadãs descobrem que a bicicleta é também um meio de transporte. Leia a entrevista com a educadora física Silvia Oliveira, de 31 anos e moradora do bairro de Campo Belo.[zona sul]

foto: Antonio Miotto

foto: Antonio Miotto

1-Por que você escolheu a bicicleta como meio de transporte?

“escolhi a bicicleta, como meio de transporte por perceber quanto tempo eu perdia no trânsito.”

2. De modo geral, a saúde melhorou depois que começou a pedalar? O que melhorou exatamente?

“melhorou sim e muito! passei a ter muito mais fôlego, minhas pernas ficaram beeem mais fortes, e eu passei a me sentir bem mais alegre, bem humorada e de bem com a vida!”

Foto:  Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

3. Se uma pessoa que está pensando em usar mais a bicicleta no dia a dia perguntasse a você: “E aí, o que tem de bom em pedalar em cidade grande?”, o que você responderia?

“como passar a vivenciar a cidade de maneira mais humana, mais intima e verdadeira. sua vida passa a ter mais cores, sons, passa a ser mais vida! fora q vc passa a ter mais folego, condicionamento fisico e pernas incriveis! [risos]”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

obs. hoje, segunda-feira, ocorre o encontro entre algumas as paulistanas que caminham e pedalam, conhecido como “miça” [ um trocadilho para o hábito de beber com as amig@s em algum bar de esquina…]

Luiza ERUNDINA

Foto: Antonio Miotto

Luiza Erundina no CEU Perus (Foto: Antonio Miotto)

Luiza Erundina, deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, participou do evento no dia 11 de abril: diálogos com a comunidade no Centro Educacional Unificado (CEU) PERUS, na Zona Norte. O tema do evento foi “Ditadura Militar no Brasil – 50 Anos do Golpe de 1964 – Conhecer para não repetir.”

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Momento histórico, com direito a choro e emoção, cantando Vandré e até tietagem, com muita honra!!! Ditadura nunca, nunca mais!! (Foto: Antonio Miotto)

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Luiza Erundina (Foto: Antonio Miotto)

Alguns depoimentos

Sobre o processo que culminou com a eleição de Luiza Erundina, a primeira prefeita de São Paulo:

“Fizeste parte da histórica Revolução dos Bagrinhos, onde as base enfrentaram a direção, garantiram a indicação da Luiza como candidata e com o boicote da dita direção, as bases foras para as ruas, de casa em casa e voto a voto elegeram uma mulher pobre e nordestina como prefeita da maior cidade da América Latina.”

“Que conquista! E se não me engano em cima do Maluf cuja vitória nas pesquisas por mais de 5 pontos a globo cantou até a véspera. Tive o prazer de contar esta história para os meus filhos e na sexta apresenta-los a Luiza e ela a eles.”

O governo de Luíza Erundina, e sua opção política de governar com e para a periferia da cidade:

“Erundina foi pioneira na implementação de um projeto de governo voltado para o social, e a cultura e as artes eram eixos prioritários.”

“Foi uma vitória e um governo dos movimentos sociais e populares. A periferia pela primeira vez venceu, constituiu identidade. Foram os primórdios deste hoje vivo e pulsante movimento artístico e cultural que hoje está revolucionando as periferias.”

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(Foto: Antonio Miotto)

LU’Z Ribeiro

É Lu’z, do início ao todo. A poetisa paulista LU'Z RIBEIRO, poetisa com seus 25 anos e moradora do extremo sul da cidade e autora do livro de poesias Eterno Contínuo. Foto: Antonio Miotto

É Lu’z, do início ao todo. A poetisa paulista LU’Z RIBEIRO,  com seus 25 anos e moradora do extremo sul da cidade e autora do livro de poesias Eterno Contínuo. Foto: Antonio Miotto

Desta Manhã – por Lu’z Ribeiro

Nasceu na Luz um carinho, 

bairros antes surgiu um olhar.

Conheci a Cracolândia e vi que ali nada há,

Praça Júlio Prestes e eu prestes a duvidar,

de um querer de outras datas.

A cidade me viu como prova o universo me cedeu à lua, 

que me seguiu e me atingiu a alma. 

Eu estava cheia de luz, 

tão tão tão que se fez

tum tum tum. 

Suspeitei, que todos ouviam essa batida 

estalei os dedos pra disfarçar. 

Passos trôpegos me fizeram brincar com o chão 

(não me pega, não me pega não).

Meu andar acelerado inibiu o [seu] só vislumbrar.

Olhar atento e vago.

meu peito cheio… De ar?

Eu tive asas ontem, inúteis 

eu queria ser parada e sentir a brisa fria.

Curiosidades, curiosas e sabidas.

A inocência se fez, eu vi bonecos nas nuvens, 

essas que nem se faziam.

Eu me fiz feliz por esquecer, 

mas durou só até o metrô onde desconhecidos se (des)conhecem.

Eu queria falar, sorrir e dançar, 

mas temendo o novo, fiz silêncio.

Já em casa as cores da parede geraram cobrança:

– preciso de um herói pra dormir!

Lembrei-me de Pandora, 

ainda há esperança!

Luz Ribeiro Lança livro

Niara

Niara por ela ou “bóra listar as dezoito coisas que vocês já deveriam saber sobre mim.”

recorte d'eu, pela lente generosa do amigo Antonio Miotto

recorte d’eu, pela lente generosa do amigo Antonio Miotto

1- meu nome é revolta.
2- nasci comunista, quis ser jornalista aos 8 anos, e me tornei feminista aos 19 por necessidade.
3- minha cor preferida é preto, não tem a ver com meu espírito deprê.
4- acordo SEMPRE mal humorada. respeite.
5- meu café preferido é café com leite e bolacha maria (da Zezé, de Pelotas! o resto não presta), mas se tiver sucrilhos com leite gelado o meu dia já começa a melhorar…
6- acordo sempre com fome.
7- sou ~única e exclusivamente~ XAVANTE. até morrer.
8- cozinhar é um prazer imenso, desopila, e gosto de ver as pessoas se embucharem com minha comida. esse é o elogio que espero. então, se não for pra se embuchar nem comece a me com…digo, a comer minha comida. 
9- cinema e falar sobre cinema pra mim é só prazer, se percebo disputa de quem sabe mais largo pras cobra.
10- amo butiá, pitanga e bergamota (frutas que sempre tive no pátio de casa), mas minha fruta preferida é laranja. (sou óbvia, confesso)
11- amor pra mim é doação, tem de ser de graça. se precisa negociar, vira outra coisa. né?
12- até colocar no ar o Pimenta com Limão achei que não sabia escrever sobre mim.
13- me sinto melhor aos 41 do que em qualquer outra época da vida.
14- gosto de Ennya, Kenny G e MAGAL. (me deixa).
15- sou chata. pra gostar de mim é preciso me aturar.
16- odeio que tentem me manipular.
17- se rifou minha amizade, não tem volta. não sei esquecer. e falando em amizades ninguém no mundo me conhecerá melhor ou terá melhor sintonia comigo que a Fernanda (minha melhor amiga da vida toda, e pra vida toda).
18- meu rompimento com o PT foi doído, dói até hoje. questões políticas não são menores ou ficam em segundo plano, elas ajudam a definir o que sou. e me explicam.

Agora juntem com a outra lista. Sou esse emaranhado.

1- odeio falar durante a primeira hora que acordo.
2- aprendi a gostar, manifestar afeto com o Calvin.
3- já usei cabelo pela cintura com uma trancinha dreads e pedrinhas na ponta.
4- quando caminho na rua não enxergo ninguém, estou sempre viajando.
5- prefiro assistir filmes sozinha.
6- nunca quebrei nenhum osso.
7- o não-casamento com o Gilson é o primeiro da vida.
8- detesto repetir o que digo.
9- larguei o teatro na escola porque confundi o estômago com o coração.
10- amo chá de cidreira, andar na chuva e bala 7 belo porque lembram a infância.
11- odeio atender o telefone em casa e por vezes finjo que não estou quando toca a campainha.
12- fiz meu primeiro bolo aos 8 anos de idade.
13- os fantasmas da infância, adolescência ainda me assombram.
14- odeio camarão (não é alergia, só não gosto mesmo).
15- discurso primeiro, beijo no coleguinha (que me valeu título de biscate) no pátio depois (no Jardim de Infância, aos 5 anos).
16- eleição pro grêmio estudantil primeiro, transar depois.
17- guardo mágoas e ressentimentos da vida toda (maior espaço interno da categoria).

e se me virem rindo descompensadamente não procurem ‘entender a graça’, é deboche em estado puro, e quando começo não paro nunca mais.

UFA! 

………………………/

obs. Adora joaninhas…

Lady BUG. Brasil, 18/11/2013. foto: Antonio Miotto Lady BUG. Brasil, 18/11/2013. foto: Antonio Miotto

Vera

Vera. foto: Antonio Miotto

Vera. foto: Antonio Miotto

“Dinâmica, alegre, com muita fé e de bem com a vida, esta sou eu, casada há 21 anos e com dois filhos maravilhosos e um trabalho que me faz ser produtiva, criativa e ligada no 220, uma vida “normal”, até receber o diagnóstico de um carcinoma ductal invasor — em outras palavras, um câncer de mama.

Como em um flash e em questão de minutos voltei ao passado e relembrei minha história e muito mais rápido não enxerguei o futuro e logo prospectei seis meses de vida. Tinha a sensação de não pisar no chão e o vazio e dor no peito eram grandes, tal era o medo que sentia.

O impacto da notícia refletiu no medo das perdas, o arrependimento de não ter vivido melhor, de ter amado muito mais, de viver cada segundo como se fosse o último, de caminhar ao sol, de simplesmente viver.

A primeira semana foi de lágrimas e de pensamentos desordenados e impulsivos, totalmente sem equilíbrio mental e espiritual, comecei a organizar documentos e deixar tudo pronto para que minha família tivesse acesso à tudo com facilidade. Ao ver meu marido e filhos não conseguia me conter e posso dizer que foi a pior semana da minha vida.

Apesar de saber que existem hospitais e tratamentos avançados para o câncer, neste momento não conseguia enxergar as possibilidades que estavam ao meu redor e por momentos achei que não fosse conseguir.

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Porém, como iniciei o texto, não poderia me entregar sendo eu tão dinâmica, alegre, cheia de fé e de bem com a vida e após uma semana de lágrimas pensei: tenho duas escolhas, lutar ou desistir mesmo antes de tentar. E com muita fé, coragem e determinação fui em busca do meu tratamento e da minha cura.

Foram exatamente dois meses até a cirurgia de mastectomia radical em fevereiro de 2012, seguida por 16 sessões de quimioterapia e 28 radioterapias, completando o ciclo parcial do tratamento, que me deixou sem cabelo e sobrancelhas e com cicatrizes no corpo devido as intervenções necessárias. Nos próximos anos, até completar cinco, vou estar recebendo um medicamento e fazendo os exames e retornos necessários até a alta final dos médicos.

Foi um tratamento longo, cheio de surpresas inesperadas no caminho, fiquei sem forças, sem ânimo, sem apetite e sem dúvida, me sentindo feia, porém, sou grata a Deus porque a cada dia sentia Sua presença através do tratamento bem sucedido e da melhora constante.

Em nenhum momento deixei de trabalhar e estudar e poucas foram às vezes que deitava para descansar, sabia que tinha que lutar e ser forte e determinei que não iria mudar a minha rotina por conta do tratamento.

Cursando o 3º ano do Curso de Serviço Social cheguei a pensar em trancar a faculdade, tendo em vista a fraqueza do meu corpo e da minha mente em raciocinar, devido a quantidade de medicamentos, porém, meu grupo sempre presente, quase todas as noites me buscava em casa e não me deixaram desanimar e com isso estou alcançando o tão sonhado diploma.

Hoje após este período de lutas e vitórias, tenho certeza que me tornei uma pessoa melhor, como esposa, mãe, amiga e entendi que enfrentar um câncer, nada mais é do que enfrentar a própria vida de corpo e alma, de cabeça erguida, de viver intensamente e verdadeiramente, sem medo de arriscar, de tentar, de sonhar, de lutar pelos nossos objetivos, independente dos obstáculos que vamos ter pela frente – somos mais fortes – é nosso dever cumprir com a missão que nos foi delegada por Deus … que é viver.”

Vera Lúcia Ribeiro. SÃO PAULO/SP, Brasil 09/11/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Helga

@m@r

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

“Um dia eu ouvi de um escritor que se você vai colocar um livro no mundo, você não pode escrever qualquer livro. Porque de livros o mundo já esta cheio. Basta dar uma olhada em qualquer livraria! Por isso, se você for escrever um livro, escreva algo que realmente importe para o mundo…

Bom, eu não preciso nem dizer quantas vezes essa frase me fez sentir uma pessoa incapaz. Ou uma ostra, que deveria permanecer quieta e fechada tentando fazer pérola. Afinal, o que teria eu para falar que fosse algo realmente importante para o mundo? Isso é muita coisa. E eu nem me sinto tão importante assim.

Para piorar, eu sempre tive um amor infernal por livros. Amor de todos os tipos. Teve livro que eu fiquei, teve livro que rolou só um sexo casual, teve livro que eu amei (com direito a borboletas no estômago), teve livro que eu casei. E esses eu deixo na estante com as folhas dobradas, para ler de vez em quando as frases que gosto e recuperar a esperança no mundo…

Helga no Memorial

Enfim, mas de alguma forma todos os livros que passaram por mim, deixaram alguma coisa. Troquei algumas pessoas por livros, nas vezes que me senti incapaz e torta demais para o mundo. Porque livros são quase como se fossem pessoas, das quais nunca saíram do papel. Achei que livros eram lugares mágicos, reservados à gente excepcional, tipo a Clarice Lispector, o Amyr Kilnk, o Marçal Aquino, o Marcelo Rubens Paiva, a Virginia Wolf, o Bukowsky, o Leminski, a Xinran, o Nietzsche, e tantos outros… Pensava que livros não eram somente casas de palavras. Eram espaços de encontro entre corações desconhecidos. Livros, para mim, são muita coisa.

Mas, independentemente dos livros, eu demorei muitos empregos, muitos namorados, muitas horas de terapia, gastei muito dinheiro e muito tempo, para finalmente entender, que mesmo que isso não seja uma profissão ou um meio de ganhar a vida, escrever é o que eu mais amo fazer. E foi por meio da escrita que eu penso que conquistei uma das melhores sensações do mundo que é a paz no silêncio. Ou o que muitos poderiam traduzir como satisfação. Foi escrevendo que eu dei forma a tristeza, para depois, deixa-la ir embora. Foi escrevendo que ganhei amigos, ganhei histórias, cativei pessoas, seduzi, ganhei presentes de verdade, da vida. Foi escrevendo que eu conquistei um elenco incrível de 11 artistas que formam o Delas e contribuem com tanto talento para dar formas a tantas palavras, que hoje, não me pertencem mais. Foi escrevendo que eu me descobri feliz. É escrevendo que eu respiro.

Eu não sei se fui capaz de escrever algo muito relevante para o mundo (sinceramente acho que não). Mas acho que também não escrevi um livro somente para enfeitar a prateleira de uma livraria, ou para fazer um lançamento.

Escrevi um livro porque eu amo escrever e acho que é isso que eu sei fazer de melhor. Por todos os caminhos que percorri até aqui, acho que eu aprendi (de um jeito nem sempre fácil) que quando a gente faz algo que realmente ama, e isso é incondicionalmente verdadeiro, isso é, de certa forma, contagiante. Acho que quando a gente faz algo que realmente ama, a gente acaba fazendo bem para o mundo. Mesmo que indiretamente…”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

Artistas Latinas

Bolinhas.SÃO PAULO/SP, Brasil 12/10/2013. (Foto: Antonio Miotto)

Saltimbancos, assim sempre foram chamados. Hoje, ganham fama como artistas de e na rua. Apresentam-se nas ruas e avenidas da cidade de São Paulo. As apresentações espalham-se por quase toda a urbe e ao mostrarem suas artes nos locais públicos – como praças, calçadas e nos faróis/esquinas – divulgam seu trabalho e levam diversão para todos. São multi-arte[istas] ora cantam, dançam, brincam fazendo suas mímicas, poetizam a vida como estátuas vivas, etc. A arte de e na rua não é uma profissão e sim uma maneira de se custear sua sobrevivência – como dizem: ‘manguear’! – e também a manutenção de seus equipamentos, tais como os instrumentos musicais, as tinturas corporais, etc.

Brenda, 18 anos – de Vitória/ES. Artista de Rua e que está no “trecho”: pensa em fazer um rolê pela América Latina pedalando...! / Thaiane, 19 anos – do Rio de Janeiro/RJ [ “sou carioca”]. Artista de Rua. Deseja também dar um rolê por toda América Latina [ trem, carona e bicicleta ]. Foto: Antonio Miotto

Brenda, 18 anos – de Vitória/ES. Artista de Rua e que está no “trecho”: pensa em fazer um rolê pela América Latina pedalando…! / Thaiane, 19 anos – do Rio de Janeiro/RJ [ “sou carioca”]. Artista de Rua. Deseja também dar um rolê por toda América Latina [ trem, carona e bicicleta ]. Foto: Antonio Miotto

A multi-arteira na rua/avenida, por instantes quase que mágico nos transporta além dos dilemas [triviais] cotidianos: conta$, louça e roupa para lavar. Nossa eterna [e vã] existência ao ver espetáculo torna-se suspensa: a respiração levita com o encontro da poesia gestual do corpo do palhaço e o cotidiano de nosso olhar – já acostumado com a mesmice do dia-a-dia. Pausamos a dramati-cidade ou nos dizeres de Leminski :

A poesia é o principio do prazer no uso da linguagem. E os poderes deste mundo não suportam o prazer. … A função da poesia é a função do prazer na vida humana”.

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Dia Mundial Sem Carro

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“Dia 22 de Setembro é o “Dia Mundial Sem Carro”. O nome varia, mas o mote é sempre o mesmo, comemorar e defender uma outra cidade possível. A iniciativa veio da Europa, onde faz parte da Semana da Mobilidade. No Brasil, mais tem sido feito por organizações da sociedade civil do que pelo poder público.

A

Para quem caminha, pedala ou usa o transporte público nada muda. Já os motoristas dos automóveis particulares ainda não foram devidamente sensibilizados para conhecer alternativas, nem que durante um dia apenas.”

bicicletas na cidade de São Paulo

 * Defenda o uso do transporte público de qualidade: rápido e eficiente; calçadas em condições mínimas de utilização por todos os cidadãos e utilizando a bicicleta, você se sentirá mais integrado ao espaço urbano, ganhará saúde e consequentemente sentirá a melhora em sua qualidade de vida.

Em nossas cidades, todos os dias percebemos o aumento das horas que se gasta no interior de um carro[fruto da ampliação da frota de veículos], refletindo o desperdício da qualidade de vida e do tempo. Juntos, podemos viabilizar a mudança de vida em nossas cidades:

Quando pedalar em sua cidade:

  • Antes de sair de casa: alimente-se bem! Vista-se com roupas que possibilitem um melhor comunicação com os motoristas e pedestres [lembrete- à noite, luzes e reflexivos ];

BRUNA CARDOSO, 25 ANOS

BRUNA CARDOSO, 25 ANOS

  • Pedestre sempre tem a preferência: evite pedalar nas calçadas, opte por desmontar e empurra; nas faixas de pedestres, espere-o concluir a travessia.

JULIANA DIEHL, 28 anos.

JULIANA DIEHL, 28 anos.

  • Sempre pedale por caminhos alternativos [ruas tranquilas]. Se estiver em uma avenida, muito movimentada redobre a atenção. Rotas compartilhadas você pode conferir no bikemap.net ; Ao pedalar, ocupe de 1/3 ou 1/2 da faixa – nunca próximo à guia, facilitando a visão dos motoristas e permite à você uma margem de segurança em caso de buracos.

Juliana Gatti, 32 anos

Juliana Gatti, 32 anos

  • Pedalando nas vias, você é o trânsito; e no trânsito toda a atenção deve ser redobrada: sinalize todas as manobras que irá realizar. Tenha ciência de todos os caminhos de se chegar ao seu destino; Compartilhar o espaço público, será uma constante para você, então pratique o respeito e a educação no trânsito.

Diva, 48 anos.

Diva, 48 anos.

insPIRE + com o poetinha

As poetisas: Alessandra e Formiga

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Alessandra Reis

Alessandra Reis, 34 anos, solteira, filha de nordestinos, negra, lésbica. Residente do bairro de São Miguel Paulista desde que nasceu (salvo por um ano e 3 meses em que se refugiu em terras Soteropolitanas). Foi professora de educação infantil por 8 anos, é artesã e se arrisca nas linhas da escrita e poesia (não se considera poeta), é vegetariana, acredita na força da união e nas lutas sociais, sonha com um mundo onde exista mais respeito, tolerância, compaixão e amor ao próximo. Ativista na luta pela divulgação das Doenças Falciformes, é Coordenadora Financeira da Associação Pró Falcêmicos APROFE, uma instituição sem fins lucrativos que tem por missão contribuir na melhoria da qualidade de vida dos portadores desta anemia e de propagar informações para familiares, profissionais da saúde e população em geral.

[*sem título – nota BSC]

Eu trago estrelas na alma
a iluminar-me por dentro
nascendo e renascendo
reafirmando-me a Luz
que brilha internamente
e aos meus passos conduz
Eu trago a chama de um fogo
um sol que vem me aquecendo
surgindo não pela metade
na resplandecente Verdade
que me leva em liberdade
a reencontrar-me de novo.
Reencontrar-me na Cruz, 
a ser reafirmada em silêncio,
que na Palavra se encontra.
Ter a mais firme esperança
da Vida que vai soerguendo 
e aos poucos revigorando
os erros desta humanidade
que se perdeu da Verdade
e  foi se escurecendo
nas sombras que em si foi erguendo.
Eu trago em mim a vontade
de ressaltar uma voz
a voz que vem do espírito
que nos conduz ao equilíbrio
que reconduz nossa ação
esta é a voz da intuição
que abafará o malefício
que a humanidade exaltou
que calará os barulhos
que a mente em si reforçou.
Eu trago assim a certeza
de que nada há a temer
pois tudo então colheremos
para o nosso amadurecer
e despertar para a Luz.

20130823_AntonioMiotto_ale-7

.-.-.-.-.-

FORMIGA

Moradora do região sul da capital paulistana, poetisa.

Formiga

Formiga

Minha poesia que eu acho mais a cara o 29 de agosto é essa aqui:

*Lésbika Antiestétika

Ela cola, Ela olha, Ela bate um flash, Ela ocupa teu abandono

e tranforma em squat

Ela é mudança, Ela ri, Ela quer assumir, quer amar, quer

beijar quer quer o preconceito abolir

ELA abranda, ELA é anti moda, Ela é capaz, Ela é punk, Ela

é rap, Ela é guerrilheira da paz

Ela é manax, Ela é ación directa, Ela é capoeira,

Ela é revolución, Ela é mente fecunda, Ela é antissexista,

roda o globo, pedala na pista, Ela é...

Ela é negra na cor raspou o cabelo, Ela é autoestima

em frente ao espelho, Ela é...

Ela é Frida , Ela é Angela Davis, ela é Valerie Solanas,

faz prosa, faz verso, Ela é fortaleza,

Ela é Amazona, Ela é memória viva, Ela é sutil, no

Verso exposto ela tem franqueza, sua ginga é

vera

destreza, Ela é...

Vai que vai!... Lésbika antiestétika

Lésbika antiestétika já rimou

Ela é  poétika revolucionou

Antiestétika o mito da beleza destruiu

Vai que vai!... Lésbika antiestétika

Lésbika antiestétika

Seu abraço feminista é acolhedor

na denuncia anti machista sua voz é amplificador

“Ela é Banto, é Nagô, é Iorubá”, Ela é anti heteroNORMATIVA, vai te escrachar

Ela rima, Ela decora, Ela berra, Ela cria, Ela não bebe e ser livre de
drogas propaga, Ela...

E a resistencia não acaba... lesbianidade É REBELDIA também...

ela vai  mais além

Ei DJ "dead men don´t rape", que Ela é mudança, Ela ri, Ela quer

assumir, quer beijar, quer amar,

Quer a lesbofobia abolir ... “Ela é zica na cena”, Ela é poliamor

“Ela é ie ie ie ie, ou ou ou ou”...

Movimento P I N T O C O R E ela é skateboard. Ela está compondo

uma canção porém Ela é Rebel Girl, Ela é ms. 45

hein?! Ela é cheia de marra também já viveu, já

sofreu o heteropatriarcado racista na pele... tem parceria na ZN, ZS, ZO
América Latina, ABC e ZL...

Podia me apaixonar...

Ela batuca e protesta, Ela é quem forma a ciranda e DE MÃOS DADAS com a
irmandade

ilumina o breu,

Sororidade é noiz valeu.... ooo MANAXS QUE fortaleceu...

Críticas de uma guerreira Black, é a feminista radical is back, vai

vendo mulequA, Ela é capaz

de deixar os pelos do suvaco crescer e não voltar atrás, Ela é...

Vai que vai...! Lésbika antiestétika

Lésbika antiestétika já rimou

Ela é poética revolucionoau

Antiestétika o mito da beleza destruiu

Vai que vai!... Lésbika antiestétika

Lésbika antiestétika...

Lésbika antiestétika já rimou

Ela é poétika revolucionou

Antiestétika o mito da beleza destruiu

Vai que vai!... Lésbika antiestétika

Lésbika antiestétika...

* Lésbika Antiestétika é uma versão poética da música Mulher Elétrica dos
Racionais Mc´s.

formiga, poetisa. São Paulo, 04/07/2013

A postagem faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love

semana_lesbica_bissexual

Tarsila

Tarsila [ Mercer de Souza] com seus vinte e poucos anos é moradora da cidade de São Paulo/SP [bairro de pinheiros/zona oeste da cidade].

Tarsila [ Mercer de Souza] com seus vinte e poucos anos é moradora da cidade de São Paulo/SP [bairro de pinheiros/zona oeste da cidade].

Tarsila, é uma pessoa que está se esforçando em fazer o que gosta. Escrever é uma delas. Gosta também de outras coisas, como dançar e conversar com árvores.

Tarsila Mercer de Souza. São Paulo, 21/08/2013. foto: Antonio Miotto.

Menstruação

O sangue escuro sobre a pele morena

atesta: é tempo. os ‘quero-queros’ em revoada

fogem, sob o som ardido da dor.

A testa, deitada sobre os joelhos:

sem tempo. Os segundos são espessos.

Os períodos são concretos, a tristeza é agridoce

e física. Na própria lama ela se refaz;

o fluxo do vinho o refluxo dissolve,

cospe sapos e digere leões. Serpentes

escorrem pelas pernas bambas, a beijar os pés

plantados sobre suas próprias terras santas.

….

Sua poesia é uma forma de exercitar e compartilhar um pouco de inspiração.

Você poderá encontrar a Tarsila no facebook.

Tarsila Mercer de Souza. São Paulo, 21/08/2013. foto: Antonio Miotto.

-.-.-.-.-.-

recado da Tarsila

gostaria que você me desse crédito. Porque eu sou vaidosa, sabe? Sei que tenho que repensar isso e tal. Enfim, eu sei como a internet é, e não vou te processar se você usar um texto meu sem os devidos créditos. Pra falar a verdade eu acho que vou ficar bem feliz de ver os meus textos rodando por aí.

Se você mexer no meu texto, eu gostaria que você assumisse a autoria da mudança. É muito legal quando uma ideia nossa cai no mundo,  com o nosso nome ou não. Mas é ruim quando alguém coloca palavras na nossa boca.  Uma sugestão é falar que você se inspirou no meu texto, por exemplo.

Eu estou fazendo isso porque não acredito em copyright. Se alguém puder aprender algo com o que escrevo, melhor. Se alguém conseguir produzir algo legal mais facilmente com o que escrevo, melhor. Acho até que são objetivos bem ambiciosos de se alcançar. Além do quê, não tem nenhuma grande empresa por trás de mim, e eu atualmente não ganho pelos meus textos (embora eu gostaria de aprender a fazê-lo).

.-..-.-.-.-.-.-.

Fora que eu acredito no livre compartilhamento da inspiração. Vou me achar uma pessoa de imensa sorte se algum dos textos aqui inspirar alguém, e me sentiria uma pessoa horrível se eu tivesse que restringir meus textos em vez de simplesmente deixar as ideias fluirem, o mais livremente possivel. “Voa, passarinho, voa!” me dizia uma amiga minha. Então voa, textinho, voa.

Maria Medalha

Maria Medalha

Medalha ou Maria Medalha é como se apresenta a moradora em situação de Rua. Habita as ruas[ bairro da liberdade em São Paulo] há mais de 10 anos e aos 44 anos reforça com enfâse que está solteira. Abomina os albergues[ espaços destinados a abrigar as e os moradores em situação de rua], se alimenta e cuida da higiene pessoal na Associação Minha Rua Minha Casa [lá trabalha como voluntária, e vez por outra também dorme por lá].

Maria Medalha

“Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

(…)” Milton Nascimento

Maria Medalha Maria Medalha

obs: as fotos aqui publicadas, foram reveladas e entregues à Medalha.

O casamento da Paula e Daniel

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O casamento da Paula e do Daniel foi dia 13 de julho, em uma cerimônia aberta no segundo platô da Praça das Corujas (Praça Dolores Ibarruri – Bairro de Pinheiros em São Paulo).

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Paula Aftimus é jornalista, apaixonada por futebol, cinema e pessoas que se arriscam em busca de algo em que acreditam. Trocou o carro pela bike – e longas caminhadas; a coleção de calças jeans por muitos vestidos e os amigos chatos por estranhos loucos que a gente encontra por aí (e que logo estão jogando Imagem & Ação em casa). Afinal, por que desejar segurança quando se pode sonhar com aventuras?

Daniel Santini é jornalista, coordenador da agência da de notícias Repórter Brasil, e mantém um blog de jornalismo de dados sobre cidades no site ((o)) eco.
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