Pingos nos Is…

Ou…O que é ser biscate?

Está ali no nosso cabeçalho: Biscate é uma mulher livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Simples de entender? Não, nenhuma mulher é simples e o mundo finge não entender quando assumimos as rédeas do nosso viver e existir. Apesar de várias de nós já termos apresentado cada uma do seu ponto de vista o que é ser biscate, as dúvidas perduram.

O blog roda, as discussões avançam e de vez em quando alguém ainda pergunta: O que é mesmo uma biscate? Respondemos: uma biscate é uma mulher que não é incrível – ao ter e porque tem – um homem ao seu lado. Ou seja, desenhando: qualquer mulher que não seja definida por estar ao lado de um homem e nesse lugar ser considerada incrível, é uma biscate. Não somos nós quem dizemos, é a imagem com a frase, tão luminosa e tão difundida e aplaudida no Facebook.

Ficamos pensando que um exemplo ou outro iriam ajudar. Por definição, as maiores biscates são as freiras. As irmãs de caridade. Porque elas, por força de ofício, nunca terão um homem ao seu lado, logo, nunca serão incríveis e, não sendo incríveis, no cara ou coroa da definição (ou íncrível ou biscate), sobra-lhes, freirinhas, o posto de biscates. Tão biscates quanto as freiras são, necessariamente, as lésbicas que, também elas, não terão um homem pra chamar de seu – pelo menos não por seu gosto e vontade. Assim, pela divisão proposta pela frase/imagem motivadora deste blog, as freiras e lésbicas são biscates. As viúvas são biscates.  As meninas que nunca namoraram são biscates. As solteiras. As divorciadas. Todas biscates.

Daí a beleza, não acham? Enquanto a mulher incrível é definida por um único atributo: estar ao lado do homem; uma biscate pode ser – e é – livre de um lugar preconcebido. Uma biscate pode ser – e é – livre pra ser quem ela quiser, ela mesma inclusive, sem ter como ponto de referência um outro ser que não ela, seus desejos, limites, capacidades.

Acontece que até entre as mulheres que são consideradas incríveis — aquelas que têm um homem avalizando sua “incribilidade” — há aquelas que se assumem como biscates. Oi? Como assim ela é incrível e prefere ser biscate?

O que nos define é a não-aceitação a essa dicotomia entre mulher incrível x biscate, porque uma coisa não exclui a outra. Como bem disse o Lucas, de apenas 17 anos — aprendam com ele — quem foi que disse que biscate não é uma mulher incrível? No quê o fato de ser biscate exclui a possibilidade de ser incrível e maravilhosa?

Se a definição de biscate já é controversa e nós estamos contribuindo para dar um nó nessa história, virando do avesso essa (in)definição e assumindo positivamente uma expressão que é usada de forma pejorativa para nos desqualificar, a definição de incrível está no dicionário faz tempo:

incrível
adj. 2 g.
1. Que não pode ser acreditado.
2. Extraordinário.
3. Que custa a acreditar.
s. m.
4. O que não se pode crer.

Não entendeu ainda? Vamos desenhar, de novo: Não importa o que digam de nós e nem em quantas caixas tentem nos colocar ou em quantas classificações e dicotomias tentem nos enquadrar. Somos muitas numa só, desdobráveis… e REAIS. Anjo, má, intensa, mãe, livre, culpada, puta, provocante, elegante, louca, chata, gostosa, autônoma, vulgar, doce, rebelde, alegre, fêmea. Mais do que não precisar da chancela de um homem, não precisamos de autorização de sociedade hipócrita e moralista para sermos. Somos o que quisermos, independente do que os outros queiram que sejamos, e você terá que conviver com isso, gostando ou não.

O que é mesmo uma biscate? É uma. Única. Ela. Cada. Sem plural.

Dizer-se biscate ante o discurso que se apresenta é sentir-se livre de lugares preconcebidos. Porque ela é livre pra ser quem ela quiser, como ela quiser, quando ela quiser, sem precisar que os outros lhe indiquem o jeito certo. É ser incrível e biscate. Biscatemente incrível, incrivelmente biscate.

..

O Biscate Social Club completa hoje um mês no ar e este texto é ao mesmo tempo uma comemoração e uma afirmação, um manifesto da nossa proposta e existência coletiva. É um imenso prazer manter este espaço de debate sobre a condição da mulher de uma forma mais leve, mas não menos séria ou responsável.
Continuem conosco e sigamos biscateando pela blogosfera. Só não tentem nos dizer como devemos ser ou nos comportar, isso cabe a nós.

Um brinde à ‘biscatagi’!  Vida longa ao Biscate SC!

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